Arquivo da categoria: Crônicas

PORQUE É SETE DE SETEMBRO

Erivan Augusto Santana*

Hoje é Sete de Setembro, mas não houve convocação para a avenida, os ônibus não passaram levando os alunos para o desfile, as bandas das escolas silenciaram. O silêncio é grande. Das casas, as janelas espiam a vida, e há semblantes de medo e dor de quem perdeu um amigo, um parente, um vizinho..

E no entanto, o país espera melhores dias. Os pobres, pretos, indígenas e favelados têm medo da Faria Lima e sabem que não são bem vindos na Paulista. Enquanto isso, a bolsa de valores e o mercado aguardam o aquecimento da economia, o consumo, as viagens, as compras de eletroeletrônicos, afinal, viver é consumir, o progresso não pode parar… A mãe Terra sofre, agoniza, pede socorro, com rios, mares e ar estupefatos com tanta poluição. A vida é mesmo a melhor escola, chegamos na esquina da História, é certo que muitos aprenderam o verdadeiro valor e sentido de ser, estar no mundo.

Hoje, quando a reclusão ficou evidente, as pessoas têm fome de abraços, sorrisos, encontros, fome de vida. Ouço o Hino da Independência e a Canção do Marinheiro (Cisne Branco), e não deixo de olhar para a bandeira, augusto símbolo da pátria, e toda a esperança e grandeza que ela me traz.

*Erivan Augusto Santana é colaborador do site, professor, escritor, poeta, graduado em letras, Mestre em Ciência da Educação  e membro
Academia Teixeirense de Letras (ATL)

Teixeira de Freitas, uma história

Por Erivan Santana

Toda cidade traz a sua história no seu chão, nas suas ruas, casas, pontos históricos e comerciais, personagens e acontecimentos diversos, que o diga a nossa primeira capital Salvador, e com Teixeira de Freitas não é diferente.

Um dos pontos centrais da Princesa do Extremo Sul é a Praça da Bíblia, antiga praça da Independência, onde ficava a Rodoviária Velha, lugar de muitas lembranças. A lanchonete Pai D’egua de D. Penina funcionava ali, ao lado da agência da Águia Branca, onde o movimento de passageiros e transeuntes era intenso. 

A rodoviária usava uma caixa de som, com microfone meio que artesanal, mas funcionava. “Atenção senhores passageiros com destino a Pedro Canário, S. Mateus, Linhares, João Neiva e Vitória…”, anunciava o improvisado apetrecho.

 Enquanto isso, o SULBA, que saia de Posto da Mata, nas primeiras horas da manhã, encostava, com destino a Salvador. Bons tempos. Ônibus com linhas intermunicipais vinham chegando, misturados com os que iam para Salvador, S. Paulo, Belo Horizonte e Vitória.

A antiga praça da Independência ficou conhecida também pelas famosas gincanas estudantis, entre as décadas de 80 e 90, que faziam muito sucesso e fizeram história. O bar do “Seu Vitô”, também era muito festejado e lembrado, ficando ali perto.

Onde era a Pão Gostoso (hoje uma farmácia), funcionava um posto de combustível, com apenas duas bombas, tendo o lugar passado por muitas transformações. E o que dizer do bar do ARUTEF, que funcionava ali no térreo, onde hoje é a Prefeitura? Os teixeirenses admiram aquela histórica foto, com algumas pessoas caminhando, numa avenida Mal. Castelo Branco muito ainda no seu início, mostrando o prédio ao lado, ainda em construção.

Situada no centro da região do Extremo Sul, Teixeira de Freitas olha para os arredores, como quem desejasse dar alguma atenção, já transformada num importante centro comercial e educacional, mas à espera de uma livraria, um teatro, e mais avanços nas áreas da Saúde, Educação e da Cultura, paz e igualdade social!

*Erivan Augusto Santana é colaborador do site, professor, escritor, poeta, graduado em letras e mestrando em Ciência da Educação  e membro
Academia Teixeirense de Letras (ATL)

UM DIA EM 2021

Por Erivan Santana

Os estudantes passam em silêncio para a escola, nesta manhã. Com o uso das máscaras, as algazarras e o burburinho diminuíram. O comportamento na escola também mudou, se antes queriam a todo momento sair, agora preferem ficar prestando atenção às aulas e pararam de reclamar, dizendo que a escola “é chata”, e isso ocorreu depois da experiência de estudar pela internet.

 Descobriram que a melhor forma de estudar é na escola, com o convívio com os professores e colegas, o que o sábio Vygotsky já sabia. Mas quem mais celebrou o retorno às aulas, foram os pais e as mães, que não aguentavam mais ouvir falar de “home schooling”.

