Governador promete um Centro de Cultura à altura de Teixeira de Freitas

Por Daniel Rocha

O governador do estado Rui Costa (PT) autorizou a construção ou aquisição de um lugar adequado já existente para o espaço de Cultura da cidade. A ordem foi dada durante a inauguração da pavimentação da Avenida São Paulo realizada no sábado dia 21/10/17.

O anúncio fez vibrar o prefeito Temóteo Brito (PSD) e diversos artistas do departamento de cultura e o  público presente. Se concretizada a promessa o governador vai atender uma reivindicação antiga da cultura local que é ter um espaço adequado  para o teatro, dança, capoeira, música e outros.

Porém é preciso lembrar que não é a primeira vez que os governantes prometem solucionar o problema com a construção de um lugar apropriado diante do uso constante da classe artística de espaços não adequados.

Na década de 1960, 1970, 1980, por exemplo, os cinemas de ruas, Cine Brasil, Cine Horizonte e Cine Elizabeth, serviam como espaços para apresentações teatrais, shows e outros.

Com o fim dos cinemas de rua na década de 1990 a comunidade passou a reivindicar espaços. Em 1992 foi cogitado por deputados estaduais da cidade, ligados ao governo do estado, diante das reivindicações, a construção de um ginásio de esportes que fosse útil também como espaço de cultura, a ideia não vingou.

Em 2001 o governador César Borges, ao inaugurar o novo prédio do centro educacional Rômulo Galvão, o CEPROG, anunciou a construção de um espaço de cultura para cidade, na época reivindicada pelo  prefeito Wagner Mendonça. O projeto nunca saiu do papel.

No final de 2012 o prefeito Apparecido Staut tentou adquirir os Cenários Eventos para ser a casa de cultura municipal, porém uma decisão da justiça local impediu as negociações avançadas entre as partes, a pedido da APLB sindicato que questionou a origem do dinheiro. Segundo a instituição a verba tinha outra finalidade de acordo com a lei.

Durante o governo João Bosco (PT) o “Barracão da Cultura”, uma garagem locada no centro da cidade, no governo do Padre aparecido, seguiu sendo o endereço da cultura local.

Porém com a realização dos Salões de Artes Visuais da Bahia no município, em 2013, o espaço foi reformado e sofreu alterações que permitiram uma adaptação do lugar que foi o que melhor atendeu a classe artística ,mesmo assim, carente de um centro local.

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Com a venda do espaço no final de 2016 o departamento migrou para o prédio ocupado pela Biblioteca Municipal ao lado do antigo “barracão” ficando por lá até então com dificuldades que leva os artistas e a administração local solicitar do atento governador a construção ou aquisição de um lugar apropriado.

“Uma Cidade de 180 mil habitantes… Chegou a hora de construir uma Casa de Cultura para o povo. Eu vou conversar com o prefeito para ver se tem um local que pode ser transformado em casa de cultura se não tiver vamos ver um projeto e construir uma casa adequada para a música , dança e teatro para o povo de Teixeira de Freitas …. Para os artistas que gostam de se apresentar e para a plateia que gosta de aplaudir as belas artes.” Declarou o governador Rui Costa durante discurso de inauguração da avenida.

Vamos torcer para que dessa vez um espaço que possibilite o desenvolvimento de atividades culturais, comunitárias e outras ações de cooperação artísticas seja de fato construído ou adquirido para elevar ainda mais o  pujante movimento cultural  teixeirense, que sonha com um lugar  à altura da cidade.

Foto: Twitter do governador.

Exposição de Teixeira de Freitas: Uma festa de 43 anos

Por Daniel Rocha

Exposição Agropecuária de Teixeira de Freitas, realizada entre os dias 18 e 22 de outubro no parque de Exposição Timóteo Alves de Brito, chegou a sua 35º edição consolidada como uma festa de diversão e distração para o povo e um bom negócio para os agropecuaristas, empresários e políticos do município.

