O causo da mãe de pega

Por Daniel Rocha*

No início dos anos oitenta, relata o senhor Júlio Elias que a falecida esposa conhecida como Mocinha “quebrava o galho de muita mulher barriguda que não tinha onde ganhar neném”.

Boa parteira além de “agarrar menino ” indicava os melhores remédios caseiros “feito com folhas”. Um dia na cidade de Teixeira de Freitas , conta ele, uma mulher a procurou desesperada para ganhar o bebê pois , sem convênio com o INANPS -Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social, não tinha como ganhar nos hospitais da cidade.

Não era do seu feitio negar ajuda, por isso fez o parto da mulher que mais tarde migrou para o estado de São Paulo com a filha saudável. Ele, o Sr. Júlio, e a esposa Mocinha voltaram para a propriedade rural do município de Alcobaça para passar uns tempos.

Anos depois, na casa da roça, chegou a grata mulher com a filha procurando a parteira dona Mocinha. Após os cumprimentos a visitante explicou que a filha desde que entrou na escola vinha apresentando problemas de cabeça.

“Tinha inteligência mas não guardava nada na mente. Os médicos não tinham ciência para curar”. 
Seguidora de uma religião de matriz africana, a mãe procurou um terreiro em São Paulo, lá ouviu dos “guias” que a única pessoa que poderia dar o livramento à filha era a mãe. 
Como não entendeu a mensagem do orixá, procurou outro terreiro e ouviu a mesma coisa. Sem solução para o problema, foi em busca de outro pai de santo que encontrou “um guia” esclarecedor da dúvida:

– “É a mãe de pega, a primeira a botar a mão “enriba” dela, por aqui ninguém cura”.

Esclareceu o ser espiritual que à “mãe de pega” era a parteira que tinha pegado ela quando nasceu. Diante da afirmação percebeu então que a culpa não era dos outros orixás e sim “dos ouvidos que estavam tapados.”

De volta a Teixeira de Freitas procurou saber, pelos vizinhos o novo endereço do casal e assim que obteve embarcou no ônibus em direção ao local. Quando chegou foi recebida com muito carinho e emoção. Depois Dona Mocinha ouviu atentamente os motivos da visita da estimada amiga. 

– Minha mulher até brincou com ela…

Disse que “tinha virado crente” mas depois desmentiu sorrindo.

Os guias orientaram que o remédio para cura do mal estava em um líquido orgânico do próprio corpo da menina.

Conta que anos depois, Dona Mocinha recebeu uma carta que comunicava à cura da filha de pega, com agradecimentos dirigidos aos guias e a ela.

 Pensar a memória afro-brasileira é pensar a memória, que não é valorizada como parte da história local. Registrar é o primeiro passo para dar visibilidade ao que estar silenciado nas páginas dos jornais, livros e revistas locais.

Causos Narrado por Júlio Elias em 2012.

Daniel Rocha*

Historiador, Bacharel em Serviço Social, Pós-Graduado em Educação à Distância (EAD), Cinéfilo e blogueiro criador do blog Tirabanha em 2010.

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Músico Teixeirense se destacando em Salvador

por Marcos Marcelo*

 

Nos últimos anos, Teixeira de Freitas vem sendo palco de exportação de artistas. Grupos musicais, compositores, jogadores, músicos, e por falar em músico temos que citar  JOSAH COSTA, o nosso “Josafá” como é conhecido aqui na cidade e região.

Josah Costa decidiu morar em Salvador para estudar e aos poucos vem se destacando no cenário atuando em peças de teatro, barzinhos, musicais e sem falar no contato que é adquirido com outros artistas do meio.

Conheça um pouco mais sobre o artista Teixeirense que está levando o nome da cidade para o mundo.

JOSAH COSTA

Violonista e Compositor nasceu em Teixeira de Freitas – Bahia em 1984.

Deu início a seus estudos musicais aos 14 anos, com o violão. Mais tarde decidiu aprender Teclado, onde começou atuar no campo da música sacra litúrgica, tocando em missas, formaturas, encontros religiosos, etc., até então essa era sua escola. Depois de alguns convites Josah Costa passou a participar de algumas bandas, assim começou a ser reconhecido na cidade e região.

