Arquivo da categoria: Memórias

Vejo vocês em breve

Muito obrigado por ter visitado o site durante o ano de 2015. Estamos nos esforçando o máximo possível para melhorar o nosso portal e conteúdo disponibilizado.

Em 2016 o Tirabanha vai continuar a crescer tanto quanto possível esperamos. Vamos dar uma pequena pausa e voltamos em forma no dia 01 de janeiro de 2016.

Vejo vocês em breve. Boas Festas e Feliz Ano Novo.

O CAUSO DO CARURU NO DUQUE DE CAXIAS

Por (Daniel Rocha)

“Gentil o que você viu? Na boca da mata eu vi um assobio….Gentil o que foi fazer lá? Pequei o meu laço pro boi eu laçar… Esses são versos de uma antiga música  cantadas pelos “bates tambor”, José Silva e “Cheirinho” na década de 1970 em Teixeira de Freitas, cidade do extremo sul da Bahia.

“Os bates tambor”, como o nome diz, eram aqueles que animavam os terreiros de candomblé. Conta um autêntico batedor conhecido como Cheirinho (em memória) que um procurado pai de santo, cuja casa ficava nas mediações do centro de Teixeira de Freitas da década de 1970, reconhecia sua habilidade e sempre o convidava para tal função.

Isso porque ele era daqueles que “varava” noite  a bater tambor sem parar e nem reclamar, o segredo de tanto vigor  estava no óleo do dendê que passavam na palma da mão para não deixar “juntar calos”.

Um outro exemplo  da presença desta cultura religiosa  no passado teixeirense é o causo narrado por uma senhora de 80 anos, que vamos chamar de Dona Dú, sobre uma visita inusitada a um terreiro no distrito de Duque de Caxias em meados da década de 1980.

O causo faz referência ao “sincretismo religioso” em uma festa de São Cosme e São Damião em uma época em que o  culto a esses santos era bem popular entre alguns moradores da localidade.  

Segundo conta, naquele dia 27 de setembro de um ano esquecido seria como outro qualquer no povoado de Teixeira de Freitas se não fosse o dia de São Cosme e São Damião, dia das crianças comer caruru e doces pelas ruas e bairros da cidade.

Dona Dú  narra que estava sem o que fazer quando a vizinha dona Antônia a convidou para ir com as crianças comer um caruru de “Cosme Damião” que seria servido na casa de um amigo no então povoado de Duque de Caxias.

Acredite ou não, ela e amiga foram caminhando de Teixeira de Freitas ao povoado para apreciar a conhecida iguaria. Lá chegando Dona Dú percebeu que não era só um caruru reservado às crianças e sim uma grande festa de terreiro  dedicada aos santos.

Lembrou que mais tarde, depois do caruru,  foi iniciado o ritual e à amiga Antônia logo entrou no ritmo induzida pelos sons e batuques dos bates tambor.  Como não fazia parte do terreiro e nem era adepta do culto, Dona Dú seguiu em um cantinho com os filhos ficou a observar a atuação dos guias.

Não demorou o candomblezeiro solicitar a presença dela dentro da   roda onde ocorria o ritual. Como ela hesitou, descrevendo e gestos e falas, o guia encarou bem no fundo dos olhos e revelou: “Suncê tem o corpo fechado. Suncê é fia de nossa senhora D’Ajuda.”

Conta que ao ouvir a fala do guia recordou histórias narradas pela mãe sobre o seu nascimento e parto  difícil,  que desesperada e acuada pela situação de risco a sua genitora contava que a   entregou a Nossa Senhora D’Ajuda que concedeu a graça e a salvação de imediato.

Emocionada teve a certeza que nossa senhora D’Ajuda ainda estava ao seu lado a protegendo como a mãe em promessa pediu. Dessa forma, sua fé na santa  que já era grande ficou ainda maior. Depois disso, ela e a vizinha, retornaram para suas casas inebriadas pelo culto. Cada uma com sua fé.

