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HISTÓRIAS OCULTAS NAS FOTOS ANTIGAS DE TEIXEIRA DE FREITAS – PARTE 02

Por Daniel Rocha 

Em 1984 foi realizado um plebiscito que resultou na emancipação política de Teixeira de Freitas, então subordinada aos municípios de Caravelas e Alcobaça. Em seguida, em 1985, foi realizada primeira eleição para escolha do primeiro prefeito da cidade. 

Foi neste contexto, depois do plebiscito e antes da realização da eleição em 1985, que o jornalista e fotógrafo Jeová Franklin de Queiroz chegou na cidade para registrar imagens e narrativas do próspero lugar para a revista “Teixeira de Freitas”  sobre o incipiente centro que em breve teria inaugurado uma agência do Banco do Nordeste, financiadora da revista lançada em janeiro de 1985 em homenagem ao então  grande povoado como frisa no trecho: 

“O Banco do Nordeste do Brasil S.A (BNB) chegada a Teixeira de Freitas em momento decisivo de sua história, quando a população resolveu em plebiscito perder o título de “O segundo Maior povoado do Mundo” para conquistar a emancipação administrativa e com ela se inscreve entre as dez maiores cidades do Estado da Bahia”. 

Com esse olhar o jornalista e fotógrafo captou diversos pontos e espaços da cidade registrando no suporte dois tipos de fontes; texto e imagem. Dessa forma busco aqui saber: o olhar do fotógrafo estava enviesado por esse momento político? Como isso pode ser percebido nas fotografias? 

Para análise das diversas imagens registradas vou começar pela análise da fotografia de parte da paisagem agrícola predominante na época e da imagem do prédio da EMARC – Escola Média de Agropecuária Regional da CEPLAC, que naquele espaço de tempo ofertava cursos “agrotécnicos” e era uma referência para a região e a cidade. 

Fotografada de baixo para cima para dar maior tamanho ao prédio, o plano aberto destacando os símbolos e o lema da instituição: “Cultivar a terra é plantar o futuro das gerações. A captação do lema justifica a presença da palmeira, ainda pequena, mas pronta a crescer e ultrapassar em tamanho a escola que formava alunos para o mesmo destino. “Alunos disputados pelo mercado local”, como destaca uma fala de parte do texto da revista.  

Foto da página da revista

Ao ocultar o horizonte na imagem, tenta trabalhar um discurso que omite realidades e situações visíveis na paisagem captada por uma foto publicada na mesma página da revista ao lado de culturas agrícolas fluorescentes. A imagem do horizonte captado traz o que foi escondido na ocultação do horizonte da escola, um lugar devastado tomado por gado, cortado por uma estrada e propenso a plantação de legumes como é possível supor observado a disposição simbólica das fotos. Horizonte aberto- tomado pela escola que forma técnicos – Legumes cultiváveis. 

Dessa forma, suponho, que o fotógrafo ao enquadrar a escola tenta passar a ideia de que em partes ou na totalidade, o mesmo já estava ocupado pela força técnica da agricultura local dominado pela grande instituição agropecuária, captada sem a pluralidade social do lugar fazendo valer o discurso da elite agrícola teixeirense que tomava o poder com a emancipação. Discurso favorável à captação de recursos em instituições prontas a financiar como o Banco do Nordeste. 

Fonte: 

MAUAD. Ana Maria. Através da imagem: Fotografia e história interfaces. Tempo, Rio de Janeiro, vol.01,.02. p 73 – 98. 

BANCO DO NORDESTE, As origens. Teixeira de Freitas, Fortaleza – Ceará. P.05-07, janeiro 1985 Relatos orais de Domingos Cajueiro … 

Daniel Rocha da Silva* 

Historiador graduado e  Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X. Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com 

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Itanhém 1969 : Água milagrosa levou milhares de pessoas a cidade

Por Daniel Rocha

Em 1969 um vaqueiro encontrou uma fonte de água em uma colina localizada na fronteira do município de Itanhém com o município mineiro de Umburatiba (MG) onde misteriosamente minava uma suposta água milagrosa que curava “todos os tipos de males físicos”. A notícia se espalhou em toda região fronteiriça atraindo curiosos, doentes e romeiros que tinha uma visão religiosa e de mundo em comum.

