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Registros do “Dia D” contra o Aedes Aegypti em Teixeira de Freitas

Por Daniel Rocha

Os agentes de combate às endemias do município de Teixeira de Freitas participaram na manhã da sexta-feira (30/11/18) da Semana Nacional de Mobilização dos setores de Educação, Assistência social e Saúde para o combate ao Aedes Aegypti, Dia D.

A mobilização é realizada todos os anos como objetivo alertar a população sobre a importância de combater o mosquito transmissor da dengue, Zika e chikungunya antes do verão , época de maior incidência e reprodução do mosquito.

Na ocasião os servidores públicos ,agentes de endemias, distribuíram panfletos e chamaram a atenção de quem passava pelas avenidas próximas a praça da prefeitura.

A atividade realizada no centro da cidade “no modelo blitz”, busca alcançar os moradores que geralmente não são encontrados em casa para receber a visita e orientação dos agentes de endemias que além da vistoriar os terrenos e quintais também fazem orientação educativa.

“Infelizmente tanto durante a blitz tal como ocorre em algumas visitas domiciliar dos profissionais das endemias nos deparamos com pessoas que ignoram a importância do trabalho preventivo. Precisamos ter consciência que a dengue, zika, febre amarela e chikungunya matam e quando não o fazem deixa sequela”. Enfatizou Rutiléia Pinho Paixão Coimbra, coordenadora do núcleo permanente do Programa Nacional de Controle da Dengue.

Na ocasião os agentes de endemias, Jefferson e Jucélio Pessoa Cunha ,que realizam visitas a cada dois meses nas residências, reforçaram durante a panfletagem que é preciso que a população também faça sua parte vistoriando seus quintais e recebendo devidamente o profissional.

“É importante que o morador busque conhecer melhor a equipe que trabalha no combate ao mosquito, pois são profissionais treinados para enxergar os riscos, algo que uma pessoa comum não consegue”. Frisou Jefferson.

“Fakes News” dificulta o trabalho dos agentes de endemias em Teixeira de Freitas

Notícias de que criminosos estão se passando por agentes de combate à dengue ou que houve roubos de coletes, crachás e bolsas dos profissionais, compartilhado de forma irresponsável via aplicativo Whatsapp, são fakes news ,falsas, e tem gerado medo nos moradores e atrapalhado a recepção dos servidores quando visitam as casas, garante Juscelio Pessoa que trabalha a 16 anos como agente de combate às endemias.

“Tudo isso é mentira porque não tenho conhecimento que de fato ocorreu na cidade algum assalto do tipo. Algumas pessoas que tem demonstrado resistência às visitas domiciliar alegando medo de assaltos (…) Eu mesmo já passei por essa situação e ouvi dizer que alguns colegas também”.

A coordenadora Rutiléia Pinho Paixão lembra que não há nenhum registro policial de que alguma pessoa assalta residências se passando por agente de endemias na cidade ou que tenha ocorrido algum roubo de crachá ou uniformes.

“Quero deixar claro para a população que caso algum dia isso vier acontecer vamos divulgar de forma oficial em canais confiáveis e abrir um boletim de ocorrência para investigação policial. Existe o número do programa que é o 3011- 2763 onde o morador que tiver sisma pode ligar e averiguar junto a coordenação do programa se há profissionais atuando no bairro e o nome do mesmo. Infelizmente tem quem compartilha nas redes este tipo de notícia falsa”.

Sobre a atividade e os riscos do fake news assim se manifestou José Felix, presidente do conselho municipal de saúde e Sindicato dos agentes comunitários de saúde e endemias do extremo sul da Bahia (SINDACESB).

“Esta atividade é de suma importância, para prevenção e conscientização da nossa população. Também, serve como alerta, pois a comunidade ainda não percebeu sua importância, para que tenhamos sucesso no combate a essa tríplice epidemia. E agora temos contra nós, essa ameaça real e que contamina a muitos, com uma velocidade assustadora, que são os FAKE NEWS. Confesso que muito me assusta é que estamos impotentes, diante dessa real ameaça. Só nos resta trabalhar e disseminar a verdade, combatendo também os fake news. Parabenizo os colegas, não só por esta ação, mas também pelo belo trabalho que prestam o ano todo. Juntos somos mais fortes!”

 

Recordações da “Beatlemania” no bairro Recanto do Lago

Por Daniel Rocha*

A “Beatlemania” é um neologismo criado na década de 1960 para descrever a histeria coletiva que afetava os fãs em relação à banda Inglesa The Beatles. Acredita-se que em Teixeira de Freitas, cidade do extremo sul da Bahia, o fenômeno ocorreu no bairro Recanto do Lago em 1995 motivado pela campanha de lançamento da música Free as a Bird”.  

 Free as a Bird foi uma canção inacabada composta e registrada em 1977 por John Lennon ,beatle assassinado em 1980, finalizada e lançada por Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr em 4 de novembro 1995 no álbum “The Beatles Anthology”, alardeado na mídia como “a reunião  da banda”.  

