Todos os posts de Daniel Rocha da Silva

Comidas típicas em Teixeira de Freitas parte 02

Por Daniel Rocha.  

A culinária teixeirense é diversificada, embora hoje seja mais conhecida principalmente pela mistura da cozinha mineira e capixaba ela tem  origem nos produtos regionais que eram fartamente produzidos ou encontrados na mata atlântica.

Para melhor compreender o período que vamos abordar é importante lembrar que a nova dinâmica social trazida pela devastação da floresta, o processo de urbanização e o incentivo governamental a agroindústria, alterou os hábitos alimentares do povoado de Teixeira de Freitas e  das comunidades  da zona rural.

No início deste ano, 2014, o jornal A tarde editou uma série de artigos sobre a culinária baiana, em um destes  o colunista Edinho Engel afirmou que os três grandes biomas do estado; o atlântico, chapada e a caatinga, dão a cozinha regional baiana uma dinâmica cultural diferenciada em razão da oferta de ingredientes variados.

 

A comida típica baiana como á brasileira é por natureza diversificada pois cada região se serve com o produto que tem por perto e em abundância, assim com a dimensão espacial da Bahia é evidente que há uma variedade infinita de pratos e receitas regionais.

No caso do extremo sul, que foi coberto pela mata atlântica até os anos de 1960 , a oferta de produtos nativo da mata influenciava os hábitos alimentares dos moradores do sertão do Itanhém e cidades litorâneas como Alcobaça, Prado e Caravelas que se serviam dos produtos produzidos e vendidos na cidades por agricultores locais.

 

Nesta perspectiva a quase extinção de animais e ervas e frutos que  eram facilmente encontrados no bioma atlântico é uma das causas pela qual diversos pratos da culinária de raiz, largamente consumido pelos moradores das comunidades rurais na década de 1950 e 1960, deixaram de marcar presença na mesa  dos teixeirenses.Dentre os quais podemos citar a araruta.

 

Em um universo de plantas nativas do bioma atlântico á araruta era a estrela que mais brilhava na mesa dos moradores das antigas comunidades rurais e das cidades das margens do rio Itanhém.

 

A araruta, uma erva cujo a raiz tem a fécula branca alimentícia, era facilmente encontrada na vegetação ou cultivada próxima as casas de pouseiros e principalmente por mulheres gestantes. Um dos pratos feitos com a raiz desta planta é o mingau da araruta, muito utilizada pelas comunidades rurais na alimentação de recém nascidos e crianças maiores.


 De acordo uma busca realizada pelo colaborador Domingos Cajueiro Correia, a raiz da “ araruta” era retirada , lavada ,ralada e deixada de molho em água limpa de um dia para o outro. Desta água era retirada a goma da qual se fazia o mingau, principal fonte de sustento das crianças menores de um ano.

 

Segundo diz Maria José da Silva de 70 anos, também se retirava o polvilho da araruta para fazer biscoitos e bolos. “Era parte da nossa alimentação, nunca faltava, era o que mais tinha na mata…. Não havia a maisena para fazer o mingau das crianças, essa veio depois.”

 

Para o engenheiro agrônomo da EBDA (Empresa baiana de Desenvolvimento Agrícola) , Jorge Silveira, em entrevista ao site do órgão. “A araruta é uma cultura milenar, genuinamente brasileira, que se encontra em vias de extinção.”

 

Apesar de estar ameaçada e ser difícil o acesso, no município ainda e possível encontrar moradores que cultiva o hábito e as receitas como a senhora Raquel Rodrigues, moradora do bairro São José, que ainda prepara biscoitos e o mingau para servir a família.

 

A matéria-prima, raiz da araruta, ela consegue com o filho Ezequiel que cultiva para consumo próprio em um sítio que fica no distrito de Juerana, município de Caravelas. Segundo a nora da senhora Raquel, Rose Neves, no presente  a raiz é pouco conhecida pelos moradores . “uma riqueza desprezada.”

 

Essas, como outras, iguarias mostram que há uma riqueza gastronômica desconhecida pela população teixeirense e da micro região do Extremo Sul da Bahia.

 

Riqueza preservada na lembrança dos moradores antigos que não esquecem as sensações e  sabores que poucos tiveram o prazer de apreciar.Para Henrique Carneiro (2003), autor do livro Comida e Sociedade : uma história da alimentação;

 

“Além da questões políticas ou macroeconômicas, a alimentação revela a estrutura da vida cotidiana, do seu núcleo mais íntimo ao mais compartilhado”.

Assim nossa história está preservada não só na oralidade ou em papéis escritos, mas também nos caderninhos de receitas da vovó.No próximo texto, a variedade de carne de caça. Os alimentos industriais impõe  a praticidade, padrões estéticos e higiênicos.