Bauman sempre alertou sobre a realidade da “modernidade líquida”, mas talvez, não com a precisão que estamos vivenciando.

Já viajei muito de Jeep e de Rural, já vi a TV em preto e branco e que só sintonizava um ou dois canais, o LP e depois o CD, o videocassete, o DVD, a queda do muro de Berlim, as diretas já, a derrota do futebol arte do Brasil para a desacreditada Itália, em 1982, e o vexame em casa para a Alemanha, em 2014, o ataque dos terroristas às torres gêmeas em 2001, a crise econômica de 2008, a partir dos EUA, o advento da internet, o orkut, o facebook, o twitter e o google. O mundo não é pop, é tech.

Os japoneses criaram aparelhos que apitam, quando as pessoas estão muito próximas, e o governo encomendou às operadoras de telefonia, aplicativos que rastreiam os cidadãos, denunciando se ficam na rua até muito tarde, com quem saem e também se há aglomeração de pessoas. Um dos efeitos imediatos do tal aplicativo está sendo o aumento vertiginoso das separações, e as brigas entre os casais.

O fato é que ninguém aguenta mais tantas lives e podcasts, que vieram para ficar. Os cinemas, casas de shows, estádios, bares e restaurantes, voltaram a funcionar, mas o público diminuiu, ainda com receio do covid-19.

O uso das máscaras se tornou obrigatório, de modo que há de todos os tipos e modelos, inventaram até uma que dissimula, sem que se saiba ao certo se a pessoa está rindo ou chorando.

De qualquer forma, o consumo caiu, as viagens diminuíram, o céu está mais azul, e as árvores estão mais verdes. Têm pessoas que se tornaram mais gratas e humildes, mas outras seguem, como se nada tivesse acontecido. É a vida. Abro o livro de Filosofia por acaso, e me deparo com a fotografia da Monalisa sorrindo. Da Vinci sabia das coisas.

ERIVAN SANTANA

VIDAS NEGRAS IMPORTAM

Por Erivan Santana*

Os historiadores costumam dizer que o tempo dá voltas, e a História, enquanto ciência humana e social, move-se entre o passado e o presente, com consequências para o futuro. Pois é exatamente isso o que está acontecendo no momento, particularmente nos EUA e também na Europa. 

Sendo um dos berços dos movimentos de contracultura dos anos 60, grande parte da sociedade americana se insurge contra o preconceito racial e a violência policial, revivendo todo o clima, o cenário dos movimentos sessentistas, já citados. É importante lembrar que estes movimentos nos EUA, dialogavam à época com o famoso Maio de 68, na França, mais precisamente em Paris. Não por acaso, a França, assim como outros países europeus, se insurgiram contra tais injustiças, cujo exemplo mais recente foi o assassinato de George Floyd.

Entretanto, aqui no Brasil, fez-se um silêncio incômodo, no triste episódio que vitimou João Pedro, e mais recentemente, Miguel. Parece que a sociedade brasileira se acostumou com as perdas humanas, num claro exemplo do que nos diz Hannah Arendt em “a banalidade do mal”.

Georg Simmel, importante sociólogo alemão, também nos fala sobre este fenômeno, que para ele, ocorre quando determinadas sociedades se acostumam com a intensidade de notícias e deslocamentos próprios da globalização, gerando um mecanismo de “autodefesa”, em que o indivíduo passa a se proteger, sem se preocupar com o próximo.

No caso dos EUA e da Europa, é preciso compreender que estas sociedades hoje, são muito plurais, tanto do ponto de vista étnico, como cultural. A globalização oportunizou não somente a comunicação intensa entre os povos, mas também a sua fácil locomoção, e cidades como Nova York, Paris e Londres, provavelmente sejam claros exemplos desta pluralidade em escala global. Visto por este ângulo, passamos a compreender melhor porque estes movimentos acontecem com tanta intensidade nestes países, refletindo os seus anseios por igualdade e justiça social.

Neste contexto, as ciências humanas vêm ganhando cada vez mais importância e influência nos currículos escolares, em que a História, a Filosofia e a Sociologia são chamadas a explicar um mundo cada vez mais dinâmico e em construção, numa perspectiva humana, crítica e cidadã, tendo a liberdade de imprensa um papel também imprescindível neste processo, principalmente se for livre, ética e independente, levando-se em consideração, a influência e a força da comunicação nos dias atuais, onde ela se faz por múltiplas plataformas, e quando se diz “o mundo está na palma da sua mão”, é literalmente, uma realidade. Que todas essas tecnologias possam estar a serviço da ética, da justiça social e das vidas humanas, é o que desejamos.