Conforme relatos da época publicado em jornais, milhares de pessoas iam diariamente à Fazenda em busca da água milagrosa que aos lentos pingos era aparado em garrafas e vidros, sendo que muito dos portadores de doenças incuráveis tomava no próprio nascedouro na esperança de ficar logo curadas.

Na época relatou um jornal que uma moça , nome não identificado, já estava quase morta devido a uma deficiência intestinal, de repente sarou após tomar “a água de milagres” da fonte.

Embora algumas pessoas demonstraram interesse em faturar com a peregrinação e a movimentação gerado em torno da fonte através da construção de bares e restaurantes próximo ao local, o fazendeiro “Zé Pedra,” dono da fazenda onde ficava a fonte, não cobrava pelo acesso a fazenda porque acreditava que “a fonte era um milagre de Deus e não poderia ser vendido.”

Em 1971 a milagrosa voltou a ser notícia em um jornal local, só que dessa vez pela estranheza causada pelo seu esquecimento. A fonte milagrosa havia sido esquecida pelos milhares de romeiros vindos de todas as partes da fronteira norte do Espírito Santo e Vale do Jequitinhonha que a visitava.

“Só de quando em quando a água é procurada por alguém que ainda acredita em seu poder de cura. Até o ano passado a fonte supostamente milagrosa, ainda atraia gente de todo o Estado de Minas. Agora, porém, a água que nasce de duas rochas cristalinas parece que foi esquecida. Raramente uma pessoa comparece ali para utilizar o líquido em sua enfermidade física. Muitas curas são atribuídas ao uso da “Água Milagrosa” de Itanhém que lentamente vai caindo no ostracismo,” Observou o jornal.

No presente, tem crescido na cidade os relatos de pessoas que visitam o “Santuário da Cruz Sagrada”, Santuário Jesus Misericordioso, em Itanhém, onde fica o dito Cruzeiro Santo. A Cruz em questão foi colocada em 2007 em uma colina na cidade e já tem fiéis que atribuem a relíquia muitas graças alcançadas. Um projeto para construção de um santuário no local vem sendo posto em prática.


Embora não exista nenhuma relação da fonte com o Cruzeiro e o Santuário, que não promete milagres, é possível afirmar que o crescimento da crença na mesma demonstra a religiosidade popular na fronteira não foi passageira.

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

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Fontes:

Site do Santuário Jesus Misericordioso : http://www.euconfioemvos.com.br/santuario/santuario/historia

Jornal FN. 21/06/1969. Acervo do site.

Foto: Santuário Jesus Misericordioso

Meu caro amigo, Chico

Por Erivan Santana *

A coisa por aqui está preta, ou melhor dizendo, o Brasil está queimando, com o Pantanal Mato-Grossense e a Amazônia em chamas. É triste, é penoso ver os animais buscando salvação, desorientados, sem entender o que está acontecendo, com muitos deles morrendo, com registros também de perdas de vidas humanas, em sua grande maioria, voluntários e bombeiros tentando conter os incêndios. E o mais desolador é constatarmos a ausência de políticas públicas de proteção e preservação ambiental para o país. Voa pintassilgo, voa pintarroxo, uirapuru, foge asa-branca, se esconde macaco-prego, onça pintada, que o bicho homem vem aí.

Somado com a pandemia do covid 19, o cenário é assustador. Todos os dias, despertamos com a esperança do anúncio da chegada da vacina, e embora algumas estejam em estágio avançado, como a da Rússia e a de Oxford, ainda não estão disponíveis para a população.

Ah, mundo, vasto mundo, como diz aquele poeta, quanto aprendizado, hein? No final das contas, estamos descobrindo os reais valores da vida. Países ricos, como os europeus e os EUA, estão desesperados sem ter muito o que fazer, milionários querendo viajar e gastar suas fortunas, enquartelados em suas casas e mansões, carros guardados em garagens, sem poder sair. Quanto a isto, e com a produção industrial em queda, o meio ambiente agradece.

