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Itanhém 1969 : Água milagrosa levou milhares de pessoas a cidade

Por Daniel Rocha

Em 1969 um vaqueiro encontrou uma fonte de água em uma colina localizada na fronteira do município de Itanhém com o município mineiro de Umburatiba (MG) onde misteriosamente minava uma suposta água milagrosa que curava “todos os tipos de males físicos”. A notícia se espalhou em toda região fronteiriça atraindo curiosos, doentes e romeiros que tinha uma visão religiosa e de mundo em comum.

Conforme relatos da época publicado em jornais, milhares de pessoas iam diariamente à Fazenda em busca da água milagrosa que aos lentos pingos era aparado em garrafas e vidros, sendo que muito dos portadores de doenças incuráveis tomava no próprio nascedouro na esperança de ficar logo curadas.

Na época relatou um jornal que uma moça , nome não identificado, já estava quase morta devido a uma deficiência intestinal, de repente sarou após tomar “a água de milagres” da fonte.

Embora algumas pessoas demonstraram interesse em faturar com a peregrinação e a movimentação gerado em torno da fonte através da construção de bares e restaurantes próximo ao local, o fazendeiro “Zé Pedra,” dono da fazenda onde ficava a fonte, não cobrava pelo acesso a fazenda porque acreditava que “a fonte era um milagre de Deus e não poderia ser vendido.”

Em 1971 a milagrosa voltou a ser notícia em um jornal local, só que dessa vez pela estranheza causada pelo seu esquecimento. A fonte milagrosa havia sido esquecida pelos milhares de romeiros vindos de todas as partes da fronteira norte do Espírito Santo e Vale do Jequitinhonha que a visitava.

“Só de quando em quando a água é procurada por alguém que ainda acredita em seu poder de cura. Até o ano passado a fonte supostamente milagrosa, ainda atraia gente de todo o Estado de Minas. Agora, porém, a água que nasce de duas rochas cristalinas parece que foi esquecida. Raramente uma pessoa comparece ali para utilizar o líquido em sua enfermidade física. Muitas curas são atribuídas ao uso da “Água Milagrosa” de Itanhém que lentamente vai caindo no ostracismo,” Observou o jornal.

No presente, tem crescido na cidade os relatos de pessoas que visitam o “Santuário da Cruz Sagrada”, Santuário Jesus Misericordioso, em Itanhém, onde fica o dito Cruzeiro Santo. A Cruz em questão foi colocada em 2007 em uma colina na cidade e já tem fiéis que atribuem a relíquia muitas graças alcançadas. Um projeto para construção de um santuário no local vem sendo posto em prática.


Embora não exista nenhuma relação da fonte com o Cruzeiro e o Santuário, que não promete milagres, é possível afirmar que o crescimento da crença na mesma demonstra a religiosidade popular na fronteira não foi passageira.

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

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Fontes:

Site do Santuário Jesus Misericordioso : http://www.euconfioemvos.com.br/santuario/santuario/historia

Jornal FN. 21/06/1969. Acervo do site.

Foto: Santuário Jesus Misericordioso

Meu caro amigo, Chico

Por Erivan Santana *

A coisa por aqui está preta, ou melhor dizendo, o Brasil está queimando, com o Pantanal Mato-Grossense e a Amazônia em chamas. É triste, é penoso ver os animais buscando salvação, desorientados, sem entender o que está acontecendo, com muitos deles morrendo, com registros também de perdas de vidas humanas, em sua grande maioria, voluntários e bombeiros tentando conter os incêndios. E o mais desolador é constatarmos a ausência de políticas públicas de proteção e preservação ambiental para o país. Voa pintassilgo, voa pintarroxo, uirapuru, foge asa-branca, se esconde macaco-prego, onça pintada, que o bicho homem vem aí.

Somado com a pandemia do covid 19, o cenário é assustador. Todos os dias, despertamos com a esperança do anúncio da chegada da vacina, e embora algumas estejam em estágio avançado, como a da Rússia e a de Oxford, ainda não estão disponíveis para a população.

