Meu caro amigo, Chico

Por Erivan Santana *

A coisa por aqui está preta, ou melhor dizendo, o Brasil está queimando, com o Pantanal Mato-Grossense e a Amazônia em chamas. É triste, é penoso ver os animais buscando salvação, desorientados, sem entender o que está acontecendo, com muitos deles morrendo, com registros também de perdas de vidas humanas, em sua grande maioria, voluntários e bombeiros tentando conter os incêndios. E o mais desolador é constatarmos a ausência de políticas públicas de proteção e preservação ambiental para o país. Voa pintassilgo, voa pintarroxo, uirapuru, foge asa-branca, se esconde macaco-prego, onça pintada, que o bicho homem vem aí.

Somado com a pandemia do covid 19, o cenário é assustador. Todos os dias, despertamos com a esperança do anúncio da chegada da vacina, e embora algumas estejam em estágio avançado, como a da Rússia e a de Oxford, ainda não estão disponíveis para a população.

Ah, mundo, vasto mundo, como diz aquele poeta, quanto aprendizado, hein? No final das contas, estamos descobrindo os reais valores da vida. Países ricos, como os europeus e os EUA, estão desesperados sem ter muito o que fazer, milionários querendo viajar e gastar suas fortunas, enquartelados em suas casas e mansões, carros guardados em garagens, sem poder sair. Quanto a isto, e com a produção industrial em queda, o meio ambiente agradece.

Verde que te quero ver, quero mais é ar para respirar, deixando os cachorros por perto, que aliás, estão a perguntar: “O que os humanos fazem, que não largam estas focinheiras?”

O momento é para agradecer, perdoar e não se esquecer do verbo “amar”; aliás, fazendo jus à geração dos anos 60, redescoberta neste momento, coloque um lembrete destes na porta da geladeira, e viva a contracultura!

Bom dia, gratidão, vida! Um abraço, meu caro amigo, lembranças à Cecília, e às crianças, cuide-se bem, até a próxima, adeus!


*Erivan Augusto Santana é colaborador do site, professor, escritor, poeta, graduado em letras, Mestre em Ciência da Educação  e membro
Academia Teixeirense de Letras (ATL)

A sombra de Grace – “O filme que dá má fama aos psiquiatras”

Lançado em 1994, o filme A sombra de Grace ( Inevitable Grace. EUA), conta a história de uma médica psiquiatra envolvida com o marido de uma paciente que gosta de perigosos jogos eróticos. Com direção Alex Canawati, o longa tem  Maxwell Caufield, Tippi Hedren, Vitoria Selleres no elenco.

No filme Verônica (Jennifer Nicholson) é uma mulher atormentada que ao sair correndo de um cinema e a cometida por um ataque de histeria que a faz perder a consciência. Ao acordar ela encontra-se em uma clínica, supervisionada pela Dra. Márcia Stevens (Tippi Hedren) que decide colocá-la sob os cuidados da Dra. Lisa Kelner (Stephanie Knights), uma psiquiatra ingênua que está fazendo residência no hospital. Durante a primeira sessão, Verônica murmura algo sobre a fuga e abusos sofridos pelo afoito marido Adam Cestare (Maxwell Caulfield).

Envolvida com o caso, Lisa procura e descobre onde mora o marido da paciente e desafiando os regulamentos do hospital se envolvendo emocionalmente com ele em uma trama irregular e cheia de falhas.

Em 1994 o site da revista americana Variety considerou o filme confuso e ruim e prejudicial a imagem da psiquiatria. “A sobra de Grace é o tipo de filme que dá má fama aos psiquiatras, aqui retratados como instáveis ​​e mais problemáticos que seus pacientes.”

Trailer do filme

PORQUE É SETE DE SETEMBRO

Erivan Augusto Santana*

Hoje é Sete de Setembro, mas não houve convocação para a avenida, os ônibus não passaram levando os alunos para o desfile, as bandas das escolas silenciaram. O silêncio é grande. Das casas, as janelas espiam a vida, e há semblantes de medo e dor de quem perdeu um amigo, um parente, um vizinho..

E no entanto, o país espera melhores dias. Os pobres, pretos, indígenas e favelados têm medo da Faria Lima e sabem que não são bem vindos na Paulista. Enquanto isso, a bolsa de valores e o mercado aguardam o aquecimento da economia, o consumo, as viagens, as compras de eletroeletrônicos, afinal, viver é consumir, o progresso não pode parar… A mãe Terra sofre, agoniza, pede socorro, com rios, mares e ar estupefatos com tanta poluição. A vida é mesmo a melhor escola, chegamos na esquina da História, é certo que muitos aprenderam o verdadeiro valor e sentido de ser, estar no mundo.

