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FILMES QUE MARCARAM ÉPOCA EM TEIXEIRA DE FREITAS: O EXORCISTA

Por Daniel Rocha

Dirigido pelo diretor William Friedkin o filme “O Exorcista” é uma reconhecida produção de terror  de 1973 que causa estranheza em quem assiste, tanto que por onde passou provocou reações estranhas e curiosas. Em Teixeira de Freitas, cidade do extremo sul da Bahia, não foi diferente.

De acordo com o antigo gerente do Cine Brasil, que funcionou até início dos anos de 1990, Jovelino da Costa Rodrigues, mais conhecido como “Figão”, O Exorcista provocou reações e medo na platéia teixeirense que tal como vinha ocorrendo em outras cidades do Brasil não escondeu o medo e graça que sentida.

“O público reagia com comentários, gritos e assovios perturbadores…. Principalmente nas cenas clássicas da adolescente possuída e do vômito,” lembrou Jovelino.

A história do filme começa quando o diabo toma conta do corpo de uma adolescente (Linda) e diante disso sua mãe (Ellen) convoca a ajuda de um padre jesuíta (Von Sydow) para tentar exorcizá-la e salvar sua vida diante do  demônio e dos fenômenos apavorantes.

Ainda de acordo com Jovelino o filme  foi exibido com sucesso por diversas vezes na cidade durante os anos de 1970 e 1980, sempre prestigiados por um grande público formado por adolescentes e adultos.

No passado alguns filmes eram reprisados de acordo o pedido do público que naturalmente escolhia o que melhor agitava seus mitos, visão de mundo, sonhos, desejos e crenças e isso ocorria na cidade onde a fita sempre encontrava audiência.

Por esse motivo o filme americano pode ser considerado um dos que marcaram época na cidade, tanto que em 2001, quando relançado sem cortes, foi exibido com grande sucesso no Cine Teixeira  atraindo a atenção de uma nova geração.

Na ocasião do relançamento internacional  da fita em 2001, a crítica da Revista Veja, Isabela Boscov,  relembrou que quando foi lançado nos Estados Unidos na última semana de 1973, o filme foi recebido desde o primeiro dia com filas que se estendiam por quarteirões e numerosos relatos de crises nervosas durante a projeção.

E que em várias cidades americanas padres e psiquiatras registraram movimentos acima do normal em suas igrejas e consultórios quando o filme  estava em cartaz.

Afirmou também que  no Brasil o mesmo fenômeno se repetiu, embora a maior parte do público reagisse às cenas mais tensas com “risadas e apupos”, como relatou o  Figão ao falar das primeiras exibições na cidade  do filme que marcou uma época.

Fontes :

ROCHA.Daniel; OLIVEIRA.Danilo. Cinema – Contribuição no processo de Formação da Sociedade de Teixeira de Freitas nos anos de 1960, 1970 e 1980.

* Esse texto   teve como fonte a entrevista cedida por Jovelino da Costa Rodrigues em 2009, para o trabalho de pesquisa, monografia, de Daniel Rocha e Danilo Santos de Oliveira.

Revista Veja: 2001, edição, 1689

Veja também:

FILMES QUE MARCARAM ÉPOCA EM TEIXEIRA DE FREITAS : BATMAN – O RETORNO

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

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Foto : imagem meramente ilustrativa

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Na Exposição de 1979 aplausos destacou o discurso mais crítico

Daniel Rocha

No dia 21 de outubro de 1979, foi encerrada a 4º edição da Exposição Agropecuária  de Teixeira de Freitas que reuniu agropecuaristas,moradores, políticos e empresários de toda região fronteiriça do extremo sul da Bahia com Minas Gerais e Espírito Santo. No evento o povo destacou o discurso mais crítico através da intensidade dos aplausos.

No mesmo período  no Brasil, o militar João Figueiredo, a fim de evitar desgaste ainda maior nas bases de sustentação política  do regime ditatorial, iniciava o processo de extinção do bipartidarismo com a ARENA e MDB, conhecidos popularmente como “o partido do sim” (o MDB) e o “partido do sim, senhor” (a ARENA).

