Ofícios dos trabalhadores e trabalhadoras na história de Teixeira de Freitas I

Por Daniel Rocha e Domingos Cajueiro Correia

Ao longo destes trinta e quatro anos de emancipação, em paralelo aos “fatos históricos” e “tradicionais narrativas” de “fundação e de grandes feitos”, os trabalhadores exercerão suas funções e mantiveram o funcionamento mecânico da sociedade teixeirense, por hora de forma discreta, por hora com grande destaque, fortalecendo a dinâmica e o comércio local que é a base da nossa economia. Hoje, apresentamos alguns desses para vocês.

01 – FAZEDOR DE CORDAS.  Quando Teixeira de Freitas ainda fazia parte do interior dos municípios de Caravelas e Alcobaça, antes do surgimento do primeiro núcleo que deu origem ao povoado, alguns moradores das comunidades rurais próximas trabalhavam como “cordeiros”.

O trabalho do “cordeiro” consistia em retirar e cortar a Guaxima, planta nativa da região, colocar em um cocho de água até pubar para retirar as amarras que eram reunidas em fardos para serem vendidas e exportados para cidades como Salvador e Recife , pela empresa Baiana de Navegação, e para a cidade Mineira de Teófilo Otoni ,pela estrada de ferro Bahia e Minas. Dentre os diversos prestadores deste serviço destacamos o trabalho do Sr. Servídio Nascimento Correia, extrativista, e do comprador e exportador Pedro Muniz.

02 – EXPORTADOR DE COURO. Tal como o “cordeiro” o exportador de couro ,que também era conhecido como exportador de peles, 1940 e 1960, exportava sua produção para os grandes centros comerciais da época através da Estrada de Ferro Bahia e Minas (EFBM). Dentre os que exerciam essa função destacamos o nome de Alírio, cujo sobrenome não foi identificado, que comprava em nossa região, entre 1950 e 1960, couro tratado de Gato-do-mato (Jaguatirica), Onça, Lontra e Veado. Os maiores compradores ficavam na cidade de Nanuque (MG) e Teófilo Otoni (MG) e na baiana Caravelas.

03 – ARMEIRO. Profissional que reparava, modificava, projetava e fabricava armas artesanais. Nas décadas de 1950 e 1960, no povoado de Teixeira de Freitas, o negro Duca Ferreira exercia o ofício. Por isso era muito procurado nas redondezas do povoado de Teixeira de Freitas para reparos em espingardas, faca, ferro de gado. Outro que também era conhecido pelos serviços era o ferreiro senhor Vespasiano do qual não obtivemos maiores informações.

04 – CARPINTEIRO.  Nas décadas de 1930,1940 e 1950 um dos carpinteiros mais solicitado da região pelas fazendas próximas, como Cascata e Nova América, se chamava Manoel de Adelaide da fazenda “Bomtequando.”  O carpinteiro além de atender chamados e encomendas também formava meninos entregues a seu cuidado para trabalhar e aprender o ofício. Seus discípulos, Baduca, Pedro Ratinho, Pedro Lopes, José Thomaz, também são lembrados pelos bons serviços prestados e destaque na profissão. O carpinteiro Manuel de Adelaide era considerado o “Aleijadinho” da região, algumas de suas obras podem ser vistas no sítio histórico da fazenda Cascata.

05 – PARTEIRAS. Antes da atuação dos primeiros médicos e a abertura dos primeiros hospitais em Teixeira de Freitas na década de 1970, havia outras formas de parir e nascer, nessa realidade as mulheres gestantes recorriam às parteiras existentes em toda parte da cidade e do município, das quais registramos o fazer de Dona Benedita e Dona Francisca que atuou nas comunidades rurais da década de 1940, Dona Antônia Carlota e Dona Adalgisa na década de 1950. Maria de Lourdes cajueiro e Ana de Torquato nas décadas de 1960 e 1970, dentre outras tantas que exerciam o ofício sem cobrar um centavo.

Continua nas próximas postagens.

Daniel Rocha da Silva*

Daniel Rocha da Silva* Historiador graduado e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

Domingos Cajueiro Correira é memorialista e colaborador do site.

O Conteúdo deste Site não pode ser copiado, reproduzido, publicado no todo ou em partes por outros sites, jornais e revistas sem a expressa autorização do autor. Aja de forma honesta e responsável, respeite o conteúdo e sempre dê crédito ao autor. PLÁGIO é considerado crime. Paciência tem limites.

