HISTÓRIAS OCULTAS NAS FOTOS ANTIGAS DE TEIXEIRA DE FREITAS – PARTE 02

Por Daniel Rocha 

Em 1984 foi realizado um plebiscito que resultou na emancipação política de Teixeira de Freitas, então subordinada aos municípios de Caravelas e Alcobaça. Em seguida, em 1985, foi realizada primeira eleição para escolha do primeiro prefeito da cidade. 

Foi neste contexto, depois do plebiscito e antes da realização da eleição em 1985, que o jornalista e fotógrafo Jeová Franklin de Queiroz chegou na cidade para registrar imagens e narrativas do próspero lugar para a revista “Teixeira de Freitas”  sobre o incipiente centro que em breve teria inaugurado uma agência do Banco do Nordeste, financiadora da revista lançada em janeiro de 1985 em homenagem ao então  grande povoado como frisa no trecho: 

“O Banco do Nordeste do Brasil S.A (BNB) chegada a Teixeira de Freitas em momento decisivo de sua história, quando a população resolveu em plebiscito perder o título de “O segundo Maior povoado do Mundo” para conquistar a emancipação administrativa e com ela se inscreve entre as dez maiores cidades do Estado da Bahia”. 

Com esse olhar o jornalista e fotógrafo captou diversos pontos e espaços da cidade registrando no suporte dois tipos de fontes; texto e imagem. Dessa forma busco aqui saber: o olhar do fotógrafo estava enviesado por esse momento político? Como isso pode ser percebido nas fotografias? 

Para análise das diversas imagens registradas vou começar pela análise da fotografia de parte da paisagem agrícola predominante na época e da imagem do prédio da EMARC – Escola Média de Agropecuária Regional da CEPLAC, que naquele espaço de tempo ofertava cursos “agrotécnicos” e era uma referência para a região e a cidade. 

Fotografada de baixo para cima para dar maior tamanho ao prédio, o plano aberto destacando os símbolos e o lema da instituição: “Cultivar a terra é plantar o futuro das gerações. A captação do lema justifica a presença da palmeira, ainda pequena, mas pronta a crescer e ultrapassar em tamanho a escola que formava alunos para o mesmo destino. “Alunos disputados pelo mercado local”, como destaca uma fala de parte do texto da revista.  

Foto da página da revista

Ao ocultar o horizonte na imagem, tenta trabalhar um discurso que omite realidades e situações visíveis na paisagem captada por uma foto publicada na mesma página da revista ao lado de culturas agrícolas fluorescentes. A imagem do horizonte captado traz o que foi escondido na ocultação do horizonte da escola, um lugar devastado tomado por gado, cortado por uma estrada e propenso a plantação de legumes como é possível supor observado a disposição simbólica das fotos. Horizonte aberto- tomado pela escola que forma técnicos – Legumes cultiváveis. 

Dessa forma, suponho, que o fotógrafo ao enquadrar a escola tenta passar a ideia de que em partes ou na totalidade, o mesmo já estava ocupado pela força técnica da agricultura local dominado pela grande instituição agropecuária, captada sem a pluralidade social do lugar fazendo valer o discurso da elite agrícola teixeirense que tomava o poder com a emancipação. Discurso favorável à captação de recursos em instituições prontas a financiar como o Banco do Nordeste. 

Fonte: 

MAUAD. Ana Maria. Através da imagem: Fotografia e história interfaces. Tempo, Rio de Janeiro, vol.01,.02. p 73 – 98. 

BANCO DO NORDESTE, As origens. Teixeira de Freitas, Fortaleza – Ceará. P.05-07, janeiro 1985 Relatos orais de Domingos Cajueiro … 

Daniel Rocha da Silva* 

Historiador graduado e  Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X. Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com 

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