Por Daniel Rocha*

A internet chegou a cidade de Teixeira de Freitas,BA, no ano de 1997 através do primeiro site/portal de acesso, o TDF Provider, e depois de uma série de mudanças  que possibilitaram a abertura da fase dois da grande rede no Estado. Pioneiro no ramo, o site deu início a popularização do uso em uma época em que poucos podiam ter um computador e uma linha telefônica em casa.

Na Bahia, o desenvolvimento que possibilitou a implantação do novo modelo nasceu de iniciativas das antigas estatais Telebahia e Embratel, que em conjunto com a Universidade Federal – UFBA, formaram o Comitê Gestor Rede Bahia, em 1995, para viabilizar a abertura da segunda fase da rede no Estado. O comitê também reuniu outras instituições privadas e da sociedade civil organizada que também participaram do apensamento de como possibilitar o acesso e tornar a internet acessível à população. 

Naquele ano o novo modelo de operação de internet no Brasil havia sido definido e impedia as estatais de oferecer serviços de acesso discado para os usuários finais. A iniciativa buscou possibilitar o surgimento de um novo segmento de mercado formado por provedores de acesso e conteúdo. Um ano depois, em 1996, o comitê passou a disponibilizar os primeiros provedores de acesso à internet na Bahia, conectados à rede de telefonia pública, e a comercializar os serviços de conexão e criação de backbones próprios e comerciais.  

“Nesta esfera comercial, pode-se afirmar que a Bahia foi precursora nos estudos sobre a Internet comercial brasileira, já que a Telebahia, empresa de telefonia fixa do estado, junto com a Embratel, foram as primeiras empresas a trabalharem para a existência de uma Internet comercial brasileira,” informa o artigo “Uma breve história da Internet na Bahia”. 

Neste contexto de investimentos na área, pelas estatais e instituições públicas brasileiras para viabilizar a internet aberta, antes restrita a instituições e governo, aconteceram as primeiras iniciativas privadas, que surge na cidade o site/portal TDF Provider que permitiu a alguns moradores acessar a internet pela primeira vez, um feito histórico para uma cidade do interior sem centro de formações e carente de profissionais da área. 

Janela com lista de endereços

Diferente do que viria a se tornar anos depois, a primeira versão do site tinha uma página com layout simples, pesado para carregar, que ofertava janelas para serviços e informações que demoravam a receber atualizações como lista de endereços organizados por temas diversos e uma seleção de barras e sites para buscas, pesquisas, como o Cadê e Yahoo, dentre outros, e links para diversos sites de jornais nacionais e estrangeiros.   

No quesito conteúdo local, era bem limitado e só ofertava a uma página de divulgação da agenda cultural da semana e uma página para anúncios diversos, espaço para divulgação de vendas e trocas, classificados, e a programação semanal do cinema.   

No site também era possível acessar uma tabela indicando os melhores dias, horários e valores, provavelmente para auxiliar o internauta a economizar, já que dependendo do momento o valor cobrado pelas operadoras era mais caro. Boa parte dos usuários acessava durante a madrugada ou só nos fins de semana.  Naqueles tempos, final de década e século, para “entrar na internet” era necessário ter uma linha telefônica, um computador equipado com uma placa modem e um discador instalado.

O discador era um programa fornecido pelo provedor de Internet mediante assinatura e pagamento de uma taxa mensal. Somando tudo, valor de assinatura de uma linha telefônica, cobranças do uso e a mensalidade, o custo final não cabia no orçamento de um trabalhador assalariado que, com exceções, acessava no emprego após o expediente, acessá-la não era a principal atividade do dia.

Tabela de valores

A realidade de acesso dos teixeirenses era um caso isolado? Não. Segundo pesquisa do Cadê/Ibope de 1997, o perfil dos internautas baianos naquele fim de década que acessaram a internet eram predominantemente de homens (69%), solteiros (62%), empregados (37%) ou executivos (15%), com renda familiar em torno de 20 a 50 salários mínimos que entravam na rede preferencialmente de suas casas (79%), e no local de trabalho (41%).  

No que toca as condições para o acesso, nos dias atuais, a exclusão ainda é grande e tem números alarmantes, 46 milhões de pessoas ainda estão desconectadas no país, quase a metade por não conseguir pagar pelo serviço. Tal dado pede a criação de políticas públicas para que o acesso seja garantido e subsidiado pelo Estado como um direito universal.   

Ainda sobre o primeiro site de acesso na cidade, mesmo com uma estrutura simples observada nos primeiros anos, o site foi evoluindo e apresentando novos serviços e janelas (figura capa) que impactou costumes e o cotidiano de usuários e não usuários. De que forma isso ocorreu? Será o assunto do próximo texto da série.  

Fontes:

Uma Breve História da Internet na Bahia. CARDOSO. Claudio. ARAUJO.João Gualberto Rizzo.LINO. Maria Ângela Costa. 

Cibercidade-  As cidades na cibercultura. LEMOS. André (ORG.) Rio de Janeiro, 2004.

Pesquisa mostra que um em cada quatro brasileiros está fora da internet

Acervo Site Tirabanha.

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduado em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

O conteúdo  deste Site não pode ser copiado, reproduzido, publicado no todo ou em partes por outros sites, jornais e revistas sem a  expressa autorização do autor. Facebook

Compartilhar: