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Histórias ocultas nas fotos antigas de Teixeira de Freitas – Parte 01

Por Daniel Rocha

Para além do foco, algumas fotografias antigas da cidade guarda surpresas ocultas que trazem informações do tempo registrado que às vezes passam despercebidos por quem olha como o conjunto de escolhas, o lócus social definidos e a visão política e do tempo histórico de quem registrou.

Dessa forma, para o início dessa série que se propõe a analisar algumas fotografias, selecionamos um registro de uma parte do centro da cidade que tem como tempo natural o dia e como  tempo cronológico o mês de outubro de 1982 do século XX.

O autor foi identificado por fontes como sendo “Dr. Fortunato”, um fotógrafo amador, sem vínculo com instituição ou imprensa que prestou grande serviço a história ao fotografar o cotidiano e algumas paisagens da cidade.

Foto sem filtros

Nos termos técnicos a fotografia traz um grande plano geral preenchido em sua maior parte pelo ambiente e paisagem urbana de uma parte do ainda povoado de Teixeira de Freitas. Na parte inferior registra a entrada da rua Prudente de Morais, parte do entroncamento com a  rua Pedro Álvares Cabral.

Na foto é possível perceber uma parte do fundo da lateral do prédio do antigo Sindicato patronal dos produtores Rurais de Teixeira de Freitas, antigo hospital Santa Lucia onde atualmente funciona o Ambulatório Central.

Pichação no muro

Na parede do prédio do sindicato patronal uma pichação com os dizeres “P/ Prefeito Wilson Brito” se destaca. Em tese a pichação faz parte da prática política da época. A fotografia foi registrada um mês antes da realização do pleito de 1982 que teve como eleito o residente Wilson Brito. Período que segundo relatos e pesquisas este tipo de ação era comum.

A escolha da paisagem pelo fotógrafo não foi qualquer, a fotografia traz uma paisagem modificada pela ação contínua do movimento das classes trabalhadoras e dominantes sobre o meio natural, já não existente no então povoado de Teixeira de Freitas, dividido entre os municípios de Alcobaça e Caravelas. 

Casa e cor da década de 1980

Na paisagem ainda é possível observar uma maior ocupação de espaços por casas, havendo poucos terrenos baldios, o que indica que do ponto de vista imobiliário aquela região já era mais valorizada, logo habitada por pessoas de melhor condições financeiras, fato evidente na arquitetura e formato das casas.

O lado fotografado pertencia ao município de Alcobaça que dispensava uma atenção maior ao povoado, ou seja, o registro traz uma visão da parte onde se localizava as melhores habitações e às desmazelas urbanas não eram tão gritantes, haja visto que o povoado ainda não havia recebido investimentos suficientes em obras de infraestrutura básica, apesar  fluxo de carros e pessoas vistos nas ruas.

O horizonte como destino

No enquadramento geral, se vê, através dos exemplos, um olhar influenciado pela visão desenvolvimentista que norteava a política nacional e local da época, expressa no espaçoso horizonte a ser alcançado pelo “próspero povoado” captado como a imagem e realidade a ser lembrada no futuro… Uma informação explícita e ao mesmo tempo oculta na foto vista por muitos como “um registro de como era Teixeira  de Freitas no passado”.

Fonte:

MAUAD. Ana Maria. Através da imagem: Fotografia e história interfaces. Tempo, Rio de Janeiro, vol.01,.02. p 73 – 98.

 GUERRA, Jailson C. Pereira; SILVA. Leonardo Santos. O processo de emancipação política de Teixeira de Freitas (1972-1985). UNEB 2010.

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X. Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

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Trancoso e as contradições no paralelo 17°

Por Daniel Rocha

O município de Porto Seguro, Extremo sul da Bahia, é cortado pelo paralelo 17° s, uma localização geográfica que segundo uma visão mística faz aumentar o clima de sedução e desejo dos turistas que chegam para visitar suas praias e distritos como Trancoso, uma vila “paz e amor” rodeada por contradições urbanas.

Trancoso fica no exato lugar por onde passa a linha que  corta lugares  como Goa e Bali na Indonésia e países como Vanuatu e Polinésia Francesa, que em tese tem o poder místico de despertar a sexualidade e o instinto de liberdade em quem chega para visitar, como os jovens hippies da década de 1970 que ocupou a então pequena vila de Trancoso transformando seu espaço e economia potencializando contradições.


