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Bandas da Cidade na Década de 90

Por Marcos Marcelo*

Gostaríamos de lembrar aos nossos leitores, que esse texto é apenas uma lembrança histórica musical da cidade, narrada por Ivan Souza (baterista) pedimos desculpas pelos músicos e bandas não citadas. O espaço está aberto para você contar a sua história, entre em contato com a nossa equipe.

 

No final dos anos 80 e início dos anos 90, o cenário musical de Teixeira de Freitas lançou grandes nomes da música em nossa região. Nessa época não havia grupos “Tecla voz” como existe hoje em dia, grupos formados por um tecladista, um guitarrista e o vocalista. Um dos pioneiros da nossa região nesse estilo pelo o que consta foi o ROBÉRIO E SEUS TECLADOS, que atualmente mora é e sucesso nos salões de São Paulo. A lista é imensa, é o que podemos perceber que muitas dessas bandas surgiram na mesma época e já não existe mais.

Segundo Ivan Souza (Batera) entre as bandas pioneiras em Teixeira de Freitas foi a Banda A BANDA CORES VIVAS, formada por Saulo que em relatos conta que o seu pai foi em Salvador, comprou todos os instrumentos inclusive um ônibus. A banda, no início ainda nos anos 80 era formada por músicos de fora, tempos depois os músicos teixeirenses foram se despontando, e em sua formação esteve Orlando no contrabaixo, Welligtom na guitarra, Ivam Souza na bateria, Rodolfo na Flauta, Wilson Salomão no violão e vocal, Saulo nos teclados e Carlinhos Souza na mixagem e percussão. Em seu histórico a participação do carnaval de 88 em Belmonte e na região. No Festival da Canção no início dos anos 90 no colégio Rômulo Galvão, Rancho Gool e no parque de Exposição.

BANDA FORÇA MAIOR fundada pelo popular “Tó” no início dos anos 90, a banda que passou grandes músicos como Leidinho no Contrabaixo, Ivan Souza na bateria, Zezinho do leite na guitarra, Cacau e Maverique nos vocais, entre outros como Tiago e Orlando. Inclusive tivemos a informação que o Robério e Seus Teclados também fez parte dessa formação. Atuou em muitos carnavais fora e aqui da região.

A inesquecível BANDA POWER fundada em 1989 por “Valtinho da Power Som” atualmente reside em Posto da Mata e continua trabalhando com sonorização e que trouxe talentos de outras regiões como alguns músicos que ainda residem em Teixeira de Freitas como Fofão que na atualidade trabalha em projetos sociais, ligado ao PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil) e o baterista Dudú, que continua seguindo carreira na música trabalhando como freelancer em algumas bandas da cidade e da região. Também fazendo parte dessa formação Xandy no contrabaixo, Paulão na guitarra, Pretinho (Ivan) nos teclados, Pato e Ratinho nos vocais. A banda foi muito requisitada na época tocando em vários lugares e continua em evidência, em Fortaleza no estado do CE.

BANDA PULSAÇÃO fundada em 1993 por Dudu batera, Fofão e Wando, que além de mixador é empresário no ramo de sonorização. A banda por muitos anos trabalhou na Barraca Barramares em Porto Seguro, atuando na quinta e domingo e foi uma das pioneiras aqui na cidade em colocar dançarinas profissionais da barraca Tôa a Tôa. Uma das bandas da cidade que mais trabalhou em outros estados adquirindo respeito e admiração por todos sendo referência na época até por músicos da cidade de Eunápolis, que sempre foi forte em questão de musicalidade. A banda era formada por Dudu na bateria, kinha do contrabaixo, Moisés na guitarra, Fábio Campêllo nos Teclados Fábio Campêllo que atualmente mora em Vila Velha no ES, Fofão na percussão e nos vocais grandes nomes como Dé, Paulinho, Marcio Barney e Jorginho da Bahia. E se desfez em meados de 1996.

A BANDA AGITO fundada em 1994, passaram grandes músicos como Cleber Camargo nos teclados, Claudinho guitarra e vocal, Metaches na bateria, Eliel no contrabaixo entre outros. E afirma o dono da banda o Saulo, o mesmo da banda Cores Vivas que o pai do axé Luiz Caldas esteve na região nos anos 80 tocando em sua banda, e tempos depois seguiu carreira solo e ganhou o Brasil.

