Teixeira de Freitas antes do SUS : caridade, farmacêuticos e folhas

Por Daniel Rocha

O SUS foi criado em 1988 pela Constituição Federal Brasileira que  também estabeleceu o acesso a saúde como um direito de todos. Antes dos primeiros hospitais e atendimentos médicos como se tratava os moradores do povoado de Teixeira de Freitas? Quais alternativas e saídas diante das dificuldades de acesso a medicina pública?

Sobre isso contou o senhor Isidro Alves em uma entrevista ao site em 2013 que chegou em Teixeira de Freitas na década de 1960 para morar em uma casa localizada no bairro Recanto do Lago, que não passava de um matagal sem acesso a luz elétrica e água encanada, e que não tinha acesso a nenhum tipo de atendimento no povoado.

Distante do centro do povoado ele e a família vivia como se estivesse em uma fazenda e que antes da construção do hospital, no início dos anos de 1960, não se via médico em Teixeira de Freitas “nem pago , nem de graça” e  quando passou a ter só quem tinha acesso era os conveniados ao Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) , logo não havia atendimento público universal neste período.

Por essa razão os moradores, trabalhadores comuns, enfrentavam os males diários com remédios de base natural que eram vendidos em farmácias como o xarope   “Saúde das Crianças” que “resolvia tudo”. De modo que em certos momentos era preciso apelar para sorte e ervas naturais, a primeira opção em caso de mal-estar e crises.

Teixeira 1970. Ao fundo da multidão uma farmácia

“Dores, o sumo de Maria preta com leite, quando quebrava o braço usava bambus cortado amarrado, dores no estômago chá de cidreira, também usado para dor de cabeça, outro excelente remédio era a água de sapucaia, destacou Isidrio”.

Dentre os farmacêuticos que atuaram no povoado de Teixeira de Freitas nas décadas de 1960 e 1970 destaca se o trabalho do índio Urias. Segundo a moradora Isabel Carmo, em uma conversa informal em 2013, Urias era de fato um nativo, “farmacêutico e raizeiro que vendia de tudo em sua farmácia  que ficava nas imediações da Rodoviária Velha”.

Também neste período, para além dos farmacêuticos e folhas, prestavam assistência a população às irmãs da caridade católica Viane e Georgette, supervisionadas pelo médico Jacob Medeiros realizando pré-natal e triagem médica dos menos favorecidos, revelou  Frei Elias no livro “Os “Desbravadores do Extremo Sul Da Bahia.”

Os primeiros atendimentos feitos pelas irmãs de caridade ocorreram na casa do senhor Alcenor Barbosa, um posto médico improvisado que foi Inaugurado em 1972, na AV. Marechal Castelo Branco no local conhecido como Casa Barbosa, já pequeno para o tamanho da necessidade local.

Os fatos, aliás, como visto, demonstram que antes da chegada da assistência pública  e a criação do Sistema Único de Saúde, os moradores se valiam da solidariedade, dos conhecimentos farmacêuticos e populares para cuidar para curar o seus males que, provavelmente, nem sempre recuava diante dos tratamentos precários.

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Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

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Foto : Construção do hospital SOBRASA


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