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MAIO DE 68

Na Champs-Élysées, uma multidão

Empunha a liberdade guiando o povo,

Ao som de canções a iluminar a noite.

O delírio é palpável,

Como a utopia tomando o poder.

Um século de história

Revividos na intensidade

Daquele instante: éramos Maio de 68.

Onde está tudo isso agora?

Erivan Santana

 

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Revolução dos cravos

A estrela d’alva e o sol

Juízo final

A carta

Fim de tarde

O ensaio de Maitê

Revolução dos cravos

 

Ao romper a manhã, 

o povo ocupa as ruas 

na Cinquentenário, 

na Paulista, 

na Candelária, 

no Farol da Barra. 

 

Na esquina do café, 

uma moça entrega  

uma rosa ao soldado, 

e logo várias rosas 

são entregues em 

meio à multidão. 

 

Na tv, Bethânia recita 

Castro Alves e Pessoa; 

e no muro está escrito:  

rEVOLution! 

Erivan Augusto Santana 

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A estrela d’alva e o sol

Juízo final

A carta

Fim de tarde

O ensaio de Maitê

A estrela d’alva e o sol

O sol não quis ficar

com a estrela d’alva,

que abriu a manhã.

Mas a chuva que persistia,

ofuscou o sol.

A lua a tudo assistia

e sorria, esperando

a noite chegar.

Em Amaralina,

Maria ria, iluminando

o meu dia!

Erivan Augusto Santana

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Juízo final

A carta

Fim de tarde

O ensaio de Maitê

Juízo final

Seguem os senhores da guerra
construindo muros entre
pessoas, povos e nações,
destituindo direitos
de indefesos presos
à lei do mais forte,
na sombria selva do capital.
Eis que virá o dia então,
em que o mais corajoso
dentre os valentes fugirá nu
naquele dia, oráculo de Javé,
e a estrela d’alva aguardará
triunfante o sol nascer
para entregar um novo
e promissor amanhecer!

Erivan Augusto Santana

 

 

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A carta

Fim de tarde

O ensaio de Maitê

 Imagem: “A liberdade guiando o povo” (Eugene Delacroix)

Saudades da infância!

Por Paulo Alves  

Gosto do tempo de infância, onde a militância era ser criança. Criança sem malícia ruim, sem maldade, onde a única alegria era brincar, fazer de conta e criar!

Recordo que em um passado tão breve, vivia grandes momentos simples, lindos, bonitos e divertidos. Sem dor, rancor e desamor. Sorria, gargalhava, cantarolava e dançava sem um som ou simplesmente quando o vento assoviava, era simples, isso vinha do nada.

Nossa! Como é bom relembrar os momentos forasteiros em meio aos grãos da areia, quando a luz solar refletida nas águas agitadas do mar, assim as ondas vinham cantando e com um som angelical me pedia pra te beijar.

Ah! Que saudades de lá, que saudades do tempo da chuva que fazíamos questão debaixo dela brincar. Saudade do amor amado nas camas alheias, onde nós olhávamos pelas frestas da porta o desejo ardente do casal, nos carros arranjados, nas estradas, na rua, no mato e no mais requintado lugar, nossa travessura era espiar.

Ah! Que saudade de lá, da infância vivida, corrida, livre, aberta e com um respeitar apenas por um olhar. Poxa! Como é bom sentir a doce saudade de um tempo passado que só vem para me fazer sorrir, me fazer viajar num sentimento que jamais passará.

Sentimento de liberdade, cumplicidade, amigos tão sinceros que, até uma única bala doce dividia-se em 5 pedaços, tudo para manter um amigo feliz e mais animado.

Pois é, estou simplesmente expressando o que uma simples saudade inspira e me faz recordar. Deu saudades de voltar, ah se pudéssemos agir como nos filmes, voltar ao passado, poder como no conto ou como a varinha mágica, tocar e as coisas tristes e ruins mudar.

Fazer diferente, repetir aquelas recordações que tanto nos fazia viajar numa alegria tão intensa, intensidade vivida pelos simples brinquedos inventados, uma cantiga de roda, quem não se lembra das brincadeiras riscadas no chão, quem nunca brincou de caí no poço, bandeirinha, guarda meu anelzinho, gude e tantas outras.

Sentir saudade da infância é recordar um tempo de paz, amizade, amor, e total liberdade. Onde as brigas eram resolvidas após o término, onde todos voltavam a brincar, não havia drogas, armas ou qualquer coisa do tipo exposto entre os amigos.

Que a saudade de lá, venha sempre em nossa memória para nos fazer refletirmos o quanto é bom sermos como criança nesse mundo adulto e tão contaminado pela maldade. Tempo de infância é sentir a saudade de ser criança. Um forte abraço.

 

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Paixão e amor ou amor e paixão?

Mulher!