O grande acontecimento musical arrebatou os corações e mentes de alguns dos jovens moradores do bairro de classe média que passaram a consumir livros, coletâneas gravadas em fita K- 7 e à icônica revista especializada “Revolution” editada por Marco Antonio Mallagoli, o único brasileiro que esteve com todos os integrantes da banda e presidente  fã clube,  único autorizado pelos beatles na América latina.

Capa da Revista Revolution

 Segundo a perspectiva do músico Marcos Marcelo que na época liderou o grupo de fãs, com idades compreendidas entre 14,15 e 16 anos, o perfil dos jovens que aderiram a febre no bairro variava e se assemelhavam em alguns aspectos.

 Por exemplo, alguns estudavam em escolas públicas e outros em escolas privadas, todos frequentavam Igrejas e pertenciam a famílias tradicionais, cursava informática ou datilografia, alguns jogavam futebol na rua, outros na quadra do Clube Jacarandá, cumpria algumas obrigações domésticas e com regularidade assistiam TV, ouvia programas de rádio e frequentavam locadoras de vídeo.

Na contramão, os beatlemaníacos faziam uso do tempo livre para tocar e aprender com o violão as primeiras notas de “Free as a Bird” ouvindo repetidas vezes no toca-fitas e “costumeiramente” se reuniam em espaços como, calçadas, garagens e varandas para conversar sobre as bandas, The Beatles, Legião Urbana e Mamonas Assassinas e cantar em inglês, pronunciado de modo estranho, as composições dos ídolos de Liverpool, ícones do rock e da cultura pop internacional.  

Frase  John Lennon

 

 

 

 

 

 

Citações de frases e comentários sobre  os discursos ácidos de John Lennon  contra o tradicionalismo, violência e a favor da luta por justiça social , transformação individual e coletiva, proferidos intensamente pelo cantor depois do fim da banda no início da década de 1970, divulgados pela revista “Revolution” animavam as falas e os pensamentos dos jovens fãs.

 Por essa razão ,revela Marcos  Marcelo, os jovens fãs embora “orientados pela família , escola e igreja”, deixaram o cabelo crescer e assim o fazendo “assumiram uma postura contestadora e rebelde em relação ao estilo de vida, costumes e hábitos”, expressos nas rodas de bate-papo sob a forma de relatos das primeiras aventuras sexuais, goles e tragos às escondidas.

foto, à esquerda: Marcos Marcelo e Bruno Vellarte à direita

 Com o fim do interesse coletivo pelos beatles,  os participantes do grupo abraçaram outras causas e ritmos. Contudo alguns seguiram cantando e homenageando a banda em outros espaços e épocas Marcos Marcelo, contrabaixista e vocalista, por exemplo  fez parte da banda cover local “Os BA-tles” formada pelos beatlemaníacos Marcelo Torres ( baterista) Rafael leite (guitarrista) e Bruno Vellarte ( guitarrista e vocalista).  

“Eu conheci o Bruno Vellarte em 2011 durante um projeto chamado “Banda Coração Pirata” e daí começamos a conversar, trocar experiências musicais e ele me mostrou o projeto “BA- tles” com outros integrantes , daí em diante começamos uma grande parceria”. Recordou Marcos Marcelo.

Em 2013 a banda que faz uso de uma réplica do “lendário baixo de Paul McCartney”, participou da 2ª  Expo Beatles de Teixeira de Freitas, (exposição sobre beatles) realizada em uma churrascaria no centro da cidade  que contou com a exibição de canecas, camisetas, revistas, posters, vinil, CD e com o show da banda cover .

 A exposição que teve sua última edição realizada em 2014 no Shopping Teixeira Mall, foi idealizada pelo músico Bruno Verllart e outros fãs ardorosos do grupo musical inglês na cidade. Nas duas ocasiões o evento fez lembrar a rememorada “Beatlemania” que agitou  os corações e mentes de alguns adolescentes no Bairro Recanto do Lago no ano de 1995. 

Créditos & Referências

The “anthology” está a 96 horas dos ouvidos dos fãs.  O estado de São Paulo, 16 de novembro de 1995. Acervo site tirabanha.com.br

Micthell. James A. John Lennon em Nova York: Os anos de revolução. Editora Valentina Ltda. 2013.

Site da revista  Revolution, http://beatlesrevolution.co.uk/ . Acessado em 10/08/2018.

Anhology 1. Wikipedia, a enciclopédia livre. Acessado em 10 de agosto de 2018.

Free a Bird.  Wikipédia, a enciclopédia livre. Acessado em 10 de agosto de 2018.

O texto foi construído a partir da perceptiva informada em diversas conversas  formais com Marco Marcelo em  outubro  e novembro de 2018.

Os BA-tles no John Black Pub. I Wanna Hold Your Hand. Publicado em 25 de março de 2014 por Izaac Chaves. Disponível no Youtube. Acessado Novembro de 2018.

Foto  extraída do site do site Revolution.

Fotos Banda  enviadas por Marcos Marcelo.

Daniel Rocha*
Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769

e-mail: samuithi@hotmail.com

Se você chegou até aqui parabéns! Tens o hábito da leitura.

 

A “Anaconda” do desmatamento em Porto Seguro

Por Daniel Rocha

Em 2009 os moradores da zona rural do distrito de Pindorama, Porto Seguro,BA, ficaram assustados com os relatos da aparição de uma Jiboia que foi comparada “pelos moradores mais exagerados” com a cobra do filme Anaconda. O desmatamento histórico da Mata Atlântica pode ser considerado uma das causas da migração do animal para o lugar.

