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Levante e ande

Informe.  Um dos trechos que mais me emocionam no evangelho é este: Pedro e João iam subindo ao templo para rezar à hora nona. Nisto levavam um homem que era coxo de nascença e que punham todos os dias à porta do templo, chamada Formosa, para que pedisse esmolas aos que entravam no templo.
Quando ele viu que Pedro e João iam entrando no templo, implorou a eles uma esmola. Pedro fitou nele os olhos, como também João, e disse: Olha para nós. Ele os olhou com atenção esperando receber deles alguma coisa. Pedro, porém, disse: Não tenho nem ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou: em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda!

 

E tomando-o pela mão direita, levantou-o. Imediatamente os pés e os tornozelos se lhe firmaram. De um salto pôs-se de pé e andava.Entrou com eles no templo, caminhando, saltando e louvando a Deus. (Atos 3:6) .

 

Essa história é cheia de lições de vida, dentre elas a importância de caminhar com os próprios pés. Identifico-me com o desafio desse personagem, em muitos momentos de minha caminhada as dificuldades e os problemas tentaram cortar-me os pês. Levantei e andei… Trilhando o caminho da perseverança, da honestidade, da esperança e da fé.
Cheguei ao Legislativo de nossa cidade, ou melhor, chegamos, pois comigo sempre estiveram a categoria ao qual pertenço: Sou Ailton Agente de Saúde.  Novos desafios se apresentaram e grande oportunidade colocar em prática minha formação acadêmica em Serviço Social, na Secretaria Municipal de Habitação, superei grandes desafios: transformar em realidade o sonho da casa própria de muitos teixeirenses.

 

Nesse caminho não estou sozinho, caminham comigo grandes amigos, alguns verdadeiros irmãos, gente de garra, de luta e de uma força nem calculada.Força essa que se revelou, nos quase cinco mil votos que alcançamos na região, em campanha para o Nosso Deputado Federal Jorge Solla.

Por motivos e projetos maiores que minha vontade, interrompo meus projetos na Secretaria de Habitação, com a tristeza de um lavrador, que parte antes da colheita, mas com o coração confiante de que semeou e regou como devia e que os frutos de seu trabalho a muitos alimentarão.

 Agradeço aos muitos amigos que comigo semearam e aos pouquíssimos inimigos, também agradeço suas pedras nos fizeram reforçar o telhado.
Nossa caminhada continua, nossa força está nos “ombros amigos” e na certeza de que a integridade, a honestidade, a ética e a moralidade são as pernas dos que trilham o caminho da verdade e da dignidade.
Ainda que os percalços, a inveja de muitos e a ganância de alguns tentarem lhe tirar as pernas. Faça como eu. Levante e ande.

Os Causos da Rua do Brega: Parte 01

Por (Daniel Rocha)

A partir do surgimento do povoado de Teixeira de Freitas, em meados da década de 1950, as margens das estradas abertas pela empresa madeireira de Eleozipio Cunha  e  a abertura da  rodovia federal BR – 101,  dá-se início o processo   de urbanização desta parte do extremo sul da Bahia.

A grande área verde ocupada pela mata atlântica preservada começa a  ser   intensamente desmatada  para  dividir  espaço com a agricultura e  casas de comércios que  dinamizam a economia como um todo. A devastação  favorece a expansão urbana do povoado fundado por  famílias  negras.

Em menos de trinta anos o centro do pequeno povoado, subordinado sucessivamente a Alcobaça e Caravelas, expande atraindo  trabalhadores  de variadas categorias,  oriundos de  diversas parte da região  e dos estados  vizinhos de Minas Gerais e Espírito Santo.

A chegada  do primeiro órgão público estadual do povoado o DERBA – Departamento de Infraestrutura de Transportes da Bahia, em  1964,  aumenta  ainda mais o movimento dos bares e  pensões ali existentes,  muito frequentado por   madeireiros e agricultores locais.

Neste contexto é que surgem as mulheres prostitutas que vendiam os serviços desejados pelos seus clientes nos bares, boates e casas de diversões  na rua Mauá, hoje mais conhecida como a rua do “Brega” ou “Zona do Baixo Meretrício”, no extremo norte do povoado de Teixeira de Freitas e que atendia toda  adjacências.

À rua que  no presente fica no centro da cidade  ofertava e ainda oferta os serviços próprios do ofício ao público masculino interessado, homens trabalhadores solteiros ou casados, cumpridores de suas obrigações.

Por isso para tentar conhecer um pouco mais da rotina do lugar  recorri aos relatos e causos contados pelos  antigos frequentadores que pediram para não ser identificados porque, como se pode imaginar, não gostam de tornar pública as visitas realizadas no lugar. Por essa razão  os nomes que serão citados são fictícios.