A pequena narrativa mostra que ao contrário do que se pensa o culto aos deuses africanos foi uma constante nas primeiras décadas de formação de Teixeira de Freitas. Sem registros conhecidos os causos narrados por moradores mais antigos se constituem, no presente, um acervo inestimável de contos preservados oralmente.

Dessa forma, pensar a memória afro-brasileira é pensar a memória, que não é valorizada como parte da história local. Registrar é o primeiro passo para dar visibilidade ao que estar silenciado nas páginas dos jornais, livros e revistas locais.

Fontes:

Conversa informal José Silva 2013.

Conversa informal com o morador que conheci pelo “Vulgo cheirinho”.2013

Conversa informal com  uma moradora que conheci pelo vulgo Dú.2013

Veja também:

Daniel Rocha

Historiador

Contatos do WhatsApp: (73) 998118769

 

Os Causos da Rua do Brega: Parte 01

Por (Daniel Rocha)

A partir do surgimento do povoado de Teixeira de Freitas, em meados da década de 1950, as margens das estradas abertas pela empresa madeireira de Eleozipio Cunha  e  a abertura da  rodovia federal BR – 101,  dá-se início o processo   de urbanização desta parte do extremo sul da Bahia.

A grande área verde ocupada pela mata atlântica preservada começa a  ser   intensamente desmatada  para  dividir  espaço com a agricultura e  casas de comércios que  dinamizam a economia como um todo. A devastação  favorece a expansão urbana do povoado fundado por  famílias  negras.

Em menos de trinta anos o centro do pequeno povoado, subordinado sucessivamente a Alcobaça e Caravelas, expande atraindo  trabalhadores  de variadas categorias,  oriundos de  diversas parte da região  e dos estados  vizinhos de Minas Gerais e Espírito Santo.

A chegada  do primeiro órgão público estadual do povoado o DERBA – Departamento de Infraestrutura de Transportes da Bahia, em  1964,  aumenta  ainda mais o movimento dos bares e  pensões ali existentes,  muito frequentado por   madeireiros e agricultores locais.

Neste contexto é que surgem as mulheres prostitutas que vendiam os serviços desejados pelos seus clientes nos bares, boates e casas de diversões  na rua Mauá, hoje mais conhecida como a rua do “Brega” ou “Zona do Baixo Meretrício”, no extremo norte do povoado de Teixeira de Freitas e que atendia toda  adjacências.

À rua que  no presente fica no centro da cidade  ofertava e ainda oferta os serviços próprios do ofício ao público masculino interessado, homens trabalhadores solteiros ou casados, cumpridores de suas obrigações.

Por isso para tentar conhecer um pouco mais da rotina do lugar  recorri aos relatos e causos contados pelos  antigos frequentadores que pediram para não ser identificados porque, como se pode imaginar, não gostam de tornar pública as visitas realizadas no lugar. Por essa razão  os nomes que serão citados são fictícios.

Todos os causos narrados pelos ex-frequentadores procurados são carregados de silêncios,nostalgias e anedotas que favorecem ainda mais as especulações sobre o funcionamento do lugar, por isso destaco que os textos  estão  de acordo com as perspectivas e as definições das fontes e pessoas consultadas, assim as versões postas não sendo mentira, são verdades até que se prove o contrário.

Como a versão e lembranças  do senhor “João de Luiz ” que diz que tudo começou com um pequeno bar improvisado  na descida da rua Mauá  “ em um Boqueirão”  em um lugar que além de  uma casa era também uma bar  que era conhecido pela alcunha Café das Flores. O recinto ofertava bebidas e  ás dependências para o usufruto dos clientes.

Através dos  causos contado por este morador é possível conhecer um pouco mais das  tipicidades dos sujeitos do povoado que buscavam  o pioneiro estabelecimento que dizem “abriu precedentes para outros comerciantes do ramo”.