Verde que te quero ver, quero mais é ar para respirar, deixando os cachorros por perto, que aliás, estão a perguntar: “O que os humanos fazem, que não largam estas focinheiras?”

O momento é para agradecer, perdoar e não se esquecer do verbo “amar”; aliás, fazendo jus à geração dos anos 60, redescoberta neste momento, coloque um lembrete destes na porta da geladeira, e viva a contracultura!

Bom dia, gratidão, vida! Um abraço, meu caro amigo, lembranças à Cecília, e às crianças, cuide-se bem, até a próxima, adeus!


*Erivan Augusto Santana é colaborador do site, professor, escritor, poeta, graduado em letras, Mestre em Ciência da Educação  e membro
Academia Teixeirense de Letras (ATL)

O causo do homem ofendido por sete cobras

Por Daniel Rocha

Isael de Freitas Correia (1916 – 2011), sempre foi uma figura conhecida na cidade de Teixeira de Freitas. Filho dos pioneiros José Félix Correia e da senhora Ana Rodrigues da Conceição, da fazenda Nova América, foi  vendedor, comerciante e proprietário de parte das terras onde hoje se localizam os  bairros Mirante do Rio, São José e Monte Castelo. 

Segundo conta o filho, nas décadas de 1960 e 1970, o senhor Isael de Freitas contribuiu veemente para a expansão do povoado doando terrenos para a Construção do Batalhão e para passagem da BR – 101 e, também, participou do movimento pela construção de espaços públicos importantes o do Colégio Estadual Professor Rômulo Galvão (Ceprog)

Hoje, graças ao engajamento do seu filho, Domingos Cajueiro Correia,  narrativas e memórias sobre seus feitos são divulgados em sites e revistas e ajuda a compreender aspectos do imaginário popular do passado teixeirense, como é possível notar no registro do “Causo do Homem Ofendido por Sete Cobras,”  narrado pelo pai que era contador de causos nas horas vagas.

Conta Cajueiro que o pai narrava que nos idos de 1940, quando Teixeira de Freitas não passava de uma área fechada por densas matas e  lugar de fazendas como Cascata e a Nova América, seu pai foi como o próprio dizia, ofendido por sete tipos de cobras “Jararacuçus e Jararacas” que o picou enquanto circulava distraído por caminhos entre as matas. 


Cajueiro, de boné, e outros familiares na  inauguração da escola

Que no momento que sentiu a picada, como era de costume fazer na época, benzeu a perna colocando um facão no local e, como mandava uma conhecida simpatia, finalizou enfiando o facão em um tronco de uma árvore. Dentre as sete picadas uma inflamou se convertendo – se em uma dolorosa ferida.

Na época ele procurou recursos nas maiores cidades próximas, “Caravelas e Teófilo Otoni,”contudo, a ferida permaneceu gerando incômodos. Viajando como comerciante pela região, teve informação de um foguista macumbeiro que estava em navio atracado no porto de Ponta de Areia em Caravelas, especialista em curar picadas de cobra venenosas, poderia resolver o seu problema.

Com sorte, conseguiu encontrar a tempo com  o foguista, um senhor de cor negra, oriundo do Rio de Janeiro,  que ao analisar a situação da ferida e ouvir os detalhes do ataque das serpentes concluiu que na verdade ele havia pisado em um despacho feito por alguém que desejava sua morte e que revelaria um remédio para curar se o mesmo pagasse um valor pedido. 

Assim, diante da situação, a mãe do senhor Isael vendeu duas vacas e deu o dinheiro ao filho para comprar o “Elixir Galenogal”, o remédio indicado e vendido pelo foguista. Após fazer o uso do remédio de base natural a ferida causada pela picada de uma das cobras não voltou a incomodar.

Com graça recorda Domingos Cajueiro que quando sua mãe, a parteira Maria de Lurdes, discutia com o pai aproveitava do momento para contestar a versão do causo repetido à exaustão por ele dizendo que não tinha condições de uma pessoa sobreviver ao ataque de sete cobras venenosas. Isso deixava o velho contador de causos muito bravo, pois não tinha o antigo morador o hábito de mentir.

 Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X. Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

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Foto: Isael de Freitas Correia e Maria de Lurdes

PORQUE É SETE DE SETEMBRO

Erivan Augusto Santana*

Hoje é Sete de Setembro, mas não houve convocação para a avenida, os ônibus não passaram levando os alunos para o desfile, as bandas das escolas silenciaram. O silêncio é grande. Das casas, as janelas espiam a vida, e há semblantes de medo e dor de quem perdeu um amigo, um parente, um vizinho..

E no entanto, o país espera melhores dias. Os pobres, pretos, indígenas e favelados têm medo da Faria Lima e sabem que não são bem vindos na Paulista. Enquanto isso, a bolsa de valores e o mercado aguardam o aquecimento da economia, o consumo, as viagens, as compras de eletroeletrônicos, afinal, viver é consumir, o progresso não pode parar… A mãe Terra sofre, agoniza, pede socorro, com rios, mares e ar estupefatos com tanta poluição. A vida é mesmo a melhor escola, chegamos na esquina da História, é certo que muitos aprenderam o verdadeiro valor e sentido de ser, estar no mundo.

Hoje, quando a reclusão ficou evidente, as pessoas têm fome de abraços, sorrisos, encontros, fome de vida. Ouço o Hino da Independência e a Canção do Marinheiro (Cisne Branco), e não deixo de olhar para a bandeira, augusto símbolo da pátria, e toda a esperança e grandeza que ela me traz.

*Erivan Augusto Santana é colaborador do site, professor, escritor, poeta, graduado em letras, Mestre em Ciência da Educação  e membro
Academia Teixeirense de Letras (ATL)

Nos anos 90 a festa da cidade mudou de endereço. Mas por quê?

Por Daniel Rocha 

Em 1993 a festa da cidade que era realizada na Praça da Bíblia, deixou o formato que misturava Gincana com Micareta, a “GINCARETA,” para se tornar uma das principais festas de rua do município. Ao contrário do que possa parecer a festa teve dificuldades para encontrar um lugar onde pudesse ser realizada sem problemas. Mas por quê?

Antes de ir para Avenida Getúlio Vargas a festa tinha um estilo mais comunitário e  apesar das divisões sociais presentes diversas equipes ligadas ao grupo de jovens da igreja católica ,e de algumas escolas do município, envolvia a comunidade em uma disputa para ver quem  desempenhava as melhores tarefas sugeridas pela organização do evento.   

Como já foi dito, esse formato perdurou até 1993 quando uma nova administração municipal mudou o estilo da festa e o local de realização. Assim a Micareta passou a ser itinerante nos primeiros anos até fixar-se em uma parte da avenida onde fosse plenamente aceita.  

Em 1993 e 1994 a micareta foi realizada do trevo do então hospital Santa Rita até a “Rotatória da Pão Gostoso” e em outras partes da AV. Getúlio Vargas nos anos seguintes sob protesto do hospital Santa Rita incomodado com o barulho.  

Em 1995 o circuito permaneceu próximo ao Hospital Santa Rita – Trevo, mas teve que buscar outro lugar porque incomodou também, segundo memória, o trânsito de veículos na central da cidade. Assim, a partir de 1996, a micareta foi empurrada e realizada no circuito Posto Texaco – Padaria Atalaia onde o “Bloco Macaco Prego”, em seu segundo ano, atraiu mil foliões pagantes para avenida. 

A formação e o crescimento da festa e do Bloco Macaco Prego permitiram uma presença maior de artistas e bandas nacionalmente conhecidos. Em 1997, por exemplo, a banda Terra Samba (que na época estava no auge de sua carreira) e o Trio Elétrico carreta (Axé & Cia) foram o grande destaque da festa que arrastou multidões para o percurso itinerante do Bloco e os chamados foliões pipocas, aqueles que não podia pagar pela camisa e que acompanhavam a festa na lateral da avenida.

 
Já em 1997 e depois em 1998, a festa ousou descer mais a avenida sendo realizada no Circuito Rondelli – Posto Itabapuã, próximo ao Supermercado Casa Grande. Nesse trecho mais uma vez a Micareta encontrou a resistência dos hospitais e clínicas localizadas naquelas imediações.  

