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Teixeira 35 anos: Algumas curiosidades do cotidiano do ano da emancipação

Por Daniel Rocha

Em uma cidade que se tornou predominantemente urbana no modo de viver a população não escapou e nem escapa de ter a memória marcada pelas mídias de difusão em massa que influenciaram e influenciam experiências sensoriais e coletivas. Dito isso, o site selecionou algumas curiosidades que mostram a dinâmicas  cotidianas e culturais do ano da emancipação.

01 – Quando Teixeira de Freitas foi emancipada no dia 09 de maio de 1985 a cidade já contava com uma razoável estrutura de equipamentos comunitários com dois clubes (Jacarandá e Floresta) dois cinemas (Cine Brasil e Cine Horizonte) e duas estações de rádio (Difusora e Alvorada AM). Uma estação repetidora de sinal de TV para 02 canais, um estádio de futebol e três praças no centro da cidade.

02 – A cidade era servida por uma linha de ônibus urbanos atendida por dez coletivos que ligava a Escola Média de Agropecuária da CEPLAC-EMARC à Vila Vargas, passando pelo bairro do Trevo, Avenida Presidente Vargas e centro da cidade. O horário usado pelos os alunos da EMARC eram evitados por alguns devido a “zoação” da rapaziada no ônibus.

03 – Na época o Centro educacional professor Rômulo Galvão além da educação básica ofertava cursos técnicos em nível de segundo grau. Naquele ano o ensino noturno estava em alta e tinha como alunos trabalhadores do comércio, moças e rapazes. Alguns que,  depois da aula, ficavam na Avenida Getúlio Vargas a espera de seus pares.

04 – Os artistas da cidade formavam um coletivo chamado “Consciência” que reunia variados artistas como artesãos, escultores, cantores e poetas que promoviam no último domingo de cada mês uma feira artística livre na Praça da Prefeitura e shows com talentos musicais no palco do Cine Brasil, que também era uma espécie de casa de espetáculos da cidade.

Icônico LP. O som local da emancipação.

05- Para além dos destaques da paradas musicais nacional e internacional , as emissoras de rádio teixeirenses  também era lugar  aberto para a  música e músicos locais como o popular Carlitos Gomes que naquele ano (1985) lançou o icônico LP “Quero Ter seu amor,”  com músicas populares e genuinamente teixeirense que  invadiu os bares, boates e outros espaços da cidade recém- emancipada.

06 – No Cine Brasil, estima-se que o filme “Os Trapalhões no Reino da Fantasia” atraiu, como toda fita do grupo de Renato Aragão, uma multidão para sala mais procurada da cidade alguns meses antes da realização da primeira eleição municipal de Teixeira de Freitas. 

07 –  Na cidade emancipada o domingo era dia de jogar futebol nos diversos campos espalhados pelos bairros do município . No estádio municipal as equipes profissionais de grande destaque como o CEFBOL (Clube Estudantil de Futebol) ,criado com o apoio dos estudantes do CEPROG (Centro Educacional Professor Rômulo Galvão), conquistava com destaque os torcedores. Com a emancipação as equipes locais puderam enfim organizar oficialmente a chamada L.F.T.F. (Liga de Futebol de Teixeira de Freitas), concretizada em 1987.

08 – No dia da emancipação a TV Globo, uma das duas emissoras sintonizadas na cidade, reprisava a novela “Elas Por Elas” no “Vale a pena ver de novo” e a Sessão da Tarde exibiu o filme “Por Um corpo de Mulher.” Durante a noite exibiu também a inédita “Corpo a Corpo” novela das oito que em Teixeira era acompanhada por uma população que dividia a sala e as janelas com os vizinhos que não tinham TV.

09 – Enquanto a cidade emancipada sonhava com uma Biblioteca pública, o livro  “A Insustentável Leveza do Ser”, Milan Kundera, dominava o topo da lista dos mais vendidos do país. Lançado em 1982 a obra estaria disponível na cidade se houve um melhor acesso a leitura.