Igreja de São João Batista

Hippies oriundos de todas as partes do Brasil e do mundo, Alemanha, Suíça, Canadá, que sem querer querendo, foram transformando o lugar em um conhecido destino turístico mundial intervindo fortemente na conservação das casas coloniais e de monumentos como a igreja de São João Batista, de 1656, restaurada na década de 70 pelos jovens imbuídos de autoeficácia e liberdade.

Nesse espaço de tempo outros migrantes, vindos de todos os lados do Brasil, também foram ocupando o espaço do distrito e adquirindo terrenos localizados à beira-mar e  também as residências do entorno da Praça do Quadrado, lugar onde até 1975 residia famílias nativas que sobrevivia de pequenos cultivos, pesca e exploração da madeira.

De modo que, com o passar das décadas, a ocupação foi empurrando aos poucos a população nativa para áreas mais distantes das praias como a dos atuais bairros Trancosinho, Maria Viúva e Vila Xando, comunidades que no presente sofrem, como todo lugar que nasce em meio a contradições urbanas, com problemas estruturais e tráfico de drogas.

Dessa forma, o distrito de Trancoso combina no presente o seu passado de aldeia colonial historicamente constituída e mesclada pela cultura nativa, católica e africana com o clima e discurso místico dos ideais hippie do “Paz e amor” em meio às contradições das divisões urbanas e suposta energia do paralelo 17°s que segundo a lenda faz aflorar uma aura mística nos milhares de turistas de todo o mundo que visita o lugar todos os anos em meio às contradições e contrastes ocultos nas propagandas turísticas.

Daniel Rocha da Silva*

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Teixeira 35 anos: Algumas curiosidades do cotidiano do ano da emancipação

Por Daniel Rocha

Em uma cidade que se tornou predominantemente urbana no modo de viver a população não escapou e nem escapa de ter a memória marcada pelas mídias de difusão em massa que influenciaram e influenciam experiências sensoriais e coletivas. Dito isso, o site selecionou algumas curiosidades que mostram a dinâmicas  cotidianas e culturais do ano da emancipação.

01 – Quando Teixeira de Freitas foi emancipada no dia 09 de maio de 1985 a cidade já contava com uma razoável estrutura de equipamentos comunitários com dois clubes (Jacarandá e Floresta) dois cinemas (Cine Brasil e Cine Horizonte) e duas estações de rádio (Difusora e Alvorada AM). Uma estação repetidora de sinal de TV para 02 canais, um estádio de futebol e três praças no centro da cidade.

02 – A cidade era servida por uma linha de ônibus urbanos atendida por dez coletivos que ligava a Escola Média de Agropecuária da CEPLAC-EMARC à Vila Vargas, passando pelo bairro do Trevo, Avenida Presidente Vargas e centro da cidade. O horário usado pelos os alunos da EMARC eram evitados por alguns devido a “zoação” da rapaziada no ônibus.

03 – Na época o Centro educacional professor Rômulo Galvão além da educação básica ofertava cursos técnicos em nível de segundo grau. Naquele ano o ensino noturno estava em alta e tinha como alunos trabalhadores do comércio, moças e rapazes. Alguns que,  depois da aula, ficavam na Avenida Getúlio Vargas a espera de seus pares.

04 – Os artistas da cidade formavam um coletivo chamado “Consciência” que reunia variados artistas como artesãos, escultores, cantores e poetas que promoviam no último domingo de cada mês uma feira artística livre na Praça da Prefeitura e shows com talentos musicais no palco do Cine Brasil, que também era uma espécie de casa de espetáculos da cidade.

Icônico LP. O som local da emancipação.

05- Para além dos destaques da paradas musicais nacional e internacional , as emissoras de rádio teixeirenses  também era lugar  aberto para a  música e músicos locais como o popular Carlitos Gomes que naquele ano (1985) lançou o icônico LP “Quero Ter seu amor,”  com músicas populares e genuinamente teixeirense que  invadiu os bares, boates e outros espaços da cidade recém- emancipada.

06 – No Cine Brasil, estima-se que o filme “Os Trapalhões no Reino da Fantasia” atraiu, como toda fita do grupo de Renato Aragão, uma multidão para sala mais procurada da cidade alguns meses antes da realização da primeira eleição municipal de Teixeira de Freitas. 

