“Coringa” mexe com o público em sua pré-estreia na cidade

Por Daniel Rocha

O Cine Teixeira, realizou com sucesso a pré-estreia do filme mais transgressor do ano, Coringa (2019), interpretado com maestria pelo ator Joaquin Phoenix, que diferente das habituais produções baseadas em quadrinhos não provocou gritos, aplausos ou sorrisos e sim angústia, medo e questionamentos no público presente que deixou a sala predisposto a interagir e debater.

Debates depois da sessão

Perturbador do início ao fim, a construção do icônico personagem mais conhecido do universo do Batman faz lembra o livro “Os Miseráveis” na parte da obra literária que diz, “Eu tive um sonho que a vida seria tão diferente do inferno que é hoje,” sendo esse o apelo universal da fita que de alguma forma se conecta estranhamente com algum questionamento ou momento vivenciado por quem assiste.

O longa também fala, através do personagem, sobre a raiva socialmente disfarçada, a exclusão, a ideia de sucesso a qualquer custo e a inconformidade diante dos discursos políticos que estupram mentalmente os reprimidos.

Por fim, o filme é uma obra de arte que precisa ser vista por mentes que desejam debater sobre a construção narrativa do filme, tal como fizeram alguns depois da impactante sessão de pré-estreia do Cine Teixeira, onde Coringa segue em cartaz com sessões às 18H00 e 20H30.

CONVERSANDO COM GILBERTO GIL

Quando a noite cai juntamente 

Com as recordações a serem esquecidas

O som ao redor nos chama para

Requentar e repartir o pão

Observando as estrelas, enternecidos

Com as percas, pessoas que eram

O que poderiam ter sido

Nos vemos uns aos outros

Como reflexos no espelho

Dizendo não chores mais!

ERIVAN SANTANA

Veja também:

VIDAS CRUZADAS

A CARTA

Fim de tarde

O ensaio de Maitê

O saxofonista no telhado

Em busca do tempo perdido

Procurando Marília

A abertura da BR-101 no extremo sul da Bahia – Parte 02

Por Daniel Rocha

Algo de estranho aconteceu em 1967 durante a abertura da BR – 101 em Eunápolis, jorrou gasolina em uma cacimba de uma fazenda localizada nas mediações do então povoado. O suposto fenômeno chamou a atenção dos moradores da região e foi noticiado por um jornal da época.

O “fenômeno” foi descoberto quando o proprietário Ivan de Almeida percebeu que a água retirada da cacimba localizada na fazenda Jequitaia, estava oleosa e cheirando a gasolina. Ao visitar o minador o dono da propriedade ficou espantado com a quantidade do combustível que minava a uma média de 450 a 500 litros por dia.

Vídeo i:magens da abertura

A notícia do estranho acontecimento circulou por todo o extremo sul da Bahia levando os moradores de Eunápolis, cidade que se originou de um acampamento formado por trabalhadores e trabalhadoras contratados pelas empresas responsáveis pela abertura da então BR-05, BR-101, e outras estradas vicinais, suspeitar que aquela gasolina fosse proveniente do tanque de um dos dois postos de gasolina que existiam naquela localidade. 

Contudo, após vistoria realizada pelos proprietários dos postos ficou constatado que não havia nenhum tipo de vazamento nos reservatórios, conclusão que fez aumentar ainda mais o mistério e a desconfiança dos moradores da localidade. Depois disso, chegaram a suspeitar que “alguns engraçadinhos” estavam a colocar a gasolina durante a noite dentro da cacimba. Suspeita que não se confirmou, um vigia alocado no lugar não registrou nenhuma movimentação suspeita durante a noite. 

Segundo noticiou o jornal Folha de Minas, novembro de 1967, diante das investigações o povo de Eunápolis chegou a conclusão de que se tratava realmente de um fenômeno que só a Petrobrás poderia explicar, o que não foi feito porque ao tomar conhecimento a estatal não deu importância. “Achando que tudo não passava de uma brincadeira, afirmando que é humanamente impossível gasolina jorrar quase pura do solo.” 

Joanina da Silveira, antiga moradora de Eunápolis, atualmente residente em Teixeira de Freitas,59 anos, lembra-se de ouvir dizer  quando criança que na época foi descoberto que o combustível era oriundo de um tanque submerso colocado por uma das empresas responsável pela abertura da BR-101, possibilidade que também foi considerada por alguns jornais da época. 

