Arquivo da categoria: Causos

Missão: Impossível – Efeito Fallout em cartaz

Por Daniel Rocha

Os olhos dos fãs de filmes de ação brilham quando o tema principal do filme Missão Impossível toca na tela do cinema.  É o sinal que mais uma aventura recheada com cenas de ação vai começar tendo a frente o ator Tom Cruise interpretando o agente Ethan Hunt.

No filme Missão: Impossível – Efeito Fallout (sinopse), Ethan Hunt (Tom Cruise) e sua equipe do IMF (Alec Baldwin, Simon Pegg, Ving Rhames), na companhia de aliados conhecidos (Rebecca Ferguson, Michelle Monaghan), estão em uma corrida contra o tempo depois que uma missão dá errado.

Mesmo com essa proposta a premissa  do sexto filme se assemelha a dos outros cinco, Ethan recebe um pacote com uma missão perigosa, chama sua equipe e bota pra quebrar em cenas espetaculares e envolventes.

Bem realizado o sexto  capitulo da franquia conta ainda com uma ótima afinação do elenco que  traz de volta ,também, o clima e o estilo perdido da primeira produção de 1996, dirigido pelo diretor Brian de Palma. Vale o ingresso.

MISSÃO IMPOSSÍVEL

Cine Teixeira
Sessões:
17:30H
20:30H

Cinesercla PátioMix Teixeira de Freitas

Sessões:

Dublado em português
3D
20:30
Dublado em português
Padrão
20:45

Informações Adicionais:
Classificação: 12 anos 
Gênero: AÇÃO
Duração: 2h30min
Dublado

 

 

O domínio e a influência da TV

Por Daniel Rocha

Já é consenso entre os estudiosos e intelectuais da comunicação o fato de que a mídia de massa, televisão, jornais e alguns sites da internet, tem exercido uma grande influência na formação de opinião da população brasileira e mundial, de modo que no Brasil a TV continua sendo a principal fonte de informação para maioria. Fortemente influenciada por ela.

Mas porque isso acontece? Na minha perspectiva isso ocorre devido à falta de um marco regulatório e o fato de que os meios de comunicação de massa não abordam, dentre outras coisas, pesquisas, estudos e informações sobre os males causados pela sua influência no ambiente macro social e político do país em seus programas e reportagens. Produções enviesadas que estimula a bestialização e a derrubada de governos democraticamente eleitos.

Nesse sentido, a título de ilustração, é possível aprofundar sobre o exposto na reportagem “Mídia brasileira, monopólio e manipulação política” veiculada originalmente no Programa The Listening Post da rede de tv Al Jazeera, que abordou o monopólio da mídia brasileira e as consequências desse acúmulo de poder econômico e midiático para a política e a sociedade brasileira, vídeo disponível no YouTube no canal do Mídia Ninja. Confira!

 

“Poti Loiro” um capoeirista teixeirense

Por Daniel Rocha

Na década de 1970 com a chegada da superintendência da polícia militar no então povoado de Teixeira de Freitas, BA, a violência passou a ser contida através de constantes rondas policiais. Segundo um causo rememorado por moradores essa insistente vigilância provocou a ira dos boêmios e do capoeirista “Poti Loiro”, lembrado como um herói às avessas e popular.

Segundo alguns relatos, até a década de 1960 não havia policiamento intensivo em Teixeira de Freitas e por isso a população convivia com os boatos sobre a ação de pistoleiros, brigas e assassinatos ocorridos em meio a escuridão de um lugar abastecido por geradores elétricos,  ativos apenas até às dez horas da noite.

Essa rotina, perceptível para quem visitava o povoado, e bem visível para quem morava nele, só foi modificada com a chegada da rede elétrica e da superintendência da polícia militar, que prontamente instituiu a vigilância e rondas policiais em uma época marcada pela expansão urbana e demográfica e constantes exibições de filmes do Bruce Lee na tela do primeiro cinema da cidade, o Cine Elisabete.

Embora essas transformações possam ter sido recebidas com euforia pelos moradores locais, a constante vigilância policial em certas ocasiões provocou também a insatisfação de grupos e pessoas habituadas a circular livremente pelo lugar, revelam os causos da época.