Fontes:

Jornal Grande Bahia. EBDA busca resgatar cultura da araruta em Cruz das Almas, 2013. Disponível em:     http://www.vidanocampoonline.com/index.php/agricultura-familiar/3328-ebda-busca-resgatar-cultura-da-araruta-em-cruz-das-alma . Acesso em: 21 abr. 2014.

Entrevista com:

Maria José da Silva. Março de 2014.

Domingos Cajueiro Correia. Março de 2014.

Foto: Google imagens.

Texto atualizado em 08/09/14

veja também:

Comidas típicas  parte 01.

História de Teixeira de Freitas, comidas típicas de Teixeira de Freitas Ba

Conversê Cine Clube exibe: Eu me lembro

2014, o ano em que estamos, marca 50 anos do golpe que instaurou a ditadura civil-militar no Brasil. O projeto de extensão Conversê Cine Clube da Universidade do Estado da Bahia – UNEB – campus X com o objetivo de refletir sobre esta temática irá exibir películas nacionais e latino americanas. A primeira delas será o filme “Eu me lembro”. O  filme narra a vida de um jovem desde seu nascimento até à fase adulta, acompanhada em paralelo aos acontecimentos do Brasil nas décadas de 50, 60 e 70. A direção e do baiano  Edgard Navarro.

Dia 31 de março, às 19:30 no auditório da UNEB – campus X.  Após a exibição irá ocorrer uma roda de conversa acerca dos significados da Ditadura para a história do Brasil. Divulgue, participe.

Entrada franca.

Feijoada no Bar da Viúva

Mantido desda década de 1980 pela mesma dona, o bar da Viúva,  apresenta um ambiente simples e aconchegante, com mesa no salão e na calçada , o que traz um ar intimista entre público e a dona. também oferece a boa cachaça da região, a temperada, cerveja geladinha e refrigerantes. O público é composto  moradores do bairro e de outras partes da cidade, que apreciam  um bom boteco.

O tradicional Bar da Viúva estar localizado no bairro Recanto do Lago em Teixeira de Freitas , e a mais de vinte anos serve os tradicionais pratos da Viúva. Dentre os pratos mais apreciados estão o Pescoço de peru ,o Sarapatel e a Feijoada que dizem os moradores ” igual não há”.

Os pratos são especialidades de Jacy Jesus, Baiana de Ibicuí que veio criança para o povoado de Massaranduba, distrito do município de Vereda -BA, e com dezoito anos para morar no bairro Recanto do lago aqui  em Teixeira de Freitas.  Após perder o marido, assumiu o comando do bar que foi batizado pelos moradores de ” Bar da Viúva”.

O bar funciona de terça a sexta das 18h as 21h ,e nos fins de semana das 12h as 21h.  Quem preferir pode comprar e degustar em casa, o bar fica na rua Goiânia 146, no Bairro Recanto do Lago, na segunda  rua atrás da clinica São Lucas.

 

O causo do velho que queria ser muito macho

Por Daniel Rocha

Um velho já chegado nas idades não queria dar o braço a torcer ao tempo, gostava de se comportar como um  jovem ativo e forte. Por isso mesmo diante do vento frio oriundo da mata  que acuava os moradores da roça do “Bomtequando” ele se recusava a usar agasalho para enfrentar o inverno.

O velho era tão teimoso e metido a durão que também se negava a  ficar próximo à fogueira que aquecia o pessoal  durante a noite gélida que tomava as típicas casas de taipa e barro batido da maioria dos moradores do lugar.

Tanto que na hora de dormir a neta mais velha com carinho e cuidado se mostrou disposta enfeitar a cama de ripa do velho, tipo uma mesa forrada com a esteira de palha, para que ele pudesse ficar agasalhado para enfrentar o tempo frio. Porém o velho deu uma de durão e não aceitou agasalhos e nem demonstrou interesse na bondade da menina. Para provar que era muito macho disse que ao invés de cobertores preferia que jogassem água na cama, insinuando sentir calor.

Conta o causo que a neta o fez para tirar a mania do velho avô que durante a noite diante de um forte vento invernal “cozinhado na mata” entrou para “ver doer ” na costela do velho teimoso que bateu queixo de tanto frio.

Dando uma de machão e querendo não chamar por ninguém, o senhor teimoso se levantou e recordou que ao lado da casa onde dormia ficava um monte de “bages secas” de feijão, separado durante o dia. Sem saída se meteu entre essas bages buscando agasalho. Pela manhã bem cedo o velho não acordou com o sol e o pessoal não deu pela sua falta e colocou fogo nas bages, foi então que o velho gritou por socorro e foi retirado com algumas feridas e queimaduras, diante do fato comentou então a neta: – Isso que dar querer ser muito macho.

