Todos os posts de Daniel Rocha da Silva

O causo do homem ofendido por sete cobras

Por Daniel Rocha

Isael de Freitas Correia (1916 – 2011), sempre foi uma figura conhecida na cidade de Teixeira de Freitas. Filho dos pioneiros José Félix Correia e da senhora Ana Rodrigues da Conceição, da fazenda Nova América, foi  vendedor, comerciante e proprietário de parte das terras onde hoje se localizam os  bairros Mirante do Rio, São José e Monte Castelo. 

Segundo conta o filho, nas décadas de 1960 e 1970, o senhor Isael de Freitas contribuiu veemente para a expansão do povoado doando terrenos para a Construção do Batalhão e para passagem da BR – 101 e, também, participou do movimento pela construção de espaços públicos importantes o do Colégio Estadual Professor Rômulo Galvão (Ceprog)

Hoje, graças ao engajamento do seu filho, Domingos Cajueiro Correia,  narrativas e memórias sobre seus feitos são divulgados em sites e revistas e ajuda a compreender aspectos do imaginário popular do passado teixeirense, como é possível notar no registro do “Causo do Homem Ofendido por Sete Cobras,”  narrado pelo pai que era contador de causos nas horas vagas.

Conta Cajueiro que o pai narrava que nos idos de 1940, quando Teixeira de Freitas não passava de uma área fechada por densas matas e  lugar de fazendas como Cascata e a Nova América, seu pai foi como o próprio dizia, ofendido por sete tipos de cobras “Jararacuçus e Jararacas” que o picou enquanto circulava distraído por caminhos entre as matas. 


Cajueiro, de boné, e outros familiares na  inauguração da escola

Que no momento que sentiu a picada, como era de costume fazer na época, benzeu a perna colocando um facão no local e, como mandava uma conhecida simpatia, finalizou enfiando o facão em um tronco de uma árvore. Dentre as sete picadas uma inflamou se convertendo – se em uma dolorosa ferida.

Na época ele procurou recursos nas maiores cidades próximas, “Caravelas e Teófilo Otoni,”contudo, a ferida permaneceu gerando incômodos. Viajando como comerciante pela região, teve informação de um foguista macumbeiro que estava em navio atracado no porto de Ponta de Areia em Caravelas, especialista em curar picadas de cobra venenosas, poderia resolver o seu problema.

Com sorte, conseguiu encontrar a tempo com  o foguista, um senhor de cor negra, oriundo do Rio de Janeiro,  que ao analisar a situação da ferida e ouvir os detalhes do ataque das serpentes concluiu que na verdade ele havia pisado em um despacho feito por alguém que desejava sua morte e que revelaria um remédio para curar se o mesmo pagasse um valor pedido. 

Assim, diante da situação, a mãe do senhor Isael vendeu duas vacas e deu o dinheiro ao filho para comprar o “Elixir Galenogal”, o remédio indicado e vendido pelo foguista. Após fazer o uso do remédio de base natural a ferida causada pela picada de uma das cobras não voltou a incomodar.

Com graça recorda Domingos Cajueiro que quando sua mãe, a parteira Maria de Lurdes, discutia com o pai aproveitava do momento para contestar a versão do causo repetido à exaustão por ele dizendo que não tinha condições de uma pessoa sobreviver ao ataque de sete cobras venenosas. Isso deixava o velho contador de causos muito bravo, pois não tinha o antigo morador o hábito de mentir.

 Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X. Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

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Foto: Isael de Freitas Correia e Maria de Lurdes

A sombra de Grace – “O filme que dá má fama aos psiquiatras”

Lançado em 1994, o filme A sombra de Grace ( Inevitable Grace. EUA), conta a história de uma médica psiquiatra envolvida com o marido de uma paciente, que gosta de perigosos jogos eróticos. Com direção Alex Canawati, o longa tem  Maxwell Caufield, Tippi Hedren, vitoria Selleres no elenco.

No filme Verônica (Jennifer Nicholson), uma ruiva sensual, sai correndo de um cinema em um ataque de histeria até perder a consciência. Ao acordar ela encontra-se em uma clínica, supervisionada pela Dra. Márcia Stevens (Tippi Hedren) que decide colocá-la sob os cuidados da Dra. Lisa Kelner (Stephanie Knights), uma psiquiatra ingênua que está fazendo residência no hospital. Durante a primeira sessão, Verônica murmura algo sobre a fuga e abusos sofridos pelo afoito marido Adam Cestare (Maxwell Caulfield).

