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Lembranças de uma das vítimas da barragem improvisada no bairro Santa Rita

Por Daniel Rocha

Hlton Silva de Souza de 18 anos, foi uma das vítimas do colapso de uma barragem improvisada sobre um córrego no bairro Santa Rita em 1982. As irmãs Edna Souza e Josete Souza entraram em contato com o site, via Whatsapp, para compartilhar lembranças e perspectivas em memória do irmão e dos  padecidos ignorados pelos relatos e registros oficiais.

Filho de migrantes mineiros, Angelina Alves da Silva e José Paulo, em memória, Hilton morava com os pais e a família numerosa, 15 pessoas, em uma casa de madeira no bairro Santa Rita, na rua próximo ao Posto Pioneiro que dá acesso ao bairro.

Segundo contou Josete, que atualmente reside na cidade de São Mateus,ES, antes de chegar em Teixeira a família morou em uma pequena propriedade do avô na zona rural de Itanhém, e chegou no então povoado de Teixeira de Freitas em 1976 em busca de trabalho e  escola para os filhos.

 Brincalhão e carioso, Hlton sonhava em se tornar policial Militar e já se encontrava inscrito no concurso. Trabalhador, ajudava o pai que atuava como carroceiro e nas horas vagas vendia leite e fazia extras, bicos, pelo então  povoado.

Naquela época,  década de 1980, alguns jovens viviam como pardais circulando pelo povoado e se submetendo a exploração laboral sem qualquer tipo de contrato formal  ,estabilidade e expostos a todo tipo de sorte e acidentes. “Uma juventude sem prazer e perspectiva.” Afirmou Frei Elias ao comentar as consequências do êxodo rural para a cidade em seu livro lançado em 2012.

Por essa razão, revelam as irmãs, Hlton que também era conhecido como Cula, foi chamada por um amigo, “Chicão” com quem costumava fazer extras, “bicos”, para trabalhar por algumas horas no desentupimento de um bueiro que dava vazão a água represada na barragem, improvisada, que ficava  uns 400 metros da própria casa.

As irmãs lembram-se ,de ouvir dizer, que no momento em que o irmão trabalhava junto com outros rapazes a contenção desabou e liberou uma grande quantidade de água que o arrastou juntamente com outras pessoas que se encontravam no lugar. Minutos depois a família foi avisada por um dos jovens trabalhador sobre o ocorrido e o desaparecimento do adolescente.

Conforme a perspectiva de Edna Souza, na época com 06 anos, e Josete Souza, 11 anos, o pai e os irmãos saíram em busca do jovem e três quilômetros depois do local do rompimento, o corpo do irmão foi encontrado  às margens do Córrego Charqueada.

Auxiliado pelos filhos o senhor José Paulo retirou o corpo do Hlton da lama e o conduziu nos próprios braços até a carroça que o transportou à residência da família e só durante o banho de retirada de toda lama que cobria o filho,  concluiu que ele já não tinha mais chances de vida. Recordou Edna.

Segundo Josete Souza nenhuma assistência foi prestada a família, embora um “funcionário da prefeitura” procurou o seu pai e recolheu todos os documentos do irmão prometendo arcar com as despesas, algo que não aconteceu. Importa dizer,  que o corpo de Hlton não passou por exames de necropsia e foi enterrado sem o devido registro de óbito.

Sobre outras vítimas afirmou Josete que foram três mortos e não oito como afirma o jornal “O Estado de São Paulo”, sendo o irmão Hlton e outros dois garotos, um de 15 anos que não recorda o nome e a origem e outro de 17 anos filho de uma moradora da rua Mauá, também conhecida como “Rua do brega.”

Para a antiga moradora a lavadeira citada por testemunhas pode ter sucumbido a lama enquanto lavava roupa em alguma parte do Córrego Charqueada, onde se encontrava água limpa, e não no local onde foi vitimado três. No dia da tragédia registrou o jornal do Brasil que “Foram três vítimas, “Hélcio” Silva Souza, Ademir Ferreira dos Santos e Joselito Pereira da Silva, todos adultos.”

Cinco anos depois do acontecimento, 1987, atormentados pelas lembranças, a família mudou para o bairro São Lourenço da cidade já emancipada. No presente, apesar de já ter se passado mais de 30 anos, a mãe e os irmãos sentem saudade e lembra constantemente do parente brincalhão  que comemorava aniversário todo dia 09 de maio. Mesma data que a cidade comemora a emancipação.

Fontes e créditos

Informações sobre a família e acidente com o Hilton Souza:

O texto foi construído a partir da perspectiva de Josete Souza e Edna Souza passadas através de  conversas informais realizadas entre os dias 03/02 a 08/02/19 , via aplicativos eletrônicos Whatsapp.

Informação sobre a rotina laboral dos jovens teixeirenses na década de 1980.

HOOIJ. Frei Elias. Os desbravadores do Extremo sul da Bahia. História da presença franciscana nessa região – raízes e frutos, Belo Horizonte, 2011. Pg 70.

KOOPMANS. Padre José. Além do Eucalipto: O papel do Extremo Sul. 2005. Pg 75 – 80

Conversa informal Josete Souza e Edna Souza

Jornais consultados:

Morrem 8 em barragem que ruiu na Bahia. O estado de São Paulo, 1982 . Acervo site tirabanha

Barragem desaba e mata três. Jornal do Brasil. 1982. Acervo site tirabanha.