Ah, mundo, vasto mundo, como diz aquele poeta, quanto aprendizado, hein? No final das contas, estamos descobrindo os reais valores da vida. Países ricos, como os europeus e os EUA, estão desesperados sem ter muito o que fazer, milionários querendo viajar e gastar suas fortunas, enquartelados em suas casas e mansões, carros guardados em garagens, sem poder sair. Quanto a isto, e com a produção industrial em queda, o meio ambiente agradece.

Verde que te quero ver, quero mais é ar para respirar, deixando os cachorros por perto, que aliás, estão a perguntar: “O que os humanos fazem, que não largam estas focinheiras?”

O momento é para agradecer, perdoar e não se esquecer do verbo “amar”; aliás, fazendo jus à geração dos anos 60, redescoberta neste momento, coloque um lembrete destes na porta da geladeira, e viva a contracultura!

Bom dia, gratidão, vida! Um abraço, meu caro amigo, lembranças à Cecília, e às crianças, cuide-se bem, até a próxima, adeus!


*Erivan Augusto Santana é colaborador do site, professor, escritor, poeta, graduado em letras, Mestre em Ciência da Educação  e membro
Academia Teixeirense de Letras (ATL)

O causo do homem ofendido por sete cobras

Por Daniel Rocha

Isael de Freitas Correia (1916 – 2011), sempre foi uma figura conhecida na cidade de Teixeira de Freitas. Filho dos pioneiros José Félix Correia e da senhora Ana Rodrigues da Conceição, da fazenda Nova América, foi  vendedor, comerciante e proprietário de parte das terras onde hoje se localizam os  bairros Mirante do Rio, São José e Monte Castelo. 

Segundo conta o filho, nas décadas de 1960 e 1970, o senhor Isael de Freitas contribuiu veemente para a expansão do povoado doando terrenos para a Construção do Batalhão e para passagem da BR – 101 e, também, participou do movimento pela construção de espaços públicos importantes o do Colégio Estadual Professor Rômulo Galvão (Ceprog)

Hoje, graças ao engajamento do seu filho, Domingos Cajueiro Correia,  narrativas e memórias sobre seus feitos são divulgados em sites e revistas e ajuda a compreender aspectos do imaginário popular do passado teixeirense, como é possível notar no registro do “Causo do Homem Ofendido por Sete Cobras,”  narrado pelo pai que era contador de causos nas horas vagas.

Conta Cajueiro que o pai narrava que nos idos de 1940, quando Teixeira de Freitas não passava de uma área fechada por densas matas e  lugar de fazendas como Cascata e a Nova América, seu pai foi como o próprio dizia, ofendido por sete tipos de cobras “Jararacuçus e Jararacas” que o picou enquanto circulava distraído por caminhos entre as matas. 


Cajueiro, de boné, e outros familiares na  inauguração da escola

Que no momento que sentiu a picada, como era de costume fazer na época, benzeu a perna colocando um facão no local e, como mandava uma conhecida simpatia, finalizou enfiando o facão em um tronco de uma árvore. Dentre as sete picadas uma inflamou se convertendo – se em uma dolorosa ferida.

Na época ele procurou recursos nas maiores cidades próximas, “Caravelas e Teófilo Otoni,”contudo, a ferida permaneceu gerando incômodos. Viajando como comerciante pela região, teve informação de um foguista macumbeiro que estava em navio atracado no porto de Ponta de Areia em Caravelas, especialista em curar picadas de cobra venenosas, poderia resolver o seu problema.

Com sorte, conseguiu encontrar a tempo com  o foguista, um senhor de cor negra, oriundo do Rio de Janeiro,  que ao analisar a situação da ferida e ouvir os detalhes do ataque das serpentes concluiu que na verdade ele havia pisado em um despacho feito por alguém que desejava sua morte e que revelaria um remédio para curar se o mesmo pagasse um valor pedido. 

Assim, diante da situação, a mãe do senhor Isael vendeu duas vacas e deu o dinheiro ao filho para comprar o “Elixir Galenogal”, o remédio indicado e vendido pelo foguista. Após fazer o uso do remédio de base natural a ferida causada pela picada de uma das cobras não voltou a incomodar.