Envolvida com o caso, Lisa procura e descobre onde mora o marido da paciente e desafiando os regulamentos do hospital se envolvendo emocionalmente com ele em uma trama irregular e cheia de falhas.

Em 1994 o site da revista americana Variety considerou o filme confuso e ruim e prejudicial a imagem da psiquiatria. “A sobra de Grace é o tipo de filme que dá má fama aos psiquiatras, aqui retratados como instáveis ​​e mais problemáticos que seus pacientes.”

Trailer do filme

PORQUE É SETE DE SETEMBRO

Erivan Augusto Santana*

Hoje é Sete de Setembro, mas não houve convocação para a avenida, os ônibus não passaram levando os alunos para o desfile, as bandas das escolas silenciaram. O silêncio é grande. Das casas, as janelas espiam a vida, e há semblantes de medo e dor de quem perdeu um amigo, um parente, um vizinho..

E no entanto, o país espera melhores dias. Os pobres, pretos, indígenas e favelados têm medo da Faria Lima e sabem que não são bem vindos na Paulista. Enquanto isso, a bolsa de valores e o mercado aguardam o aquecimento da economia, o consumo, as viagens, as compras de eletroeletrônicos, afinal, viver é consumir, o progresso não pode parar… A mãe Terra sofre, agoniza, pede socorro, com rios, mares e ar estupefatos com tanta poluição. A vida é mesmo a melhor escola, chegamos na esquina da História, é certo que muitos aprenderam o verdadeiro valor e sentido de ser, estar no mundo.

Hoje, quando a reclusão ficou evidente, as pessoas têm fome de abraços, sorrisos, encontros, fome de vida. Ouço o Hino da Independência e a Canção do Marinheiro (Cisne Branco), e não deixo de olhar para a bandeira, augusto símbolo da pátria, e toda a esperança e grandeza que ela me traz.

*Erivan Augusto Santana é colaborador do site, professor, escritor, poeta, graduado em letras, Mestre em Ciência da Educação  e membro
Academia Teixeirense de Letras (ATL)

Memórias de Um Gigolô: A boa bilheteria tirou o filme de cartaz

A história do cinema nacional é irreverente e carregada de curiosidades. Em fevereiro de 1971, por exemplo, o juiz da 12º Vara Cível , Sr, N. Arlindo Pinto, determinou a apreensão do filme Memórias de Um Gigolô (Brasil, 1970) em todo o país a pedido da Paramount Films of Brazil Inc.  e da companhia Cinematográfica Franco – Brasileira.

Segundo o Jornal do Brasil de 09 de setembro 1971, as empresas que solicitaram a retirada alegaram que a Ipanema Filmes S, A. responsável pela distribuição do filme em todo o Brasil se recusava a partilhar as bilheterias obtidas, dentro das cotas ajustadas em contrato. 


Cláudio Cavalcanti

Ainda de acordo com o periódico, o  ator Jece Valadão  que tem  um papel de destaque no filme, era um dos seus produtores e principalmente acionista da Ipanema Filmes. 

Dirigido por Alberto Pieralisi e produzido pela Magnus o filme tem roteiro baseado em livro de Marcos Rey e conta com Cláudio Cavalcanti, Mariano,Ghessa, Fábio Sabag e Afonso Stuart no elenco. Em 1970 o filme foi o quarto mais assistido no país e teve um público estimado de 1.277.932 espectadores.


Nos anos 90 a festa da cidade mudou de endereço. Mas por quê?

Por Daniel Rocha 

Em 1993 a festa da cidade que era realizada na Praça da Bíblia, deixou o formato que misturava Gincana com Micareta, a “GINCARETA,” para se tornar uma das principais festas de rua do município. Ao contrário do que possa parecer a festa teve dificuldades para encontrar um lugar onde pudesse ser realizada sem problemas. Mas por quê?