Daniel Rocha*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769

e-mail: samuithi@hotmail.com

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A barragem que ruiu em Teixeira de Freitas em 1982

 

Por Daniel Rocha

A ruptura  de uma barragem improvisada em Teixeira de Freitas, Extremo sul da Bahia, em 1982,   vitimou crianças, homens e uma mulher lavadeiras no bairro Santa Rita.  O sinistro aconteceu no dia 28 de abril de 1982, as causas e consequências do acidente ainda hoje são desconhecidas e nunca foram  explicadas oficialmente.  Os registros divergem os relatos orais de antigos moradores também.

A barragem que ficava nas imediações do boqueirão da rua Ipiranga, onde hoje se encontra a “ladeira do Santa Rita” ,segundo registros dos jornais da época, foi construída de forma irregular sobre um córrego para permitir o acesso de veículos e ruiu devido a pressão exercida pela água represada de um córrego.

Segundo noticiou o jornal paulista, O estado de São Paulo, o rompimento da “Barragem improvisada” construída sobre o córrego em uma área de grande depressão no terreno, foi causado por equívocos e falhas e teve início quando o dono do loteamento, um pedreiro, resolveu abrir uma espécie de vala para dar vazão às águas que já estavam quase cobrindo a barragem.

Apesar das advertências dos trabalhadores sobre o perigo que corriam, várias pessoas assistiam a operação e no  instante em que a primeira parte da vala foi aberta, a força da água abriu uma grande fenda que minou a base da represa.

No momento, as pessoas que estavam nas extremidades, crianças e lavadeiras, correram e conseguiu salvar-se, as que estavam no centro da barragem ficaram ilhadas e  foram arrastadas pelas águas. Moradores informaram o jornal por telefone que nenhuma providência oficial havia sido tomada para remover os corpos e escombros.

De acordo a versão  publicado no Jornal do Brasil, foram três vítimas  e não oito como divulgou o Estadão e houve buscas organizadas que consideraram até o fim a possibilidade de não haver mais pessoas soterradas . Ainda conforme registrou o periódico o ocorrido provocou a revolta dos moradores de Teixeira de Freitas, que já há algum tempo reclamavam do entupimento dos bueiros que davam vazão à barragem e da inundação das águas do córrego.

Segundo relatou informalmente um parente de uma das vítimas, algumas foram desenterradas por moradores que fizeram uso das próprias mãos para isso. “Não houve responsabilizados ou indenização pelo o ocorrido”.

Ainda de acordo versão contada por moradores a barragem cedeu por força da pressão da água do afluente do Charqueada e que o lançamento de “entulhos e pó de madeira de serrarias” podem ter obstruído o local por onde passava a água represada causando o rompimento.

Quanto a isso o que se sabe é que os córregos teixeirenses foram de fato poluídos no processo de instalação das serrarias e ocupação demográfica da década de 1960, 1970 e transformados em destino final para o esgoto domésticos na década de 1980 e 1990, como hoje ainda são, graças em partes da falta de fiscalização, não só nas nascentes, mas  também na bacia como um todo . Tragédias também silenciados pela história e memória oficial do “progresso e desenvolvimento” da cidade.

Fontes 

Jornais consultados:

Morrem 8 em barragem que ruiu na Bahia. O estado de São Paulo, 1982 . Acervo site tirabanha

Barragem desaba e mata três. Jornal do Brasil. 1982. Acervo site tirabanha.

Perspectiva de  alguns moradores:

O saneamento básico na história de Teixeira de Freitas 04. Texto publicado no site tirabanha em 14/11/15.

Informação sobre a poluição dos córregos :

Pesquisa de coliformes nas nascentes do Córrego Charqueada em Teixeira de Freitas,  Bahia.  PUGLIESI. Ícarro Oliceira Arariba, SOUZA, Ithamar Cruz de , FORTUNA. Jorge Luiz . Revista Ciências do Ambiente On-Line Agosto, 2008 Volume 4, Número 2

Plano municipal de Saneamento básico. Teixeira de Freitas. Dezembro de 2013.

*Os moradores ouvidos contribuíram informalmente e expressaram temor der ter o nome associado a questão. Registro feito.

Daniel Rocha*
Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

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Foto: Ladeira do Santa Rita. Final da década de 1990.

 

 

A itinerância das mulheres prostitutas em Teixeira de Freitas

Por Daniel Rocha

Nas décadas de 1970 e 1980 o extremo sul da Bahia vivenciou uma série de mudanças provocada pela extração predatória da madeira e abertura da BR-101 que corta todo o estado.

Nesse espaço de tempo cidades como Nanuque (MG) e Caravelas (BA) perderam o protagonismo econômico enquanto a baiana Teixeira de Freitas se beneficiou com o trânsito da BR tornando-se, dentre outras, uma referência para as profissionais do sexo da “região”.

De acordo com os nossos registros, essas trabalhadoras em sua maioria atuavam em locais como a Rua Ubá, em Nanuque – MG, “Rua da Poeira”, em Alcobaça – BA e da Rua “Céu Azul ou do Porto”, em Caravelas e migraram para cidade de Teixeira de Freitas a fim de aproveitar o bom movimento na “Rua do Brega”  zona de meretrício do povoado. E no presente? Existe uma rota?  Ainda são migrantes? Quem são? Como trabalham e administra os lucros?