Todos os causos narrados pelos ex-frequentadores procurados são carregados de silêncios,nostalgias e anedotas que favorecem ainda mais as especulações sobre o funcionamento do lugar, por isso destaco que os textos  estão  de acordo com as perspectivas e as definições das fontes e pessoas consultadas, assim as versões postas não sendo mentira, são verdades até que se prove o contrário.

Como a versão e lembranças  do senhor “João de Luiz ” que diz que tudo começou com um pequeno bar improvisado  na descida da rua Mauá  “ em um Boqueirão”  em um lugar que além de  uma casa era também uma bar  que era conhecido pela alcunha Café das Flores. O recinto ofertava bebidas e  ás dependências para o usufruto dos clientes.

Através dos  causos contado por este morador é possível conhecer um pouco mais das  tipicidades dos sujeitos do povoado que buscavam  o pioneiro estabelecimento que dizem “abriu precedentes para outros comerciantes do ramo”.

O Causo do Café das Flores

Tudo começou na década de 1950 com a inauguração do Café das Flores, um bar improvisado em uma casa simples no valão depois de onde foi o cemitério antigo próximo a atual rua Afonso Pena.

O povoado de Teixeira de Freitas, que provavelmente nesta época era conhecido por outros nomes, se entendia do trevo da Casa Alves até a praça dos leões, ou seja o Café das Flores ficava em um lugar desabitado do povoado.

Nessa casa bar uma mulher conhecida por Teresa e outras duas mulheres atendiam seus clientes em pequenos quartos anexados. Segundo contam eram poucas mulheres para muitos homens que vinham de diferentes partes do povoado para vender suas produções na feirinha do comercinho.

No Café das Flores “às mulheres eram como mato carrapicho , cortava mas não matava”, por isso eram as preferidas de todos os homens da zona urbana e da zona agrária, clientes que este que usavam cavalos e carroças como transporte para chegar até o recinto.

Se hoje é comum ver diversos carros estacionados em frente as casas de massagens, naquela época eram os animais que se destacavam parados nas proximidades do lugar. O sucesso da casa foi meteórico e por isso não apenas no dia de feira livre, mas também em outros da semana a casa passou a ser procuradas por homens que sempre que chegavam no povoado para vender ou dar alguma coisa para a dona Tereza do comércio.

Segundo a narrativa do causo, por essa razão, não demorou as mulheres, donas de casa e mãe de muitos filhos, perceberem que os maridos tinham outros interesses além de vender produtos na feira.

Tanto que uma delas “mulher de pavio curto” tomada pela fúria da desconfiança, e lembrada por ter perguntado ao marido onde estava indo em um horário estranho. Ele sem titubear contou que estava indo levar uma banana da terra para uma cliente que tinha um ponto perto da feira, ela então com todas as forças, partiu para cima dele o acusando de está ofertando outro tipo de banana no brega.

Atualizado em 08/12/17

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O Saneamento Básico na História de Teixeira de Freitas parte 2

Por  Daniel Rocha.

Para saber mais sobre o cotidiano da falta do serviço de água encanada no município de Teixeira de Freitas, na década de 1970, busquei no depoimentos de algumas mulheres e antigos moradores resposta para o questionamento, onde buscavam água para as necessidades básicas?

A agente comunitária Ricardina Santos, moradora da cidade desde década de 1960, diz que chegou para morar no bairro Teixeirinha com a idade de seis anos.Lá durante a infância vivenciou o cotidiano da falta de água encanada e outros serviços básicos.

Recorda que os moradores recorriam a água de poços abertos nas margens do Córrego Charqueada que era utilizado para lavar roupas e tomar banho.Para beber pegavam água na Biquinha, que hoje fica na subida do bairro Colina Verde.

“Não havia água encanada  nem no centro do povoado”, diz Maria Gomes,moradora da cidade há 40 anos,  que morou  nas proximidades da praça dos Leões, entre o final da década de 1960 e meados de 1970.

Ela que até o início  dos anos oitenta morava com os pais, lembra que  sempre foi a responsável pelos serviços domésticos, e que a falta de água tornava as obrigações ainda mais difíceis.

 “Eu era a responsável pelos serviços da casa, tinha que ir buscar água na cisterna da vizinha que ficava um pouco longe, era uma vida dura de muito trabalho, eu quase não saia de casa”.

Segundo o morador do bairro Recanto do Lago, Benedito Libânio, 70 anos, uma vez aberto o poço era de uso coletivo, qualquer vizinho podia recorrer ás suas águas, mesmo porque era considerado pecado negar o líquido tesouro.