Antes de ir para Avenida Getúlio Vargas a festa tinha um estilo mais comunitário e  apesar das divisões sociais presentes diversas equipes ligadas ao grupo de jovens da igreja católica ,e de algumas escolas do município, envolvia a comunidade em uma disputa para ver quem  desempenhava as melhores tarefas sugeridas pela organização do evento.   

Como já foi dito, esse formato perdurou até 1993 quando uma nova administração municipal mudou o estilo da festa e o local de realização. Assim a Micareta passou a ser itinerante nos primeiros anos até fixar-se em uma parte da avenida onde fosse plenamente aceita.  

Em 1993 e 1994 a micareta foi realizada do trevo do então hospital Santa Rita até a “Rotatória da Pão Gostoso” e em outras partes da AV. Getúlio Vargas nos anos seguintes sob protesto do hospital Santa Rita incomodado com o barulho.  

Em 1995 o circuito permaneceu próximo ao Hospital Santa Rita – Trevo, mas teve que buscar outro lugar porque incomodou também, segundo memória, o trânsito de veículos na central da cidade. Assim, a partir de 1996, a micareta foi empurrada e realizada no circuito Posto Texaco – Padaria Atalaia onde o “Bloco Macaco Prego”, em seu segundo ano, atraiu mil foliões pagantes para avenida. 

A formação e o crescimento da festa e do Bloco Macaco Prego permitiram uma presença maior de artistas e bandas nacionalmente conhecidos. Em 1997, por exemplo, a banda Terra Samba (que na época estava no auge de sua carreira) e o Trio Elétrico carreta (Axé & Cia) foram o grande destaque da festa que arrastou multidões para o percurso itinerante do Bloco e os chamados foliões pipocas, aqueles que não podia pagar pela camisa e que acompanhavam a festa na lateral da avenida.

 
Já em 1997 e depois em 1998, a festa ousou descer mais a avenida sendo realizada no Circuito Rondelli – Posto Itabapuã, próximo ao Supermercado Casa Grande. Nesse trecho mais uma vez a Micareta encontrou a resistência dos hospitais e clínicas localizadas naquelas imediações.  

No final da década, 1999, enfim, fixou se no circuito Posto GEF – Praça Caravelas, onde ficou por toda década seguinte (2000), tornando -se ainda mais popular e apesar das divisões e exclusões pontuais foi realizada sem esses problemas. 

No que diz respeito à questão da mudança do local da festa, importa dizer que tem a ver com o processo de urbanização e organização da cidade iniciadas a partir da emancipação política em 1985. Construção e urbanização da praça e avenidas da cidade.  

Convém lembrar que em 1995 e 1996 o trecho da Avenida onde foi realizada a festa vinha sendo urbanizada através do calçamento das vias laterais, como apenas 15% da cidade era pavimentada, a realização do evento nesse espaço também se liga a divulgação e propaganda das iniciativas políticas da época. 

Fontes: 

www.macacoprego.com.br/historia. Acessado e arquivado em maio de 2009. Acervo do site tirabanha. 

MENSITIERI. Carlos. A recente história de Teixeira de Freitas. 2020. 

A praça da Bíblia.   http://www.tirabanha.com.br/2013/08/31/a-praca-da-biblia/ 

Daniel Rocha da Silva* 

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X. 

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com 

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Teixeira de Freitas, uma história

Por Erivan Santana

Toda cidade traz a sua história no seu chão, nas suas ruas, casas, pontos históricos e comerciais, personagens e acontecimentos diversos, que o diga a nossa primeira capital Salvador, e com Teixeira de Freitas não é diferente.

Um dos pontos centrais da Princesa do Extremo Sul é a Praça da Bíblia, antiga praça da Independência, onde ficava a Rodoviária Velha, lugar de muitas lembranças. A lanchonete Pai D’egua de D. Penina funcionava ali, ao lado da agência da Águia Branca, onde o movimento de passageiros e transeuntes era intenso. 

A rodoviária usava uma caixa de som, com microfone meio que artesanal, mas funcionava. “Atenção senhores passageiros com destino a Pedro Canário, S. Mateus, Linhares, João Neiva e Vitória…”, anunciava o improvisado apetrecho.