O Causo do Café das Flores

Tudo começou na década de 1950 com a inauguração do Café das Flores, um bar improvisado em uma casa simples no valão depois de onde foi o cemitério antigo próximo a atual rua Afonso Pena.

O povoado de Teixeira de Freitas, que provavelmente nesta época era conhecido por outros nomes, se entendia do trevo da Casa Alves até a praça dos leões, ou seja o Café das Flores ficava em um lugar desabitado do povoado.

Nessa casa bar uma mulher conhecida por Teresa e outras duas mulheres atendiam seus clientes em pequenos quartos anexados. Segundo contam eram poucas mulheres para muitos homens que vinham de diferentes partes do povoado para vender suas produções na feirinha do comercinho.

No Café das Flores “às mulheres eram como mato carrapicho , cortava mas não matava”, por isso eram as preferidas de todos os homens da zona urbana e da zona agrária, clientes que este que usavam cavalos e carroças como transporte para chegar até o recinto.

Se hoje é comum ver diversos carros estacionados em frente as casas de massagens, naquela época eram os animais que se destacavam parados nas proximidades do lugar. O sucesso da casa foi meteórico e por isso não apenas no dia de feira livre, mas também em outros da semana a casa passou a ser procuradas por homens que sempre que chegavam no povoado para vender ou dar alguma coisa para a dona Tereza do comércio.

Segundo a narrativa do causo, por essa razão, não demorou as mulheres, donas de casa e mãe de muitos filhos, perceberem que os maridos tinham outros interesses além de vender produtos na feira.

Tanto que uma delas “mulher de pavio curto” tomada pela fúria da desconfiança, e lembrada por ter perguntado ao marido onde estava indo em um horário estranho. Ele sem titubear contou que estava indo levar uma banana da terra para uma cliente que tinha um ponto perto da feira, ela então com todas as forças, partiu para cima dele o acusando de está ofertando outro tipo de banana no brega.

Atualizado em 08/12/17

Vejam também:

O Saneamento Básico na História de Teixeira de Freitas parte 1

O causo do Batizado

O causo do vinho em Helvécia

Futebol em Teixeira de Freitas: Parte 01.

Memória Estudantil

 

O causo do Corpo- Seco

Por Daniel Rocha.

Dizem que a maldição do  Corpo-Seco ou Unhudo  recai sobre o corpo de pessoas que durante  a vida bateu ou respondeu a mãe.  Segundo a lenda, quando  um filho malcriado    morre a maldição o transforma em  uma criatura maligna que tem o costume de ficar escondido entre as árvores esperando para dar o bote.

Uma vez amaldiçoado o ser passa a matar pessoas com  ” o abraço da morte”.  Há relatos da aparição do lendário Corpo-Seco no estado do Amapá, Paraná, Minas Gerais  e principalmente no Centro- Oeste do Brasil. Na Bahia a maldição é pouco conhecida.

Aqui em Teixeira de Freitas um acontecimento semelhante assustou os moradores na década de 70. Um Corpo – Seco desenterrado no cemitério da cidade em 1973, hoje conhecido como cemitério velho, assustou a gente do então povoado contam os moradores, Isabel Rodrigues, Leide Paraguai,Valdir Matos e Evilásio Virgulino.

A primeira morador a fazer menção ao fato foi Isabel Rodrigues que em entrevista em maio de 2012 recordou do fenômeno do corpo seco.

“Nunca o povoado tinha visto algo parecido, diversos fotógrafos lucraram vendendo o registros fotográfico para outras cidades da região, que também vinham a Teixeira para conferir se era mesmo verdade.”

Segundo Leide Paraguai  o causo é verdadeiro  ela era menina quando  ouviu  a conversa sobre a aparição do Corpo seco e se dirigiu ao cemitério, com a intenção de  conferir com os próprios olhos a veracidade dos boatos.

