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CONSEQUÊNCIAS DO COVID-19

Por Erivan Santana*

Com a pandemia do covid-19, muitas situações vieram à tona, entre elas, a assustadora realidade revelada, quando do anúncio do auxílio emergencial, ao ser constatado que ¼ da população brasileira, pouco mais de cinquenta milhões de brasileiros vivem abaixo da linha da pobreza. Os dados são preocupantes, principalmente, quando se sabe que o atual governo federal pretende instaurar no país um projeto de estado mínimo.

No mundo desenvolvido, a exemplo dos países europeus, ainda que alinhados ao capitalismo liberal, existe uma ampla rede de proteção social instalada, principalmente em áreas vitais, como saúde e educação. No Brasil, mesmo com as deficiências causadas pela falta de investimento e estrutura, o SUS está sendo a salvação de muitos brasileiros e de muitas famílias, levando-nos a uma conclusão clara, a de que é preciso cuidar e valorizar o SUS cada vez mais.

Na área da educação, outras realidades vão sendo mostradas diariamente, a toda a população, qual seja, a falta da inclusão digital em nosso país, num momento em que se necessita do apoio pedagógico aos alunos através da internet. Embora todos saibam que a aula presencial, mediada pelo professor, seja imprescindível, até mesmo atendendo a um princípio elementar em educação delimitada por Vygotsky, qual seja – “o educando aprende e desenvolve suas habilidades e competências no convívio social”, o apoio ao aluno via digital neste momento seria bem vindo. Entretanto, a questão da desigualdade social pesou mais uma vez; são poucos no país os que tem acesso à internet de qualidade, além de possuir bons equipamentos, condições necessárias para que aulas on line possam ser desenvolvidas com sucesso, ainda que de forma assistencial e complementar, como já mencionado.

Em meio a tudo isso, uma outra questão se coloca, qual seja a realização do ENEM. Afinal, seria justo a sua realização neste momento, uma vez que os alunos das classses populares, que têm sua base de apoio na escola pública, estarem neste momento sem acesso a ela? Além disso, é bom lembrar, exsite também o risco da aglomeração de pessoas, que um evento dessa natureza proporciona, neste momento perigoso e delicado da pandemia do covid-19, o que tudo somado nos leva à conclusão de que o mais prudente seria adiar o ENEM, o que felizmente, foi feito, diante das reivindicações da sociedade organizada.

Enquanto tudo isso aocntece, vamos vivendo um dia de cada vez, onde sentimentos de medo, saudade, fé, dúvidas, alegria e tristeza, se misturam, com um horizonte totalmente incerto à nossa frente, onde a única certeza que temos é que o mundo pós covid-19 nunca mais será o mesmo.

ERIVAN SANTANA

Artigo originalmente pulbicado no blog “Um café para Sócrates”

A origem da pandemia da Covid-19

POR ERIVAN SANTANA*

Com a pandemia do novo coronavírus, os meios de comunicação têm colocado em pauta apenas este assunto, e em alguns casos com uma certa dose de sensacionalismo, deixando de responder a uma pergunta essencial: Qual é a origem do novo coronavírus? 

Nessas situações, proliferam relatos conspiracionistas na internet, dizendo que isso se deve a “certos hábitos alimentares dos chineses”, aumentando assim, o preconceito a este povo. 

Pois bem, retornando à pergunta, a jornalista e cientista Sonia Shah,em brilhante artigo publicado na revista Le Monde Diplomatique Brasil, de março de 2020, nos faz um importante alerta do ponto de vista ecológico. Segundo ela, “Muitos micróbios convivem naturalmente com os animais, sem lhes causar mal algum.

O problema está em outra parte: com o desmatamento, a urbanização, e a industrialização desenfreados, nós oferecemos a esses micróbios meios de chegar e se adaptar ao corpo humano”. 

Com a destruição dos habitats naturais, perdemos o equilíbrio da interdependência ambiental, restando aos animais sobreviventes buscar refúgio nos habitats que sobram, o que os aproximam dos humanos, permitindo assim, passar estes micróbios para os seus corpos. 

Em seu artigo, a jornalista faz uma interessante retrospectiva histórica, dizendo que “O fenômeno de mutação dos micróbios animais em agentes patológicos não é novo, tendo surgido com a revolução neolítica, quando o ser humano começou a destruir os habitats selvagens para ampliar as terras cultivadas e a domesticar os animais, transformando-os em bestas de carga”. 