Crédito das Fotos: Foto Fazenda Cascata 1996. Acervo Pessoal.

O extremo sul da Bahia e o Dia internacional dos Trabalhadores de 1988

Por Daniel Rocha

No Brasil, o 1º de maio é o “Dia internacional dos Trabalhadores e trabalhadoras”. Dia de celebrar vitórias e conquistas favoráveis aos trabalhadores do campo e da cidade. Em 1988 trabalhadores do extremo – sul da Bahia, por exemplo, aproveitou a data para manifestar e exigir uma sociedade mais justa, igualitária e cidadã.

No dia 1º de maio de 1988, nos municípios de Teixeira de Freitas, Itanhém, Itamaraju  , Eunápolis e Guaratinga manifestações populares tomaram as ruas e praças dessas cidades dando voz aos trabalhadores indignados e oprimidos pela miséria, remuneração ruim e política econômica desfavorável a geração de empregos, seguridade social e aos mais pobres.

As manifestações, nos diversos municípios, concretizaram-se de várias formas, ora através de passeatas, atos públicos, encenações teatrais, música, palavras de ordem e discursos proferidos por lideranças de várias entidades sindicais presentes nos atos.

Durante as manifestações os trabalhadores lançaram mão de toda a sua criatividade e organização para mostrar o repúdio dos trabalhadores a incompetência do então presidente José Sarney (PSDB) com os trabalhadores e trabalhadoras da região e do país.

“Nas ruas e praças públicas, todo o seu repúdio à incompetência e desinteresse do governo da ” Nova República” para com a classe trabalhadora. Mostraram, também, todo o anseio desta mesma classe em poder governar melhor este país e tirá-lo da miséria em que ele se encontra”, destacou o Jornal do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.

As manifestações reuniu no mesmo lugar trabalhadores do movimento Sem Terra, Bancários, professores, estudantes, comerciários, eletricitários, Movimento de Mulheres, representantes do centro de Defesa dos Direitos Humanos, Comissão de Justiça e Paz, Central Única dos trabalhadores ,CUT, e  partidos de esquerda, PT e PSB, pessoas do campo e a cidade.

Com reivindicações diversas o trabalhador ao sair às ruas não estava apenas manifestando contra a política do governo, mas também se organizando para lutar por uma constituição de fato cidadã, que estava sendo elaborada pela Assembleia Nacional Constituinte de 1987-1988, instalada no Congresso Nacional, em Brasília, com a finalidade de elaborar uma Constituição democrática para o Brasil.

Tal qual que os temas relacionados aos direitos, melhoria dos salários das trabalhadoras, aposentadoria e saúde, moradia e o protagonismo das mulheres nos sindicatos, dentre outros, foram debatidos no 1º encontro de Trabalhadores Rurais do município de Teixeira de Freitas, realizado 14 dias depois das manifestações, 15 de maio, com a presença de 53 mulheres de todas as delegacias sindicais rurais do município.

A nova constituição da República Federativa do Brasil, foi aprovada pela Assembleia Nacional Constituinte em 22 de setembro de 1988 e promulgada em 5 de outubro de 1988 e ficou conhecida como “Constituição Cidadã” e não apenas restaurou a democracia interrompida pelo golpe Militar de 1964, como também garantiu que alguns direitos sociais relegados a poucos fossem socializados.

Com a nova Constituição segmentos da sociedade historicamente ignorados como; os negros, indígenas, pessoas com deficiências, idosos, mulheres, adolescentes, crianças e trabalhadores comuns, passaram a ser alcançados por programas sociais e leis específicas de proteção, alguns já perdidos com a “reforma” trabalhista de 2017, outros seguem ameaçados pela proposta de reforma da previdência de 2019.

Fontes:

Baianos vão às ruas. Jornal dos Sem Terra, nº 73. Maio de 1988.

Organizar para luta. Jornal dos Sem Terra, nº 73. Maio de 1988.

