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Em 1981 crítica à ditadura animou o Carnaval em Caravelas

Por Daniel Rocha

No início de 1980 o regime militar cambaleava, os partidos e a sociedade civil organizada alinhavam-se nas capitais e no interior para exigir a volta da democracia e o fim da supressão dos direitos constitucionais.  

Em 1982 novos desdobramentos dos protestos de rua contra a ditadura ganhavam força às vésperas da realização das eleições diretas para governador, a primeira depois do golpe de 1964.  

Uma informação publicada em um jornal da época, chama a atenção e sugere que os foliões da cidade de Caravelas usaram a liberdade proporcionada pelo carnaval para ocupar as ruas e endossar as críticas ao general João Figueiredo, então presidente do país.  

Segundo o jornal uma marchinha de carnaval composta pelo morador  Clodomir Siquara,  no ano anterior , 1981, fez sucesso entre os citadinos e turistas de várias partes que participaram da festa carnavalesca da cidade, “a mais popular e tradicional da região”.  

Entoada em protesto contra o ditador João Figueiredo, a marchinha em questão, que conquistou o gosto dos foliões, denunciava, dentre outras coisas, a situação do precário abastecimento nacional e a escassez de Petróleo causada pela inoperância do governo e por uma crise internacional. Confira os versos.

“Ai seu João, Deixa eu Brincar. Com meu carro de mão. Meu carro não tem farol, não tem Buzina. Não gasta Gasolina. Ai seu João. Ele gasta só um pouquinho de feijão. O meu carro é de brinquedo, seu Figueiredo.”  

Considerando a “popularidade” da música carnavalesca suponho que os foliões já demonstravam disposição para os protestos, tal como os brasileiros moradores das principais capitais, que timidamente tomaram as ruas em 1982 e, definitivamente, em 1983 e 1984 pelas “Diretas Já”. Movimento que veio a culminar com a eleição indireta de Tancredo Neves à presidência em 1985. 

No presente com o atual presidente, Michel Temer, ostentando o posto de líder mais impopular da história do país, não se assuste se novas músicas e marchinhas de protestos invadir o carnaval da região e do país.

 

Anos 1990 em Teixeira de Freitas: A garota mais bonita da cidade

Por Daniel Rocha
Durante os anos de 1980 e início dos anos de 1990 ser agraciada com um título de beleza, como o de Miss, supostamente, aumentava a esperança de qualquer garota conseguir destaque em capas de revista e jornais que reforçavam o discurso que a beleza era um passaporte para o sucesso e uma boa posição social. 
Nessa época, no extremo sul da Bahia, concursos de beleza eram realizados em todos os lugares e cidades da região. Havia concursos para  a escolha da Miss escola, Miss da cidade, da Rainha do Milho, do Carnaval, da Gincana e da Garota Carinho, dentro outros.  
Em janeiro de 1986, por exemplo, destacou o Jornal A tarde, que a cidade de Itamaraju organizou e elegeu sua “Garota Carinho”  Veruscka Carneiro como a mais bela entre as concorrentes. Além da faixa de primeiro lugar a vencedora também conquistou o direito de participar de uma etapa regional na cidade de Itabuna. 
 Embora sem muitas fontes escritas sobre, estima-se que em Teixeira de Freitas os concursos de beleza também foram constantes nas referidas décadas. De maneira que em 1991 uma de suas cidadãs, Isolda Vasconcelos , conquistou o título de Miss estadual. 
Nascida na cidade a modelo  Isolda Vasconcelos alcançou o posto de figura mais popular  de Teixeira  depois de ter conquistado, com apenas 12 anos, o concurso de Miss Estudantil em 1985 e o título de Miss Bahia em 1991.
De família de classe média a modelo representava os ideais e o tipo de mulher que toda garota deveria ser. A prova da sua popularidade é que ao publicar uma entrevista com a modelo em  Março de 1992, por exemplo, a revista local Regional Sul destacou: “atendendo às inúmeras solicitações de nossos leitores. Fizemos uma entrevista com a Bela Isolda”.  
Ocorre que ao analisar a entrevista publicada na revista fica evidente, a meu ver, que a modelo não reforçou os conceitos vigentes sobre estética, sucesso e fama que levava milhares de meninas aos concursos de beleza e sonhar com uma “liberdade” subsidiada pela fama.  