Conforme um dos causos ouvidos pelo  capoeirista Sebastião Sérgio, filho de migrantes mineiros,  em uma das rodas de capoeira que frequentou quando criança, realizada na casa de migrantes soteropolitanos  na década de 1970, alguns praticantes da arte marcial como “Poti Loiro” tiveram problemas com recrutas, policiais, responsáveis pelo policiamento local.

Na narrativa ouvida e rememorada por ele, no início da década  de 1970 quando estava a passar pela praça, hoje chamada de Praça da Bíblia, o jovem “Poti” um magro, alto, branco, cabeludo, vestido a maneira hippie, que gostava de fumar livremente “peitou” oito policiais armados nas imediações da  antiga Praça em demonstração de força, valentia e contestação.

Segundo ouviu dizer  toda essa reação foi porque o rebelde “Poti Loiro” teve a infelicidade de cruzar o seu caminho com nada mais, nada menos  que oito recrutas armados que ordenados por superiores, o repreendeu com violência e brutalidade diante de diversos moradores e passageiros que aguardavam o ônibus na  Rodoviária , hoje conhecida como “Rodoviária Velha”.

Ainda de acordo com a narrativa do capoeirista  “Já havia entre eles uma rixa”e por esse motivo foi convidado a se retirar do lugar  de modo que ao ser tocado com força “Poti” teria reagido em fúria dando mostra de grande habilidade , golpes rápidos como saltos, parafusos mortais e meia-lua que levou ao chão os “repressores” que na sequência o conduziu até a delegacia, solto horas depois do ocorrido.

Segundo um morador, que preferiu contribuir para essa construção de forma anônima, ao ser perguntado se conhecia o causo “Poti Loiro” e as razões da confusão, respondeu que sim ressaltando que naqueles tempos a falta de iluminação pública favoreceu muito para que houvesse embates e confrontos dos responsáveis pelo policiamento com os boêmios e outros moradores.

“Só existia iluminação via gerador elétrico que funcionava até às dez horas da noite. Por essa razão recrutas percorriam as ruas do então povoado repreendendo às pessoas, sobretudo os boêmios na Rua do Brega com certa dose de exageros… Acontece que Poti era contra esse tipo de repreensão e quando presenciava ou era repreendido de alguma forma reagia com força… Eu não me lembro dessa história da Praça da Bíblia, mas  pode ter acontecido. Sei de uma que ele afrontou os recrutas que repreendia um grupo de estudantes que namoravam na rua durante a noite (…). Poti era muito querido por todos e às vezes temido”.

Ainda de acordo com o morador que gosta de lembrar-se de sua vida “pregressa” como boêmio contumaz na Rua do Brega, rua boêmia, “Poti” era de família rica e os policiais “considerava isso” antes de fazer qualquer coisa com ele. “Daí também sua coragem e valentia”.

Já Mário Santos Almeida, natural de Medeiros Neto, quarenta anos morador na cidade, afirma ter tido a oportunidade de “conhecer de vista” Poti Loiro era “uma figura conhecida e popular que não passava despercebido em Teixeira”.

Em conformidade com essa perspectiva, Mário Santos o descreveu como um Bruce Lee local, um rapaz forte, rebelde que  era compreendido como um “brigão e valente”, mas que na realidade raramente se envolvia em confusões.

Contudo, lembra, que quando “Poti” era de alguma forma repreendido reagiam com ânimo, vigor e com a  boa capoeira que lhe conferiu a fama, por isso acredita que o causo do enfrentamento dado na Praça da Bíblia é verdadeiro.

Mário também ratifica que naqueles tempos os recrutas  reagiram de forma ríspida, “tinham suas razões.” Porém acredita que o confronto não tem nada a ver com o fato de Poti ser um capoeira ou qualquer outra coisa.

“Na verdade ninguém gostava da vigilância desses agentes (…). Todos tinham vontade de partir pra cima, porém só “Poti” tinha o tamanho, a força, a coragem e o status para isso”.

Ao ser informado desses novos detalhes Sebastião Sérgio “o mestre Pinote” afirmou apenas que na versão que conhece, a que ouviu quando criança, “Poti Loiro” enfrentou e derrotou com golpes de capoeira policiais armados no centro do povoado, não sendo possível discordar ou concordar com outras perspectivas.