Diante do contexto, a população, nem sempre livres para manifestar opiniões contrárias,  começavam a aproveitar os espaços para evidenciar suas insatisfações com o regime. É o que se conclui ao analisar informações contidas em um  jornal propagandista da época “O Ponto de Vista” que ao falar do público deixa escapar que houve manifestação através da intensidade dos aplausos direcionados ao discurso mais ousado.

A reação ocorreu durante os discursos de encerramento do evento, quando entorno de sete políticos, entre deputados, senadores e representantes do Regime Militar, revezando-se no microfone, defenderam suas bandeiras e promessas a fim de agradar de alguma forma o grande público à frente do palco principal à espera de algo mais sincero.

Assim falou aos presentes, Walter Ernesto, COOPMISTA, que agradeceu os expositores, empresários, autoridades e o povo sempre presente. Dr. Manoel Otaviano Andrade, representante do Ministro da Agricultura, que assegurou levar ao conhecimento do ministro o desenvolvimento das lavouras e o Deputado  Ângelo Magalhães que reafirmou o compromisso de emancipar Teixeira de Freitas.

Segundo a reportagem não houve nenhuma manifestação receptiva a fala dos tribunos citados, algo que apenas se mostrou quando o Senador paraibano Agenor Maria (MDB)  pegou o microfone e discursou “como não se ouvia há muito tempo” e que o povo prestou toda atenção, ao ponto de pedir em alguns momentos a parte.

No discurso o Senador saiu em defesa da elite agrícola e do “homem do campo,” pequeno produtor, e contra as políticas adotadas pelo governo  militar, fazendo dessa forma discurso mais crítico da noite . Importa dizer que no período posseiros humildes do extremo sul baiano eram expulsos de suas terras por grileiros e fazendeiros armados.

O Sanador também cobrou do representante do Ministério da Agricultura medidas, estímulos e o fim da tributação do campo  e arrancou delirantes aplausos quando destacou de modo sincero alguns desacertos da política do Regime Militar em relação ao homem do campo, “o principal responsável pelo desenvolvimento nacional.” 

Após Agenor o Senador Lomanto Júnior ( ARENA) expressou amor pela região e anunciou um investimento. Já o prefeito Gelson de Oliveira Costa (ARENA), agradeceu a todos que contribuíram para o sucesso da Exposição. Não houve durante a fala do prefeito  registro de manifestações do público que, através da intensidade dos aplausos, fez realçar a penas o discurso mais crítico daquela noite.

Fontes:

Bipartidarismo – Wikipédia

Governo Figueiredo ( 1979-1985) Transição, Diretas Já.

Verbete biográfico Antonio Lomanto Junior

O bispo líder contra a Ditadura Militar em Teixeira de Freitas

Jornal Ponto de Vista. 118. Dezembro de 1979. Acervo Tirabanha.J

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X. 

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

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Foto da Capa: Multidão presente na abertura da Expô 1979

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Veja também

História de Teixeira de Freitas – Praça dos leões: Parte final

“Poti Loiro” um capoeirista teixeirense

Por Daniel Rocha

Na década de 1970 com a chegada da superintendência da polícia militar no então povoado de Teixeira de Freitas, BA, a violência passou a ser contida através de constantes rondas policiais. Segundo um causo rememorado por moradores essa insistente vigilância provocou a ira dos boêmios e do capoeirista “Poti Loiro”, lembrado como um herói às avessas e popular.

Segundo alguns relatos, até a década de 1960 não havia policiamento intensivo em Teixeira de Freitas e por isso a população convivia com os boatos sobre a ação de pistoleiros, brigas e assassinatos ocorridos em meio a escuridão de um lugar abastecido por geradores elétricos,  ativos apenas até às dez horas da noite.