De acordo com reportagem do extinto site local “Bahia Dia Dia” publicado no dia 27 Abril 2009, o boato de que uma cobra de grande proporção circulava pelo distrito de Pindorama, município de Porto Seguro na Bahia, assustou por dias os moradores  agitados pela possibilidade de serem atacado por uma serpente semelhante a do filme “Anaconda”, produção norte-americana, de 1997, exibido com frequência na TV.

Contudo, toda agitação do distrito chegou ao fim na manhã do dia 24 de Abril, domingo, quando o morador Hélio de Jesus Oliveira e um amigo identificado como Aldair, gerente de uma fazenda, avistaram a Jiboia colossal na estrada que liga Pindorama a cidade de Cabrália.

Segundo a reportagem os dois homens com a ajuda de outros trabalhadores presentes no local conseguiram imobilizar a jiboia de 2,80 m e cerca de 20 quilos e levar para um lugar seguro na casa de Hélio, ex – funcionário da Reserva Ecológica Vera Cruz .

Conforme a notícia, Hélio levou o animal para sua casa visando protegê-la do seu mais perigoso predador, “o homem que a mata para comer”, a mesma apresentava marcas de atropelamento. O animal foi entregue um dia depois para o IBAMA.

Durante o período que ficou hospedada na residência do Hélio a cobra, que em nada lembrava a do filme, recebeu a visita de curiosas e assustadas crianças da redondeza.

O texto não se arrisca dizer qual o motivo levou o animal a circular pela comunidade, mas é possível supor que tem relação com o desmatamento intenso da região que ocorre desde os tempos coloniais quando os portugueses invadiram a terra nativa para extrair o Pau-Brasil.

Convém dizer que, embora a retirada seletiva da madeira vem sendo praticada há mais de 500 anos no Brasil, na Bahia ela se tornou especialmente intensa nos últimos 30 anos. Particularmente com a mudança de companhias madeireiras para ao sul da Bahia, vindas do devastado norte do Espírito Santo no início da década de 1970.

Desmatamento que ainda segue intenso no presente, tanto que devido a extração criminosa no sul do Estado, a Bahia foi considerada a campeã nacional de desmatamento da vegetação atlântica entre 2015 e 2016.

Vegetação que é o lar de muitos animais que obrigados a migrar para áreas urbanas, tal como vem ocorrendo em áreas residenciais da cidade de Teixeira de Freitas que tem registrado aparições de cobras como a de Pindorama, se tornam indefesos diante da ação do seu maior predador, o bicho homem.

Fontes:

Região do descobrimento e a campeã de desmatamento, mostra relatório. Eduardo Geraque. 29/05/2017. www1.folha.uol.com.br/Meioambiente. Acessado em 30/05/18.

Cobra jibóia de quase três metros é encontrada em Pindorama. Messias Web. Segunda 27 Abril 2009. bahiadiadia.com.br. Acessado em 30/05/18. Arquivado 30/05/2009. Disponível no Acervo Particular do Site Tirabanha.

Mesquita,  Rede de ONGs da Mata Atlântica, 2001.

Daniel Rocha
Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

 

 

OS EVANGÉLICOS TEIXEIRENSES : O CORAL BATISTA

Por Daniel Rocha

Na década de 1960 migrantes da região e de outras partes do estado e do país fundam as primeiras igrejas evangélicas no povoado de Teixeira de Freitas, Primeira Igreja Batista e Assembleia de Deus.

Na década seguinte, 1970, o número de fiéis aumenta significativamente, novas denominações surgem e outros grupos ligados às igrejas pioneiras dão continuidade aos trabalhos iniciados pelos primeiros protestantes, migrantes, que chegaram ao povoado na década de 1960.

Se no primeiro decênio (1960 a 1970) o desafio dos primeiros protestantes foi, além de evangelizar, construir e formar uma igreja independente, nas décadas seguintes foi preciso diferenciar se do pluralismo cultural existente no povoado, firmando tradições e valores com novas estratégias para a conquista de outros seguidores.

Nesta perspectiva escolhi focar no trabalho desenvolvido pelo coral da Primeira igreja Batista nos anos de 1980. A ideia de escrever sobre o coral surgiu a partir da leitura do livro Introdução à História dos Batistas, do jornalista e radialista Jader Alves Pereira, que destaca em seus registros que na década de 1970 “imperou a tradição coral”.

Dessa forma em novembro de 2015 conversei com o advogado Silvany Silveira sobre o trabalho desenvolvido por ele à frente do coral da primeira igreja Batista na década de 1980 e sua relevância na Cantata de Natal, um dos grandes eventos realizado pela igreja.

O batista Silvany ,que chegou ao povoado em janeiro de 1980 vindo de São Paulo, é mineiro da cidade de Almenara e foi criado na cidade baiana de Vitória da Conquista onde residiu até o ano de 1975.

Silvany então recordou que quando chegou em Teixeira encontrou um povoado pequeno que já aspirava crescimento. Então dividida entres as cidades de Alcobaça e Caravelas o povoado “contava com mais do que 25 mil habitantes”, estimativa.