07 –  Na cidade emancipada o domingo era dia de jogar futebol nos diversos campos espalhados pelos bairros do município . No estádio municipal as equipes profissionais de grande destaque como o CEFBOL (Clube Estudantil de Futebol) ,criado com o apoio dos estudantes do CEPROG (Centro Educacional Professor Rômulo Galvão), conquistava com destaque os torcedores. Com a emancipação as equipes locais puderam enfim organizar oficialmente a chamada L.F.T.F. (Liga de Futebol de Teixeira de Freitas), concretizada em 1987.

08 – No dia da emancipação a TV Globo, uma das duas emissoras sintonizadas na cidade, reprisava a novela “Elas Por Elas” no “Vale a pena ver de novo” e a Sessão da Tarde exibiu o filme “Por Um corpo de Mulher.” Durante a noite exibiu também a inédita “Corpo a Corpo” novela das oito que em Teixeira era acompanhada por uma população que dividia a sala e as janelas com os vizinhos que não tinham TV.

09 – Enquanto a cidade emancipada sonhava com uma Biblioteca pública, o livro  “A Insustentável Leveza do Ser”, Milan Kundera, dominava o topo da lista dos mais vendidos do país. Lançado em 1982 a obra estaria disponível na cidade se houve um melhor acesso a leitura.

10 –  Até 1985, quando foi promulgada a Emenda Constitucional nº 25 à Constituição de 1967, os analfabetos não tinham o direito de votar, viviam à margem da democracia no país. Por isso muitos não puderam participar do plebiscito sobre a emancipação da cidade realizada em no final de 1984. Curiosamente o Congresso Nacional aprovou o direito ao voto na noite do dia 08 de maio de 1985, um dia antes do governador do estado oficializar a emancipação da cidade. A aprovação permitiu a participação dos não alfabetizados na eleição que elegeu o primeiro prefeito em 15 novembro de 1985.

Fontes:

BANCO DO NORDESTE, As origens. Teixeira de Freitas, Fortaleza – Ceará. Janeiro 1985.

ROCHA. Daniel; OLIVEIRA.Danilo. Cinema – Contribuições no Processo de Formação da Sociedade de Teixeira de Freitas nos anos de 1960, 1970 e 1980. UNEB, Campus X – 2010

DETHLING, William Moacir. Teixeira de Freitas entra em campo: A história do futebol da cidade de Teixeira de Freitas entre os anos de 1970 e 2000. UNEB – X. 2011.

JB. Programação da TV. 09 de maio de 1985. 

Carlitos Gomes: http://dicionariompb.com.br/carlito-gomes/discografia

O causo da Marrom Glacê e a copa de 1986: 

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Daniel Rocha da Silva*

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Quantos anos têm Teixeira de Freitas? Não 35? Não 72? Será 70?

Por Daniel Rocha

Quando foi elevada à categoria de município em 09 de maio de 1985, o povoado de Teixeira de Freitas (BA) já acumulava algumas décadas de uma história que começou a se desenrolar quando o comerciante negro Manoel de Etelvina, o Tira-Banha, abriu um boteco às margens da estrada aberta pela empresa madeireira  Elecunha S/A (Eliozípio Cunha e Cia) em 1950.

Contudo, outras versões sugerem que o surgimento do embrião que deu origem ao povoado e a cidade aconteceu em outra época, diante disso fica a pergunta: quantos anos de história têm a cidade?

De acordo com Benedito Ralille a primeira aglomeração surgiu em 1948 no Bairro Vila Vargas antes da abertura da estrada da firma “Eleuzíbio Cunha” quando alguns trabalhadores da madeira, lenhadores, construíram um acampamento coberto de palhas, dando início a extração da madeira no local.


Comercio a beira da estrada, local onde hoje fica a rotatória da “Pão Gostoso”. Década de 1960.

Nessa época o lugar tinha como moradores, dentre outros, os srs, Hermenegildo Félix de Almeida e Júlio José de Oliveira e .tempos depois, os srs Joel Antunes, Manoel de Etelvina, Amélio José de Oliveira, Duca Ferreira e a família dos Guerra, que construíram casas distantes entre si onde hoje é o centro urbano da cidade.

Versão que harmoniza com uma a apresentada por Frei Elias (2012) que diz que povoado surgiu em 1948 quando Manuel Ferreira de Duque de Caxias (“Arriba-Saia”) construiu duas casas no lugar ocupado depois pelo Sr. “Osvaldo”, no meio da mata virgem seguido posteriormente por Joel Antunes, que fez seis casas “no lugar de João de Coco”. Considerando essas versões, Teixeira já contaria hoje com 72 anos de história.