Assim contava em volta da fogueira os antigos moradores na roça do “Bomtequando” (bom até quando) na zona rural do município de Alcobaça, hoje Teixeira de Freitas, provavelmente na década de 1930. O causo foi registrado em uma roda de conversa do programa de alfabetização de idosos, o TOPA- Todos pela educação em 18/05/12.

Mulheres parteiras em Teixeira de Freitas. Parte final.

Por Daniel Rocha.

Como foi apresentado no primeiro texto desta série, a maioria das mulheres do interior do município de Alcobaça, dentre  elas as mulheres do  povoado de Teixeira de Freitas, não tinham acesso a um serviço público de saúde, nem atendimento médico nas décadas de 1950,1960 e meados de 1970 do século XX, por isso na gravidez eram acompanhadas por parteiras que mesmo depois dos primeiros hospitais eram procuradas por conta do tratamento “familiar”.

 Ao contrário do que se pensa nem sempre elas chagavam a tempo, pois as dificuldades eram diversas, desde a distância a falta de informação sobre a data provável do parto. Outras mulheres como, amas de leite,benzedeiras, irmãs e filhas mais velhas, também se mobilizavam para ajudar no resguardo e no cuidado com o recém – nascido.

Vitória Rodrigues de 78 anos e moradora da cidade desde 1970, contou durante um bate -papo que, quando estava grávida  do primeiro filho sentiu que o mais breve possível iria “parir” então pediu o esposo “Zé” para buscar a parteira Isaura que morava na região do bairro Redenção.

“Porém a parteira demorou, quando chegou o menino já tinha nascido sozinho,  eu já estava com o frango no fogo. O que fiz com o cordão? Cortei com a faca e costurei com uma colher quente. De seis filhos que tive, três deu para esperar outros foi sozinha”.

Para Maria José de 73 anos, os cuidados com a gestante se intensificavam no dia do parto desde primeiras horas quando a parteira estava por perto. Quando distante cabia ao marido buscar. Como não havia   telefone , tinha que   bater na porta da parteira e chama-la.

 “Nem sempre dava tempo”, afirma Maria José  que cresceu na zona rural de Alcobaça em fazenda próxima. “Um dos meus ganhei sozinha, só aparei para não cair no chão, quando o marido chegou com a parteira , o menino já tinha nascido”.

Em famílias numerosas os cuidados eram tomados pelas mulheres próximas, cabia a parteira apenas o parto, segundo Marinalva Rocha de 60 anos, a mãe antes de ganhar filho instruía os demais para o preparo do pirão, iguaria importante para o resguardo, que incluía ainda “não molhar a cabeça, nem ter relações sexuais em períodos determinados”.

Segundo Maria Neusa de 57 anos, além do pirão ( foto) era importante também servir a famosa temperada, bebida misturadas com ervas de propriedades medicinais. A temperada para gestante era dosada na hora do pirão “uma “dosezinha” para descer o suor” para o visitante não havia restrições.

Maria Dercília, lembram com saudade  do tempo que passou, segundo ela, “tempos de muita felicidade”.  Sua contribuição e ainda mais valiosa por ter sido aprendiz de uma parteira por nome Vitória, que lhe ensinou o jeito de puxar menino coroado e ter cuidado com a higiene. Também recorda que bebidas caseiras e chás misturados com outras ervas serviam de remédio para as gestantes durante a gestação.

 Maria José não esqueceu de acrescentar que, outro perigo para as mulheres “paridas” era o de engravidar antes de terminar de amamentar, diz ela que o leite ficava “choco” e o bebê desnutrido e sem forças para ficar em pé.

Nestes e outros casos era aconselhado procurar a ama de leite, uma mulher que estava amamentando e que tinha leite suficiente para sustentar duas crianças. Conta Vitoria Rodrigues, que tem mais filhos de leite do que dela mesma, pois sempre era solicitada quando a mãe de um recém nascido não tinha leite suficiente ou nenhum:

“Dizem que a mãe de leite tem mais parte no filho porque é o primeiro leite que ele chupa, o primeiro sangue. Minha mãe contava que certa vez, um rapaz rico, fez mal criação a ama de leite, ela então disse, vomita meu leite  excomungado! O rapaz começou a vomitar o leite sem parar até que ela com pena disse, pode beber de novo, ai parou de vomitar e pediu perdão a ela.

Hoje eu tenho um filho de leite que é rico e não vem mais me visitar, dei leite para ele porque a mãe estava com o peito seco e mandou me buscar.Eu  não cobrava porque leite de peito não pode vender ,tem que dar, dei durante uma semana, a mãe foi botando no peito até poder dar”.

Já a benzedeira Tereza Maria Alves de 57 anos, em entrevista ao trabalho monográfico de Alves e Dos Santos (2011), narrou que muitas mães a procuravam para providenciar  o livramento das  crianças. “Menino chegava aqui com o pé esquecido, com mal olhado, moleira aberta, saiam bonzinho”.

