Por Daniel Rocha

Através do humor e da ironia os teixeirenses denunciam desmazelos e expressam indignações contra certos costumes ruins. Dito isso, em comemoração aos 36 anos de emancipação da cidade, destaco a comicidade e o sarcasmo de alguns moradores , anônimos ou não, registradas e relatadas no passado e no presente. Confira: 
 
Em 1985, ao relatar sua visão sobre o surgimento da cidade para a revista Teixeira de Freitas, o morador Pedro Guerra comentou sobre os primeiros carros a circular no então povoado de Teixeira de Freitas, comparado com os cada dia mais banais. 
 
“O primeiro carro do povoado foi uma camioneta Reo que você podia bater com o machado que não amassava. Hoje tudo amassa, até cuspir de mau jeito”. 
 
Já em 2010, um morador da cidade comentou com ironia na coluna “Trincando um Ferro” do jornalista Ramiro Guedes no site Teixeira News, sobre a criação de uma comissão de trânsito que tentava impor uma ordem na cidade: 
 
“Espero que o comando de nossa querida Teixeira enxergue o caos que é esse trânsito ou será que eles só andam de helicóptero?” 
 
Em 1985, o morador de Israel de Freitas Correia relatou que nas proximidades da Praça da Prefeitura, fundos da igreja batista central, nas décadas passada, 1950 e 1960, morava uma família de onças felinas. “Onças de dois pés”, destacou um amigo e também antigo morador Aurelino José de Oliveira, que intervenho na entrevista, talvez, se referindo aos fofoqueiros das proximidades. 
 
Em 1999, foi denunciado em um programa da rádio local que a Praça da Bíblia vinha se tornando ponto de pegação dos casais héteros e também dos casais homossexuais que procuravam a praça durante à noite. Por causa desse episódio “carregado de exageros, só ocorria encontros casuais”, os criticados apelidaram o lugar com a alcunha sarcástica de “Praça da Biba.”  Lembra um morador anonimo no presente.

Em entrevista à revista Extremo sul, em 1992, outro antigo morador, que também era conhecido pelo bom humor, Servídio Nascimento Correia, destacou sobre as dificuldades enfrentadas pelos primeiros moradores da cidade, nas décadas de 1950 e 1960, que não tinham acesso a hospitais e médicos oficiais. 

“Naquela época, não tinha hospital e o povo não conhecia nem médico. O Doutor era penico. Quando se falava em doutor era aquele que morava embaixo da cama”. 

Durante o período de 1970 – 2000, os pacientes dos hospitais públicos da cidade que necessitavam de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) enfrentavam uma sofrível viajem até as capitais mais próximas. Devido a péssima conservação e a constatação de que muitos não voltavam com vida, as ambulâncias responsáveis pelo translado eram chamadas ironicamente pelos populares de “expresso da boa morte.” 

Daniel Rocha da Silva* 

Historiador graduado e Pós-graduado em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X. 

Contato WhatsApp: (73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com 

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