A fim de saber mais sobre a itinerância das profissionais que atuam na cidade, em julho de 2018, visitamos um ponto comercial do ramo localizado no Bairro São Lourenço. No local “Mara”, de 35 anos,   Informada sobre o objetivo da visita condicionou o bate-papo ao consumo de cerveja. “Não necessariamente alguém vem aqui só para sexo. Podemos tomar uma cerveja.”

De início quis saber mais sobre sua a origem e  o porquê de ter escolhido a profissão . No primeiro momento “Mara” preferiu não falar, mas passado alguns minutos informou que era da cidade de Porto Seguro onde vive “normalmente acima de qualquer suspeita”.  

Aproveitando  a informação sobre o lugar de residência quis saber sobre o trânsito de profissionais pela cidade ou região ao qual respondeu que  de fato existe um trânsito em busca de clientes, por exemplo, na baixa estação, inverno e outono, Teixeira de Freitas “atrai mais” e  na alta estação, verão, época de grande movimento nas cidades do litoral “Teixeira atrai menos”.

Contudo fez questão de frisar que nem todas trabalhadoras do local seguem roteiros ou migram para lugares onde há aglomerações maiores em busca de clientes, privacidade ou ganhos melhores. “Há meninas que são daqui mesmo”.

Sobre a negociação dos lucros “Mara” preferiu não responder, mas deixou escapar que já conhecia a atual proprietária de outro local onde trabalhou e que optou por trabalhar com ela “porque é justa na porcentagem”.

Não há homens participando da administração ou funcionamento do local a casa é composta só por mulheres de diferentes idades e isso, com base na conversa informal, permitiu supor que são mais autônomas, flexíveis e protegidas de outras formas de exploração.

No próximo texto: conversamos com garotas de outra casa que falam da rotina  fora do ambiente  de trabalho . No presente as mulheres prostitutas de Teixeira de Freitas ainda são migrantes?

Créditos & Referências

DEL PRIORE, M. (2001). Apresentação . Em Mary Del Priore (Org.), História das Mulheres no Brasil, pp. 7-10. São Paulo: Editora Contexto/Editora UNESP.

ROCHA. Daniel. As velhas e novas práticas na Rua do Brega.

Daniel Rocha*
Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

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Imagem meramente ilustrativa

 

A explosão que ocorreu duas vezes no mesmo lugar em Teixeira de Freitas

 

Por Daniel Rocha

No dia 12 de Maio de 2009, 23h15min,  uma caldeira da usina de asfalto do Grupamento de Engenharia do Exército Brasileiro (GEEB), que ficava no bairro Caminho do Mar, em Teixeira de Freitas, explodiu e pegou fogo. Cinquenta anos antes um fato parecido ocorreu nas proximidades do mesmo lugar.

Segundo noticiou na época o site local Teixeira News, a caldeira do sinistro acontecimento estava parada e não havia militar na área no momento da explosão por isso ninguém saiu ferido. O asfalto produzido pela usina seria utilizado na recuperação da BR 101 que estava em andamento. 

Ainda de acordo com informações publicadas no site, diante do ocorrido os trabalhadores do exército   tiveram que acionar o corpo de Bombeiro da cidade para conter o fogo que alastrou-se em grande  proporção por  toda unidade militar.

Curiosamente, no dia 24/08/1959, cinquenta anos antes da explosão da caldeira, nas proximidades  do mesmo lugar, pouco metros antes do bairro Caminho do Mar, às margens da estrada de rodagem da Fazenda Cascata, hoje BA-209, também foi cenário de uma explosão.

Um estabelecimento que comercial que funcionava como um ponto de apoio para transeuntes e trabalhadores passantes e que também vendia gasolina armazenadas em tonéis que era extraída com uma bomba manual foi destruído por uma grande explosão.

Conforme revelou Vantuil do Nascimento Correia em uma conversa informal em 2014, o acidente ocorreu durante a noite quando um cliente solicitou atendimento para abastecer o carro. Como não havia energia elétrica no lugar o atendente se dirigiu ao lugar onde ficava guardado o combustível com um candeeiro na mão, utilizado para iluminar o lugar carente de iluminação elétrica.

Ao agachar para pegar a bomba manual,”molhada de combustível”, a chama do candeeiro deu início a um incêndio seguido de uma grande explosão que destruiu todo o lugar. Tal como o incidente de 2009, não houve trabalhadores  feridos.

Convém destacar que o fato revela, dentre outras coisas, a expertise e o empreendedorismo dos moradores que já residiam no território em aproveitar o movimento das estradas de rodagens abertas durante a década de 1950, para praticar a mercancia que favoreceu o surgimento de um pequeno comércio chamado popularmente de “Comércio dos Pretos”.

Comércio que que possibilitou o surgimento da cidade de Teixeira de Freitas, antes da chegada dos  trabalhadores, migrantes mineiros e capixabas, na década de 1970, que também contribuíram ao seu modo para o crescimento demográfico e territorial do povoado de Teixeira de Freitas, emancipado em 1985.

