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Teixeira de Freitas 34 anos: O Policial Rodoviário da cidade

Por Daniel Rocha

A BR -101 rodovias federal que corta a cidade, inaugurada em 1973, permitiu uma série de mudanças na estrutura econômica da região do extremo sul da Bahia e na cidade de Teixeira de Freitas. Com ela saímos de uma economia exclusivamente agrária e extrativista para um comércio ligado à dinâmica dos negócios do sudeste do país.

Alguns moradores pertencentes a famílias nativas e tradicionalmente ligadas à agricultura e ao comércio local, caminho natural para os descendentes, mudaram o rumo de suas histórias permitindo aos filhos galgar por caminhos nunca antes percorridos por um membro da família.

Isael de Freitas Correia e Maria de Lourdes Cajueiro

Nosso colaborador, memorialista Domingos Cajueiro Correia, por exemplo, que é filho de pais pioneiros, Isael de Freitas Correia e Maria de Lurdes Cajueiro Correia, parteira de muitos afilhados por toda Teixeira de Freitas, ilustra bem o que estamos falando.

Embora nascido e criado no universo rural  do então povoado Domingos Cajueiro Correia, Cajueiro como é mais conhecido, foi o primeiro teixeirense aprovado em concurso público para policial rodoviário realizado depois da abertura da BR-101 para a cidade em 1977.

Um grande feito de quem começou a estudar aos 08 anos de idade em uma escolinha do povoado  e que por volta dos seus 11 anos trabalhava transportando do trevo da BR 101 (próximo ao Batalhão da Polícia Militar de Teixeira de Freitas) até o centro da cidade o leite que era vendido no centro do povoado.

Domingos Cajueiro Correia

Após concluir o primário no então povoado de Teixeira de Freitas Cajueiro foi obrigado a migrar para a cidade de Caravelas em 1969, para cursar o ginásio, que corresponde hoje ao ensino fundamental, no Ginásio Santo Antônio,  uma tradicional instituição de Ensino, que contava com a contribuição de famílias de alunos que podiam pagar e o incentivo do poder municipal para quem não podia, poucos tinham acesso.

Após concluir o ginásio, Domingos Cajueiro retornou a cidade apenas em 1971 quando o lugar já disponha de escola de segundo grau fundada por membros da Igreja Católica e moradores locais, dentre eles o seu pai Israel de Freitas Correia.

Em 1976, Domingos Cajueiro concluiu o curso de contabilidade no Centro Educacional Professor Rômulo Galvão (CEPROG), como aluno da primeira turma de formandos de Teixeira de Freitas. Um ano depois, 1977, fez a inscrição e foi aprovado para a Polícia Rodoviária Federal (PRF), e foi admitido em 01 de outubro de 1979, tornando-se o primeiro policial rodoviário federal nativo de Teixeira de Freitas, profissão que continua e exercendo até os dias atuais.

Domingos Cajueiro, centro, e amigos

Durante os 40 anos na corporação federal, Domingos acompanhou a circulação de mercadorias e pessoas vindas de várias partes que se instalaram como moradores e comerciantes e as tragédias e alegrias do infinito vai e vem de carros. Elemento que ainda hoje desenha a relação econômica da região e as trocas comerciais do município que no presente, comparando com o passado, é um oásis de oportunidades para todos.

“Sinto que Teixeira uma grande referência para as outras cidades circunvizinhas…. Houve uma enorme evolução na saúde, educação na segurança pública, comércio, moradia e infraestrutura. Bem diferente da Teixeira que conheci no passado. Expressou Cajueiro em um bate-papo informal.

Homenageado pela câmara Municipal de Teixeira de Freitas no último dia 24 Abril com a “Moção de Profissional de Segurança Pública Destaque”, Domingos Cajueiro aproveitou a oportunidade para agradecer e lembrar seus companheiros de trabalhos e familiares, que em torno dele fez lembrar a importância e doação para história e construção da cidade.

Família Cajueiro Correia

“Este é um momento único para todos que compõe esta gloriosa instituição PRF… Quis o destino que eu fosse o escolhido pelos meus pares, a minha gratidão a Chefe da Delegacia Inspetora Neila Cardoso … Quero agradecer em primeiro lugar a Deus, minha família (esposa, filhos, irmãos), compartilhar essa homenagem a minha falecida mãe Maria de Lourdes e ao meu falecido pai Isael de Freitas Correia que fora pessoas de maior valor na história de Teixeira… Meu pai um dos fundadores e quem melhor descreveram a cultura negra quando a cidade ainda era povoado”.