Valdir Matos, na época com 20 poucos anos,   lembra que se dirigiu ao local para conhecer o motivo de tanto falatório de perto e  ao contrário dos outros entrevistados, afirma que não viu nada demais, “só o corpo seco pendurado.”

O relato mais engraçado sobre o assunto  foi feito por Márcia Mariana,70 anos, que afirmou  que o ser do além estava com   ” o pinto aceso”  esse fato gerou grande repercussão  no povoado.  Questionada  se havia estado no local no dia  disse que não, más que alguém  levou para ela  vê uma foto que circulava entre todos.

Isabel Rodrigues recorda que viu uma dessas fotos, aliás tomou conhecimento do causo através da fotografia, que segundo ela rodou a região e atraiu a atenção de inúmeros curiosos.

O CAUSO DO CORPO – SECO

De longe o cemitério do povoado de Teixeira de Freitas parecia uma chácara, logo aquela paz presente nas redondezas e adjacências chegaria ao fim. O coveiro ao abrir uma nova cova se deparou com um corpo sem identificação enterrado no local. Contam os entrevistados que ao analisar o achado concluiu que  que estava diante de um  Corpo – Seco.

O ti-ti-ti logo se espalhou, uma senhora que visitava a casa da sogra, vizinha ao cemitério, foi conferir o que estava acontecendo e levou um susto tão grande que perdeu o filho que esperava, graças a este fato conseguimos datar o acontecimento  pois para ela o ano de 1973  foi inesquecível devido a dolorosa perda.

Já era quatro da tarde, a luz do sol já estava fraca, neste horário nunca tinha visto o cemitério tão lotado. O coveiro percebendo o grande movimento ergueu junto a uma árvore o corpo negro alto e seco para que a multidão que lotava o local pudessem ver a imagem assustadora.

Logo diversas interpretações sobre o fato eram criadas e distribuídas pela cidade, dentre elas a de que o corpo era de um morador muito ruim que se enforcou e foi enterrado clandestinamente pela família e  por conta disto a terra não quis comer.

A notícia se espalhou como rastilho de pólvora pelo povoado. Os fotógrafos logo  revelaram com rapidez  o registro da aparição misteriosa. Nesta década(1970) fotos bizarras tinham saída, quem não foi ao local ver  conferiu  uma das diversas versões, algumas com montagem. Uma  destas fotos trazia o defunto “com o pinto aceso” .

Três dias se passaram, tal coisa tornou se pública, gerando grande escândalo e manifestações.  O acontecido  fez o povo refletir e apavorar-se diante da certeza da morte, não só os pobres como também os ricos, ao ponto de sensibilizar representantes da Igreja Católica que para por fim aquela polêmica toda recolheu o corpo e enviou para a sede Alcobaça quem sabe não fez isso para evitar  evitar o ataque do lendário ser?

No presente as pessoas demonstram medo e graça ao lembrar da trágica figura, o causo revela que enterros clandestinos fez parte da rotina do povoado durante as décadas de 1950 e 1960  quando as pessoas deixaram de sepultar nos cemitérios das propriedades rurais seus entes mais queridos para enterrar  em locais privados no centro urbano da cidade.

FONTES:

Wikipédia

Entrevistas com:

Isabel Rodrigues, 2012.

 Daniel Rocha Historiador, Bacharel em Serviço Social, Pós-Graduado em Educação à Distância (EAD), Cinéfilo e blogueiro criador do blog Tirabanha em 2010.

Atualizado 01/11/15

Veja também:

Praça da prefeitura

O causo do Tatu papa -defunto.

Mulheres parteiras parte 02.

Mulheres parteiras em Teixeira de Freitas parte 01

Os nomes que Teixeira de Freitas já teve

O cine Horizonte

O comércio de Teixeira de Freitas

História da Expo Agropecuária de Teixeira de Freitas

O causo do Boitatá

O causo do nó da mortalha

Emancipação: História e memória

 

O causo da mãe de pega

Por Daniel Rocha*

No início dos anos oitenta, relata o senhor Júlio Elias que a falecida esposa conhecida como Mocinha “quebrava o galho de muita mulher barriguda que não tinha onde ganhar neném”.