Organizada pela primeira vez no ano de 1974, a exatos 43 anos, a primeira exposição agropecuária foi uma iniciativa dos ruralistas do então povoado de Teixeira de Freitas, cujo economia girava em torno da exploração da madeira e da agricultura.

Com o intuito de inserir a cidade na rota do agronegócio nacional que estava em expansão no país e reafirmar discursos políticos, da época, o evento chamou a atenção do extremo sul da Bahia e consagrou o modelo de intervenção elitista que a anos vinha dominando a região que, desassistida pelo poder público, corria para os braços do empresariado local que investia e promovia obras eventos de acordo com os seus interesses.

No presente, em uma cidade cada dia mais comercial e universitária,  os produtores buscaram com a realização do evento assegurar suas posições e garantir  o  protagonismo político no lugar.

Aliás, a mistura festa e política é algo que nasceu com a exposição. Na primeira edição, por exemplo, o evento recebeu a visita de Alysson Paolinelli, ministro da Agricultura do governo militar Geisel em 1974, do governador João Durval em 1986 e Rui Costa esse ano de 2017.

Além dos políticos e seus interesses outras autoridades ligadas à política e a instituições financeiras oficiais e particulares circularam pela festa a fim de promover produtos e negócios durante os leilões das melhores e diferentes raças de gado, corte e leite, da região.

Ao povo restou contemplar as várias propostas de entretenimento, vaquejada, parque de diversão, o show do Cabaré, artistas locais, comidas típicas e outras distrações. Para os populares a festa durou cinco dias, para o agronegócio já dura  mais de 43 anos.

“Precisamos nos unir para o bem de todos” diz Cedro Costa

 

Por Daniel Rocha

Cedro Costa e Silva, presidente da CUT-Bahia, esteve na cidade de Itamaraju no dia 18/10/17, onde participou de uma plenária regional  com os sindicatos cutistas do extremo sul da Bahia. Através de análises críticas, troca de ideias, opiniões e sugestões na plenária, realizada na sede dos SINDIBANCÁRIOS, as representações observaram a atual conjuntura política do país e o processo organizativo.

Na oportunidade os sindicatos foram apresentados a campanha nacional “Anula a Reforma”. Campanha do projeto de Lei de Iniciativa Popular (PLIP) que visa anular a Reforma Trabalhista através da coleta de mais de um milhão de assinaturas. Conversamos com Cedro Costa sobre o movimento sindical e reforma trabalhista.

Como o senhor avalia a situação dos trabalhadores brasileiros um ano depois do golpe?

O trabalhador nessa atual conjuntura vive o pior momento da sua vida devido o retrocesso provocado pelo golpe dado na presidenta Dilma e a aprovação de leis que chamamos de “contra reforma” que permite a retirada de direitos da classe trabalhadora, porém pouco a pouco os trabalhadores estão compreendendo o que aconteceu e estão reagindo. Não vamos aceitar esse retrocesso e nem perda de direitos, vamos continuar lutando.

Como pensa que vai reagir os trabalhadores quando a nova lei trabalhista entrar em vigor?

Os trabalhadores já estão reagindo e o pior momento será quando os efeitos desta lei começar a serem sentidos pelos trabalhadores que vão trabalhar mais e ganhar menos com as piores condições de saúde e segurança no posto de trabalho.

Vai ser uma inconformidade geral e os trabalhadores terão que dialogar mais com os sindicatos e informar os problemas que estão acontecendo e juntos fazer a reação. Portanto eu imagino que os trabalhadores vão se rebelar porque o que está colocado aí pela nova lei é o retorno ao regime de escravidão.

Além da anulação da reforma o que esperam alcançar com a campanha “Anule a Reforma”?

 

Primeiro a campanha é um momento de um grande debate da classe trabalhadora sobre a nova lei que foi aprovada. Em segundo é evidenciar através de um conjunto de um milhão e trezentas assinaturas que a população não aprova a nova lei que foi construída à revelia dos trabalhadores, logo antidemocrática e ilegítima.