 Com um ramo de folhas,  era possível livrar os pequeninos de forças negativas, fazendo  orações poderosas. “Contra o quebrante, dor de cabeça, mau-olhado, afobação”.(Dos Santos 2011).

O trabalho destas mulheres, parteiras, ama de leite, benzedeiras e outros ofícios populares, mostra como a cultura e a vida de milhares de pessoas são moldadas pelo contexto que o cercam. Neste sentido, essa série que aqui se encera, buscou valorizar as memórias das parteiras e registrar o trabalho destas pessoas comuns, nem sempre lembradas pela história oficial.

 Fontes:

Dos Santos.Jonival Alves, Dos Santos. Eliomar Pires.O tratamento médico e as práticas populares em Teixeira de Freitas nas décadas de 1960 e 1970. Uneb 2011.

Foto: Pirão da mulher parida.

Vejam também:

Mulheres parteiras em Teixeira de Freitas parte 01

Mulheres parteiras parte 02.

Mulheres parteiras em Teixeira de Freitas parte 03

Praça da prefeitura

 

A exploração da Madeira parte 01

 Comidas típicas em Teixeira de Freitas parte 01.

O rio Itanhém parte 01

O rio Itanhém parte 02

O rio Itanhém parte 03

O rio Itanhém parte 04

Medicina oficial em Teixeira de Freitas.

 

Exploração Madeireira em Teixeira de Freitas – Parte 02

Por Daniel Rocha

Entre as décadas de 1960 e 1970, o povoado de Teixeira de Freitas, passou por inúmeras transformações decorrentes em grande parte do processo de exploração da madeira. Novos bairros surgiram, principalmente  em locais onde se estalavam as serrarias, formando grandes aglomerados  sem infraestrutura adequada.

Consequentemente, intensificaram a migração externa e interna, a população das áreas rurais deslocou-se para Teixeira de Freitas, então novo centro regional, seduzidas por promessas de melhores condições de vida.

Mas essas transformações não eram comuns só ao povoado o país vivia neste período uma série de mudanças em consequência do processo de industrialização iniciado na década de 1950 pelo governo de Getúlio Vargas, e intensificadas durante a ditadura Militar , principalmente na região sudeste. As metrópoles sulistas , São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte  foram as mais beneficiadas deste processo.

A grande oferta de empregos nestes estados atraiu milhares de trabalhadores do campo, essa corrente migratória ficou conhecida como o êxodo rural. Diante dessas transformações é interessante observar que entre 1960 e 1970 houve um aumento populacional expressivo no povoado de Teixeira de Freitas.

 O Censo demográfico realizado pela igreja Católica em 1979 evidencia este crescimento, enquanto o de 1969 registrou 4700 habitantes o de 1979, 33.031 habitantes.Diante destes números cabe perguntar : quem são os migrantes que vieram para trabalhar no povoado de Teixeira de Freitas? Quais os motivos que os trouxeram para esta região da Bahia?

Para tentar responder estas perguntas,entrevistei antigos moradores e recorri algumas reportagens publicadas nos principais jornais e revista do país que escreveram sobre a exploração da madeira na região. Como a reportagem , Serrando a Bahia, escrita por Paolo Marconi e publicado na Revista Veja  no ano de 1977.

Segundo o repórter Paolo Marconi, por determinação do governador do estado da Bahia, Antônio Carlos Magalhães, a exportação da madeira em toras para outros estados foi proibida, em troca da concessão de favores fiscais para instalação de serrarias na região:

“Quando o decreto, tempos depois, foi anulado por inconstitucionalidade, quase 500 serrarias que se implantaram na época passaram a fazer apenas a transformação primária na madeira, com um desperdício de até 40%. Assim, povoados como Itabela, Eunápolis, Teixeira de Freitas e cidades como Itamaraju, beneficiados igualmente pela rodovia litorânea, experimentaram um explosivo crescimento às custas da economia madeireira. A presença da madeira nos costumes da região é de tal forma marcante que são comuns bares, farmácias e outros estabelecimentos com os nomes de Jacarandá e Pau-brasil. Há até mesmo um “Jacarandá Country clube”.

O decreto contribuiu para a industrialização do povoado e atraiu trabalhadores do ramo para Teixeira de Freitas, BA. Marli Gomes afirma que a indústria da madeira mudou as expectativas dos moradores em relação ao povoado a fama e as promessas de empregos seduziu quem buscavam novas oportunidades. Para ela esse foi o motivo que fez a família migrar de Itanhém, BA, para Teixeira de Freitas em 1968. “Estava melhor para emprego”.