Mas essa possibilidade não é a única, em 1994, após solicitação de Ralille que objetivava esclarecer a origem do nome da cidade, a Câmara Municipal de Alcobaça declarou em ofício que após detalhada busca nos arquivos da casa não foi encontrado nenhum documento oficial criando, nos idos de 1950, o povoado de “São José de Itanhém” ou “Tira-Banha” e nem quando o dito povoado passou a se denominar Teixeira de Freitas.

Venda na faz. Nova América. Década de 1960. Foto: Osair Nascimento

Porém, um documento do IBGE datado em 14 de fevereiro de 1957  informa que o insurgente povoado de “São José do Rio Itanhém” foi batizado com o nome de Teixeira de Freitas em homenagem ao ilustre baiano pai da estatística Brasileira, através do Ofício de nº 91, de 14 de fevereiro de 1957, que daria hoje a cidade 63 anos de história.

Entretanto Susana Ferreira no trabalho monográfico – A vida privada de negros pioneiros no povoamento de Teixeira de Freitas na década de 1960 afirma que de fato o povoado que deu origem a cidade surgiu no ano de 1950 com o movimento gerado pela abertura da estrada de rodagem e a fixação no lugar do comerciante negro Manoel de Etelvina e outros moradores de comunidade rurais próximas, como a Nova América e Volta Miúda, dando origem ao chamado “Comercinho dos Pretos”, dentre outros nomes populares.

Desta forma,respondendo à questão: quantos anos de história têm Teixeira de Freitas? É possível afirmar que para além dos 35 anos de emancipação contamos com 70 anos de história.

Fontes:

HOOIJ, Frei Elias. Os desbravadores do Extremo sul da Bahia, Belo Horizonte, 2011.

FERREIRA,Susana. A vida privada de negros pioneiros no povoamento de Teixeira de Freitas na década de 1960. Uneb campus-x. Teixeira de Freitas BA, 2010.

RALILLE, Benedito Pereira; SOUZA, Carlos Benedito de.; SOUZA, Sheila Franca de. Relatos históricos de Caravelas: (desde o século XVI). Caravelas, BA: Fundação Professor  Benedito Ralille, 2006.

http://www.ibge.gov.br/cidadesat/historicos_cidades/historico_conteudo.php?codmun=293135 > Acesso em: 05 de agosto 2013.

Daniel Rocha da Silva* 

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Teixeira de Freitas 1985: política, confrontos e agressões

Por Daniel Rocha

Confrontos e agressões violentas marcaram a eleição para escolha do primeiro prefeito da cidade de Teixeira de Freitas em 1985. Durante o processo, movidos por sentimentos de ódio e amor partidários e amantes políticos agrediram eleitores e a juíza eleitoral da época, Neuza Oliveira, na Praça da Independência, hoje conhecida como Praça da Bíblia.

Segundo informou o Jornal do Brasil de 15 de novembro de 1985 , nas primeiras horas da manhã daquele dia um grupo de adeptos da coligação PTB-PDS-PDT chegaram  nas primeiras horas da manhã à estação rodoviária  da cidade, hoje conhecida como Rodoviária Velha, ocupando o lugar de desembarque dos ônibus de passageiros  para interrogar os eleitores  que chegavam ao local qual era o candidato que votaria no dia da eleição.

Nesse ambiente de pressão os passageiros que se declaravam eleitores do candidato Timóteo Brito, então do PTB,  eram recebidos com ovação e palmas, já os que se mostravam intencionados em votar no candidato do PMDB, Francistônio Pinto, eram levados e  agredidos na dita praça. De acordo com o jornal, a polícia “assistia tudo sem fazer nada”.


Notícias de uma “guerra particular

Mais tarde, os elementos da mesma coligação, movido pelo seu partidarismo, amor e ódio, liderados pelo PTB, na época alinhados a figura de Antônio Carlos Magalhães, o ACM, passaram a derrubar outdoors do candidato do PMDB- PFL, que diante da situação procurou a juíza eleitoral, Neuza Oliveira, para solicitar ajuda e providências.

Ciente da situação a juíza foi até o terminal rodoviário para tomar providências e acabou sendo “agredida a pontapés e empurrões” pelos furiosos partidários das duas coligações que já se encontravam em um caloroso confronto, comuns em períodos eleitorais na cidade que na eleição de 1982 já havia registrado algo da mesma natureza no mesmo lugar e espaço.