*ERIVAN SANTANA. Crônica originalmente publicada no jornal A Tarde, Salvador, 10/06/2020.

Foto: Google Imagens

CONSEQUÊNCIAS DO COVID-19

Por Erivan Santana*

Com a pandemia do covid-19, muitas situações vieram à tona, entre elas, a assustadora realidade revelada, quando do anúncio do auxílio emergencial, ao ser constatado que ¼ da população brasileira, pouco mais de cinquenta milhões de brasileiros vivem abaixo da linha da pobreza. Os dados são preocupantes, principalmente, quando se sabe que o atual governo federal pretende instaurar no país um projeto de estado mínimo.

No mundo desenvolvido, a exemplo dos países europeus, ainda que alinhados ao capitalismo liberal, existe uma ampla rede de proteção social instalada, principalmente em áreas vitais, como saúde e educação. No Brasil, mesmo com as deficiências causadas pela falta de investimento e estrutura, o SUS está sendo a salvação de muitos brasileiros e de muitas famílias, levando-nos a uma conclusão clara, a de que é preciso cuidar e valorizar o SUS cada vez mais.

Na área da educação, outras realidades vão sendo mostradas diariamente, a toda a população, qual seja, a falta da inclusão digital em nosso país, num momento em que se necessita do apoio pedagógico aos alunos através da internet. Embora todos saibam que a aula presencial, mediada pelo professor, seja imprescindível, até mesmo atendendo a um princípio elementar em educação delimitada por Vygotsky, qual seja – “o educando aprende e desenvolve suas habilidades e competências no convívio social”, o apoio ao aluno via digital neste momento seria bem vindo. Entretanto, a questão da desigualdade social pesou mais uma vez; são poucos no país os que tem acesso à internet de qualidade, além de possuir bons equipamentos, condições necessárias para que aulas on line possam ser desenvolvidas com sucesso, ainda que de forma assistencial e complementar, como já mencionado.

Em meio a tudo isso, uma outra questão se coloca, qual seja a realização do ENEM. Afinal, seria justo a sua realização neste momento, uma vez que os alunos das classses populares, que têm sua base de apoio na escola pública, estarem neste momento sem acesso a ela? Além disso, é bom lembrar, exsite também o risco da aglomeração de pessoas, que um evento dessa natureza proporciona, neste momento perigoso e delicado da pandemia do covid-19, o que tudo somado nos leva à conclusão de que o mais prudente seria adiar o ENEM, o que felizmente, foi feito, diante das reivindicações da sociedade organizada.

Enquanto tudo isso aocntece, vamos vivendo um dia de cada vez, onde sentimentos de medo, saudade, fé, dúvidas, alegria e tristeza, se misturam, com um horizonte totalmente incerto à nossa frente, onde a única certeza que temos é que o mundo pós covid-19 nunca mais será o mesmo.

ERIVAN SANTANA

Artigo originalmente pulbicado no blog “Um café para Sócrates”

A origem da pandemia da Covid-19

POR ERIVAN SANTANA*

Com a pandemia do novo coronavírus, os meios de comunicação têm colocado em pauta apenas este assunto, e em alguns casos com uma certa dose de sensacionalismo, deixando de responder a uma pergunta essencial: Qual é a origem do novo coronavírus? 

Nessas situações, proliferam relatos conspiracionistas na internet, dizendo que isso se deve a “certos hábitos alimentares dos chineses”, aumentando assim, o preconceito a este povo. 

Pois bem, retornando à pergunta, a jornalista e cientista Sonia Shah,em brilhante artigo publicado na revista Le Monde Diplomatique Brasil, de março de 2020, nos faz um importante alerta do ponto de vista ecológico. Segundo ela, “Muitos micróbios convivem naturalmente com os animais, sem lhes causar mal algum.

O problema está em outra parte: com o desmatamento, a urbanização, e a industrialização desenfreados, nós oferecemos a esses micróbios meios de chegar e se adaptar ao corpo humano”. 

Com a destruição dos habitats naturais, perdemos o equilíbrio da interdependência ambiental, restando aos animais sobreviventes buscar refúgio nos habitats que sobram, o que os aproximam dos humanos, permitindo assim, passar estes micróbios para os seus corpos. 

Em seu artigo, a jornalista faz uma interessante retrospectiva histórica, dizendo que “O fenômeno de mutação dos micróbios animais em agentes patológicos não é novo, tendo surgido com a revolução neolítica, quando o ser humano começou a destruir os habitats selvagens para ampliar as terras cultivadas e a domesticar os animais, transformando-os em bestas de carga”. 