Isabel Rodrigues chegou em Teixeira de Freitas ano 1960. Ela e a família vieram de Nanuque MG, o pai era carpinteiro e marceneiro, sem lugar para morar no povoado, tiveram que erguer a casa com madeira extraída da mata próxima ao bairro que o pai escolheu para morar, bairro Buraquinho:

“Como Nanuque estava muito parada meu pai ficou sabendo que aqui estavam desmatando tudo abrindo uma nova cidade.Então  ele veio  depois de dois meses a família. Porém na época não tinha emprego  aí agente foi morar na fazenda Alcobaça  onde ficamos 7 meses, quando voltamos o povoado já estava cheio de serrarias” .

Segundo Isabel Rodrigues, a indústria da madeira gerou empregos, tanto que o primeiro dela foi como ajudante de passadeira no dormitório da empresa Madeireira de ‘Eleosipio Cunha’.  “Passava roupa de mais de 50 homens”.

Recorda ainda que a maior parte dos trabalhadores hospedados no dormitório  eram do estado de Minas Gerais. Apesar desta afirmação sem sombra de dúvida  os capixabas formavam a maioria. Tanto que em três reportagens sobre a exploração da madeira publicada na década de 1970, nos jornais; Folha de São Paulo, Jornal do Brasil, O estado de São Paulo, eles são apontados como os baluartes da exploração na região.

O capixaba da cidade de Iconha, Edésio Bonadiman, que a mais de 30 anos mora em Teixeira de Freitas  conta que o primeiro contato com o povoado e a atividade da madeira foi como caminhoneiro transportando toras para a serrarias do Espírito Santo. Eram tantas viagens que a esposa pediu que abandonasse a atividade  para ter mais tempo com ela. Ele acatou o pedido e mudou para o povoado em 1977  e passou a  exercer outras atividades.

Conta que em 1977 o povoado  não contava com o serviço público de distribuição de  energia elétrica, só um gerador, motor,  fornecia energia para poucas casas comerciais.Também não havia serviço de telefonia, nem se quer um posto telefônico, aqui encontrou outros conterrâneos como Zé Chicom  com quem trabalhou e depois comprou a Serraria Colorado, as margens da BR 101  no Bairro Redenção.

Revela que para tocar a serraria precisou buscar mão de obra especializada para as mais variadas funções  em cidades como Linhares, ES, onde catava os mais experientes.  Como o povoado era ainda pequeno e não havia oferta de residências para aluguel, ele como os outros proprietários construíram nas mediações da serrarias, casas para os migrantes, formando assim uma espécie de vila operária:

“A serraria Vitória tinha em face de umas 100 casas em sua volta, de um lado e de outro. Na serraria Colorado havia 18 casas, todas feitas de macanaíbas. Quando deixei o ramo eu dei tudo para os funcionários.”

As casas ajudavam convencer os trabalhadores indecisos a mudar para Teixeira já que não teriam despesas com o aluguel muitos se animaram com a ideia. As residencias eram feitas com tábuas e cobertas com telhas de eternit. Nessas vilas havia de tudo um pouco, desde escolas e áreas de serviços coletivos.

“A entrada da serraria ficava na frente, do outro lado o escritório entre os dois um corredor que adiante formava uma rua com casas de um lado e de outro, as casas eram construídas com madeiras nobres. Havia também um campo de futebol para o lazer dos funcionários.”

Mudando de pau pra cavaco a maioria dos capixabas, mineiros e baianos de outras regiões, ficaram na cidade  mesmo com o declínio da exploração intensiva, migrando para outros ramos como o comércio que cresceu como principal praça da região.

 É importante dizer que a integração da região a dinâmica econômica do estado  foi favorecida com à abertura da rodovia federal BR 101 no início da década de 1970. Portanto não há como definir o perfil dos migrantes nem afirmar qual de fato foi o motivo da migração, apenas que os fatos  apresentados são relevantes para futuras pesquisas.

No próximo texto, a exploração da madeira trouxe de fato o “desenvolvimento” para o povoado de Teixeira de Freitas? Quem pagou o preço?

Atualizado em 25/12/14

 Fontes consultadas.

Revista Veja. Serrando a Bahia. 1977.  Disponível em:http://veja.abril.com.br/acervodigitalhome.aspx . Acesso em: 06 dezembro de  2013.

01)  CARDOSO DE MELLO, J.M. & NOVAIS, F. Capitalismo Tardio e Sociabilidade Moderna.In: SCHWARZ, L.M. (org) História da Vida Privada no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, vol. 4, capítulo 9.

OOPMANS. Padre José. Além do Eucalipto: O papel do Extremo Sul. 2005.

HOOIJ, Frei Elias. Os desbravadores do Extremo sul da Bahia, Belo Horizonte, 2011.

SANTOS, Milton. A Urbanização Brasileira. São Paulo, Hucitec, 1993.

O texto foi atualizado em 07/09/14

Fonte oral.