“Quando voltei  no final da década de 1970 de uma temporada em Goiás, abrir um aqui na porta de casa, defronte a rua, aí era de todo mundo, não havia confusão.”

Segundo anotações do colaborador Domingos Cajueiro Correia,  a poluição dos córregos e rios  causado pela falta de rede de esgoto adequada e o crescimento urbano desordenado, fez com que os moradores   adotasse o poço como fonte principal de água.

Ainda de acordo com o colaborador, que é nativo da terra, a abertura dos poços eram feitas por especialistas no ofício, recorda do trabalho de dois deles, Perneta e Tatu,que tinham esses nomes por conta da habilidade em abrir buracos.

Contratados pelo morador interessado,  os abridores de poços trabalhavam de cinco a seis dias, um dia por metro, até chegar na fonte de água. Também fazia e entregava o poço com o sari, uma alavanca de madeira formada por duas vigas e uma madeira roliço no meio.

Neste era amarrado um balde, que na verdade era uma lata de querosene jacaré, a corda era comprada pelo dono e tinha de 30 a 50 metros, o tamanho variava de acordo com a profundidade do poço.

Além dos poços e mananciais, outra fonte buscada por moradores eram os lagos e minadouros próximos. Isso era possível porque Teixeira de Freitas, na época um povoado, era rico em mananciais e outras fontes como córregos e represas. As aglomerações de pessoas envolta dos córregos causava mortes e doenças, é isso que vamos ver no próximo texto sobre o assunto.

 

Daniel Rocha

Historiador, Bacharel em Serviço Social, Pós-Graduado em Educação à Distância (EAD), Cinéfilo e blogueiro criador do blog Tirabanha em 2010.

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O Saneamento Básico na História de Teixeira de Freitas parte 01

 

Por  Daniel Rocha.  

Na década de 1970 o serviço de saneamento básico era inexistente em grande parte do território nacional e mais ainda em novos aglomerados como o povoado de Teixeira de Freitas. Para solucionar os problemas diversos planos emergenciais foram criados pelos órgãos públicos federais como O Plano de Metas e Bases para Ação do Governo lançado pelo presidente Médici em 1970. 


“Com a pretensão de oferecer, até 1980, serviços de água e de esgoto a 80% e a 50% da população brasileira, respectivamente.” 


A instalação do sistema de água em Teixeira de Freitas só ocorreu em meados da década de setenta, 1974, e mesmo assim a chegada do serviço da empresa baiana de água e saneamento não solucionou de uma vez o problema.

Isso porque a população crescia e a urbanização consolidava-se enquanto os investimentos em infraestrutura não se expandiam na mesma proporção. Com isso os moradores, sobretudo os das periferias, continuaram a fazer uso de fontes alternativas como: água em poços, córregos, rios e lagos existente no povoado. 

 

É o que conta antigos moradores que vivenciaram está época em entrevistas e conversas informais em esquinas e bares da cidade e no relatório da CEPLAC – Comissão Executiva de Planejamento da Lavoura Cacaueira – CEPLAC,1976, que revela: 


“Seus habitantes se abastecem em cacimbas, poços rasos e alguns mananciais existentes na periferia da localidade”. 


Na imagem que ilustra o texto, mapa da cidade  década de 1970, é possível visualizar os diversos córregos e lagos. Sobre este período recorda a dona de casa Izabel Rodrigues que chegou em 1966 da cidade de Nanuque para morar no povoado de Teixeira de Freitas, na época também conhecido como Tira- Banha, a falta de água e eletricidade tornava a vida no povoado ainda mais difícil. 


“Não havia água encanada, toda água que agente precisava buscava em um minadouro que ficava em uma descida onde hoje está o prédio da igreja Batista central, no centro da cidade. A roupa era lavada no córrego do Buraquinho, bairro Wilson Brito, que tinha uma água limpa e boa”. 


Outro morador do bairro o senhor Natalino Santos, à 40 anos no local, lembra que entre os anos 1970 e 1980 os moradores procuravam muito o Córrego Charqueado para lavar roupa tomar banho e pescar. Disse ainda que só depois de muito tempo de uso do córrego que os moradores passaram a recorrer com mais frequência a outros mananciais e lagos. 


Por quê? Se o córrego era útil e necessário? Respondeu Natalino: “Devido a poluição, a água ficou suja, imprópria para uso.”
No próximo texto, cresce o número de poços abertos, uma nova dinâmica se estabelece.