De acordo com os historiadores Jailson Guerra e Leonardo Santos Silva em um trabalho monográfico em 2011, os confrontos e demonstrações de apoio exacerbados dos partidários durante o processo eleitoral de 1982 e 1985 podem ser associados ao contexto político da época, Ditadura Militar,  e ao jogo de interesses que permeiam o meio e a fascinação exercida por certos candidatos.


Timóteo Brito e
Francistônio Pinto

Visto que, enquanto as reações dos partidários, correligionários, apoiadores e financiadores liga-se à distribuição de cargos públicos, parcerias, fiscais e licitações as reações do “amante” foge à essa regra. “É uma coisa pessoal, é um sentimento de paixão. O amante sempre enxerga no candidato as suas qualidades e no adversário os seus próprios defeitos. Um sorriso, um abraço, um aperto de mão é o suficiente para deixá-lo feliz”.

No presente é possível perceber esse mesmo sentimento nas redes sociais onde  alguns  teixeirenses opinam a partir das suas próprias convicções sobre a política nacional, sem  se atentar que ao tomar partido deixam de observar e dar atenção a aspectos importantes como a garantia dos direitos conquistados e a manutenção da liberdade democrática.

  Daniel Rocha da Silva*

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Fontes:

GUERRA, Jaison C. Pereira; SILVA. Leonardo Santos. O processo de emancipação política de Teixeira de Freitas (1972-1985). UNEB 2010.

Juíza leva pontapés e empurrões. Jornal do Brasil. 15/11/1985. Acervo site tirabanha.

Foto: Praça da Bíblia. Ano desconhecido. Fonte: Memorial da Câmara.

Por que os índios visitam a Praça da Bíblia?

Em 2014 uma notícia relacionada a presença dos nativos Maxakali no centro da cidade de Teixeira de Freitas, BA, ganhou destaque em alguns sites nacionais como o G1. Na época o fato trouxe à tona uma pergunta a muito feita: por que esse povo nativo visita a Praça da Bíblia?

Os repórteres locais acionaram a polícia e as autoridades competentes para socorrer um garoto Maxakali encontrado “amarrado pelo pé em uma barraca na praça” que fica no centro da cidade. Ainda segundo a reportagem, os pais do garoto fazia parte de um grupo de cerca de 50 indígenas pertencentes à localidade de Machacalis, próximo à divisa com Minas Gerais, que vagavam pela região pedindo esmolas.

Foto: photojornalismo

Procurada pelo G1, a Fundação Nacional do Índio (Funai) informou que os indígenas da região têm o costume de fazer esse tipo de percurso. “Antigamente as famílias faziam para colher frutos e sementes no caminho e que, com o crescimento da cidade, passaram a mendigar”. Sobre a criança, a Funai informou que eles têm o entendimento de que, amarrando, ela não ia se perder.

Contudo, para melhor entender a ligação dos nativos com esse percurso é preciso lembrar o passado pouco divulgado do território teixeirense que até 1985 pertencia ao município de Alcobaça. Antes da invasão portuguesa a partir de 1500, o povo Maxakali, que eram habilidosos coletores e incipientes agricultores, tinham como território a região entre o Rio Prado , Extremo Sul Baiano, e o Rio Doce, Minas Gerais e parte do Espírito Santos.

Os nativos Maxakali, que ocupavam a região com um conjunto de vários grupos, habitavam uma aldeia que ficava na embocadura da margem esquerda do Rio Itanhém que deu origem ao Arraial do Itanhém que por sua vez originou a Vila de Alcobaça, criada em 1772 pelo ouvidor José Xavier de Machado sob o argumento de defesa da costa e a necessidade de intimidar os “índios bravios” do sertão.

Nesse período a coroa portuguesa, diante da crise desencadeada na segunda metade do século 18, pelo declínio do ouro nas minas gerais, adotou medidas para potencializar a exploração econômica da região através da ocupação de novos espaços e perante isso, o governo da província da Bahia autorizou a invasão de terras indígenas para fins de ocupação e enfrentamento.

Tal fato, dentre outros, empurrou os Maxakali para outras partes do território onde se encontrava outros da tribo, evidentemente para se proteger do assédio e ataques da política de aldeamento promovido pelo império.

Diante disso, é possível então supor que os descendentes destes nativos, que  no presente ocupam terras reduzidas e com recursos naturais escassos, visitam a praça movido pela memória ancestral e sentimento de pertencimentos que aflora em alguns dos antigos habitantes dessas terras, apesar do assédio dos olhares locais herdados dos colonizadores que só enxergam na visita desajustes sociais.