Fontes

ROCHA.Daniel; OLIVEIRA. Danilo. Cinema – Contribuição no processo de Formação da Sociedade de Teixeira de Freitas nos anos de 1960, 1970 e 1980.

Fontes Orais:

Sebastião Sérgio, conversa informal realizada em  novembro de 2016.

Mário Santos , conversa informal em março de 2017.

Morador anônimo,  conversa informal em  agosto de 2017.

Diversos moradores contribuíram com informações sobre que certificaram os fatos expressos, a todos  o nosso agradecimento.

Foto: Capoeiristas desfilam no sete de setembro de 1975 na avenida Getúlio Vargas.  Acervo do Departamento de cultura de Teixeira de Freitas. Pesquisada e cedido em 2016.

Veja também:

Teixeira de Freitas Secreta : A igreja subterrânea

Memória Estudantil

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A canção não oficial da Copa de 1998 em Teixeira de Freitas

 

Por Daniel Rocha

Quando procuramos ou compramos um Game Play esportivo para jogar a última coisa que pensamos é na trilha sonora, afinal queremos apenas nos divertir. Porém em alguns momentos o tema principal e a trilha ,como o todo, roubam a cena e marca para sempre uma geração, como por exemplo marcou a música Song 02 da banda Blur, do Game Play FIFA Soccer 1998, uma das músicas não oficiais de maior sucesso da história do evento esportivo.

 

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A música é uma das mais lembradas em época de Copa do Mundo pela geração do final dos anos 1990 que perdia tardes inteiras nas badaladas games. Em Teixeira de Freitas a Sport Games que ficava na Av. Getúlio Vargas e que atendia os jovens dos Bairros Bela Vista e Recanto do Lago, chegou a organizar torneios de Winning Eleven 03 em 1998, Copa na França, o mais popular da época, ao som do tema principal da FIFA Soccer a pedido dos jogadores e espectadores hoje saudosos da época e ligados na copa da Rússia 2018 . Nunca ouviu? Confira!

 

Foto: Imagem ilustrativa

 

 

 

A segregação das identidades em Teixeira de Freitas

Por Daniel Rocha

Tem crescido na cidade de Teixeira de Freitas um sentimento de segregação que se expressa na construção de fronteiras invisíveis evidentes através  da adoção de um modelo de sociedade que possibilita a lógica da “guetização” da  identidade local.

É importante salientar que não existe uma situação de segregação, mas a meu ver pode se dizer que há um sentimento parecido em vigor que ganha força com o avanço de um modelo de sociedade que tem valorizado, de forma intensa, a formação de grupos e guetos sociais em um processo de  “guetização” das identidades culturais.

Atualmente, percebe-se que, o discurso de que a “localização define seu status social” já pode ser compreendido como um sintoma desse sentimento crescente na cidade quando, por exemplo,  se analisa, informalmente, o modo que lidamos com as classificações dos espaços de residências como bairros para os ricos e bairros para os pobres, condomínios do governo, condomínios de luxo etc.

Categorização que evidencia uma lógica da guetização dos locais de convivência e  também dos cidadãos que acabam rotulados por denominações ligadas a essas separações.

É válido ressaltar que outros fatores arrojaram esse sentimento nas últimas décadas na cidade e no país como o avanço do individualismo, o crescimento desordenado da cidade, as redes sociais e disseminação pela mídia de costumes estranhos à cultura, memória  e identidade local.

O resultado desse enquadramento é a crescente mutação e empatia de alguns quanto a diversidade social existente na cidade e o abandono  de eventos tradicionais de vivência e manifestações populares,por exemplo, como as festas juninas que a cada ano têm  sido levadas para espaços privados e fechados onde prevalece o viés da capitalização da tradição.

Tendo em vista esses pressupostos, compreendo que há em Teixeira de Freitas a manutenção e o fortalecimento das fronteiras invisíveis que vem se consolidando através de um modelo de sociedade que possibilita a lógica da “guetização” que também influencia o modo como o cidadão vem interpretando o conceito de igualdade, cidadania, cultura e identidade nos últimos anos.

