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Em 1973 um caravelense agitou “a capital do extremo sul da Bahia”

Por Daniel Rocha

Com uma aposta de 8,00 cruzeiros, o que na moeda atual equivale aproximadamente 10 reais, o tabelião caravelense Odorico Lopes, na época com 67 anos, dono de um cartório na cidade de Caravelas, e de uma fazenda em Nanuque, MG, acertou sozinho na antiga “Loteria Esportiva” um prêmio de 13 milhões, apontado , até então, como o maior já pago no mundo.

O cartão do vencedor foi perfurado na cidade vizinha de Nanuque, cidade mineira próxima à fronteira entre os dois estados, onde o tabelião tinha uma fazenda de criação de gado, por essa razão as primeiras notícias sugeriram que o ganhador poderia ser  um  nanuquense.

Agitação que chegou a provocar um desmaio e muito movimento na porta da Prefeitura, que precisou de proteção especial para conter a multidão que horas mais tarde acalmou o movimento quando foi divulgado que o ganhador era na verdade  um caravelense.

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O apostador Odorico Lopes

O episódio  faz lembrar algo que é bem conhecido entre os estudiosos da história da região, até a década de 1970 essa parte do extremo sul da Bahia tinha como “capital” a cidade mineira de Nanuque, que era assim chamada  por ser o centro de referência de compras para o vale do Mucuri e as cidades do Extremo Sul da Bahia e norte do Espírito Santo.

Influência construída pelo trânsito constante de mineiros e baianos nos dois lados da fronteira, movimento que por muitos anos foi favorecido pela estrada de ferro Bahia -Minas  (EFBM) linha ferroviária implantada em 1882 que ligava o nordeste de Minas Gerais ao sul da Bahia, desativada em 1966 em detrimento da abertura de novas estradas como a BR-101, que subordinou a região a influências dos estados do sudeste do país e da capital Salvador.

Por fim a Bahia e Minas foi mais do que um canal de trocas comerciais, foi também um lugar de intercâmbio cultural e de costumes, tal como expressa o caso do apostador caravelense e outros relatos de acontecências que ligam os dois povos  que ainda hoje, independente das delimitações oficiais das fronteiras entre os dois estados,  possuem culturas autonômicas.

Fontes:

ELEUTÉRIO,  Arysbure Batista. Estrada de Ferro Bahia e Minas “A Ferrovia do Adeus”.

NETO, Sebastião Pinheiro Gonçalves de Cerqueira. Contribuição ao estudo Geográfico do município de Nanuque. 2001.

Jornal O Globo, março de 1973

Correio Manhã Abril de 1974

Foto principal: Cidade de Nanuque

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Em 1981 crítica à ditadura animou o Carnaval em Caravelas

O comércio em Teixeira de Freitas

Em 1981 crítica à ditadura animou o Carnaval em Caravelas

Por Daniel Rocha

No início de 1980 o regime militar cambaleava, os partidos e a sociedade civil organizada alinhavam-se nas capitais e no interior para exigir a volta da democracia e o fim da supressão dos direitos constitucionais.  

Em 1982 novos desdobramentos dos protestos de rua contra a ditadura ganhavam força às vésperas da realização das eleições diretas para governador, a primeira depois do golpe de 1964.  

Uma informação publicada em um jornal da época, chama a atenção e sugere que os foliões da cidade de Caravelas usaram a liberdade proporcionada pelo carnaval para ocupar as ruas e endossar as críticas ao general João Figueiredo, então presidente do país.  

Segundo o jornal uma marchinha de carnaval composta pelo morador  Clodomir Siquara,  no ano anterior , 1981, fez sucesso entre os citadinos e turistas de várias partes que participaram da festa carnavalesca da cidade, “a mais popular e tradicional da região”.  

Entoada em protesto contra o ditador João Figueiredo, a marchinha em questão, que conquistou o gosto dos foliões, denunciava, dentre outras coisas, a situação do precário abastecimento nacional e a escassez de Petróleo causada pela inoperância do governo e por uma crise internacional. Confira os versos.

“Ai seu João, Deixa eu Brincar. Com meu carro de mão. Meu carro não tem farol, não tem Buzina. Não gasta Gasolina. Ai seu João. Ele gasta só um pouquinho de feijão. O meu carro é de brinquedo, seu Figueiredo.”  

Considerando a “popularidade” da música carnavalesca suponho que os foliões já demonstravam disposição para os protestos, tal como os brasileiros moradores das principais capitais, que timidamente tomaram as ruas em 1982 e, definitivamente, em 1983 e 1984 pelas “Diretas Já”. Movimento que veio a culminar com a eleição indireta de Tancredo Neves à presidência em 1985. 

No presente com o atual presidente, Michel Temer, ostentando o posto de líder mais impopular da história do país, não se assuste se novas músicas e marchinhas de protestos invadir o carnaval da região e do país.