Em 2005 resolveu morar em Jequié, aonde começou a se apresentar em bares e festas particulares, surgiu então a necessidade de direcionar novamente os estudos ao violão, começou a partir dai uma nova pesquisa no universo da música brasileira, ritmos e técnicas, possibilitando desenvolver maior habilidade rítmica com a mão direita, aumentando assim sua versatilidade no violão.

Depois de ouvir alguns ícones da MPB começou a mergulhar no passado e descobriu inúmeros gêneros artísticos, que posteriormente tornaram-se influentes em seu trabalho, assim como:
Lenine– Itamar Assumpção – Cordel do Fogo Encantado – Gilberto Gil – Caetano Veloso –Richard Bona – Chico Buarque – Bobby Mcferrin – Fela Kuti – Hermeto Pascoal –Tom Zé – Chico Science – Altamiro Carrilho – João Bosco – Paulinho Nogueira –Zeca Baleiro – Nana Vasconcelos – Noel Rosa – Novos Baianos – Geraldo Azevedo.

Josah Costa é um instrumentista impressionante, que não se contenta em produzir sons, mas procura explorar ao máximo os instrumentos e inovar criando variáveis e até novos conceitos de utilização. Em suas apresentações, não raro exibe suas habilidades digitando nas cordas do violão, dois acompanhamentos complementares e simultâneos.

Tem um gosto refinado e toca com facilidade grandes clássicos, no teclado ou violão. Tem se dedicado a conhecer e interpretar grandes nomes da música brasileira, além de enveredar por ritmos e poéticas alternativos produzidos por músicos regionais nordestinos.

Josah Costa atuou em diferentes áreas, Teclado/Baixo/Guitarra/Violão, inclusive Arranjo e Vocais. Entre os momentos de destaque de sua carreira vale ressaltar:

 

Compilações / Participações:

Arcanjo – (1998/1999)

Band’Adiva – (1999/2000)
Teclavoz – (2000/2001)

Aniversário da Cidade (Teixeira de Freitas-BA 2000/2001/2002)
Banda Leva Eu – (2001/2002)
Devaldo Santos e Nonato – (2001/2002)
Ta na Fita – (2000/2003)
Bicho Solto – (2003/2004)
Swing da Cor – (2004)
Território Acústico – (2006/2007)
Café Pequeno – (2008)

Confraternização Caixa Econômica Federal (2009)

TAL (Tempos de Arte Literária 2009/2010)

Orquestra Villa Lobos -(2009)

Abertura do show de Geraldo Azevedo (Teixeira de Freitas BA – 2010)
Banda SobControle – (2011)
Meninus de Branco – (2011)

Trio GABIRÚ –(2011)
Taiana Carega – (2011/2012)
Teatro Castro Alves – Sala do couro – Projeto de Qualificação em Música (Salvador – BA / 2012)

Largo Pedro Arcanjo – Pelourinho – Projeto de Qualificação em Música (Salvador – BA / 2012)

Espetáculo“O Menino Detrás das Nuvens” – (2013)

Discografia:

Direção Musical/Compositor

O Menino Detrás das Nuvens

– Brincar de ser criança
Amannda Mattos / Cintya Flores / Josah Costa
– Dentro do Peito
Amannda Mattos / Cintya Flores / Josah Costa
– O menino por detrás das nuvens
Cintya Flores / Josah Costa
– O Voô do menino
Cintya Flores / Josah Costa
– Silêncio
Amannda Mattos / Cintya Flores / Josah Costa
– Vem Chegando o Circo
Josah Costa

JURADO:

Participou do 1º e 2º Festival de Música e Artes de Medeiros Neto (2010/2011) para integrar a comissão de jurado.

No projeto “Face Música nas Escolas (2011)” realizado na cidade de Teixeira de Freitas, escolas que participam, tem como objetivo aproximar os estudantes a cultura, estabelecendo assim uma “competição” entre escolas de todo o estado.