No período o trecho da BR-101, antiga BR – 05 , os trabalhos de terraplanagem já estavam concluídos e seguia em andamento a abertura do trecho Eunápolis – Itamaraju, de aproximadamente 108 km, cujo os serviços foram delegados ao Departamento de Estradas e Rodagens da Bahia – DERBA, ou seja, ainda era intensa as atividades na área do povoado. 

Foto: Abertura de rua em Eunápolis década de 1970. Blogdarosemarie

Com a inauguração em 22 de abril de 1973, do trecho que liga Vitória no Espírito Santo a Salvador na Bahia, da rodovia, a extração de madeira ganhou uma escala avassaladora impulsionando o inchamento de povoados como o de Teixeira de Freitas.” A abundância, aliada aos incentivos fiscais, atraiu para a região grande madeireiros da região da fronteira de Minas Gerais e, principalmente, do Espírito Santo, cujo controle por parte da Bahia ainda era precário.

A notícia sobre a contaminação da cacimba e sobre a exploração da madeira informa  que houve impacto ambiental gerado pela abertura da estrada, em uma época que já havia um código ambiental, de 1934, em vigor.

Fontes:

Diário de Minas, Gasolina agora jorra debaixo da Terra. 16/10/1967.

Foto: Acervo da família Lacerda. Extraído do texto: Eunápolis 67 anos de fundação uma cidade com o coração na estrada. Rose Marie Galvão. Disponível no Blog da Rose:http://www.blogdarosemarie.com/2017/11/04/eunapolis-67-anos-de-fundacao-uma-cidade-com-o-coracao-na-estrada/

SANT´ANNA, A.G. O papel do Cluster madeireiro no desenvolvimento do Extremo Sul da Bahia.

Eunápolis IBGE

Veja também


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https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/dtbs/bahia/eunapolis.pdf

A abertura da BR-101 no extremo sul da Bahia – Parte 01

Por Daniel Rocha

Durante a construção do trecho da BR-101, que chegou a cidade de Teixeira de Freitas, Bahia, no início da década de 1970, os moradores do então povoado, e de outras localidades às margens da rodovia, tiveram que encarar um surto de malária e febre tifo que atingiu toda a região fronteiriça  do extremo sul da Bahia.

De acordo com Frei Elias, no livro Os “Desbravadores do Extremo Sul Da Bahia” em consequência da construção os buracos escavados por máquinas, que buscavam terra para aumentar o leito da estrada, deixaram abertos buracos enormes que com a chuva encheu se de água. 

Como não havia no município a disposição de um serviço de distribuição de água encanada, os moradores aproveitaram a água acumulada para lavar roupas e tomar banho e outros afazeres. Tal hábito ocasionou  o surto de tifo que vitimou diversas pessoas no centro e na zona rural do povoado e cidades próximas, em uma época que as questões sanitárias eram urgentes e não existia médico por perto.. 

De acordo registro de Benedito Ralile, em virtude da grande quantidade dessas poças d’água  que se formavam nas margens da estrada aberta pela firma EMPERPAV, caravelenses do povoado de Rancho Alegre também enfrentaram um terrível surto que chegou provocar a morte de moradores do lugar. 

Ainda de acordo, durante o surto uma pessoa (não identificada), muito doente e que não tinha família e que se encontrava em “estado real de pobreza”, após ser socorrido e medicado pelos meios “rústicos existentes da localidade”, chás, benzedeiras e alguns possíveis remédios, veio a falecer com a febre.

Confira imagens da abertura da Rodovia


Tido como “um indigente” o homem foi enterrado num caixão simples, feito às pressas, com um material barato e que não tinha forro. A partir então da observação de um morador sobre o ocorrido, o lugar ficou conhecido por muito tempo entre os transeuntes e populares como “Caixão sem Forro”. 

De acordo informações publicadas no Jornal do Brasil, de 1972, o surto também atingiu cidades do norte do Espírito Santo e o Nordeste de Minas, e à propagação estava associada à malária que já tinha provocado a morte de 39 pessoas e a chegada de grande leva de trabalhadores nordestinos a região para trabalhar na construção de rodovias. Segundo as informações registradas pelo periódico, no total a doença teria matado mais de 90 pessoas no extremo sul.

