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Saudades da infância!

Por Paulo Alves  

Gosto do tempo de infância, onde a militância era ser criança. Criança sem malícia ruim, sem maldade, onde a única alegria era brincar, fazer de conta e criar!

Recordo que em um passado tão breve, vivia grandes momentos simples, lindos, bonitos e divertidos. Sem dor, rancor e desamor. Sorria, gargalhava, cantarolava e dançava sem um som ou simplesmente quando o vento assoviava, era simples, isso vinha do nada.

Nossa! Como é bom relembrar os momentos forasteiros em meio aos grãos da areia, quando a luz solar refletida nas águas agitadas do mar, assim as ondas vinham cantando e com um som angelical me pedia pra te beijar.

Ah! Que saudades de lá, que saudades do tempo da chuva que fazíamos questão debaixo dela brincar. Saudade do amor amado nas camas alheias, onde nós olhávamos pelas frestas da porta o desejo ardente do casal, nos carros arranjados, nas estradas, na rua, no mato e no mais requintado lugar, nossa travessura era espiar.

Ah! Que saudade de lá, da infância vivida, corrida, livre, aberta e com um respeitar apenas por um olhar. Poxa! Como é bom sentir a doce saudade de um tempo passado que só vem para me fazer sorrir, me fazer viajar num sentimento que jamais passará.

Sentimento de liberdade, cumplicidade, amigos tão sinceros que, até uma única bala doce dividia-se em 5 pedaços, tudo para manter um amigo feliz e mais animado.

Pois é, estou simplesmente expressando o que uma simples saudade inspira e me faz recordar. Deu saudades de voltar, ah se pudéssemos agir como nos filmes, voltar ao passado, poder como no conto ou como a varinha mágica, tocar e as coisas tristes e ruins mudar.

Fazer diferente, repetir aquelas recordações que tanto nos fazia viajar numa alegria tão intensa, intensidade vivida pelos simples brinquedos inventados, uma cantiga de roda, quem não se lembra das brincadeiras riscadas no chão, quem nunca brincou de caí no poço, bandeirinha, guarda meu anelzinho, gude e tantas outras.

Sentir saudade da infância é recordar um tempo de paz, amizade, amor, e total liberdade. Onde as brigas eram resolvidas após o término, onde todos voltavam a brincar, não havia drogas, armas ou qualquer coisa do tipo exposto entre os amigos.

Que a saudade de lá, venha sempre em nossa memória para nos fazer refletirmos o quanto é bom sermos como criança nesse mundo adulto e tão contaminado pela maldade. Tempo de infância é sentir a saudade de ser criança. Um forte abraço.

 

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Filmes que marcaram época em Teixeira de Freitas : Batman – O Retorno

Por Daniel Rocha

O filme Batman – O retorno (EUA), lançado mundialmente em 1992, narra a história de um dos  vigilante mascarado mais conhecidos do mundo. Símbolo de determinação e coragem. O herói americano conquistou uma legião de fãs através  da exibição do filme uma intensa ação promocional dos estúdios Warner Bros em parceria com o refrigerante Pepsi – Cola marcando uma época na cidade.

Em Teixeira de Freitas, cidade do extremo sul da Bahia, não foi diferente, com figurinhas dos personagens estampadas  nos seus produtos, refrigerantes, levaram as crianças a se divertir caçando tampinhas para trocar por brindes na distribuidora local de bebidas.

Na época, em razão, em partes, da  crise econômica e a perda gradual de público, o Cine Brasil, que também funcionava como teatro e casa de show, como a maioria das salas de cinema do interior, ameaçava encerrar as atividades a qualquer momento e complicar ainda mais o frágil panorama cultural da cidade, fato que deixava preocupado os frequentadores. 

Público cada dia mais ausente das salas graças à popularização do  videocassete ou porque, sem dinheiro para ir ao cinema, no caso dos filhos e trabalhadores da classe mais humilde, que já  não o frequentava com a mesma intensidade de antes para economizar.

Como parte da campanha promocional os refrigerantes da Pepsi- Cola  passou a trocar tampinhas por brindes na distribuidora local. Na recepção do comércio, mediante a apresentação da quantidade correta, era feita a troca por copos e pôsteres com desenhos dos personagens do filme.

Sem dinheiro para consumir refrigerantes na intensidade exigida pela promoção  algumas crianças formaram grupos de busca de tampinhas descartadas nos bares e trailers que circulavam a Praça principal, Praça da Prefeitura, a fim de reunir a quantidade necessária para ganhar o brinde.

“Assim que juntava uma determinada quantidade eu e um grupo formado por mais quatro colegas partiam em direção à antiga distribuidora Líder, mais conhecida como “Brahma”, para encarar uma fila gigantesca e trocar as tampinhas por pôsteres do filme”.

Revela José Cláudio, 35 anos, capixaba natural de Linhares, filho de madeireiro que migrou para baiana Teixeira de Freitas na década de 1980, que passou a infância no bairro Recanto do Lago até retornar para o estado natal em 2002. Ele,  que como outras crianças do bairro, meninos entre 10 e 12 anos, buscaram e reuniu tampinhas para trocar por brindes e teve a oportunidade de ir ao cinema conferir o lançamento do filme. Recorda dentre outras coisas que no dia da estreia no cine Brasil a fita atraiu uma multidão de fãs.

“Eu assisti  na matinê, primeira sessão, só que o filme não agradou… Era muito artístico  para época, logo o movimento foi caindo… Apesar da popularidade dos quadrinhos filmes de heróis era coisa só para fãs do gênero ou leitores de revistinhas… Eu era fã por isso fui ao cinema com os meus amigos vizinhos e leitores como eu,” lembrou.

O filme estreou dia 3 de julho de 1992 com 145 cópias em 50 cidades no Brasil, mas é bem provável que não exatamente nessa data em Teixeira de Freitas. “Na região as fitas chegavam tempos depois do lançamento nas capitais”, informou o gerente do cinema Jovelino da Costa, o Figão. Apesar de não haver dados e nem informações sobre o sucesso ou fracasso do filme na cidade é fácil concluir que à exibição do mascarado mais conhecido do mundo não foi suficiente para impedir o fechamento do Cine Brasil em 1993.

Fontes: 

ROCHA. Daniel; OLIVEIRA. Danilo. Cinema – Contribuições no Processo de Formação da Sociedade de Teixeira de Freitas nos anos de 1960, 1970 e 1980. UNEB – Campus X, 2010, Teixeira de Freitas-BA.

KOOPMANS. Padre José. Além do Eucalipto: O papel do Extremo Sul. 2005

Reforço na área de lazer. Revista Regional Sul. Ano I- Nº 02 . Abril de 1992. Teixeira de Freitas – BA

O maior vilão de Batman é Tim Burton. O estado de São Paulo. Caderno 2. 03 de julho de 1992.

Fonte Oral: Conversa informal com José Claudio Nossa. Junho de 2016.

Imagem: Superherois-br.com

Daniel Rocha

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

E-mail: tirabanha@tirabanha.com.br ou samuithi@hotmail.com

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