Daniel Rocha da Silva*

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Fontes:

J. C. R. Milliet de Saint-Adolphe. Diccionario geographico, historico e descriptivo do imperio do Brasil.  Volume 1. 1845. Página 27. 

Criança indígena é encontrada amarrada em praça na Bahia: http://g1.globo.com/bahia/noticia/2014/06/crianca-indigena-e-encontrada-amarrada-em-praca-na-bahia.html

Índios do Nordeste: Resistência, memória, etnografia. Org. LUIZ SAVIO DE ALMEIDA, AMARO HÉLIO LEITE DA SILVA, CHRISTIANO BARROS MARINHO DA SILVA, JORGE LUIZ GONZAGA VIEIRA, MARIA ESTER FERREIRA DA SILVA . Páginas 60 – 68.
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A origem da pandemia da Covid-19

POR ERIVAN SANTANA*

Com a pandemia do novo coronavírus, os meios de comunicação têm colocado em pauta apenas este assunto, e em alguns casos com uma certa dose de sensacionalismo, deixando de responder a uma pergunta essencial: Qual é a origem do novo coronavírus? 

Nessas situações, proliferam relatos conspiracionistas na internet, dizendo que isso se deve a “certos hábitos alimentares dos chineses”, aumentando assim, o preconceito a este povo. 

Pois bem, retornando à pergunta, a jornalista e cientista Sonia Shah,em brilhante artigo publicado na revista Le Monde Diplomatique Brasil, de março de 2020, nos faz um importante alerta do ponto de vista ecológico. Segundo ela, “Muitos micróbios convivem naturalmente com os animais, sem lhes causar mal algum.

O problema está em outra parte: com o desmatamento, a urbanização, e a industrialização desenfreados, nós oferecemos a esses micróbios meios de chegar e se adaptar ao corpo humano”. 

Com a destruição dos habitats naturais, perdemos o equilíbrio da interdependência ambiental, restando aos animais sobreviventes buscar refúgio nos habitats que sobram, o que os aproximam dos humanos, permitindo assim, passar estes micróbios para os seus corpos. 

Em seu artigo, a jornalista faz uma interessante retrospectiva histórica, dizendo que “O fenômeno de mutação dos micróbios animais em agentes patológicos não é novo, tendo surgido com a revolução neolítica, quando o ser humano começou a destruir os habitats selvagens para ampliar as terras cultivadas e a domesticar os animais, transformando-os em bestas de carga”. 

A natureza opera em um sistema de “lei natural, de ação e reação”, desta forma, com os animais vistos apenas como fonte de lucro e alimento em larga escala, passaram a transmitir doenças ao homem, como as vacas que nos trouxeram a tuberculose, os porcos a coqueluche e os patos, a gripe. 

As pandemias causadas pela intrusão do homem em ambientes naturais continuam atuais, como o lentivírus do macaco que se tornou o HIV, a bactéria aquática dos Sundarbans, conhecida como cólera que já provocou sete pandemias até hoje, a mais recente no Haiti. Outro exemplo recente também foi a gripe aviária, ocorrida na Ásia, provocada pelo amontoamento de centenas de aves, um cenário ideal para a transmissão de micróbios.

O fato é que diante desta perigosa e preocupante pandemia que hora enfrentamos, a globalização industrial e financeira está em cheque, assim como a urbanização e as grandes metrópoles, incluindo o próprio capitalismo, e não sabemos ainda que mundo virá pela frente, mas uma coisa é certa, a questão ambiental deverá e necessitará ganhar cada vez mais relevância, para o bem da humanidade e para as futuras gerações.

*ERIVAN SANTANA. Crônica publicada no jornal A Tarde, Salvador, 13/04/2020

Como era a “Malhação de Judas” em Teixeira de Freitas?

Por Daniel Rocha

O sábado entre a semana santa e o domingo de páscoa é chamado de Sábado de Aleluia. Dia de lembrar a ressurreição de Jesus e a traição cometida pelo seu discípulo Judas Iscariotes. Dia também, segundo a tradição católica, de queimar o boneco do Judas traidor. Em Teixeira de Freitas das décadas de 1960,1970 e 1980 a brincadeira tradicional foi realizada em diversos bairros da cidade.

Em 2015 durante uma conversa informal, Maria de Fátima Leite, natural de Águas Formosas, MG, que mudou para Teixeira no ano de 1969, relatou que um antigo morador conhecido como “Paulo” realizava a queima do Judas na madrugada do sábado de aleluia no bairro Wilson Brito.