Na época a secretaria de saúde do estado enviou uma equipe a região, para intensificar vacinação, e investigadores sanitários que constataram casos de tifo na área da cidade de Mucuri, onde 20 mortes haviam ocorrido. Mortes silenciadas pelas narrativas sobre o desenvolvimento econômico da região feitas sem as devidas ponderações críticas sobre os impactos sociais causados.

Fontes:

RALILE, Benedito Pereira; SOUZA, Carlos Benedito de; SOUZA, Scheila Franca de. Aspectos da política; História dos povoados, bairros e distritos de Caravelas. In: ______. Relatos históricos de Caravelas: (desde o século XVI). Caravelas, BA: Fundação Professor Benedito Ralile, 2006.

HOOIJ, Frei Elias. Os desbravadores do Extremo sul da Bahia, Belo Horizonte, 2011.

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X. Latees.

Daniel Rocha da Silva*

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

Foto: Trecho de abertura da BR -101 Eunápolis -Itamaraju. 1966.

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Veja também: ANOS 1990 EM TEIXEIRA DE FREITAS: A GAROTA MAIS BONITA DA CIDADE


Em Teixeira de Freitas monumento lembra o filme O Rei Leão

Por Daniel Rocha 

Pouca gente sabe ou já observou que na Praça dos Leões, localizado no centro da cidade de Teixeira de Freitas, extremo sul da Bahia, há um monumento que faz referência ao filme de animação tradicional “O Rei Leão” (1994) que, como a versão lançada esse ano de 2019, reinou absoluto entre as crianças.  

Construída no final da década de 1960 e reformada no final de 1970, durante a administração do prefeito alcobacense Gerson de Oliveira Costa, o “Caboclinho,” a Praça Castro Alves é popularmente conhecida como a “Praça dos Leões” devido às diversas esculturas decorativas colocadas em seu entorno. 

Já escultura  em questão, que tem semelhança a “A pedra do Rei”,  foi montada no início da década passada, 2000, durante a reforma feita pelo então prefeito Wagner Mendonça que revitalizou a abandonada praça pública que nos primórdios da cidade foi ponto de encontro de caçadores e lugar da realização da primeira feira do então povoado. 

Mas qual o sentido da colocação dessa escultura que faz referência ao filme na Praça dos Leões?  Não foi possível apurar de quem partiu a ideia ou quem montou, mas é possível supor que a intenção foi fazer um paralelo entre as esculturas dos leões da praça com o filme americano. 

Visando, por assim dizer, na melhor das hipóteses,criar uma atração turística ligada ao entretenimento, consumo e diversão. Uma perigosa padronização cultural que não possibilita, sem provocações, reflexão.

Vale ressaltar que na praça, junto ao monumento, apenas uma placa, com menos destaque, lembra a importância do local como um lugar de memória, história e marco zero da cidade.  

Fonte:

História de Teixeira de Freitas – Praça dos leões: Parte final

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X. 

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A exploração da madeira em Teixeira de Freitas – Parte 03

Por Daniel Rocha

A instalação de diversas serrarias oriundas do estado do Espírito Santo  na cidade de Teixeira de Freitas, extremo sul da Bahia,na década de 1970,  favoreceu a migração de trabalhadores do ramo. O que lembram sobre esse período os migrantes da indústria da madeira?

Sobre isso, conversei informalmente em 2012 com o senhor Geraldo Silva, um agricultor morador do distrito teixeirense de Santo Antônio, que naquela ocasião vivia de pequenos serviços como ajudante de pedreiro na cidade, Juscelino José, também pedreiro, e Natalino Almeida, carpinteiro aposentado.

Durante uma conversa com o senhor Geraldo, em seu local de trabalho, ele recordou os motivos que fez a família migrar para o então povoado de Teixeira de Freitas no início da década de 1970. “Cheguei aqui em Teixeira com a idade de seis anos, minha família é de Minas Gerais… Meus pais saíram de lá porque aqui era mais promissor.” 

O antigo funcionário da Serraria Divilan, que se localizava no centro da cidade, nas proximidades da escola Vila Vargas, revelou que as serrarias eram grandes galpões armados movido a força humana e de máquinas onde os migrantes especializados para o ramo facilmente encontrava ocupação remunerada. 