Hoje, quando a reclusão ficou evidente, as pessoas têm fome de abraços, sorrisos, encontros, fome de vida. Ouço o Hino da Independência e a Canção do Marinheiro (Cisne Branco), e não deixo de olhar para a bandeira, augusto símbolo da pátria, e toda a esperança e grandeza que ela me traz.

*Erivan Augusto Santana é colaborador do site, professor, escritor, poeta, graduado em letras, Mestre em Ciência da Educação  e membro
Academia Teixeirense de Letras (ATL)

Memórias de Um Gigolô: A boa bilheteria tirou o filme de cartaz

A história do cinema nacional é irreverente e carregada de curiosidades. Em fevereiro de 1971, por exemplo, o juiz da 12º Vara Cível , Sr, N. Arlindo Pinto, determinou a apreensão do filme Memórias de Um Gigolô (Brasil, 1970) em todo o país a pedido da Paramount Films of Brazil Inc.  e da companhia Cinematográfica Franco – Brasileira.

Segundo o Jornal do Brasil de 09 de setembro 1971, as empresas que solicitaram a retirada alegaram que a Ipanema Filmes S, A. responsável pela distribuição do filme em todo o Brasil se recusava a partilhar as bilheterias obtidas, dentro das cotas ajustadas em contrato. 


Cláudio Cavalcanti

Ainda de acordo com o periódico, o  ator Jece Valadão  que tem  um papel de destaque no filme, era um dos seus produtores e principalmente acionista da Ipanema Filmes. 

Dirigido por Alberto Pieralisi e produzido pela Magnus o filme tem roteiro baseado em livro de Marcos Rey e conta com Cláudio Cavalcanti, Mariano,Ghessa, Fábio Sabag e Afonso Stuart no elenco. Em 1970 o filme foi o quarto mais assistido no país e teve um público estimado de 1.277.932 espectadores.


Teixeira de Freitas, uma história

Por Erivan Santana

Toda cidade traz a sua história no seu chão, nas suas ruas, casas, pontos históricos e comerciais, personagens e acontecimentos diversos, que o diga a nossa primeira capital Salvador, e com Teixeira de Freitas não é diferente.

Um dos pontos centrais da Princesa do Extremo Sul é a Praça da Bíblia, antiga praça da Independência, onde ficava a Rodoviária Velha, lugar de muitas lembranças. A lanchonete Pai D’egua de D. Penina funcionava ali, ao lado da agência da Águia Branca, onde o movimento de passageiros e transeuntes era intenso. 

A rodoviária usava uma caixa de som, com microfone meio que artesanal, mas funcionava. “Atenção senhores passageiros com destino a Pedro Canário, S. Mateus, Linhares, João Neiva e Vitória…”, anunciava o improvisado apetrecho.

 Enquanto isso, o SULBA, que saia de Posto da Mata, nas primeiras horas da manhã, encostava, com destino a Salvador. Bons tempos. Ônibus com linhas intermunicipais vinham chegando, misturados com os que iam para Salvador, S. Paulo, Belo Horizonte e Vitória.

A antiga praça da Independência ficou conhecida também pelas famosas gincanas estudantis, entre as décadas de 80 e 90, que faziam muito sucesso e fizeram história. O bar do “Seu Vitô”, também era muito festejado e lembrado, ficando ali perto.

Onde era a Pão Gostoso (hoje uma farmácia), funcionava um posto de combustível, com apenas duas bombas, tendo o lugar passado por muitas transformações. E o que dizer do bar do ARUTEF, que funcionava ali no térreo, onde hoje é a Prefeitura? Os teixeirenses admiram aquela histórica foto, com algumas pessoas caminhando, numa avenida Mal. Castelo Branco muito ainda no seu início, mostrando o prédio ao lado, ainda em construção.

Situada no centro da região do Extremo Sul, Teixeira de Freitas olha para os arredores, como quem desejasse dar alguma atenção, já transformada num importante centro comercial e educacional, mas à espera de uma livraria, um teatro, e mais avanços nas áreas da Saúde, Educação e da Cultura, paz e igualdade social!

*Erivan Augusto Santana é colaborador do site, professor, escritor, poeta, graduado em letras e mestrando em Ciência da Educação  e membro
Academia Teixeirense de Letras (ATL)

Alcobaça 1971: Os seresteiros da noite

Por Daniel Rocha

Até a década de 1970 o extremo sul da Bahia era uma região que recebia pouca atenção do estado.Sem acesso a energia elétrica cidades eram obrigadas a conviver com a escuridão e os precários geradores de energia, realidade que agradava os seresteiros e incomodava turistas.