Essa rotina, perceptível para quem visitava o povoado, e bem visível para quem morava nele, só foi modificada com a chegada da rede elétrica e da superintendência da polícia militar, que prontamente instituiu a vigilância e rondas policiais em uma época marcada pela expansão urbana e demográfica e constantes exibições de filmes do Bruce Lee na tela do primeiro cinema da cidade, o Cine Elisabete.

Embora essas transformações possam ter sido recebidas com euforia pelos moradores locais, a constante vigilância policial em certas ocasiões provocou também a insatisfação de grupos e pessoas habituadas a circular livremente pelo lugar, revelam os causos da época.

Conforme um dos causos ouvidos pelo  capoeirista Sebastião Sérgio, filho de migrantes mineiros,  em uma das rodas de capoeira que frequentou quando criança, realizada na casa de migrantes soteropolitanos  na década de 1970, alguns praticantes da arte marcial como “Poti Loiro” tiveram problemas com recrutas, policiais, responsáveis pelo policiamento local.

Na narrativa ouvida e rememorada por ele, no início da década  de 1970 quando estava a passar pela praça, hoje chamada de Praça da Bíblia, o jovem “Poti” um magro, alto, branco, cabeludo, vestido a maneira hippie, que gostava de fumar livremente “peitou” oito policiais armados nas imediações da  antiga Praça em demonstração de força, valentia e contestação.

Segundo ouviu dizer  toda essa reação foi porque o rebelde “Poti Loiro” teve a infelicidade de cruzar o seu caminho com nada mais, nada menos  que oito recrutas armados que ordenados por superiores, o repreendeu com violência e brutalidade diante de diversos moradores e passageiros que aguardavam o ônibus na  Rodoviária , hoje conhecida como “Rodoviária Velha”.

Ainda de acordo com a narrativa do capoeirista  “Já havia entre eles uma rixa”e por esse motivo foi convidado a se retirar do lugar  de modo que ao ser tocado com força “Poti” teria reagido em fúria dando mostra de grande habilidade , golpes rápidos como saltos, parafusos mortais e meia-lua que levou ao chão os “repressores” que na sequência o conduziu até a delegacia, solto horas depois do ocorrido.

Segundo um morador, que preferiu contribuir para essa construção de forma anônima, ao ser perguntado se conhecia o causo “Poti Loiro” e as razões da confusão, respondeu que sim ressaltando que naqueles tempos a falta de iluminação pública favoreceu muito para que houvesse embates e confrontos dos responsáveis pelo policiamento com os boêmios e outros moradores.

“Só existia iluminação via gerador elétrico que funcionava até às dez horas da noite. Por essa razão recrutas percorriam as ruas do então povoado repreendendo às pessoas, sobretudo os boêmios na Rua do Brega com certa dose de exageros… Acontece que Poti era contra esse tipo de repreensão e quando presenciava ou era repreendido de alguma forma reagia com força… Eu não me lembro dessa história da Praça da Bíblia, mas  pode ter acontecido. Sei de uma que ele afrontou os recrutas que repreendia um grupo de estudantes que namoravam na rua durante a noite (…). Poti era muito querido por todos e às vezes temido”.

Ainda de acordo com o morador que gosta de lembrar-se de sua vida “pregressa” como boêmio contumaz na Rua do Brega, rua boêmia, “Poti” era de família rica e os policiais “considerava isso” antes de fazer qualquer coisa com ele. “Daí também sua coragem e valentia”.

Já Mário Santos Almeida, natural de Medeiros Neto, quarenta anos morador na cidade, afirma ter tido a oportunidade de “conhecer de vista” Poti Loiro era “uma figura conhecida e popular que não passava despercebido em Teixeira”.

Em conformidade com essa perspectiva, Mário Santos o descreveu como um Bruce Lee local, um rapaz forte, rebelde que  era compreendido como um “brigão e valente”, mas que na realidade raramente se envolvia em confusões.