Contudo, conversando com o senhor Geraldo, foi possível notar, por assim dizer, que ele não percebia o lugar como uma fábrica ou uma unidade industrial, apenas como “uma serraria que beneficiava madeiras para vender”. 

Revelou ainda com base em suas lembranças de operário que tudo ali produzido era vendido para fora em forma de casas pré – moldadas, tendo como clientes fazendeiros e construtores da localidade e de outros estados que adquiriam janelas, portas, caibro e ripas, usadas na construção de casas e prédios. 

Clipe animado com foto da antiga Serraria Divilan

Já de acordo com a perspectiva compartilhada do senhor Juscelino José, também pedreiro, as serrarias eram verdadeiras fábricas que funcionavam dia e noite, todos os dias do ano, para atender encomendas diversas , das capitais e da própria região, em uma jornada com poucos intervalos.

“Eu trabalhei como ajudante no turno extra que começava às 18h da tarde e iam até 02h da manhã (…). A Serraria era organizada como qualquer grande indústria e empregava uma grande quantidade de trabalhadores”.

Ainda de acordo, foi devido a necessidade de funcionar em turnos extras que levou algumas serrarias a construir casas de madeira nas proximidades do local, principalmente para os trabalhadores vindos do Espírito Santo.  Ainda de acordo com os entrevistados, Juscelino e Geraldo, todos trabalhavam registrados legalmente.

No entanto, Natalino Almeida, carpinteiro aposentado, que na época trabalhou exercendo a profissão em diversas serrarias, afirmou que na época era muito comum um trabalhador ser contratado para uma função e registrado na carteira como praticante de outra, fato que evidencia que havia arranjos do tipo.

Curioso notar que, embora haja registros e relatos de acidentes envolvendo trabalhadores da madeira esses acontecimentos se fizeram ausentes nas recordações espontâneas destes trabalhadores.  Assunto dos próximos textos da série. 

Durante o bate – papo como senhor Geraldo ele fez lembrar que o seu irmão mais velho também trabalhou na serraria Divilan durante a década de 1970, mas que depois preferiu migrar para o estado de São Paulo em busca de “atividades mais rentáveis”, fato que indica que muitos que chegaram também partiram com o fim da atividade. 

Fontes:

Conversa informal com os senhores: Natalino Almeida, Geraldo José e Natalino Almeida, realizada de forma espontânea em  2012. O texto foi publicado originalmente na primeira versão do tirabanha.blogspot.com (2012 – 2013). Na nova revisão alguns termos, informações e a ordem das falas foram alteradas e acrescentadas.

Foto: A foto em destaque e de uma serraria no extremo sul da Bahia. Local não informado. Ano 1971.

Daniel Rocha da Silva*

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Veja também:

Exploração da madeira – Parte 02

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Relatos de Discos voadores em Teixeira de Freitas

Por Daniel Rocha*

A revista especializada em Ufologia, UFO, de novembro de 1997, publicou que no dia 08 agosto daquele ano, que moradores de cidades baianas como Teixeira de Freitas, relataram ter avistado um objeto voador não identificado ( OVNI), semelhante a uma esfera de luz e fogo, vagando pelo céu e espaço do estado no início da noite.

De acordo com os cálculos do centro de observação do estado, Sociedade de Estudos Ufológicos de Lauro de Freitas (SEULF), “O extraordinário fenômeno” também foi observado em várias cidades do sul e extremo sul da Bahia como Caravelas, Ilhéus, Itabuna, Mucuri, de modo que os principais relatos e observações foram registrados nas cidades, Salvador, Camaçari e Feira de Santana, dentre outras.

Na época os astrônomos apoiaram a hipótese de ter sido um grande bólido (meteoro), na semana era previsto uma chuva de meteoritos no estado. Já os ufólogos sustentaram que “os fatos e os depoimentos apontaram para a manifestação do Fenômeno UFO”, em outras palavras, disco voador. 

Entre os diversos testemunhos registrados ou recebidos pelo SEULF através do Disk-UFO, não houve relatos de moradores da região do extremo sul da Bahia publicado na revista, contudo, destacou a publicação: 

“Dentre todas as regiões, uma delas merece maior destaque pelo número de observações e telefonemas para o Disk-UFO: o sul da Bahia. (…) Foram recebidas de oito a dez ligações por dia referentes àquela noite”. 