. 12 Pontos em que o trabalhador foi prejudicado pela reforma trabalhista.Jefferson Ricardo de Brito. – Veja mais em: https://direito24hs.jusbrasil.com.br/artigos/490163939/12-pontos-em-que-o-trabalhador-foi-prejudicado-pela-reforma-trabalhista

Nova Previdência dificulta acesso e pode aumentar pobreza, diz economista… – Veja mais em https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2019/02/21/especialistas-avaliam-reforma-previdencia.htm?cmpid=copiaecola

Reforma da Previdência de Bolsonaro prejudica mais as mulheres, diz Dieese… – Veja mais em https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2019/03/08/dieese-reforma-da-previdencia-mulheres.htm?cmpid=copiaecola

BATISTUTE, Jossan. Direito e Legislação Social. PARANÁ. Londrina: editora Unopar, 2009.

Foto. Manifestação de lavradores em Itamaraju.  Abril de 1988. Jornal dos Sem Terra, nº 83. Maio de 1989.

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X. Latees.

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

O Conteúdo  deste Site não pode ser copiado, reproduzido, publicado no todo ou em partes por outros sites, jornais e revistas sem a  expressa autorização do autor.

https://www.facebook.com/daniel.rochadasilva.94

Teixeira de Freitas 34 anos: O Policial Rodoviário da cidade

Por Daniel Rocha

A BR -101 rodovias federal que corta a cidade, inaugurada em 1973, permitiu uma série de mudanças na estrutura econômica da região do extremo sul da Bahia e na cidade de Teixeira de Freitas. Com ela saímos de uma economia exclusivamente agrária e extrativista para um comércio ligado à dinâmica dos negócios do sudeste do país.

Alguns moradores pertencentes a famílias nativas e tradicionalmente ligadas à agricultura e ao comércio local, caminho natural para os descendentes, mudaram o rumo de suas histórias permitindo aos filhos galgar por caminhos nunca antes percorridos por um membro da família.

Isael de Freitas Correia e Maria de Lourdes Cajueiro

Nosso colaborador, memorialista Domingos Cajueiro Correia, por exemplo, que é filho de pais pioneiros, Isael de Freitas Correia e Maria de Lurdes Cajueiro Correia, parteira de muitos afilhados por toda Teixeira de Freitas, ilustra bem o que estamos falando.

Embora nascido e criado no universo rural  do então povoado Domingos Cajueiro Correia, Cajueiro como é mais conhecido, foi o primeiro teixeirense aprovado em concurso público para policial rodoviário realizado depois da abertura da BR-101 para a cidade em 1977.

Um grande feito de quem começou a estudar aos 08 anos de idade em uma escolinha do povoado  e que por volta dos seus 11 anos trabalhava transportando do trevo da BR 101 (próximo ao Batalhão da Polícia Militar de Teixeira de Freitas) até o centro da cidade o leite que era vendido no centro do povoado.

Domingos Cajueiro Correia

Após concluir o primário no então povoado de Teixeira de Freitas Cajueiro foi obrigado a migrar para a cidade de Caravelas em 1969, para cursar o ginásio, que corresponde hoje ao ensino fundamental, no Ginásio Santo Antônio,  uma tradicional instituição de Ensino, que contava com a contribuição de famílias de alunos que podiam pagar e o incentivo do poder municipal para quem não podia, poucos tinham acesso.

Após concluir o ginásio, Domingos Cajueiro retornou a cidade apenas em 1971 quando o lugar já disponha de escola de segundo grau fundada por membros da Igreja Católica e moradores locais, dentre eles o seu pai Israel de Freitas Correia.

Em 1976, Domingos Cajueiro concluiu o curso de contabilidade no Centro Educacional Professor Rômulo Galvão (CEPROG), como aluno da primeira turma de formandos de Teixeira de Freitas. Um ano depois, 1977, fez a inscrição e foi aprovado para a Polícia Rodoviária Federal (PRF), e foi admitido em 01 de outubro de 1979, tornando-se o primeiro policial rodoviário federal nativo de Teixeira de Freitas, profissão que continua e exercendo até os dias atuais.

Domingos Cajueiro, centro, e amigos

Durante os 40 anos na corporação federal, Domingos acompanhou a circulação de mercadorias e pessoas vindas de várias partes que se instalaram como moradores e comerciantes e as tragédias e alegrias do infinito vai e vem de carros. Elemento que ainda hoje desenha a relação econômica da região e as trocas comerciais do município que no presente, comparando com o passado, é um oásis de oportunidades para todos.

“Sinto que Teixeira uma grande referência para as outras cidades circunvizinhas…. Houve uma enorme evolução na saúde, educação na segurança pública, comércio, moradia e infraestrutura. Bem diferente da Teixeira que conheci no passado. Expressou Cajueiro em um bate-papo informal.