Boa parteira além de “agarrar menino ” indicava os melhores remédios caseiros “feito com folhas”. Um dia na cidade de Teixeira de Freitas , conta ele, uma mulher a procurou desesperada para ganhar o bebê pois , sem convênio com o INANPS -Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social, não tinha como ganhar nos hospitais da cidade.

Não era do seu feitio negar ajuda, por isso fez o parto da mulher que mais tarde migrou para o estado de São Paulo com a filha saudável. Ele, o Sr. Júlio, e a esposa Mocinha voltaram para a propriedade rural do município de Alcobaça para passar uns tempos.

Anos depois, na casa da roça, chegou a grata mulher com a filha procurando a parteira dona Mocinha. Após os cumprimentos a visitante explicou que a filha desde que entrou na escola vinha apresentando problemas de cabeça.

“Tinha inteligência mas não guardava nada na mente. Os médicos não tinham ciência para curar”. 
Seguidora de uma religião de matriz africana, a mãe procurou um terreiro em São Paulo, lá ouviu dos “guias” que a única pessoa que poderia dar o livramento à filha era a mãe. 
Como não entendeu a mensagem do orixá, procurou outro terreiro e ouviu a mesma coisa. Sem solução para o problema, foi em busca de outro pai de santo que encontrou “um guia” esclarecedor da dúvida:

– “É a mãe de pega, a primeira a botar a mão “enriba” dela, por aqui ninguém cura”.

Esclareceu o ser espiritual que à “mãe de pega” era a parteira que tinha pegado ela quando nasceu. Diante da afirmação percebeu então que a culpa não era dos outros orixás e sim “dos ouvidos que estavam tapados.”

De volta a Teixeira de Freitas procurou saber, pelos vizinhos o novo endereço do casal e assim que obteve embarcou no ônibus em direção ao local. Quando chegou foi recebida com muito carinho e emoção. Depois Dona Mocinha ouviu atentamente os motivos da visita da estimada amiga. 

– Minha mulher até brincou com ela…

Disse que “tinha virado crente” mas depois desmentiu sorrindo.

Os guias orientaram que o remédio para cura do mal estava em um líquido orgânico do próprio corpo da menina.

Conta que anos depois, Dona Mocinha recebeu uma carta que comunicava à cura da filha de pega, com agradecimentos dirigidos aos guias e a ela.

 Pensar a memória afro-brasileira é pensar a memória, que não é valorizada como parte da história local. Registrar é o primeiro passo para dar visibilidade ao que estar silenciado nas páginas dos jornais, livros e revistas locais.

Causos Narrado por Júlio Elias em 2012.

Daniel Rocha*

Historiador, Bacharel em Serviço Social, Pós-Graduado em Educação à Distância (EAD), Cinéfilo e blogueiro criador do blog Tirabanha em 2010.

Veja também

Os nomes que Teixeira de Freitas já teve

O cine Horizonte

O comércio de Teixeira de Freitas

História da Expo Agropecuária de Teixeira de Freitas

O causo do Boitatá

História do Cine Brasil

O causo do nó da mortalha

Emancipação: História e memória

 

 

Histórias da fazenda Cascata

Por Daniel Rocha*

Nunca virá coisa igual, o  primeiro filho não se chamava José e morreu, o segundo se chamava José Bernardo e viveu o terceiro não se chamava José e morreu.  O quarto   foi batizado com o nome de José Antônio teve a mesma sorte do segundo,v nasceu e conheceu o mundo.

No dia de São José nasceu o quinto, uma menina, que não recebeu um nome de imediato, naquela época demorava mais um pouco para dar nomes “não é como hoje que já se chama pelo nome depois do primeiro ultrassom”.

