Arquivo da categoria: Cultura

A segregação das identidades em Teixeira de Freitas

Por Daniel Rocha

Tem crescido na cidade de Teixeira de Freitas um sentimento de segregação que se expressa na construção de fronteiras invisíveis evidentes através  da adoção de um modelo de sociedade que possibilita a lógica da “guetização” da  identidade local.

É importante salientar que não existe uma situação de segregação, mas a meu ver pode se dizer que há um sentimento parecido em vigor que ganha força com o avanço de um modelo de sociedade que tem valorizado, de forma intensa, a formação de grupos e guetos sociais em um processo de  “guetização” das identidades culturais.

Atualmente, percebe-se que, o discurso de que a “localização define seu status social” já pode ser compreendido como um sintoma desse sentimento crescente na cidade quando, por exemplo,  se analisa, informalmente, o modo que lidamos com as classificações dos espaços de residências como bairros para os ricos e bairros para os pobres, condomínios do governo, condomínios de luxo etc.

Categorização que evidencia uma lógica da guetização dos locais de convivência e  também dos cidadãos que acabam rotulados por denominações ligadas a essas separações.

É válido ressaltar que outros fatores arrojaram esse sentimento nas últimas décadas na cidade e no país como o avanço do individualismo, o crescimento desordenado da cidade, as redes sociais e disseminação pela mídia de costumes estranhos à cultura, memória  e identidade local.

O resultado desse enquadramento é a crescente mutação e empatia de alguns quanto a diversidade social existente na cidade e o abandono  de eventos tradicionais de vivência e manifestações populares,por exemplo, como as festas juninas que a cada ano têm  sido levadas para espaços privados e fechados onde prevalece o viés da capitalização da tradição.

Tendo em vista esses pressupostos, compreendo que há em Teixeira de Freitas a manutenção e o fortalecimento das fronteiras invisíveis que vem se consolidando através de um modelo de sociedade que possibilita a lógica da “guetização” que também influencia o modo como o cidadão vem interpretando o conceito de igualdade, cidadania, cultura e identidade nos últimos anos.

Exposição “Mandela” em Salvador: preparativos

Inédita no Brasil, mostra “Mandela: de Prisioneiro a Presidente” marca as comemorações pelo centenário do líder sul-africano

Por SecultBA

A cidade de Salvador está entre os destinos confirmados da exposição Mandela: de Prisioneiro a Presidente, trazida ao Brasil através do Instituto Brasil África (IBRAF), e que na Bahia conta com a parceria da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA). A mostra vai ter uma temporada de cinco meses no país e marca as comemorações do centenário do líder sul-africano.

O diretor do Museu do Apartheid, Christopher Till, visita Salvador na próxima terça-feira, dia 17 de abril, para vistoriar e eleger o equipamento que sediará a exposição na capital baiana.

A visita começa às 9h30, no Palacete das Artes, e segue para o Museu de Arte da Bahia, espaços administrados pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), autarquia vinculada à SecultBA. O Presidente do Instituto Brasil África, João Bosco Monte, também participa da visita.

O percurso nacional tem início na capital cearense em junho. A mostra chega a Salvador em outubro e fica até novembro, enriquecendo a programação das celebrações pelo Dia da Consciência Negra na capital baiana.

A exposição traça o percurso da vida de Mandela desde o início do ativismo contra o regime racista do governo sul-africano, passando pelos 28 anos de prisão, pela vitória no Prêmio Nobel da Paz, até a eleição como primeiro presidente negro da África do Sul. Entre as peças estão fotos e vídeos produzidos por diversos artistas. Vai ser montada também uma réplica da cela da Ilha de Robben, onde o líder sul-africano ficou 18 anos preso.

A mostra tem curadoria do Museu do Apartheid, em Joanesburgo, na África do Sul, e foi idealizada em 2008. Já passou por França, Suécia, Estados Unidos, Equador, Argentina, Peru e Luxemburgo e foi vista por mais de um milhão de pessoas.

