Por Daniel Rocha

No final da década de 1980  todo canal tinha uma apresentadora de programa infantil. Sem dúvida que a Xuxa da Rede Globo, líder de audiência, massacrava as  diariamente as demais no ibope e tinha a preferência do público que consumia tudo associado ao programa “Xou da Xuxa”.

Porém sem mais nem menos em 1988 uma concorrente rouba a cena ao cravar nas principais rádios do país e nos programas de auditório o hit Vou de Táxi. A música interpretada pela apresentadora Angélica, hoje global, fez tanto sucesso que tornou se uma espécie de música meme, todo o mundo cantarolava exaustivamente.

Naquela época a mulher já trabalhava fora para criar filhos ou ajudar nas contas da casa, mas no interior da Bahia a maioria se virava em casa, seja lavando ou passando roupas pra fora ou como faxineira  doméstica no turno escolar do filho.

Outras  como a minha vizinha Dona Verônica desistiam da sonhada emancipação feminina empre vinculada nas novelas para se dedicar exclusivamente a casa e aos filhos, em nome da sublime glorificação do amor materno.

Naquela época ,como criança que eu era, costumava brincar de carrinhos e outros brinquedos ao som das cantigas e interpretações da dona Verônica, mãe do meu vizinho, que lavava roupa no tanque dos fundos da casa cantarolando, ao seu modo, o hit do ano ‘Vou de Táxi’.

Enquanto a letra original dizia “Vou de táxi, cê sabe” dona Verônica, sem nenhum pudor, colocava um ônibus na história. “Vou de ônibus, cê sabe. Tava morrendo de saudade. Mas nem me lembro do teu nome”. Ocorreu de um dia um vizinho do lado escalar o muro para queixar:
– Ô dona Verônica.. Não é “vou de ônibus” é vou de táxi. Ela entre sorrisos e cheia de sensação e personalidade olhou para trás e bradou:

– Meu querido, eu só ando de ônibus… Não tem sentido pra eu cantar “vou de táxi”. Do jeito que passa na televisão eu não concordo, não é da minha iguala.

Depois de uma boa risada se voltou para o tanque, com uma flor de espuma na lapela, seguiu a esfregar roupas enquanto as crianças  continuavam a brincar no quintal.

 

Foto: Google Imagem.

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