Como o trabalhador sindicalizado ou não pode atuar nessa campanha?

O trabalhador e trabalhadoras, sindicalizado ou não, precisa entrar no site da CUT – BA, anulareforma.cut.org.br, baixar o formulário, colocar o nome, RG,CPF e o número do título de eleitor, e entregar em qualquer sindicato. Levar o formulário para o seu ambiente de trabalho, coletar assinaturas dos seus colegas, levar para igreja, para faculdade, para fila do mercado e para o ponto do ônibus… Os trabalhadores e trabalhadoras precisam se unir para o bem de todos.

Como o senhor avalia o movimento sindical do extremo sul da Bahia?

O movimento sindical do extremo sul da Bahia é um dos melhores movimentos sindical do estado e do Brasil por ser formado por grandes lideranças que têm um amplo conhecimento sobre as questões dos trabalhadores e das  trabalhadoras. Pra mim é o maior prazer, sempre que me convidam a região eu venho e encontro avanços e melhorias na organização (…). Por isso essa regional daqui do extremo sul é uma regional que orgulha a CUT-BA e a CUT nacional.

Algum outro comentário presidente?

Quero agradecer às lideranças sindicais do SINDACESB – Sindicato dos  Agentes Comunitários de Saúde e Endemias do Extremo Sul da Bahia , do SINTRASPESB – Sindicato dos Trabalhadores em Serviços Públicos Municipais do extremo Sul da Bahia , do STR – Sindicatos dos Trabalhadores Rurais de Teixeira de Freitas, do SINDBANCÁRIOS  – Sindicatos dos Bancários, do SINTREXBEM – Sindicato dos trabalhadores na silvicultura, no plantio, nos tratos culturais, extração e beneficiamento da madeira em atividades florestais e industriais moveleiras no extremo sul da Bahia, do SINDICELPA – Sindicatos dos Trabalhadores nas Indústrias de Celulose e Papel do Estado da Bahia e do SINDIACSCER – Sindicato Intermunicipal dos Agentes Comunitários de Saúde e de Combate às Endemias de Eunápolis. Todos vocês que fazem a luta dos trabalhadores.

 

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Blade Runner 2049

 

Blade Runner 2049 (2017)  é um filme de  ficção científica dirigido pelo diretor Denis Villeneuve   que passa três décadas depois dos acontecimentos do Blade Runner: O Caçador de Andróides,  dirigido por Ridley Scott em 1982. O novo filme repete a fórmula do original mantendo o estilo e o ritmo oitocentista.

No filme (sinopse) Trinta anos depois dos eventos do primeiro filme, um novo blade runner, um oficial da Polícia de Los Angeles (Ryan Gosling) remexe em um segredo há tempo enterrado e que tem o potencial destrutivo de levar a sociedade ao caos. A descoberta do policial K o leva em busca de um ex blade runner da polícia de Los Angeles, Rick Deckard (Harrison Ford), que está desaparecido por 30 anos.

Com um bom roteiro e qualidade técnica o  Blade Runner 2049 visualmente não se distingue muito do original, porém o ritmo da narrativa e a duração (2h 43m)   pode  incomodar ,sobretudo, os habituados a velocidade do cinema atual e aqueles que não estão familiarizados com o enredo. O filme é  indicado para os fãs de carteirinha.

 

 

 

 

 

Passeio na Lagoa – Cultura e Saúde

Por Daniel Rocha

No final do mês de setembro a Equipe de Saúde da Família do Wilson Brito, realizou em parceria com a secretaria de saúde de Teixeira de Freitas, departamento de atenção básica do município e equipe do NASF – Norte a ação educativa e cultural “Passeio na Lagoa”.

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O passeio teve como finalidade a socialização, prevenção de doenças e promoção da saúde. O objetivo da atividade foi o de proporcionar um momento de lazer a alguns pacientes das comunidades atendidas pela ESF, previamente selecionados pelos Agentes de Saúde que seguiram as orientações do enfermeiro da unidade Rômulo Rangel.

