Por Daniel Rocha

No dia 7 de novembro de 2025, a professora Aretuza da Cruz Silva, do Colégio da Polícia Militar (CPM) de Teixeira de Freitas e graduada pela UNEB –X, atravessou o oceano para apresentar, na Universidade de Lausanne (UNIL), na Suíça, uma pesquisa que coloca o Extremo Sul da Bahia em destaque no cenário internacional e nacional.

Aretuza participou como palestrante do seminário “Escravidão, resistência e democracia: explorando as conexões suíço-brasileiras no mundo atlântico do século XIX”, que reuniu especialistas estrangeiros interessados em entender as ligações históricas entre Brasil e Suíça.

Na mesa dedicada ao tema Helvécia, a historiadora, atualmente doutoranda pela UFES, trouxe um tema que surpreendeu o público: a história da antiga Colônia Leopoldina, hoje comunidade quilombola de Helvécia, em Nova Viçosa.

Divulgação da programação

Ela apresentou os primeiros resultados de sua pesquisa sobre o comerciante suíço Johann Martin Flach, um personagem que teve papel decisivo na exploração do trabalho e tráfico ilegal na mãos de obra durante o século XIX.

Documentos analisados por ela mostram que Flach continuou ligado ao tráfico ilegal de escravizados mesmo depois de 1831, algo pouco conhecido até pelos pesquisadores estrajeiros da região. Entre 1832 e 1847, há registros de cerca de 400 pessoas escravizadas ilegalmente em toda Leopoldina, sendo 158 pertecentes a Flach.

A apresentação ficou ainda mais especial com a participação de Gilsineth Santos, pesquisadora comunitária de Helvécia e descendente direta dos antigos moradores da localidade. Ela divulgou a visão da comunidade hoje, mostrando como a memória e a luta seguem vivas.

Aretuza e pesquisadoras do tema

Juntas, Aretuza e Gilsineth vêm destacando Helvécia no debate histórico e mostrando como a presença europeia marcou profundamente a região , e como essa herança ainda se reflete no presente.

Por fim, a participação da professora e hisitóraaiadora Aretuza na UNIL reforça a importância de abrir espaço, no Brasil e fora dele, para temas como escravidão, resistência e reparação histórica. Afinal, como ela mesma disse ao jornal digital suíço Schaffhauser AZ: “A história é sobre os vivos.”

Uma frase simples, mas que ajuda a entender por que revisitar o passado é tão necessário para encararmos as desigualdades de hoje.


Fonte:
Schaffhauser AZ: https://www.shaz.ch/2025/11/08/der-geschichte-geht-es-um-die-lebenden/

Daniel Rocha da Silva
Historiador graduado e pós-graduado em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.
Contato: WhatsApp (73) 99811-8769 | E-mail: samuithi@hotmail.com . Comunidade no Facebook
O conteúdo deste site não pode ser copiado, reproduzido, publicado no todo ou em partes, ou convertido em áudio ou vídeo sem autorização expressa do autor.

Compartilhar: