Teixeira de Freitas e o calor de 1987

Por Daniel Rocha

Não é do seu conhecimento, mas em 1987 a falta de chuva e uma onda de calor com altas temperaturas, varreu a região do extremo sul  da Bahia e colapsou a agropecuária  regional e o sistema de abastecimento e distribuição de água da cidade de Teixeira de Freitas.  Ocasionado pelo  fenômeno atmosférico oceânico El Niño a estiagem atingiu a população trabalhadora mais pobre e os posicionamentos políticos da época.

Em conformidade com a  perspectiva publicada na reportagem do  jornal A tarde de  09/11/1987,  a grande onda de calor e estiagem que atingiu a região  prejudicou as lavouras e os pastos, causou grandes preocupações  aos agricultores e pecuaristas.

Isso porque, de acordo com as estimativas do prefeito da cidade de Medeiros Neto e também secretário da Associação dos prefeitos do Extremo Sul da Bahia, Adelgundes Serapião, a produção do leite e da carne   foi reduzida a 60% e dos produtos agrícola como mamão, melancia, abóbora, cacau e café a 80 %, em relação ao ano anterior.

“Os produtores estão tendo dificuldades com os bancos, que vêm praticando uma política de juros insuportáveis e injustos (…). Como solução, as autoridades competentes deveriam prorrogar os débitos e suspender os juros e correção monetária e dar uma injeção de novos recursos para o extremo sul. Isso seria uma decisão justa e honesta dos que prometeram mudar a Bahia.”

Frisou o secretário carlista em defesa dos interesses dos agropecuaristas se referindo no fim da fala ao governador Waldir Pires (PMDB) eleito na primeira eleições diretas após o regime militar em 1986, que rompeu com a hegemonia política de Antônio Carlos Magalhães, super ministro das comunicações do governo Sarney, que boicotou o eleito de todas as formas no âmbito federal.

Ainda de acordo com a narrativa do jornal que também fez oposição ao governo eleito nas eleições para governador de 1986, a forte onda de calor e estiagem não atingiu apenas os produtores e os moradores da zona rural, mas também a população urbana e a massa trabalhadora.

Aliás,  queda na produção  fez subir o índice de desemprego na região do extremo sul, 70%, e o número de pessoas fora da força de trabalho em todos os níveis.  Além disso, os moradores de cidades como Medeiros Neto e Teixeira de Freitas também tiveram que suportar o desabastecimento em série de água devido ao péssimo serviço prestado pela Empresa Baiana de Água e Saneamento S.A. (EMBASA).

Desabastecimento causado em parte pelo defasado sistema de abastecimento instalado em 1974 que  atendia apenas 01 a cada 05 pessoas residente na zona urbana, ou seja, 25 mil dos 125 mil habitantes da cidade que mesmo diante da situação recebiam da empresa contas com valores exorbitantes.

Isso fez com que os moradores mais pobres e sem acesso a serviço de abastecimento recorrerem  a córregos, rios, lagos e poços para executar trabalhos domésticos ficando dessa forma vulneráveis a contaminações e acidentes como o  desabamento que vitimou uma mulher e os filhos na Biquinha do bairro Teixeirinha nesse período.

Dito isso, é possível supor com base na construção narrativa do jornal que a população trabalhadora comum foi a mais prejudicada com a concentração de calor, a falta de empregos na região e com a incapacidade da estatal de abastecer a população da época. Que os oposicionistas aproveitaram a circunstâncias para atacar o governo recém-empossado, dramatizando ainda mais as situações dantes ignoradas.

Fontes e créditos

Notícia e reportagem sobre a estiagem:

LIMA, Evandro. Estiagem preocupa agricultores. Jornal A tarde. 28/10/1987.

LIMA, Evandro. Estiagem no extremo sul caracteriza uma seca sem precedentes. Jornal A tarde. 06/11/1987.

 Informações sobre o fenômeno El Niño:

CAVALCANTI, Iracema Fonseca de Albuquerque; FERREIRA, Nelson Jesus; DIAS, Maria Assunção Faus da Silva; SILVA, Maria Gertrudes Alvarez Justi da. Tempo e clima no Brasil. [S.l: s.n.], 2009.

AZEREDO, Thiago. El El niño e la niña. Disponível em http://educacao.globo.com/artigo/el-nino-e-la-nina.html. Acessado em janeiro de 2018.

Informações sobre a eleição de Waldir Pires em 1986

SOUZA. Belarmino de Jesus. A conquista da Bahia – O sudoeste baiano na eleição de Waldir Pires (1986) e as disputas pela municipalidade em vitória da conquista. Disponivel em: http://www.snh2013.anpuh.org/resources/anais/27/1364678744_ARQUIVO_Textocompleto-BelarminoSouza.pdf

Wikipédia, a enciclopédia livre. Waldir Pires. Disponível   em https://pt.wikipedia.org/wiki/Waldir_Pires

Sobre o posicionamento político do jornal A tarde  durante a campanha:

A tarde. Consuelo Novais Sampaio colaboração especial. Disponível   em: http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-tematico/tarde-a

Sobre a insuficiência do sistema de abastecimento na década de 1970 e a busca por outras fontes pelos moradores.

O saneamento básico na história de Teixeira de Freitas. Parte 01

O saneamento básico na história de Teixeira de Freitas. Parte 02

Consulta e Colaboração:

Marielson Ribas.  Matemático. Lattes.

Foto: Mulher carregando lata de água na cabeça. Bairro Teixeirinha década de 1980.

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X. Latees.

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

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A itinerância das mulheres prostitutas em Teixeira de Freitas: Parte 02

Por Daniel Rocha

Um mês antes de passar pelo estabelecimento do bairro São Lourenço, visitei uma casa do ramo situado na Avenida Getúlio Vargas em maio de 2018, a fim de saber mais sobre a itinerância das profissionais que atuam em Teixeira de Freitas. Ainda são oriundas de outras cidades como as das décadas de 1970?

No  local, que também é gerenciado por uma mulher, conversei informalmente com duas capixabas, 30 e 35 anos, oriundas da capital daquele estado, nomes preservados, que responderam de forma informal alguns questionamentos sobre origem e atividade.

Depois de familiarizadas com nossa presença, quis saber das atendentes se Teixeira de Freitas ,BA, faz parte da rota de trabalho das profissionais do sexo que transitam pela região  como sugere os relatos das décadas de 1970 e 1980.

De acordo com elas não existe uma rota ou essa noção de itinerância entre as profissionais que  passam temporada na cidade .  “Geralmente há trocas de informações sobre o melhor lugar do momento para ganhar dinheiro. Se existe essa rota ela é natural.” Afirmou uma delas.

Tal como as primeiras profissionais ouvidas no primeiro texto,  as  mulheres que atuam na segunda casa visitada não ficaram à vontade para informar detalhes sobre a vida privada, mas se declararam “mães com contas para pagar e filhos para criar”, sem contudo demonstrarem sentimentos de alegria, culpa ou melancolia por exercer o ofício .

Diante da afirmação quis saber mais sobre os motivos que levaram a optar pelo estilo de vida e profissão, ao qual disseram que optaram levadas pela necessidade de ganhar dinheiro , cuidar, manter e educar os filhos.

Ainda de acordo com elas essa é uma informação que não gostam de compartilhar porque a maioria dos clientes “gostam de fantasiam as mulheres da profissão como sendo mulheres sem escrúpulos ou limites definidos”.

Por essa razão, sendo procuradas para atender fantasias e necessidades e que também  não fazem questão de ser simpáticas com quem não está disposto a pagar e não se sentem culpadas ou melancólicas por serem mulheres profissionais do sexo.

Tal informação permitiu relacionar as situações vividas por elas com as afirmações feitas por  Diniz (2006) que declara que as mulheres foram e, ainda são ensinadas a sacrificar e a negligenciar seus próprios desejos para suprir as necessidades dos outros e potencializar a dos maridos e dos filhos.

Ao se declararem provedoras dos filhos e família essas mulheres reforçam a ideia de que também são frutos de uma construção sócio histórica, sobre o papel feminino tradicional, que ensina que a mulher precisa se sacrificar em detrimento dos outros, filhos, marido e família.

Discurso  que também é reforçado pelas instituições sociais como a escola que  segundo Daniela Finco (2003)   não está neutra, pois participa sutilmente da construção da identidade de gênero e de forma desigual desde as primeiras relações da criança no ambiente coletivo da educação infantil.

Diante do exposto, registrado neste e no texto anterior, foi possível observar que de fato existe uma itinerância, uma rota natural, não organizada e abrangente, onde circulam essas mulheres em busca de renda em locais de grandes aglomerações e também de privacidade em locais não fixos. Que essas mulheres, trabalhadoras da economia marginal, não estão isentas de cobranças relacionadas  ao papel feminino construído socialmente.

Fontes e créditos

DEL PRIORE, M. (2001). Apresentação . Em Mary Del Priore (Org.), História das Mulheres no Brasil, p. 7-10. São Paulo: Editora Contexto/Editora UNESP.

FINCO, Daniela. Relações de gênero nas brincadeiras de meninos e meninas na educação infantil: o desafio da co-educação.Pro-Posições. v. 14, n. 3 (42) – set./dez. 2003.

DINIZ, Gláucia R. S. Gênero, casamento e família: interações entre novos modelos e papéis. In: 2006, Florianópolis. Anais do Seminário Internacional Fazendo Gênero 7. Florianópolis: Editora Mulheres, 2006. p. 1-7. Disponível em: < http://www.fazendogenero.ufsc.br/7/artigos/G/Glaucia_Diniz_05_B.pdf>. Acesso em: 21 nov. 2018.

DE JESUS, J.; ALVES, H. Feminismo transgênero e movimentos de mulheres transexuais. Revista Cronos, v. 11, n. 2, 28 nov. 2012.

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

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A ITINERÂNCIA DAS MULHERES PROSTITUTAS EM TEIXEIRA DE FREITAS: Parte 01

Lembranças de uma das vítimas da barragem improvisada no bairro Santa Rita

Por Daniel Rocha

Hlton Silva de Souza de 18 anos, foi uma das vítimas do colapso de uma barragem improvisada sobre um córrego no bairro Santa Rita em 1982. As irmãs Edna Souza e Josete Souza entraram em contato com o site, via Whatsapp, para compartilhar lembranças e perspectivas em memória do irmão e dos  padecidos ignorados pelos relatos e registros oficiais.