No final da década, 1999, enfim, fixou se no circuito Posto GEF – Praça Caravelas, onde ficou por toda década seguinte (2000), tornando -se ainda mais popular e apesar das divisões e exclusões pontuais foi realizada sem esses problemas. 

No que diz respeito à questão da mudança do local da festa, importa dizer que tem a ver com o processo de urbanização e organização da cidade iniciadas a partir da emancipação política em 1985. Construção e urbanização da praça e avenidas da cidade.  

Convém lembrar que em 1995 e 1996 o trecho da Avenida onde foi realizada a festa vinha sendo urbanizada através do calçamento das vias laterais, como apenas 15% da cidade era pavimentada, a realização do evento nesse espaço também se liga a divulgação e propaganda das iniciativas políticas da época. 

Fontes: 

www.macacoprego.com.br/historia. Acessado e arquivado em maio de 2009. Acervo do site tirabanha. 

MENSITIERI. Carlos. A recente história de Teixeira de Freitas. 2020. 

A praça da Bíblia.   http://www.tirabanha.com.br/2013/08/31/a-praca-da-biblia/ 

Daniel Rocha da Silva* 

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X. 

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Alcobaça 1971: Os seresteiros da noite

Por Daniel Rocha

Até a década de 1970 o extremo sul da Bahia era uma região que recebia pouca atenção do estado.Sem acesso a energia elétrica cidades eram obrigadas a conviver com a escuridão e os precários geradores de energia, realidade que agradava os seresteiros e incomodava turistas.

Em 1971 noticiou um jornal de Nanuque (MG) que os veranistas que lotavam as praias de Alcobaça reclamavam constantemente contra a falta de luz na cidade que estava praticamente no escuro. Na época o então prefeito Amazias Barreto de Morais declarou que já havia feito de tudo para solucionar o problema, porém não havia  conseguido resolver a tempo  de atender a expectativa dos moradores e veranistas.

Naquele ano Alcobaça havia recebido ao menos 3 mil visitantes, boa parte do estado de Minas Gerais, trazidos por ex-moradores residentes no estado vizinho que além de fazer circular a economia popularizaram nos anos de 1950 e 1960 o hábito de usar a praia como espaço de lazer, para muitos dos moradores, pescadores, o mar era um lugar de trabalho.

O crescimento do número de turistas também pode ser associado a abertura de estradas e novas linhas de ônibus que passaram a circular com mais vigor a partir de 1968, período na região que tinha a cidade de Nanuque ( MG) como ” a capital”.

Segundo Fábio M. Said, inicialmente essa invasão de turistas mineiros provocou a ira dos nativos, porém com o tempo os mesmos perceberam que o turismo era algo positivo e  lucrativo para cidade. Dessa interação nasceu tradições de verão como a realização de bailes e serestas na praia e no Bar Brasil e favoreceu também o crescimento de eventos culturais tradicionalmente apresentados em locais com o da praça da Igreja Matriz.

Consequentemente, registrou o jornal mineiro em 1971, romantizando o problema, que um grupo de moradores  não se importavam muito com a falta de energia na cidade, muito pelo contrário, desejavam a escuridão. “Os seresteiros de Alcobaça não se importavam muito com a falta de luz elétrica durante a noite porque o que os interessava era as estrelas e o luar”, destacou.

Fontes:

SAID, Fabio Medeiros. História de Alcobaça – Bahia (1772-1958)

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

jornal F.N 06/02/1971

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O causo da dupla Noivo e Noivado

Por Daniel Rocha

Nos anos de antigamente, lá pelos idos de 1968, havia uma feira onde hoje é a Praça dos Leões. Foi naquele entorno que se instalou “a primeira” grande loja do então povoado de Teixeira de Freitas, Casa Bom Jesus, de propriedade do senhor Caitano, “pernambucano de Caruaru”, que já trabalhava com a venda de roupas e tecidos e resolveu investir no lugar carente de lojas do ramo.

A loja ficava próximo ao movimento da feira que atraía agricultores motivados a vender suas produções. Dentre estes o senhor Natalino A. Santos que no ano de 1968 ainda morava na Vila Marinha, hoje distrito do município.