 Enquanto isso, o SULBA, que saia de Posto da Mata, nas primeiras horas da manhã, encostava, com destino a Salvador. Bons tempos. Ônibus com linhas intermunicipais vinham chegando, misturados com os que iam para Salvador, S. Paulo, Belo Horizonte e Vitória.

A antiga praça da Independência ficou conhecida também pelas famosas gincanas estudantis, entre as décadas de 80 e 90, que faziam muito sucesso e fizeram história. O bar do “Seu Vitô”, também era muito festejado e lembrado, ficando ali perto.

Onde era a Pão Gostoso (hoje uma farmácia), funcionava um posto de combustível, com apenas duas bombas, tendo o lugar passado por muitas transformações. E o que dizer do bar do ARUTEF, que funcionava ali no térreo, onde hoje é a Prefeitura? Os teixeirenses admiram aquela histórica foto, com algumas pessoas caminhando, numa avenida Mal. Castelo Branco muito ainda no seu início, mostrando o prédio ao lado, ainda em construção.

Situada no centro da região do Extremo Sul, Teixeira de Freitas olha para os arredores, como quem desejasse dar alguma atenção, já transformada num importante centro comercial e educacional, mas à espera de uma livraria, um teatro, e mais avanços nas áreas da Saúde, Educação e da Cultura, paz e igualdade social!

*Erivan Augusto Santana é colaborador do site, professor, escritor, poeta, graduado em letras e mestrando em Ciência da Educação  e membro
Academia Teixeirense de Letras (ATL)

Alcobaça 1971: Os seresteiros da noite

Por Daniel Rocha

Até a década de 1970 o extremo sul da Bahia era uma região que recebia pouca atenção do estado.Sem acesso a energia elétrica cidades eram obrigadas a conviver com a escuridão e os precários geradores de energia, realidade que agradava os seresteiros e incomodava turistas.

Em 1971 noticiou um jornal de Nanuque (MG) que os veranistas que lotavam as praias de Alcobaça reclamavam constantemente contra a falta de luz na cidade que estava praticamente no escuro. Na época o então prefeito Amazias Barreto de Morais declarou que já havia feito de tudo para solucionar o problema, porém não havia  conseguido resolver a tempo  de atender a expectativa dos moradores e veranistas.

Naquele ano Alcobaça havia recebido ao menos 3 mil visitantes, boa parte do estado de Minas Gerais, trazidos por ex-moradores residentes no estado vizinho que além de fazer circular a economia popularizaram nos anos de 1950 e 1960 o hábito de usar a praia como espaço de lazer, para muitos dos moradores, pescadores, o mar era um lugar de trabalho.

O crescimento do número de turistas também pode ser associado a abertura de estradas e novas linhas de ônibus que passaram a circular com mais vigor a partir de 1968, período na região que tinha a cidade de Nanuque ( MG) como ” a capital”.

Segundo Fábio M. Said, inicialmente essa invasão de turistas mineiros provocou a ira dos nativos, porém com o tempo os mesmos perceberam que o turismo era algo positivo e  lucrativo para cidade. Dessa interação nasceu tradições de verão como a realização de bailes e serestas na praia e no Bar Brasil e favoreceu também o crescimento de eventos culturais tradicionalmente apresentados em locais com o da praça da Igreja Matriz.

Consequentemente, registrou o jornal mineiro em 1971, romantizando o problema, que um grupo de moradores  não se importavam muito com a falta de energia na cidade, muito pelo contrário, desejavam a escuridão. “Os seresteiros de Alcobaça não se importavam muito com a falta de luz elétrica durante a noite porque o que os interessava era as estrelas e o luar”, destacou.

Fontes:

SAID, Fabio Medeiros. História de Alcobaça – Bahia (1772-1958)

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

jornal F.N 06/02/1971

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O causo da dupla Noivo e Noivado

Por Daniel Rocha

Nos anos de antigamente, lá pelos idos de 1968, havia uma feira onde hoje é a Praça dos Leões. Foi naquele entorno que se instalou “a primeira” grande loja do então povoado de Teixeira de Freitas, Casa Bom Jesus, de propriedade do senhor Caitano, “pernambucano de Caruaru”, que já trabalhava com a venda de roupas e tecidos e resolveu investir no lugar carente de lojas do ramo.

