A noite deste sábado (14) entrou para a história do Carnaval 2026 com a saída arrebatadora do Ilê Aiyê, diretamente do Ilê Axé Jitolu, no Curuzu. Emoção à flor da pele, beleza impactante e um encontro simbólico entre ancestralidades negra e indígena marcaram o início do desfile do Mais Belo dos Belos.
Com o tema “Turbantes e Cocares: a história de resistência do povo afro e indígena de Maricá”, o bloco transformou a ladeira do Curuzu em um lugar de memória, identidade e afirmação cultural. Das marquises às ruas, o público acompanhou cada passo do cortejo que reafirma, há mais de cinco décadas, o protagonismo da cultura afro-brasileira.

O ritual de abertura trouxe a força da tradição: lançamento dos milhos, banho de pipoca, proteção com pó de pemba e o voo das pombas brancas anunciaram que o Carnaval começava oficialmente para o Ilê. Logo depois, os tambores ecoaram pela Ladeira do Curuzu, conduzindo os foliões pelo Circuito Mãe Hilda Jitolu em um repertório de clássicos eternizados na maior festa de rua do mundo.
A celebração seguiu para o tradicional Circuito Osmar, com desfile do Campo Grande ao Relógio de São Pedro, na Avenida Sete de Setembro, consolidando a potência estética e política do bloco em sua 51ª participação no Carnaval.

Fundador e presidente do Ilê, Antônio Carlos Vovô destacou o alcance nacional e internacional do projeto: segundo ele, a revolução iniciada no Curuzu ecoa hoje pelo Brasil e pelo mundo, formando jovens e multiplicando a tradição percussiva que nasceu na Liberdade.
A saída contou com o apoio do Programa Ouro Negro, iniciativa da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. Entre as autoridades presentes estavam o vice-governador Geraldo Júnior e o secretário de Cultura Bruno Monteiro, que reforçaram o compromisso com políticas públicas de valorização dos blocos afro.

“Isso aqui é a expressão do nosso povo, da cultura popular. É isso que nós vamos continuar fazendo. Com o presidente Lula e com o governador Jerônimo Rodrigues fortalecendo e valorizando o nosso povo e a nossa raiz.
Mais que um desfile, o Ilê Aiyê reafirmou sua missão histórica: preservar, celebrar e projetar a identidade afro-indígena como força viva da cultura brasileira. No Curuzu, onde tudo começou há mais de 50 anos, a revolução estética e cultural segue pulsando — e cada tambor anuncia que ela está longe de terminar.
Crédito: Ascom SecultBA
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