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Além do passeio houve um momento de práticas corporais com fisioterapeuta e um bate-papo com a psicóloga, ambos da equipe do NASF – Norte. A programação cultural ficou por conta da Dupla de Viola Primo e Sobrinho que alegrou ainda mais o passeio e desta forma possibilitou um diálogo construtivo entre a cultura popular e a promoção da saúde comunitária.

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A lagoa do João Barreto fica localizada na BA 290, sentido Aeroporto, funciona Sábado, Domingo e feriados. Um ambiente familiar, bonito, aconchegante e cheio de novidades o que propicia descanso e interações saudáveis, fatores estes que são indispensáveis ao bem – estar mental.

Sindicato esteve em Brasília contra PNAB

 

Por Daniel Rocha

O SINDACESB – Sindicato dos Agentes comunitário de saúde e endemias do extremo sul da Bahia esteve durante a semana na capital federal, Brasília, onde participou de importantes eventos organizado pela Confederação Nacional dos Agentes de Saúde (Conacs)  contra a “nova” PNAB (Política Nacional da Atenção Básica) e  em defesa do SUS.

Um dos pontos mais críticos da PNAB 2017 é a atribuição, aos agentes de Saúde, de atividades asseguradas por lei aos técnicos de enfermagem, descaracterizando  desta forma a natureza  da profissão e o modelo preventivo.

No dia 03/10  os sindicalistas do  SINDACESB  estiveram presentes no  1º Seminário Nacional da Revisão da Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) e o papel do Agente Comunitário de Saúde e de Combate às Endemias (ACS/ACE), organizado pela Confederação Nacional dos Agentes de Saúde (Conacs) em Brasília. O evento foi realizado no Auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados onde dezenas de ACS/ACE   cobraram mudanças na PNAB editada.

 

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No dia seguinte, 04/10, enfrentando uma realidade dissonante da sonhada por todos, longas filas e espera os representantes sindicais conseguiram chamar a atenção dos deputados para o retrocesso que representa a “nova” Política Nacional de Atenção Básica – PNAB, durante a sessão solene pela celebração do dia nacional do Agente Comunitário de Saúde e Agentes de Combates às Endemia realizada no no Plenário Ulysses Guimarães.

 

Como resultado das mobilizações e protestos houve uma reunião com o Ministro da saúde Ricardo Barros agendado para a próxima semana, quarta-feira (11/10). A expectativa da categoria é que através do diálogo com os representantes da CONACS os pontos contrários da portaria, que ameaça a saúde básica como um todo, sejam revistos.

 

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“Foi um momento marcante para nossa história, pois encabeçamos a Luta pela queda da PNAB (Política Nacional da Atenção Básica) aprovada no último dia 21 de setembro do corrente ano, através da Portaria 2436/17. Conseguimos somar forças com diversos segmentos e entidades representativas e também defensoras do SUS (Sistema Único de Saúde). Onde outros profissionais ligados às U.B.S’s (Unidades Básicas de Saúde), compreenderam que esta nova Política da Atenção Básica, traz sérios prejuízos às todas as categorias e ferem diretamente os princípios do SUS, principalmente quanto a garantia da Equidade. Provamos mais uma vez que nossas mobilizações não se resumem tão somente na luta por nossos Direitos, mas sim, por um sistema único de saúde mais forte e uma Atenção Básica mais resolutiva”. Frisou o coordenador Geral da SINDACESB, José Félix, sobre a presença em Brasília.

Nosso “mito de origem”

 Por Daniel Rocha

Teixeira de Freitas tem uma versão mítica sobre o modo como se deu a ocupação do seu território e o surgimento da cidade propagado no hino municipal que consente e reforça, dentre outras coisas, com uma narrativa oficial, desenvolvimentista e econômica construída na década de 1970 a partir da abertura da BR-101. Narrativa ufanista que nega e esconde aspectos relevantes para o entendimento e compreensão do nosso passado.