 

Fontes

ROCHA FILHO. Carlos Armando. Comissão executiva do plano da lavoura cacaueira . Recursos Hídricos. Rio de Janeiro. CEPLAC, 1976.

LUCENA. Andréa Freire de. As políticas públicas de saneamento básico no Brasil: Reformas institucionais e investimentos governamentais. Disponível em: http://www.nee.ueg.br/seer/index.php/revistaplurais/article/viewFile/71/98. Acessado 8/9/14.

Daniel Rocha

Historiador, Bacharel em Serviço Social, Pós-Graduado em Educação à Distância (EAD), Cinéfilo e blogueiro criador do blog Tirabanha em 2010.

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O Causo do Casamento na Nova América

Por Daniel Rocha.

Como foi descrito no texto anterior, na fazenda Nova América que pertencia a cidade de Alcobaça havia  a capela de São Benedito. Nesta capela de seis e seis meses o padre franciscano Olavo Timmers comparecia para a realização de cerimônias coletivas de casamentos e batizados.

Foi em uma dessas cerimônias que ,na década de 1940, o senhor Isidro Alves conheceu a sua esposa Maria Silva. Ela moradora da fazenda Araras  estava de visita na fazenda Nova América para assistir uma missa com a família quando teve o primeiro contato visual do futuro marido.Conta Isidro:

“Eu a vi de longe, ela morava na fazenda Araras e eu nas proximidades da Nova América. Um dia depois  mandei lembrança por uma amiga dizendo que a achei bonita. Ela me respondeu com malcriação dizendo, defunto que não conheço nem rezo nem ofereço. Mas não desistir, mandei uma carta e fui atrás dela até conquistar o  amor”

Anos depois do primeiro encontro os dois se casaram em uma cerimônia simples realizada por um frei Franciscano. Conta Isidro que na época ouviu diversas histórias de casamentos que não foram concretizados por conta da recusa do padre ,o holandês frei Olavo, em casar pessoas que não estavam de acordo com as leis da igreja, presenciou também uma briga por conta disto na fazenda Nova América .

“Era rigoroso, não casava ninguém que tivesse uma mancha de parentesco, menor de idade ou que já vivia amasiado com outra mulher. Uma vez presenciei uma discussão na fazenda Nova América.. .. havia um pessoal que  queria casar  mas por conta disto não pôde, o padre era bravo e não aceitou.”

Sobre o rigor do franciscano conta Ivanildo Ivo,morador da fazenda nova América, que de fato ele  não gostava de  casar   menores de idade e nem parentes de sangue.

Aproveitei a descontração da visita para infonar que há registros que dão conta que era um costume antigo casar parentes. Diante da afirmação Ivanildo Ivo revelou que na família dele há vários casos de primos casados desde muito tempo.

Se havia primos casados então o frei casava? Ou não casava?

“Ele não gostava mas realizava. Ele sempre dizia vocês têm que casar sua filha com a filha do vizinho, a cuia não pode ser do mesmo pau para a enxada trabalhar. Ele mesmo condenava e ao mesmo tempo abria exceções. Ele também dizia que casando com o vizinho não haveria muitas desavenças por causa de terra na hora do casamento.”

A briga presenciada por Isidro Alves também foi testemunhada por Walfrido Correia e Ivanildo Ivo. Segundo contam o desentendimento começou pela manhã de um dia na década de 1940 quando o frei não quis realizar um dos casamentos marcados para cerimônia coletiva.

Alguém avisou para o frei que o noivo já era amasiado com outra mulher, o frei então pediu para o casal se retirar do altar porque ele não iria celebrar o casamento deles. Após a saída o frei ordenou que as portas fossem fechadas, pois as famílias dos nubentes insistiam ao ponto de não permitir a realização de outros casamentos.

Por conta disso, fora da igreja, os familiares dos noivos começaram uma violenta briga que deixou até feridos, conta Ivanildo Ivo:

“Só que naquela época quando tinha briga o pessoal usava como arma facão e pau, percebendo que tal revolta poderia terminar em um grande massacre, o frei pediu para abrir a porta, pegou o cajado e partiu para o meio da briga.

Devagar, bem devagar foi tomando de um por um os facões e dando ao meu avô José Felix Correia. Era muita gente brigando, os caras vinham para o acertar   mas habilidosamente ele   batia com a madeira tomando suas armas das mãos . Assim  acabou a briga por casamento , fechou a porta da Igreja e deu prosseguimento a cerimônia.”

O franciscano Frei Olavo Timmers deixou o nome registrado no imaginário popular e na história das cidades de Alcobaça e Teixeira de Freitas no extremo sul da Bahia. Ele faleceu no dia 22/04/1990 e sua passagem por essa terra prevalece viva na memória e no coração de muitos moradores da região.