A BANDA EMPACTO fundada em 1994 por Tiago que atualmente continua fazendo barzinhos e atuando em festas particulares pela cidade. Embalaram grandes carnavais da região participando de grandes eventos políticos e festas particulares. Tivemos a informação que passou pela banda o professor de bateria Wilham Batera, o saudoso Gilberto nos teclados, Fábio Campêllo no contrabaixo, e no vocal Fagner.

A BANDA TRAÇOS também no mesmo ano fundada pelo baterista Ivan Souza, o narrador desta história, a banda tinha Fábio Campêllo nos teclados, jean Gomes na guitarra, o saudoso Gilberto no contrabaixo, na percussão Charles (Charlinho mixador) e nos vocais, Marcio Barney, Mayla  e Jorginho da Bahia.

A BANDA 90 GRAUS, Uma das pioneiras em trazer músicos de fora para a cidade, fundada nos anos 90 pelo empresário Bené, dono do trio Meusa. Passaram alguns músicos como Ailson (Boneco) de caravelas na guitarra, Eloyno no contrabaixo que atualmente é proprietário do grupo Carro de Playboy, Jânio no vocal, e outros. A banda atuou em carnavais, bailes, formaturas e outros eventos.

A BANDA AIPIM COM SAL fundado em 1993 pelo empresário Paulão que continua atuando e trabalhando com aluguel de palcos, sonorização e carros. A banda foi idealizada, devido o sucesso estrondoso do TRIO XODÓ de Medeiros Neto, que era muito presente na cidade. A lista de músicos que passaram pela banda é imensa, entre eles o baixista Gil Barbosa que atualmente mora em Goiania e trabalha com o cantor sertanejo Thiago Brava, Tikão na bateria e saíram grandes nomes como os compositores Ed Lemos da banda Love Beat e o guitarrista Dinho com sucessos emplacados com os Garanhões. Banda Embalava os bailes da cidade e da região.

 Quem não se lembra da BANDA CHAMEGO EXPRESS? Que foi referência em toda região, que surgiu também na década de 90. O proprietário da Banda Alemão do grupo Os Garanhões, até hoje se recorda e se emociona dessa grande máquina musical teixeirense. A Chamego Express foi referência por muitos anos se desfez no inicio dos anos 2000 e deixou saudades por onde passou. Atuou em carnavais fora e da região, bailes, formaturas e comícios que nessa época era muito forte esse tipo de festa política, o chamado showmício. A banda teve em sua formação Rei Mendes na bateria, Aderlândio (Del Ribeiro) no contrabaixo que atualmente reside em Colatina – ES proprietário de uma loja de instrumentos musicais, Clériston (Kell) nos teclados, jean Gomes na guitarra, , Charlinho na percussão,  Welcon Sales, Elson Vinny  Vocais entre outros também como Jânio.

O cenário musical teixeirense tem uma participação importantíssima na história da cidade, muitas bandas não foram citadas, foram perdendo referência, os empresários mudaram de ramo, os músicos que já não moram mais aqui na cidade.

Alguns nomes como BANDA PRA ABALÁ, BANDA AMANHECER, CONSEQUÊNCIA DO FORRÓ, BANDA EPIDEMIA, BANDA ZIRIGUIDUM, PASSARAM POR AQUI DANY RABELLO, BANDA ATÔA, TRIBAL BAND, BANDA FUZZUÊ E BANDA VENDAVAL, também ganham o nosso respeito pela contribuição histórica musical em Teixeira de Freitas.

Marcos Marcelo

Assistente Social, Pesquisador, Músico Freelancer, Produtor Musical, Compositor, Publicitário e blogueiro.

O comércio em Teixeira de Freitas

Por Daniel Rocha*

A cidade de Teixeira de Freitas não surgiu por obra do acaso. Nasceu, sim, de uma série de transformações na política do estado, do país e das rotas de comerciais que tanto favoreceram a posição central da cidade. Quais são os principais fatos que contribuíram para o crescimento do comércio em  Teixeira de Freitas  maior cidade do extremo sul da Bahia?