Em 1971 noticiou um jornal de Nanuque (MG) que os veranistas que lotavam as praias de Alcobaça reclamavam constantemente contra a falta de luz na cidade que estava praticamente no escuro. Na época o então prefeito Amazias Barreto de Morais declarou que já havia feito de tudo para solucionar o problema, porém não havia  conseguido resolver a tempo  de atender a expectativa dos moradores e veranistas.

Naquele ano Alcobaça havia recebido ao menos 3 mil visitantes, boa parte do estado de Minas Gerais, trazidos por ex-moradores residentes no estado vizinho que além de fazer circular a economia popularizaram nos anos de 1950 e 1960 o hábito de usar a praia como espaço de lazer, para muitos dos moradores, pescadores, o mar era um lugar de trabalho.

O crescimento do número de turistas também pode ser associado a abertura de estradas e novas linhas de ônibus que passaram a circular com mais vigor a partir de 1968, período na região que tinha a cidade de Nanuque ( MG) como ” a capital”.

Segundo Fábio M. Said, inicialmente essa invasão de turistas mineiros provocou a ira dos nativos, porém com o tempo os mesmos perceberam que o turismo era algo positivo e  lucrativo para cidade. Dessa interação nasceu tradições de verão como a realização de bailes e serestas na praia e no Bar Brasil e favoreceu também o crescimento de eventos culturais tradicionalmente apresentados em locais com o da praça da Igreja Matriz.

Consequentemente, registrou o jornal mineiro em 1971, romantizando o problema, que um grupo de moradores  não se importavam muito com a falta de energia na cidade, muito pelo contrário, desejavam a escuridão. “Os seresteiros de Alcobaça não se importavam muito com a falta de luz elétrica durante a noite porque o que os interessava era as estrelas e o luar”, destacou.

Fontes:

SAID, Fabio Medeiros. História de Alcobaça – Bahia (1772-1958)

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

jornal F.N 06/02/1971

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

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O causo da dupla Noivo e Noivado

Por Daniel Rocha

Nos anos de antigamente, lá pelos idos de 1968, havia uma feira onde hoje é a Praça dos Leões. Foi naquele entorno que se instalou “a primeira” grande loja do então povoado de Teixeira de Freitas, Casa Bom Jesus, de propriedade do senhor Caitano, “pernambucano de Caruaru”, que já trabalhava com a venda de roupas e tecidos e resolveu investir no lugar carente de lojas do ramo.

A loja ficava próximo ao movimento da feira que atraía agricultores motivados a vender suas produções. Dentre estes o senhor Natalino A. Santos que no ano de 1968 ainda morava na Vila Marinha, hoje distrito do município.

Naquele ano de 1968 novas empresas de ônibus passaram a circular no povoado transportando gente de todas as  parte para Teixeira de Freitas aumentando o fluxo na feira, o ponto de embarque e desembarque de passageiros também ficava  naquelas imediações.

Contudo devido a falta de estradas de acesso, para chegar na feira ele tinha que vim de canoa pelo rio Itanhém onde vendiam produtos produzidos na roça da família como Banana e Mandioca e faturar fazendo apresentações artística. Com o irmão Jesuíno, Natalino formava uma dupla de violeiros “Noivo e Noivado.” 

 A primeira grande apresentação da dupla foi durante a inauguração da famosa loja Bom Jesus, que ficava na Avenida Marechal Castelo Branco onde hoje tem uma agência do Banco Bradesco. Por conta disso, contou Natalino, ficaram bem conhecidos por todos os moradores do lugar e da região circunvizinha que frequentava a feira. 

“Naquele tempo, o pessoal saía de Alcobaça, Caravelas e Juerana para comprar na feira da praça e todos paravam para ver a gente tocando…. O povo não tinha malvadeza, jogava o dinheiro dentro do violão. Era o dia todo cantando, juntava muita gente”.

Recorda que certa vez quando a feira funcionou por uns tempos onde hoje é a praça da Bíblia, houve uma festa onde diversas duplas regionais se apresentaram em um palco improvisado na carroceria de um caminhão.

O evento organizado gerou uma grande expectativa, pois além dos violeiros locais uma conhecida dupla de Nanuque, “Diogo e Dioguinho”, tinha presença confirmada no encontro.

