Retratos do Brasil

Por Erivan Augusto Santana*

No Brasil de hoje, temos vivido tempos absurdamente inacreditáveis, que se parecem mais com um filme, ou uma série como “House of Cards”, mas que em nada beneficiam o povo brasileiro. Vive-se sempre à espera de uma nova delação – o Brasil se transformou no país das delações.

A crise se instalou em todas as instituições do país – inclusive no Judiciário – onde há suspeitas de imparcialidade, haja visto que muitos de seus protagonistas estão frequentemente na mídia, quando não em companhias de políticos.

Paira sobre esta instituição também, questionamentos quanto aos vultosos vencimentos de muitos de seus componentes, que envergonham o mais humilde trabalhador brasileiro, a ponto da ministra Cármem Lúcia solicitar – e exigir maior transparência quanto a estes vencimentos.

Mas, e quanto ao Congresso? Alguma votação, algum projeto de lei que beneficie o povo, aquele mais humilde e sofrido trabalhador brasileiro? Alguma cobrança das grandes empresas que devem à Previdência?

A criação de impostos das grandes fortunas? A reforma tributária? Evidentemente que não. Na verdade, o que tivemos até agora foi a aprovação da PEC 55, que limita gastos e investimentos em Saúde e Educação, além da retirada de direitos trabalhistas e previdenciários, atingindo duramente os aposentados, pensionistas e o trabalhador.

 

Quanto nos custa o Congresso Nacional? Com toda esta triste movimentação política, nos esquecemos e continuamos a pagar uma das mais altas cargas tributárias do mundo, que onera sobretudo o mais pobre e a classe média baixa, que é realmente quem mais paga impostos nesse país. Tudo isto vai acontecendo, com a população distraída, à espera do novo fato político, da nova delação.

Com isto, perde-se o interesse pela política, pela informação, e tudo vai caindo no lugar comum, cedendo lugar aos perigosos extremismos, dificultando o diálogo saudável ao jogo democrático e consolidando o conformismo. Até quando continuaremos deitados em berço esplêndido?

*Professor, escritor e poeta

 

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Tempos modernos

Mal estar na modernidade

A escola sem partido e outras intempéries

A escola, a Educação e a Família

 

O nosso Legado Olímpico

Por Daniel Rocha

Em maio de 2016 a Tocha Olímpica passou pela cidade de Teixeira de Freitas causando grande alvoroço e movimentação na Avenida Presidente Getúlio Vargas, na altura do estádio municipal, onde os condutores foram recebidos pelo então prefeito João Bosco (PT) e uma grande multidão eufórica na “Praça Olímpica”.

Antes do evento o local era conhecido como “Praça do Rodelli”  e se resumia a uma quadra de basquete,  em uma das suas extremidades. A outra parte servia como ponto de estacionamento para carros e caminhões. Para receber a cerimônia o local foi reformado, urbanizado e projetado para também servir ao lazer da comunidade e a prática de esportes.

No presente, no início da manhã e no final da tarde o local é tomado por pessoas de diferentes idades que se dirigem ao espaço para a prática de atividades que vão desde simples caminhada a uma partida de futebol.  

No domingo a cena se repete na mesma intensidade, isso porque nos últimos meses a atual administração municipal, sob o comando do prefeito Timóteo A. Brito (PSD), executa o projeto “Domingo é Lazer” que consiste no fechamento de uma parte do trecho da Getúlio Vargas exclusivamente para o usufruto da população, movimentando ainda mais a praça que também ganhou durante a urbanização de 2016 equipamentos de musculação.  

 

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Mesmo com todo o sucesso não se pode deixar de observar que a praça já necessita de pequenas manutenções, nada difícil de resolver. Enquanto o Rio de Janeiro, a cidade que sediou os jogos, discute a realidade do legado pode -se dizer que a herança da passagem da tocha em Teixeira de Freitas faz bem a comunidade.  

 

It – A Coisa

Por Daniel Rocha

 

É impossível assistir a este filme ( It – A Coisa, 2017)  sem uma grande parcela de incômodo. Esta é uma fita  sobre um palhaço que usa a fantasia para assombrar e perseguir crianças e não divertir, como todos esperam dos trajados do ramo.

No filme, que é baseado em uma adaptação do livro A coisa, Stephen King, quando as crianças começam a desaparecer na cidade de Derry, no Maine, as crianças do bairro se unem para atacar Pennywise, um palhaço malvado, cuja história de assassinato e violência remonta há séculos.

 

Não se pode deixar de pensar na triste ironia de que o palhaço persegue crianças, o público que mais o adora, é esse detalhe que torna o filme mais incômodo, sufocante e assustador. Bem realizado o longa surpreende até o final. Vale a pena conferir.

 

Cine Teixeira

IT – A COISA
Sessões:
18:15
20:45

Informações Adicionais:
Classificação: 16 ANOS
Gênero: 
Duração: 2h 15min
Dublado

 

A Torre Negra

Por Daniel rocha

Eu não conheço o romance escrito por Stephen King que deu origem a adaptação, mas devo dizer que o filme A Torre Negra (EUA, 2017) não mantém o nível das boas adaptações do autor para tela.