A “malhação do boneco,” feito com palha e madeira, começava às três horas da manhã aos gritos e vaias de uma multidão formada por inúmeras crianças e adultos que, antes da queima, apedrejava o boneco “sem dó e nem piedade” na escuridão de um povoado sem acesso a iluminação elétrica.


Imagem Meramente Ilustrativa

Já no bairro Teixeirinha, década de 1960, os moradores participavam através de cânticos e palavras de ordem relacionada ao feito, lembra a moradora Ricardina Maria sobre a queima no bairro. Antes de ser queimado o boneco era arrastado pelas ruas puxado por um Jegue e deixado na porta de um morador ao som de rimas e cantigas que faziam referência ao dono da casa. “Esse judas não come farinha. Vai pra casa de seu Farias!”

Já o capixaba Elcilande Ferreira, natural da cidade de Pinheiros (ES) lembrou que a queima também era realizada no Vila Vargas, bairro onde passou toda infância e adolescência. Naqueles tempos, década de 1980, a queima era realizada na Rua Aurelino J. de Oliveira e o ritual começava dois dias antes com a busca entre os vizinhos de doações de roupas velhas para confeccionar o boneco.

No dia de malhar o judas, o boneco, preenchido com roupas e jornais, era colocado em uma carroça, puxado e lixado pelas ruas do bairro enquanto a sentença era anunciada como o um último grande ato da semana santa.

Foto: Suposto Bairro Teixeirinha. Ano desconhecido.

No bairro São Lourenço da década de 1980 a tradição também era encenada, Flaviana Melquiades recordou que antes de ser queimado no sábado pela manhã um boneco era confeccionado pelos residentes com roupa e sapatos “de gente” doados por moradores da referida rua. O boneco era colocado em um poste de madeira no meio da rua da feirinha de domingo, para ser zombado pelos passantes que buscavam saber o horário do castigo.

No dia seguinte pela manhã, o ritual começava com o apedrejamento e agressões. Homens e meninos cutucavam e espancava o boneco do Judas antes da condenação final. A encenação era muito violenta e segundo Flaviana; “aterrorizava muito as crianças menores porque o boneco tinha uma fisionomia muito próxima da humana.”

Diante dos relatos é possível perceber que a manifestação cumpria bem seu objetivo de recordar a ressurreição de Jesus e a traição cometida pelo seu discípulo Judas, mensagem facilmente assimilada pela comunidade que não encontrava dificuldade em modificar o rito de acordo as necessidades práticas e  próximas.

Daniel Rocha da Silva*

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Fontes Orais

Conversa informal com

Flaviana Santos               Dezembro de 2015

Elcilandi Ferreira .          Dezembro de 2015

Maria de Fátima Leite   Maio de 2016

Ricardina Maria.             Maio de 2016

Teixeira de Freitas antes do SUS: rezadores, macumbeiros e garrafadas

Por Daniel Rocha*

Anterior a democratização de acesso aos médicos e hospitais proporcionado pela criação do SUS em 1988, os curandeiros, rezadores, “macumbeiros” atendiam prontamente alguns moradores de Teixeira de Freitas, cidade do extremo sul da Bahia, fazendo uso de rituais, remédios e práticas das religiões Afro-brasileiras.

Diante disso, os “Centros de macumba”  atuavam no tratamento dos interessados e necessitados e alguns moradores procuravam os “terreiros ” e suas garrafadas, medicamentos caseiro feito com raízes e folhas, misturados ao álcool, para cura de diversos males.

Segundo Lima Santos, na década de 1960, por exemplo,  existia um terreiro que ficava no bairro Nova América que era conhecido por tratar pessoas com “o Juízo perturbado” que quando necessário internava para a realização de acompanhamento e tratamento espiritual.  

“O Pai de santo do lugar trabalhava mais de graça do que por dinheiro. Ajudava muita gente…. Não tinha jeito, não tinha outro lugar na doença.”

Contudo, um levantamento informal do memorialista Domingos Cajueiro Correia, importante colaborador deste site, aponta que o trabalho dos curandeiros e as garrafadas não deixaram de ser procurados depois da inauguração do Hospital Sobrasa em 1971, convém lembrar que o mesmo só atendia conveniados.

Conforme tomou nota a busca por esse tipo de tratamento não estava a associado apenas a falta de acesso a medicamentos farmacêuticos ou médicos, pois, lembra, que na década de 1970  doenças venéreas eram tratados com Benzetacil injetável no hospital e depois com garrafadas das rezadeiras. “O uso de um não excluía o outro.”