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                         Isolda em um Show de calouros

Por exemplo, ao ser interrogada sobre o que pensava em relação à carreira de modelo no Brasil a Miss que já havia passado a faixa em fevereiro daquele ano respondeu:
 “Infelizmente no nosso país a profissão não está sendo considerada, digo isso pelo alto índice de prostituição que existe no meio, hoje em dia para se ter um bom desempenho é preciso que se submeta às certas coisas, isso me deixa um pouco decepcionada”. 
 Ao ser indagada sobre o futuro e ambições profissionais afirmou, brevemente, expressando  liberdade : “pretendo estudar muito fazer faculdade de economia.”  
Reforçando suas perspectivas, quando quis saber a revista qual conselho teria para dar as garotas que sonhavam em ser uma modelo conhecida, frisou.
“Que estudem muito e se preparem não para viverem num mundo de sonhos, mas sim, para serem, fortes e dignas dentro da profissão.” 
 De acordo com as minhas interpretações para os fatos e a contextualização dos mesmos a postura da Miss, durante a entrevista, de não glamorizar os discursos existentes sobre a profissão de modelo, foi de contra os estereótipos de mulher  sempre bela e perfeita que não existia e não existe na vida cotidiana. 
 
Postura bem-vinda em uma sociedade onde as mulheres, filhas de trabalhadores e trabalhadoras, privadas pela oferta insuficiente de vagas nas unidades de ensino técnico e superior, começavam a ter como maior preocupação a inserção no mercado de trabalho pela competência e estudo e não pela beleza.  
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Fontes  e Referências bibliográficas:
Del Priore, Mary. Histórias íntimas: sexualidade e erotismo na história do Brasil. São Paulo; Planeta. 2011.
Revista Regional Sul. Teixeira de Freitas – Bahia. Março de 1992.Lima. Evandro. 
Festa Elegeu  Garota Carinho.  Os melhores momentos de um repórter. Salvador; Jotanesi. 1990 Isolda participa de programa de rádio. 
Foto publicada por Cley Brito no Museu Virtual de Teixeira de Freitas.
Foto : Isolda Carla. Foto revista

Documentário “Eu não sou Negro” disponível no Youtube

Por Daniel Rocha

O documentário americano Eu não sou Negro ( “I’m Not Your Negro”)  baseado no livro inacabado de James Baldwin (romancista, ensaísta, dramaturgo, poeta e crítico social estadunidense) ,falecido em 1987, sobre o racismo nos EUA faz uma excelente introdução a história do negro americano e as questões raciais contemporâneas.

 

Com relatos sobre as vidas e assassinatos dos líderes ativistas Medgar Evers, Malcolm X e Martin Luther King Jr o longa é um  registro  único sobre política racial daquele país.

 

Feito de forma concisa e emocionante o documentário  que foi indicado ao Oscar 2017 não é um filme divertido mas é  intimista e evidencia o quanto a história do negro americano carece de abordagens mais verdadeira nas telas. A direção é do diretor haitiano Raoul Peck a narração é do ator Samuel L. Jackson. Disponível no Youtube. 

 

Só mais um esforço

Brasileiros, mais um esforço

Se quiserdes ser republicanos.

A educação será tema popular,

  A saúde não será vendida,

E a constiuição será preservada!

Só mais um esforço

Leiam Drummond, abram a janela

E vejam na minha camisa:

I love you, Brasil!

Erivan Santana

 

 

Veja também: 

A estrela d’alva e o sol

Juízo final

A carta

Fim de tarde

O ensaio de Maitê

Revolução dos cravos

 

Os evangélicos Teixeirenses : O coral Batista

Por Daniel Rocha

Na década de 1960 migrantes da região e de outras partes do estado e do país fundam as primeiras igrejas evangélicas no povoado de Teixeira de Freitas, Primeira Igreja Batista e Assembleia de Deus.  

Na década seguinte, 1970, o número de fiéis aumenta significativamente, novas denominações surgem e outros grupos ligados às igrejas pioneiras dão continuidade aos trabalhos iniciados pelos primeiros protestantes, migrantes, que chegaram ao povoado na década de 1960.