Até 1950 o extremo sul  ,da cidade do  Prado a cidade de  Mucuri , negociava mais com os estados do sudeste do que com qualquer outra cidade baiana. Em 25 de dezembro de 1947  após viagem de reconhecimento da região o deputado Ramiro Herbert de Castro relatou, em  carta, essa situação  para o então governador da Bahia Otávio Mangabeira:

“Infelizmente, quando se fala na zona do extremo sul do nosso estado, pensa se logo em uma faixa litorânea, cujas condições econômicas – sociais se encontram pouco além daquelas da era do descobrimento. De fato esta é a primeira impressão do visitante apressado. É de estarrecer, porém, afirma – se que a grande atividade econômica nesses municípios, que se expandem a trinta, quarenta, e até cinquenta léguas, no sentido das regiões progressistas das lindas mineiras, é exercida, sobretudo, por mineiros ali localizados.”

Porém não se reduzia apenas a isso, o extremo sul era uma extensão da cidade mineira quando o assunto era comércio. Para melhor entender vamos analisar o papel central da fazenda Cascata no interior no município de Alcobaça,  que no presente pertence o município de Teixeira de Freitas.

Neste período de 1930 a 1950, a fazenda destacava como um importante interposto comercial para as pequenas fazendas vizinhas, fato que é lembrado até hoje por antigos moradores da região, como o senhor Isidro Alves do Nascimento.

De acordo com o velho morador  a fazenda Cascata ocupava uma posição central  porque ofertava meios para escoamento e abastecimento das população dos arredores, que apesar da fartura de produtos naturais, necessitavam também dos industrializados.

Na Cascata havia além da farinheira, a casa do proprietário Joaquim Muniz e outra mais distante próxima ao rio Itanhém. Também  uma venda onde era possível adquirir  os produtos industrializados, uma espécie de mercearia que vendia de tudo.

Conta Isidrio Alves que o proprietário Joaquim Muniz adquiria os produtos produzidos nas roças e vendia em Alcobaça.  Na venda os moradores compravam produtos diversos, “tudo no caderninho, no fiado para quem não podia pagar no momento” um grande favor que o torna grato até hoje:

“Na venda tinha açúcar, óleo, querosene, sabão, sal, aí o povo comprava. O proprietário Quincas Neto  também emprestava canoa para quem preferia ir vender suas safras na Alcobaça, lá os comerciantes ficavam no porto esperando para comprar.”

Segundo Evandro Virgulino ,71 anos,  a fazenda Itaitinga, onde morou quando criança com a família  na zona rural de  Alcobaça, foi uma grande produtora de farinha. Recorda que toda produção era  destinada  ao comércio da  rua do Porto em Caravelas.

Lá mesmo em Caravelas gastava a renda, comprando produtos vindos de Minas como açúcar, tecidos, e a carne Jabá. Destaca que o lucro com a venda da farinha era pequeno, “fica tudo no armazém, quem ganhava mesmo era os comerciantes que compravam a farinha para vender a de Minas Gerais.”

A cidade Mineira de Nanuque por sua vez, era abastecida pelas únicas transportadoras atuantes naquela parte do estado a Renato e Ramos que cobrava uma taxa altíssima para alimentar o comércio da maior cidade do extremo nordeste de Minas.

Através da estrada de ferro Bahia – Minas  os comerciantes mineiros compravam e vendiam no mercado de Caravelas que também abastecia as vizinhas, por conta disto as cidades baianas pagavam um preço altíssimo por produtos como açúcar, querosene, e a carne jabá. Suponho, apenas, que o preço ficava ainda mais abusivo no balcão das vendas do interior  como a da fazenda Cascata.

O comércio então era dominado pelos mineiros pelo fato de que não havia outra rota de escoamento pelo norte em direção a capital Salvador, como observou o deputado no final da carta escrita ao governador, explicando as razões desta dependência da cidade Mineira:

(…) Tudo isso governador, tem uma explicação simples.A faixa litorânea daqueles municípios baianos, até 12 léguas de fundo, está em completo atraso, sendo suas povoações sujeitas á vida primitiva da exploração de culturas pouco rendosas e da pesca, padecendo horrivelmente da carência de qualquer espécie de transporte, não só entre as sedes das comunas, mas também para o interior e a capital de estado.”( Koopmans, 2005. pg 36).