Com graça recorda Domingos Cajueiro que quando sua mãe, a parteira Maria de Lurdes, discutia com o pai aproveitava do momento para contestar a versão do causo repetido à exaustão por ele dizendo que não tinha condições de uma pessoa sobreviver ao ataque de sete cobras venenosas. Isso deixava o velho contador de causos muito bravo, pois não tinha o antigo morador o hábito de mentir.

 Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X. Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

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Foto: Isael de Freitas Correia e Maria de Lurdes

A sombra de Grace – “O filme que dá má fama aos psiquiatras”

Lançado em 1994, o filme A sombra de Grace ( Inevitable Grace. EUA), conta a história de uma médica psiquiatra envolvida com o marido de uma paciente que gosta de perigosos jogos eróticos. Com direção Alex Canawati, o longa tem  Maxwell Caufield, Tippi Hedren, Vitoria Selleres no elenco.

No filme Verônica (Jennifer Nicholson) é uma mulher atormentada que ao sair correndo de um cinema e a cometida por um ataque de histeria que a faz perder a consciência. Ao acordar ela encontra-se em uma clínica, supervisionada pela Dra. Márcia Stevens (Tippi Hedren) que decide colocá-la sob os cuidados da Dra. Lisa Kelner (Stephanie Knights), uma psiquiatra ingênua que está fazendo residência no hospital. Durante a primeira sessão, Verônica murmura algo sobre a fuga e abusos sofridos pelo afoito marido Adam Cestare (Maxwell Caulfield).

Envolvida com o caso, Lisa procura e descobre onde mora o marido da paciente e desafiando os regulamentos do hospital se envolvendo emocionalmente com ele em uma trama irregular e cheia de falhas.

Em 1994 o site da revista americana Variety considerou o filme confuso e ruim e prejudicial a imagem da psiquiatria. “A sobra de Grace é o tipo de filme que dá má fama aos psiquiatras, aqui retratados como instáveis ​​e mais problemáticos que seus pacientes.”

Trailer do filme

PORQUE É SETE DE SETEMBRO

Erivan Augusto Santana*

Hoje é Sete de Setembro, mas não houve convocação para a avenida, os ônibus não passaram levando os alunos para o desfile, as bandas das escolas silenciaram. O silêncio é grande. Das casas, as janelas espiam a vida, e há semblantes de medo e dor de quem perdeu um amigo, um parente, um vizinho..

E no entanto, o país espera melhores dias. Os pobres, pretos, indígenas e favelados têm medo da Faria Lima e sabem que não são bem vindos na Paulista. Enquanto isso, a bolsa de valores e o mercado aguardam o aquecimento da economia, o consumo, as viagens, as compras de eletroeletrônicos, afinal, viver é consumir, o progresso não pode parar… A mãe Terra sofre, agoniza, pede socorro, com rios, mares e ar estupefatos com tanta poluição. A vida é mesmo a melhor escola, chegamos na esquina da História, é certo que muitos aprenderam o verdadeiro valor e sentido de ser, estar no mundo.

Hoje, quando a reclusão ficou evidente, as pessoas têm fome de abraços, sorrisos, encontros, fome de vida. Ouço o Hino da Independência e a Canção do Marinheiro (Cisne Branco), e não deixo de olhar para a bandeira, augusto símbolo da pátria, e toda a esperança e grandeza que ela me traz.

*Erivan Augusto Santana é colaborador do site, professor, escritor, poeta, graduado em letras, Mestre em Ciência da Educação  e membro
Academia Teixeirense de Letras (ATL)

Memórias de Um Gigolô: A boa bilheteria tirou o filme de cartaz

A história do cinema nacional é irreverente e carregada de curiosidades. Em fevereiro de 1971, por exemplo, o juiz da 12º Vara Cível , Sr, N. Arlindo Pinto, determinou a apreensão do filme Memórias de Um Gigolô (Brasil, 1970) em todo o país a pedido da Paramount Films of Brazil Inc.  e da companhia Cinematográfica Franco – Brasileira.

