Por Daniel Rocha*

O Dia Internacional da Mulher, comemorado em 08 de março, é o dia em que as conquistas sociais, econômicas, culturais e políticas de mulheres e meninas é celebrada em todas as partes. Por isso, hoje vamos fazer lembrar a garra e a coragem da educadora, artista plástica e jornalista Suzana Rodrigues (1919-2010) que denunciou policiais torturadores em 1987 na cidade de Nova Viçosa, Ba. Sua atitude foi parabenizada pela ONU – Organização das Nações Unidas. 

Diva Alencar Rodrigues (1919-2010), mais conhecida pelo nome artístico de Suzana Rodrigues, já era conhecida nacionalmente quando se mudou em meados da década de 1970 para a então bucólica cidade baiana de Nova Viçosa, Ext. Sul da Bahia, depois de se aposentar. 

Feminista já tinha se destacado na década de 1940 ao escrever sobre o tema para os Diários Associados, falando de educação sexual para jovens, planejamento familiar, política. Na década seguinte, apresentou na extinta TV Tupi o primeiro programa voltado para o público feminino, onde abordou temas diversos e polêmicos para a época, como o divórcio e educação sexual para meninas. 

Como artista era lembrada pelo sucesso da sua exposição de bonecos “O Brasil de Pedro a Pedro” que bateu o recorde de público do Masp no início da década de 1970. 

Em maio 1987, levava uma vida sossegada quando da janela de sua casa viu um menino, Elias Lopes de Lima, 14 anos, ferido e ensanguentado, se arrastando em busca de ajuda. Ao ajudá-lo descobriu que ele e mais dois amigos haviam sido torturados durante quatro dias em uma praia deserta por policiais da delegacia local.  

Através do relato o garoto contou com detalhes que foram presos como suspeitos e levados para uma praia distante do centro da cidade, espancados, maltratados, chicoteados e queimados com plásticos derretidos sob o argumento de que eram suspeitos de ter arrombando casas de veranistas no centro da cidade. 

Diante da situação e fala do garoto, que morreu dias depois no hospital Regional de Teixeira de Freitas, Suzana resolveu não se calar e escreveu ao governador do Estado, Waldir Pires, solicitando uma investigação da secretaria estadual de segurança. Também escreveu e noticiou   aos jornais do sudeste do país detalhando o caso que repercutiu internacionalmente.  

No decorrer do processo Suzana Rodrigues foi ameaçada de morte por anônimos e tachada de traficante de drogas, porém ela seguiu em frente, de cabeça erguida, testemunhando contra os policiais que acabaram presos e expulsos da corporação depois que uma rigorosa investigação revelou ser falaciosa o argumento da defesa. Depois disso voltou para o interior do estado de São Paulo. 

Anos depois, 1990, ela retornou à cidade baiana onde foi recebida com festa, rojões e o título de cidadã honorária concedido em uma sessão solene organizada pela Câmara Municipal de Nova Viçosa. No mesmo ano foi lembrada e elogiada pela ONU como uma das primeiras jornalistas do país a denunciar os maus tratos contra menores e levar os torturadores para cadeia. 

Hoje sua história é pouco conhecida e divulgada e pode ser considerada invisibilizada, tal como os feitos de mulheres indígenas, afrodescendentes, caboclas e LGBTS que nasceram, passaram, habitam ou habitaram essa parte da região sul da Bahia. Suzana morreu em 2010, aos 90 anos, no Rio de Janeiro, em decorrência de um derrame. Dessa forma, recordar, falar e divulgar seus feitos dessas e outras mulheres é uma das formas de homenageá-las e fazer lembrar sua coragem e conquistas. 

Fontes:

Jornal do Brasil 1987

Folha de São Paulo 2010

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

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