Até aqueles dias da década de 1950, tudo era alegria, quando já estava com mais idade a menina começou a passar mal, teve que ser levada da fazenda Cascata para Alcobaça, de canoa, pelas águas do rio Itanhém.

A morte parecia inevitável, acompanhada pela comadre a mãe foi em busca de atendimento médico. O silêncio do rio é de morte, no desce e sobe do remador a comadre observou:

– Essa menina ainda não tem nome, ela nasceu no dia de São José porque não a chama de Maria José?

A conversa foi o assunto da viagem, quando chegaram a Alcobaça para passar pelo médico a menina já havia melhorado, estava bem de saúde. A mãe então a batizou com o nome sugerido. De volta a Cascata o pai, Quincas Neto, a esperava.

Ficou impressionado com o fato de a filha caçula ter sido curada depois que a mãe decidiu a chamar de Maria José. Lembrou-se dos filhos perdidos e os vivos. Vibrou dentro da sua alma um sentimento de gratidão a Deus e a São José.

Prometeu então construir a igreja pelas graças alcançadas. No início da obra pediu que cada um dos trabalhadores jogasse as pedras nos alicerces do futuro templo,  para  se sentir  parte daquela  daquela comunidade.

Qincas Neto não era um  homem de duas palavras, por isso não apenas construiu a igreja como pediu aos filhos  para batizar os futuros descendentes, netos, com o primeiro nome de José. “Por isso na família todo mundo tem o nome de José.”

Este causo foi contado por José Sérgio em frente à igrejinha de São José na Fazenda Cascata. Lugar que ajudou á desenhar a economia e a identidade do próspero município de Teixeira de Freitas.

Um fato digno de nota é que o povoado de Teixeira de Freitas em seus primeiros anos de existência, foi chamado de São José do Itanhém. Nome que  pode ter contribuído para que a primeira povoação vinga-se enquanto cidade.

Segundo o IBGE (instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) Em 14 de fevereiro de 1957, o chefe da agência de estatística de Alcobaça, o então povoado de São José do Itanhém, foi batizado com o nome de Teixeira de Freitas, em homenagem ao ilustre baiano pai da estatística Brasileira.

Fontes

Teixeira de Freitas histórico. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/cidadesat/historicos_cidades/historico_conteudo.php?codmun=293135 > Acesso em: 05 de agosto 2013.

Entrevista com Zé Sergio, Maio de 2013.

Daniel Rocha da Silva*

Daniel Rocha da Silva* Historiador graduado e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com.

O Conteúdo deste Site não pode ser copiado, reproduzido, publicado no todo ou em partes por outros sites, jornais e revistas sem a expressa autorização do autor. Aja de forma honesta e responsável, respeite o conteúdo e sempre dê crédito ao autor. PLÁGIO é considerado crime. Paciência tem limites.

Crédito das Fotos: Acervo Foto Fazenda Cascata.

.

Contato:

Samuithi@hotmail.com ou tirabanha@tirabanha.com.br

Fecebook

Veja também

O comércio de Teixeira de Freitas

História da Expo Agropecuária de Teixeira de Freitas

O causo do Boitatá

História do Cine Brasil

O causo do nó da mortalha

Emancipação: História e memória

Emancipação: História e Memória

Por Daniel Rocha*

Em 15 de novembro de 1984, foi realizado o plebiscito onde os moradores do povoado de Teixeira de Freitas, então dividida pela Avenida Castelo Branco entre os municípios de Caravelas e Alcobaça, escolheram não depender mais das cidades-sede. Um ano e alguns meses depois, 1985, houve a eleição que elegeu Timóteo Alves de Brito como o primeiro prefeito da cidade recém-emancipada.

Segundo a moradora Lília do Carmo,48 anos, no dia da emancipação política da cidade  houve uma grande festa nas principais avenidas e na praça da rodoviária hoje conhecida como  Praça da Bíblia, lembra ainda que a emancipação trouxe  grandes expectativas aos moradores.