Segundo o Jornal do Brasil de 09 de setembro 1971, as empresas que solicitaram a retirada alegaram que a Ipanema Filmes S, A. responsável pela distribuição do filme em todo o Brasil se recusava a partilhar as bilheterias obtidas, dentro das cotas ajustadas em contrato. 


Cláudio Cavalcanti

Ainda de acordo com o periódico, o  ator Jece Valadão  que tem  um papel de destaque no filme, era um dos seus produtores e principalmente acionista da Ipanema Filmes. 

Dirigido por Alberto Pieralisi e produzido pela Magnus o filme tem roteiro baseado em livro de Marcos Rey e conta com Cláudio Cavalcanti, Mariano,Ghessa, Fábio Sabag e Afonso Stuart no elenco. Em 1970 o filme foi o quarto mais assistido no país e teve um público estimado de 1.277.932 espectadores.


Nos anos 90 a festa da cidade mudou de endereço. Mas por quê?

Por Daniel Rocha 

Em 1993 a festa da cidade que era realizada na Praça da Bíblia, deixou o formato que misturava Gincana com Micareta, a “GINCARETA,” para se tornar uma das principais festas de rua do município. Ao contrário do que possa parecer a festa teve dificuldades para encontrar um lugar onde pudesse ser realizada sem problemas. Mas por quê?

Antes de ir para Avenida Getúlio Vargas a festa tinha um estilo mais comunitário e  apesar das divisões sociais presentes diversas equipes ligadas ao grupo de jovens da igreja católica ,e de algumas escolas do município, envolvia a comunidade em uma disputa para ver quem  desempenhava as melhores tarefas sugeridas pela organização do evento.   

Como já foi dito, esse formato perdurou até 1993 quando uma nova administração municipal mudou o estilo da festa e o local de realização. Assim a Micareta passou a ser itinerante nos primeiros anos até fixar-se em uma parte da avenida onde fosse plenamente aceita.  

Em 1993 e 1994 a micareta foi realizada do trevo do então hospital Santa Rita até a “Rotatória da Pão Gostoso” e em outras partes da AV. Getúlio Vargas nos anos seguintes sob protesto do hospital Santa Rita incomodado com o barulho.  

Em 1995 o circuito permaneceu próximo ao Hospital Santa Rita – Trevo, mas teve que buscar outro lugar porque incomodou também, segundo memória, o trânsito de veículos na central da cidade. Assim, a partir de 1996, a micareta foi empurrada e realizada no circuito Posto Texaco – Padaria Atalaia onde o “Bloco Macaco Prego”, em seu segundo ano, atraiu mil foliões pagantes para avenida. 

A formação e o crescimento da festa e do Bloco Macaco Prego permitiram uma presença maior de artistas e bandas nacionalmente conhecidos. Em 1997, por exemplo, a banda Terra Samba (que na época estava no auge de sua carreira) e o Trio Elétrico carreta (Axé & Cia) foram o grande destaque da festa que arrastou multidões para o percurso itinerante do Bloco e os chamados foliões pipocas, aqueles que não podia pagar pela camisa e que acompanhavam a festa na lateral da avenida.

 
Já em 1997 e depois em 1998, a festa ousou descer mais a avenida sendo realizada no Circuito Rondelli – Posto Itabapuã, próximo ao Supermercado Casa Grande. Nesse trecho mais uma vez a Micareta encontrou a resistência dos hospitais e clínicas localizadas naquelas imediações.  

No final da década, 1999, enfim, fixou se no circuito Posto GEF – Praça Caravelas, onde ficou por toda década seguinte (2000), tornando -se ainda mais popular e apesar das divisões e exclusões pontuais foi realizada sem esses problemas. 

No que diz respeito à questão da mudança do local da festa, importa dizer que tem a ver com o processo de urbanização e organização da cidade iniciadas a partir da emancipação política em 1985. Construção e urbanização da praça e avenidas da cidade.  

Convém lembrar que em 1995 e 1996 o trecho da Avenida onde foi realizada a festa vinha sendo urbanizada através do calçamento das vias laterais, como apenas 15% da cidade era pavimentada, a realização do evento nesse espaço também se liga a divulgação e propaganda das iniciativas políticas da época. 