 

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Se no primeiro decênio (1960 a 1970) o desafio dos primeiros protestantes foi, além de evangelizar, construir e formar uma igreja independente, nas décadas seguintes foi preciso diferenciar se do pluralismo cultural existente no povoado, firmando tradições e valores com novas estratégias para a conquista de outros seguidores.

Nesta perspectiva escolhi focar no trabalho desenvolvido pelo coral da Primeira igreja Batista nos anos de 1980. A ideia de escrever sobre o coral surgiu a partir da leitura do livro Introdução à História dos Batistas, do jornalista e radialista Jader Alves Pereira, que destaca em seus registros que na década de 1970 “imperou a tradição coral”.

Dessa forma em novembro de 2015 conversei com o advogado Silvany Silveira sobre o trabalho desenvolvido por ele à frente do coral da primeira igreja Batista na década de 1980 e sua relevância na Cantata de Natal, um dos grandes eventos realizado pela igreja.

O batista Silvany ,que chegou ao povoado em janeiro de 1980 vindo de São Paulo, é mineiro da cidade de Almenara e foi criado na cidade baiana de Vitória da Conquista onde residiu até o ano de 1975.  

Silvany então recordou que quando chegou em Teixeira encontrou um povoado pequeno que já aspirava crescimento. Então dividida entres as cidades de Alcobaça e Caravelas o povoado “contava com mais do que 25 mil habitantes”, estimativa.  

De acordo com Silvany naquela época a primeira Igreja Batista era um templo simples frequentado por uma média de 150 pessoas pastoreadas pelo Pr. Pedro Santana Neto e que, apesar de modesta, já contava com um coral formado por 11 pessoas.  

Embora já antigo o coro era muito respeitado e relevante pois desde da década de 1970 era solicitado nos cultos realizados em lugares fechados, igrejas e domicílios, e abertos, praças e ruas, do povoado, mesmo com toda essa bagagem  alguns desafios tinham que ser superados pelo coral, que na perspectiva dele, ainda era muito amador.

Diante de tal situação Silvany resolveu então participar ativamente dos trabalhos da igreja e junto com outros interessados, e também conhecedores do assunto, profissionalizar o coral e desta forma contribuir para a “evolução do gosto musical da igreja”.  

“Como guardava do período que morei em Vitória da Conquista conhecimentos na área de música aproveitei a disposição dos irmãos para me dedicar a formação de um novo coral”.

Tendo como referência os grandes grupos que conheceu no sudeste do país o senhor Silvany assumiu o papel de maestro regente, instituiu o uso de becas e instrumentos musicais diversos como o piano. Segundo Silvany foi preciso também renovar o repertório com novas canções e adotar vestimentas padronizadas, becas.

Das primeiras iniciativas nasceu um novo coral formado por 40 pessoas, jovens e adultos, donas de casa, estudantes e aposentados.  Recorda que no primeiro ano precisou dedicar muito porque não contou com meses suficientes para afinar a turma para o natal, quando tradicionalmente é realizado a Cantata Natalina, uma das maiores apresentações musicais da igreja.

De acordo com Silvanir assim como hoje no início da década de 1980 a cantata de Natal da Primeira Igreja Batista era um acontecimento de grande destaque no povoado de Teixeira de Freitas. O evento que atraía atenção de diversos fiéis da região era, e ainda é realizado com o objetivo de divulgar a boa nova e conquistar novos fiéis para o cristianismo.

Por esse e outros motivos, e para preparar o coral a tempo, o regente contou com a preciosa ajuda de outras pessoas do ministério da música como  Elizama Matos e  Aldemir Moreira que no futuro deu continuidade ao trabalho ficando à frente do coral. Recordou Silvany que dentre todos os desafios o de instituir o canto com vozes divididas foi o que mais o exigiu, dificuldade superada pelos cantantes seis meses depois de uma intensa rotina de ensaios.  

Ainda de acordo as memórias de Silvany Silveira graças ao empenho e dedicação todos os  cantores se destacaram na cantata com uma belíssima apresentação, elevando ainda mais os resultados da missão evangelizadora da igreja.