Filho de migrantes mineiros, Angelina Alves da Silva e José Paulo, em memória, Hilton morava com os pais e a família numerosa, 15 pessoas, em uma casa de madeira no bairro Santa Rita, na rua próximo ao Posto Pioneiro que dá acesso ao bairro.

Segundo contou Josete, que atualmente reside na cidade de São Mateus,ES, antes de chegar em Teixeira a família morou em uma pequena propriedade do avô na zona rural de Itanhém, e chegou no então povoado de Teixeira de Freitas em 1976 em busca de trabalho e  escola para os filhos.

 Brincalhão e carioso, Hlton sonhava em se tornar policial Militar e já se encontrava inscrito no concurso. Trabalhador, ajudava o pai que atuava como carroceiro e nas horas vagas vendia leite e fazia extras, bicos, pelo então  povoado.

Naquela época,  década de 1980, alguns jovens viviam como pardais circulando pelo povoado e se submetendo a exploração laboral sem qualquer tipo de contrato formal  ,estabilidade e expostos a todo tipo de sorte e acidentes. “Uma juventude sem prazer e perspectiva.” Afirmou Frei Elias ao comentar as consequências do êxodo rural para a cidade em seu livro lançado em 2012.

Por essa razão, revelam as irmãs, Hlton que também era conhecido como Cula, foi chamada por um amigo, “Chicão” com quem costumava fazer extras, “bicos”, para trabalhar por algumas horas no desentupimento de um bueiro que dava vazão a água represada na barragem, improvisada, que ficava  uns 400 metros da própria casa.

As irmãs lembram-se ,de ouvir dizer, que no momento em que o irmão trabalhava junto com outros rapazes a contenção desabou e liberou uma grande quantidade de água que o arrastou juntamente com outras pessoas que se encontravam no lugar. Minutos depois a família foi avisada por um dos jovens trabalhador sobre o ocorrido e o desaparecimento do adolescente.

Conforme a perspectiva de Edna Souza, na época com 06 anos, e Josete Souza, 11 anos, o pai e os irmãos saíram em busca do jovem e três quilômetros depois do local do rompimento, o corpo do irmão foi encontrado  às margens do Córrego Charqueada.

Auxiliado pelos filhos o senhor José Paulo retirou o corpo do Hlton da lama e o conduziu nos próprios braços até a carroça que o transportou à residência da família e só durante o banho de retirada de toda lama que cobria o filho,  concluiu que ele já não tinha mais chances de vida. Recordou Edna.

Segundo Josete Souza nenhuma assistência foi prestada a família, embora um “funcionário da prefeitura” procurou o seu pai e recolheu todos os documentos do irmão prometendo arcar com as despesas, algo que não aconteceu. Importa dizer,  que o corpo de Hlton não passou por exames de necropsia e foi enterrado sem o devido registro de óbito.

Sobre outras vítimas afirmou Josete que foram três mortos e não oito como afirma o jornal “O Estado de São Paulo”, sendo o irmão Hlton e outros dois garotos, um de 15 anos que não recorda o nome e a origem e outro de 17 anos filho de uma moradora da rua Mauá, também conhecida como “Rua do brega.”

Para a antiga moradora a lavadeira citada por testemunhas pode ter sucumbido a lama enquanto lavava roupa em alguma parte do Córrego Charqueada, onde se encontrava água limpa, e não no local onde foi vitimado três. No dia da tragédia registrou o jornal do Brasil que “Foram três vítimas, “Hélcio” Silva Souza, Ademir Ferreira dos Santos e Joselito Pereira da Silva, todos adultos.”

Cinco anos depois do acontecimento, 1987, atormentados pelas lembranças, a família mudou para o bairro São Lourenço da cidade já emancipada. No presente, apesar de já ter se passado mais de 30 anos, a mãe e os irmãos sentem saudade e lembra constantemente do parente brincalhão  que comemorava aniversário todo dia 09 de maio. Mesma data que a cidade comemora a emancipação.

Fontes e créditos

Informações sobre a família e acidente com o Hilton Souza:

O texto foi construído a partir da perspectiva de Josete Souza e Edna Souza passadas através de  conversas informais realizadas entre os dias 03/02 a 08/02/19 , via aplicativos eletrônicos Whatsapp.

Informação sobre a rotina laboral dos jovens teixeirenses na década de 1980.

HOOIJ. Frei Elias. Os desbravadores do Extremo sul da Bahia. História da presença franciscana nessa região – raízes e frutos, Belo Horizonte, 2011. Pg 70.

KOOPMANS. Padre José. Além do Eucalipto: O papel do Extremo Sul. 2005. Pg 75 – 80

Conversa informal Josete Souza e Edna Souza

Jornais consultados:

Morrem 8 em barragem que ruiu na Bahia. O estado de São Paulo, 1982 . Acervo site tirabanha

Barragem desaba e mata três. Jornal do Brasil. 1982. Acervo site tirabanha.

