Mal me querem

De volta ao cotidiano.
Às mesmices e crachá.
Teimam em me miniaturizar.
Insistem em me caber num crachá, Num número, num endereço.
Não caibo.
Por muitas vezes,
Nem caibo em mim.

Que posso fazer, pra que me entendam?
Não me limitem!!
Não me cerquem!!

Na gaiola,
O pássaro canta de dor,
Canta de mágoa, de morte.
Mas, raros são os que entendem
O canto dos pássaros engaiolados.

Raros, os que entendem meu canto.
Que ouvem meus gritos sussurrados, Entre gemidos e delírios mal calados.
Me desamo
Me descalo
Me desmorro.

Mal me querem.
E daí?

Não me rendo!!
Desdigo.
Descalo.
Desgrito.
Ô vidinha chucra!

Cássia Oz

 

 

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