“A beleza da apresentação e da música ajudava muita gente a compreender a mensagem de amor e paz e o verdadeiro significado do natal e a interação com os irmãos, membros da igreja, que divididos em grupos dava o seu melhor no dia”.

No livro PIBATEF 50 anos – Uma história de fé (2017), do historiador Paulo Cesar Pereira de Jesus, há a informação de que na década de 1980 os trabalhos de evangelização ganharam força a partir da estruturação do Departamento de Evangelismo. “Ao qual serviu de instrumento para a promoção dos trabalhos evangelísticos da primeira Igreja Batista em Teixeira de Freitas.”

Essa informação ajuda entender que de fato na década de 1980 depois de construir e formar uma igreja independente nas décadas de 1960 e 1970, de fato os Batistas buscaram firmar tradições e valores com novas estratégias para a conquista de mais seguidores nas décadas seguintes, diante disso associo essa circunstância  a renovação do coral.

De acordo Silvany Silveira depois de vivenciar diversas experiências os membros do coral da Primeira Igreja Batista levaram a semente da boa música a todas as igrejas que se originaram dela, enriquecendo ainda mais a pluralidade cultural da cidade.

“Batista Jardim Novo, Memorial, Monte Castelo formaram grandes corais. No fundo a primeira igreja batista foi uma inseminadora da cultura musical na cidade, música sacra e evangélica. Hoje, graças a Deus, a cidade está muito bem servida de músicos”. Afirmou.

 

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Referencias:

Fontes: MACHADO DA SILVA. Valdênia. A presença dos batistas no cotidiano urbano da cidade de Teixeira de Freitas no extremo sul da Bahia. Uneb campus -X. Teixeira de Freitas, 2010.

ALVES PEREIRA.Jader.Introdução. à história dos Batistas no Extremo Sul Baiano. Teixeira de Freitas BA. 2003.

De Jesus. Paulo Cesar Pereira. PIBATEF 50 ANOS – Uma história de fé. Teixeira de Freitas BA. 2017.

Veja também: 

Os evangélicos Teixeirenses : A religião dos migrantes

Mulheres parteiras em Teixeira de Freitas parte 01

Os nomes que Teixeira de Freitas já teve

O cine Horizonte

O comércio de Teixeira de Freitas

História da Expo Agropecuária de Teixeira de Freitas

O causo do Boitatá

História do Cine Brasil

O causo do nó da mortalha

Emancipação: História e memória

Tempos Sombrios: Instantâneos da Realidade

Por Daniel Rocha

Há situações que de tão estranhas beiram o absurdo. Situações que vez por outra exigem leituras e reflexões profundas, mas que também pedem o cuidado e o olhar de quem sabe que às vezes é preciso recorrer às artes, a música, a filosofia e a literatura para se ter uma visão ampla dos temas mais discutidos da atualidade. É isso que faz o poeta Erivan Augusto em seu primeiro livro Tempos Sombrios: Instantâneos da Realidade (Amazon, 2017).

Erivan Augusto Santana é colaborador do site, professor, escritor, poeta, graduado em letras e mestrando em Ciência da Educação com grande apreço a sociologia e filosofia e toda forma de arte que ajuda compreender, sob outro viés, os absurdos da realidade do país no presente.

Para Erivan Augusto Santana o que tem levado a escrever sobre as situações do presente é a vida e suas paixões, paradoxos e inquietações. Para quem ler fica evidente que o silêncio e a inércia social atual também têm provocado a sua escrita.

Por exemplo, no texto “O silêncio que atordoa” o autor frisa: “Direitos trabalhistas, humanos e sociais estão sendo destituído em nome de interesses econômicos e do grande capital, inclusive o internacional. Enquanto os mais pobres estão sendo sacrificados, os privilégios das elites continuam intocáveis (…). Entretanto, diante do exposto – com exceção dos professores -, não há manifestações contestando tal situação. Por quê?”

O livro traz uma série de textos sobre questões atuais e vai chamar a atenção dos leitores que em algum momento durante o ano foi convidado a opinar sobre alguns dos assuntos da atualidade, nesse caso o livro apresenta perspectivas enriquecedoras.