Naquele ano de 1968 novas empresas de ônibus passaram a circular no povoado transportando gente de todas as  parte para Teixeira de Freitas aumentando o fluxo na feira, o ponto de embarque e desembarque de passageiros também ficava  naquelas imediações.

Contudo devido a falta de estradas de acesso, para chegar na feira ele tinha que vim de canoa pelo rio Itanhém onde vendiam produtos produzidos na roça da família como Banana e Mandioca e faturar fazendo apresentações artística. Com o irmão Jesuíno, Natalino formava uma dupla de violeiros “Noivo e Noivado.” 

 A primeira grande apresentação da dupla foi durante a inauguração da famosa loja Bom Jesus, que ficava na Avenida Marechal Castelo Branco onde hoje tem uma agência do Banco Bradesco. Por conta disso, contou Natalino, ficaram bem conhecidos por todos os moradores do lugar e da região circunvizinha que frequentava a feira. 

“Naquele tempo, o pessoal saía de Alcobaça, Caravelas e Juerana para comprar na feira da praça e todos paravam para ver a gente tocando…. O povo não tinha malvadeza, jogava o dinheiro dentro do violão. Era o dia todo cantando, juntava muita gente”.

Recorda que certa vez quando a feira funcionou por uns tempos onde hoje é a praça da Bíblia, houve uma festa onde diversas duplas regionais se apresentaram em um palco improvisado na carroceria de um caminhão.

O evento organizado gerou uma grande expectativa, pois além dos violeiros locais uma conhecida dupla de Nanuque, “Diogo e Dioguinho”, tinha presença confirmada no encontro.

Porém durante a apresentação a modo de viola da tão falada dupla mineira não agradou o público presente. Segundo o senhor Natalino, diante do fato, o povo exigiu: “Tira Diogo e Dioguinho e coloca “Noivo e Noivado” para cantar. A Gente gosta mais deles cantando do que estes que estão aí”. Diante do pedido não teve mais pra ninguém, só deu à moda cantada na inauguração da Casa Bom Jesus.

Daniel Rocha da Silva*

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Fontes:

Natalino A. Santos

Jair de Freitas

Este texto foi publicado originalmente no site tirabanha no ano de 2013. Nessa republicação adicionamos novas informações ao texto, como o local da estação de ônibus.

Caravelas e Nova Viçosa 1888: Como foi comemorada a abolição?

Por Daniel Rocha

Em 13 de maio de 1888, diante da resistência escrava e pressão do movimento abolicionista e internacional a princesa Isabel assinou a Lei Áurea (Lei de Ouro) e pôs fim a vários séculos de escravidão no Brasil motivando festas e manifestações pelas ruas de Caravelas e Nova Viçosa.

Em carta enviada e publicada no jornal Diário da Bahia no dia 3 de julho de 1888 os liberais narraram que no dia 13 de maio soube-se em Caravelas que a lei Áurea havia sido sancionada e para “festejar o feliz acontecimento” os liberais fizeram nas primeiras horas do dia seguinte subir ao ar numerosos foguetes.”

Durante a noite saíram acompanhados pela “Filarmônica Democrática” e uma grande multidão de ex-escravos pelas ruas da cidade a comemorar. No dia 19 os libertos mandaram “cantar” duas missas a São Benedito. No evento um grupo ligado aos conservadores provocou os negros libertos e apoiadores gerando agressões. Os conservadores negaram as acusações.

Na colônia Leopoldina, interior de Nova Viçosa e Caravelas, o atuante abolicionista padre Geraldo Sant’Ana, em companhia de Henrique Hertzch, suplente da delegacia local, conclamou os escravos a deixarem o trabalho. Reunidos na fazenda Conquista falou para mais de quinhentos que eles estavam libertos em nome de Jesus Cristo e que o governo não lembrava se deles, pois estavam num local distante.

Diante do anúncio alguns escravos passaram a cobrar mil réis para voltar ao trabalho enquanto outros abandonaram suas atividades passando a vagar pelas estradas insultando os inimigos do padre Geraldo e outros transeuntes contrários.