Daniel Rocha*

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A barragem que ruiu em Teixeira de Freitas em 1982

 

Por Daniel Rocha

A ruptura  de uma barragem improvisada em Teixeira de Freitas, Extremo sul da Bahia, em 1982,   vitimou crianças, homens e uma mulher lavadeiras no bairro Santa Rita.  O sinistro aconteceu no dia 28 de abril de 1982, as causas e consequências do acidente ainda hoje são desconhecidas e nunca foram  explicadas oficialmente.  Os registros divergem os relatos orais de antigos moradores também.

A barragem que ficava nas imediações do boqueirão da rua Ipiranga, onde hoje se encontra a “ladeira do Santa Rita” ,segundo registros dos jornais da época, foi construída de forma irregular sobre um córrego para permitir o acesso de veículos e ruiu devido a pressão exercida pela água represada de um córrego.

Segundo noticiou o jornal paulista, O estado de São Paulo, o rompimento da “Barragem improvisada” construída sobre o córrego em uma área de grande depressão no terreno, foi causado por equívocos e falhas e teve início quando o dono do loteamento, um pedreiro, resolveu abrir uma espécie de vala para dar vazão às águas que já estavam quase cobrindo a barragem.

Apesar das advertências dos trabalhadores sobre o perigo que corriam, várias pessoas assistiam a operação e no  instante em que a primeira parte da vala foi aberta, a força da água abriu uma grande fenda que minou a base da represa.

No momento, as pessoas que estavam nas extremidades, crianças e lavadeiras, correram e conseguiu salvar-se, as que estavam no centro da barragem ficaram ilhadas e  foram arrastadas pelas águas. Moradores informaram o jornal por telefone que nenhuma providência oficial havia sido tomada para remover os corpos e escombros.

De acordo a versão  publicado no Jornal do Brasil, foram três vítimas  e não oito como divulgou o Estadão e houve buscas organizadas que consideraram até o fim a possibilidade de não haver mais pessoas soterradas . Ainda conforme registrou o periódico o ocorrido provocou a revolta dos moradores de Teixeira de Freitas, que já há algum tempo reclamavam do entupimento dos bueiros que davam vazão à barragem e da inundação das águas do córrego.

Segundo relatou informalmente um parente de uma das vítimas, algumas foram desenterradas por moradores que fizeram uso das próprias mãos para isso. “Não houve responsabilizados ou indenização pelo o ocorrido”.

Ainda de acordo versão contada por moradores a barragem cedeu por força da pressão da água do afluente do Charqueada e que o lançamento de “entulhos e pó de madeira de serrarias” podem ter obstruído o local por onde passava a água represada causando o rompimento.

Quanto a isso o que se sabe é que os córregos teixeirenses foram de fato poluídos no processo de instalação das serrarias e ocupação demográfica da década de 1960, 1970 e transformados em destino final para o esgoto domésticos na década de 1980 e 1990, como hoje ainda são, graças em partes da falta de fiscalização, não só nas nascentes, mas  também na bacia como um todo . Tragédias também silenciados pela história e memória oficial do “progresso e desenvolvimento” da cidade.

Fontes 

Jornais consultados:

Morrem 8 em barragem que ruiu na Bahia. O estado de São Paulo, 1982 . Acervo site tirabanha

Barragem desaba e mata três. Jornal do Brasil. 1982. Acervo site tirabanha.

Perspectiva de  alguns moradores:

O saneamento básico na história de Teixeira de Freitas 04. Texto publicado no site tirabanha em 14/11/15.

Informação sobre a poluição dos córregos :

Pesquisa de coliformes nas nascentes do Córrego Charqueada em Teixeira de Freitas,  Bahia.  PUGLIESI. Ícarro Oliceira Arariba, SOUZA, Ithamar Cruz de , FORTUNA. Jorge Luiz . Revista Ciências do Ambiente On-Line Agosto, 2008 Volume 4, Número 2

Plano municipal de Saneamento básico. Teixeira de Freitas. Dezembro de 2013.

*Os moradores ouvidos contribuíram informalmente e expressaram temor der ter o nome associado a questão. Registro feito.

Daniel Rocha*
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Foto: Ladeira do Santa Rita. Final da década de 1990.

 

 

A itinerância das mulheres prostitutas em Teixeira de Freitas

Por Daniel Rocha

Nas décadas de 1970 e 1980 o extremo sul da Bahia vivenciou uma série de mudanças provocada pela extração predatória da madeira e abertura da BR-101 que corta todo o estado.

Nesse espaço de tempo cidades como Nanuque (MG) e Caravelas (BA) perderam o protagonismo econômico enquanto a baiana Teixeira de Freitas se beneficiou com o trânsito da BR tornando-se, dentre outras, uma referência para as profissionais do sexo da “região”.

De acordo com os nossos registros, essas trabalhadoras em sua maioria atuavam em locais como a Rua Ubá, em Nanuque – MG, “Rua da Poeira”, em Alcobaça – BA e da Rua “Céu Azul ou do Porto”, em Caravelas e migraram para cidade de Teixeira de Freitas a fim de aproveitar o bom movimento na “Rua do Brega”  zona de meretrício do povoado. E no presente? Existe uma rota?  Ainda são migrantes? Quem são? Como trabalham e administra os lucros?