PROJETOS:

Ensaio Aberto é um projeto que começou em 2012, a ideia foi criar um ambiente onde se pudesse agregar diferentes áreas culturais e apresentar a um publico alternativo. O projeto ganhou apoio de vários artistas da cidade, em especial Gilson Mello (Músico e Proprietário do Recreios Bar), chegando a agregar, música, poesia, stand up, e claro, um palco à disposição de quem quisesse mostrar seu talento.

Música e Teatro: Recentemente ao receber convite voltado à direção musical juntamente com Amannda Mattos da peça teatral “O Menino Detrás das Nuvens”, sob a direção geral de Tacira Coelho, vem buscando enveredar pelo caminho das múltiplas linguagens entre o teatro e a música, sendo, inclusive, atuante em cena.

 

Fonte: http://josahcosta.blogspot.com.br/

 

Marcos Marcelo

Assistente Social, Pesquisador, Músico, Produtor Musical, Compositor, Publicitário e blogueiro.

 

 

A Praça da Bíblia

Por Daniel Rocha

A Praça da Bíblia, antes denominada Independência, foi urbanizada e inaugurada em abril de 1995. Na década de 1980 serviu de lugar para comícios, gincanas e eventos populares e  desde sempre foi um espaço de convivência e recreação para os moradores e visitantes.

O local também foi lugar de comércio devido à proximidade com o terminal rodoviário, hoje conhecida como “Rodoviária Velha”, onde diversos camelôs vendiam suas mercadorias. O serviço de frete era prestado por caminhões e carros pequenos, por isso era uma presença constante na paisagem. Durante meados da década de 1980 e início da década de 1990, a praça foi palco para as gincanas realizadas durante a  festa de aniversário da cidade onde diversas tarefas eram realizadas ao ar livre durante o dia e a noite

Segundo Tomires Monteiro, em entrevista a TV Sul Bahia  em maio 2013, as gincanas eram significativas porque buscava através de atividades culturais e esportivas valorizar aspectos da história e cultura do município.

Durante a festa as equipes, Equipicaço, Makakreó, Equipiraça, Equipapel, Junso, Furacão 2000, Ekipe gol  e outras, enfrentavam os desafios das tarefas relâmpago de curta duração e os tarefões de longa duração. As equipes contavam com 300 a 400 membros aproximadamente. De acordo o informativo sobre a festa do ano de 1990, Shopping News, havia também a eleição da Garota Gincareta e a entrega da chave da cidade.

Outro evento permanece vivo na memória de alguns moradores, trata se de estudo Bíblico regional. De acordo com Nilda Oliveira, Osvaldo Souza e Natalino Almeida, em uma conversa informal em 2012, o nome Praça da Bíblia  e uma homenagem prestada aos dias 11 e 13 dezembro 1986, quando foi realizado um encontro de igrejas evangélicas do extremo sul da Bahia na cidade para uma maratona de  72 hs de estudo bíblico.

A senhora Nilda Oliveira, por exemplo, lembra que no dia do evento foi montado um grande palco para receber os líderes regionais, houve apresentações diversas como bandas e corais dos jovens evangélicos e cantoras de diversas partes da região.

No entanto não tive acesso a nenhum registro escrito ou fotográfico sobre o evento. Para afirmar com maior propriedade se o nome foi ou não escolhido em homenagem o evento e necessário uma pesquisa melhor sobre este assunto. Aqui faço apenas uma suposição tendo como base conversas informais sobre  a praça.

Depois da urbanização em 1994 a população recebeu a praça com alegria e a transformou de acordo seus anseios. Por exemplo, o corredor onde fica hoje a praça de alimentação era um passeio aberto que depois a pedido dos patinadores foi transformada em pista  de patinação, febre no ano de 1995 e 1996. No início da década de 2000  a área  foi transformada em praça de alimentação.

Como mostra uma das fotos que ilustra o texto, era comum a criançada brincando na praça e no parquinho que contava com, escorregadores e balanços.   No palco da praça, que hoje serve a apresentações culturais e manifestações populares,  há uma placa destacando amplamente a forte pasceria do governo municipal e estadual com uma empresa de celulose “em homenagem e gratidão ao povo de Teixeira”.