Em Nova Viçosa (Vila) em comunicação enviada ao chefe de polícia o delegado Ângelo Domingos Monteiro, relatou que padre tornou público a abolição no dia 15 de maio de 1888 causando grande confusão, pois alguns ex- escravos passaram a organizar grandes festas e a dirigir insultos às autoridades escravocratas.

Os ex- escravos que tinham a pessoa do padre como o responsável pela liberdade, tomaram a rua do lugar dando vivas ao religioso, aos republicanos e ao Partido Liberal. No dia 19 de maio reuniram – se na casa de uma prostituta e depois saíram pelas vias cantando, dançando, dando tiros de garruchas e espingardas, armados também de facas e cacetes, até o dia clarear.

No dia 20 repetiu-se a reunião na mesma casa e quando o delegado ordenou que acabasse com a reunião, os ex-escravos, comandados pelo presidente da câmara, reuniram-se novamente e passaram a gritar “… Vá o samba acima, hoje acaba-se com tudo, viva o padre Geraldo, viva os liberais, morram os conservadores, fora.”

Segundo Jaílton Lima Brito na dissertação “Abolição na Bahia – Uma história política – 1870 e 1888,” de onde as informações apresentadas foram extraídas, os enfrentamentos foram provocados político-partidária defendido pelos abolicionistas republicanos que atuaram na região que acabou por envolver os escravos que tomaram partido das ideias Liberais. “Uma atitude incomum entre os ex-escravos que tendiam ao apoio à monarquia”.

Daniel Rocha da Silva*

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Fontes:
BRITO. Jaílton Lima. Abolição na Bahia – Uma história política – 1870 e 1888. UFBA. 1996.

Veja também:

Nos tempos da escravidão I: Um quilombo em Caravelas

Nova Viçosa 1884: A fuga dos escravos

Foto:
Igreja de Santa Efigênia .
Bahia.ws 

1992 no Colégio Ângelo Magalhães

Daniel Rocha*

A ex-estudante do  Colégio Estadual  Ângelo Magalhães Jucélia Jesus dos Santos abriu seu “Caderninho de Mensagens e Lembranças” da sua  época de 1992 revelando detalhes do cotidiano da instituição de ensino fundada em 1983  e extinta em 2010.

Segundo Jucélia, que conclui  o antigo ginásio no colégio, o ano de  1992 foi difícil  para os professores e alunos, pois a escola passava por dificuldades e faltava o básico para a educação dos estudantes.  ” Não havia distribuição de livros, merenda escolar e carteiras para todos”.

Caderninhos de Recordações

Essa triste realidade ficou registrada no Caderninho de Lembranças de 1992 escrito e guardado por ela . Dentre as dedicatórias contidas no caderno chama a atenção a do estudante “Franklin” que segundo a ex- aluna foi uma amizade marcou  sua sétima série.

Segundo conta, no início daquele ano, 1992, ela havia discutido com Franklin em uma disputa por uma das escassas cadeiras na sala de aula. A luta pela tal foi acalorada e causou um efeito ricochete entre eles por isso ficaram sem se falar por alguns meses.

“Havia poucas carteiras para muitos e quando a professora abria o portão todos corriam para dentro da sala para conquistar um lugar para sentar. Seguramos a carteira ao mesmo tempo. Sem acordo a questão foi parar na secretaria”, lembrou.

Contudo o desentendimento não  durou muito e no final  do  ano letivo tornaram se novamente amigos. O momento  ficou eternizado na anotação feita no “caderninho” do dia vinte e seis de novembro de 1992.

“Espero que não fique triste nunca e que lembre sempre de mim. Você é uma das meninas que mais admiro no colégio. O seu jeito de ser mexe com o coração de muita gente. Espero que continue assim, sincera, e que não se esqueça de mim. Não precisa se lembrar de mim basta que não me esqueça jamais. Do seu amigo Franklin”.

Para finalizar este texto, faço uso do parágrafo final do caderninho de Jucélia que escreveu: “Aqui termina as minhas recordações de 1992”. Guardo com muito carinho no fundo do meu Coração. Ass. Jucélia Jesus dos Santos.

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

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Fontes:

Caderninho de recordações 1992.

Conversa informal com Jucélia Jesus dos Santos . 2015