Considerando outra perspectiva, a do ufólogo Antonio Pedro da Silva Faleiro, que defende a hipótese que historicamente as pessoas atribuíram nomes populares às aparições de ÓVNIS é possível supor que o avistamento desses objetos na região remete um passado ainda mais distante. 

Isso porque no interior do município de Alcobaça da década de 1950, ao qual o atual território teixeirense estava subordinado, moradores da zona rural narram histórias ouvidas dos mais velhos sobre a aparição de uma esfera de luz e chamas comumente associada ao personagem folclórico Boitatá. “Uma bola de fogo que paira nas matas e sobre o Rio Itanhém”.  

Em 2013 publicamos um registro dessas memórias e lançamos um vídeo sobre.  Confira!


Diante das perspectivas apresentadas é possível afirmar que os testemunhos, antigos e atuais, são importantes registros do imaginário popular que devem ser preservados e narrados, pois, como diz o historiador Marc Ferro, “o imaginário do homem, é tanto história quanto a História.”

Fontes: 

FERRO, Marc. Cinema e história. Rio de 

Janeiro: Paz e Terra, 1992. 

  UFOs dão um show nos céus da Bahia, publicados na Edição 55, de novembro de 1997.   https://ufo.com.br/artigos/ufos-dao-um-show-nos-ceus-da-bahia.html

UFOs, sondas e ETs sempre estiveram entre nós gerando lendas folclóricas.

Lalla Barreto | Edição 246 | Maio de 2017. : https://ufo.com.br/entrevistas/ufos-sondas-e-ets-sempre-estiveram-entre-nos-gerando-lendas-folcloricas.html

O Causo do Boitatá. Daniel Rocha. : http://tirabanha.blogspot.com/2015/07/o-causo-do-boitata.html

Daniel Rocha da Silva*

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Em 1983 Teixeira de Freitas teve todos os telefones bloqueados

Por Daniel Rocha*

O privilégio de poder comunicar através do próprio telefone é uma conquista recente para maioria  da população, uma vez que até o final da década de 1980, os telefones fixos eram restritos a poucos e a telefonia móvel, celular, não existia.

Ter um telefone fixo em casa era um luxo caro e difícil. Os interessados em ter uma linha fixa no domicílio, por exemplo, precisavam se cadastrar junto à estatal e esperar entre dois e três anos para obter a linha e pagar uma taxa mensal de aproximadamente mil reais. 


Por essas e outras, na década de 1970 havia no então povoado de Teixeira de Freitas somente alguns telefones a bateria restrito a alguns comerciantes e um Posto Telefônico ,localizado nas imediações do Bairro Novo Horizonte,  para atender a população.

Em meados da década de 1980, esse cenário mudou a partir da expansão dos serviços e a instalação de telefones públicos, orelhões, de discagem direta à distância (DDD) que permitia qualquer pessoa, munida de uma “fichinha”, fazer uma ligação de três minutos.


EPropaganda da TeleBahia década de 1980

Na época uma propaganda da estatal foi lançada na TV com o intuito de convencer os usuários que era possível ,em tal tempo, falar à vontade com quem desejasse, como é possível ver no vídeo abaixo. 

Como a demanda  pelo serviço telefônico era maior do que a oferta e alguns nem sempre funcionavam satisfatoriamente, eram comuns longas filas e esperas que, suponho, alterava a calma de alguns dos usuários levando a prática do vandalismo. Para se ter uma ideia, em 1991, na cidade de Salvador, dos 1.135 dos 4.608 telefones públicos da capital eram danificados a cada mês.

Para driblar essas e outras dificuldades, alguns moradores também costumavam indicar o número do telefone de um vizinho como referência para contatos, recados e informações urgentes. 

Apesar disso, a solidariedade também tinha seu preço, segredos se tornavam públicos e no fim do mês o custo  era repassado ao emissor ou receptor da ligação. Mágoas e desentendimentos também nasciam dessa relação.

Tal quais as empresas privadas são hoje, a estatal também era bastante criticada pelos serviços ofertados, mas isso não mudava em nada a postura da empresa na hora de cobrar ou negociar dívidas dos usuários e dos municípios. 

