Por Daniel Rocha

Em uma conversa informal em 2018 , o policial José Nunes ( em memória) que atuou na cidade na década de 1970, revelou que a rodoviária era um centro de assaltos e circulação de pessoas suspeitas vindas de todos os lados e partes da região fronteiriça do entorno de Teixeira de Freitas.

Esses “elementos” eram monitorados de várias maneiras, seja através de informes de outros estados ou dos próprios moradores do então  povoado quando percebiam comportamentos suspeitos. 

Recordou, por exemplo, que em meados de 1976, ao parar no boteco de “Maria Mil Réis”, foi alertada pela mesma que havia passado a noite em seu estabelecimento três capixabas suspeitos que, pelo que tinha ouvido, planejavam assaltos na cidade. 

Conforme relatou, seguindo a descrição dela, eles se colocaram em diligência e prendeu os mesmos nas imediações da rodoviária, hoje mais conhecida como rodoviária velha,  onde já haviam efetuado assaltos.

O relato informal mostra que na década de 1970, com início da oferta de transporte rodoviário as cidades e povoados da região fronteiriça entre Minas e Bahia, se tornaram alvo fácil para ação desse tipo de contraventores.  

Observações de manchetes de jornais do período demonstram a atuação de diversos criminosos  nas rodoviárias ou pontos de embarques na região, como a notícia publicada em um periódico mineiro sobre a prisão de um batedor de carteiras na cidade de Carlos Chagas-MG.

Conforme o registro, no dia 2 de maio de 1979, relatou um jornal, que  um incidente criminal agitou a tranquila cidade do interior de Minas Gerais localizada na região fronteiriça com o extremo sul da Bahia.

O criminoso em questão, identificado como Ferraz Souza, conhecido como “Jacaré”, foi capturado e preso após cometer um furto na rodoviária local, quando subtraiu a carteira de um cidadão desavisado, tal como já tinha feito em diversas cidades do sul da Bahia.

O furto, inicialmente imperceptível pela vítima, só foi descoberto graças à prontidão de um observador atento presente no local que diante de um engajamento imediato com outros, capturaram o criminoso que foi levado à polícia.  

O contumaz que era conhecido como “Jacaré”, ao prestar depoimento surpreendeu as autoridades ao confessar sua extensa ficha criminal. Ele admitiu ter praticado furtos e roubos em diversas cidades,como Itabuna e também no então povoado de Teixeira de Freitas:

” Na delegacia jacaré confessou que vem assaltando desde 1974, época em que assaltou seu patrão. Atuou em Teixeira de Freitas, Itabuna e em Varias capitais como Belo Horizonte, São Paulo, Brasília e outras”.

Em resumo, as informações passadas pelo antigo morador e a notícia do jornal, em tese, revelam a existência de uma complexa rede de conexões nas relações fronteiriças entre as cidades próximas donas de dinâmicas específicas para além das imaginadas. Por fim, o  “Jacaré” é um exemplo de como as fronteiras geográficas não definem os limites das interações humanas e atividades criminosas de bandidos como os os batedores de carteira.

Fontes:

Conversa informal com o morador José Nunes Fernandes. 06 de outubro de 2018.

Preso batedor de carteira. JFN. 02/05/1979

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduado em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

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