MAIO DE 68

Na Champs-Élysées, uma multidão

Empunha a liberdade guiando o povo,

Ao som de canções a iluminar a noite.

O delírio é palpável,

Como a utopia tomando o poder.

Um século de história

Revividos na intensidade

Daquele instante: éramos Maio de 68.

Onde está tudo isso agora?

Erivan Santana

 

Veja também: 

Revolução dos cravos

A estrela d’alva e o sol

Juízo final

A carta

Fim de tarde

O ensaio de Maitê

Nomes que a cidade de Teixeira de Freitas já teve

Por Daniel Rocha*

No romance Tieta do Agreste (1977), de Jorge Amado, o narrador faz muitas observações acerca da cultura popular, como:  “os nomes dados por autoridades , escritos em placas de metal confeccionadas em oficinas especializadas na cidade, não resistem às placas de madeira confeccionadas por mãos artesanais e anônimas. Mão do povo”.

De acordo o IBGE, em 14 de fevereiro de 1957, o povoado de São José do Rio Itanhém foi batizado com o nome de Teixeira de Freitas em homenagem ao ilustre baiano pai da estatística Brasileira, através do Ofício de nº 91, de 14 de fevereiro de 1957.

O documento oficial e o único até então conhecido que prova que existiu outra denominação antes do oficial no povoado que mais tarde, ao emancipar, manteve a homenagem ao ilustre baiano Teixeira de Freitas. Destacou José Esteves Ribeiro Neto:

“Em 1957, o então chefe da agência de estatística de Alcobaça, oficialmente solicitou a prefeitura e a câmara daquele município uma homenagem póstuma ao imortal baiano Teixeira de Freitas, dando-lhe o seu nome ao povoado de São José de Itanhém, o que foi bem aceito pelo, então, prefeito municipal”.

O batismo oficial não impediu que a cidade recebesse  alcunhas e apelidos dados pelos populares, falo isso com base nas falas de antigos moradores descritas em documentos e publicações  que serão citados a seguir.

Miguel Geraldo Farias Pires  em um compilação  histórica feita  por ele no ano  1986,  publicada na edição especial do jornal Alerta  de  maio de 2013 diz que:

“Devido a bifurcação das estradas de rodagem de Alcobaça e Água Fria, atualmente Medeiros Neto, e do povoado de São José de Itanhém até o porto de Santa Luzia, no município de Nova Viçosa – sendo esta última de propriedade da firma de madeira “Eleozibio Cunha” , o povoado de São José do Itanhém era conhecido como Perna Aberta”.

Em entrevista a revista  Origens, Teixeira de Freitas, em 1985, o senhor Servídio do Nascimento ( em  memória) recordou que além de tantos outros o município também foi  por muito tempo chamado  de   “Arripiado” ,  assim chamado por haver muita discussão e bate boca no pequeno comércio.

Recorda também o senhor Nascimento que  o primeiro comerciante do povoado, Chico D´água, ao construir  no lugar uma barraca para vender aos motoristas que passavam pela estrada da “Eliosippio Cunha”, plantou uma grande roça de  mandioca onde hoje está o centro da cidade, por isso o lugar foi apelidado  pelos madeireiros e passantes de Mandiocal.

No trabalho monográfico, A vida privada dos Negros pioneiros no povoamento de Teixeira de Freitas, na década de 1960,  Susana Ferreira evidencia que o povoado foi por um período conhecido como o Comércio dos Pretos:

“Tão logo foi aberto o caminho de terra pela empresa mineira “Elecunha”, de “Eleosippo Cunha”, mudaram se para o lugar, chamado na época de Mandiocal, os negros Francisco Silva e Manoel de Etelvina – este abriria um boteco, tornando o comerciante pioneiro. Assim iniciava o “comércio” mais tarde denominado de “Comércio dos Pretos”.

Recordou Isael de Freitas Correa (em memória) em entrevista no ano de 2009, que  “o povoado mudou de “Ripiado”, Arrepiado, para Tira-Banha, porque deram uma facada em Manoel de Etelvina, comerciante pioneiro, gordo e barrigudo”. Reza a lenda que a facada tirou a banha do pioneiro.