Fontes: 

www.macacoprego.com.br/historia. Acessado e arquivado em maio de 2009. Acervo do site tirabanha. 

MENSITIERI. Carlos. A recente história de Teixeira de Freitas. 2020. 

A praça da Bíblia.   http://www.tirabanha.com.br/2013/08/31/a-praca-da-biblia/ 

Daniel Rocha da Silva* 

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X. 

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com 

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Teixeira de Freitas, uma história

Por Erivan Santana

Toda cidade traz a sua história no seu chão, nas suas ruas, casas, pontos históricos e comerciais, personagens e acontecimentos diversos, que o diga a nossa primeira capital Salvador, e com Teixeira de Freitas não é diferente.

Um dos pontos centrais da Princesa do Extremo Sul é a Praça da Bíblia, antiga praça da Independência, onde ficava a Rodoviária Velha, lugar de muitas lembranças. A lanchonete Pai D’egua de D. Penina funcionava ali, ao lado da agência da Águia Branca, onde o movimento de passageiros e transeuntes era intenso. 

A rodoviária usava uma caixa de som, com microfone meio que artesanal, mas funcionava. “Atenção senhores passageiros com destino a Pedro Canário, S. Mateus, Linhares, João Neiva e Vitória…”, anunciava o improvisado apetrecho.

 Enquanto isso, o SULBA, que saia de Posto da Mata, nas primeiras horas da manhã, encostava, com destino a Salvador. Bons tempos. Ônibus com linhas intermunicipais vinham chegando, misturados com os que iam para Salvador, S. Paulo, Belo Horizonte e Vitória.

A antiga praça da Independência ficou conhecida também pelas famosas gincanas estudantis, entre as décadas de 80 e 90, que faziam muito sucesso e fizeram história. O bar do “Seu Vitô”, também era muito festejado e lembrado, ficando ali perto.

Onde era a Pão Gostoso (hoje uma farmácia), funcionava um posto de combustível, com apenas duas bombas, tendo o lugar passado por muitas transformações. E o que dizer do bar do ARUTEF, que funcionava ali no térreo, onde hoje é a Prefeitura? Os teixeirenses admiram aquela histórica foto, com algumas pessoas caminhando, numa avenida Mal. Castelo Branco muito ainda no seu início, mostrando o prédio ao lado, ainda em construção.

Situada no centro da região do Extremo Sul, Teixeira de Freitas olha para os arredores, como quem desejasse dar alguma atenção, já transformada num importante centro comercial e educacional, mas à espera de uma livraria, um teatro, e mais avanços nas áreas da Saúde, Educação e da Cultura, paz e igualdade social!

*Erivan Augusto Santana é colaborador do site, professor, escritor, poeta, graduado em letras e mestrando em Ciência da Educação  e membro
Academia Teixeirense de Letras (ATL)

Alcobaça 1971: Os seresteiros da noite

Por Daniel Rocha

Até a década de 1970 o extremo sul da Bahia era uma região que recebia pouca atenção do estado.Sem acesso a energia elétrica cidades eram obrigadas a conviver com a escuridão e os precários geradores de energia, realidade que agradava os seresteiros e incomodava turistas.

Em 1971 noticiou um jornal de Nanuque (MG) que os veranistas que lotavam as praias de Alcobaça reclamavam constantemente contra a falta de luz na cidade que estava praticamente no escuro. Na época o então prefeito Amazias Barreto de Morais declarou que já havia feito de tudo para solucionar o problema, porém não havia  conseguido resolver a tempo  de atender a expectativa dos moradores e veranistas.

Naquele ano Alcobaça havia recebido ao menos 3 mil visitantes, boa parte do estado de Minas Gerais, trazidos por ex-moradores residentes no estado vizinho que além de fazer circular a economia popularizaram nos anos de 1950 e 1960 o hábito de usar a praia como espaço de lazer, para muitos dos moradores, pescadores, o mar era um lugar de trabalho.