Homenageado pela câmara Municipal de Teixeira de Freitas no último dia 24 Abril com a “Moção de Profissional de Segurança Pública Destaque”, Domingos Cajueiro aproveitou a oportunidade para agradecer e lembrar seus companheiros de trabalhos e familiares, que em torno dele fez lembrar a importância e doação para história e construção da cidade.

Família Cajueiro Correia

“Este é um momento único para todos que compõe esta gloriosa instituição PRF… Quis o destino que eu fosse o escolhido pelos meus pares, a minha gratidão a Chefe da Delegacia Inspetora Neila Cardoso … Quero agradecer em primeiro lugar a Deus, minha família (esposa, filhos, irmãos), compartilhar essa homenagem a minha falecida mãe Maria de Lourdes e ao meu falecido pai Isael de Freitas Correia que fora pessoas de maior valor na história de Teixeira… Meu pai um dos fundadores e quem melhor descreveram a cultura negra quando a cidade ainda era povoado”.

Vingadores: Ultimato tem público online

Por Daniel Rocha

Finalmente a saga está finalizada, Vingadores: Ultimato (Avengers: Endgame, 2019) em cartaz nos principais cinemas do país e da cidade, é uma excelente conclusão dos 11 anos e 24 filmes do Universo Cinematográfico da Marvel Estúdios/Disney.

Como um bom filme pipoca, popular e de grande apelo comercial, o longa alterna entre humor, frases de efeito e momentos de grande emoção para segurar a atenção do público adolescente sempre atentos aos smartfone onde trocam mensagens e fazem selfies.

Parte da experiência atual, o aparelho é um companheiro inseparável do público jovem, maioria nesse tipo de filme, que participam antes e depois do espetáculo de forma online enviando imagens e pequenos vídeos da tela para os amigos  e consumindo horas a finco de conteúdos relacionado pela plataforma YouTuber.

A fixação do público atual com o aparelho é tanta que, para se ter uma ideia, desde 2016 a maior rede americana de cinemas AMC Entertainment decidiu criar sessões para quem não consegue deixar de usar o seu smartphone durante o filme. Segundo o presidente da rede Adam Aron, a proibição não era possível porque “não é assim que os jovens vivem”.

Até no filme o tratamento e os diálogos de alguns personagens conhecidos ,como o Hulk e o Thor, parecem até que foram feitos para ser compartilhados em formas de memes pelo público com esse perfil.

Por fim, uma coisa é certa: Vingadores: Ultimato é um sucesso comercial que entrega a maior batalha da história de uma saga cinematográfica mundial. Uma narrativa que se conecta, antes e depois, com as emoções e hábitos transcendentes do público da nova era do cinema.




O LIVRO DE POESIA DE BRUNO CALIMAN

Por Daniel Rocha

Lançado pelo próprio autor Bruno Caliman em 2016, o livro de poesia Me fala isso por favor (2015) proporciona ao leitor a impressão de ter recebido  em mãos o caderno de anotações responsável pelas maiores composições dos últimos anos no Brasil.

O livro traz pequenas poesias que contém e revelam o olhar e a ternura  do compositor baiano nascido em Itamaraju e criado em Teixeira de Freitas que vem encantando o Brasil com composições românticas e populares como “Domingo de Manhã”. Para além das entre linhas linhas poéticas é possível também conhecer a luta, os dramas e as preocupações do pai e cidadão Bruno Caliman.

São 216 páginas que ligam histórias às ilustrações, do que parecem ser páginas de cadernos de anotações, ou de qualquer outra coisa de que Bruno poderia ter feito uso no exato instante em que lhe veio a inspiração nos repentes de maior criação.

Se você ainda não conhece o livro vale a pena conhecer e conferir um pouco do o imaginário deste artista que hoje canta e encanta todo o cenário musical brasileiro emplacando diversos sucessos na voz de interpretes famosos como Marcos e Belutti, Luan Santana e tantos outros.  Aliás, o prefácio do livro de Bruno Caliman leva a assinatura do astro Luan Santana.