Serviço

Visita Christopher Till e Presidente do IBRAF

17 de abril, 9:30 – Palacete das Artes e Museu de Arte da Bahia

Exposição Mandela: de Prisioneiro a Presidente em Salvador

8 de outubro a 30 de novembro

SecultBA abre inscrições do Programa Fazcultura

As inscrições de projetos culturais no programa de incentivo podem ser feitas até 01 de dezembro de 2018

 

Por  SecultBA*

Estão abertas a partir de sexta-feira, 02 de março de 2018, as inscrições para propostas culturais a serem apoiadas pelo Fazcultura – Programa Estadual de Incentivo ao Patrocínio Cultural. As inscrições podem ser feitas até 01 de dezembro deste ano, pelo Sistema de Informações e Indicadores em Cultura (SIIC), disponível no endereço http://siic.cultura.ba.gov.br. Com base no Orçamento Estadual, o Governador da Bahia, Rui Costa, assegurou para o Fazcultura, em 2018, R$ 15 milhões. A legislação do Fazcultura autoriza propostas de qualquer segmento cultural, podendo se inscrever pessoas físicas ou jurídicas, sediadas no estado da Bahia.

O Fazcultura tem efetivamente contribuído para a dinamização cultural na Bahia apoiando projetos em vários segmentos e práticas culturais. Sua principal finalidade é patrocinar, via isenção fiscal, projetos e atividades culturais que se enquadrem na Política Cultural do Estado, a partir da Lei Orgânica de Cultura da Bahia (Lei 12.365/2011), ao tempo que possibilita empresas patrocinadoras apostarem na cena cultural do estado, valorizando a marca e a responsabilidade social da empresa.

Inscrições – Para se cadastrar, deve ser feito o login no SIIC, em Inscrições Abertas – Linha de Apoio “Fazcultura”- em seguida “Inscrever-se”. O Sistema é simples e auto-explicativo. Após a inscrição o proponente receberá um e-mail automático, certificando a inscrição.

O Fazcultura, através de incentivo fiscal concedido pela Lei n° 7.015, de 09/12/1996, tem por objetivo promover as atividades culturais mediante parceria entre o poder público estadual – que disponibiliza até 80% dos recursos advindos da renúncia fiscal do ICMS (Imposto de Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) – e a iniciativa privada – empresas que investem recursos próprios a partir de 20% do custo total do projeto. A gestão do Programa é compartilhada entre a Secretaria de Cultura (SecultBA) e a Secretaria da Fazenda (SEFAZ) do Estado.

No site da SecultBA (http://www.cultura.ba.gov.br) estão disponíveis ainda a legislação, o Guia de Orientação ao Proponente e ao Patrocinador, o Passo a Passo de tramitação e a lista de projetos patrocinados. Para obter mais informações sobre o patrocínio via Fazcultura, propostas inscritas e aprovadas, o contato pode ser feito por telefone (71) 3103 3494 ou e-mail: patrocinio@cultura.ba.gov.br.

 *Assessoria de Comunicação – Secretaria de Cultura do Estado da Bahia 

SecultBA prorroga prazo de adesão ao Panorama dos Sistemas Municipais de Cultura

Todos os municípios tem até 23 de março de 2018 para preencher o formulário

Por SecultBA

A Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) prorroga, até 23 de março, o prazo para preenchimento do Panorama dos Sistemas Municipais de Cultura. O Panorama é um documento público que reúne informações acerca da institucionalidade da cultura nos municípios baianos, seu conteúdo realiza comparativos históricos e registra a memória da criação e implementação dos Sistemas Municipais de Cultura da Bahia. A última versão do documento (2015) está disponível aqui.

O documento fornecerá dados importantes acerca da constituição dos elementos constitutivos dos sistemas municipais,  sobre o processo de adesão ao Sistema Estadual de Cultura da Bahia através do Programa Municípios Culturais e sobre a memória da institucionalização da cultura nos municípios baianos.

Foram preparados dois questionários para a fase de coleta de informações do Panorama 2017, um de preenchimento exclusivo dos municípios que realizaram adesão ao Programa Municípios Culturais, para acessá-lo clique aqui , e outro questionário para os municípios não aderentes ao Programa, para acessá-lo clique aqui .