Porém durante a apresentação a modo de viola da tão falada dupla mineira não agradou o público presente. Segundo o senhor Natalino, diante do fato, o povo exigiu: “Tira Diogo e Dioguinho e coloca “Noivo e Noivado” para cantar. A Gente gosta mais deles cantando do que estes que estão aí”. Diante do pedido não teve mais pra ninguém, só deu à moda cantada na inauguração da Casa Bom Jesus.

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

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Fontes:

Natalino A. Santos

Jair de Freitas

Este texto foi publicado originalmente no site tirabanha no ano de 2013. Nessa republicação adicionamos novas informações ao texto, como o local da estação de ônibus.

Caravelas e Nova Viçosa 1888: Como foi comemorada a abolição?

Por Daniel Rocha

Em 13 de maio de 1888, diante da resistência escrava e pressão do movimento abolicionista e internacional a princesa Isabel assinou a Lei Áurea (Lei de Ouro) e pôs fim a vários séculos de escravidão no Brasil motivando festas e manifestações pelas ruas de Caravelas e Nova Viçosa.

Em carta enviada e publicada no jornal Diário da Bahia no dia 3 de julho de 1888 os liberais narraram que no dia 13 de maio soube-se em Caravelas que a lei Áurea havia sido sancionada e para “festejar o feliz acontecimento” os liberais fizeram nas primeiras horas do dia seguinte subir ao ar numerosos foguetes.”

Durante a noite saíram acompanhados pela “Filarmônica Democrática” e uma grande multidão de ex-escravos pelas ruas da cidade a comemorar. No dia 19 os libertos mandaram “cantar” duas missas a São Benedito. No evento um grupo ligado aos conservadores provocou os negros libertos e apoiadores gerando agressões. Os conservadores negaram as acusações.

Na colônia Leopoldina, interior de Nova Viçosa e Caravelas, o atuante abolicionista padre Geraldo Sant’Ana, em companhia de Henrique Hertzch, suplente da delegacia local, conclamou os escravos a deixarem o trabalho. Reunidos na fazenda Conquista falou para mais de quinhentos que eles estavam libertos em nome de Jesus Cristo e que o governo não lembrava se deles, pois estavam num local distante.

Diante do anúncio alguns escravos passaram a cobrar mil réis para voltar ao trabalho enquanto outros abandonaram suas atividades passando a vagar pelas estradas insultando os inimigos do padre Geraldo e outros transeuntes contrários.

Em Nova Viçosa (Vila) em comunicação enviada ao chefe de polícia o delegado Ângelo Domingos Monteiro, relatou que padre tornou público a abolição no dia 15 de maio de 1888 causando grande confusão, pois alguns ex- escravos passaram a organizar grandes festas e a dirigir insultos às autoridades escravocratas.

Os ex- escravos que tinham a pessoa do padre como o responsável pela liberdade, tomaram a rua do lugar dando vivas ao religioso, aos republicanos e ao Partido Liberal. No dia 19 de maio reuniram – se na casa de uma prostituta e depois saíram pelas vias cantando, dançando, dando tiros de garruchas e espingardas, armados também de facas e cacetes, até o dia clarear.

No dia 20 repetiu-se a reunião na mesma casa e quando o delegado ordenou que acabasse com a reunião, os ex-escravos, comandados pelo presidente da câmara, reuniram-se novamente e passaram a gritar “… Vá o samba acima, hoje acaba-se com tudo, viva o padre Geraldo, viva os liberais, morram os conservadores, fora.”

Segundo Jaílton Lima Brito na dissertação “Abolição na Bahia – Uma história política – 1870 e 1888,” de onde as informações apresentadas foram extraídas, os enfrentamentos foram provocados político-partidária defendido pelos abolicionistas republicanos que atuaram na região que acabou por envolver os escravos que tomaram partido das ideias Liberais. “Uma atitude incomum entre os ex-escravos que tendiam ao apoio à monarquia”.

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

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Fontes:
BRITO. Jaílton Lima. Abolição na Bahia – Uma história política – 1870 e 1888. UFBA. 1996.

Veja também:

Nos tempos da escravidão I: Um quilombo em Caravelas

Nova Viçosa 1884: A fuga dos escravos

Foto:
Igreja de Santa Efigênia .
Bahia.ws 

1992 no Colégio Ângelo Magalhães

Daniel Rocha*

A ex-estudante do  Colégio Estadual  Ângelo Magalhães Jucélia Jesus dos Santos abriu seu “Caderninho de Mensagens e Lembranças” da sua  época de 1992 revelando detalhes do cotidiano da instituição de ensino fundada em 1983  e extinta em 2010.