A Companhia de Quadrinhos Independentes vai lançar o livro BATMANIA ANIMATED

Por Daniel Rocha

Batman: A Série Animada, transmitida no Brasil em 1994 pelo SBT, ainda hoje possui uma sólida popularidade entre os fãs do homem-morcego no país e no mundo. O livro Batman Animated, que será lançado em maio pela companhia de Quadrinhos independentes, junta tudo que você precisa saber sobre o charmoso desenho animado em um só lugar.

Criada no embalo do sucesso do filme “Batman” de Tim Burton, a animação noir não só criou estilos como deu presente ao universo do morcego tramas envolventes, traços únicos, personagens marcantes, como Arlequina, e um excelente trabalho de dublagem nacional.

Desenvolvida em várias mídias e plataforma a série segue cultuada pelos Batmaníacos brasileiros como os quadrinistas, e fãs confessos, Jorge Ventura e Paulo Chacon que lançam em maio o Rio e São Paulo o livro em comemoração aos 25 anos da série.

Primeiro livro nacional dedicado exclusivamente a melhor adaptação do Batman fora dos quadrinhos, o livro da Companhia  traz entrevistas com os dubladores brasileiros: Márcio Seixas (Batman), Isaac Bardavid (comissário Gordon), Marlene Costa (Mulher-Gato) e Elcio Romar (Charada), guia de colecionáveis, episódios comentados, curiosidades e muito mais. O  prefácio do livro fica por conta de Márcio Seixas, a voz do Batman no Brasil!

O lançamento está agendado, confira locais e datas:  Em São Paulo, dia 3 de maio, às 19h, na UGRAPRESS, rua Augusta, nº 1371, loja 116, Consolação, São Paulo-SP. Lançamento no Rio de Janeiro, dia 4 de maio, às 15h, no BARTMAN, rua Buarque de Macedo, nº 83, Catete, Rio de Janeiro-RJ.

Criada em 2015 a companhia tem como  proposta apresentar trabalhos autênticos e independentes, tais como histórias em quadrinhos e estudos jornalísticos. Atualmente conta com os talentos de Paulo Chacon (escritor e ilustrador), Jorge Ventura (editor e escritor) e Diogo Oliveira (social media e escritor).

Constam no hall de publicações da CQI os seguintes títulos: Suburbanos volume I (2015), De Olhos Fechados (2015), O Reverso do Morcego (2015), Contos volume I (2016), Sock! Pow! Crash! 2 (2017), Batmania O Retorno (2017), Suburbanos volume II (2018) e agora Batmania Animated (2019).

BATMANIA ANIMATED, 132 páginas, capa colorida em papel triplex 250, miolo pb em papel offset 90, formato 21,5x28cm, tiragem: 200 exemplares. Companhia de Quadrinhos Independentes 2019.

Vingadores: Ultimato gera expectativas na cidade

Por Daniel Rocha

A poucos dias da estreia mundial, 25/04, o filme mais aguardado do ano, Vingadores: Ultimato (2019), conclusão culminante da saga dos heróis Marvel, fãs da cidade de Teixeira de Freitas, Bahia, vem movimentando as redes sociais, e dessa forma, aumentando ainda mais as expectativas dos praticantes de uma das atividades culturais mais frequentes na história da cidade: ir ao cinema.

Em tempos de revelações antecipadas, spoilers, assistir na estreia é a melhor pedida para quem quer aproveitar ao máximo o espetáculo americano que em números, cerca de 900 sessões esgotadas em todo país,  melhor abertura de pré-venda da história, já é o maior dessa década confirmando a expectativa de lucro dos estúdios Marvel/Disney.

Se para os estúdios a expectativa de lucro é grande para os cinemas da cidade ,Cinesercla e Cine Teixeira, que já esgotaram  os ingressos para primeira sessão, não deve ser diferente. Isso porque filmes com super-heróis costumam atrair público recorde na cidade.

Só para constar em 2004 o filme “Homem-Aranha 02 (2004)” superou o fenômeno “A Paixão de Cristo (2004)” que mobilizou o público religioso da cidade. Lançado em Janeiro deste ano o pop mitológico Aquaman (2019) Alcançou a marca de 5.000 ingressos vendidos.

Mas porque o público gosta tanto das produções do MCU, Universo compartilhado Marvel?  “É a narrativa bem amarrada e a possibilidade de ver diversos heróis em ação no mesmo filme”. Revela o estudante Maurílio o Mello, 15 anos, que participa com os amigos de um grupo de Whatsapp sobre o filme e que já garantiu o ingresso da estreia no pré – venda para poder mergulhar  fundo na produção norte americana.