Izabel Rodrigues 2012.

Marli Gomes 2009

Edésio Bonadimam  2013.

Colaborou com a pesquisa.

 Domingos Cajueiro Correia.

Veja também:

A exploração da Madeira parte 01

 Comidas típicas em Teixeira de Freitas parte 01.

O rio Itanhém parte 01

O rio Itanhém parte 02

O rio Itanhém parte 03

O rio Itanhém parte 04

Medicina oficial em Teixeira de Freitas.

Mulheres parteiras em Teixeira de Freitas parte 03

Mulheres parteiras em Teixeira de Freitas parte 01

Mulheres parteiras parte 02.

Praça da prefeitura

O causo do Tatu papa -defunto.

Os nomes que Teixeira de Freitas já teve

O cine Horizonte

O comércio de Teixeira de Freitas

História da Expo Agropecuária de Teixeira de Freitas

O causo do Boitatá

O causo do nó da mortalha

Emancipação: História e memória

 História das serrarias em Teixeira de Freitas BA

Comidas típicas em Teixeira de Freitas

Por Daniel Rocha.

Pouco conhecida, mas muito diversificada, a cozinha teixeirense é bastante regional e altamente influenciada pela cultura negra, nativa, portuguesa, e atualmente pela cozinha mineira e capixaba.

O que mais impressiona é o “exotismo” dos pratos mais antigos, o nome dos peixes, molhos e ingredientes utilizados. Pratos como, Paçoca de Tanajura, Bambá, Caruru de Veado, Araruta, Quiabo com farinha, Feijão de coco. Além dos mais variados tipos de bebidas.

O objetivo desta série de textos, intitulada – Comidas típicas em Teixeira de Freitas, é falar dos hábitos alimentares do passado e do presente, das influências macroeconômicas e religiosa na forma de se alimentar dos moradores de Teixeira de Freitas  nas décadas de 1950,1960,1970, até os dias atuais.

Para começar vamos conhecer um prato tido como exótico que já fez a alegria de adultos e crianças nas décadas de 1950 e 1960, à farofa da Tanajura.

Farofa de Tanajuras.

De acordo com a Revista Veja de 1976, em uma reportagem intitulada – Atrás do homem, que tratava sobre o perigo da formiga saúva para as plantações e obras públicas, a farofa da formiga era um prato apreciado no sul da Bahia:

“Refogada com cebola e pimenta do reino, a tanajura – forma alada da saúva – é um ingrediente essencial à preparação de uma certa farofa largamente consumida no interior brasileiro, sobretudo no norte de Minas Gerais e sul da Bahia.”

Com a curiosidade atiçada pela reportagem  entrevistei algumas pessoas que moram na cidade a mais de 30 anos. Como a senhora Sílvia Souza que jura nunca ter provado a iguaria. “Não por falta de oportunidade, eu sempre foi enjoada com comida, mas muitos moradores usavam comer”.

Completou, “para você vê que hoje não tem mais. Eu nasci em 1961 e até os dez anos vi muita gente falar que comia. Dizem que colocavam na panela sem gordura porque a bunda dela já tinha. Eu nunca comi, o pessoal não comia por necessidade  acho que o povo não tinha maldade”.

Outro morador consultado sobre o assunto, o Senhor Valdívio Matos de 63 anos, diz que comeu muitas no município onde cresceu, Medeiros Neto. Recorda que ao chegar em Teixeira de Freitas na década de 1970  só escutou falar do hábito. Indagado se o consumo estava associado a miséria ou pobreza  respondeu que não. “As pessoas comiam porque era um hábito, eu comia  misturada com paçoca.

Já Isidro Nascimento, 87 anos, que nasceu e depois morou em diversas comunidades rurais pela região do município de Alcobaça, contou que na infância, ou seja na década de 1930, não só comia como ajudava no ritual de caça. Segundo ele a molecada formava um coro para cantar a música, “cai, cai tanajura na panela da gordura! cai, cai tanajura… Elas não resistiam ao pedido e caía um monte no chão”.

Ainda de acordo o octogenário, o prato era saboroso e bem apreciado em períodos de chuva. Conta ainda que a formiga era procurada por ser um alimento gostoso. “Não era só as crianças que caçavam, os adultos também gostavam.”

Informa Isidro que a partir da década de 1970 já não comia mais,  até então não tem comido. “Não tinha como agente continuar, antes tinha para encher a panela hoje em dia ninguém acha,  são pequenininhas quase não se vê”.

Para os com os moradores o hábito de comer tanajuras se findou com o passar dos anos em consequência da escassez do inseto. Segundo a reportagem da Revista Veja ,  havia no Brasil  300 milhões de sauveiros, uma média de três sauveiro para cada habitante do país.