A fim de saber mais sobre a itinerância das profissionais que atuam na cidade, em julho de 2018, visitamos um ponto comercial do ramo localizado no Bairro São Lourenço. No local “Mara”, de 35 anos,   Informada sobre o objetivo da visita condicionou o bate-papo ao consumo de cerveja. “Não necessariamente alguém vem aqui só para sexo. Podemos tomar uma cerveja.”

De início quis saber mais sobre sua a origem e  o porquê de ter escolhido a profissão . No primeiro momento “Mara” preferiu não falar, mas passado alguns minutos informou que era da cidade de Porto Seguro onde vive “normalmente acima de qualquer suspeita”.  

Aproveitando  a informação sobre o lugar de residência quis saber sobre o trânsito de profissionais pela cidade ou região ao qual respondeu que  de fato existe um trânsito em busca de clientes, por exemplo, na baixa estação, inverno e outono, Teixeira de Freitas “atrai mais” e  na alta estação, verão, época de grande movimento nas cidades do litoral “Teixeira atrai menos”.

Contudo fez questão de frisar que nem todas trabalhadoras do local seguem roteiros ou migram para lugares onde há aglomerações maiores em busca de clientes, privacidade ou ganhos melhores. “Há meninas que são daqui mesmo”.

Sobre a negociação dos lucros “Mara” preferiu não responder, mas deixou escapar que já conhecia a atual proprietária de outro local onde trabalhou e que optou por trabalhar com ela “porque é justa na porcentagem”.

Não há homens participando da administração ou funcionamento do local a casa é composta só por mulheres de diferentes idades e isso, com base na conversa informal, permitiu supor que são mais autônomas, flexíveis e protegidas de outras formas de exploração.

No próximo texto: conversamos com garotas de outra casa que falam da rotina  fora do ambiente  de trabalho . No presente as mulheres prostitutas de Teixeira de Freitas ainda são migrantes?

Créditos & Referências

DEL PRIORE, M. (2001). Apresentação . Em Mary Del Priore (Org.), História das Mulheres no Brasil, pp. 7-10. São Paulo: Editora Contexto/Editora UNESP.

ROCHA. Daniel. As velhas e novas práticas na Rua do Brega.

Daniel Rocha*
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Imagem meramente ilustrativa

 

A fragmentação da sociedade

Por Erivan Santana

O advento da internet aliado ao progresso científico e tecnológico, tem provocado o que os estudiosos das ciências humanas denominam de “visão fragmentária do mundo”.

Cada vez mais, a socialização do conhecimento ocorre de forma fragmentada, acompanhando o ritmo frenético da chamada “pós-modernidade”, que pouco privilegia a reflexão e o exame crítico da realidade.

A televisão despeja imagens e as pessoas “zapeiam” de canal em canal. Nas escolas e universidades, salvo raras exceções, predominam “xerox” de trechos de livros, incluindo os clássicos de nossa literatura, onde se lê essencialmente o essencial, o que se estende também ao restante da sociedade.

As fontes de informação da grande maioria passa a ser apenas as notícias veiculadas em grupos de whatsapp e outras redes sociais, como o facebook, gerando um dos grandes problemas da atualidade: notícias com pouco ou nenhum aprofundamento e as chamadas “fakenews”.

Os pais entregam os filhos para as escolas e acreditam que com isso os estão educando. É rara a família em que existem momentos dedicados à leitura compartilhada, objetivando a formação de futuros leitores.

Por sua vez, os estudantes demonstram uma capacidade reduzida para argumentar com fundamento e quase não têm uma visão histórica ou processual do que está acontecendo, pois, como nos diz Eric Hobsbawm, para eles até a Guerra do Vietnã é pré-histórica, o que evidencia não apenas ignorância do passado, mas também falta de um senso de relação histórica.

Seguindo uma tradição que faz parte da cultura brasileira, os mais velhos são considerados improdutivos e ultrapassados , um peso para os familiares, como se não pudessem mais dizer ou ensinar algo aos mais novos.

É a “pós-modernidade”, dizem, e nela o que importa é o momento e o novo que aparece a todo instante, sem se saber ao certo de onde viemos e para onde estamos indo.

Erivan Santana
Professor, escritor e poeta

A explosão que ocorreu duas vezes no mesmo lugar em Teixeira de Freitas

 

Por Daniel Rocha

No dia 12 de Maio de 2009, 23h15min,  uma caldeira da usina de asfalto do Grupamento de Engenharia do Exército Brasileiro (GEEB), que ficava no bairro Caminho do Mar, em Teixeira de Freitas, explodiu e pegou fogo. Cinquenta anos antes um fato parecido ocorreu nas proximidades do mesmo lugar.

Segundo noticiou na época o site local Teixeira News, a caldeira do sinistro acontecimento estava parada e não havia militar na área no momento da explosão por isso ninguém saiu ferido. O asfalto produzido pela usina seria utilizado na recuperação da BR 101 que estava em andamento. 

Ainda de acordo com informações publicadas no site, diante do ocorrido os trabalhadores do exército   tiveram que acionar o corpo de Bombeiro da cidade para conter o fogo que alastrou-se em grande  proporção por  toda unidade militar.