De acordo com Silvany naquela época a primeira Igreja Batista era um templo simples frequentado por uma média de 150 pessoas pastoreadas pelo Pr. Pedro Santana Neto e que, apesar de modesta, já contava com um coral formado por 11 pessoas.

Embora já antigo o coro era muito respeitado e relevante pois desde da década de 1970 era solicitado nos cultos realizados em lugares fechados, igrejas e domicílios, e abertos, praças e ruas, do povoado, mesmo com toda essa bagagem alguns desafios tinham que ser superados pelo coral, que na perspectiva dele, ainda era muito amador.

Diante de tal situação Silvany resolveu então participar ativamente dos trabalhos da igreja e junto com outros interessados, e também conhecedores do assunto, profissionalizar o coral e desta forma contribuir para a “evolução do gosto musical da igreja”.

“Como guardava do período que morei em Vitória da Conquista conhecimentos na área de música aproveitei a disposição dos irmãos para me dedicar a formação de um novo coral”.

Tendo como referência os grandes grupos que conheceu no sudeste do país o senhor Silvany assumiu o papel de maestro regente, instituiu o uso de becas e instrumentos musicais diversos como o piano. Segundo Silvany foi preciso também renovar o repertório com novas canções e adotar vestimentas padronizadas, becas.

Das primeiras iniciativas nasceu um novo coral formado por 40 pessoas, jovens e adultos, donas de casa, estudantes e aposentados. Recorda que no primeiro ano precisou dedicar muito porque não contou com meses suficientes para afinar a turma para o natal, quando tradicionalmente é realizado a Cantata Natalina, uma das maiores apresentações musicais da igreja.

De acordo com Silvanir assim como hoje no início da década de 1980 a cantata de Natal da Primeira Igreja Batista era um acontecimento de grande destaque no povoado de Teixeira de Freitas. O evento que atraía atenção de diversos fiéis da região era, e ainda é realizado com o objetivo de divulgar a boa nova e conquistar novos fiéis para o cristianismo.

Por esse e outros motivos, e para preparar o coral a tempo, o regente contou com a preciosa ajuda de outras pessoas do ministério da música como Elizama Matos e Aldemir Moreira que no futuro deu continuidade ao trabalho ficando à frente do coral. Recordou Silvany que dentre todos os desafios o de instituir o canto com vozes divididas foi o que mais o exigiu, dificuldade superada pelos cantantes seis meses depois de uma intensa rotina de ensaios.

Ainda de acordo as memórias de Silvany Silveira graças ao empenho e dedicação todos os cantores se destacaram na cantata com uma belíssima apresentação, elevando ainda mais os resultados da missão evangelizadora da igreja.

“A beleza da apresentação e da música ajudava muita gente a compreender a mensagem de amor e paz e o verdadeiro significado do natal e a interação com os irmãos, membros da igreja, que divididos em grupos dava o seu melhor no dia”.

No livro PIBATEF 50 anos – Uma história de fé (2017), do historiador Paulo Cesar Pereira de Jesus, há a informação de que na década de 1980 os trabalhos de evangelização ganharam força a partir da estruturação do Departamento de Evangelismo. “Ao qual serviu de instrumento para a promoção dos trabalhos evangelísticos da primeira Igreja Batista em Teixeira de Freitas.”

Essa informação ajuda entender que de fato na década de 1980 depois de construir e formar uma igreja independente nas décadas de 1960 e 1970, de fato os Batistas buscaram firmar tradições e valores com novas estratégias para a conquista de mais seguidores nas décadas seguintes, diante disso associo essa circunstância a renovação do coral.

De acordo Silvany Silveira depois de vivenciar diversas experiências os membros do coral da Primeira Igreja Batista levaram a semente da boa música a todas as igrejas que se originaram dela, enriquecendo ainda mais a pluralidade cultural da cidade.

“Batista Jardim Novo, Memorial, Monte Castelo formaram grandes corais. No fundo a primeira igreja batista foi uma inseminadora da cultura musical na cidade, música sacra e evangélica. Hoje, graças a Deus, a cidade está muito bem servida de músicos”. Afirmou.

Referencias:

Fontes: MACHADO DA SILVA. Valdênia. A presença dos batistas no cotidiano urbano da cidade de Teixeira de Freitas no extremo sul da Bahia. Uneb campus -X. Teixeira de Freitas, 2010.

ALVES PEREIRA.Jader.Introdução. à história dos Batistas no Extremo Sul Baiano. Teixeira de Freitas BA. 2003.

De Jesus. Paulo Cesar Pereira. PIBATEF 50 ANOS – Uma história de fé. Teixeira de Freitas BA. 2017.

Veja também:

OS EVANGÉLICOS TEIXEIRENSES : A RELIGIÃO DOS MIGRANTES

A exibição de Star Wars: episódio I no Cine Teixeira

Por Daniel Rocha

Em 1999, o cinema estrangeiro passou por uma revolução na sua estética e linguagem, filmes como Matrix (EUA 1999), Clube da Luta (1999), Corra, Lola Corra (1999) e Star Wars episódio I. A ameaça fantasma, o primeiro filme digital da história, ditaram regras e atiçaram a curiosidade dos cinéfilos no mundo inteiro.