Contudo, lembra, que quando “Poti” era de alguma forma repreendido reagiam com ânimo, vigor e com a  boa capoeira que lhe conferiu a fama, por isso acredita que o causo do enfrentamento dado na Praça da Bíblia é verdadeiro.

Mário também ratifica que naqueles tempos os recrutas  reagiram de forma ríspida, “tinham suas razões.” Porém acredita que o confronto não tem nada a ver com o fato de Poti ser um capoeira ou qualquer outra coisa.

“Na verdade ninguém gostava da vigilância desses agentes (…). Todos tinham vontade de partir pra cima, porém só “Poti” tinha o tamanho, a força, a coragem e o status para isso”.

Ao ser informado desses novos detalhes Sebastião Sérgio “o mestre Pinote” afirmou apenas que na versão que conhece, a que ouviu quando criança, “Poti Loiro” enfrentou e derrotou com golpes de capoeira policiais armados no centro do povoado, não sendo possível discordar ou concordar com outras perspectivas.

Fontes

ROCHA.Daniel; OLIVEIRA. Danilo. Cinema – Contribuição no processo de Formação da Sociedade de Teixeira de Freitas nos anos de 1960, 1970 e 1980.

Fontes Orais:

Sebastião Sérgio, conversa informal realizada em  novembro de 2016.

Mário Santos , conversa informal em março de 2017.

Morador anônimo,  conversa informal em  agosto de 2017.

Diversos moradores contribuíram com informações sobre que certificaram os fatos expressos, a todos  o nosso agradecimento.

Foto: Capoeiristas desfilam no sete de setembro de 1975 na avenida Getúlio Vargas.  Acervo do Departamento de cultura de Teixeira de Freitas. Pesquisada e cedido em 2016.

Veja também:

Teixeira de Freitas Secreta : A igreja subterrânea

Memória Estudantil

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Nosso “mito de origem”

 Por Daniel Rocha

Teixeira de Freitas tem uma versão mítica sobre o modo como se deu a ocupação do seu território e o surgimento da cidade propagado no hino municipal que consente e reforça, dentre outras coisas, com uma narrativa oficial, desenvolvimentista e econômica construída na década de 1970 a partir da abertura da BR-101. Narrativa ufanista que nega e esconde aspectos relevantes para o entendimento e compreensão do nosso passado.

 

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 Escolhido por meio de um concurso realizado pela casa legislativa em 2007 e oficializado pelo prefeito Apparecido Staut através da Lei nº. 460/2008 de 11 de Agosto de 2008, o hino oficial do município foi  selecionado por uma comissão julgadora que avaliou;

“o conteúdo dos áudios e os aspectos técnicos, o sentido das letras inscritas, a qualidade musical das composições que abrangeram a história do município, a poesia, criatividade, musicalidade, originalidade, inovação, autenticidade e adequação à linguagem”.

Seguindo esse critério foi contemplada pela comissão, entre outros inscritos, a composição intitulada “De São José a Teixeira de Freitas” composta por Carlos de Andrade, jornalista, radialista e compositor de hinos religiosos. Em segundo e terceiro lugar ficaram com João Carlos e a professora Josinéia Amparo Rocha (UNEB – X).

O hino vencedor, cuja beleza e a melodia são reconhecidas, reproduz, de modo não intencional, uma narrativa poética e fantástica do “nascimento da cidade”, como é possível notar na parte: “Entre Flores, frutos e montanhas. O rio Itanhém te amamentou em paz. Se multiplicam os filhos deste solo. Na pujante glória do teu amanhã.”

A música também traz elementos do discurso “desenvolvimentista” largamente disseminado na década de 1970 pela propaganda do governo do estado da Bahia no trecho “Oh, que tesouros infindos brotaram. No crescente fértil da 101.”

A citação a BR – 101 faz lembrar o mito de que o povoado de Teixeira de Freitas surgiu animado apenas por fatores econômicos empresariais e políticos em meados da segunda metade do século XX, e não no início, ignorando dessa forma a dinâmica local existente no decênio de 1950.