Todos os municípios tem até 23 de março de 2018 para preencher o formulário e encaminhar via e-mail a documentação comprobatória das informações declaradas no questionário, os dados coletados serão sistematizados e tabulados para produção do texto do Panorama que deverá ser lançado ainda no primeiro semestre de 2018.

Dúvidas e mais informações acerca do preenchimento do questionário podem ser acessadas através da Coordenação de Sistemas e Projetos Especiais da DTC no telefone (71) 3103-3424 ou pelo e-mail: municipios.culturais@cultura.ba.gov.br

*Assessoria de Comunicação – Secretaria de Cultura do Estado da Bahia – SecultBA

 

Oficina de dança moderna em Salvador

SECULTBA

A oficina de dança moderna Investigação do Movimento acontece de 05 de Fevereiro a 27 de junho (sempre as segundas e quartas), das 13h às 18h no Espaço Xisto Bahia, espaço administrado pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), localizado no bairro dos Barris em Salvador. A inscrição para a oficina, promovida pela Koru Cia de Dança, é gratuita, pode ser feita diretamente no local e é voltada para alunos de 14 a 20 anos.
As aulas de investigação do movimento serão direcionadas para que cada intérprete vivencie laboratórios, dinâmicas, referências individuais e coletivas, rítmicas e técnicas em dança como a fusão da dança moderna com características da dança popular. O objetivo é fundamentar e difundir um novo pensamento de movimentação contemporânea. O resultado da oficina será apresentado na Sala Principal do Xisto Bahia no mês de Junho.

Espaços Culturais da SecultBA – A Secretaria de Cultura do Estado da Bahia mantém 17 espaços culturais em diversos territórios de identidade baianos, geridos pela Diretoria de Espaços Culturais (DEC), setor vinculado à Superintendência de Desenvolvimento Territorial da Cultura (Sudecult). Destes, cinco encontram-se em Salvador – Cine Teatro Solar Boa Vista, Espaço Xisto Bahia, Casa da Música de Itapuã, Centro Cultural Plataforma e Espaço Cultural Alagados – e 12 nos municípios de Alagoinhas, Feira de Santana, Guanambi, Itabuna, Jequié, Juazeiro, Lauro de Freitas, Mutuípe, Porto Seguro, Santo Amaro, Valença e Vitória da Conquista. Para mais informações, acesse: www.espacosculturais.wordpress.com

 

Fonte: http://www.cultura.ba.gov.br/

Foto: Divulgação/Koru Cia de Dança

 

As inscrições pro Prêmio Castro Alves de Literatura 2018 vão até 31 de janeiro; divulguem e participem

 

Por Redação Tirabanha

Os interessados em se inscrever na 2ª edição do Prêmio Castro Alves de Literatura, nas categorias Poema e Conto, podem fazê-lo até o dia 31 de janeiro de 2018. A temática é livre e as inscrições são gratuitas.

O concurso literário, que é realizado pela Academia Teixeirense de Letras (ATL), premia os melhores nas duas categorias acima especificadas com dinheiro, medalhas e certificados.

“Divulguem, prestigiem, participem. Mostrem o seu talento”, convida o presidente da ATL, Almir Zarfeg, que é poeta e jornalista.

O certame é dirigido aos moradores do extremo sul da Bahia e, também, aos Membros Efetivos da ATL. Cada pessoa poderá participar de apenas uma categoria, enviando um texto inédito (poema ou crônica) para um dos e-mails da academia (veja abaixo).

A premiação acontece durante sessão solene, realizada no dia 17 de março, às 19h, no auditório da Câmara de Vereadores de Teixeira de Freitas (BA). O evento – com a presença dos acadêmicos e convidados do mundo da literatura e cultura – será mais uma vez inesquecível.

Segundo Zarfeg, o prêmio é uma homenagem ao poeta baiano e patrono-geral da ATL, Castro Alves.