O Star Wars voltava às telas 16 anos depois, com um número infinito de efeitos especiais e intitulado com o nome original da franquia e não mais como Guerra Nas Estrelas como era conhecido no país. A mudança se deu por razões mercadológicas.

Com quatro anos de funcionamento, o cine Teixeira já tinha um público cativo, o preço do ingresso era acessível os estudantes podiam assistir ao filme pagando apenas R$ 2,00.

O motivo do preço acessível era porque as salas não seguiam as estreias do circuito nacional. Hoje este tempo de espera é bem menor e as estreias em circuito são comuns.

A longa espera não incomodava o público fiel, aliás, aumentava a ansiedade e deixava as seções ainda mais gostosas. Como o acesso à Internet era restrito a uma minoria a saída para quem queria ter mais informações sobre os filmes era a TV, colunas de cinema nos jornais e revistas onde raramente se tinha acesso aos spoilers.

Por isso para os fãs, como eu, a espera incluía visitas constantes as bancas de revistas da cidade e as locadoras Tajon vídeo, Venturim Vídeos e a Sétima Arte para “achar” VHS antigos com versões inalteradas dos primeiros filmes.

Na época o diretor George Lucas havia lançado o filme em vídeo com vários cortes e alterações, por isso a busca pelas versões originais. A espera incluía também ficar ligado nos programas de rádio que sempre sorteavam novos ingressos.

No dia da estreia, que ocorreu no dia 27 de agosto de 1999, uma sexta – feira, uma grande e barulhenta audiência compareceu a primeira sessão, em sua maioria jovens fãs e estudantes agitados por uma longa espera, dois meses depois da estreia no país.

Contudo o tão esperado filme ficou aquém das expectativas dos  fãs ,que eu fazia parte, que mesmo assim insatisfeitos voltaram no outro dia, sábado, para rever o primeiro longa  digital, o  grande chamariz da fita. Contudo a tecnologia digital  era coisa para privilegiados uma vez que  no país  os cinemas eram predominante analógico como o Cine Teixeira.

Com a queda do movimento  o filme não  cumpriu com um dos seus objetivos que era o de conquistar novos fãs para franquia, talvez porque, para aquela geração do final dos anos de 1990, as narrativas e os efeitos mirabolantes do filme  Matrix já havia quebrado certos padrões e conquistado o interesse da massa cada dia mais ligado em Tecnologia e telefones celular.

 

Coletivo Feminista organiza manifestação em Teixeira de Freitas

Organização*

As mulheres vão dominar o mundo? Talvez – tomara que sim –, não sabemos. O que sabemos, contudo, é que as mulheres tomarão as ruas brasileiras no próximo sábado, dia 29 de setembro, certamente o maior exército, o mais aguerrido, numeroso e feroz a pisar nas américas. Dúvida?

Em Teixeira de Freitas (Extremo Sul baiano), o batalhão das mulheres se arregimentou nas mídias sociais emcabeçadas pelo Coletivo Feminista das Margaridas. Hoje  o grupo já conta com mais de duzentas mulheres, mistas em várias profissões. Sendo elas advogadas, donas de casa, professoras, estudantes,domésticas, trabalhadoras do campo, engenheiras, servidoras, médicas, trabalhadoras do comércio, esportistas, vereadoras, candidatas regionais, prometem, todas, lutando por nenhum direito a menos e contra as afirmações polêmicas do candidato Jair Bolsonaro.

Dentre essas e outras coisas, o candidato já chegou a dizer em uma entrevista no ano de 2016, que não contrataria uma mulher com o mesmo salário que um homem “porque as mulheres engravidam”. Na época, o candidato disse ter sido mal interpretado.

Não bastasse, o candidato já declarou que nunca pensaria na hipótese dos próprios filhos serem gays, pois, segundo ele próprio, “eles tinham uma boa educação”. E, apesar de ter dito novamente que foi mal interpretado, passou a colecionar a antipatia da grande parte da comunidade LGBTQ+ brasileira.

Em vista disto, em 30 de agosto deste ano, as eleitoras criaram um grupo online pelo “Facebook”, denominado “Mulheres Unidas contra Bolsonaro”, que em menos de duas semanas reuniu dois milhões de mulheres.

A partir daí, o movimento contou com o apoio de diversas personalidades da grande mídia.  Organizado e composto por mulheres de diversos Coletivos Feministas, Grupos e Movimentos Sociais, sem restrição de partidos ou ideologias.

Na cidade o manifesto   “Mulheres Unidas contra Bolsonaro – Teixeira de Freitas, #EleNão , está marcado para as 08:00 horas (oito horas) da manhã, com concentração na Praça da Prefeitura, na Avenida Castelo Branco, e recomenda-se o uso de camisas brancas, violetas ou lilás.

Portanto, o movimento se organizou em “defesa dos direitos das mulheres, das minorias, da comunidade LGBTQ+, bem como, contra o neofacismo, o racismo, o machismo, o sexismo, a misoginia, a intolerância e a incitação à violência, tudo que esse sujeito representa”. Nota publicada no WhatsApp de convite ao manifesto.