 

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 Escolhido por meio de um concurso realizado pela casa legislativa em 2007 e oficializado pelo prefeito Apparecido Staut através da Lei nº. 460/2008 de 11 de Agosto de 2008, o hino oficial do município foi  selecionado por uma comissão julgadora que avaliou;

“o conteúdo dos áudios e os aspectos técnicos, o sentido das letras inscritas, a qualidade musical das composições que abrangeram a história do município, a poesia, criatividade, musicalidade, originalidade, inovação, autenticidade e adequação à linguagem”.

Seguindo esse critério foi contemplada pela comissão, entre outros inscritos, a composição intitulada “De São José a Teixeira de Freitas” composta por Carlos de Andrade, jornalista, radialista e compositor de hinos religiosos. Em segundo e terceiro lugar ficaram com João Carlos e a professora Josinéia Amparo Rocha (UNEB – X).

O hino vencedor, cuja beleza e a melodia são reconhecidas, reproduz, de modo não intencional, uma narrativa poética e fantástica do “nascimento da cidade”, como é possível notar na parte: “Entre Flores, frutos e montanhas. O rio Itanhém te amamentou em paz. Se multiplicam os filhos deste solo. Na pujante glória do teu amanhã.”

A música também traz elementos do discurso “desenvolvimentista” largamente disseminado na década de 1970 pela propaganda do governo do estado da Bahia no trecho “Oh, que tesouros infindos brotaram. No crescente fértil da 101.”

A citação a BR – 101 faz lembrar o mito de que o povoado de Teixeira de Freitas surgiu animado apenas por fatores econômicos empresariais e políticos em meados da segunda metade do século XX, e não no início, ignorando dessa forma a dinâmica local existente no decênio de 1950.

 

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Como já dito, o discurso de que a região surgiu e cresceu economicamente a partir da abertura da BR-101 foi largamente disseminado pelo governo do estado na década de 1970, em consonância com a propaganda do governo militar, que destacavam os avanços econômicos e dizia pouco sobre o falho progresso social e o impacto negativo provocado ,também, pela construção da rodovia, como é possível supor na propaganda publicada no Jornal o Globo em 1974 que pregava.

“Com a abertura da rodovia BR-101 ao tráfego, a região Sul da Bahia tornou-se, ao mesmo tempo, viável em termos industriais, turísticos, pesqueiro e madeireiro. A partir dos estudos e projetos de instalação ou ampliação empresarial, o desenvolvimento daquela área ficou na dependência de uma série de fatores, todos em estreitas vinculações”.

Essa perspectiva de que o hino reforça um discurso vai ao encontro às reflexões feitas pela historiadora docente da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) – Campus X, Liliane Maria Fernandes C. Gomes, em 2015, no artigo TEIXEIRA DE FREITAS – DITOS E NÃO DITOS: Uma cidade em disputa de memórias.

No artigo a historiadora informa que esse discurso foi divulgado ao longo dos anos, sobretudo, na edição especial de aniversário do Jornal Alerta que tem como narrativa principal a ideia de que a cidade surgiu e cresceu graças a abertura da BR-101, exploração madeireira, chegada dos migrantes capixabas, empresários e políticos, ignorando dentre outras coisas as antigas comunidades rurais.

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Ainda de acordo com a análise os jornais ignoram o impacto econômico provocado pelo fim da estrada férrea Bahia – Minas, em 1966, que por mais de 80 anos movimentou o fluxo de pessoas e o comércio no extremo sul e a decadência econômica das cidades portuárias de Caravelas e Alcobaça ao qual o povoado de Teixeira de Freitas era subordinado.

Acredito que o hino reforça também um saudosismo recheado de interesses que visa a manutenção de um status quo local, algo que fica evidente através da citação de nomes de algumas famílias no trecho “Dos Nascimentos, Oliveiras, Guerras, Almeida, Antunes eis o seu fulgor”.