Obviamente que se tratando de cinema americano há sempre um viés ideológico e discurso nas entrelinhas das “narrativas bem amarradas” que vão muito além da exposição de sua bandeira em cenas de maior impacto.

Ao longo dos 21 filmes da primeira, segunda e terceira fase do Universo Marvel, discursos, mitos e crenças antigas foram reformulados e recontados sob um viés ideológico de que os Estados Unidos é o topo do mundo, enquanto outras nações e culturas são periféricas e protegidas por eles.

Um ponto de vista maniqueísta onde a política americana assume o papel de quem define qual é “do mal” ou “do bem”. Algo conveniente aos seus interesses comerciais

Seja como for… O filme “Vingadores : Ultimato”  já é um fenômeno e deve atrair um grande número de teixeirenses para a prática de uma das atividades culturais mais frequentes na história da cidade: ir ao cinema.

Daniel Rocha da Silva*

Daniel Rocha da Silva* Historiador graduado e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

O Conteúdo deste Site não pode ser copiado, reproduzido, publicado no todo ou em partes por outros sites, jornais e revistas sem a expressa autorização do autor.


Teixeira de Freitas 34 anos: fatos incomuns

Por Daniel Rocha

Já pensou: em um hospital funcionando em um mercado municipal? Aulas ministradas em um cinema? Pegar o CEP do povoado vizinho emprestado? Essas foram uma das soluções encontrada pelos teixeirenses da década de 1970 para superar algumas dificuldades estruturais de um passado nada comum.

Por exemplo, no  início da década de 1970 quando a prefeitura de Alcobaça transferiu os feirantes e a feira que era realizada aos domingos na Praça dos Leões para um pequeno Mercado Municipal construído na Praça da Bíblia pela administração alcobacense.

No lugar os feirantes incomodados com a localização e as taxas  cobradas optaram por ocupar a área onde hoje fica o Mercado municipal, mais conhecido como “Mercadão” e no mercado abandonado na praça da Bíblia ,de forma atípica, foi improvisado um hospital que atendeu durante sete meses até que as obras do SOBRASA, não público, fossem concluídas.

Outro fato excepcional foi o início das atividades de uma das primeiras escolas da cidade, o CEPROG. Fundada pela sociedade teixeirense e pelo Bispo D. Filipe “a Escola Cruzeiro do Sul,” batizada politicamente de Escola Estadual Professor Rômulo Galvão, foi inaugurada oficialmente em 01/03/1973.

Ocorre que enquanto a escola era erguida as primeiras aulas do ano letivo foram realizadas no “Cine Elizabeth” de Militão Guerra. O local que serviu de escola por um período  além de exibição de filmes era também o salão de festas do então povoado, na época dividido entre dois municípios, Caravelas e Alcobaça.

Essa divisão oficial trazia alguns desafios e transtornos  para os moradores, como o fato de haver coleta de lixo em um lado e no outro não é a existência de apenas um código postal para ambos.

Contudo essa divisão oficial não funcionava na prática, informação do Guia postal brasileiro de CEP de 1979, dos Correios, permite deduzir que o povoado de Teixeira de Freitas embora dividido compartilhava o mesmo CEP (45990) que era também o da cidade de Alcobaça, ou seja, em Teixeira no território caravelenses usavam o do vizinho. Isso mostra que os habitantes interagiam como um só povo.

Os fatos incomuns apresentados revelam algumas ausências e ações do estado na década de 1970 e o modo como a sociedade e as instituições se organizou para atender suas necessidades e burlar  a falta do poder público local. Convém dizer que essas “ausências” e “providências” também fizeram emergir “lideranças políticas” que extraíram das situações, possibilidades, posições políticas e poder… Fato nada incomum nos dias atuais.

Fontes:

GUERRA, Jaison C. Pereira; SILVA. Leonardo Santos. O processo de emancipação política de Teixeira de Freitas (1972-1985). UNEB 2010.

HOOIJ, Frei EliasOs desbravadores do Extremo sul da Bahia. História da presença franciscana nessa região – raízes e frutos

Guia postal brasileiro de CEP de 1979, Correios Brasileiro.

Foto: Praça dos Leões década 1980. Whatzaap

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769  e-mail: samuithi@hotmail.com

O Conteúdo  deste Site não pode ser copiado, reproduzido, publicado no todo ou em partes por outros sites, jornais e revistas sem a  expressa autorização do autor.