  • O texto foi enviado para o site tirabanha.com  pela organização do manifesto.

A influente Maria Mil Réis 

Por Daniel Rocha

Relatam antigos moradores que Maria “Mil Réis” foi uma das mulheres mais conhecidas da cidade de Teixeira de Freitas, Extremo sul da Bahia, na década de 1970. Influente e popular era dona de uma banca na feira e de uma currutela de madeira aberta às margens da BR-101 e da antiga estrada de rodagem da Eleosippo Cunha, hoje Avenida São Paulo, para atender mulheres em busca de guarita e homens em busca de bebida, comida e sexo. Um incêndio que destruiu a sua casa/currutela  é relacionado ao seu posicionamento político. 

Dentre os diversos relatos sobre, Maria Mil Réis é lembrada como uma mulher alegre, comunicativa e receptiva e muito querida pelos trabalhadores, caminhoneiros e passantes. Feirante era dona de uma banca na feira da “Pausoeira”, hoje “Mercadão”, onde revendia abóboras e cereais como, feijão, milho e farinha, recorda Celestina Macedo que se classifica como uma “parente indireta” já que sua madrasta era irmã de Maria Mil Réis.  

Celestina lembra que boa parte da popularidade da parente não se deve apenas ao fato de que a casa dela servia como ponto de encontro para homens em busca de sexo e mulheres, muitos deles casados, mas porque era uma pessoa generosa que tinha “tino” para os negócios e um carisma que conquistava as pessoas. 

“Lembro que quando ela chegava na feira o povo flechava na banca dela, sabia conversar com os pobres… Vendia fiado, dava desconto, vendia a metade para quem não podia levar inteiro e o talho para quem não podia levar a banda… O povo gostava disso. Se ela fosse uma política ela tinha ganhado uma eleição”.  

Se não se lançou candidata não deixou de fazer política, segundo recorda Edjair Nunes, em conversa informal, dessas de anotar no bloquinho de papel, que por ser uma mulher extremamente popular Maria Mil Réis fazia uso de sua grande popularidade e influência “tomando partido” e declarando apoio a “candidatos amigos” a fim  de “influenciar votos”. 

Tanto que sabe, de ouvir dizer, que ela teve a casa incendiada por um grupo de partidários políticos depois de manifestar apoio a um dos candidatos para a eleição municipal de Alcobaça, ao qual parte do então povoado de Teixeira de Freitas era subordinado, no início da década de 1970. 

Conforme informam os historiadores Jailson C. Pereira Guerra e Leonardo Santos Silva , no trabalho monográfico “O processo de emancipação política de Teixeira de Freitas (1972-1985), em 1972 foi realizada em Teixeira de Freitas, como em outros municípios Brasileiros, exceto as capitais, a primeira eleição bipartidária do período da ditadura militar, 1964 – 1985, depois do Ato Institucional Número Dois (AI-2) de 1965, que instituiu o bipartidarismo através da criação da Arena, “situação” e o MDB, “oposição”. 

Ainda de acordo com a pesquisa de Guerra e Silva o candidato da “situação” e residente do povoado Wilson Brito (ARENA) venceu o morador da sede, João Bernardo de Souza (MDB), depois de uma acirrada disputa marcada por eventos e ameaças a partidários e candidatos. 

De maneira que o candidato da Arena, Wilson Brito, contou com o apoio de lideranças políticas locais e de todo aparato do executivo enquanto o candidato do MDB, João Bernardo de Souza, com o apoio dos moradores que sofreram repressão tendo ele próprio sido alvo de intimidação quando uma bomba explodiu em sua casa. É necessário que se registre igualmente que os autores consideram que a vitória do candidato Wilson Brito beneficiou o então povoado, pois o mesmo era morador do lugar. 

Questionada sobre o incêndio e a possível relação do fato narrado com o processo eleitoral de 1972, Celestina recordou da ocorrência de mais dois incêndios entre o final da década de 1970 e outro em meados de 1980 , no entanto informou que desconhece os ” verdadeiros motivos”, mas que sabe de ouvir dizer que o primeiro foi causado por um amante enciumado por Maria “Mil Réis”. 

Já um morador anônimo, homossexual, que gosta de recordar que na década de 1970 contava com o apoio e discrição de Maria Mil Réis que alugava quartos da currutela para seus encontros amorosos, lembra se de ter ouvido falar da ocorrência de um incêndio no lugar mas diz não saber nada a respeito, sobre a versão de que tenha sido provocado por um amante enciumado afirma.  

“Era uma cafetina! Será que teve a sorte de encontrar alguém para lhe ter ciúmes?…. Duvido muito”. (gargalhadas).  

Maria Mil Réis  teria falecido no final dos anos de 1990 no asilo da cidade, não teve filhos, criou um sobrinho e uma menina que adotou ainda criança. Todos estes fatos narrados nesta construção evidenciam que ela possuía a habilidade de conciliar outras funções sociais além do ofício e do estereótipo pelo qual é mais lembrada. 