Curiosamente, no dia 24/08/1959, cinquenta anos antes da explosão da caldeira, nas proximidades  do mesmo lugar, pouco metros antes do bairro Caminho do Mar, às margens da estrada de rodagem da Fazenda Cascata, hoje BA-209, também foi cenário de uma explosão.

Um estabelecimento que comercial que funcionava como um ponto de apoio para transeuntes e trabalhadores passantes e que também vendia gasolina armazenadas em tonéis que era extraída com uma bomba manual foi destruído por uma grande explosão.

Conforme revelou Vantuil do Nascimento Correia em uma conversa informal em 2014, o acidente ocorreu durante a noite quando um cliente solicitou atendimento para abastecer o carro. Como não havia energia elétrica no lugar o atendente se dirigiu ao lugar onde ficava guardado o combustível com um candeeiro na mão, utilizado para iluminar o lugar carente de iluminação elétrica.

Ao agachar para pegar a bomba manual,”molhada de combustível”, a chama do candeeiro deu início a um incêndio seguido de uma grande explosão que destruiu todo o lugar. Tal como o incidente de 2009, não houve trabalhadores  feridos.

Convém destacar que o fato revela, dentre outras coisas, a expertise e o empreendedorismo dos moradores que já residiam no território em aproveitar o movimento das estradas de rodagens abertas durante a década de 1950, para praticar a mercancia que favoreceu o surgimento de um pequeno comércio chamado popularmente de “Comércio dos Pretos”.

Comércio que que possibilitou o surgimento da cidade de Teixeira de Freitas, antes da chegada dos  trabalhadores, migrantes mineiros e capixabas, na década de 1970, que também contribuíram ao seu modo para o crescimento demográfico e territorial do povoado de Teixeira de Freitas, emancipado em 1985.

Créditos & Referências

BORBOREMA. Athyla. Caldeira da usina de asfalto do Exército pega fogo em Teixeira de Freitas. Site Teixeiranews. Publicado 13/05/09. Acessado e Arquivado em 16/05/09. Disponível acervo do site tirabanha.com.br

Uma parte da história de Teixeira de Freitas contada por Vantuil de Freitas Correira. Jornal Alerta. Especial de aniversário: 29 anos de Teixeira de Freitas. 2014.

Conversa informal com Vantuil do Nascimento Correia. Agosto de 2014.

Colaborou o memorialista Domingos Cajueiro Correia.

Daniel Rocha*
Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

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Registros do “Dia D” contra o Aedes Aegypti em Teixeira de Freitas

Por Daniel Rocha

Os agentes de combate às endemias do município de Teixeira de Freitas participaram na manhã da sexta-feira (30/11/18) da Semana Nacional de Mobilização dos setores de Educação, Assistência social e Saúde para o combate ao Aedes Aegypti, Dia D.

A mobilização é realizada todos os anos como objetivo alertar a população sobre a importância de combater o mosquito transmissor da dengue, Zika e chikungunya antes do verão , época de maior incidência e reprodução do mosquito.

Na ocasião os servidores públicos ,agentes de endemias, distribuíram panfletos e chamaram a atenção de quem passava pelas avenidas próximas a praça da prefeitura.

A atividade realizada no centro da cidade “no modelo blitz”, busca alcançar os moradores que geralmente não são encontrados em casa para receber a visita e orientação dos agentes de endemias que além da vistoriar os terrenos e quintais também fazem orientação educativa.

“Infelizmente tanto durante a blitz tal como ocorre em algumas visitas domiciliar dos profissionais das endemias nos deparamos com pessoas que ignoram a importância do trabalho preventivo. Precisamos ter consciência que a dengue, zika, febre amarela e chikungunya matam e quando não o fazem deixa sequela”. Enfatizou Rutiléia Pinho Paixão Coimbra, coordenadora do núcleo permanente do Programa Nacional de Controle da Dengue.

Na ocasião os agentes de endemias, Jefferson e Jucélio Pessoa Cunha ,que realizam visitas a cada dois meses nas residências, reforçaram durante a panfletagem que é preciso que a população também faça sua parte vistoriando seus quintais e recebendo devidamente o profissional.

“É importante que o morador busque conhecer melhor a equipe que trabalha no combate ao mosquito, pois são profissionais treinados para enxergar os riscos, algo que uma pessoa comum não consegue”. Frisou Jefferson.

“Fakes News” dificulta o trabalho dos agentes de endemias em Teixeira de Freitas

Notícias de que criminosos estão se passando por agentes de combate à dengue ou que houve roubos de coletes, crachás e bolsas dos profissionais, compartilhado de forma irresponsável via aplicativo Whatsapp, são fakes news ,falsas, e tem gerado medo nos moradores e atrapalhado a recepção dos servidores quando visitam as casas, garante Juscelio Pessoa que trabalha a 16 anos como agente de combate às endemias.

“Tudo isso é mentira porque não tenho conhecimento que de fato ocorreu na cidade algum assalto do tipo. Algumas pessoas que tem demonstrado resistência às visitas domiciliar alegando medo de assaltos (…) Eu mesmo já passei por essa situação e ouvi dizer que alguns colegas também”.