Créditos & Referências

BORBOREMA. Athyla. Caldeira da usina de asfalto do Exército pega fogo em Teixeira de Freitas. Site Teixeiranews. Publicado 13/05/09. Acessado e Arquivado em 16/05/09. Disponível acervo do site tirabanha.com.br

Uma parte da história de Teixeira de Freitas contada por Vantuil de Freitas Correira. Jornal Alerta. Especial de aniversário: 29 anos de Teixeira de Freitas. 2014.

Conversa informal com Vantuil do Nascimento Correia. Agosto de 2014.

Colaborou o memorialista Domingos Cajueiro Correia.

Daniel Rocha*
Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

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Registros do “Dia D” contra o Aedes Aegypti em Teixeira de Freitas

Por Daniel Rocha

Os agentes de combate às endemias do município de Teixeira de Freitas participaram na manhã da sexta-feira (30/11/18) da Semana Nacional de Mobilização dos setores de Educação, Assistência social e Saúde para o combate ao Aedes Aegypti, Dia D.

A mobilização é realizada todos os anos como objetivo alertar a população sobre a importância de combater o mosquito transmissor da dengue, Zika e chikungunya antes do verão , época de maior incidência e reprodução do mosquito.

Na ocasião os servidores públicos ,agentes de endemias, distribuíram panfletos e chamaram a atenção de quem passava pelas avenidas próximas a praça da prefeitura.

A atividade realizada no centro da cidade “no modelo blitz”, busca alcançar os moradores que geralmente não são encontrados em casa para receber a visita e orientação dos agentes de endemias que além da vistoriar os terrenos e quintais também fazem orientação educativa.

“Infelizmente tanto durante a blitz tal como ocorre em algumas visitas domiciliar dos profissionais das endemias nos deparamos com pessoas que ignoram a importância do trabalho preventivo. Precisamos ter consciência que a dengue, zika, febre amarela e chikungunya matam e quando não o fazem deixa sequela”. Enfatizou Rutiléia Pinho Paixão Coimbra, coordenadora do núcleo permanente do Programa Nacional de Controle da Dengue.

Na ocasião os agentes de endemias, Jefferson e Jucélio Pessoa Cunha ,que realizam visitas a cada dois meses nas residências, reforçaram durante a panfletagem que é preciso que a população também faça sua parte vistoriando seus quintais e recebendo devidamente o profissional.

“É importante que o morador busque conhecer melhor a equipe que trabalha no combate ao mosquito, pois são profissionais treinados para enxergar os riscos, algo que uma pessoa comum não consegue”. Frisou Jefferson.

“Fakes News” dificulta o trabalho dos agentes de endemias em Teixeira de Freitas

Notícias de que criminosos estão se passando por agentes de combate à dengue ou que houve roubos de coletes, crachás e bolsas dos profissionais, compartilhado de forma irresponsável via aplicativo Whatsapp, são fakes news ,falsas, e tem gerado medo nos moradores e atrapalhado a recepção dos servidores quando visitam as casas, garante Juscelio Pessoa que trabalha a 16 anos como agente de combate às endemias.

“Tudo isso é mentira porque não tenho conhecimento que de fato ocorreu na cidade algum assalto do tipo. Algumas pessoas que tem demonstrado resistência às visitas domiciliar alegando medo de assaltos (…) Eu mesmo já passei por essa situação e ouvi dizer que alguns colegas também”.

A coordenadora Rutiléia Pinho Paixão lembra que não há nenhum registro policial de que alguma pessoa assalta residências se passando por agente de endemias na cidade ou que tenha ocorrido algum roubo de crachá ou uniformes.

“Quero deixar claro para a população que caso algum dia isso vier acontecer vamos divulgar de forma oficial em canais confiáveis e abrir um boletim de ocorrência para investigação policial. Existe o número do programa que é o 3011- 2763 onde o morador que tiver sisma pode ligar e averiguar junto a coordenação do programa se há profissionais atuando no bairro e o nome do mesmo. Infelizmente tem quem compartilha nas redes este tipo de notícia falsa”.

Sobre a atividade e os riscos do fake news assim se manifestou José Felix, presidente do conselho municipal de saúde e Sindicato dos agentes comunitários de saúde e endemias do extremo sul da Bahia (SINDACESB).

“Esta atividade é de suma importância, para prevenção e conscientização da nossa população. Também, serve como alerta, pois a comunidade ainda não percebeu sua importância, para que tenhamos sucesso no combate a essa tríplice epidemia. E agora temos contra nós, essa ameaça real e que contamina a muitos, com uma velocidade assustadora, que são os FAKE NEWS. Confesso que muito me assusta é que estamos impotentes, diante dessa real ameaça. Só nos resta trabalhar e disseminar a verdade, combatendo também os fake news. Parabenizo os colegas, não só por esta ação, mas também pelo belo trabalho que prestam o ano todo. Juntos somos mais fortes!”

 

Recordações da “Beatlemania” no bairro Recanto do Lago

Por Daniel Rocha*

A “Beatlemania” é um neologismo criado na década de 1960 para descrever a histeria coletiva que afetava os fãs em relação à banda Inglesa The Beatles. Acredita-se que em Teixeira de Freitas, cidade do extremo sul da Bahia, o fenômeno ocorreu no bairro Recanto do Lago em 1995 motivado pela campanha de lançamento da música Free as a Bird”.  