A natureza opera em um sistema de “lei natural, de ação e reação”, desta forma, com os animais vistos apenas como fonte de lucro e alimento em larga escala, passaram a transmitir doenças ao homem, como as vacas que nos trouxeram a tuberculose, os porcos a coqueluche e os patos, a gripe. 

As pandemias causadas pela intrusão do homem em ambientes naturais continuam atuais, como o lentivírus do macaco que se tornou o HIV, a bactéria aquática dos Sundarbans, conhecida como cólera que já provocou sete pandemias até hoje, a mais recente no Haiti. Outro exemplo recente também foi a gripe aviária, ocorrida na Ásia, provocada pelo amontoamento de centenas de aves, um cenário ideal para a transmissão de micróbios.

O fato é que diante desta perigosa e preocupante pandemia que hora enfrentamos, a globalização industrial e financeira está em cheque, assim como a urbanização e as grandes metrópoles, incluindo o próprio capitalismo, e não sabemos ainda que mundo virá pela frente, mas uma coisa é certa, a questão ambiental deverá e necessitará ganhar cada vez mais relevância, para o bem da humanidade e para as futuras gerações.

*ERIVAN SANTANA. Crônica publicada no jornal A Tarde, Salvador, 13/04/2020

O DIA EM QUE A TERRA PAROU

Esta é uma das canções mais conhecidas de Raul Seixas, o “maluco beleza”, que se dizia capaz de se comunicar com extraterrestres, além de ter sido profundamente conectado com os movimentos de contracultura de sua época. Será que Raul realmente teve um sonho do que realmente está acontecendo nos dias atuais?

Considerado o pai do rock ‘n’ roll no Brasil, e grande cinéfilo, Raul compôs esta canção após ter assistido ao filme “O dia em que a Terra parou”, de 1951, dirigido por Robert Wise. No filme, o personagem Klaatu (Michael Rennie) , acompanhado do robô Gort, são enviados por uma federação de planetas para ordenar que o povo da Terra pare seus testes nucleares.

De lá para cá, o mundo não somente ampliou os armamentos de guerra, como também aumentou a devastação do planeta, com os altos índices de consumo, característica primordial do capitalismo global.


Em um dos seus versos, a canção diz “que o professor não tem mais nada a ensinar” e “o médico não tem mais nada pra curar”, evidenciando uma certa ironia, característica muito presente na maioria de suas composições, visto que o conhecimento é infinito e está sempre em questionamento, e é claro, os médicos hoje têm muito para curar.


De qualquer forma, a letra da música prevê o colapso do sistema, que para o sociólogo Émile Durkheim, deve ser harmonioso entre todas as suas partes, o que evidentemente, não acontece nos dias que correm, haja visto a crescente desigualdade social, a vilolência, a degradação constante do planeta, exaurindo-se aos poucos, para dar conta da sede de consumo da sociedade moderna.

Os sinais são visíveis, como os recentes incêndios na Austrália, as queimadas e a degradação na Amazônia, o aumento da temperatura do planeta, ano após ano. E eis que de repente, como diz na canção “O dia em que a Terra parou”, somos obrigados a ficarmos confinados em nossas casas, levando-nos a um encontro consigo mesmos e com o próximo, e como sempre acontece nesses casos, o homem é levado a refletir sobre o sentido e o valor da vida, e isso não aconteceria, se dependesse da simples boa vontade de todos.

É triste, é penoso , é sofrido, tudo o que está acontecendo, e ficamos abismados, quando vemos países ricos e desenvolvidos sem ter muito o que fazer, e quando constatamos que a ciência e a tecnologia, em que pese o seu desenvolvimento, não tem nenhum domínio sobre a natureza.


Em meio a tudo isso, percebemos que o Estado ainda tem um papel forte e gerenciador na economia, e que o nosso SUS é uma grande conquista do povo brasileiro, que necessita na verdade, de mais apoio e incentivo. Que após vencermos estas dificuldades e este momento atual, possomos nos tornar pessoas melhores, mais humanas e fraternas.

ERIVAN SANTANA
Crônica publicada no jornal A Tarde, Salvador, 23/03/2020

Vou de ônibus, cê sabe

Por Daniel Rocha

No final da década de 1980  todo canal tinha uma apresentadora de programa infantil. Sem dúvida que a Xuxa da Rede Globo, líder de audiência, massacrava as  diariamente as demais no ibope e tinha a preferência do público que consumia tudo associado ao programa “Xou da Xuxa”.