A coordenadora Rutiléia Pinho Paixão lembra que não há nenhum registro policial de que alguma pessoa assalta residências se passando por agente de endemias na cidade ou que tenha ocorrido algum roubo de crachá ou uniformes.

“Quero deixar claro para a população que caso algum dia isso vier acontecer vamos divulgar de forma oficial em canais confiáveis e abrir um boletim de ocorrência para investigação policial. Existe o número do programa que é o 3011- 2763 onde o morador que tiver sisma pode ligar e averiguar junto a coordenação do programa se há profissionais atuando no bairro e o nome do mesmo. Infelizmente tem quem compartilha nas redes este tipo de notícia falsa”.

Sobre a atividade e os riscos do fake news assim se manifestou José Felix, presidente do conselho municipal de saúde e Sindicato dos agentes comunitários de saúde e endemias do extremo sul da Bahia (SINDACESB).

“Esta atividade é de suma importância, para prevenção e conscientização da nossa população. Também, serve como alerta, pois a comunidade ainda não percebeu sua importância, para que tenhamos sucesso no combate a essa tríplice epidemia. E agora temos contra nós, essa ameaça real e que contamina a muitos, com uma velocidade assustadora, que são os FAKE NEWS. Confesso que muito me assusta é que estamos impotentes, diante dessa real ameaça. Só nos resta trabalhar e disseminar a verdade, combatendo também os fake news. Parabenizo os colegas, não só por esta ação, mas também pelo belo trabalho que prestam o ano todo. Juntos somos mais fortes!”

 

Recordações da “Beatlemania” no bairro Recanto do Lago

Por Daniel Rocha*

A “Beatlemania” é um neologismo criado na década de 1960 para descrever a histeria coletiva que afetava os fãs em relação à banda Inglesa The Beatles. Acredita-se que em Teixeira de Freitas, cidade do extremo sul da Bahia, o fenômeno ocorreu no bairro Recanto do Lago em 1995 motivado pela campanha de lançamento da música Free as a Bird”.  

 Free as a Bird foi uma canção inacabada composta e registrada em 1977 por John Lennon ,beatle assassinado em 1980, finalizada e lançada por Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr em 4 de novembro 1995 no álbum “The Beatles Anthology”, alardeado na mídia como “a reunião  da banda”.  

O grande acontecimento musical arrebatou os corações e mentes de alguns dos jovens moradores do bairro de classe média que passaram a consumir livros, coletâneas gravadas em fita K- 7 e à icônica revista especializada “Revolution” editada por Marco Antonio Mallagoli, o único brasileiro que esteve com todos os integrantes da banda e presidente  fã clube,  único autorizado pelos beatles na América latina.

Capa da Revista Revolution

 Segundo a perspectiva do músico Marcos Marcelo que na época liderou o grupo de fãs, com idades compreendidas entre 14,15 e 16 anos, o perfil dos jovens que aderiram a febre no bairro variava e se assemelhavam em alguns aspectos.

 Por exemplo, alguns estudavam em escolas públicas e outros em escolas privadas, todos frequentavam Igrejas e pertenciam a famílias tradicionais, cursava informática ou datilografia, alguns jogavam futebol na rua, outros na quadra do Clube Jacarandá, cumpria algumas obrigações domésticas e com regularidade assistiam TV, ouvia programas de rádio e frequentavam locadoras de vídeo.

Na contramão, os beatlemaníacos faziam uso do tempo livre para tocar e aprender com o violão as primeiras notas de “Free as a Bird” ouvindo repetidas vezes no toca-fitas e “costumeiramente” se reuniam em espaços como, calçadas, garagens e varandas para conversar sobre as bandas, The Beatles, Legião Urbana e Mamonas Assassinas e cantar em inglês, pronunciado de modo estranho, as composições dos ídolos de Liverpool, ícones do rock e da cultura pop internacional.  

Frase  John Lennon

 

 

 

 

 

 

Citações de frases e comentários sobre  os discursos ácidos de John Lennon  contra o tradicionalismo, violência e a favor da luta por justiça social , transformação individual e coletiva, proferidos intensamente pelo cantor depois do fim da banda no início da década de 1970, divulgados pela revista “Revolution” animavam as falas e os pensamentos dos jovens fãs.

 Por essa razão ,revela Marcos  Marcelo, os jovens fãs embora “orientados pela família , escola e igreja”, deixaram o cabelo crescer e assim o fazendo “assumiram uma postura contestadora e rebelde em relação ao estilo de vida, costumes e hábitos”, expressos nas rodas de bate-papo sob a forma de relatos das primeiras aventuras sexuais, goles e tragos às escondidas.

foto, à esquerda: Marcos Marcelo e Bruno Vellarte à direita

 Com o fim do interesse coletivo pelos beatles,  os participantes do grupo abraçaram outras causas e ritmos. Contudo alguns seguiram cantando e homenageando a banda em outros espaços e épocas Marcos Marcelo, contrabaixista e vocalista, por exemplo  fez parte da banda cover local “Os BA-tles” formada pelos beatlemaníacos Marcelo Torres ( baterista) Rafael leite (guitarrista) e Bruno Vellarte ( guitarrista e vocalista).  