A coparticipação da empresa na construção do espaço público faz lembrar a denúncia feita por Koopmans no Livro, Muito além do Eucalipto, de que na primeira metade do século passado as prefeituras da região, desassistidas pelo poder público, quando precisavam de apoio encontravam facilmente nos braços do empresariado local:

“A ausência e a omissão do estado nos setores públicos, como saúde, educação, etc., faz com que as pessoas comecem a sentir falto dos direitos constitucionalmente garantidos e transfere esse seu sonho justo, para aquele que, não somente captou este sonho do povo, mas também fomenta o mesmo através de sua propaganda. A propaganda das empresas e o sonho justo de um povo esquecido e roubado dos seus direitos principais de ter uma vida digna”. (Koopmans, 2005 p. 65).

Segundo  Maria Dercilia , sobrinha do pioneiro Manoel de Etelvina, que ficou conhecido como o Tira-Banha, o local na década de 1950, servia de passagem para as roças de mandioca de seu tio. É  de se estranhar que na praça nenhuma placa lembre os pioneiros, as gincanas, festas da cidade e o evento Bíblico de 1986.

 Referencias.

LEMBRANÇAS DE TEIXEIRA .SBN Meio Dia. Teixeira de Freitas: TV Sul Bahia. 13 de Agosto de 2013. Telejornal.

Shopping News. Aniversario da cidade 1985-1990.Teixeira de Freitas BA.

KOOPMANS. Padre JoséAlém do Eucalipto: O papel do Extremo Sul. 2005.

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

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Filósofos em ação

 

 

Por Daniel Rocha.* 

Quem disse que a filosofia não pode ser muito divertida? A pergunta vem estampada na capa da HQ, Filósofos em ação, lançada no Brasil em 2008 pela editora Gal. Os autores Fred Van Lente e Ryam Dunlavey, usam de muito humor e ação para contar a história dos mais importantes filósofos da humanidade em forma de quadrinho.

Com textos objetivos e engraçados, a revista popularizam o pensamento e teorias filosóficas, por muitos considerados chatos e de difícil compreensão. Na HQ Nietzsche e transformado em um herói clássico e Platão um lutador. Um trabalho interessante e envolvente e divertido.

O primeiro volume fala de Nietzsche e Freude, e Platão, Bodhidharma,AynRandThomas Jerfferson, Santo Agostinho, Carl Jung e JosephCampbell. No segundo Karl Marx, Jacques Derrida, Maquiavel, Jean-Paul Sartre, São Tomás de Aquino.

FILÓSOFOS EM AÇÃO VOLUME 01 e 02.
Fred Van Lente e Ryan Dunlavey
Gal Editora

Fonte:Set

*Daniel Rocha

Historiador, Bacharel em Serviço Social, Pós-Graduado em Educação à Distância (EAD), Cinéfilo e blogueiro criador do blog Tirabanha em 2010.

 

 

O cine Horizonte

Por Daniel Rocha*

A segunda sala de cinema de Teixeira de Freitas, o Cine Horizonte, foi inaugurada no ano de 1974 e funcionou até o ano de 1994. A sala de cinema ficou marcada pelas exibições de filmes picantes produzidos na região da capital paulista que ficou conhecida como a Boca do Lixo por produzir filmes com excesso de nudez e sexo.

Como a pornografia não era tão evoluída na época  provavelmente  esse tipo de filme  atraia a curiosidade da rapaziada e  a raiva de alguns conservadores.

Um bom exemplo e o filme A dama da lotação, que por ter um cartaz ousado despertou o repúdio dos conservadores da época quando  foi exposto na entrada do cinema teixeirense,  sobre isso recordou o proprietário Landoaldo Gonçalves que os cartazes picantes vendiam bem o filme.

“Quando colocávamos o cartaz ficavam muitos a dizer, este é bom”.

Mas não eram apenas os filmes da boca que faziam sucesso, os filmes de faroeste e o Kong fú, febre dos anos, 1970,1980, também atraia grande parte da audiência. Tal como o primeiro cinema da cidade, o cine Elisabete, o espaço era alugado para realização de outros eventos, como shows de calouros e festivais de músicas, muitos transmitidos pela rádio local Difusora e Alvorada AM.