Bairro Mirante do Rio. Mediações do Batalhão. Década de 1970.

Já o sexagenário Pedro de Ferreira lembra dos “macumbeiros Gui e Pó de Pemba”que atendiam nas mediações do trevo da cidade, bairro Mirante do Rio, na década de 1970. De acordo com ele o mais procurado era o “Seu Gui” que realizava atendimento em domicílio, “fechando corpos e fazendo rezas”, conforme a solicitação do cliente.

Ainda de acordo com o senhor Ferreira, na década de 1980 “Dona Mocinha”, uma parteira e rezadeira do Caxangá, povoado de Alcobaça, costumava orientar e “receitar” garrafadas para mulheres com idade vencida para gravidez”, a mesma tinha casa onde hoje fica o bairro Recanto do Lago.

Assim, diante destas narrativas é possível afirmar que no passado, em Teixeira de Freitas, os rezadores e rezadeiras e os macumbeiros foram também “os médicos do lugar” atendendo a população que os procuravam devido a falta de acesso a médicos e hospitais como também  por fé, necessidade, crença e costume.

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

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Fontes:

Dos Santos.Jonival Alves, Dos Santos. Eliomar Pires.O tratamento médico e as práticas populares em Teixeira de Freitas nas décadas de 1960 e 1970. Uneb 2011.

Anotações do memorialista Domingos Cajueiro Correia

Conversa informal com Pedro de Ferreira

Foto: AV Getúlio Vargas 1985. Revista Teixeira de Freitas Origens. Banco do Nordeste.

Teixeira de Freitas 1971: A primeira agência bancária da cidade

No dia 20 de novembro de 1971 foi instalado no povoado de Teixeira de Freitas o Banco do Estado da Bahia (BANEB), a primeira agência do então povoado. A chegada da agência foi alardeada como o início de uma “ nova fase de progresso” para o lugar.

Antes, para realizar algumas atividades bancárias os moradores tinham que se deslocar até alguma cidade próxima, como Nanuque, para acessar serviços bancários e realizar transações financeiras. Com a agência o comércio do povoado que já sonhava com a emancipação cresceu ainda mais servindo como muleta para o desenvolvimento econômico da cidade.

“A agência pioneira terá requisitos de agência de alto estilo e à altura das congêneres das capitais pois somente o fato de possuir ar condicionado para o público demonstra o gabarito de sua classe. Começa, assim, uma nova fase de progresso para Teixeira de Freitas”, observou um jornal da época.

Com a instalação da agência o governador, Antônio Carlos Magalhães (1971 – 1975), cumpriu com uma das providências prometidas aos empresários e agropecuaristas durante o período que o povoado foi transformada na capital simbólica do estado por alguns dias como parte de uma política iniciada pelo Governador Lomanto Júnior ( 1963-1967) para inserir a região na dinâmica econômica do estado e diminuir a influência de Minas Gerais e do Espírito Santo nesta parte do território baiano.

No campo econômico, em tese, a agência dinamizou a circulação de dinheiro e facilitou a vida dos moradores  e dos empresários do povoado e possibilitou ao Estado o recolhimento dos tributos nos prazos legais. 

Para além disso, como ganho político, ACM fortaleceu sua narrativa propagandista de que o progresso do Extremo Sul ocorria em consequência da sua motivação investindo pouco no social. 

Agência BANEB 1999

Convém lembrar que no ano de 1979, por exemplo, com seus 33.031 mil habitantes Teixeira ainda não tinha rede de esgoto e o sistema de abastecimento de água instalado em 1974 já se mostrava deficitário  desde dia da inauguração e não tinha sequer uma biblioteca pública ou um mercado organizado para os feirantes. Realidade que perdurou até o final da década de 1980.

Sob essa perspectiva, é possível observar que o anunciado progresso não ocorreu por completo, pois no primeiro momento não trouxe investimentos para cidade que ainda no presente sofre com sérios problemas estruturais, sociais e urbano.

Fontes:

Governo vai inaugurar Agência Bancária. F N.  Novembro de 1971.

As origens.Banco do Nordeste. 1985. Pg 28.

HOOIJ, Frei Elias. Os desbravadores do Extremo sul da Bahia, Belo Horizonte.2012. Pg 65

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

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Foto Principal: AV. Marachal Castelo Branco. Ivonildes Hoffman. Ano Desconhecido.