Arquivo da categoria: Esquina poetica

Fim de tarde

No poente,

o sol alaranjado

anuncia o fim da tarde.

Na mesa, o chá e o pão,

os sabiás se despedem do dia,

as andorinhas buscam

o refúgio da noite,

enquanto na igreja,

badalam os sinos.

Lá fora, jovens retornam da escola…

Na instabilidade das horas,

na impermanência do tempo,

que futuro os aguardam!?

Erivan Augusto Santana

Veja também: 

O ensaio de Maitê

Mal me querem

De volta ao cotidiano.
Às mesmices e crachá.
Teimam em me miniaturizar.
Insistem em me caber num crachá, Num número, num endereço.
Não caibo.
Por muitas vezes,
Nem caibo em mim.

Que posso fazer, pra que me entendam?
Não me limitem!!
Não me cerquem!!

Na gaiola,
O pássaro canta de dor,
Canta de mágoa, de morte.
Mas, raros são os que entendem
O canto dos pássaros engaiolados.

Raros, os que entendem meu canto.
Que ouvem meus gritos sussurrados, Entre gemidos e delírios mal calados.
Me desamo
Me descalo
Me desmorro.

Mal me querem.
E daí?

Não me rendo!!
Desdigo.
Descalo.
Desgrito.
Ô vidinha chucra!

Cássia Oz

 

 

O ensaio de Maitê

 

Os olhos verdejantes

da deusa

iluminavam a manhã

de novembro,

e a maestria de Cézanne

captava o nu natural

e a beleza

daquele instante..

O côncavo e o convexo,

as curvas sinuosas,

se misturavam

à paisagem italiana,

enquanto saudoso,

Leonardo se lembrava

da Monalisa:

o corpo tem o sopro

do Divino!

Erivan Augusto Santana

 

Veja também: 

 Imagem: Paul Cezanne Les grandes baigneuses. Fonte: Google imagens.

 

 

Em busca do tempo perdido

Quanto humanas e formosas

eram Princesa do Extremo Sul,

São Salvador, São Paulo e São Sebastião

que em janeiro o ano começava

e as águas de março o verão fechavam

Quão dessemelhantes

hoje são!

Onde estão os bondes, as deusas das ruas,

e o boêmio, que não regressou?

Mecanizadas estão,

a violência explode

em cada esquina,

e já há mais carros

do que gente

em seus espaços!

Onde estão os galos,

noites e quintais,

e as serenatas do trovador?

A pena sofregante e órfã

não cessará a perguntar,

mas ficaram nas memórias

de um tempo

que não volta mais!

Erivan Augusto Santana

Veja também:

O saxofonista no telhado

A banda

A banda

… e ela não saiu da janela

Achando que a banda tocava pra ela.

Ingênua que foi…

A deusa da banda, em meio à festa

Sorri complacente

Da ingenuidade dela.

Passa a banda

Passa a festa

Passa a deusa feminista.

Pra ela

Permanece a janela.

                                                             Cássia Oz

Outros poemas

Efemeridades

Fica

Medos

Hoje é só mais um dia. Um dia comum

Recompostura

Urgências

DESVELAMENTO

Hoje é só mais um dia. Um dia comum

Hoje é só mais um dia. Um dia comum.

Se as energias empregadas na feitura e esforço das coisas nesse dia, se estendesse para os demais dias vindouros, quantas pessoas e dias felizes teríamos!

As promessas, os abraços, as demonstrações de carinho, o se importar com o outro…. cotidiano utópico.

Vale dia. Resgate pois, logo. Amanhã a realidade dará seus sinais. Semana que vem, estará desnuda.
Que pena!!

Apesar de minha descrença, vamos de esperança.!
Bom dia queridos!

Cássia Oz.