Segundo Landoaldo à chegada do vídeo cassete e a popularização da TV contribuíram para o fim do Cine Horizonte. Ao longo dos anos de 1990 a queda de preços e o fácil acesso ao aparelho, fez com que o público se afastar do cinema e conseqüentemente provocar a falência da sala.

Em 1994, um carro de som anunciou a exibição do longa-metragem do anime Cavaleiros do Zodíaco, depois deste nunca mais se ouviu falar de exibições na cidade, que só voltou a viver a magia do cinema em 1996, com a inauguração do Cine Teixeira, que até hoje reina na cidade.

Causos e lembranças

Lembrar o cine horizonte é muito divertido pois há sempre uma anedota em torno dos filmes picantes exibidos, os antigos frequentadores se divertem ao contar histórias engraçadas de uma época em que o conservadorismo e a coesão social exerciam uma forte influência sobre o comportamento das pessoas.

Recorda os frequentadores, não vou revelar o nome, que diversos garotos saíam das seções de filmes picantes excitados com tanta nudez exposta na tela. Outros lembram que vestiam roupas de adultos e disfarçavam bigodes para enganar a idade e passar pela rigorosa bilheteria que não permitia entrada de crianças.

Referência

ROCHA.Daniel; OLIVEIRA.Danilo. Cinema – Contribuição no processo de Formação da Sociedade de Teixeira de Freitas nos anos de 1960, 1970 e 1980. (click e leia)

Foto: Ilustrativa.

Daniel Rocha*

Historiador, Bacharel em Serviço Social, Pós-Graduado em Educação à Distância (EAD), Cinéfilo e blogueiro criador do blog Tirabanha em 2010.

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Os nomes que a cidade de Teixeira de Freitas já teve

Por Daniel Rocha*

No romance Tieta do Agreste (1977), de Jorge Amado, o narrador faz muitas observações acerca da cultura popular, como:  “os nomes dados por autoridades , escritos em placas de metal confeccionadas em oficinas especializadas na cidade, não resistem às placas de madeira confeccionadas por mãos artesanais e anônimas. Mão do povo”.

Ao que parece o mesmo ocorreu  em Teixeira de Freitas, BA, onde as denominações oficiais historicamente foram substituídas por nomes populares dado pelo próprio povo.  De acordo o IBGE, em 14 de fevereiro de 1957, o povoado de São José do Rio Itanhém foi batizado com o nome de Teixeira de Freitas em homenagem ao ilustre baiano pai da estatística Brasileira, através do Ofício de nº 91, de 14 de fevereiro de 1957.

O documento oficial e o único até então conhecido que prova que existiu outra denominação antes do oficial no povoado que mais tarde, ao emancipar, manteve a homenagem ao ilustre baiano Teixeira de Freitas. Destacou José Esteves Ribeiro Neto:

“Em 1957, o então chefe da agência de estatística de Alcobaça, oficialmente solicitou a prefeitura e a câmara daquele município uma homenagem póstuma ao imortal baiano Teixeira de Freitas, dando-lhe o seu nome ao povoado de São José de Itanhém, o que foi bem aceito pelo, então, prefeito municipal”.

O batismo oficial não impediu que a cidade recebesse  alcunhas e apelidos dados pelos populares, falo isso com base nas falas de antigos moradores descritas em documentos e publicações  que serão citados a seguir.

Miguel Geraldo Farias Pires  em um compilação  histórica feita  por ele no ano  1986,  publicada na edição especial do jornal Alerta  de  maio de 2013 diz que:

“Devido a bifurcação das estradas de rodagem de Alcobaça e Água Fria, atualmente Medeiros Neto, e do povoado de São José de Itanhém até o porto de Santa Luzia, no município de Nova Viçosa – sendo esta última de propriedade da firma de madeira “Eleozibio Cunha” , o povoado de São José do Itanhém era conhecido como Perna Aberta”.

Em entrevista a revista  Origens, Teixeira de Freitas, em 1985, o senhor Servídio do Nascimento ( em  memória) recordou que além de tantos outros o município também foi  por muito tempo chamado  de   “Arripiado” ,  assim chamado por haver muita discussão e bate boca no pequeno comércio.