Conheça os vencedores do Prêmio Castro Alves 2017 AQUI 

Mais informações sobre o Prêmio Castro Alves de Literatura:

atl_letras@yahoo.com.br  ou  premiocastroalves@yahoo.com

 

 

 

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Tempos Sombrios: Instantâneos da Realidade

Por Daniel Rocha

Há situações que de tão estranhas beiram o absurdo. Situações que vez por outra exigem leituras e reflexões profundas, mas que também pedem o cuidado e o olhar de quem sabe que às vezes é preciso recorrer às artes, a música, a filosofia e a literatura para se ter uma visão ampla dos temas mais discutidos da atualidade. É isso que faz o poeta Erivan Augusto em seu primeiro livro Tempos Sombrios: Instantâneos da Realidade (Amazon, 2017).

Erivan Augusto Santana é colaborador do site, professor, escritor, poeta, graduado em letras e mestrando em Ciência da Educação com grande apreço a sociologia e filosofia e toda forma de arte que ajuda compreender, sob outro viés, os absurdos da realidade do país no presente.

Para Erivan Augusto Santana o que tem levado a escrever sobre as situações do presente é a vida e suas paixões, paradoxos e inquietações. Para quem ler fica evidente que o silêncio e a inércia social atual também têm provocado a sua escrita.

Por exemplo, no texto “O silêncio que atordoa” o autor frisa: “Direitos trabalhistas, humanos e sociais estão sendo destituído em nome de interesses econômicos e do grande capital, inclusive o internacional. Enquanto os mais pobres estão sendo sacrificados, os privilégios das elites continuam intocáveis (…). Entretanto, diante do exposto – com exceção dos professores -, não há manifestações contestando tal situação. Por quê?”

O livro traz uma série de textos sobre questões atuais e vai chamar a atenção dos leitores que em algum momento durante o ano foi convidado a opinar sobre alguns dos assuntos da atualidade, nesse caso o livro apresenta perspectivas enriquecedoras.

O resultado mais visível deste processo é que os textos contidos no livro Tempos Sombrios: Instantâneos da Realidade, é que quando não refletirmos melhor sobre determinados assuntos considerando a história, a arte, a filosofia e a poesia, não saímos do lugar-comum, diante de situações que de tão estranhas beiram o absurdo.

 

 

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Tempos Sombrios: Instantâneos da Realidade  está disponível no formato E-book no Amazon. Confira. 

 

Batmania – O retorno

Por Daniel Rocha

Lembrado pela riqueza visual, produção caprichada e uma das maiores campanhas de marketing da história da sétima arte o filme Batman – O Retorno (1992) tem sua trajetória contada  e documentada em um livro, fanzine, recentemente lançado em comemoração aos vinte e cinco anos do longa ainda hoje  muito cultuado.

O livro Batmania – O retorno (2017), de Paulo Chacon, desenhista da Companhia de Quadrinhos Independentes, ajuda compreender o fenômeno que foi o lançamento e a exibição do filme  homem morcego no Brasil através de uma rica retrospectivas de textos e imagens. A qualidade do trabalho impressiona.

Ricamente ilustrado o fanzine traz detalhes e curiosidades sobre o filme e uma das maiores campanhas de marketing da história do cinema no país, que também fez grande sucesso na época, e uma entrevista realizada com Fred Schiffer, gerente de marketing da Warner Bros 1988-1993.  

Com seções dedicadas ao filme e diversas matérias nacionais e internacionais, guia de colecionáveis com todos os action figures, veículos e vídeo games lançados de 1992 até 2017, galeria de material promocional nacional, guia com o profile de todos os personagens do filme, mais detalhes sobre veículos, acessórios, Gotham City e  uma entrevista exclusivas Dave Lea, dublê de lutas do ator Michael Keaton, Jack Pedota, fotógrafo oficial do filme o livro revela os bastidores e  outras curiosidades da versão mais teatral e artística do herói mascarado no cinema.

Batmania –   O Retorno  tem 180 páginas e  formato 23 x 31 cm.  Para adquirir o livro basta entrar em contato com o autor pelo Facebook  ou pelo  e-mail editorcqi@gmail.com . 

Vocês conhecem a festa BATEKOO?