O crescimento do número de turistas também pode ser associado a abertura de estradas e novas linhas de ônibus que passaram a circular com mais vigor a partir de 1968, período na região que tinha a cidade de Nanuque ( MG) como ” a capital”.

Segundo Fábio M. Said, inicialmente essa invasão de turistas mineiros provocou a ira dos nativos, porém com o tempo os mesmos perceberam que o turismo era algo positivo e  lucrativo para cidade. Dessa interação nasceu tradições de verão como a realização de bailes e serestas na praia e no Bar Brasil e favoreceu também o crescimento de eventos culturais tradicionalmente apresentados em locais com o da praça da Igreja Matriz.

Consequentemente, registrou o jornal mineiro em 1971, romantizando o problema, que um grupo de moradores  não se importavam muito com a falta de energia na cidade, muito pelo contrário, desejavam a escuridão. “Os seresteiros de Alcobaça não se importavam muito com a falta de luz elétrica durante a noite porque o que os interessava era as estrelas e o luar”, destacou.

Fontes:

SAID, Fabio Medeiros. História de Alcobaça – Bahia (1772-1958)

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

jornal F.N 06/02/1971

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O causo da dupla Noivo e Noivado

Por Daniel Rocha

Nos anos de antigamente, lá pelos idos de 1968, havia uma feira onde hoje é a Praça dos Leões. Foi naquele entorno que se instalou “a primeira” grande loja do então povoado de Teixeira de Freitas, Casa Bom Jesus, de propriedade do senhor Caitano, “pernambucano de Caruaru”, que já trabalhava com a venda de roupas e tecidos e resolveu investir no lugar carente de lojas do ramo.

A loja ficava próximo ao movimento da feira que atraía agricultores motivados a vender suas produções. Dentre estes o senhor Natalino A. Santos que no ano de 1968 ainda morava na Vila Marinha, hoje distrito do município.

Naquele ano de 1968 novas empresas de ônibus passaram a circular no povoado transportando gente de todas as  parte para Teixeira de Freitas aumentando o fluxo na feira, o ponto de embarque e desembarque de passageiros também ficava  naquelas imediações.

Contudo devido a falta de estradas de acesso, para chegar na feira ele tinha que vim de canoa pelo rio Itanhém onde vendiam produtos produzidos na roça da família como Banana e Mandioca e faturar fazendo apresentações artística. Com o irmão Jesuíno, Natalino formava uma dupla de violeiros “Noivo e Noivado.” 

 A primeira grande apresentação da dupla foi durante a inauguração da famosa loja Bom Jesus, que ficava na Avenida Marechal Castelo Branco onde hoje tem uma agência do Banco Bradesco. Por conta disso, contou Natalino, ficaram bem conhecidos por todos os moradores do lugar e da região circunvizinha que frequentava a feira. 

“Naquele tempo, o pessoal saía de Alcobaça, Caravelas e Juerana para comprar na feira da praça e todos paravam para ver a gente tocando…. O povo não tinha malvadeza, jogava o dinheiro dentro do violão. Era o dia todo cantando, juntava muita gente”.

Recorda que certa vez quando a feira funcionou por uns tempos onde hoje é a praça da Bíblia, houve uma festa onde diversas duplas regionais se apresentaram em um palco improvisado na carroceria de um caminhão.

O evento organizado gerou uma grande expectativa, pois além dos violeiros locais uma conhecida dupla de Nanuque, “Diogo e Dioguinho”, tinha presença confirmada no encontro.

Porém durante a apresentação a modo de viola da tão falada dupla mineira não agradou o público presente. Segundo o senhor Natalino, diante do fato, o povo exigiu: “Tira Diogo e Dioguinho e coloca “Noivo e Noivado” para cantar. A Gente gosta mais deles cantando do que estes que estão aí”. Diante do pedido não teve mais pra ninguém, só deu à moda cantada na inauguração da Casa Bom Jesus.

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

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Fontes:

Natalino A. Santos

Jair de Freitas

Este texto foi publicado originalmente no site tirabanha no ano de 2013. Nessa republicação adicionamos novas informações ao texto, como o local da estação de ônibus.