Recorda também o senhor Nascimento que  o primeiro comerciante do povoado, Chico D´água, ao construir  no lugar uma barraca para vender aos motoristas que passavam pela estrada da “Eliosippio Cunha”, plantou uma grande roça de  mandioca onde hoje está o centro da cidade, por isso o lugar foi apelidado  pelos madeireiros e passantes de Mandiocal.

No trabalho monográfico, A vida privada dos Negros pioneiros no povoamento de Teixeira de Freitas, na década de 1960,  Susana Ferreira evidencia que o povoado foi por um período conhecido como o Comércio dos Pretos:

“Tão logo foi aberto o caminho de terra pela empresa mineira “Elecunha”, de “Eleosippo Cunha”, mudaram se para o lugar, chamado na época de Mandiocal, os negros Francisco Silva e Manoel de Etelvina – este abriria um boteco, tornando o comerciante pioneiro. Assim iniciava o “comércio” mais tarde denominado de “Comércio dos Pretos”.

Recordou Isael de Freitas Correa (em memória) em entrevista no ano de 2009, que  “o povoado mudou de “Ripiado”, Arrepiado, para Tira-Banha, porque deram uma facada em Manoel de Etelvina, comerciante pioneiro, gordo e barrigudo”. Reza a lenda que a facada tirou a banha do pioneiro.

Como Teixeira cresceu na divisa dos municípios de Alcobaça e Caravelas, não se pode deixar de falar da parte Caravelense do povoado  a Vila Vargas, que surge com a exploração da madeira ao sul das primeiras estradas de rodagem, hoje conhecida como AV. Marachal Castelo Branco.

Benedito Ralile revela que  “a formação do povoado se deu na era Vargas, (ditadura por isso esta homenagem em detrimento ao presidente Getúlio Vargas, década de 1950)”.

E importante ressaltar que os nomes oficiais não são escolhidos pelos moradores, a denominação popular sim, tem um sentido, informa e caracteriza o lugar de acordo a sua identidade e cultura,

a  oficial não tem outra função a não ser homenagear uma figura importante da história do país e do estado.

Ao batizar o povoado com o nome de Teixeira de Freitas, as autoridades tiraram da cidade um nome coerente com sua história e cultura, como expressava o significado  dos apelidos , Comércio dos Pretos, Mandiocal, São José do Rio Itanhém.

Ainda hoje se escuta por aí alguns toponímicos como Teixeira das Tretas, Texas City,  Praças dos Leões, que oficialmente e a Castro Alves, o Bairro Wilson Brito, popularmente Buraquinho. Nomes ditos e escritos pela mão do povo.

Referencias.

RALILLE, Benedito Pereira; SOUZA, Carlos Benedito de.; SOUZA, Scheila Franca de.

Relatos históricos de Caravelas: (desde o século XVI). Caravelas, BA: Fundação Professor  Benedito Ralille, 2006.

JORNAL ALERTA. Teixeira de Freitas: (Gráfica Jornal Alerta, Ano XII N° 779ª,

maio, 2007). Edição especial de aniversário de 22 anos de Teixeira de Freitas.

BANCO DO NORDESTE, As origens. Teixeira de Freitas, Fortaleza – Ceará. P.05-07, Janeiro 1986.

FERREIRA, Susana. A vida privada de negros pioneiros no povoamento de Teixeira de Freitas na década de 1960. Uneb campus- x. Teixeira de Freitas BA, 2010.

http://www.ibge.gov.br/cidadesat/historicos_cidades/historico_conteudo.php?codmun=293135 > Acesso em: 05 de agosto 2013.

Foto: Lateral da prefeitura municipal 1985.Jornal Alerta 2013.

Daniel Rocha*

Historiador, Bacharel em Serviço Social, Pós-Graduado em Educação à Distância (EAD), Cinéfilo e blogueiro criador do blog Tirabanha em 2010.

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O rio Itanhém parte 01

O rio Itanhém parte 02

A exploração da Madeira parte 01

Medicina oficial em Teixeira de Freitas.

Mulheres parteiras em Teixeira de Freitas parte 03

Mulheres parteiras em Teixeira de Freitas parte 01

Mulheres parteiras parte 02.

Praça da prefeitura

O causo do Tatu papa -defunto.