 Free as a Bird foi uma canção inacabada composta e registrada em 1977 por John Lennon ,beatle assassinado em 1980, finalizada e lançada por Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr em 4 de novembro 1995 no álbum “The Beatles Anthology”, alardeado na mídia como “a reunião  da banda”.  

O grande acontecimento musical arrebatou os corações e mentes de alguns dos jovens moradores do bairro de classe média que passaram a consumir livros, coletâneas gravadas em fita K- 7 e à icônica revista especializada “Revolution” editada por Marco Antonio Mallagoli, o único brasileiro que esteve com todos os integrantes da banda e presidente  fã clube,  único autorizado pelos beatles na América latina.

Capa da Revista Revolution

 Segundo a perspectiva do músico Marcos Marcelo que na época liderou o grupo de fãs, com idades compreendidas entre 14,15 e 16 anos, o perfil dos jovens que aderiram a febre no bairro variava e se assemelhavam em alguns aspectos.

 Por exemplo, alguns estudavam em escolas públicas e outros em escolas privadas, todos frequentavam Igrejas e pertenciam a famílias tradicionais, cursava informática ou datilografia, alguns jogavam futebol na rua, outros na quadra do Clube Jacarandá, cumpria algumas obrigações domésticas e com regularidade assistiam TV, ouvia programas de rádio e frequentavam locadoras de vídeo.

Na contramão, os beatlemaníacos faziam uso do tempo livre para tocar e aprender com o violão as primeiras notas de “Free as a Bird” ouvindo repetidas vezes no toca-fitas e “costumeiramente” se reuniam em espaços como, calçadas, garagens e varandas para conversar sobre as bandas, The Beatles, Legião Urbana e Mamonas Assassinas e cantar em inglês, pronunciado de modo estranho, as composições dos ídolos de Liverpool, ícones do rock e da cultura pop internacional.  

Frase  John Lennon

 

 

 

 

 

 

Citações de frases e comentários sobre  os discursos ácidos de John Lennon  contra o tradicionalismo, violência e a favor da luta por justiça social , transformação individual e coletiva, proferidos intensamente pelo cantor depois do fim da banda no início da década de 1970, divulgados pela revista “Revolution” animavam as falas e os pensamentos dos jovens fãs.

 Por essa razão ,revela Marcos  Marcelo, os jovens fãs embora “orientados pela família , escola e igreja”, deixaram o cabelo crescer e assim o fazendo “assumiram uma postura contestadora e rebelde em relação ao estilo de vida, costumes e hábitos”, expressos nas rodas de bate-papo sob a forma de relatos das primeiras aventuras sexuais, goles e tragos às escondidas.

foto, à esquerda: Marcos Marcelo e Bruno Vellarte à direita

 Com o fim do interesse coletivo pelos beatles,  os participantes do grupo abraçaram outras causas e ritmos. Contudo alguns seguiram cantando e homenageando a banda em outros espaços e épocas Marcos Marcelo, contrabaixista e vocalista, por exemplo  fez parte da banda cover local “Os BA-tles” formada pelos beatlemaníacos Marcelo Torres ( baterista) Rafael leite (guitarrista) e Bruno Vellarte ( guitarrista e vocalista).  

“Eu conheci o Bruno Vellarte em 2011 durante um projeto chamado “Banda Coração Pirata” e daí começamos a conversar, trocar experiências musicais e ele me mostrou o projeto “BA- tles” com outros integrantes , daí em diante começamos uma grande parceria”. Recordou Marcos Marcelo.

Em 2013 a banda que faz uso de uma réplica do “lendário baixo de Paul McCartney”, participou da 2ª  Expo Beatles de Teixeira de Freitas, (exposição sobre beatles) realizada em uma churrascaria no centro da cidade  que contou com a exibição de canecas, camisetas, revistas, posters, vinil, CD e com o show da banda cover .

 A exposição que teve sua última edição realizada em 2014 no Shopping Teixeira Mall, foi idealizada pelo músico Bruno Verllart e outros fãs ardorosos do grupo musical inglês na cidade. Nas duas ocasiões o evento fez lembrar a rememorada “Beatlemania” que agitou  os corações e mentes de alguns adolescentes no Bairro Recanto do Lago no ano de 1995. 

Créditos & Referências

The “anthology” está a 96 horas dos ouvidos dos fãs.  O estado de São Paulo, 16 de novembro de 1995. Acervo site tirabanha.com.br

Micthell. James A. John Lennon em Nova York: Os anos de revolução. Editora Valentina Ltda. 2013.

Site da revista  Revolution, http://beatlesrevolution.co.uk/ . Acessado em 10/08/2018.

Anhology 1. Wikipedia, a enciclopédia livre. Acessado em 10 de agosto de 2018.

Free a Bird.  Wikipédia, a enciclopédia livre. Acessado em 10 de agosto de 2018.

O texto foi construído a partir da perceptiva informada em diversas conversas  formais com Marco Marcelo em  outubro  e novembro de 2018.

Os BA-tles no John Black Pub. I Wanna Hold Your Hand. Publicado em 25 de março de 2014 por Izaac Chaves. Disponível no Youtube. Acessado Novembro de 2018.

Foto  extraída do site do site Revolution.

Fotos Banda  enviadas por Marcos Marcelo.