Fontes

HOOIJ, ELIAS. Os Desbravadores do Extremo Sul da Bahia: historia da presença franciscana nessa região – raízes e frutos. Belo Horizonte: Província Santa Cruz, 2011.

KOOPMANS, José. Além do eucalipto: o papel do Extremo Sul. 2. ed. rev. atual. Teixeira de Freitas: Centro de Defesa dos Direitos Humanos, 2005.

THOMPSON, E. P. Costumes em Comum: estudos sobre a cultura popular tradicional. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

SAID.Fabio M.História de Alcobaça – Bahia (1772-1958). São Paulo 2010. Edição do Autor.

OFM.ORG – HISTÓRIA: Paróquia de São Bernado.http://www.ofm.org.br/default.  Acessado 22/08/14

Fontes Orais.

Ivanildo Ivo do Nascimento Correia . Agosto de 2014

Isidrio Alves . 2012

Foto: Ilustrativa.

Contribuiu para a realização deste trabalho.

Domingos Cajueiro Correia

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O causo do vinho em Helvécia

Por Daniel Rocha

Na década de 1940, no distrito de Helvécia, município de Nova Viçosa, extremo sul da Bahia, antiga Colônia Leopoldina, estabelecida em 1818 por colonos alemães e suíços, atualmente um remanescente de quilombo, a “Dança da Garrafa de Vinho” era muito popular em festas e salões do lugar.

A brincadeira popular girava em torno de uma garrafa de vinho cheia deixada no meio de qualquer salão de dança do povoado para ser entregue como prêmio ao casal que dançasse a noite toda sem tocar ou derrubar a prenda.

Basicamente foi isso  que aconteceu para infelicidade de uma jovem garota do lugar que sem maldade vinha se envolvendo com um homem comprometido que se passou por solteiro, narra um causo contado por uma moradora da época.

Segundo a narrativa, ao saber do envolvimento do marido com a jovem a esposa traída e os familiares do pula cerca, preocupados com as consequências do envolvimento, batizou uma garrafa de vinho em um Terreiro local e colocaram no centro do baile organizado por eles e endereçado a jovem enganada.

Para esse baile diversas pessoas foram convidadas, dentre estas a inocente garota que chegando ao lugar ficou sozinha sem um par. O conquistador não apareceu, pois sabendo que se tratava de uma festa organizada na casa de um familiar corria o risco de ter o caso exposto.

Durante a festa um cavalheiro habilidoso e mal intencionado convidou a solitária apaixonada para dançar e assim o fez durante a festa. O dançarino com muita destreza dançou do início ao fim sem derrubar a garrafa deixada no centro do salão festivo.

Como manda a brincadeira no final do baile o casal vencedor ganhava a garrafa com vinho para servir ou beber juntos com os amigos, porém orientado o dançarino dispensou sua parte deixando exclusivamente para sua acompanhante de dança.

A garota satisfeita com a prenda convidou alguns amigos e foi para casa beber, sorrir e conversar. Como era por direito tomou uma dose do vinho antes de servir aos outros que aguardavam ansiosamente pela prenda, algo que não aconteceu, pois logo um mal súbito a atacou de forma fulminante.

Diante da situação, os companheiros concluíram que o vinho não havia feito bem a amiga que passou a sentir infinitas dores na cabeça e fungar lagartas pelo nariz. Assustados com tudo que vinha ocorrendo os amigos e familiares a embarcou no primeiro trem da companhia Bahia – Minas, linha férrea que ligava o povoado a cidade fronteiriça mais próxima, a mineira Nanuque.
Na cidade a turma buscou a orientação de uma “Mãe de Santo Mesa Branca” chamada Dona Sofia, que era conhecida por desfazer trabalhos feitos e “coisas mandadas”. A experiente Mãe, orientada pelos seus guias, teve a visão do mal que estava agindo dentro da apaixonada provocando dores e tormentos terríveis.

Com muita fé e trabalho a Mãe de Santo conseguiu livrar do sofrimento e das dores constantes a garota que tinha cometido apenas o pecado de acreditar demais no seu amado. Dona Sofia só não conseguiu acabar com o fungar das lagartas que a atormentou pelo resto da vida.

Fonte:

Maria Ronaldo – Teixeirense  de coração, nascida e criada em Helvécia.

Foto: Estação da estrada de Ferro Bahia -Minas de Helvécia. 1950. https://www.estacoesferroviarias.com.br

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

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 O causo do Tatu papa -defunto.