Como Teixeira cresceu na divisa dos municípios de Alcobaça e Caravelas, não se pode deixar de falar da parte Caravelense do povoado  a Vila Vargas, que surge com a exploração da madeira ao sul das primeiras estradas de rodagem, hoje conhecida como AV. Marachal Castelo Branco.

Benedito Ralile revela que  “a formação do povoado se deu na era Vargas, (ditadura por isso esta homenagem em detrimento ao presidente Getúlio Vargas, década de 1950)”.

E importante ressaltar que os nomes oficiais não são escolhidos pelos moradores, a denominação popular sim, tem um sentido, informa e caracteriza o lugar de acordo a sua identidade e cultura,

a  oficial não tem outra função a não ser homenagear uma figura importante da história do país e do estado.

Ao batizar o povoado com o nome de Teixeira de Freitas, as autoridades tiraram da cidade um nome coerente com sua história e cultura, como expressava o significado  dos apelidos , Comércio dos Pretos, Mandiocal, São José do Rio Itanhém.

Ainda hoje se escuta por aí alguns toponímicos como Teixeira das Tretas, Texas City,  Praças dos Leões, que oficialmente e a Castro Alves, o Bairro Wilson Brito, popularmente Buraquinho. Nomes ditos e escritos pela mão do povo.

Referencias.

RALILLE, Benedito Pereira; SOUZA, Carlos Benedito de.; SOUZA, Scheila Franca de.

Relatos históricos de Caravelas: (desde o século XVI). Caravelas, BA: Fundação Professor  Benedito Ralille, 2006.

JORNAL ALERTA. Teixeira de Freitas: (Gráfica Jornal Alerta, Ano XII N° 779ª,

maio, 2007). Edição especial de aniversário de 22 anos de Teixeira de Freitas.

BANCO DO NORDESTE, As origens. Teixeira de Freitas, Fortaleza – Ceará. P.05-07, Janeiro 1986.

FERREIRA, Susana. A vida privada de negros pioneiros no povoamento de Teixeira de Freitas na década de 1960. Uneb campus- x. Teixeira de Freitas BA, 2010.

http://www.ibge.gov.br/cidadesat/historicos_cidades/historico_conteudo.php?codmun=293135 > Acesso em: 05 de agosto 2013.

Foto: Lateral da prefeitura municipal 1985.Jornal Alerta 2013.

Daniel Rocha*

Historiador, Bacharel em Serviço Social, Pós-Graduado em Educação à Distância (EAD), Cinéfilo e blogueiro criador do blog Tirabanha em 2010.

Veja também

O rio Itanhém parte 01

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A exploração da Madeira parte 01

Medicina oficial em Teixeira de Freitas.

Mulheres parteiras em Teixeira de Freitas parte 03

Mulheres parteiras em Teixeira de Freitas parte 01

Mulheres parteiras parte 02.

Praça da prefeitura

O causo do Tatu papa -defunto.

Os nomes que Teixeira de Freitas já teve

O cine Horizonte

O comércio de Teixeira de Freitas

História da Expo Agropecuária de Teixeira de Freitas

O causo do Boitatá

O causo do nó da mortalha

Emancipação: História e memória

Suburbanos – Volume II

Por Daniel Rocha

O que acontece com os heróis do nosso dia-a-dia em um país como o Brasil que oferece um desafio a cada esquina? E o que dizer dos guerreiros cariocas em uma  das mais populosas metrópoles do mundo? Essa parece ser a proposta de Suburbanos – Volume II (44 páginas, HQ em preto e branco) que será lançada em maio pela Companhia de Quadrinhos Independentes.

Com roteiros e desenhos de Paulo Chacon, Suburbanos – Volume II promete uma edição totalmente dedicada aos maiores heróis do subúrbio carioca: Melecman, Broto Maravilha, Capitão Bangu, Camelô Prodígio, Pingaman e Garota do Flamengo. A HQ é uma continuação de Suburbanos -Volume I (publicação indicada em três categorias no troféu HQMIX de 2015).