No presente nas proximidades da Avenida São Paulo e na região do Shopping Pátio Mix, onde ficava sua currutela à alcunha “Maria Mil Réis” por muitos anos deu nome ao lugar. Nos Bairros próximos, segundo alguns moradores, o dito popular “Quer saber? pergunta a Maria Mil Réis” ainda faz lembrar que por ali morou uma mulher popular com grande influência e poder. 

Referência:

GUERRA, Jaison C. Pereira; SILVA. Leonardo Santos. O processo de emancipação política de Teixeira de Freitas (1972-1985). UNEB 2010.

Conversa informal com Celestina Macedo  2015.

Conversa informal com Edjair Nunes  2017.

Conversa informal com  morador  anônimo  2018.

 

*Daniel Rocha
Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

 

A diferenciada Rádio Câmara

Por Daniel Rocha

A pouco mais de um ano ar a rádio Câmara de Teixeira de Freitas ( 90,9 FM), Bahia, tem permitido aos ouvintes locais expandir a visão pessoal sobre a política municipal e conhecer mais sobre o trabalho do legislativo.

Estatal gerida pela câmara municipal a emissora é democrática e vem atuando sem o maniqueísmo e o partidarismo que marcou a história de algumas emissoras de rádio da cidade.

A rádio tem possibilitado aos ouvintes à oportunidade de ter acesso a conteúdos locais e nacionais produzidos sob outros olhares e perspectivas, uma vez que quebra um padrão estabelecido e consolidado de programas que faz da prestação de serviços e denúncias, com viés, sua marca mais forte.

Esse padrão tem suas raízes no contexto do início e meados dos anos 1980, quando em volta de dificuldades sociais e estruturais o povoado de Teixeira de Freitas, em processo de emancipação, ganhou a primeira emissora de rádio, a Alvorada AM, em 1983, fundada por grupos empresariais e políticos quando o país experimentava o fim da censura e discutia uma constituinte.

Contexto que fortaleceu todo e qualquer espaço de difusão e manifestação democrática e os que assim se definiam. Padrão não mais observado em alguns programas da Rádio Câmara que segue na contramão do padrão oferecendo programas como “A voz do cidadão” e “Câmara em Debate” , que colaboram, dentre outras coisas, para que o cidadão perceba a influência da ordem política no seu dia a dia. 

Em Junho de 2018, durante as comemorações do primeiro ano da emissora de Brasília a jornalista Alessandra Anselmo, diretora nacional da Rede Legislativa de TV e Rádio Câmara, festejou o 1º ano de existência da Rádio Câmara destacando que a estação é a voz do cidadão e se estabelece a serviço da sociedade e para divulgar os atos do Poder Legislativo que tem uma grade de programação toda diferenciada das emissoras comerciais e que a Rádio Câmara tem a missão de preservar a educação, a cultura, o meio ambiente, a língua portuguesa, a literatura e assegurar as garantias constitucionais do cidadão por meio do seu jornalismo.

Fonte:  www.camaratf.ba.gov.br

 

Roda de Conversa “Violência contra a mulher e representatividade nos espaços de poder

Reuniram-se na sexta-feira, 24 de agosto, na sede FUNPAJ- fundação padre José Koopmans, na cidade de Teixeira de Freitas, militantes de diversos movimentos sociais: ambientalistas, sindicalistas, secundaristas, feministas para uma Roda de Conversa tendo como tema “violência contra Mulher  e representatividade nos espaços de poder”.

 

A atividade contou com a presença de Isadora Salomão, candidata a Deputada Estadual pelo PSOL e foi organizada pelo Núcleo de Mulheres do partido em razão dos altos índices de violência contra a mulher registrados no estado da Bahia e região e da necessidade de abordar a temática como parte do movimento Agosto Lilás, campanha realizada anualmente, durante o mês de agosto, em alusão à data de sanção da Lei Maria da Penha.

 

Lei que trouxe avanços, mas que não assegura a inserção da mulher nos espaços de poder para que essa transformação continue ocorrendo de forma sólida. “Quando falamos em representatividade e de uma nova proposta política é imprescindível pensar na participação da juventude e da mulher como construtora e agente dessa transformação. Só assim conseguiremos uma maior participação popular nos espaços de poder”. Destacou Laís Assunção, uma das organizadoras da atividade.

 

Um relato sobre a “Gangue da Lagoa” de Teixeira de Freitas

Por Daniel Rocha

Em meados da década de 1990 causos e narrativas sobre a “atuação violenta” da “Gangue da Lagoa” aterrorizava moradores e estudantes de Teixeira de Freitas, cidade do extremo sul da Bahia. Um antigo membro conta detalhes da formação e fim do grupo juvenil.

Se não todos, pelo menos a maioria dos teixeirenses que foram estudante na década de 1990 ouviram falar da “Gangue da Lagoa” que era formada por moradores, adolescentes de 14 a 17 anos, da comunidade localizada no centro da cidade popularmente conhecida como “Bairro da Lagoa”. O nome faz referência ao antigo lago existente no lugar.

A extinta “gangue” atuava em defesa dos moradores e do território localizado entre as avenidas Presidente Getúlio Vargas e AV. Marechal Castelo Branco, centro da cidade, que no passado serviu de refúgio para famílias de trabalhadores pobres e tinha parte de sua área coberta pela lagoa, posteriormente soterrada pelo pó de serra, oriundas de uma serraria, e a construção do Shopping Teixeira Mall.