Daniel Rocha*
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A “Anaconda” do desmatamento em Porto Seguro

Por Daniel Rocha

Em 2009 os moradores da zona rural do distrito de Pindorama, Porto Seguro,BA, ficaram assustados com os relatos da aparição de uma Jiboia que foi comparada “pelos moradores mais exagerados” com a cobra do filme Anaconda. O desmatamento histórico da Mata Atlântica pode ser considerado uma das causas da migração do animal para o lugar.

De acordo com reportagem do extinto site local “Bahia Dia Dia” publicado no dia 27 Abril 2009, o boato de que uma cobra de grande proporção circulava pelo distrito de Pindorama, município de Porto Seguro na Bahia, assustou por dias os moradores  agitados pela possibilidade de serem atacado por uma serpente semelhante a do filme “Anaconda”, produção norte-americana, de 1997, exibido com frequência na TV.

Contudo, toda agitação do distrito chegou ao fim na manhã do dia 24 de Abril, domingo, quando o morador Hélio de Jesus Oliveira e um amigo identificado como Aldair, gerente de uma fazenda, avistaram a Jiboia colossal na estrada que liga Pindorama a cidade de Cabrália.

Segundo a reportagem os dois homens com a ajuda de outros trabalhadores presentes no local conseguiram imobilizar a jiboia de 2,80 m e cerca de 20 quilos e levar para um lugar seguro na casa de Hélio, ex – funcionário da Reserva Ecológica Vera Cruz .

Conforme a notícia, Hélio levou o animal para sua casa visando protegê-la do seu mais perigoso predador, “o homem que a mata para comer”, a mesma apresentava marcas de atropelamento. O animal foi entregue um dia depois para o IBAMA.

Durante o período que ficou hospedada na residência do Hélio a cobra, que em nada lembrava a do filme, recebeu a visita de curiosas e assustadas crianças da redondeza.

O texto não se arrisca dizer qual o motivo levou o animal a circular pela comunidade, mas é possível supor que tem relação com o desmatamento intenso da região que ocorre desde os tempos coloniais quando os portugueses invadiram a terra nativa para extrair o Pau-Brasil.

Convém dizer que, embora a retirada seletiva da madeira vem sendo praticada há mais de 500 anos no Brasil, na Bahia ela se tornou especialmente intensa nos últimos 50 anos. Particularmente com a mudança de companhias madeireiras para ao sul da Bahia, vindas do devastado norte do Espírito Santo no início da década de 1970.

Desmatamento que ainda segue intenso no presente, tanto que devido a extração criminosa no sul do Estado, a Bahia foi considerada a campeã nacional de desmatamento da vegetação atlântica entre 2015 e 2016.

Vegetação que é o lar de muitos animais que obrigados a migrar para áreas urbanas, tal como vem ocorrendo em áreas residenciais da cidade de Teixeira de Freitas que tem registrado aparições de cobras como a de Pindorama, se tornam indefesos diante da ação do seu maior predador, o bicho homem.

Fontes:

Região do descobrimento e a campeã de desmatamento, mostra relatório. Eduardo Geraque. 29/05/2017. www1.folha.uol.com.br/Meioambiente. Acessado em 30/05/18.

Cobra jibóia de quase três metros é encontrada em Pindorama. Messias Web. Segunda 27 Abril 2009. bahiadiadia.com.br. Acessado em 30/05/18. Arquivado 30/05/2009. Disponível no Acervo Particular do Site Tirabanha.

Mesquita,  Rede de ONGs da Mata Atlântica, 2001.

Daniel Rocha
Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

 

 

OS EVANGÉLICOS TEIXEIRENSES : O CORAL BATISTA

Por Daniel Rocha

Na década de 1960 migrantes da região e de outras partes do estado e do país fundam as primeiras igrejas evangélicas no povoado de Teixeira de Freitas, Primeira Igreja Batista e Assembleia de Deus.

Na década seguinte, 1970, o número de fiéis aumenta significativamente, novas denominações surgem e outros grupos ligados às igrejas pioneiras dão continuidade aos trabalhos iniciados pelos primeiros protestantes, migrantes, que chegaram ao povoado na década de 1960.

Se no primeiro decênio (1960 a 1970) o desafio dos primeiros protestantes foi, além de evangelizar, construir e formar uma igreja independente, nas décadas seguintes foi preciso diferenciar se do pluralismo cultural existente no povoado, firmando tradições e valores com novas estratégias para a conquista de outros seguidores.

Nesta perspectiva escolhi focar no trabalho desenvolvido pelo coral da Primeira igreja Batista nos anos de 1980. A ideia de escrever sobre o coral surgiu a partir da leitura do livro Introdução à História dos Batistas, do jornalista e radialista Jader Alves Pereira, que destaca em seus registros que na década de 1970 “imperou a tradição coral”.

Dessa forma em novembro de 2015 conversei com o advogado Silvany Silveira sobre o trabalho desenvolvido por ele à frente do coral da primeira igreja Batista na década de 1980 e sua relevância na Cantata de Natal, um dos grandes eventos realizado pela igreja.

O batista Silvany ,que chegou ao povoado em janeiro de 1980 vindo de São Paulo, é mineiro da cidade de Almenara e foi criado na cidade baiana de Vitória da Conquista onde residiu até o ano de 1975.