“Minha mãe quando chegou da cidade de Candeias para morar cá de início não gostou muito porque a cidade não tinha estrutura, nossa rua , D. Pedro Primeiro no bairro Wilson Brito  mesmo era só o barro, mas como a emancipação era promessa de melhoras  resolveu ficar”.

A expectativa que refere foi criada envolta da realização do plebiscito em 15 de novembro de 1984 onde os moradores do povoado de Teixeira de Freitas optaram pela emancipação. Um ano depois, 1985, foi realizada eleição para a escolha do primeiro prefeito que só assumiria o cargo em 1986. A movimentada eleição deixou eufórica o grande povoado que na época contava com 50 mil habitantes.

De acordo com Jailson C. Pereira Guerra e Leonardo Santos Silva, no trabalho mais completo sobre o assunto O processo de emancipação política de Teixeira de Freitas (1972-1985),   disputaram a prefeitura os candidatos; Franscitônio Pinto, Vitor Ferreira de Guimarães e o vencedor Timóteo Alves de Brito.

Ainda de acordo com informações do trabalho dos autores, durante a campanha houve discussões acaloradas “ânimos exaltados” e briga entre partidários, 11 mil títulos concedidos irregularmente foram anulados por suspeita de fraude no cartório eleitoral da cidade. Devido a violência e confrontos entre eleitores, tropas federais foram enviadas ao município. Duas mortes relacionada ao processo foram registradas.

O clima de apreensão e violência foi noticiado por um jornal da região e outro do país. De acordo com o jornal, Extremo Sul Agora, de dezembro de 1985. ” Graças às presenças de magistrados das comarcas do extremo sul e à chegada providencial de reforços do Exército Brasileiro, o processo transcorreu num clima de tranquilidade, embora com muito rigorismo, afastando definitivamente as especulações.”

Já o jornal paulista, O estado de São Paulo, de 21 de novembro de 1985 com referência à eleição em Teixeira de Freitas, informou que pós a apuração um recurso do PMDB estava para ser julgado no tribunal superior eleitoral contra decisão do TRE baiano que considerou válidos mais de 11 mil títulos eleitorais anulados pela juíza da Comarca.”

Timóteo Alves de Brito venceu a eleição com 12.660 votos e no dia primeiro de janeiro de 1986 foi empossado prefeito na primeira sessão da câmara realizado no Country Clube Jacarandá, enquanto o povo, na rua,  esperava que o novo prefeito  representasse os interesses das massas mais pobres.

No livro, Os “desbravadores” do Extremo sul da Bahia. História da presença franciscana nessa região -raízes e frutos, observou o Frei Elias que a emancipação não foi  um bom negócio  apenas para Teixeira de Freitas  mas também para a sede Alcobaça.

“Esta emancipação era muito importante, tanto para Teixeira como para Alcobaça. Nos últimos anos, o prefeito residia mais em Teixeira do que no litoral, que ficou quase abandonada, enquanto Teixeira não conseguia desenvolver se livremente.”

O prefeito de Alcobaça Wilson Brito, que administrava a cidade até a posse do primeiro prefeito eleito, disse em entrevista no ano 1985 a revista, As Origens Teixeira de Freitas, que a nova cidade estava fadada a ocupar a posição de capital do extremo sul da Bahia.

Encantado com o potencial agrícola, lembrou que Teixeira de Freitas já nascia como o maior produtor de mamão do mundo e o segundo polo graneleiro do estado.

No presente, 30 anos depois, é triste perceber como um dos alicerces que ergueram a cidade,  agricultura e pecuária , não resistiu à falta de investimentos do estado e a agressividade da monocultura industrial.

Passando de “pau para cavaco”, Lília do Carmo recorda que no primeiro aniversário da cidade  foram realizados eventos culturais, religiosos e uma festa para toda a população teixeirense.