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História de Teixeira de Freitas Bahia

 

 

 

Vídeo Aulas e Apostilas Musicais – Parte 01

Agora o conhecimento não vai ficar apenas na memória do PC, separamos o melhor da teoria musical e apostilas para o estudo básico na leitura musical. Fique à vontade e confira o material selecionado especialmente para todos os profissionais e amantes da boa música.

Apostilas Musicais no link abaixo:

http://www.tirabanha.com.br/?post_type=historia

Como Ler Partituras I

 

 

Como Ler Partituras II – Duração

 

 

Como Ler Partituras II | Exercícios

 

 

Como Ler Tablaturas

 

Rua da Cultura

Por Daniel Rocha

Maior  que  rua só o talento. Nesta sexta, dia 20 de setembro, acontece na rua Prudente de Moraes – centro, mais uma edição do projeto rua da cultura. A partir das 18 Horas,com apresentação da Pestalozzio e o cantor Daniel Zaniqueli.  No dia 21/09, sábado, apresentação da Ong AREMPEC ,apresentação de Dança, teatro e do cantor Cássio Leite.

Daniel Rocha

Historiador, Bacharel em Serviço Social, Pós-Graduado em Educação à Distância (EAD), Cinéfilo e blogueiro criador do blog Tirabanha em 2010.

Noite de premiação nos Salões de Artes Visuais da Bahia em Teixeira de Freitas

AS OBRAS DE   20 ARTISTAS ESTÃO EXPOSTAS NO CENTRO DE CULTURA DO MUNICÍPIO

POR FUNCEB*

Teixeira de Freitas, no extremo sul do Estado, abriga a segunda etapa dos Salões de Artes Visuais da Bahia 2013, cuja abertura oficial, na última sexta-feira (16), reuniu dezenas de artistas e convidados no Centro de Cultura do Município (rua Prudente de Moraes, 147, Centro), numa noite que culminou com a premiação dos vencedores entre os 20 expositores da mostra, selecionados através de edital público. O evento, promovido pela Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), entidade vinculada à Secretaria de Cultura do Governo do Estado (SecultBA), conta com a parceria da Prefeitura  Municipal de Teixeira de Freitas. O Salão foi aberto ao público no sábado (17) e poderá ser visitado até 29 de setembro, gratuitamente, de segunda a domingo, das 9 às 12 e das 14 às 21 horas.

A solenidade de abertura do Salão contou com a presença do prefeito de Teixeira de Freitas, João Bosco Bitencourt;  diretora da Funceb, Nehle Franke; coordenadora de Artes Visuais da Funceb, Luciana Vasconcelos;  secretário de Educação e Cultura de Teixeira de Freitas, Ari Silva Santos; secretária de Esporte e Cultura de Itamaraju, Dilce Moura, vereadores locais e também o representante territorial do extremo sul, Junieques Santos, dentre outros. O mestre de cerimônia foi o ator Ricardo Fagundes, e a noite teve ainda música ao vivo e coquetel.

PREMIADOS – A comissão julgadora, formada por Irley de Jesus Leal (artista plástico de Teixeira de Freitas), Priscila Lolata (professora do SENAC /Salvador) e Tom Boechat (professor da UFES), conferiu três prêmios de R$ 7 mil para os artistas Clara Domingas, com a obra “Feels Like Homie” (instalação); Devarnier Hembadoom Apoema,Caixa de socorro para hipocondríacos compulsivos” (objeto) e  João Oliveira, “Porque as Fêmeas conhecem tudo da dor” (gravura em metal). Também foram concedidas Menções Especiais aos artistas Osvaldo Carleone, “Requiescat in Pace” (videoarte) e Tiago Sant’ana, “Como explicar Rousseau, a origem da propriedade privada e o homem em estado de natureza para 20 quilos de peixe fresco” (instalação). Posteriormente, será anunciado o Prêmio do Público, concedido através do voto dos visitantes.

*Fundação Cultural do Estado da Bahia – FUNCEB

Foto : Trabalho premiado de João Oliveira, “Porque as fêmeas conhecem tudo da dor”

Foto de Tiago Barreira (Divulgação)