Praça dos leões: Parte final

Por Daniel Rocha

Segundo Godoaldo Amaral, em conversa informal com Domingos Cajueiro Corrêa, a urbanização da Praça dos Leões, que fica na parte central da cidade, foi realizada na administração do prefeito Gerson de Oliveira Costa, vulgo “Caboclinho”, entre os anos de 1972 e 1982. 

Já para o senhor Almir Santos, morador da cidade desde 1960, a Praça dos Leões foi construída em 1974; feita para recepcionar o governador Antônio Carlos Magalhães que em 1971, havia visitado a capela de São Pedro e prometido voltar novamente.

Na segunda visita do governador em 1974, ele discursou sobre o projetos para a região e aproveitou a oportunidade para prometer “a luz de Paulo Afonso” ,que chegaria a cidade meses depois.

Recorda e conta o senhor Almir Santos que houve até um acidente antes da chegada do governador ao local; pessoas subiram em uma marquise de uma loja próxima para ouvir o discurso e a mesma não suportou o peso e cedeu deixando feridos.

Mas o que simboliza os leões na Praça? O senhor Godoaldo Amaral afirma  que a colocação das estátuas de leões na Praça, foi uma sugestão da administração municipal de Alcobaça. 

Segundo José Sérgio, da fazenda Cascata, em uma conversa informal no mês de Abril de 2014, os Leões não simbolizam nada, são meras figuras decorativas que por obra do acaso se tornaram o cartão postal do povoado.

O senhor Almir Santos também pensa o mesmo em relação às estátuas: “não tem explicação, foi para decorar”.

Com sentido ou não, os Leões de concreto serviram como referência para a população que cravou a alcunha Praça dos Leões ao local inicialmente chamada de Praça Castro Alves.

Mas quem frequentava a praça? Como todas das primeiras décadas, era um ponto de parada para os casais de namorados, sobretudos dos fiéis da igreja São Pedro.

Recorda à senhora Marli Gomes, que na década de 1970, algumas moças solteiras tinham como programa ir à missa, ao cinema e passear na praça dos leões, “Passeio comportados”.

A fala da senhora Marli evidencia como a praça marcou e ainda marca a memória dos moradores desta cidade; para se ter uma ideia, não é difícil encontrar um morador que tenha uma foto tirada lá.

Da mesma forma que os leões, outra coisa encantava os moradores: a fonte no centro da Praça, um encanto para os olhos.

“Era algo que não se via em cidades vizinhas” destaca Marli Gomes. Com saudade recorda que,  na década de 1990, o chafariz ficou abandonado e sujo.

Na reforma da Praça, realizada no ano 2000, feita na administração do prefeito Wagner Mendonça, as esculturas batizadas popularmente foram reformadas e mantidas. No centro da praça, foi colocado um monumento que lembra “A Pedra do Rei,” inspirado no desenho animado o Rei Leão (1994).

HOOIJ, Frei Elias. Os desbravadores do Extremo sul da Bahia, Belo Horizonte, 2011.

Conversa Informal com Godoaldo Amaral 2014

Conversa Informal com Almir Santos em 2013.

Conversa Informal com José Sérgio da Fazenda Cascata 2014.

Entrevista com Marli Gomes 2009

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Mulheres parteiras em Teixeira de Freitas parte 01

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A exploração da Madeira parte 01

 Comidas típicas em Teixeira de Freitas parte 01.

Memória estudantil : Parte 01

Por Daniel Rocha.

No ano de 2003 o planeta Marte atingiu o ponto mais próximo da terra. No Brasil era grande número de jovens desempregados que aguardavam as melhoras prometidas pelo presidente Lula. Dentre estes Lidiane Anunciação e seus amigos, que cursavam o pré-vestibular ofertado pela secretaria municipal de educação de Teixeira de Freitas.

Na cidade não havia  muitas opções de cursos  técnicos  ou superior. A UNEB – Universidade do Estado da Bahia, foi a única da cidade até o ano 2002, quando foi inaugurada a FACTEF,  hoje Faculdade Pitágoras. Em 2002, a prefeitura municipal no comando do prefeito Wagner Mendonça ofertou a população o cursinho pré-vestibular “Desafio” no prédio da antiga Cesta do povo.No presente  funciona a escola Vila Vargas no local.

Em 2002, a prefeitura municipal no comando do prefeito Wagner Mendonça ofertou a população o cursinho pré-vestibular “Desafio” no prédio da antiga Cesta do povo. No presente  funciona a escola Vila Vargas.