O resultado mais visível deste processo é que os textos contidos no livro Tempos Sombrios: Instantâneos da Realidade, é que quando não refletirmos melhor sobre determinados assuntos considerando a história, a arte, a filosofia e a poesia, não saímos do lugar-comum, diante de situações que de tão estranhas beiram o absurdo.

 

 

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Tempos Sombrios: Instantâneos da Realidade  está disponível no formato E-book no Amazon. Confira. 

 

“A reforma trabalhista e seus impactos” foi o tema de palestra na UNEB

 

Por Daniel Rocha

Quando somos informados pela mídia sobre a reforma trabalhista o que ouvimos e vemos? A maioria divulgou que ela representa a modernização de uma lei arcaica que reformada vai contribuir para o crescimento econômico do país.

Porém não é o que se conclui quando a lei que permitiu a reforma é analisada por especialistas da área trabalhista e pelos representantes das instituições voltadas para defesa dos trabalhadores que ,em sua maioria, encontra-se, ainda, sem entender a gravidade da mudança na CLT.

Por esse motivo, e a fim de contribuir para o melhor esclarecimento sobre o assunto, o SINDIBANCÁRIOS, sindicatos dos bancários, e a AFES  organizou na noite da última quarta-feira (22/11) no auditório da UNEB Campus -X, palestra com o tema: A Reforma trabalhista e seus impactos.  

A palestra foi ministrada pelos jurisconsultos: Cláudio Andrade, advogado do Sindicato dos Farmacêuticos da Bahia e Augusto Vasconcelos, presidente do Seeb da Bahia. O vereador Jonathan Molar (Solidariedade) também fez parte da atividade.

 

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Durante quatro horas os convidados expuseram aos trabalhadores, estudantes e sindicalistas e convidados, fatos e informações que geralmente não são destacados em alguns dos telejornais mais populares do país. A primeira palestra foi conduzida por Augusto Vasconcelos que destacou:

“Evidentemente que para tratar da reforma trabalhista levaria bastante tempo porque foram 127 artigos alterados na CLT (…) Não foi uma alteração qualquer. Não foi uma mudança cosmética (…) foi uma alteração profunda que já impacta na vida de todos as pessoas inclusive dos donos de empresas que sofrerão os danos da redução da massa salarial do país que já conta com mais pessoas ganhando e consumindo menos (…). Consequentemente essa queda da renda vai provocar a diminuição da venda e da saída dos estoques. A reforma trabalhista é um círculo vicioso que não resolve a crise do país, muito pelo contrário, agrava”.

A segunda palestra foi ministrada pelo  advogado Cláudio Andrade que de forma clara e simples denunciou:  

“Não vamos falar da repercussão da mídia que é grande, e nem da política que também é enorme, o  que devemos nos preocupar é  com a repercussão que a reforma  vai provocar no dia a dia do sujeito que sai de casa e passa a maior parte do seu dia dedicando sua energia e seu tempo ao trabalho (…) Trabalhadores que na maioria dos casos sobrevivem com salários sofríveis e tem que fazer malabarismo para garantir o pão e o feijão na mesa sem o conforto que deveria ter.”

 

Ao expressar preocupação com o famigerado discurso liberal e os recentes ataques aos direitos sociais e individuais dos trabalhadores Brasileiros, informou Cláudio:  

“A constituição de 1988 tem como objetivos a redução da pobreza e das desigualdades sociais, construir uma sociedade justa e igualitária (…) o legislador que votou pela reforma observou isso? Não (…). O objetivo da atual reforma não é reduzir a pobreza mais reduzir o custo para as empresas (…). Com a reforma essas negociações e os direitos dos trabalhadores serão flexibilizados, reduzidos ou suprimidos”.

 

Ao fim das exposições houve abertura para perguntas e debate das afirmações expostas que possibilitou novas leituras e olhares sobre a questão cujo entendimento geral aparenta contaminado pela perspectiva de alguns produtos da grande mídia, que geralmente pauta e interfere em tudo que se vê e ouve sobre o assunto.