De acordo com a mesma reportagem  o número de formigas saúva, tanajura, tendia á se proliferar em maior número em locais cujo progresso da cidade avançava, pois com a derrubada das matas e a extinção de alguns predadores naturais a formiga estava livre para se multiplicar.

Algo que segundo os moradores não aconteceu, pelo contrário, foram extintas junto com o meio natural existente. Nesse ponto, é possível estabelecer relações com o processo “civilizador” que desmatou a floresta atlântica que cobria a região do extremo sul da Bahia.

 Fontes:

CARNEIRO, H. Comida e sociedade: uma história da alimentação. Rio de Janeiro: Campus,
2003. p. 1.

SANTOS, Carlos Roberto Antunes dos. Por uma História da Alimentação. História Questões &
Debates, v. 14, n. 26-27, p. 165, jan./dez. 1997.

ATRÁS do homem.In : Veja. Meio Ambiente. Edição 399,P  62. 28/04/1976.  Disponível em:http://veja.abril.com.br/acervodigital/home.aspx . Acesso em: 06 dezembro de  2013.

Fontes orais:

Conversa informal com Sílvia Souza em  23/11/13

————————-Valdívio Matos em 24/11/13

————————-Isidro Alves do Nascimento em 24/11/13.

Veja também:

Comidas típicas parte 02

O rio Itanhém parte 01

O rio Itanhém parte 02

O rio Itanhém parte 03

O rio Itanhém parte 04

A exploração da Madeira parte 01

Medicina oficial em Teixeira de Freitas.

Mulheres parteiras em Teixeira de Freitas parte 03

Mulheres parteiras em Teixeira de Freitas parte 01

Mulheres parteiras parte 02.

Praça da prefeitura

O causo do Tatu papa -defunto.

Os nomes que Teixeira de Freitas já teve

O cine Horizonte

O comércio de Teixeira de Freitas

História da Expo Agropecuária de Teixeira de Freitas

O causo do Boitatá

O causo do nó da mortalha

Emancipação: História e memória

O rio Itanhém Parte 04

Por Daniel Rocha.

A enchente do rio Itanhém em dezembro 1968 atingiu algumas cidades do estado de Minas Gerais, no vale do Jequitinhonha, e em alguns municípios do extremo sul baiano. No povoado de Teixeira de Freitas a cheia de 1968 deixou diversos estragos como estradas bloqueadas, pontes e plantações destruídas. O texto a seguir foi escrito a partir de entrevistas e conversas informais sobre o assunto com moradores antigos.

Não foi possível confirmar todas as informações passadas. O texto estar de acordo com as perspectivas e as definições das pessoas ouvidas. O objetivo deste texto e preservar a memória dos que vivenciaram dificuldades, a fim de informar as gerações vindouras os desafios enfrentados pelos moradores nas primeiras décadas de formação da cidade.

A enchente  do rio Itanhém de 1968  no povoado de  Teixeira de Freitas.

Segundo José Sérgio, da fazenda Cascata, em entrevista em maio de 2013, a “primeira” ponte sobre o rio nesta parte da região foi erguida na década de 1950  pelo seu avô Quincas Neto em parceria com o prefeito de Alcobaça, Antônio Simplício de Barros. Depois de facilitar o acesso ao litoral a ponte foi destruída por uma forte enchente no início da década de 1960.

Segundo Zé Sérgio à ponte suportou a água mas não a vegetação chamada de Baronesas que acumulou em excesso sobre as bases da ponte de madeira que não resistiu a pressão. No lugar uma segunda de concreto foi construída pelo  Departamento de Estradas e rodagens da Bahia (DERBA), o primeiro órgão público  a fixar no então povoado de Teixeira de Freitas.

Porém o destino desta foi o mesmo da primeira, teve a estrutura levada pelas águas do rio Itanhém em 1968 que levou a ponte mas não destruiu  a crença de que a modernidade e o conhecimento avançado dos engenheiros domaria a natureza selvagem do rio.

Por essa razão o já precário tráfego da região ficou prejudicado. O grande o volume d’água não assustava os canoeiros que mesmo assim sentiram diferença diante do grande volume de água vindo das terras mineiras. Os motoristas que de costume transitavam pela ponte destruída ficaram impossibilitados de acessar o litoral  e o povoado.

Afim de amenizar os transtornos, uma balsa foi providenciada para fazer a travessia de pessoas e carros, como mostra a foto que ilustra o texto. Os estragos da enchente não pararam por ai, os moradores ribeirinhos também tiveram que se deslocar das margens do rio para não ser engolidos pelo sinistro volume, lembra Ivanildo Ivo do Nascimento que nasceu na fazenda Nova América  no ano de 1938, em entrevista ao colaborador Domingos Cajueiro Correia em Novembro de 2013.