Prova disso é que em 1983 o então povoado de Teixeira de Freitas sofreu um apagão telefônico total devido à falta de pagamento de dividas contraídas pelos município de Alcobaça. A TeleBahia bloqueou linhas e ligações telefônicas do povoado e de outras 38 cidades do estado como Itanhém e Ibirapuã.

Na época, a direção da empresa estadual informou que a decisão de emudecer os telefones das cidades devedoras somente foi adotada como medida extrema depois de várias tentativas de resolver a situação através do diálogo. 

Segundo informações da fonte, Jornal do Brasil, a empresa só liberou as ligações depois que todos os débitos foram pagos. “Uma vez que a TeleBahia não pode prestar serviços gratuitamente, pois necessita de recursos para ampliação e manutenção dos mesmos”, expressou a empresa em nota. 

No entanto, para além do fato, esse relato nos ajuda entender que a precariedade de acesso aos serviços públicos básicos, como o de comunicação, evidencia que na década de 1980, à população trabalhadora vivenciava uma realidade de exclusão social ocasionada por um processo de desenvolvimento ruim e uma situação econômica precária, em um período em que ter um telefone em casa era um luxo caro e difícil. 

Fontes:

BANCO DO NORDESTE, As origens. Teixeira de Freitas, Fortaleza – Ceará. Janeiro 1986.

Anais do Senado Federal – Volume 15,Edição 9 – Página 3820

Bahia corta telefone de cidades. Jornal do Brasil. Fevereiro de 1983. Acervo Tirabanha.

Daniel Rocha da Silva*

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Foto: Google Imagens.

Veja também: RELATOS SOBRE OS ANOS 80 EM TEIXEIRA DE FREITAS: O REISADO DE DONA BOLÓ

Rio de Janeiro 1930: Em Madureira mulher enfrentou difamador

Por Daniel Rocha

O que sabemos sobre a década de 1930 no Brasil? Como viviam os homens e as mulheres? Como eram resolvidos os desentendimentos e as tensões cotidianas em uma sociedade sexista? Naturalmente que não como imaginamos. 

Vejamos o caso de uma senhora que acabou presa por supostamente “agredir” um açougueiro no Rio de Janeiro, de acordo a narrativa publicada pelo jornal carioca O Paiz, de janeiro de 1934. 

Segundo noticiou o periódico, a senhora Carmem Dias, casada com o dono de um açougue que ficava localizada em Madureira, na rua D. Clara, ficou a saber que o empregado do estabelecimento, Annibal Ribeiro, de 23 anos de idade, vivia, pelas cercanias a difamando. 

Conta o jornal que certo dia estava o Aníbal à porta de um botequim, próximo ao açougue, quando a senhora o chamou e o interpelou cobrando satisfações sobre o que vinha dizendo aos quatro cantos. 

Repreendido o rapaz quis agredi-la a socos, mas D. Carmem, apanhando um saco de vidros o atacou primeiro fazendo um ferimento no rosto do açougueiro. Por essa razão, logo após o ato, um popular a conduziu à delegacia do 23º distrito, onde foi autuada por agressão”.

O ferido que teve os cuidados médicos no Posto de Assistência do Meyer, recolheu-se depois à sua residência, na casa localizada na rua da estação. Para além dos fatos, o que nos revela a narrativa?

Nas entrelinhas é possível perceber os valores presentes nas correlações cotidianas e as tensões nas relações entre os sexos em uma época onde a mulher começava se destacar e conquistar alguns direitos historicamente negados e questionar tabus.

Por exemplo, o direito ao voto em 1932 e uma participação maior  na vida cívica garantido pela nova constituição eleitoral. Na época  as mulheres do movimento modernista como Patrícia Galvão, Pagu, também começavam a provocar discussões sobre o papel da mulher na sociedade. 

Contudo, segundo a historiadora  Mary Del Priore, escrevendo sobre a mulher operária desse período, as mulheres ainda eram tidas como perigosas e indesejáveis para os patrões, perdidas e “degeneradas” para os médicos e juristas e frágeis e infelizes para os jornalistas, embora, como evidencia a narrativa, fora  das fábricas eram também ativas e resistentes a toda tentativa de violência e abusos. 

Fontes:

O açougueiro foi agredido por uma senhora. O Paiz 24 de janeiro de 1934

DEL PRIORE, Mary (Org.). História das mulheres no Brasil. Coordenação de textos de Carla Bassanesi.