 

Teixeira mapa antigo
Mapa da cidade de 1977 evidencia a lagoa no centro do bairro

 

Mesmo sendo algo que povoa o imaginário popular durante dois anos (2015 e 2016) conversando informalmente com alguns dos moradores residentes na comunidade não encontrei alguém com disposição para falar sobre a “gangue”, seus integrantes, causas ou narrativas da suposta atuação violenta da mesma.

Diante das dificuldades encontradas a busca estava centrada no silêncio, até que nos últimos meses o estudante do curso de Humanas da UFSB – Lucian Salviano me procurou em busca de algumas informações sobre a violência na cidade.

A princípio interessava ao estudante compreender o contexto que antecedeu a instalação do Conjunto Penal de Teixeira de Freitas no ano de 2001 e o histórico da violência em Teixeira de Freitas. Sobre compartilhei textos e documentos e durante uma conversa informal relatei os casos de violências associados a “Gangue da Lagoa” e as dificuldades encontradas para gerar registros.

Ocorre que o estudante é morador criado na comunidade da Lagoa e já estava a coletar informações sobre o grupo com fácil acesso a antigos membros da gangue, diante disso ele disponibilizou algumas informações sobre a formação e atuação dos juvenis anotadas durante uma conversa realizada com Abel Nascimento, um dos participantes do grupo, que concordou com a divulgação.

 

A Gangue da Lagoa por Abel Nascimento

Morador da comunidade a mais de 40 anos Abel, que tem aproximadamente essa idade, conta que a princípio os jovens que formaram o grupo na década de 1990 se conheceram e criaram afinidades brincando e jogando futebol nas imediações do pó de serra, rejeitado, pela Serraria Ronimar que ficava na extremidade norte do bairro posteriormente ocupado e tomado por outros empreendimentos comerciais.

 

De acordo registro feito por Salvino na adolescência o grupo passou a frequentar o clube do lugar, Cabana Nova Onda, conhecido pelos bailes e os concorridos concurso de ritmos dançantes. Segundo Abel a badalada cabana começou a atrair grupos organizados de outros bairros, provocando neles a necessidade de marcar o território por conta de questões relacionadas a relacionamentos amorosos  e tensões com outros grupos.

Por essas razões, segundo Abel, o grupo foi formado é denominado “Gangue da Lagoa” ao qual faz questão de afirmar que não se tratava de um grupo organizado como denota a classificação e nem tinha no primeiro momento outro objetivos a não ser o de defender o bairro da invasão dos de fora  e medir forças, sendo esse o motivo principal.

Contudo havia uma estrutura hierárquica uma vez que o mesmo informa que havia um líder. A gangue costumava fazer uso da praça dos Leões como ponto de encontro e também tinha o Beco do Belo, localizado no bairro, como referência.

 

Texeira final

 

Acrescenta que só em meados dos anos de 1990 (1994 a 1996) a rivalidade do grupo, formado por homens e mulheres, extrapolou a delimitação do bairro e começou a ser respondido com troca de agressões e violência na porta das escolas causada pelos mesmo motivos e tensão vivida na comunidade.

Nesse período a gangue cresceu de forma assustadora e “introduziu” o uso de armas de fogo, fato que fez aumentar os casos de confrontos, reações violentas e incidentes fatais que custaram “a vida de alguns”, o que levou a sociedade a exigir uma “repressão maior do grupo” por parte das autoridades.

Relatou que o grupo passou dos limites quando em confronto com outra gangue, provavelmente a do Castelinho, na Exposição Agropecuária de Teixeira de Freitas, se envolveu em uma arriscada troca de tiros.

Tal fato, segundo conta, levou a polícia, dias depois, intervir na situação detendo 170 pessoas, homens e mulheres, para atividades socioeducativas no batalhão da cidade, algo que segundo disse foi fundamental para o amadurecimento de todos e para o processo de extinção da gangue.

O morte de uma pessoa querida e o fim da gangue

O outro fator por ele apontado como uma das causas que levou o fim da formação além da intervenção policial foi a morte de uma pessoa querida no grupo o “Helinho” que ao fazer “uma bobagem” fora executado com 17 tiros aos 17 anos em uma área dominado por outra gangue na região do Mercado Caravelas. Fato que assustou e serviu de alerta para maioria dos membros.

Ainda sobre o período de atuação do grupo, informou que a gangue teve seu auge nos anos de 1991 e 1992 e o declínio ocorreu entre os anos de 1995 e 1996. Sobre o presente diz sentir que ainda existem receios quanto ao bairro, mas tudo não passa de um velho preconceito uma vez que os antigos participantes e moradores do lugar são pessoas comuns, trabalhadoras e do bem.

 Através dos relatos é possível perceber que os jovens da Lagoa viram na formação do grupo uma forma de adquirir um reconhecimento que não tinham socialmente, dedicando a defesa do território. Espaço que ao ter sua geografia natural alterada por empreendimentos comerciais, fez emergir questões relacionadas ao baixo desenvolvimento social existente na cidade, pobreza, falta de oportunidade e marginalização, entendido por alguns como uma causa e não uma consequência. Como um caso de polícia.