Na trama, sinopse, o pistoleiro Roland Deschain percorre o mundo em busca da famosa Torre Negra, prédio mágico que está prestes a desaparecer. Essa busca envolve uma intensa perseguição ao poderoso Homem de Preto, passagens entre tempos diferentes, encontros intensos e confusões entre o real e o imaginário.

O filme é movimentado e recheado de surpresas, é uma boa história de fantasia, porém no final a sensação é de que o produto vendido não foi entregue como prometido. Falta sinergia entre a proposta e a realização.

 

 

 

Um lugar de memória no bairro Nova América

Por Daniel Rocha

A quatro quilômetros de Teixeira de Freitas, na avenida Alcobaça, no bairro Nova América, espremido entre a BA-290 e um vale cortado pelo “Córrego do Tampão” e o rio Itanhém, existe uma chácara que além de árvores raras conserva uma farinheira e também memórias de uma época em que aquela parte da cidade era uma extensão da Fazenda Nova América.

Na chácara da década de 1940 tudo está bem conservado pela pessoa de Walter Correia do Espírito Santo que mora no local desde o nascimento e que preserva do lugar os aspectos rurais da época  do surgimento do povoado de  Teixeira de Freitas.

 

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Na pequena Chácara é possível além da farinheira conhecer algumas construções antigas como uma casa datada de 1970 e uma outra mais antiga de barro batido. Conhecer árvores nativas, Jequitibá, Vinhedo e ipês que foram predominantes na paisagem, hoje deserta, antes da exploração intensiva da madeira.

 

 

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Embora os pais de Walter tenham ocupado o lugar em 1947, quando Tonina do Espírito Santo Correia filha do proprietário da fazenda Nova América herdou do pai  , José Félix de Freitas Correia,  essa parte da terra para morar, a farinheira só foi construída no final dos anos de 1960.

Isso porque a princípio o lugar foi usado para fazer roça de mandioca, que era beneficiada na farinheira da “Prainha” na Nova América que funcionou até o  meados da década de 1960.

“Antes da farinheira quando queríamos fazer a farinha colocava tudo no lombo do animal e levávamos margeando o rio Itanhém, onde havia uma trilha antes da abertura das estradas.” Destaca Walter.

As trilhas que davam acesso ao córrego e ao rio Itanhém ainda estão, em partes, conservadas e desperta a  memórias de outros moradores daquelas parte, como  Isael de Freitas Correia e os moradores da fazenda Floresta que costumavam transitar por ali.

 

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Na farinheira trabalhavam somente pessoas da família que produzia farinha, tapioca, beiju de goma para o consumo próprio. O excedente era vendido para os armazéns e comércio do povoado, segundo Walter a família não era de comercializar na feira.

Durante o bate papo sobre o cotidiano daquelas épocas de 1950 e 1960, Domingos Cajueiro Correia um dos memorialista da família que sempre que solicitado nos auxilia , presente no local, fez lembrar figuras antigas que habitavam as proximidades.

Como o senhor “Negro Gê” da fazenda Floresta  que cumprimentava os amigos e estranhos  movimentando um facão até riscar o chão. A família do Negro Gê costumava frequentar a casa de Isael de Freitas Correia que ficava mais adiante da Chácara Nova América, onde hoje fica o bairro Almirante do Rio, atrás do batalhão de polícia.

“Ele sempre visitava minha casa, levava peixe do rio para mamãe, Maria de Lurdes Cajueiro, que era parteira da família dele. Lembro que ele falava brincando que tinha coragem de enfrentar uma onça e que seu grande medo era atravessar uma estrada de rodagem”. Recordou Cajueiro.

Ele era um colonheiro? Sim era deste povo. Respondeu Walter. Colonheiro são os negros descendentes da antiga colônia Leopoldina, hoje Helvécia que fica no município de Nova Viçosa.

Se vê através das narrativas que, assim como a Fazenda Cascata e outras existentes no município a “chácara da Nova América” é um lugar de memória, isso significa que é um  lugar que guarda objetos concretos e imateriais como práticas e expressões de um passado memorizado que possibilita um sentimento de pertencimento e identidade de uma comunidade, família ou povo.

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Revolução dos cravos

 

Ao romper a manhã, 

o povo ocupa as ruas 

na Cinquentenário, 

na Paulista, 

na Candelária, 

no Farol da Barra. 

 

Na esquina do café, 

uma moça entrega  

uma rosa ao soldado, 

e logo várias rosas 

são entregues em 

meio à multidão. 

 

Na tv, Bethânia recita 

Castro Alves e Pessoa; 

e no muro está escrito:  

rEVOLution! 

Erivan Augusto Santana 

Veja também: 

A estrela d’alva e o sol

Juízo final

A carta

Fim de tarde

O ensaio de Maitê