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Meu caro amigo, Chico

Por Erivan Santana *

A coisa por aqui está preta, ou melhor dizendo, o Brasil está queimando, com o Pantanal Mato-Grossense e a Amazônia em chamas. É triste, é penoso ver os animais buscando salvação, desorientados, sem entender o que está acontecendo, com muitos deles morrendo, com registros também de perdas de vidas humanas, em sua grande maioria, voluntários e bombeiros tentando conter os incêndios. E o mais desolador é constatarmos a ausência de políticas públicas de proteção e preservação ambiental para o país. Voa pintassilgo, voa pintarroxo, uirapuru, foge asa-branca, se esconde macaco-prego, onça pintada, que o bicho homem vem aí.

Somado com a pandemia do covid 19, o cenário é assustador. Todos os dias, despertamos com a esperança do anúncio da chegada da vacina, e embora algumas estejam em estágio avançado, como a da Rússia e a de Oxford, ainda não estão disponíveis para a população.

Ah, mundo, vasto mundo, como diz aquele poeta, quanto aprendizado, hein? No final das contas, estamos descobrindo os reais valores da vida. Países ricos, como os europeus e os EUA, estão desesperados sem ter muito o que fazer, milionários querendo viajar e gastar suas fortunas, enquartelados em suas casas e mansões, carros guardados em garagens, sem poder sair. Quanto a isto, e com a produção industrial em queda, o meio ambiente agradece.

Verde que te quero ver, quero mais é ar para respirar, deixando os cachorros por perto, que aliás, estão a perguntar: “O que os humanos fazem, que não largam estas focinheiras?”

O momento é para agradecer, perdoar e não se esquecer do verbo “amar”; aliás, fazendo jus à geração dos anos 60, redescoberta neste momento, coloque um lembrete destes na porta da geladeira, e viva a contracultura!

Bom dia, gratidão, vida! Um abraço, meu caro amigo, lembranças à Cecília, e às crianças, cuide-se bem, até a próxima, adeus!


*Erivan Augusto Santana é colaborador do site, professor, escritor, poeta, graduado em letras, Mestre em Ciência da Educação  e membro
Academia Teixeirense de Letras (ATL)

PORQUE É SETE DE SETEMBRO

Erivan Augusto Santana*

Hoje é Sete de Setembro, mas não houve convocação para a avenida, os ônibus não passaram levando os alunos para o desfile, as bandas das escolas silenciaram. O silêncio é grande. Das casas, as janelas espiam a vida, e há semblantes de medo e dor de quem perdeu um amigo, um parente, um vizinho..

E no entanto, o país espera melhores dias. Os pobres, pretos, indígenas e favelados têm medo da Faria Lima e sabem que não são bem vindos na Paulista. Enquanto isso, a bolsa de valores e o mercado aguardam o aquecimento da economia, o consumo, as viagens, as compras de eletroeletrônicos, afinal, viver é consumir, o progresso não pode parar… A mãe Terra sofre, agoniza, pede socorro, com rios, mares e ar estupefatos com tanta poluição. A vida é mesmo a melhor escola, chegamos na esquina da História, é certo que muitos aprenderam o verdadeiro valor e sentido de ser, estar no mundo.

Hoje, quando a reclusão ficou evidente, as pessoas têm fome de abraços, sorrisos, encontros, fome de vida. Ouço o Hino da Independência e a Canção do Marinheiro (Cisne Branco), e não deixo de olhar para a bandeira, augusto símbolo da pátria, e toda a esperança e grandeza que ela me traz.

*Erivan Augusto Santana é colaborador do site, professor, escritor, poeta, graduado em letras, Mestre em Ciência da Educação  e membro
Academia Teixeirense de Letras (ATL)