Por Ícaro Jorge Da Silva Santana *

Batekoo é uma festa que entrou para o centro cultural soteropolitano enaltecendo os ritmos black estrangeiros e nacionais,organizada por Mauricio Sacramento,  se tornando um dos maiores “points” da noite de Salvador.  

 

A festa que começou como uma comemoração de aniversário,vem se tornando cada vez mais conhecida no Brasil. Iniciada em Salvador, a Batekoo tem como diferencial,em comparação com as outras da cidade,a sua execução musical,reproduzindo apenas ritmos negros, desde o hip hop americano ao pagodão baiano. Ritmos, que historicamente sempre foram colocados como baixa cultura ou cultura de massa, por ser produzido nas periferias e favelas.  

 

A possibilidade de consumir cultura e música, sempre foi negada para aqueles e aquelas das periferias devido ao alto valor que se é cobrado nas entradas de determinados shows e festas. Diante disso,o valor da entrada é acessível para todos os públicos, apenas 10 reais. Por conta disso, é mais fácil a popularização da festa e a acessibilidade em relação àqueles que não possuem muitos recursos.  

 

Enfim,a Batekoo é uma festa que vem fazendo muito sucesso em Salvador, principalmente para os jovens da cidade. É um ponto de encontro de fácil acesso para enaltecer os trabalhos dos negros e negras, libertando os corpos.  Além disso, o cunho político e social da festa é evidente e respeitado.

No mais, a festa está ficando famosa no Brasil, com edições em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, o que demonstra o significado da mesma.   E vocês, já decidiram se vão comparecer na próxima?

 

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ÍcaroJorge Da Silva Santana

Blogger eYoutuber(Ocupa Preto )

Social Media e Estudante do Bacharelado Interdisciplinar de Humanidades Na UFBA

 

 

 

Notícias de um encontro particular

Por Daniel Rocha

Em algum lugar do universo, dois cometas com trajetórias contrárias se encontram e a luz produzida, por esse momento, viaja pelo espaço até ser visualizado por um observador qualquer, anos depois do fenomenal encontro.

Essa foi a sensação que eu tive depois de ler o A menina do céu cor-de-rosa (De Athylla Borborema; PERSE ;144 PÁGS) que traz na íntegra uma série de entrevistas realizada pelo jornalista com a menor MSC no início da década de 1990.

O livro que mistura acontecimentos reais com fatos fictícios, narra a história de uma menor que fugindo da violência domestica praticada pelo pai no Espírito Santos, acaba na rota de prostituição do Extremo Sul da Bahia.

O primeiro encontro entre os dois ocorre na Rua Mauá, zona de baixo meretrício de Teixeira de Freitas, onde a personagem MSC se torna uma mulher prostituta com sonhos e lembranças.

Interessante é que os encontros entre o entrevistador e a adolescente não ocorrem apenas uma vez e nem no mesmo lugar. A cada nova entrevista, um detalhe, um fato novo traz à tona revelações e narrativas que provocam o juízo de valor do leitor.

Apesar de não ser o foco do livro, falta à obra um pouco mais sobre o momento vivido pela região do extremo sul da Bahia, local onde a menor recorrem à ao vasto mundo da prostituição para sobreviver.

Por exemplo, o “booom” das cidades litorâneas na década de 1990 que atraía turistas de todas as partes do Brasil e do mundo em busca de prazer e sexualidade, principalmente em Porto Seguro e suas praias.

Um bom negócio para os cafetões do ramo que aproveitavam da fragilidade dos menores e do recém criado Estatuto da criança e adolescente para lucrar com a venda de sexo aos turistas.

Mas nada ofusca as luzes do grande encontro, um estudante de jornalismo do Extremo Sul da Bahia e uma menina prostituída que sobrevive marcada pelas lembranças do passado.

Duas almas em rotas opostas separadas pelas expectativas de dias melhores que, diante da cruel realidade testemunhada e vivida, se desmancha entre um encontro e outro.

O livro pode ser adquirido pelo site : PERCE
Outros livros de escritores locais : Me fala isso por favor (2015) . Bruno Calimam