Curso de Retrospectiva Animada de Casamento e Aniversario

No curso de retrospectiva animada avançado você aprenderá os mais incríveis efeitos usados nas retrospectivas de casamento e aniversario. Você aprenderá:
– Fazer aberturas incríveis como a do timão e pumba
– Editar pedaços de filmes para colocar em suas retrospectivas
– Onde encontrar trechos de filmes para retrospectivas
– Fazer o efeito chuva de petalas e corações
– Fazer transições entre imagens
– Tratar as imagens para retrospectiva
– Aplicar molduras com fotos em movimentos e muito mais!

Além de tudo isso terá total suporte para todas as suas dúvidas e acesso vitalicio ao curso e todas as suas atualizações ! Tá todo mundo se escrevendo não perca tempo!

O Bispo líder contra a Ditadura Militar em Teixeira de Freitas

Por Daniel Rocha*

Obviamente destacar apenas acertos de uma pessoa nos aproxima do idealismo, mas quando esses acertos estão relacionados com um combate social falamos não apenas de um homem, mas também da luta de uma classe.

Dom Filipe Tiago Broers, Bispo de Caravelas, entre os anos de 1962 a 1983, e sua militância em favor dos mais fracos é um exemplo disso que estamos falando. Sua atitude e postura diante dos confrontos e disputas de terra no Extremo Sul da Bahia entre as décadas de 1970 e 1980 é uma mostra de um justo posicionamento.

No período final da Ditadura Militar no Brasil, 1979 – 1985, que em sua totalidade abarcou os anos de 1964 – 1985, a Igreja Católica no Extremo Sul da Bahia se posicionou em favor dos pequenos proprietários de terras e posseiros ante a truculência dos grileiros e agentes do Estado denunciando aos jornais e através do Informativo/Boletim diocesano a repressão ocorrida em Teixeira de Freitas e região.

Como a denúncia da prisão de 37 lavradores na cadeia do povoado de Itabatã em decorrência da disputa pela terra no Córrego das Ostras em Mucuri e a invasão da residência dos padres em Teixeira de Freitas em 1980.

Os fatos relacionados acima foram pesquisados pelos historiadores, Liliane Maria Fernandes Cordeiro Gomes, Leonardo do Amaral Alves e Leonardo Dantas D’icarahy e mostram que o posicionamento da igreja e do bispo está relacionado às intenções do governo militar e baiano em promover a expansão agrícola da região de forma predatória e violenta.

Na dissertação Experiências forjadas a ferro e fogo: religiosidade, organicidade e luta pela terra no Extremo Sul da Bahia no contexto da Ditadura Civil-Militar (1978-1985),o historiador Leonardo Amaral observa que essa expansão buscava atender a ampliação das fronteiras agrícolas, viabilizar os empreendimentos agroindustriais e empresas que combinavam capital público e privado através da prática da grilagem, de uso excessivo da força contra os posseiros e pequenos proprietários.

Como já dito, pelos motivos citados o bispo, através da Diocese de Caravelas, fez uso de sua posição institucional para denunciar através de cartas enviadas a alguns dos principais jornais da Bahia e do Brasil como o Jornal do Brasil, Jornal da Bahia, A tarde e do Informativo / Boletim Diocesano o que vinha ocorrendo na região.

Segundo Leonardo Dantas, na dissertação O Sonho da Terra: Trabalhadores Rurais e o Surgimento do MST na Bahia (1975-1989) o Boletim Diocesano era distribuído de porta em porta no então povoado de Teixeira de Freitas. Provavelmente por pessoas da comunidade. O fato incomodou um dos grileiros, um mineiro recém-chegado à cidade e que reivindicava a posse da terra do Córrego das Ostras e tentava retirar os posseiros de muitos anos estabelecidos no lugar alegando ser o dono.

Como já dito, outro meio escrito de denúncia utilizado pelo Bispo eram as cartas enviadas a diferentes autoridades dentro e fora do país, além de jornais. Em uma carta publicada no Jornal do Brasil de 27/10/1980, por exemplo, ele destacou a violência da polícia e dos grileiros contra 37 trabalhadores, gente humilde, cujas terras se encontravam em litígio, através de “Prisões ilegais e maus tratos” e uma funesta caçada humana.