Porém sem mais nem menos em 1988 uma concorrente rouba a cena ao cravar nas principais rádios do país e nos programas de auditório o hit Vou de Táxi. A música interpretada pela apresentadora Angélica, hoje global, fez tanto sucesso que tornou se uma espécie de música meme, todo o mundo cantarolava exaustivamente.

Naquela época a mulher já trabalhava fora para criar filhos ou ajudar nas contas da casa, mas no interior da Bahia a maioria se virava em casa, seja lavando ou passando roupas pra fora ou como faxineira  doméstica no turno escolar do filho.

Outras  como a minha vizinha Dona Verônica desistiam da sonhada emancipação feminina empre vinculada nas novelas para se dedicar exclusivamente a casa e aos filhos, em nome da sublime glorificação do amor materno.

Naquela época ,como criança que eu era, costumava brincar de carrinhos e outros brinquedos ao som das cantigas e interpretações da dona Verônica, mãe do meu vizinho, que lavava roupa no tanque dos fundos da casa cantarolando, ao seu modo, o hit do ano ‘Vou de Táxi’.

Enquanto a letra original dizia “Vou de táxi, cê sabe” dona Verônica, sem nenhum pudor, colocava um ônibus na história. “Vou de ônibus, cê sabe. Tava morrendo de saudade. Mas nem me lembro do teu nome”. Ocorreu de um dia um vizinho do lado escalar o muro para queixar:
– Ô dona Verônica.. Não é “vou de ônibus” é vou de táxi. Ela entre sorrisos e cheia de sensação e personalidade olhou para trás e bradou:

– Meu querido, eu só ando de ônibus… Não tem sentido pra eu cantar “vou de táxi”. Do jeito que passa na televisão eu não concordo, não é da minha iguala.

Depois de uma boa risada se voltou para o tanque, com uma flor de espuma na lapela, seguiu a esfregar roupas enquanto as crianças  continuavam a brincar no quintal.

 

Foto: Google Imagem.

O pássaro Querido

Por Daniel Rocha

No dia  vinte de março de dois mil  e dezesseis roubaram o “Loro” papagaio de estimação  de uma moradora do bairro Wilson Brito  em Teixeira de Freitas, extremo sul da Bahia.

A ausência do pássaro foi logo notada pela dona da casa e pelos vizinhos porque  ele falava a língua do povo, tanto que pela manhã a ave   não custava encontrar alguém  entre os vizinhos  para assobiar juntos.

Dona Antônia, devota da concebida sem pecado, consternada avisava com dor aos amigos e aos passantes da rua o triste fato. “Você sabia que roubaram o louro? Pois é levaram o meu querido”.

O animal era muito amado e todos moradores da rua sentem a falta dele no cotidiano. Prova disso é que o sumiço da ave ficou entre os assuntos mais comentados nas rodas de conversa do bairro. Mas quem invadiu a casa para roubar um pássaro tão querido? Perguntavam todos curiosos.

Segundo as teorias dos metidos a detetive o pássaro foi levado por alguém que frequentava a casa, alguém que ele conhecia e confiou ao ponto de deixar-se levar.

Para outros ele foi mais uma vítima de um temerário soldado do pó da enganação acostumado a golpes e furtos sorrateiros aplicados a fim de manter seu vício e ilusões.

No presente, sem expectativas de um retorno, aguardam todos para que surja na vizinhança um novo pássaro que venha ser querido. Um que fale a língua do povo.

 

 Outras Crônicas

Sem estranhamentos

A festa do Santo

RIO 2016 – “Aquele Abraço” a Canção Olímpica

Este não será o País do ódio

Sem estranhamentos

Por Daniel Rocha

No dia vinte de fevereiro de 2016 fui ao Cine Teixeira curtir o filme Deadpool,2016, que foi bem comentado na mídia escrita e falada e atraiu milhões de espectadores pelo mundo. Desta vez meu sobrinho não  teve como me acompanhar pois a classificação indicativa não permitia.

Cheguei cedo para primeira sessão mas já havia ali um certo movimento, estranhei apenas um filme em cartaz, pensei por um momento que por conta dessa conversa de crise a sala número 02 havia sido fechada.

Logo a galera fã de quadrinhos lotou o pátio do cinema, uma gente estranha e esquisita , cabelos vermelhos e brincos e tatuagem pelo corpo.

Entre esses um pessoal mais humilde e comportado, logo descobri que a outra sala exibia um filme religioso que na verdade é a adaptação da telenovela de sucesso Os dez mandamentos. Ali por algum momento duas tribos se encontraram no mesmo lugar,  “os santos e os mundanos” sem  nenhum estranhamento.