Por Daniel Rocha*

Promovido pela extinta Liga de Futebol de Teixeira de Freitas entre os anos de 1990 e 2000, o “Bingão dos Dias dos Pais” e o “Bingão do Dia das Mães”, foi uma série de eventos realizados no Parque de exposição e Estádio municipal da cidade de Teixeira de Freitas, BA, que reunia uma multidão que além de tentar a sorte e melhorar a renda, assistia um grande espetáculo popular.  

Habitual, o evento costumava atrair pessoas de todas as partes da cidade e da região de fronteira do extremo sul da Bahia com Minas Gerais e Espírito Santo. No “Bingão do Dia das Mães” realizado na tarde do dia 11 maio de 1997, no Estádio Municipal, por exemplo, teve como ganhadores uma teixeirense, um morador do distrito Posto da Mata, um morador da zona rural de Alcobaça e um mineiro da cidade de Palmópolis – MG, que antes experimentaram um misto de ansiedade, expectativas e humor.  

Isso porque antes e durante os sorteios o público presente era agraciada com um espetáculo realizado pelos locutores e radialistas conhecidos da cidade que iniciava o evento trazendo os “recados engraçados,” como a famosa anedota: “João, Maria mandou avisar para não passar na casa dela hoje, porque o marido já chegou da viagem.  

Para além dos recados, havia “os comedores de pança”, pessoas que se enganavam com os números e corriam até o palco em busca do prêmio, e entrevistas cômicas com os ganhadores   com direito a aplausos e gritos do público. Um grande espetáculo de humor que seguia até a retirada das últimas bolas numeradas do globo que, de alguma forma, transformava para melhor ou para pior a vida dos ganhadores.  

Bingão de 1998

Segundo a senhora Darcy da Silva, o irmão mais velho, Jesuino da Silva, solteiro na época, ganhador de um carro e de uma boa quantia em dinheiro, perdeu “tudo o que tinha e o que ganhou” quando uma aproveitadora se aproximou dele depois do prêmio se fazendo de apaixonada.  “Eles moraram juntos por uns tempos, depois ela levou tudo que ele tinha, deixando só com a roupa do corpo”.  

Já o senhor José Eduardo, hoje morador da zona rural de Alcobaça, que em duas oportunidades foi premiado com um carro zero quilômetro, a primeira vez em 1985 e a segunda em 2001, os prêmios não o fizeram ficar rico, mas lhe proporcionou mais conforto e melhor condição de trabalho, já que o carro foi útil as suas atividades.    

Segundo o historiador William Moacir Dethling, no trabalho monográfico: Teixeira de Freitas entra em campo: A história do futebol da cidade de Teixeira de Freitas entre os anos de 1970 e 2000, o evento também servia como uma fonte de renda para a liga de futebol local e os trabalhadores comuns, desempregados e desempregadas, vendedores e vendedoras que faziam uma renda extra com a venda das cartelas.   

Ainda de acordo com o historiador, a realização e o sucesso do evento evidenciam que naquela época o envolvimento da população com o futebol local não só se resumia a paixão pelo esporte, times e jogadores, mas também com a mobilização promovida dentro e fora dos campos através das relações humanas tecidas no cotidiano da região.  

Daniel Rocha*

Historiador graduado e Pós-graduado em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.  Contato WhatsApp: (73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com 

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Foto: a foto que ilustra o texto é relativa a u sorteio do CDL, realizado em 2001 na praça da Bíblia.

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