Por Erivan Santana*

Até a chegada definitiva da televisão em todo o território nacional, as transmissões esportivas pelo rádio predominavam. As tardes de domingo eram marcadas pelos clássicos, que aqui no Extremo Sul da Bahia, sempre tiveram preferência os grandes times do Rio de Janeiro, provavelmente, entre outros fatores, pela sintonia e receptividade fácil das rádios Globo e Nacional, ambas com sede na capital carioca.

Entre os locutores esportivos, dois se destacaram, Waldir Amaral e Jorge Cury, sempre acompanhados de Mário Viana, uma espécie de juiz com a palavra final. Tinham também notáveis comentaristas, provavelmente, o mais excêntrico deles era o João Saldanha, além dos “trepidantes”, os repórteres que ficavam à beira do gramado, cobrindo todos os detalhes e lances da partida.

Hoje, predominam as transmissões pela tv, e como se sabe, a imagem já vem dizendo tudo, há um certo tom mecânico, neste tipo de linguagem televisiva. Mas sem dúvida, a imaginação, a emoção, o suspense pelo rádio eram maiores. Você percebia pela narração, o gol iminente, uma jogada bem feita. A linguagem do rádio era muito diferente. Não espere coisa do tipo: o atacante vai bater a falta, é chance de gol. A narração era assim: “fumaça de gol”, “tem bala na agulha”, “apontou, atirou é gol – goooll!

Waldir Amaral criou bordões famosos, como “indivíduo competente”, que era quando o jogador fazia um gol, “tem peixe na rede” e “executa o centro”, que era quando o ponta direita ou esquerda faziam o cruzamento para a área. O lendário camisa 10 do Vasco era o Roberto Dinamite, “a vocação do gol” e Zico era o galinho de Quintino, pelo Flamengo, onde ambos protagonizaram grandes duelos pelos seus respectivos clubes, principalmente na década de 80. 

JORGE CURI E WALDIR AMARAL

O milésimo gol de Pelé foi eternizado pela narração do mais categorizado narrador esportivo brasileiro, Waldir Amaral, em jogo do Santos contra o Vasco, em que o rei do futebol bateu o pênalti. “Pelé, Pelé, o mundo aos seus pés, o deus do futebol, o milésimo gol”, narrava o emocionado locutor.

Os clássicos no Maracanã normalmente passavam dos cem mil, e embora todos vissem o jogo ao vivo no estádio, muitos costumavam levar o seu radinho de pilha, para melhor acompanhar os jogos, esses torcedores eram chamados de “geraldinos e arquibaldos”.

Com o advento da internet e da televisão digital, muitos achavam que o rádio iria acabar, mas não foi o que aconteceu. Agora, ouve-se o rádio pela internet, e se as transmissões esportivas já não tem a mesma audiência, as rádios especializadas em notícias passaram a ser o grande destaque da programação. 

A linguagem do rádio esportivo é simplesmente ímpar, única, aguçam a imaginação, a sensibilidade e a emoção do ouvinte. E apesar de todos os meios de comunicação de que dispomos nos dias de hoje, o rádio sobrevive, insuperável em sua facilidade de fácil comunicação e praticidade. E atenção, o relógio marca…!

*Erivan Augusto Santana é colaborador do site, professor, escritor, poeta, graduado em letras e mestrando em Ciência da Educação  e membro
Academia Teixeirense de Letras (ATL)

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