 

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Batmania – O retorno

Por Daniel Rocha

Lembrado pela riqueza visual, produção caprichada e uma das maiores campanhas de marketing da história da sétima arte o filme Batman – O Retorno (1992) tem sua trajetória contada  e documentada em um livro, fanzine, recentemente lançado em comemoração aos vinte e cinco anos do longa ainda hoje  muito cultuado.

O livro Batmania – O retorno (2017), de Paulo Chacon, desenhista da Companhia de Quadrinhos Independentes, ajuda compreender o fenômeno que foi o lançamento e a exibição do filme  homem morcego no Brasil através de uma rica retrospectivas de textos e imagens. A qualidade do trabalho impressiona.

Ricamente ilustrado o fanzine traz detalhes e curiosidades sobre o filme e uma das maiores campanhas de marketing da história do cinema no país, que também fez grande sucesso na época, e uma entrevista realizada com Fred Schiffer, gerente de marketing da Warner Bros 1988-1993.  

Com seções dedicadas ao filme e diversas matérias nacionais e internacionais, guia de colecionáveis com todos os action figures, veículos e vídeo games lançados de 1992 até 2017, galeria de material promocional nacional, guia com o profile de todos os personagens do filme, mais detalhes sobre veículos, acessórios, Gotham City e  uma entrevista exclusivas Dave Lea, dublê de lutas do ator Michael Keaton, Jack Pedota, fotógrafo oficial do filme o livro revela os bastidores e  outras curiosidades da versão mais teatral e artística do herói mascarado no cinema.

Batmania –   O Retorno  tem 180 páginas e  formato 23 x 31 cm.  Para adquirir o livro basta entrar em contato com o autor pelo Facebook  ou pelo  e-mail editorcqi@gmail.com . 

Mobilização reuniu centrais sindicais contra as novas regras trabalhistas

Por Daniel Rocha

Entrou em vigor, no sábado 10/11/17, a nova lei trabalhista brasileira aprovada em junho. Na ocasião da entrada em vigor da lei  os representantes das principais centrais sindicais da cidade de Teixeira de Freitas, UGT, CUT, FORÇA E CTB, fizeram,  pela  manhã, uma manifestação contra a reforma no centro da cidade.

A flexibilização do regime trabalhista e o endurecimento das condições de acesso à aposentadorias faz parte de um plano de metas do governo Temer que já figura como o mais impopular e corrupto na história do país, sendo também o mais criticada pelos diversos setores da sociedade.

As novas regras vem sendo criticada por, dentre outras coisas, diminuírem horário de descanso e almoço e elevar o número de horas de trabalho e estabelecer que os acordos entre trabalhadores e empresas tenham maior valor que a lei.

De acordo com os especialistas e movimentos sindicais tais possibilidades favorecem a diminuição dos ganhos e salários. Quanto ao sistema de aposentadoria a proposta de reforma prevê ajustes e o aumento da idade mínima e do período de contribuição necessários para obter o benefício total das pensões.

Durante a mobilização os dirigentes sindicais, em um mini trio, informaram os cidadãos que circulavam pelo centro da cidade as razões do ato e os riscos da nova lei para o bem-estar dos trabalhadores comuns.

Mas qual foi a reação das pessoas diante do protesto?

“Infelizmente a população tem demonstrado que ainda está apática aos desmanches que Michel Temer está fazendo… Porém acredito que se os movimentos sociais e sindicatos persistirem na luta conseguirão frear o revés social que o país está vivenciando. O povo vai acordar quando começar a sentir na pele”. Frisou Cris Oliveira, diretora da SINDACESB, que participou do manifesto.

 

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Ainda de acordo com a sindicalista ao não compreender a fatalidade dessas mudanças os trabalhadores ficam suscetíveis a equívocos perigosos e a pobreza. “As severas medidas tomadas pelo governo já tem aumentado os índices de desigualdade e tem nos levado em direção a pobreza… Estão mudando a direção, não a marcha..” Concluiu.

 

“Precisamos nos unir para o bem de todos” diz Cedro Costa

 

Por Daniel Rocha

Cedro Costa e Silva, presidente da CUT-Bahia, esteve na cidade de Itamaraju no dia 18/10/17, onde participou de uma plenária regional  com os sindicatos cutistas do extremo sul da Bahia. Através de análises críticas, troca de ideias, opiniões e sugestões na plenária, realizada na sede dos SINDIBANCÁRIOS, as representações observaram a atual conjuntura política do país e o processo organizativo.