“Enchentes desta proporção  inundava a estrada da Prainha, propriedade da família, os moradores eram obrigados a mudar para a parte mais alta da fazenda. Graças a Deus não houve mortes provocadas pelas águas. A gente via muitos animais boiando, móveis e muita vegetação do rio como a Baronesas sendo arrastada”.

Contou que naquela época trabalhava na construção da ponte sobre o rio Itanhém no trecho da BR-101 que estava sendo aberta e passava pelo povoado. A ponte já estava pela metade e assim como a da Cascata, foi destruída pela pressão da enchente. Falando sobre a enchente o Sr. Isidro Alves, morador da zona rural desde 1930, assim manifestou: “Transformou as terras divididas em uma só perante as águas”.

Recordou que a cheia do rio inundou diversas roças de cacau, deixando uma enorme prejuízo para os agricultores. De acordo com informações do mineiro Almir Santos, morador da cidade desde ano de 1968, a destruição da ponte e lavouras, não foram as grandes perdas observadas, um carro da marca Rural caiu no rio durante a travessia feita em uma balsa que não suportou o peso do automóvel e virou sem dar tempo aos passageiros.

O acidente vitimou três crianças e uma mulher que viajavam no carro. O senhor Libânio da Conceição que tem 70, recordou do fato, para ele o acidente aconteceu no local da ponte próxima a fazenda Cascata e foi causado pela cheia do rio, pois assim que ponte foi levada providenciaram de imediato a balsa chamada pelos populares de “flutuante”.

Na versão dele morreram no acidente uma mulher que trabalhava como empregada doméstica e duas crianças. Recorda também que na enchente era possível ver móveis diversos e animais mortos passado pelo rio, afirma que foi a maior cheia que já presenciou.

“Um sobrinho meu foi puxado pelas águas por duas léguas, até que conseguiu agarrar em galhos dos matos e se salvou. O acidente do “jipe” deixou todo mundo assustado porque ninguém tinha o costume de ver essas coisas”.

Completa dizendo que o rio não fez mais vítimas porque um helicóptero da FAB (força aérea Brasileira), que falamos no texto anterior, passou “voando baixinho sobre o rio” pedindo através de auto – falantes para os ribeirinhos saírem das margens, porque muita água ainda estava por vir.

O acidente foi lembrado com menos detalhes por Alaíde Bonjardim e Marli Gomes ao trabalho monográfico, Cinema – Contribuições no Processo de Formação da Sociedade de Teixeira de Freitas nos anos de 1960, 1970 e 1980.

Elas contaram que a tragédia assustou o povoado de Teixeira de Freitas e vitimou três crianças que viajavam com o pai que escapou com vida. As entrevistadas não associaram o acontecimento a cheia do rio. Como se viu em texto anterior, o jornal O estado de São Paulo noticiou que a febre tifoide, doença infectocontagiosa causada pela ingestão de água contaminada, ameaçava as cidades atingidas.

Segundo o senhor Libânio não houve aumento de casos de febre tifo , o grande problema foi o aumento da febre “sezão”, como era conhecida a malária. Para Ivanildo Ivo,em entrevista a Cajueiro Correia, os casos de tifo não provocaram susto ou desespero a população ribeirinha porque já faziam parte da rotina local.

“Na região sempre houve registros de tifo e malária. Agente tratava a tifo com chá de cipó parreira, goma de Maria de sol, a malária com chá de quina amarela, madeira de cor rosa ou amarela.”

Segundo os entrevistados depois desta cheia, outras como a de 1969 deixaram marcas, mas nenhuma se compara com a de 1968. Para o senhor Libânio da Conceição este tipo de tragédia ocorre devido a desobediência do homem com as coisas de Deus.

A de 1968 não sabe dizer a causa, mas a de 1969 foi provocada por um deboche de um morador do Racho Queimado, que colocou uma moeda de um mil “réis” no caixão de velho senhor que havia morrido de doença.

” Vou colocar uma moeda de um mil rés no seu caixão, para você pedir uma chuva a São Pedro. Mal terminou de enterrar para o vento e o granizo vir destruindo tudo em resposta a descrença do homem”.

O pequeno causo revela uma das crenças da época que tudo era uma questão divina. No próximo texto, o rio Itanhém ofertava aos moradores do povoado diversos tipos de de peixes, porém a pesca foi proibida em alguns casos por pecuaristas e latifundiários que compraram terras na região.

Fontes Orais:

Benedito Libânio da Conceição,22/01/14. Isidro Alves do Nascimento 06/01/14. Ivanildo Ivo do Nascimento 11/2013. José Sérgio 05/13. Estes entrevistados são membros de famílias que moram na região desde antes do surgimento da cidade.

Almir Santos.05/2013.

Foto: Porto da Fazenda Cascata. Osair Nascimento. Acervo do Departamento de Cultura de Teixeira de Freitas.

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