“Nessas condições desumanas ao extremo, alguns dos lavradores adoeceram e foram retirados da cela e jogados no corredor. Um deles estava com muitas queimaduras, pois a polícia, oficial de justiça e os grileiros o cercaram de fogo para prendê-lo, dizendo que assim caçavam o coelho. Assim queimando e com muita febre, ficou preso sem nenhuma assistência das autoridades e dos policiais (…). Que tomem medidas para a solução desses graves problemas. Que a situação dessas terras seja definida e ,sendo devolutas, se destinem aos posseiros e as famílias mais necessitadas. Que toda pessoa receba um tratamento justo mesmo na cadeia.”

Como traz  a historiadora Liliane Maria Fernandes Cordeiro Gomes no artigo, Diferentes Frentes de atuação no campo social da diocese Teixeira de Freitas/Caravelas no Extremo Sul da Bahia  – 1952/1985 ,ao citar e analisar a carta, o Bispo  não repudiou apenas o modo que os detidos eram tratados,  mas também a invasão da residência dos padres em Teixeira de Freitas ocorrida no dia 07 de outubro de 1980.

Segundo cita Gomes, a invasão da residência, que fica ao lado da “Igrejinha Subterrânea,”  foi feita por grileiros e policiais “armados com ostentação” que entraram sem pedir licença e sem nenhuma consideração e respeito pelos moradores e donos da casa, obrigando um animador da comunidade e da igreja assinar declarações e acusações numa folha em branco. “Um  acontecimento que vinham ocorrendo de forma corriqueira em toda região do Extremo Sul da Bahia, segundo Dom Felipe”.

A atuação do bispo incomodou não apenas os poderosos da cidade e da região, mas também os militares que ocupavam o poder. Segundo Leonardo Amaral a partir da análise dos documentos da espionagem do Serviço Nacional de Informações (SNI) o bispo foi acompanhado e monitorado por agentes do regime atentos ao trabalho desenvolvido na diocese junto aos movimentos sociais e trabalhadores.

“D. FELIPE é radicalmente contra o governo brasileiro, aproveitando os sermões para fazer críticas contundentes, inclusive incitando a população a subverter a ordem […] O Sindicato dos Trabalhadores Rurais, cuja criação será oficializada em 19 Abr 79, praticamente já tem seu primeiro presidente indicado por D. FELIPE. Haverá tão somente uma eleição para homologação do candidato único […]”. Diz parte do documento confidencial de 1979 citado por Leonardo  do Amaral.

Convém lembrar que como um defensor da democracia, igualitário, o Bispo Filipe Broers era contra a  Ditadura Militar e não contra o país e que diante da situação imposta: defender os direitos humanos, o Bispo, se portou como um bem-aventurado que não se intimidou ,mesmo sob ameaça de homens armados, para defender aqueles que só tinham como fonte de renda seus pequenos cultivos.

Fontes e créditos

ALVES. Leonardo Amaral.  Experiências forjadas a ferro e fogo: religiosidade, organicidade e luta pela terra no Extremo Sul da Bahia no contexto da Ditadura Civil-Militar (1978-1985). Dissertação ( Mestrado em História) –  Universidade Estadual de Feira de Santana. Feira de Santana. Bahia. 2017.

D’ICARAHY. Leonardo Dantas.  O Sonho da Terra: Trabalhadores Rurais e o Surgimento do MST na Bahia (1975-1989). Dissertação ( Mestrado em História) – Universidade Federal da Bahia.  Salvador. Bahia. 2018.

GOMES, Liliane Maria Fernandes Cordeiro Gomes.Diferentes Frentes de Atuação no Campo Social da Diocese de Teixeira de Freitas/ Caravelas no Extremo Sul da Bahia – 1962 – 1985. In : AÇÃO COLETIVA E TERRITORIALIDADE: dinâmicas, práticas, significados e abordagens. Agripino Souza Coêlho Neto: Celia Basconzuelo e María Virginia Quironga ( Org). – Salvador: EDUBEB, 2016.

Bispo de Caravelas faz denúncia de violência contra posseiros baianos. Jornal do Brasil. 27/10/1980. Salvador

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X. Latees.

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

 

O Conteúdo  deste Site não pode ser copiado, reproduzido, publicado no todo ou em partes por outros sites, jornais e revistas sem a  expressa autorização do autor. Plágio é crime.