Mulher!

Por Paulo Alves.

Mulher, sinônimo de tudo de bom e melhor. Mulher, nunca foi e nunca será sexo frágil. Mulher é para doar e estocar força, sabedoria e sentimento.

Começou sendo criada em um lugar perfeito, no jardim de Deus. Uma majestosa criação, de início mostrou-nos uma grande lição, que o erro não compensa e, que jogar a própria culpa nos outros não nos tira das consequências da mesma.

Mulher, não é para ser presa ou guardada numa gaiola hipócrita e suja, não é para ser maltratada com um egoísmo machista e sensacionalista.

Mulher, não merece porrada ou palavras cantadas em músicas podres e sem noção, tais músicas são aberrações, que por pessoas sem o mínimo de senso crítico e anti- mulher as aplaudem. Elas merecem versos regidos às pétalas das mais finas flores.

Mulher é como uma rosa, linda, sensível de uma essência fenomenal, no entanto, quando ameaçada logo mostra suas forças, suas garras, sutilmente os cravos a defendem sem precisar descer do salto ou perder o seu humor astral.

Se eu pudesse ou se pudéssemos entender o valor e a verdadeira composição dessa espécie  tão boa, gostosa, linda e desejada, jamais as deixaríamos cair ou pisar onde não exista um vermelho de veludo chamado tapete.

Elas nascem, crescem, se reproduzem, dar o primeiro alimento da nossa vida, nos protege, cuida, trabalha, batalha, em casa na rua. É  mãe, pai, avó e outras qualidades e, no fim do dia ainda se embeleza e se envaidece para agradar um certo senhor que muitas vezes não lhe dar o seu grande valor.

Mulher é uma criação mais perfeita e humilde de Deus. Pois quando a formou naquele lindo gesto, quis nos dizer; filhos, essa beldade é para ser sempre cuidada com um exemplo muito carinhoso, é para ser guardada onde existe amor, vida, paz e muita dedicação,  guarde-a somente em seu coração.

Mulher é, para todos nós deixá-la sempre protegida debaixo dos nossos braços, sendo acarinhada e resguardada de todos os males. Amar uma mulher é amar a si mesmo. Sentir o prazer de uma mulher é provar o mais doce néctar para nunca mais esquecer.

Enfim, você mulher é a formosura mais formosa de todas as feituras do universo. Você é realmente um verdadeiro tesouro, uma verdadeira preciosidade que infelizmente  a maioria dos homens não soube ou sabem valorizar.

Parabéns guerreiras, ilustres e preciosas mulheres, que o universo seja a sua grande conquista, mostrando aos mais conservadores do machismo que a sua verdadeira força está em suas grandes conquistas. Um forte abraço.

Veja também:

Paixão e amor ou amor e paixão?

 

Foto: Google Imagens. blog.libero

 

A carta

A carta se perdeu

nas areias do tempo…

De Bandeira a Drummond,

Rimbaud a Verlaine,

Cecília a Clarice,

registros, letras e

marcas atemporais…

Ontem, a grafia,

a página escrita

com devoção;

hoje, a fria letra impessoal

na tela digital,

a refletir o inadmirável

mundo novo!

Erivan Augusto Santana

 

 

Veja também: 

Fim de tarde

O ensaio de Maitê

Paixão e amor ou amor e paixão?

Por Paulo Alves

Tanto faz, o que importa é o amar!pois é, tive uma enorme história de amor. História essa que começou com um fio de amizade, fio que foi se esticando, crescendo e se transformou solidamente num amor sem limites e ou fronteiras.

Existe amizade entre homem e mulher? sim, existe e sou prova real disso. O cuidado e a vigilância tem que ser severa e minuciosa, pois através dela pode-se nascer um amor e uma paixão sem controles, limites ou pudor.

A minha história foi marcada de muitas emoções, loucuras. Loucuras essas que nos levava a viagens tão reais, flutuamos na emoção de estarmos vivendo o êxtase da paixão. Paixão que nos levou a um casamento solitário, sem convidados, no meio do mato, onde a lua de mel rendeu-nos alergias por picadas de carrapatos.

Esse amor que nos trouxe dores de cabeça, preocupações, ilusões e realidades tão severas e consequências dolorosas, tudo isso era superado por momentos simples e lugares tão humildes que a beleza era mero detalhe. Um coqueiro à beira mar era o que precisávamos para nos fazer sorrir.

A felicidade estampada em um simples sorriso, observamos aos quatro cantos não havia piada ou algo que trouxesse esse motivo de tão gostosa gargalhada. Era o prazer de estar ao lado de alguém que só de ouvir o nome arrepiava, dopava de uma sensação extrema de emoção, lágrimas e prazer.

Ah! Se soubessem o quanto o amor te eleva, tal quanto te deixa a sonhar acordado.

