As faces da cultura popular no extremo sul : Primo e Sobrinho

Em Teixeira de Freitas a dupla de violeiros “Primo e Sobrinho”, formado pelos irmãos Vantuil de Freitas Correia (80 anos) e Jair de Freitas Correia (78 anos) , filhos da fazenda Nova América, uma das comunidades pioneiras da cidade, é um bom exemplo de como a moda de viola é comprometida com as coisas da terra e cultura regional.

A dupla que tem apenas um CD gravado já é bem conhecida graças a presença constante em programas de rádio e festas populares de Teixeira de Freitas, onde através da sua música exalta a paisagem, o sentimento e a cultura popular do extremo sul da Bahia, como é possível notar na letra da música “Cantinho do meu Brasil” que fala da região que Vantuil deixou para trás na década de 1950 quando migrou para o estado de Minas Gerais.
Naquela tempo existia a proposta de fazer de Teixeira uma cidade planejada, o projeto não vigou e o terreno loteado foi transformado no bairro Monte Castelo.

Ainda de acordo com a dupla de violeiros que também canta sobre outras paisagens a valorização da cultura e memória da terra é uma característica da moda de viola que fazem questão de preservar apesar da falta de atenção e incentivo das instituições voltadas para promoção da cultura no estado e na cidade.


Cantinho do meu Brasil: exaltação da  região

Para além disso, sem recursos, a dupla tem um sonho, gravar um novo CD com algumas músicas de um imenso catálogo musical inédito, dentre estas as canções “Mamãe África”, sobre a origem dos pioneiros e a escravidão no extremo sul baiano e a música “Saudades da Bahia”, relativo a bucólica zona rural teixeirense da época do povoado quando a moda de viola era o estilo mais conhecido e tocado por todos da micro – região.

“Sempre e em todos os povoados, como também nas roças, se encontravam pessoas que tocavam vários instrumentos musicais. Violão, pandeiros e acordeão faziam parte da vida do povoado onde sempre existiam vários tocadores destes instrumentos. Assim cada fim de semana havia “um baile nos botecos,” escreveu Padre José Koopmans no livro Além do eucalipto. O papel do extremo sul.

Para o músico Marcos Marcelo, do blogue Teixeira Musical, o trabalho e o sonho dos violeiros teixeirenses evidência como a cultura popular é resistente diante da dificuldade e falta de apoio e financiamento público. “Mais artistas dedicariam a exaltar e divulgar a cultura da terra se houvesse incentivos públicos (federação, estado e municípios) para realização desse tipo de trabalho.”

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X. Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

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