Costumes, ídolos e desafios da mulher de 1930. Por Verônica Mambrini, iG São Paulo | 13/09/2010 Fonte: Último Segundo – iG. https://ultimosegundo.ig.com.br/revolucao1930/costumes-idolos-e-desafios-da-mulher-de-1930/n1237772885629.html

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Foto: Bairro de Madureira década de 1950

Fonte: mariosergiohistoria.blogspot.com

Na década de 1980 a juventude de Itamaraju reivindicou espaços

Por Daniel Rocha

Na década de 1980 tudo era diferente, havia outros modos de viver, vestir, dançar e especialmente pensar! Ser jovem era antes de tudo ter que vivenciar e enfrentar as dificuldades sociais de uma época em que não havia políticas públicas destinadas à juventude.  

Com o fim da Ditadura Militar e com a redemocratização em 1985, a sociedade civil ganhou mais liberdade e passou a organizar ações, de todo tipo, para reivindicar um conjunto de sucessivas iniciativas visando a solução de problemas ligados a falta de leis voltadas para os mais excluídos da sociedade.

No extremo sul da Bahia, por exemplo, mostra notícias publicadas no jornal A Tarde, que a juventude da cidade de Itamaraju, então carente de espaços de lazer, esportivos e culturais, se organizaram para reivindicar a construção de um ginásio de esportes e um centro de cultura.

“A verdade é que os jovens fazem um apelo ao governo do estado e a todas as autoridades, que estão voltadas para o papel do jovem dentro da sociedade, para que sejam atendidos por um local, onde possam desenvolver os seus esportes com segurança e tranquilidade. (…) Os que existem na cidade são privilégios para poucos, pois pertence a clubes fechados, quando tem acesso, é coisa rara”, observou o jornal A Tarde de setembro de 1985.

Em outra edição do jornal de 29 de novembro de 1986, que não cita o contexto nacional, ficou registrado que as autoridades não haviam respondido o clamor da juventude que já tomava para si o espaço da Praça Castelo Branco, cidade alta, para a prática de todo tipo de esportes, futebol, vôlei e ciclismo. Provocando dessa forma a comunidade, também, a solicitar soluções.

“Os jovens se queixam que procuram aquele lugar, pela falta de uma quadra para a prática das diversas modalidades esportivas e, por ser ali um local onde todos se encontram aos domingos (…). Comunidade pede providências às autoridades para uma solução dos problemas que estão sendo causados por ali”.  

Antes, em abril de 1986, outra iniciativa da juventude já tinha sido noticiada com destaque, a criação da “Associação Cultural da Juventude de Itamaraju” que dentre outras coisas tinha por finalidade organizar o museu de arte da cidade, promover palestras e seminários, concurso e banda de fanfarras.  

Diante dos fatos apresentados é possível considerar que os jovens itamarajuenses conseguiram chamar a atenção dos governantes e da sociedade, como todo, para o problema da falta de espaços de cultura e lazer na cidade e a necessidade da construção de políticas públicas e leis direcionados aos adolescentes das classes menos favorecidas.

Jovens que só tornaram possuidores de direitos específicos com a promulgação do ECA – Estatuto da criança e do adolescente no início da década de 1990 e o estatuto da juventude em 2013, quando outros modos de viver e pensar começaram ser proporcionados por ações públicas.  

Fontes:

O jovem sob três perspectivas: acadêmica, política e cultural. Silvia Helena Simões Borelli, Rita de Cássia Alves Oliveira, Ana Carolina Viestel, Laguna, Ariane Aboboreira e Maria Carolina Silva Fernandes dos Santos. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP. 2008

Jovens querem áreas de lazer. Evandro Lima. A Tarde, 18/09/1985. Acervo do site tirabanha.

Jovens criam museu de Itamaraju. Evandro Lima. A Tarde, 18/04/1986. Acervo do site tirabanha.

Associação de Jovens de itamaraju. Evandro Lima. Jornal A Tarde, 29/02/1986. Acervo do site tirabanha.

Foto: Praça de Itamaraju. Ano e autor desconhecido. Fonte: Site IBGE.

Daniel Rocha da Silva*

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Veja também: ANOS 1990 EM TEIXEIRA DE FREITAS: A GAROTA MAIS BONITA DA CIDADE