Por Adriana Oz

Temos um costume antigo de banhar o defunto, vestimos-lhe a melhor roupa, cobrimos-lhe a palidez e a feiura da morte com maquiagem e penteamos-lhe como se a uma festas fosse e ficamos a dançar com o defunto a última valsa triste à luz de velas.

Assim também fazemos quando morre um amor, uma amizade ou outro sentimento… maquiamos, disfarçamos os ferimentos, cobrimos a falta de vida e vestimos o falecido, assim a morte nos parece menos feia.

Depois que a vida se foi, não resta mais nada. Fechamos o caixão e jogamos o último punhado de terra e colocamos uma lápide com os dizeres:
“Aqui jaz o meu tempo perdido”.

 

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