Antes desta iniciativa a universidade Estadual da Bahia, UNEB, foi a única a ofertar um curso pré-vestibular gratuito aberto a comunidade, com o nome  bem apropriado de o Funil. De acordo com  Lidiane Anunciação, estudante do pré-vestibular municipal , tanto ela como os colegas estavam desempregados e pretendiam disputar uma vaga na universidade estadual da Bahia.

 Durante a campanha do candidato Luiz Inácio Lula da Silva em 2002,  um estudante discursando ” que tudo era uma questão de oportunidade”, havia tocado forte os corações sonhadores ,recorda Lidiane que junto com os amigos esperava com ansiedade os investimentos prometidos.

Um ano depois foi criado o programa universidade para todos – PROUNI, que possibilitou ela os outros trilhar o caminho desejado. Como é comum na rotina adolescente, havia muitas paixões e namoricos, estes eram embalados pelo som romântico de cantores nacionais como o Leonardo, que naquele ano estava no topo das paradas com a música, Só sei que te amo demais.

O Sucesso tremendo ainda ficou mais afinado com o show do cantor no espaço Suco de Pimenta em 14/06/03, data que recorda graças ao seu diário que registra, “Uma noite fria, sem chuva, eu e meu amor curtimos Leonardo, show muito massa”.

Para ela ir ao curso era algo muito prazeroso, porque lá era possível estudar  e conhecer pessoas divertidas  na sala de aula,  nos intervalos e  nos  grupos de estudo. Também passeava pelo centro da cidade com as colegas na volta para casa ou  “quando não havia aula.”

Para ter assunto a turma ouvia o programa de rádio do Moreau Nunes, que ao seu estilo, entre uma música e outra, divulgava a previsão diária de cada signo. Tinha também o hábito de comprar revistas astrológicas, para se divertir comparando as previsões e os acontecimentos cotidianos. Saudosa com o diário em mãos, retirado do abandono em uma gaveta no quarto, mostra outra interessante anotação:

 “Quando aquela estrela brilhante (Marte) apontou no céu no dia 26 agosto, estava indo para o curso que iniciava às 19h, íamos observando e pensando o quanto iria demorar em contemplar o espetáculo novamente, acho que nunca mais. Por conta disto matamos aula e ficamos no pátio da escola, de lá migramos para a Praça da Bíblia, celebramos com nossas incertezas um fenômeno único que a maioria das pessoas nem deu importância”.

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Futebol em Teixeira de Freitas: Parte 01

 

Por (Daniel Rocha ) A cidade de Teixeira de Freitas nasceu na divisa entre os municípios de Caravelas e Alcobaça,  o sul pertencia ao território Caravelense e o norte ao Alcobacense. 

Neste povoado dividido os moradores procuravam desfrutar ao máximo o tempo livre  em um dos diversos  campos de futebol existentes no  povoado.

 

Segundo o colaborador Domingos Cajueiro Correia ,com base em informações passadas por Osair Nascimento, na década de 1950 foi formado  a equipe amadora da Prainha,  composta por moradores e vizinhos da fazenda Nova América. Segundo conta a equipe  atraía a atenção dos moradores com partidas organizadas pelos fazendeiros locais.

 

 

Ainda de acordo com o ilustre morador, o time  de futebol foi o primeiro   do povoado de Teixeira de Freitas. A equipe   jogava com diversos outros  da região, fato evidenciado nos bilhetes trocados pelos moradores marcando partidas.

 

 Revela   Domingos Cajueiro que a família conserva um destes bilhetes escrito pelo agricultor “Zequinha do Rancho Queimado”.  No bilhete datado de 1966 , o agricultor solicita o agendamento de um jogo amistoso contra o time amador da Prainha.

 

O time tinha  uma torcida organizada pelos moradores locais, boa parte formada por membros da numerosa família Freitas Correia.  A torcida era muito esforçada e sempre davam seu jeitinho para acompanhar o time em excussões a fazendas  e povoados vizinhos.  No final dos jogos havia sempre uma grande confraternização,  festas movidas a  músicas e boa comida típica. Com o crescimento do povoado outras equipes surgiram.

 

Na década de  1960 ,  com a  chegada de  migrantes  de toda parte da região e dos estados vizinhos para morar no povoado, foi  aberto um campo “com tamanho oficial” na região do trevo, onde hoje funciona o posto Gaivota.

 

Neste mesma década,1960, surge o time do Nova América  formado por moradores do povoado, das fazendas e bairros próximos, um fato curioso e que o time local usava a camisa do carioca Vasco como referência. 

 

Como não havia emissoras de rádio  na região a maioria dos moradores sintonizavam apenas as emissoras  do sudeste do país; por isso os times do sul gozavam de grande prestígio e popularidade em toda costa das baleias.