Essa dependência comercial  também foi observada por Matias Arrudão,  jornalista do jornal  O estado de São Paulo, em 1945, durante passagem pela cidade de Caravelas em 1945 quando  avião em que  voava  pousou para ajustes no aeroporto da cidade.

“Caravelas não têm grande expressão urbana. E toda via um porto de certo movimento,por onde e escoa os artigos produzidos pelo extremo sul da Bahia e oeste de minas, zona de Teófilo Otoni, A.E.F, Bahia-Minas, parte de Caravelas e comunica – se com o Jequitinhonha, em “Arassuae”, num percurso de mais de quinhentos quilômetros em dois dias de viagem.” (ESTADO DE SÃO PAULO, 1945).

Segundo Koopmans (2005) a partir da década de 50, iniciou se a construção de uma estrutura que mais tarde tomaria conta da região. No próximo texto da série  vamos analisar como o fim da Bahia – Minas e a abertura das primeiras estradas, mudaram as rotas de comércio influenciando o surgimento e crescimento do Comercinho dos Pretos, que mais tarde originou o povoado de Tira-banha e Teixeira de Freitas. (Ferreira, 2010).

 

 Atualizado 05/05/15

Referências:

KOOPMANS. Padre JoséAlém do Eucalipto: O papel do Extremo Sul. 2005.

MELLO, João Manuel Cardoso; NOVAIS, Fernando A. Capitalismo tardio e sociabilidade moderna: Companhia das Letras.SAID, Fabio Medeiros. História de Alcobaça – Bahia (1772-1958). São Paulo.

www.fazendacascata.com.br/site/a-fazenda/

FERREIRA, Susana. A vida privada de negros pioneiros no povoamento de Teixeira de Freitas na década de 1960. Uneb campus- x. Teixeira de Freitas BA, 2010.

Arrudão. Matias. A boa Terra. O estado de S. Paulo, 16/02/1945. Página 03.

Daniel Rocha

Historiador, Bacharel em Serviço Social, Pós-Graduado em Educação à Distância (EAD), Cinéfilo e blogueiro criador do blog Tirabanha em 2010.

Veja também:

O rio Itanhém parte 01

O rio Itanhém parte 02

O rio Itanhém parte 03

O rio Itanhém parte 04

A exploração da Madeira parte 01

Medicina oficial em Teixeira de Freitas.

Mulheres parteiras em Teixeira de Freitas parte 03

Mulheres parteiras em Teixeira de Freitas parte 01

Mulheres parteiras parte 02.

Praça da prefeitura

O causo do Tatu papa -defunto.

Os nomes que Teixeira de Freitas já teve

O cine Horizonte

O comércio de Teixeira de Freitas

História da Expo Agropecuária de Teixeira de Freitas

O causo do Boitatá

O causo do nó da mortalha

Emancipação: História e memória

 

 

 

Os leões de Bagdá

Por (Daniel Rocha)

Foi -se o tempo que história em quadrinhos era coisa só para crianças, hoje diversos títulos adultos no mercado diversas obras se destacam pelo conteúdo. Um bom exemplo é a revista Os leões de Bagdá lançado no Brasil em 2007.

No ano de 2003, os norte – americanos promovem um bombardeio a capital do Iraque, vitima deste ataque um bando de Leões escampam do Zoológico da Metrópole . Perdidos, confusos, famintos e finalmente livres, os quatros leões perambularam pelas ruas destruídas da cidade numa luta desesperada para salvar suas vidas.

Ao documentar a situação dos leões, a questões sobre o verdadeiro significado da liberdade e posto: é melhor morrer livre do que viver a vida em cativeiro? Baseado em uma história verdadeira, os autores Vaughan e Henrichon criaram uma janela única e comovente sobre à vida e a guerra.

 

Editora: Panini Brasil.
Daniel Rocha