Silvany então recordou que quando chegou em Teixeira encontrou um povoado pequeno que já aspirava crescimento. Então dividida entres as cidades de Alcobaça e Caravelas o povoado “contava com mais do que 25 mil habitantes”, estimativa.

De acordo com Silvany naquela época a primeira Igreja Batista era um templo simples frequentado por uma média de 150 pessoas pastoreadas pelo Pr. Pedro Santana Neto e que, apesar de modesta, já contava com um coral formado por 11 pessoas.

Embora já antigo o coro era muito respeitado e relevante pois desde da década de 1970 era solicitado nos cultos realizados em lugares fechados, igrejas e domicílios, e abertos, praças e ruas, do povoado, mesmo com toda essa bagagem alguns desafios tinham que ser superados pelo coral, que na perspectiva dele, ainda era muito amador.

Diante de tal situação Silvany resolveu então participar ativamente dos trabalhos da igreja e junto com outros interessados, e também conhecedores do assunto, profissionalizar o coral e desta forma contribuir para a “evolução do gosto musical da igreja”.

“Como guardava do período que morei em Vitória da Conquista conhecimentos na área de música aproveitei a disposição dos irmãos para me dedicar a formação de um novo coral”.

Tendo como referência os grandes grupos que conheceu no sudeste do país o senhor Silvany assumiu o papel de maestro regente, instituiu o uso de becas e instrumentos musicais diversos como o piano. Segundo Silvany foi preciso também renovar o repertório com novas canções e adotar vestimentas padronizadas, becas.

Das primeiras iniciativas nasceu um novo coral formado por 40 pessoas, jovens e adultos, donas de casa, estudantes e aposentados. Recorda que no primeiro ano precisou dedicar muito porque não contou com meses suficientes para afinar a turma para o natal, quando tradicionalmente é realizado a Cantata Natalina, uma das maiores apresentações musicais da igreja.

De acordo com Silvanir assim como hoje no início da década de 1980 a cantata de Natal da Primeira Igreja Batista era um acontecimento de grande destaque no povoado de Teixeira de Freitas. O evento que atraía atenção de diversos fiéis da região era, e ainda é realizado com o objetivo de divulgar a boa nova e conquistar novos fiéis para o cristianismo.

Por esse e outros motivos, e para preparar o coral a tempo, o regente contou com a preciosa ajuda de outras pessoas do ministério da música como Elizama Matos e Aldemir Moreira que no futuro deu continuidade ao trabalho ficando à frente do coral. Recordou Silvany que dentre todos os desafios o de instituir o canto com vozes divididas foi o que mais o exigiu, dificuldade superada pelos cantantes seis meses depois de uma intensa rotina de ensaios.

Ainda de acordo as memórias de Silvany Silveira graças ao empenho e dedicação todos os cantores se destacaram na cantata com uma belíssima apresentação, elevando ainda mais os resultados da missão evangelizadora da igreja.

“A beleza da apresentação e da música ajudava muita gente a compreender a mensagem de amor e paz e o verdadeiro significado do natal e a interação com os irmãos, membros da igreja, que divididos em grupos dava o seu melhor no dia”.

No livro PIBATEF 50 anos – Uma história de fé (2017), do historiador Paulo Cesar Pereira de Jesus, há a informação de que na década de 1980 os trabalhos de evangelização ganharam força a partir da estruturação do Departamento de Evangelismo. “Ao qual serviu de instrumento para a promoção dos trabalhos evangelísticos da primeira Igreja Batista em Teixeira de Freitas.”

Essa informação ajuda entender que de fato na década de 1980 depois de construir e formar uma igreja independente nas décadas de 1960 e 1970, de fato os Batistas buscaram firmar tradições e valores com novas estratégias para a conquista de mais seguidores nas décadas seguintes, diante disso associo essa circunstância a renovação do coral.

De acordo Silvany Silveira depois de vivenciar diversas experiências os membros do coral da Primeira Igreja Batista levaram a semente da boa música a todas as igrejas que se originaram dela, enriquecendo ainda mais a pluralidade cultural da cidade.

“Batista Jardim Novo, Memorial, Monte Castelo formaram grandes corais. No fundo a primeira igreja batista foi uma inseminadora da cultura musical na cidade, música sacra e evangélica. Hoje, graças a Deus, a cidade está muito bem servida de músicos”. Afirmou.

Referencias:

Fontes: MACHADO DA SILVA. Valdênia. A presença dos batistas no cotidiano urbano da cidade de Teixeira de Freitas no extremo sul da Bahia. Uneb campus -X. Teixeira de Freitas, 2010.

ALVES PEREIRA.Jader.Introdução. à história dos Batistas no Extremo Sul Baiano. Teixeira de Freitas BA. 2003.

De Jesus. Paulo Cesar Pereira. PIBATEF 50 ANOS – Uma história de fé. Teixeira de Freitas BA. 2017.

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OS EVANGÉLICOS TEIXEIRENSES : A RELIGIÃO DOS MIGRANTES

A exibição de Star Wars: episódio I no Cine Teixeira

Por Daniel Rocha

Em 1999, o cinema estrangeiro passou por uma revolução na sua estética e linguagem, filmes como Matrix (EUA 1999), Clube da Luta (1999), Corra, Lola Corra (1999) e Star Wars episódio I. A ameaça fantasma, o primeiro filme digital da história, ditaram regras e atiçaram a curiosidade dos cinéfilos no mundo inteiro.

