Erivan Santana*

Pelé nos deixou, ao apagar das luzes deste ano de 2022. A sua vida se mistura à História do Brasil recente. No fundo, é impossível, diante da realidade, separar o futebol da política e da questões socioculturais do país.

A identidade do brasileiro com o futebol, está enraizada no dia a dia do país, mesmo com as mudanças que o esporte vem sofrendo, ao longo dos tempos. O futebol hoje é mais comercial e pragmático, sem aquela inocência e um certo “ar romântico”, que tinha na era de Pelé. O talento do jogador continua sendo importante, mas o preparo físico, o marketing e o interesse comercial marcam o futebol de hoje.

A simbologia e a mensagem trazidas por Pelé dizem naturalmente por si só. Vindo de família humilde – como é o caso da maioria dos jogadores brasileiros, e negro – o atleta do século é a personalidade mais conhecida no Brasil e no exterior – mesmo que a atual geração nunca o tenha visto jogar.

Embora o futebol tenha sua origem ligada à Inglaterra, foi aqui que ele encontrou todas as condições necessárias para crescer e se solidificar, beneficiado pelo amplo território, clima, facilidade de prática esportiva e jovens ávidos por uma oportunidade de crescimento econômico e social, muito em decorrência da profunda desigualdade social que historicamente, marca o país.

Pelé está no imaginário do povo brasileiro – mais do que uma personalidade, é um mito que ficará para a eternidade na História do Brasil e do mundo. Como ele mesmo tinha previsto, em uma entrevista ao canal de televisão GNT, em 1997, “Quem morreu agora foi o Edson – Pelé não tem como morrer”.

Erivan Santana é professor, cronista e poeta, membro efetivo da ATL – Academia Teixeirense de Letras

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