Leva a passar por uma tempestade, como se fosse um filme gravado entre os respingos da chuva. Paixão que nos levava a um lugar tão imenso, transformado em um cantinho só nosso, onde deitar-se na areia da praia era como viajar intensamente pelas nuvens, carregando no colo a sensibilidade e a essência de um puro e verdadeiro amor.

Pois é! Esse amor que foi marcado e simbolizado por duas pétalas de rosa, rosa vermelha simbolizando a paixão que ardia no peito que se transformava em amor.

Duas pétalas que tinha o compromisso de nunca se murchar ou, ser destruída. Pena que o medo, pena que o nosso eu, o querer novos rumos e novas experiências acabaram respingando o líquido corrosivo em ambas pétalas que as destruiu vagarosamente. Como pequenas células mortas, que foram se transformando em um câncer maligno dentro desse amor.

Por fim, “baseando no caso, Romeu e julieta, sendo famosos por sua história de amor, e o seu romance falado, vivido e contado.” Eu vivi com toda intensidade um amor, um caso, uma história que apenas a sensibilidade, ou o sensível poderia explicar. Deixei, deixamos ser tomados pelos olhares maliciosos, pelas cobiças enganosas, pelas mentiras, uma doença crônica virtual que muito atrapalhou, quando cruzou esse caminho tão limpo, puro e cúmplice desse amor tão real.

Assim, com choros, brigas, falta de compreensão, mensagens maldosas, bailes infiéis, saídas às escondidas, prazeres egoístas, o eu quero e posso, a falta de paciência e as falsidades interromperam o caminho desse amor.

Não como o fim de julieta e romeu, mas, como uma praga, praga do século, a INFIDELIDADE. Abertura para que o amor entrasse na geladeira e os olhares antes servidos simplesmente ao cúmplice parceiro, fosse dividido e agora lançado a qualquer lado, assim deixando ser machucado, maltratado, esmagado pela elegância de uma ilusão.

Esse amor que me levou a realizar as melhores surpresas, que me deu os melhores beijos, os melhores abraços, as melhores madrugadas e os desejos mais ardentes e picantes da minha vida.

Me tirava o ar, o fôlego e me fazia gozar tão intensamente nas avenidas, e em lugares jamais imagináveis que: achava que iria desmaiar ou ter uma repetitiva crise convulsiva.

Verdade? A intensidade de um verdadeiro amor te leva ao delírio, que a cegueira traiçoeira jamais te afeta ou afetará, pois os olhares são simples e unicamente para a pessoa que ama e te leva a todas essas ditas sensações.

Nada de arrependimentos, afinal o amor nos ensina e nos mostra a cada momento um caminho mais brilhante, feliz e mais forte, ainda mais vivido e curtido com quem você mais ama e dedica todos os momentos da sua vida.

Obrigado por ter me amado, e obrigado por ter feito eu amar.Que todos os fatos que nos levou a essa paixão, esse amor, sejam vivenciados para que sejamos homens e mulheres muito mais fortes e cheios de amor para dar, sem rancor, mágoas ou maldição.

Ver o seu encantador sorriso será sempre a minha felicidade, pois foi promessa feita. Ame sempre, pois amar sempre vale a pena! Você sempre fez fluir o melhor de mim outrora guardado a tanto tempo e apesar de tudo mem ensinou a dar muitos passos para conhecer melhor o amor.

Paixão ou amor, isso depende do que ambos queiram que sejam e se transformem. O que importa é viver com respeitosa liberdade. Um forte abraço.

Fim de tarde

No poente,

o sol alaranjado

anuncia o fim da tarde.

Na mesa, o chá e o pão,

os sabiás se despedem do dia,

as andorinhas buscam

o refúgio da noite,

enquanto na igreja,

badalam os sinos.

Lá fora, jovens retornam da escola…

Na instabilidade das horas,

na impermanência do tempo,

que futuro os aguardam!?

Erivan Augusto Santana

Veja também: 

O ensaio de Maitê

Mal me querem

De volta ao cotidiano.
Às mesmices e crachá.
Teimam em me miniaturizar.
Insistem em me caber num crachá, Num número, num endereço.
Não caibo.
Por muitas vezes,
Nem caibo em mim.

Que posso fazer, pra que me entendam?
Não me limitem!!
Não me cerquem!!

Na gaiola,
O pássaro canta de dor,
Canta de mágoa, de morte.
Mas, raros são os que entendem
O canto dos pássaros engaiolados.

Raros, os que entendem meu canto.
Que ouvem meus gritos sussurrados, Entre gemidos e delírios mal calados.
Me desamo
Me descalo
Me desmorro.

Mal me querem.
E daí?

Não me rendo!!
Desdigo.
Descalo.
Desgrito.
Ô vidinha chucra!

Cássia Oz