A loja ficava próximo ao movimento da feira que atraía agricultores motivados a vender suas produções. Dentre estes o senhor Natalino A. Santos que no ano de 1968 ainda morava na Vila Marinha, hoje distrito do município.

Naquele ano de 1968 novas empresas de ônibus passaram a circular no povoado transportando gente de todas as  parte para Teixeira de Freitas aumentando o fluxo na feira, o ponto de embarque e desembarque de passageiros também ficava  naquelas imediações.

Contudo devido a falta de estradas de acesso, para chegar na feira ele tinha que vim de canoa pelo rio Itanhém onde vendiam produtos produzidos na roça da família como Banana e Mandioca e faturar fazendo apresentações artística. Com o irmão Jesuíno, Natalino formava uma dupla de violeiros “Noivo e Noivado.” 

 A primeira grande apresentação da dupla foi durante a inauguração da famosa loja Bom Jesus, que ficava na Avenida Marechal Castelo Branco onde hoje tem uma agência do Banco Bradesco. Por conta disso, contou Natalino, ficaram bem conhecidos por todos os moradores do lugar e da região circunvizinha que frequentava a feira. 

“Naquele tempo, o pessoal saía de Alcobaça, Caravelas e Juerana para comprar na feira da praça e todos paravam para ver a gente tocando…. O povo não tinha malvadeza, jogava o dinheiro dentro do violão. Era o dia todo cantando, juntava muita gente”.

Recorda que certa vez quando a feira funcionou por uns tempos onde hoje é a praça da Bíblia, houve uma festa onde diversas duplas regionais se apresentaram em um palco improvisado na carroceria de um caminhão.

O evento organizado gerou uma grande expectativa, pois além dos violeiros locais uma conhecida dupla de Nanuque, “Diogo e Dioguinho”, tinha presença confirmada no encontro.

Porém durante a apresentação a modo de viola da tão falada dupla mineira não agradou o público presente. Segundo o senhor Natalino, diante do fato, o povo exigiu: “Tira Diogo e Dioguinho e coloca “Noivo e Noivado” para cantar. A Gente gosta mais deles cantando do que estes que estão aí”. Diante do pedido não teve mais pra ninguém, só deu à moda cantada na inauguração da Casa Bom Jesus.

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

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Fontes:

Natalino A. Santos

Jair de Freitas

Este texto foi publicado originalmente no site tirabanha no ano de 2013. Nessa republicação adicionamos novas informações ao texto, como o local da estação de ônibus.

Caravelas e Nova Viçosa 1888: Como foi comemorada a abolição?

Por Daniel Rocha

Em 13 de maio de 1888, diante da resistência escrava e pressão do movimento abolicionista e internacional a princesa Isabel assinou a Lei Áurea (Lei de Ouro) e pôs fim a vários séculos de escravidão no Brasil motivando festas e manifestações pelas ruas de Caravelas e Nova Viçosa.

Em carta enviada e publicada no jornal Diário da Bahia no dia 3 de julho de 1888 os liberais narraram que no dia 13 de maio soube-se em Caravelas que a lei Áurea havia sido sancionada e para “festejar o feliz acontecimento” os liberais fizeram nas primeiras horas do dia seguinte subir ao ar numerosos foguetes.”

Durante a noite saíram acompanhados pela “Filarmônica Democrática” e uma grande multidão de ex-escravos pelas ruas da cidade a comemorar. No dia 19 os libertos mandaram “cantar” duas missas a São Benedito. No evento um grupo ligado aos conservadores provocou os negros libertos e apoiadores gerando agressões. Os conservadores negaram as acusações.

Na colônia Leopoldina, interior de Nova Viçosa e Caravelas, o atuante abolicionista padre Geraldo Sant’Ana, em companhia de Henrique Hertzch, suplente da delegacia local, conclamou os escravos a deixarem o trabalho. Reunidos na fazenda Conquista falou para mais de quinhentos que eles estavam libertos em nome de Jesus Cristo e que o governo não lembrava se deles, pois estavam num local distante.

Diante do anúncio alguns escravos passaram a cobrar mil réis para voltar ao trabalho enquanto outros abandonaram suas atividades passando a vagar pelas estradas insultando os inimigos do padre Geraldo e outros transeuntes contrários.