“As pessoas que acompanham o trabalho da CQI sempre me perguntavam sobre isso. “Quando vai sair o segundo volume de Suburbanos?” E eu, todo enrolando com outras HQs e meu trabalho, dizia: “tá no forno, lançaremos em breve,” mas do jeito que as coisas estavam parecia mais que estava era na geladeira. Jorge Ventura, meu amigo e editor da CQI, também cobrava: “você precisa fazer um segundo volume, tem muita gente que se amarra nessas tiras”. Porém, em 2016, aconteceu a indicação da Companhia de Quadrinhos Independentes ao troféu HQMIX(Suburbanos foi indicado em três categorias e O reverso do Morcego, de autoria do Jorge Ventura, foi indicado em quatro categorias). No fim não levamos o troféu, mas isso me motivou a escrever o segundo volume. E aperfeiçoar o que fosse necessário. A arte, o roteiro, o acabamento, enfim, eu acredito que sempre podemos melhorar nossos trabalhos. O leitor merece isso”. Revelou Paulo Cheacom.

 

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A HQ Suburbanos – Volume  II tem data de lançamento confirmada para maio e  poderá ser adquirida   diretamente com o autor via Facebook ou pelo endereço de correio eletrônico chacon92@bol.com.br 

Leia e descubra porque os heróis do cotidiano são os verdadeiros embaixadores da cultura popular brasileira. Os únicos capazes de sobressair e derrotar os vilões da rotina, a cada esquina.

Veja também

Batmania – O retorno

 

 

 

Teixeira de Freitas Secreta : A igreja subterrânea

Por Daniel Rocha

Quem poderia adivinhar que no centro de Teixeira de Freitas, próximo à Avenida Presidente Getúlio Vargas, uma das mais movimentadas do extremo sul baiano, existe uma antiga igreja subterrânea que por muitos anos teve por perto a primeira cruz erguida oficialmente pela igreja católica na cidade?  

Construída no ano de 1973, a igreja subterrânea, popularmente conhecida entre católicos por “Igrejinha subterrânea”, fica localizada na Rua do Rotary Club ao lado do antigo fórum, de frente da unidade municipal Materno Infantil (HUMI) e da residência paroquial da São Francisco. 

Presente em uma das áreas de maior movimento a igrejinha, que raramente é percebida por quem passa, tem uma estrutura simples acessada via porta frontal e uma escadaria de 17 degraus que leva a um pequeno salão abaixo de aproximadamente 225 metros quadrados e um antigo altar construído no estilo anos 1970, hoje sem adornos religiosos.  

Não há no lugar nenhum luxo arquitetônico, somente um vitral muito pequeno e circular no teto faz lembrar que o visitante está a alguns metros abaixo do nível do solo e  que revela sutilmente uma certa influência europeia na arquitetura.  

Uma pequenina placa de mármore na entrada de uma das salas que compõem o espaço indica que foi ali que nasceu o movimento carismático, fé conservadora, na cidade. Já o piso, a julgar pelo desgaste que apresenta, leva a concluir que nunca foi trocado desde a construção.  

De acordo com  holandês Frei Elias (em memória) em um vídeo publicado no site da diocese, aquela seria a fundação do projeto original de uma igreja franciscana não concluída completamente em 1973. Do meu ponto de vista o alto crescimento populacional obrigou a igreja planejar algo maior para um povoado que crescia com status de cidade, embora com graves problemas sociais. 

Nos anos de 1970, devido a alta exclusão social verificada nos dois últimos presidentes militares, os franciscanos e a igreja atuava fortemente para dar assistências aos pobres, fé social, tanto que a maioria das igrejas católicas aberta na cidade eram também escolas e centro comunitário, exigindo espaços maiores. 

 

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Na época o que restou do antigo projeto da Igreja foi transformado na Igreja Subterrânea de São Francisco que tinha próxima a sua área uma cruz de Jacarandá, a mesma colocada na primeira capela construída no centro da cidade, Praça dos Leões, dedicada a Santo Antônio. 

A cruz que ficava na esquina do terreno, voltada para a avenida Getúlio Vargas tinha registrado no muro de sustentação o seguinte texto: “Sob este signo vencerás”. Esse cruzeiro marca a história de Teixeira de Freitas ela foi colocada em frente à capelinha antiga em 1954 e na igreja São Pedro em 1979 e fixada em 1984 neste templo cristão”.   