Festa que ainda hoje,mesmo recebendo outras denominações nas últimas décadas como Axé Teixeira, Viva Teixeira, Teixeira folia, nunca deixou de ser chamado pelos moradores de “ festa da cidade” graças a memória das festividades da emancipação ainda muito forte entre todos aqueles que testemunharam o momento mais importante da nossa história política.

Atualizado em 26/03/16

Referencial:

GUERRA, Jaison C. Pereira; SILVA. Leonardo Santos. O processo de emancipação política de Teixeira de Freitas (1972-1985). UNEB 2010.

HOOIJ, Frei Elias. Os desbravadores do Extremo sul da Bahia – História da presença franciscana nessa região -raízes e frutos Belo Horizonte, 2011.

BANCO DO NORDESTE, As origens. Teixeira de Freitas, Fortaleza – Ceará. P.05-07, Janeiro 1986.

Daniel Rocha*

Historiador, Bacharel em Serviço Social, Pós-Graduado em Educação à Distância (EAD), Cinéfilo e blogueiro criador do blog Tirabanha em 2010. Contato Tirabanha@tirabanha.com.br

 Texto atualizado em 27/09/14

Editar

 

 

 

Infância em Teixeira de Freitas

 

Por Marcos Marcelo *

Em uma época em que as brincadeiras infantis são por meio do mundo eletrônico, alguns anos atrás a diversão era totalmente diferente. Nas escolas como Ceprog, Ângelo Magalhães, Colégio Rui Barbosa e entre outros, brincava-se de boca bocaça, amarelinha, brincadeira do elástico, pique- esconde, queimadas, pega -pega e outras que fizeram parte e saudade dessa grande fase de nossas vidas.

Nos bairros as diversões dos meninos eram tantas e tinha cada um a seu tempo. A época em que a turma jogava bolinhas de gude, outra o pião era a bola da vez, enfim soltar pipa. As meninas brincavam de escolinha, fazer comidinha e arrumar as bonecas.

Teixeira de Freitas também foi cenário dessa febre infantil, por todos os lados, por todos os bairros. Uma das paixões dos homens de hoje em dia ao perguntá-los das saudades das brincadeiras, uma das mais citadas é o futebol de travinha, onde realizavam torneios amadores e era uma forma de envolvê-los mentalmente e fisicamente.

A brincadeira favorita entre as mulheres na infância era o “cai no poço, quem tira? É meu bem. Quem é o seu bem?” fulano… Sem contar os brindes dos álbuns de figurinhas, os baleiros encantadores repletos de doces e chicletes sucessos na época como o chiclete ploc.

 

Depois da sessão da tarde da rede globo, era hora de ir para rua encontrar os amigos do bairro incentivados pelo filme que era exibido a brincadeira começava. Jogar a famosa “pelada”, jogar queimada com as meninas mais cobiçadas da rua e como já dizia o ditado: A gente era feliz e não sabia!

 

Não tínhamos celulares, tablet, não acessávamos facebook e outras redes sociais. Fotos? Era uma dramatização aquelas lembranças da escola que as crianças tiravam em cima da uma mesa toda enfeitada com a bandeira nacional.

 

Contávamos os dias, as horas, os minutos e os segundos para com a nossa família reunida irmos ao Parque de Exposições de Teixeira de Freitas, ficávamos o ano todo esperando chegar essa época para os nossos pais comprarem um sapato e uma roupa nova, para podermos apreciar ao show de calouros que era uma grande atração e, ouvir a voz inigualável e marcante em nossa memória do Valtinho da Power Som.

 

A festa da cidade era na praça que hoje é a praça da bíblia, não existiam blocos na avenida, as equipes eram Makakreó, Equipapel, Equipikaço, Junso e Furacão 2000 entre outras. Gincanas educativas, culturais de uma época que com certeza não voltam mais, ficarão guardados em nossas memórias.

* Marcos Marcelo

Pesquisador, Bacharel em Serviço Social, Produtor Musical, Compositor, Publicitário e blogueiro.

E-mail: marcelomusico@tirabanha.com.br