Em Nova Viçosa (Vila) em comunicação enviada ao chefe de polícia o delegado Ângelo Domingos Monteiro, relatou que padre tornou público a abolição no dia 15 de maio de 1888 causando grande confusão, pois alguns ex- escravos passaram a organizar grandes festas e a dirigir insultos às autoridades escravocratas.

Os ex- escravos que tinham a pessoa do padre como o responsável pela liberdade, tomaram a rua do lugar dando vivas ao religioso, aos republicanos e ao Partido Liberal. No dia 19 de maio reuniram – se na casa de uma prostituta e depois saíram pelas vias cantando, dançando, dando tiros de garruchas e espingardas, armados também de facas e cacetes, até o dia clarear.

No dia 20 repetiu-se a reunião na mesma casa e quando o delegado ordenou que acabasse com a reunião, os ex-escravos, comandados pelo presidente da câmara, reuniram-se novamente e passaram a gritar “… Vá o samba acima, hoje acaba-se com tudo, viva o padre Geraldo, viva os liberais, morram os conservadores, fora.”

Segundo Jaílton Lima Brito na dissertação “Abolição na Bahia – Uma história política – 1870 e 1888,” de onde as informações apresentadas foram extraídas, os enfrentamentos foram provocados político-partidária defendido pelos abolicionistas republicanos que atuaram na região que acabou por envolver os escravos que tomaram partido das ideias Liberais. “Uma atitude incomum entre os ex-escravos que tendiam ao apoio à monarquia”.

Daniel Rocha da Silva*

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Fontes:
BRITO. Jaílton Lima. Abolição na Bahia – Uma história política – 1870 e 1888. UFBA. 1996.

Veja também:

Nos tempos da escravidão I: Um quilombo em Caravelas

Nova Viçosa 1884: A fuga dos escravos

Foto:
Igreja de Santa Efigênia .
Bahia.ws 

1992 no Colégio Ângelo Magalhães

Daniel Rocha*

A ex-estudante do  Colégio Estadual  Ângelo Magalhães Jucélia Jesus dos Santos abriu seu “Caderninho de Mensagens e Lembranças” da sua  época de 1992 revelando detalhes do cotidiano da instituição de ensino fundada em 1983  e extinta em 2010.

Segundo Jucélia, que conclui  o antigo ginásio no colégio, o ano de  1992 foi difícil  para os professores e alunos, pois a escola passava por dificuldades e faltava o básico para a educação dos estudantes.  ” Não havia distribuição de livros, merenda escolar e carteiras para todos”.

Caderninhos de Recordações

Essa triste realidade ficou registrada no Caderninho de Lembranças de 1992 escrito e guardado por ela . Dentre as dedicatórias contidas no caderno chama a atenção a do estudante “Franklin” que segundo a ex- aluna foi uma amizade marcou  sua sétima série.

Segundo conta, no início daquele ano, 1992, ela havia discutido com Franklin em uma disputa por uma das escassas cadeiras na sala de aula. A luta pela tal foi acalorada e causou um efeito ricochete entre eles por isso ficaram sem se falar por alguns meses.

“Havia poucas carteiras para muitos e quando a professora abria o portão todos corriam para dentro da sala para conquistar um lugar para sentar. Seguramos a carteira ao mesmo tempo. Sem acordo a questão foi parar na secretaria”, lembrou.

Contudo o desentendimento não  durou muito e no final  do  ano letivo tornaram se novamente amigos. O momento  ficou eternizado na anotação feita no “caderninho” do dia vinte e seis de novembro de 1992.

“Espero que não fique triste nunca e que lembre sempre de mim. Você é uma das meninas que mais admiro no colégio. O seu jeito de ser mexe com o coração de muita gente. Espero que continue assim, sincera, e que não se esqueça de mim. Não precisa se lembrar de mim basta que não me esqueça jamais. Do seu amigo Franklin”.

Para finalizar este texto, faço uso do parágrafo final do caderninho de Jucélia que escreveu: “Aqui termina as minhas recordações de 1992”. Guardo com muito carinho no fundo do meu Coração. Ass. Jucélia Jesus dos Santos.

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

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Fontes:

Caderninho de recordações 1992.

Conversa informal com Jucélia Jesus dos Santos . 2015