A natureza opera em um sistema de “lei natural, de ação e reação”, desta forma, com os animais vistos apenas como fonte de lucro e alimento em larga escala, passaram a transmitir doenças ao homem, como as vacas que nos trouxeram a tuberculose, os porcos a coqueluche e os patos, a gripe. 

As pandemias causadas pela intrusão do homem em ambientes naturais continuam atuais, como o lentivírus do macaco que se tornou o HIV, a bactéria aquática dos Sundarbans, conhecida como cólera que já provocou sete pandemias até hoje, a mais recente no Haiti. Outro exemplo recente também foi a gripe aviária, ocorrida na Ásia, provocada pelo amontoamento de centenas de aves, um cenário ideal para a transmissão de micróbios.

O fato é que diante desta perigosa e preocupante pandemia que hora enfrentamos, a globalização industrial e financeira está em cheque, assim como a urbanização e as grandes metrópoles, incluindo o próprio capitalismo, e não sabemos ainda que mundo virá pela frente, mas uma coisa é certa, a questão ambiental deverá e necessitará ganhar cada vez mais relevância, para o bem da humanidade e para as futuras gerações.

*ERIVAN SANTANA. Crônica publicada no jornal A Tarde, Salvador, 13/04/2020

O DIA EM QUE A TERRA PAROU

Esta é uma das canções mais conhecidas de Raul Seixas, o “maluco beleza”, que se dizia capaz de se comunicar com extraterrestres, além de ter sido profundamente conectado com os movimentos de contracultura de sua época. Será que Raul realmente teve um sonho do que realmente está acontecendo nos dias atuais?

Considerado o pai do rock ‘n’ roll no Brasil, e grande cinéfilo, Raul compôs esta canção após ter assistido ao filme “O dia em que a Terra parou”, de 1951, dirigido por Robert Wise. No filme, o personagem Klaatu (Michael Rennie) , acompanhado do robô Gort, são enviados por uma federação de planetas para ordenar que o povo da Terra pare seus testes nucleares.

De lá para cá, o mundo não somente ampliou os armamentos de guerra, como também aumentou a devastação do planeta, com os altos índices de consumo, característica primordial do capitalismo global.


Em um dos seus versos, a canção diz “que o professor não tem mais nada a ensinar” e “o médico não tem mais nada pra curar”, evidenciando uma certa ironia, característica muito presente na maioria de suas composições, visto que o conhecimento é infinito e está sempre em questionamento, e é claro, os médicos hoje têm muito para curar.


De qualquer forma, a letra da música prevê o colapso do sistema, que para o sociólogo Émile Durkheim, deve ser harmonioso entre todas as suas partes, o que evidentemente, não acontece nos dias que correm, haja visto a crescente desigualdade social, a vilolência, a degradação constante do planeta, exaurindo-se aos poucos, para dar conta da sede de consumo da sociedade moderna.

Os sinais são visíveis, como os recentes incêndios na Austrália, as queimadas e a degradação na Amazônia, o aumento da temperatura do planeta, ano após ano. E eis que de repente, como diz na canção “O dia em que a Terra parou”, somos obrigados a ficarmos confinados em nossas casas, levando-nos a um encontro consigo mesmos e com o próximo, e como sempre acontece nesses casos, o homem é levado a refletir sobre o sentido e o valor da vida, e isso não aconteceria, se dependesse da simples boa vontade de todos.

É triste, é penoso , é sofrido, tudo o que está acontecendo, e ficamos abismados, quando vemos países ricos e desenvolvidos sem ter muito o que fazer, e quando constatamos que a ciência e a tecnologia, em que pese o seu desenvolvimento, não tem nenhum domínio sobre a natureza.


Em meio a tudo isso, percebemos que o Estado ainda tem um papel forte e gerenciador na economia, e que o nosso SUS é uma grande conquista do povo brasileiro, que necessita na verdade, de mais apoio e incentivo. Que após vencermos estas dificuldades e este momento atual, possomos nos tornar pessoas melhores, mais humanas e fraternas.