Na oportunidade os sindicatos foram apresentados a campanha nacional “Anula a Reforma”. Campanha do projeto de Lei de Iniciativa Popular (PLIP) que visa anular a Reforma Trabalhista através da coleta de mais de um milhão de assinaturas. Conversamos com Cedro Costa sobre o movimento sindical e reforma trabalhista.

Como o senhor avalia a situação dos trabalhadores brasileiros um ano depois do golpe?

O trabalhador nessa atual conjuntura vive o pior momento da sua vida devido o retrocesso provocado pelo golpe dado na presidenta Dilma e a aprovação de leis que chamamos de “contra reforma” que permite a retirada de direitos da classe trabalhadora, porém pouco a pouco os trabalhadores estão compreendendo o que aconteceu e estão reagindo. Não vamos aceitar esse retrocesso e nem perda de direitos, vamos continuar lutando.

Como pensa que vai reagir os trabalhadores quando a nova lei trabalhista entrar em vigor?

Os trabalhadores já estão reagindo e o pior momento será quando os efeitos desta lei começar a serem sentidos pelos trabalhadores que vão trabalhar mais e ganhar menos com as piores condições de saúde e segurança no posto de trabalho.

Vai ser uma inconformidade geral e os trabalhadores terão que dialogar mais com os sindicatos e informar os problemas que estão acontecendo e juntos fazer a reação. Portanto eu imagino que os trabalhadores vão se rebelar porque o que está colocado aí pela nova lei é o retorno ao regime de escravidão.

Além da anulação da reforma o que esperam alcançar com a campanha “Anule a Reforma”?

 

Primeiro a campanha é um momento de um grande debate da classe trabalhadora sobre a nova lei que foi aprovada. Em segundo é evidenciar através de um conjunto de um milhão e trezentas assinaturas que a população não aprova a nova lei que foi construída à revelia dos trabalhadores, logo antidemocrática e ilegítima.

Como o trabalhador sindicalizado ou não pode atuar nessa campanha?

O trabalhador e trabalhadoras, sindicalizado ou não, precisa entrar no site da CUT – BA, anulareforma.cut.org.br, baixar o formulário, colocar o nome, RG,CPF e o número do título de eleitor, e entregar em qualquer sindicato. Levar o formulário para o seu ambiente de trabalho, coletar assinaturas dos seus colegas, levar para igreja, para faculdade, para fila do mercado e para o ponto do ônibus… Os trabalhadores e trabalhadoras precisam se unir para o bem de todos.

Como o senhor avalia o movimento sindical do extremo sul da Bahia?

O movimento sindical do extremo sul da Bahia é um dos melhores movimentos sindical do estado e do Brasil por ser formado por grandes lideranças que têm um amplo conhecimento sobre as questões dos trabalhadores e das  trabalhadoras. Pra mim é o maior prazer, sempre que me convidam a região eu venho e encontro avanços e melhorias na organização (…). Por isso essa regional daqui do extremo sul é uma regional que orgulha a CUT-BA e a CUT nacional.

Algum outro comentário presidente?

Quero agradecer às lideranças sindicais do SINDACESB – Sindicato dos  Agentes Comunitários de Saúde e Endemias do Extremo Sul da Bahia , do SINTRASPESB – Sindicato dos Trabalhadores em Serviços Públicos Municipais do extremo Sul da Bahia , do STR – Sindicatos dos Trabalhadores Rurais de Teixeira de Freitas, do SINDBANCÁRIOS  – Sindicatos dos Bancários, do SINTREXBEM – Sindicato dos trabalhadores na silvicultura, no plantio, nos tratos culturais, extração e beneficiamento da madeira em atividades florestais e industriais moveleiras no extremo sul da Bahia, do SINDICELPA – Sindicatos dos Trabalhadores nas Indústrias de Celulose e Papel do Estado da Bahia e do SINDIACSCER – Sindicato Intermunicipal dos Agentes Comunitários de Saúde e de Combate às Endemias de Eunápolis. Todos vocês que fazem a luta dos trabalhadores.

 

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