Segundo Jucélia, que conclui  o antigo ginásio no colégio, o ano de  1992 foi difícil  para os professores e alunos, pois a escola passava por dificuldades e faltava o básico para a educação dos estudantes.  ” Não havia distribuição de livros, merenda escolar e carteiras para todos”.

Caderninhos de Recordações

Essa triste realidade ficou registrada no Caderninho de Lembranças de 1992 escrito e guardado por ela . Dentre as dedicatórias contidas no caderno chama a atenção a do estudante “Franklin” que segundo a ex- aluna foi uma amizade marcou  sua sétima série.

Segundo conta, no início daquele ano, 1992, ela havia discutido com Franklin em uma disputa por uma das escassas cadeiras na sala de aula. A luta pela tal foi acalorada e causou um efeito ricochete entre eles por isso ficaram sem se falar por alguns meses.

“Havia poucas carteiras para muitos e quando a professora abria o portão todos corriam para dentro da sala para conquistar um lugar para sentar. Seguramos a carteira ao mesmo tempo. Sem acordo a questão foi parar na secretaria”, lembrou.

Contudo o desentendimento não  durou muito e no final  do  ano letivo tornaram se novamente amigos. O momento  ficou eternizado na anotação feita no “caderninho” do dia vinte e seis de novembro de 1992.

“Espero que não fique triste nunca e que lembre sempre de mim. Você é uma das meninas que mais admiro no colégio. O seu jeito de ser mexe com o coração de muita gente. Espero que continue assim, sincera, e que não se esqueça de mim. Não precisa se lembrar de mim basta que não me esqueça jamais. Do seu amigo Franklin”.

Para finalizar este texto, faço uso do parágrafo final do caderninho de Jucélia que escreveu: “Aqui termina as minhas recordações de 1992”. Guardo com muito carinho no fundo do meu Coração. Ass. Jucélia Jesus dos Santos.

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

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Fontes:

Caderninho de recordações 1992.

Conversa informal com Jucélia Jesus dos Santos . 2015

UM DIA EM 2021

Por Erivan Santana

Os estudantes passam em silêncio para a escola, nesta manhã. Com o uso das máscaras, as algazarras e o burburinho diminuíram. O comportamento na escola também mudou, se antes queriam a todo momento sair, agora preferem ficar prestando atenção às aulas e pararam de reclamar, dizendo que a escola “é chata”, e isso ocorreu depois da experiência de estudar pela internet.

 Descobriram que a melhor forma de estudar é na escola, com o convívio com os professores e colegas, o que o sábio Vygotsky já sabia. Mas quem mais celebrou o retorno às aulas, foram os pais e as mães, que não aguentavam mais ouvir falar de “home schooling”.

Bauman sempre alertou sobre a realidade da “modernidade líquida”, mas talvez, não com a precisão que estamos vivenciando.

Já viajei muito de Jeep e de Rural, já vi a TV em preto e branco e que só sintonizava um ou dois canais, o LP e depois o CD, o videocassete, o DVD, a queda do muro de Berlim, as diretas já, a derrota do futebol arte do Brasil para a desacreditada Itália, em 1982, e o vexame em casa para a Alemanha, em 2014, o ataque dos terroristas às torres gêmeas em 2001, a crise econômica de 2008, a partir dos EUA, o advento da internet, o orkut, o facebook, o twitter e o google. O mundo não é pop, é tech.

Os japoneses criaram aparelhos que apitam, quando as pessoas estão muito próximas, e o governo encomendou às operadoras de telefonia, aplicativos que rastreiam os cidadãos, denunciando se ficam na rua até muito tarde, com quem saem e também se há aglomeração de pessoas. Um dos efeitos imediatos do tal aplicativo está sendo o aumento vertiginoso das separações, e as brigas entre os casais.

O fato é que ninguém aguenta mais tantas lives e podcasts, que vieram para ficar. Os cinemas, casas de shows, estádios, bares e restaurantes, voltaram a funcionar, mas o público diminuiu, ainda com receio do covid-19.

O uso das máscaras se tornou obrigatório, de modo que há de todos os tipos e modelos, inventaram até uma que dissimula, sem que se saiba ao certo se a pessoa está rindo ou chorando.

De qualquer forma, o consumo caiu, as viagens diminuíram, o céu está mais azul, e as árvores estão mais verdes. Têm pessoas que se tornaram mais gratas e humildes, mas outras seguem, como se nada tivesse acontecido. É a vida. Abro o livro de Filosofia por acaso, e me deparo com a fotografia da Monalisa sorrindo. Da Vinci sabia das coisas.

ERIVAN SANTANA