ERIVAN SANTANA
Crônica publicada no jornal A Tarde, Salvador, 23/03/2020

Vou de ônibus, cê sabe

Por Daniel Rocha

No final da década de 1980  todo canal tinha uma apresentadora de programa infantil. Sem dúvida que a Xuxa da Rede Globo, líder de audiência, massacrava as  diariamente as demais no ibope e tinha a preferência do público que consumia tudo associado ao programa “Xou da Xuxa”.

Porém sem mais nem menos em 1988 uma concorrente rouba a cena ao cravar nas principais rádios do país e nos programas de auditório o hit Vou de Táxi. A música interpretada pela apresentadora Angélica, hoje global, fez tanto sucesso que tornou se uma espécie de música meme, todo o mundo cantarolava exaustivamente.

Naquela época a mulher já trabalhava fora para criar filhos ou ajudar nas contas da casa, mas no interior da Bahia a maioria se virava em casa, seja lavando ou passando roupas pra fora ou como faxineira  doméstica no turno escolar do filho.

Outras  como a minha vizinha Dona Verônica desistiam da sonhada emancipação feminina empre vinculada nas novelas para se dedicar exclusivamente a casa e aos filhos, em nome da sublime glorificação do amor materno.

Naquela época ,como criança que eu era, costumava brincar de carrinhos e outros brinquedos ao som das cantigas e interpretações da dona Verônica, mãe do meu vizinho, que lavava roupa no tanque dos fundos da casa cantarolando, ao seu modo, o hit do ano ‘Vou de Táxi’.

Enquanto a letra original dizia “Vou de táxi, cê sabe” dona Verônica, sem nenhum pudor, colocava um ônibus na história. “Vou de ônibus, cê sabe. Tava morrendo de saudade. Mas nem me lembro do teu nome”. Ocorreu de um dia um vizinho do lado escalar o muro para queixar:
– Ô dona Verônica.. Não é “vou de ônibus” é vou de táxi. Ela entre sorrisos e cheia de sensação e personalidade olhou para trás e bradou:

– Meu querido, eu só ando de ônibus… Não tem sentido pra eu cantar “vou de táxi”. Do jeito que passa na televisão eu não concordo, não é da minha iguala.

Depois de uma boa risada se voltou para o tanque, com uma flor de espuma na lapela, seguiu a esfregar roupas enquanto as crianças  continuavam a brincar no quintal.

 

Foto: Google Imagem.

O pássaro Querido

Por Daniel Rocha

No dia  vinte de março de dois mil  e dezesseis roubaram o “Loro” papagaio de estimação  de uma moradora do bairro Wilson Brito  em Teixeira de Freitas, extremo sul da Bahia.

A ausência do pássaro foi logo notada pela dona da casa e pelos vizinhos porque  ele falava a língua do povo, tanto que pela manhã a ave   não custava encontrar alguém  entre os vizinhos  para assobiar juntos.

Dona Antônia, devota da concebida sem pecado, consternada avisava com dor aos amigos e aos passantes da rua o triste fato. “Você sabia que roubaram o louro? Pois é levaram o meu querido”.

O animal era muito amado e todos moradores da rua sentem a falta dele no cotidiano. Prova disso é que o sumiço da ave ficou entre os assuntos mais comentados nas rodas de conversa do bairro. Mas quem invadiu a casa para roubar um pássaro tão querido? Perguntavam todos curiosos.

Segundo as teorias dos metidos a detetive o pássaro foi levado por alguém que frequentava a casa, alguém que ele conhecia e confiou ao ponto de deixar-se levar.

Para outros ele foi mais uma vítima de um temerário soldado do pó da enganação acostumado a golpes e furtos sorrateiros aplicados a fim de manter seu vício e ilusões.

No presente, sem expectativas de um retorno, aguardam todos para que surja na vizinhança um novo pássaro que venha ser querido. Um que fale a língua do povo.

 

 Outras Crônicas

Sem estranhamentos

A festa do Santo

RIO 2016 – “Aquele Abraço” a Canção Olímpica

Este não será o País do ódio

Sem estranhamentos

Por Daniel Rocha

No dia vinte de fevereiro de 2016 fui ao Cine Teixeira curtir o filme Deadpool,2016, que foi bem comentado na mídia escrita e falada e atraiu milhões de espectadores pelo mundo. Desta vez meu sobrinho não  teve como me acompanhar pois a classificação indicativa não permitia.