Embora o uso do plural denota uma tentativa de não se referir a apenas algumas famílias, a citação só reforça a disputa pelo pioneirismo e a memória na cidade. Comportamento observado por Liliane Fernandes no artigo TEIXEIRA DE FREITAS – DITOS E NÃO DITOS: Uma cidade em disputa de memórias.

“Ainda em relação às disputas de memórias pode-se inferir, pelo exposto, que a memória oficial busca mostrar a Teixeira de Freitas que ia ser e não a Teixeira de Freitas que era.   Esta, através deste olhar, não seria digna de texto. Não teria história. Em atendimento a esta concepção Teixeira de Freitas passa a contar quando nela se instala instituições governamentais, entre elas, o símbolo do progresso – a BR 101, expresso de ponta a ponta na cidade que agora constaria no mapa e teria sua escrita assentada na história da Bahia”.

 

 

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 Nesta perspectiva afirmo que o mito disseminado pelo hino ,se não estimula, consente com a construção de uma versão da “história” que tem como tela de fundo os fins econômicos, produtivos e políticos.

Por essa razão acredito que faz bem pensar além do Hino da Cidade e do “mito” popularizado por ele, por mais construtiva, bela e onírica que seja a visão propagada pela canção.  Só assim vamos entender melhor o lugar onde habitamos, expressamos nossas diversidades e enfrentamos as contradições do presente.

 

Fontes:

TEIXEIRA DE FREITAS – DITOS E NÃO DITOS: Uma cidade em disputa de memórias. LILIANE MARIA FERNANDES CORDEIRO GOMES.

Bahia 74. Integração. As estradas do Progresso. Propaganda. Jornal O globo 1974.

Imagem: Trevo da cidade década de 1970. Print do vídeo Memorial Legislativo Teixeira de Freitas.

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Policlínica Regional do Extremo Sul: Reunião solene

A Policlínica Regional do Extremo Sul da Bahia, construída em Teixeira de Freitas pelo governo do estado, Rui Costa (PT), para atender à região, será inaugurada nos próximos meses na Avenida Presidente Getúlio Vargas, ao lado do estádio municipal Tomatão com uma moderna estrutura e serviços inéditos.

O investimento caracteriza se por ser uma unidade de atenção secundária especializada e referência regional que atenderá os treze municípios do extremo sul da Bahia que tem o município de Teixeira de Freitas como polo de referência.

 

 

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Nela será concentrada diversas especialidades médicas, 31 no total,  que contará também com a implantação do inédito Transporte  Sanitário Eletivo, destinado ao deslocamento de usuários para realizar procedimentos com o objetivo de ampliar o acesso dos usuários do Sistema Único de Saúde – SUS, de modo previamente agendado e seguro.

 

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Na última quinta-feira, 29/09, foi realizada na Câmara dos Vereadores de Teixeira de Freitas uma reunião solene que destacou a importância e implantação da Policlínica para cidade e a região. O evento contou com a participação do ex-prefeito João Bosco (PT)  e Eujácio Samuel Dantas, secretário de saúde da gestão passada, que conquistou o projeto.

 

Também participou do evento  representantes da sociedade civil organizada, como o coordenador geral  do SINDACESB  – Sindicato dos Agentes Comunitários de Saúde e Endemias do Extremo Sul da Bahia  e presidente do conselho municipal de saúde de Teixeira de Freitas José Félix, vereadora Erlita Freitas (PT) e o Coordenador Estadual do Consórcio de Saúde, Nelson Portela,  entre outros.

 

Os líderes saudaram o respeito do planejamento e o compromisso do governador Rui Costa com a região ao concluir a obra que irá beneficiar diretamente os usuários do SUS.  “Sobretudo para aqueles que dependem exclusivamente de uma assistência pública funcional e de qualidade.” Destacou o conselheiro de Saúde do município Ailton Vieira que prestigiou o evento.