 

Ao longo do tempo, o futebol local firmou-se como uma ótima opção de lazer para os moradores do povoado. No início dos anos 1970, o número de campos multiplicou, como não havia um estadio municipal as partidas  eram realizadas em áreas abertas, terrenos baldios e particulares.

 

No povoado cada lado tinha seus campos de referencia; ao sul da Avenida Marechal Castelo Branco, ficava o da serraria Divilam e o popular campo da escola Manuel Cardoso Neto. Ao norte, o campo do DERBA, o futuro estádio Robertão e o campo do Batalhão. 

 

O Colunista esportivo Amadeu Ferreira escreveu que o futebol do teixeirense deslanchou em meados dos anos 1970 quando começaram a surgir inúmeras equipes profissionais, financiadas por empresários locais.

 

Em 1976, as primeiras competições oficiais foram realizadas em três diferentes áreas do povoado: no campo do Batalhão,  do DERBA e da Serraria Divilam, que também dava nome ao time.

 

De acordo com  Amadeus a localização do campo da Divilam ficava onde hoje atende a construtora Zé Carlos. Marisa Aguiar, moradora do lado norte do povoado, recorda que na adolescência  o campo  era um dos pontos de encontra da moçada.

 

Quase uma obrigação, todo sábado a tarde ir ao local assistir partidas de futebol com as irmãs mais velhas.” Mas iam só para assistir os jogos?  ”Não era apenas para ver os jogos mas também se divertir e conhecer pessoas.”

 

Conta que na vizinhança das mediações rolava um churrasquinho com refrigerante e o tradicional namorico no final das partidas: “Uma sensação Indescritível.”

 

Depois da socialização  a comemoração se  estendia a alguns bares próximos. No dia seguinte a festa continuava nas residências dos jogadores  com muita cerveja e  churrasco.

 

Outro frequentador de campos de futebol desta década, Valdir Matos, conta que ele preferia frequentar o campo do DERBA, que ficava no lado Alcobacense da cidade; destaca que este sempre foi mais movimentado e divertido  tal como era o do batalhão e do centro Social Urbano. Lembra que era um programa divertido de se fazer com os amigos.

 

O campo do DERBA foi fundado por funcionários do dito órgão para o lazer dos trabalhadores nos fins de semana; devido a sua popularidade  se tornou mais tarde o estádio municipal. Como no campo da Divilam o público prestigiava nestes a disputa dos times locais e regionais. Segundo Amadeus Ferreira:

 

“O povoado de Teixeira de Freitas tinha como destaque duas equipes, o Brasil, time montado pelo senhor Valdir, proprietário do pioneiro Supermercado Brasil, e a Portuguesa, equipe criada pelo saudoso Deusdete Moreira Alves em 1973, aproximadamente. Brasil e Portuguesa além dos confrontos memoráveis que faziam entre si, também representavam o nosso futebol com a realização de jogos com times da região.”

 

Curiosamente, os times de futebol da década de 1970 foram batizados com o nome das empresas que os jogadores trabalhavam, como por exemplo: a Divilam, Esportiva, Bahia Sul, diferente dos primeiros times que se identificavam pelo nome das fazendas onde era formado o clube.

 

Julgo que as empresas madeireiras e o comércio fizeram uso dessa paixão para divulgação de suas marcas e ao mesmo tempo  proporcionar  o crescimento do esporte que já era uma paixão nacional.

 

É digno de nota, os entrevistados afirmam que na década de 1970 o espírito coletivo era maior  e isso facilitava a socialização dos moradores do povoado dividido entre os municípios litorâneos de Caravelas e Alcobaça. 

 

Diante dos fatos, suponho, que a socialização nestes espaços , juntamente com outros agentes, foram os responsáveis pelo despertar de um sentimento  de pertencimento valioso  que  contribuiu para o processo de emancipação política do  povoado de Teixeira de Freitas.

 

Os campos abertos para prática do futebol  não eram apenas locais de diversão, mas também espaços livres à sociabilidade.

Fontes:

AMADEUS.Ferreira.  O futebol de Teixeira de Freitas foi considerado um dos melhores

Benedito Pereira Ralile, Carlos Benedito de Souza, Scheilla Franca de Souza, 2006).

 

Entrevista Marisa Aguiar , 2009.

 

Conversa informal sobre o assunto com:

Valdir Silva.

Domingos Cajueiro Ferreira.

Foto: Time de futebol Teixeirense. Ano Desconhecido. Postada por Carlito Teixeira, dia 21/01/14, no Museu Virtual de Teixeira de Freitas.

 

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