Cheguei cedo para primeira sessão mas já havia ali um certo movimento, estranhei apenas um filme em cartaz, pensei por um momento que por conta dessa conversa de crise a sala número 02 havia sido fechada.

Logo a galera fã de quadrinhos lotou o pátio do cinema, uma gente estranha e esquisita , cabelos vermelhos e brincos e tatuagem pelo corpo.

Entre esses um pessoal mais humilde e comportado, logo descobri que a outra sala exibia um filme religioso que na verdade é a adaptação da telenovela de sucesso Os dez mandamentos. Ali por algum momento duas tribos se encontraram no mesmo lugar,  “os santos e os mundanos” sem  nenhum estranhamento.

A festa do Santo

Por Daniel rocha

Na segunda-feira, treze de junho,  fui convidado por um amigo para comparecer a uma comemoração de aniversário ,atrasado, de uma colega de profissão.

Ela na verdade havia aniversariado no dia 19 maio daquele ano de 2016 e por conta da agitação causada pela passagem da tocha olímpica dos jogos Rio 2016 pela cidade a data não foi  felicitada pelos amigos de sempre.

Correria vai, correria vem, acharam de fazer a justa homenagem neste dia junho, o local escolhido foi o de sempre, a churrascaria Água na boca  que fica localizado na zona norte da cidade no bairro Santa Rita.

Na local tudo ia muito bem obrigado, até  quando uma bomba junina, seguido de outras tantas, estourou na rua causando espanto na turma e clientes presentes no local.

Alguém comentou que era dia de Santo Antônio, “por isso o  clima Bagdá”,  ante a informação fiquei surpreso pois não sabia que  o dia do santo era comemorado  em outros bairros da cidade além do bairro Bela Vista onde fica a  paróquia.

Apesar de não ser um católico contumaz  sei que é comum na cidade a celebração do São João e do São Pedro, muito populares, o que não havia notado antes é que o franciscano Santo Antônio também tem seu lugar e importância.

Na volta para casa ,ao passar por uma rua do bairro Recanto do lago, uma fogueira animada por festa e pessoas reforçou de vez o que eu não sabia: o santo casamenteiro também tem vez nos festejos juninos local.

De Volta à Realidade

Por Daniel Rocha

Os jogos olímpicos do Rio 16 chegaram ao fim na noite do dia vinte um de agosto e com eles o encantamento exercido nos telespectadores teixeirenses que por algumas horas se desligavam das dificuldades do mundo  enquanto assistiam pela TV os desafios dos atletas nacionais.

Passeando pela cidade de Teixeira de Freitas, dava para constatar o encantamento do público local com o evento em diversos pontos de encontro da cidade.   Na tradicional Padaria Pombal, no bairro Recanto do Lago, alguns clientes ficavam aglomerados enfrente a TV para ver ” um pedacinho dos jogos”  exibidos no fim da tarde.

No Shopping Pátiomix, bairro Vila Caraipe, um telão na praça de alimentação chamava a atenção dos adultos e das crianças,milagrosamente, pouco envolvidas com brincadeiras  e games. Gustavo Melo, 09 anos, que pela primeira vez acompanhou os jogos olímpicos pela TV, interrompia a todo minuto suas brincadeiras no parquinho para conferir lances das disputas pelas medalhas douradas.

“Não perdi nem um jogo, nem mesmo os que passavam tarde da noite, assistir a conquista do ouro no vôlei de praia masculino pela dupla Alison e Bruno.  Também acompanhei todos os jogos do time masculino de futebol.”

No dia 20/08, no fim da tarde, horário do jogo do Brasil contra a Alemanha pelo ouro Olímpico o Centro da cidade e as principais ruas ficaram desertas. Mas bastou sair o primeiro gol da partida para os gritos deixar evidente que parte das pessoas, naquele momento, estavam enfrente a TV hipnotizados pela disputa do ouro.

Só um detalhe  sobre a transmissão televisiva: pela primeira vez os jogos olímpicos foram transmitidos 100% em alta definição na cidade pela TV Santa Cruz. O canal aberto é afiliado a Rede Globo no sul da Bahia e tem grande audiência na cidade segundo uma pesquisa realizada pelo Ibope em 2014, quando a emissora começou a transmitir pelo sinal digital.