 

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Como já dito, o discurso de que a região surgiu e cresceu economicamente a partir da abertura da BR-101 foi largamente disseminado pelo governo do estado na década de 1970, em consonância com a propaganda do governo militar, que destacavam os avanços econômicos e dizia pouco sobre o falho progresso social e o impacto negativo provocado ,também, pela construção da rodovia, como é possível supor na propaganda publicada no Jornal o Globo em 1974 que pregava.

“Com a abertura da rodovia BR-101 ao tráfego, a região Sul da Bahia tornou-se, ao mesmo tempo, viável em termos industriais, turísticos, pesqueiro e madeireiro. A partir dos estudos e projetos de instalação ou ampliação empresarial, o desenvolvimento daquela área ficou na dependência de uma série de fatores, todos em estreitas vinculações”.

Essa perspectiva de que o hino reforça um discurso vai ao encontro às reflexões feitas pela historiadora docente da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) – Campus X, Liliane Maria Fernandes C. Gomes, em 2015, no artigo TEIXEIRA DE FREITAS – DITOS E NÃO DITOS: Uma cidade em disputa de memórias.

No artigo a historiadora informa que esse discurso foi divulgado ao longo dos anos, sobretudo, na edição especial de aniversário do Jornal Alerta que tem como narrativa principal a ideia de que a cidade surgiu e cresceu graças a abertura da BR-101, exploração madeireira, chegada dos migrantes capixabas, empresários e políticos, ignorando dentre outras coisas as antigas comunidades rurais.

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Ainda de acordo com a análise os jornais ignoram o impacto econômico provocado pelo fim da estrada férrea Bahia – Minas, em 1966, que por mais de 80 anos movimentou o fluxo de pessoas e o comércio no extremo sul e a decadência econômica das cidades portuárias de Caravelas e Alcobaça ao qual o povoado de Teixeira de Freitas era subordinado.

Acredito que o hino reforça também um saudosismo recheado de interesses que visa a manutenção de um status quo local, algo que fica evidente através da citação de nomes de algumas famílias no trecho “Dos Nascimentos, Oliveiras, Guerras, Almeida, Antunes eis o seu fulgor”.

Embora o uso do plural denota uma tentativa de não se referir a apenas algumas famílias, a citação só reforça a disputa pelo pioneirismo e a memória na cidade. Comportamento observado por Liliane Fernandes no artigo TEIXEIRA DE FREITAS – DITOS E NÃO DITOS: Uma cidade em disputa de memórias.

“Ainda em relação às disputas de memórias pode-se inferir, pelo exposto, que a memória oficial busca mostrar a Teixeira de Freitas que ia ser e não a Teixeira de Freitas que era.   Esta, através deste olhar, não seria digna de texto. Não teria história. Em atendimento a esta concepção Teixeira de Freitas passa a contar quando nela se instala instituições governamentais, entre elas, o símbolo do progresso – a BR 101, expresso de ponta a ponta na cidade que agora constaria no mapa e teria sua escrita assentada na história da Bahia”.

 

 

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 Nesta perspectiva afirmo que o mito disseminado pelo hino ,se não estimula, consente com a construção de uma versão da “história” que tem como tela de fundo os fins econômicos, produtivos e políticos.

Por essa razão acredito que faz bem pensar além do Hino da Cidade e do “mito” popularizado por ele, por mais construtiva, bela e onírica que seja a visão propagada pela canção.  Só assim vamos entender melhor o lugar onde habitamos, expressamos nossas diversidades e enfrentamos as contradições do presente.

 

Fontes:

TEIXEIRA DE FREITAS – DITOS E NÃO DITOS: Uma cidade em disputa de memórias. LILIANE MARIA FERNANDES CORDEIRO GOMES.

Bahia 74. Integração. As estradas do Progresso. Propaganda. Jornal O globo 1974.

Imagem: Trevo da cidade década de 1970. Print do vídeo Memorial Legislativo Teixeira de Freitas.

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