O Star Wars voltava às telas 16 anos depois, com um número infinito de efeitos especiais e intitulado com o nome original da franquia e não mais como Guerra Nas Estrelas como era conhecido no país. A mudança se deu por razões mercadológicas.

Com quatro anos de funcionamento, o cine Teixeira já tinha um público cativo, o preço do ingresso era acessível os estudantes podiam assistir ao filme pagando apenas R$ 2,00.

O motivo do preço acessível era porque as salas não seguiam as estreias do circuito nacional. Hoje este tempo de espera é bem menor e as estreias em circuito são comuns.

A longa espera não incomodava o público fiel, aliás, aumentava a ansiedade e deixava as seções ainda mais gostosas. Como o acesso à Internet era restrito a uma minoria a saída para quem queria ter mais informações sobre os filmes era a TV, colunas de cinema nos jornais e revistas onde raramente se tinha acesso aos spoilers.

Por isso para os fãs, como eu, a espera incluía visitas constantes as bancas de revistas da cidade e as locadoras Tajon vídeo, Venturim Vídeos e a Sétima Arte para “achar” VHS antigos com versões inalteradas dos primeiros filmes.

Na época o diretor George Lucas havia lançado o filme em vídeo com vários cortes e alterações, por isso a busca pelas versões originais. A espera incluía também ficar ligado nos programas de rádio que sempre sorteavam novos ingressos.

No dia da estreia, que ocorreu no dia 27 de agosto de 1999, uma sexta – feira, uma grande e barulhenta audiência compareceu a primeira sessão, em sua maioria jovens fãs e estudantes agitados por uma longa espera, dois meses depois da estreia no país.

Contudo o tão esperado filme ficou aquém das expectativas dos  fãs ,que eu fazia parte, que mesmo assim insatisfeitos voltaram no outro dia, sábado, para rever o primeiro longa  digital, o  grande chamariz da fita. Contudo a tecnologia digital  era coisa para privilegiados uma vez que  no país  os cinemas eram predominante analógico como o Cine Teixeira.

Com a queda do movimento  o filme não  cumpriu com um dos seus objetivos que era o de conquistar novos fãs para franquia, talvez porque, para aquela geração do final dos anos de 1990, as narrativas e os efeitos mirabolantes do filme  Matrix já havia quebrado certos padrões e conquistado o interesse da massa cada dia mais ligado em Tecnologia e telefones celular.

 

Coletivo Feminista organiza manifestação em Teixeira de Freitas

Organização*

As mulheres vão dominar o mundo? Talvez – tomara que sim –, não sabemos. O que sabemos, contudo, é que as mulheres tomarão as ruas brasileiras no próximo sábado, dia 29 de setembro, certamente o maior exército, o mais aguerrido, numeroso e feroz a pisar nas américas. Dúvida?

Em Teixeira de Freitas (Extremo Sul baiano), o batalhão das mulheres se arregimentou nas mídias sociais emcabeçadas pelo Coletivo Feminista das Margaridas. Hoje  o grupo já conta com mais de duzentas mulheres, mistas em várias profissões. Sendo elas advogadas, donas de casa, professoras, estudantes,domésticas, trabalhadoras do campo, engenheiras, servidoras, médicas, trabalhadoras do comércio, esportistas, vereadoras, candidatas regionais, prometem, todas, lutando por nenhum direito a menos e contra as afirmações polêmicas do candidato Jair Bolsonaro.

Dentre essas e outras coisas, o candidato já chegou a dizer em uma entrevista no ano de 2016, que não contrataria uma mulher com o mesmo salário que um homem “porque as mulheres engravidam”. Na época, o candidato disse ter sido mal interpretado.

Não bastasse, o candidato já declarou que nunca pensaria na hipótese dos próprios filhos serem gays, pois, segundo ele próprio, “eles tinham uma boa educação”. E, apesar de ter dito novamente que foi mal interpretado, passou a colecionar a antipatia da grande parte da comunidade LGBTQ+ brasileira.

Em vista disto, em 30 de agosto deste ano, as eleitoras criaram um grupo online pelo “Facebook”, denominado “Mulheres Unidas contra Bolsonaro”, que em menos de duas semanas reuniu dois milhões de mulheres.

A partir daí, o movimento contou com o apoio de diversas personalidades da grande mídia.  Organizado e composto por mulheres de diversos Coletivos Feministas, Grupos e Movimentos Sociais, sem restrição de partidos ou ideologias.

Na cidade o manifesto   “Mulheres Unidas contra Bolsonaro – Teixeira de Freitas, #EleNão , está marcado para as 08:00 horas (oito horas) da manhã, com concentração na Praça da Prefeitura, na Avenida Castelo Branco, e recomenda-se o uso de camisas brancas, violetas ou lilás.

Portanto, o movimento se organizou em “defesa dos direitos das mulheres, das minorias, da comunidade LGBTQ+, bem como, contra o neofacismo, o racismo, o machismo, o sexismo, a misoginia, a intolerância e a incitação à violência, tudo que esse sujeito representa”. Nota publicada no WhatsApp de convite ao manifesto.

  • O texto foi enviado para o site tirabanha.com  pela organização do manifesto.