Com o fim dos jogos , e do fascínio ,  a atenção dos teixeirenses voltou -se    inteiramente para á dura realidade vivida no país, recheado de problemas como a crise, a inflação e a política até que o encanto da velha chama da amizade envolva novamente as nossas atenções em um solo amigo.

 

RIO 2016 – “Aquele Abraço” a Canção Olímpica

 

 

Por Daniel Rocha

Em 1997 o Rio de Janeiro chegava na reta final da disputa para sede dos jogos olímpicos de 2004. Com forte apoio popular inflado pela campanha de marketing do governo federal e das principais redes de TV do país o assunto tornou – se comum.

Na disputa final o Rio de Janeiro perdeu para a Atenas na Grécia deixando todos que torciam a favor frustrados com a derrota. Da experiência uma coisa marcou aquela geração, à música de divulgação da candidatura.

A canção “Aquele Abraço” Rio 2004, interpretada pelos destaques da música nacional da época, contagiava a todos que a cantarolavam em qualquer ponto de encontro, lanchonete, praça e escolas.

No embalo da campanha a música de Gilberto Gil era o destaque na TV e emissoras de rádio da cidade e do país. Um vídeo clipe com uma nova versão da música gravado com a presença de grandes nomes da música nacional como Caetano Veloso e Roberto Carlos.

Em 1997  a maioria dos brasileiros, apesar de acreditar que o mundo estava fadado acabar no ano 2000, sonhavam com a possibilidade de ver os Jogos Olímpicos serem realizados no país.

No final das contas o sonho Olímpicos de 2004 morreu no dia 8 de março de 1997 quando Comitê Olímpico internacional COI, não classificou a cidade maravilhosa entre as finalistas pela disputa do direito de sediar os Jogos.

Em 2009, treze anos depois da primeira candidatura, o Rio conquistou o direito de sediar o desejado evento que começa oficialmente na sexta-feira, 5 de agosto, a partir das 20h, no Maracanã. Os primeiros movimentos já repercutem e chamam a atenção do país e do mundo.

Por isso é curioso observar que a poucos dias do início do movimento Olímpico a música tema Oficial dos jogos Rio 2016 – “Alma e Coração” não goza da mesma popularidade da canção da candidatura Rio 2004.

Talvez porque no momento parte da população está frustrada com a ambiguidade do processo político que cominou no afastamento da presidente Dilma Rousseff e por isso repudiam o marketing oficial dos jogos. Ou simplesmente porque a canção de 1997, traduzia melhor nossa ideia de país democrático, livre e Olímpico.

Gilberto Gil irá se apresentar com o amigo, e conterrâneo, Caetano Veloso na cerimônia de abertura da Olimpíada no Maracanã. Quem sabe ele traz de volta “Aquele Abraço”.

 

 

Foto: Google Imagens

 

 

Este não será o País do ódio

Por (Daniel Rocha)

No dia 06/04/16, onze dias antes da votação do processo de impeachment da presidenta  Dilma Rousseff pela Câmara dos Deputados , durante a minha tradicional caminhada pela Avenida Presidente Getúlio Vargas não pude deixar de perceber que a porta de entrada da sede do partido dos trabalhadores (PT) estava pichada com os seguintes dizeres: fora Dilma e leve o PT junto.

Tal fato fez lembrar notícias vinculadas na TV de episódios de intolerância entre partidários em outras cidades do país. A falta de respeito me deixou muito preocupado por três motivos; primeiro porque todo discurso fascista e radical um dia atinge seu apogeu; segundo por receio da atitude dos desconhecidos intolerantes aflorar reações violentas.

Terceiro; porquê não me lembro de ter ouvido algum comentário reprovando o ato de vandalismo no rádio, na TV ou redes sociais da cidade. Na minha opinião deveria haver uma indignação por parte das pessoas.

Porém, no dia seguinte minhas preocupações se findaram  ao passar novamente na avenida percebi que o partido havia respondido a altura grafitando sobre a pichação um belo desenho com os seguintes dizeres: esse não será o país do ódio.

Não poderia ter dado melhor resposta. Respirei aliviado, pois, como pregou Mahatma Gandhi as resistências e reações devem ser pacíficas. Segui novamente meu caminho convicto de que a resistência pela não -violência é a melhor resposta aos atos que denotam intolerância política.