Por  Daniel Rocha.

O desenvolvimento urbano da cidade de Teixeira de Freitas, Bahia, e a expansão dos serviços permite que hoje seja possível acessar a rede de distribuição de água tratada em quase toda parte da cidade, mas nem sempre foi assim.  Houve uma época em que a água do poço era a solução para fins de consumo humano.

A instalação do sistema de água encanada em Teixeira de Freitas, só ocorreu em meados da década de setenta, 1974, quando a EMBASA – Empresa Baiana de Água e Saneamento, iniciou a distribuição da água tratada até os domicílios teixeirenses. Contudo, a oferta do serviço da estatal baiana logo se tornou insuficiente e não solucionou de uma vez o problema de um povoado que crescia sem parar.   

Isso porque os investimentos em infraestrutura local não se expandiram na mesma proporção. Com isso os moradores, sobretudo os das periferias, continuam a fazer uso de fontes alternativas como: água em poços, córregos, rios e lagos existentes no povoado durante boa parte da década de 1980.  

“Não havia água encanada nem no centro do povoado”, disse Maria Gomes, moradora da cidade há 40 anos, que morou nas proximidades da praça dos Leões, entre o final da década de 1960 e meados de 1970.  Ela que até o início dos anos oitenta morava com os pais, lembrou que sempre foi a responsável pelos serviços domésticos, e que a falta de água tornava as obrigações ainda mais difíceis e “tomava seu tempo”.

 “Eu era a responsável pelos serviços da casa, tinha que ir buscar água na cisterna da vizinha que ficava um pouco longe, era uma vida dura de muito trabalho, eu quase não saia de casa”. 

Segundo o morador do bairro Recanto do Lago, Benedito Libânio, 70 anos, em uma entrevista em 2014, as cisternas  foram por muito tempo a salvação de muitos moradores do bairro. O poço, uma vez aberto, era de uso coletivo, qualquer vizinho podia recorrer às suas águas, mesmo porque era considerado pecado negar o líquido tesouro. “Não havia confusão, todo mundo pegava.” 

Segundo anotações do colaborador Domingos Cajueiro Correia, a poluição dos córregos e rios causada pela falta de rede de esgoto adequada e o crescimento urbano desordenado, fez com que os moradores que na década de 1960 e meados de 1970 recorriam a lagos e fontes,  adotassem  também o poço como fonte de água. 

Ainda de acordo com o colaborador, a abertura dos poços era feita por especialistas no ofício, como os saudosos “Perneta e Tatu”, que eram conhecidos por essa alcunha por conta da habilidade em abrir buracos e poços em tempo recorde.

Contratados pelo morador interessado, “os abridores de poços” trabalhavam de cinco a seis dias, “um dia por metro”, até chegar na fonte de água. Também fazia e entregava o poço com o sari, uma alavanca de madeira formada por duas vigas e uma madeira roliço no meio, que servia para puxar o balde com a água, na verdade uma lata usada do “Querosene Jacaré,” que era muito aproveitada.

Como dito, além dos poços e mananciais, outra fonte buscada por moradores eram os lagos, córregos, represas e minadouros próximos. Isso era possível porque Teixeira de Freitas, na época um povoado, era rico em mananciais e outras fontes. Essa busca e aglomeração causou inúmeros acidentes, como o da Biquinha do Teixeirinha e da Barragem do Santa Rita.

Daniel Rocha*

Historiador graduado e Pós-graduado em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.  Contato WhatsApp: (73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com 

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Foto:

Bairro Wilson Brito. 1975. Acervo Departamento de Cultura de Teixeira de Freitas, 2014.

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