“Eu conheci o Bruno Vellarte em 2011 durante um projeto chamado “Banda Coração Pirata” e daí começamos a conversar, trocar experiências musicais e ele me mostrou o projeto “BA- tles” com outros integrantes , daí em diante começamos uma grande parceria”. Recordou Marcos Marcelo.

Em 2013 a banda que faz uso de uma réplica do “lendário baixo de Paul McCartney”, participou da 2ª  Expo Beatles de Teixeira de Freitas, (exposição sobre beatles) realizada em uma churrascaria no centro da cidade  que contou com a exibição de canecas, camisetas, revistas, posters, vinil, CD e com o show da banda cover .

 A exposição que teve sua última edição realizada em 2014 no Shopping Teixeira Mall, foi idealizada pelo músico Bruno Verllart e outros fãs ardorosos do grupo musical inglês na cidade. Nas duas ocasiões o evento fez lembrar a rememorada “Beatlemania” que agitou  os corações e mentes de alguns adolescentes no Bairro Recanto do Lago no ano de 1995. 

Créditos & Referências

The “anthology” está a 96 horas dos ouvidos dos fãs.  O estado de São Paulo, 16 de novembro de 1995. Acervo site tirabanha.com.br

Micthell. James A. John Lennon em Nova York: Os anos de revolução. Editora Valentina Ltda. 2013.

Site da revista  Revolution, http://beatlesrevolution.co.uk/ . Acessado em 10/08/2018.

Anhology 1. Wikipedia, a enciclopédia livre. Acessado em 10 de agosto de 2018.

Free a Bird.  Wikipédia, a enciclopédia livre. Acessado em 10 de agosto de 2018.

O texto foi construído a partir da perceptiva informada em diversas conversas  formais com Marco Marcelo em  outubro  e novembro de 2018.

Os BA-tles no John Black Pub. I Wanna Hold Your Hand. Publicado em 25 de março de 2014 por Izaac Chaves. Disponível no Youtube. Acessado Novembro de 2018.

Foto  extraída do site do site Revolution.

Fotos Banda  enviadas por Marcos Marcelo.

Daniel Rocha*
Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769

e-mail: samuithi@hotmail.com

Se você chegou até aqui parabéns! Tens o hábito da leitura.

 

O ESTADO DAS COISAS

Erivan Santana*

Este é o título de um filme de produção americana, de 2017, e em que pese o fato de a maioria dos filmes produzidos pelo cinema americano seguirem a linha “blackbusters”, de grande apelo comercial, este se difere, ao procurar analisar a ordem social, poltítica e econômica em que vivemos, através dos conflitos existenciais vividos pelo personagem Brad Sloan, interpretado por Ben Stiller.

O filme mostra um personagem plenamente inserido nos dilemas da era moderna, sempre preocupado em se comparar aos amigos e antigos colegas de faculdade, numa perspectiva de poder, fama e dinheiro. Apesar do filme se ambientar nos EUA, em tempos de capitalismo globalizado, a relação com outros contextos é imediata, incluindo a brasileira.

Nos tempos atuais, não há na verdade, a preocupação em ser feliz, mas uma atenção voltada sobretudo para o sucesso econômico, status social e posses materiais, daí a surgir sempre esta tendência de estar se comparando ao próximo.

Outra tendência, esta amplamente estudada e percebida pelo filósofo francês Michel Foucault em obras como “Vigiar e Punir” e “Microfísica do Poder” é a constante vigilância que ocorre na sociedade moderna, feita pelos indivíduos, uns aos outros, sempre afeitos ao julgamento, sendo que o desenvolvimento tecnológico tem muito a contribuir.

É importante observar que diante de tais realidades, instala-se na sociedade uma espécie de controle, dos corpos e das mentes das pessoas, vivendo em sociedade, sempre visando a interesses de ordem econômica, social e política.

Neste particular, conforme salienta o filósofo francês, até mesmo a educação – que em tese, deveria ser crítica e independente – atua sempre voltada para o “controle disciplinar”, muitas vezes impedindo o desenvolvimento da leitura crítica de mundo pelos discentes.

Portanto, as engrenagens do sistema capitalista globalizado atuam em conjunto, envolvendo, segundo Foucault, grandes empresas, meios de comunicação, instituições religiosas e jurídicas, entre outras.

Desta forma, este é o grande mérito do filme “O estado das coisas”, ao colocar na tela do cinema um personagem confuso e angustiado, refletindo os grandes dilemas da era moderna, uma realidade facilmente percebida na vida de muitas pessoas e nas nossas, o que é pertubador.

Nunca se pergunta: você é feliz? Pergunta-se sempre se a pessoa estuda em uma escola ou universidade de renome, se formou em uma profissão (normalmente aquelas reconhecidas como de status social) ou se adquiriu o mais novo carro do ano ou o último modelo de celular.

Assim caminha a humanidade, esperamos que a arte também continue a caminhar, como testemunha do nosso tempo, numa perspectiva humana e crítica.

Erivan Santana (professor, escritor e poeta)
Crônica publicada no jornal A Tarde, Salvador, 21/11/2018

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