De 1981 à 1983 a “Igrejinha subterrânea” foi local de missas e o ponto de encontro da primeira formação do movimento da renovação Carismática Católica ( RCC) do extremo sul da Bahia.  

O grupo de RCC denominado Emanuel cresceu rapidamente e ganhou força exigindo mais espaço e ,por essa razão, os organizadores percebendo a necessidade transferiu os encontros para a Igreja São Pedro, como já dito, em 1984.   

 

 

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Estima – se que, a “Igrejinha Subterrânea” ficou em atividade até os anos de 1988 e 1989, funcionando ocasionalmente até meados dos anos de 1990. Nos anos 2000 ficou praticamente abandonada e em alguns momentos restrita até o ano de 2011, quando foi restaurada e aberta em 2014 para receber a visita da imagem pelegrina de Nossa Senhora Aparecida. 

Atualmente no endereço funciona o grupo “23 de maio” dos Alcoólicos Anônimos (AA) cujas reuniões às quartas-feiras e aos sábados das 19 às 21 horas, são abertas ao público. O lugar está sob responsabilidade do grupo que a mais de 20 anos vem resgatando do vício milhares de pessoas da cidade.  

A igrejinha é um lugar de memória, pois nela está registrada a marca da presença franciscana na região. Sobretudo das freiras e  padres holandeses que dedicaram suas vidas a evangelização e a educação da sociedade.  

Importa ainda dizer que em uma cidade como Teixeira de Freitas onde construções do passado são modificadas e destruídas com regularidade é interessante recordar a igreja, conhecer e preservar o lugar que não conta, mas permite estabelecer conexões com a história e a memória religiosa local.  

Para que no futuro não ocorra o mesmo que aconteceu com a pioneira Cruz de Jacarandá que terminou esquecida e deteriorada pelo tempo, em uma das avenidas mais movimentadas do extremo sul baiano. 

 

Fontes Referências 

HOOIJ, Frei Elias. Os desbravadores do Extremo sul da Bahia. História da presença franciscana nesta região – Raízes e frutos, Belo Horizonte, 2011. 

Entrevista com os Frei Elias Hooij, Marcos Monteiro e Lourenço  Tollenaar. Revista dos Franciscanos. Província Santa Cruz, Edição – nº 02 de Abril/junho de 2011. 

Shcerer, Karine Pagliosa. A renovação Carismática Católica na condição Pós-Moderna e na Hipermodernidade. As características do seus sujeitos ante as novas tendências dos tempos atuais. Consultado em 02/02/18. Disponível em: https://sapientia.pucsp.br/bitstream/handle/1912/1/Karine%20Pagliosa%20Scherer.pdf  

Igreja subterrânea recebe a imagem peregrina de nossa senhora aparecida. Consultado em 12/12/15. http://saofranciscotx.com/home/igreja-subterranea-recebe-a-imagem-peregrina-de-nossa-senhora-aparecida 
Segundo dia  do tríduo de 24 anos da paróquia São Francisco. Consultado em 2016  

http://saofranciscotx.com/home/segundo-dia-do-triduo-de-24-anos-da-paroquia/ 
RCC História. Consultado em 03/ 08 /17/ 2017. Dísponivel em:  http://rccteixeira.com.br/historia/ 

Entrevista Frei Elias Hooij: Entrevista concedida a Câmara Municipal de Teixeira de Freitas-BA – 26 de Janeiro de 2016. Acessado em 2017. Dísponivel em: https://www.youtube.com/watch?v=gPChWhyu8Fo&t=76s 

Colaboraram: 

Roselane Neves, relatos orais. 

Marielson Ribas, transporte e cálculos. 

Julian Rigo ( coordenadora da Pastoral da Comunicação Diocesana) via email. 

Imagens: 

Foto da igreja:  

Google 

Foto da Cruz de Jacarandá: 

Extraída da Revista .As origens. Teixeira de Freitas, Fortaleza – Ceará. P.05-07, Janeiro 1986. 

