O rio Itanhém Parte 01

 Por Daniel Rocha

De acordo com o escritor alcobacense Fabio M.  Said no livro história de Alcobaça-Bahia (1772 – 1958) no ano de 1817 do século XIX,  o príncipe alemão Maximiliano ao navegar pelo rio Itanhém observou com curiosidade a presença de nativos, a riqueza natural da região e negros escravizados trabalhando como canoeiros por toda extensão do rio chamado  pela alcunha nativa de Itanhém, que na língua nativa significa “Prato de Pedra”.

Já na carta topográfica do Mucuri de 1859, um dos poucos registros que mostra a região do vale do Itanhém naquela década, indica que onde hoje está a cidade de Teixeira de Freitas não havia nativos habitando o local, há registros no mapa de tribos ao longo do rio na altura das terras mineiras. Na carta topográfica , ilustra o texto , o rio é identificado pelo seu topônimo Alcobaça.

Sobre a navegação do rio,  um “ Diagnóstico” socioeconômico da região cacaueira de 1976, realizado pela Comissão executiva do plano da lavoura cacaueira – CEPLAC, destaca que ela existiu desde a “Cachoeira do Guerreiro até a sua foz na cidade de Alcobaça, feita por pequenas embarcações (canoas). Hoje em dia este sistema é praticamente obsoleto em virtude de se dispor de rodovias que interligam os principais municípios da bacia”.

Rodovias que foram abertas a partir da década de 1950, antes das vias terrestres  chegar ao interior de Alcobaça era uma tarefa difícil e demorada. Coberta pela floresta atlântica, matas e brejos alcançar o vale só era possível através de trilhas por entre as matas ou pelos trechos navegáveis do rio Itanhém.

Por isso navegar era a primeira opção dos moradores das pequenas comunidades rurais, o rio funcionava como uma boa muleta na falta de estradas para o comércio do interior. O meio de transporte mais utilizado pelos interioranos era as canoas, que percorriam toda extensão do rio até a cidade de Alcobaça.

A rotina deste tempo em que o rio era a melhor opção para chegar ao litoral prevalece marcada nas lembranças de antigos moradores como Isidro Alves do Nascimento e  Nivaldo José, ambos cresceram em áreas rurais que hoje fazem parte do município de Teixeira de Freitas.

O pioneiro Isael Freitas (1928-2010) nas entrevistas cedidas a periódicos locais durante os últimos anos de sua vida, recordou as aventuras vividas nestas décadas (1930-1950) e o trabalho que tinha  quando precisava visitar a cidade de Alcobaça para vender ou comprar produtos para a fazenda onde morava.

Conta que na volta da cidade, rio acima gastava em média cinco dias para chegar à fazenda onde cresceu, a Nova América, na canoa traziam açúcar, óleo, roupa e sal de cozinha.

Já o senhor Isidro de 87 anos, em uma agradável entrevista, contou que de fato tudo produzido era escoado pelo rio Itanhém. Para ele o rio selvagem e misterioso exigia do canoeiro um olho peixe outro no gato, pois no local era de costume aparecer visagens como a do Boitatá.

Outro outro antigo morador ouvido pelo site, Nivaldo José, 70 anos, que tem residência fixa na cidade e também na comunidade Arara, onde nasceu, às correntezas oferecia grande perigo aos viajantes:

“Certa vez meu tio Silvano, seguiu rio acima, como era de costume, carregando em uma pequena canoa quando de repente ele (o rio) se zangou, se encheu e o remanso o jogou para além das árvores, perdeu tudo que levava se não soubesse nadar teria morrido”.

Mas como já revela o causo do Boitatá não só homens desafiavam o rio e suas surpresas, houve também mulheres canoeiras como Dona Celina Correia da Silva que trabalhou durante anos nesta função pesada, quase sempre destinadas aos homens.O rio além de proporcionar a mobilidade local, também ofertava uma variedade infinita de peixes. Continua no próximo texto:

O rio Itanhém parte 02

O rio Itanhém parte 03

O rio Itanhém parte 04.

O rio Itanhém parte 05

O rio Itanhém parte 06

Mulheres parteiras em Teixeira de Freitas parte 01

Mulheres parteiras parte 02.

Praça da prefeitura

O causo do Tatu papa -defunto.

Os nomes que Teixeira de Freitas já teve

O cine Horizonte

O comércio de Teixeira de Freitas

História da Expo Agropecuária de Teixeira de Freitas

O causo do Boitatá

O causo do nó da mortalha

 

Emancipação: História e memória

 

Daniel Rocha : Historiador, Bacharel em Serviço Social, Pós-Graduado em Educação à Distância (EAD), Cinéfilo e blogueiro criador do blog Tirabanha em 2010. Contato: Samuithi@hotmail.com

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