 Grupo de RCC década de 1980

Extraida do site rccteixeira.com.br
 

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Mulher a frente da luta

Por Daniel Rocha

Não apenas por fazer parte da comissão de coordenação da CUT do Extremo Sul baiano e ocupar o cargo de primeira secretária do Sindicato intermunicipal dos Agentes Comunitários de Saúde e Endemias do Extremo Sul da Bahia(SINDACESB), mas por ser uma mulher cheias de  vivências que entrevistamos Cris Oliveira.

 

01 – Como mãe, chefe de família agente comunitária de saúde como  pensa que está se saindo como Sindicalista?

Como sindicalista tem crescido muito, ainda estou em fase de aprendizagem, mas com muita vontade de aprender mais e mais, cada luta além de ser uma vitória é também um aprendizado. Fazer sindicalismo não é uma tarefa fácil, mas é prazeroso!

 

02 – A SINDACESB tem um expressiva participação feminina em seu quadro, você pensa que esse fato possibilita a outras mulheres se conscientizarem sobre a importância de se fazer presente nas instâncias decisórias das entidades sindicais?

Com certeza sim, o fato de termos mulheres participando do SINDACESB  influencia e muito as outras mulheres a estarem a frente na luta. Fato esse que, a cada dia mais mulheres têm aderido aos movimentos sociais. Tem procurado o seu lugar frente às entidades sindicais.

 

03 – Na sua opinião os sindicatos regionais têm valorizado o protagonismo feminino e tem buscado evidenciar e compreender que são as mulheres portadoras de rotinas específicas que moldam seu engajamento?

Ainda temos muito a melhorar em relação à valorização das mulheres nas entidades sindicais. Mas, comparando a décadas anteriores avançamos bastante. As mulheres têm o seu potencial, são guerreiras, inteligentes e fortes. Por mais que sejamos portadoras de rotinas diferenciadas somos capazes de exercer sempre algo a mais.Discutem muito a questão da Paridade mas, na prática não ocorre. É lamentável, mas, é fato! De uma coisa tenho  certeza às mulheres têm potencial para liderar, pra dirigir, pra se pronunciar, enfim, está à frente caso seja necessário. É preciso apenas que nos permitam!

 

04 – Grande parte do mercado empregador , regional, ainda considera a mulher como uma simples prestadora de serviço e não como uma trabalhadora com variações sociais, culturais e familiares, na sua opinião qual caminho para mudar essa realidade?

A mulher já demonstrou que é capaz. Acredito que para mudar essa realidade é preciso que o machismo seja exterminado. Vivemos em uma sociedade extremamente machista. Infelizmente, o que impede a mulher de avançar, ou melhor, o que faz com que sejamos comparadas de tal forma é essa cultura machista que vem predominando de geração em geração. NÃO AO MACHISMO!

 

05 – O movimento sindical tem contribuído para ampliar ainda mais a visão sobre a importância da solidariedade entre os trabalhadores especialmente em relação às mulheres, nos últimos tempos temos tidos avanços ou retrocessos?

O movimento sindical tem avançado nos últimos tempos em relação ao empenho para ampliar essa visão sobre a importância da mulher. E é um papel nosso como sindicalista dar continuidade incentivando a solidariedade entre os trabalhadores e as trabalhadoras.

 

06- Do seu ponto de vista sobre a mídia, por  qual razão a TV brasileira não destaca em seus jornais e novelas mulheres sindicalistas?

A mídia é gerenciada por homens poderosos, brancos, e de grande poder aquisitivo.  Onde o machismo predomina e isso faz com que a discriminação da mulher aconteça de um modo geral. Se for negra, pobre e sindicalista ainda mais. Não é interessante para a mídia divulgar o potencial das mulheres sindicalistas que lutam pelos seus direitos e pelos direitos de um povo que necessitam ser respeitados.

 

07 – Que recado você gostaria de deixar para as mulheres  trabalhadoras do Extremo Sul da Bahia neste dia internacional da Mulher?

Que lute pelos seus direitos e ideais. Que não aceite ser inferiorizada. Que Valorize os seus potenciais, pois, toda mulher independente de cor ou raça ou crença merece ser respeitada e valorizada! Ocupe o seu espaço, conquiste seus sonhos e avance sempre!