10 –  Até 1985, quando foi promulgada a Emenda Constitucional nº 25 à Constituição de 1967, os analfabetos não tinham o direito de votar, viviam à margem da democracia no país. Por isso muitos não puderam participar do plebiscito sobre a emancipação da cidade realizada em no final de 1984. Curiosamente o Congresso Nacional aprovou o direito ao voto na noite do dia 08 de maio de 1985, um dia antes do governador do estado oficializar a emancipação da cidade. A aprovação permitiu a participação dos não alfabetizados na eleição que elegeu o primeiro prefeito em 15 novembro de 1985.

Fontes:

BANCO DO NORDESTE, As origens. Teixeira de Freitas, Fortaleza – Ceará. Janeiro 1985.

ROCHA. Daniel; OLIVEIRA.Danilo. Cinema – Contribuições no Processo de Formação da Sociedade de Teixeira de Freitas nos anos de 1960, 1970 e 1980. UNEB, Campus X – 2010

DETHLING, William Moacir. Teixeira de Freitas entra em campo: A história do futebol da cidade de Teixeira de Freitas entre os anos de 1970 e 2000. UNEB – X. 2011.

JB. Programação da TV. 09 de maio de 1985. 

Carlitos Gomes: http://dicionariompb.com.br/carlito-gomes/discografia

O causo da Marrom Glacê e a copa de 1986: 

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Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X. Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

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Teixeira de Freitas Ano 2000: Um “indigente” conhecido

Por Daniel Rocha

A morte é denunciante de contextos, dramas e conflitos e diz muito sobre o lugar onde ocorre.Como no caso registrado pelo extinto programa jornalístico “TV Verdade” exibido pela emissora local TV Sul Bahia no ano 2000 que registrou a tentativa e o sepultamento de um homem classificado como “indigente.”

No final do mês de outubro de 2000, semana antes do Dia de Finados, o jornalista Getúlio Ubiratan, repórter e apresentador, se dirigiu ao Cemitério Jardim da Saudade para averiguar denúncias de que estava “abandonado e com mal cheiro” e acabou flagrando a tentativa do sepultamento de “um indigente” por três moradoras do bairro Bela Vista que denunciou às dificuldades para enterrar um conhecido sem identificação oficial.

Ambulância chega com o corpo

Sem revelar o nome dos envolvidos, o repórter apurou que uma das presentes era companheira e convivia com o falecido há sete anos e que a mesma não sabia muito sobre ele, pois havia o conhecido as margens de uma estrada quando ele ainda era “um andarilho.”

Ainda de acordo com a companheira o “desconhecido” havia falecido em casa após receber alta no Hospital Regional. Apenas a mulher e duas vizinhas acompanhava o corpo não sepultado por falta de identificação e autorização judicial. A causa da morte também era desconhecida. Os funcionários, temendo repreensão da polícia se recusaram realizar o sepultamento.

Mulheres pela dignidade do cidadão

Contudo, o motorista da ambulância declarou que foi chamado por um representante da prefeitura que havia ligado para ele solicitando que o corpo fosse levado para o sepultamento até que fosse providenciado a documentação, horas depois apresentada pelo funcionário da prefeitura que atestou que o cidadão era um “indigente” e que assim deveria ser enterrado.

“Como vão dizer que ele é indigente se ele morreu ontem,” indagou o repórter. O representante da administração municipal informou que a liberação da prefeitura autorizava o enterro e que havia também uma outras das autoridades competentes, juiz e promotor, que antes de autorizar o sepulto apuraram informações sobre a companheira e o indivíduo.

Representantes do município

Mas o que diz o registro sobre a sociedade teixeirense da época? Da minha perspectiva o Estado, através de seus representantes, municipal e federal, promoveu o silenciamento da existência de um cidadão, que se encontrava fora da dinâmica formal do mundo do trabalho, que teve direitos negados durante a vida através de uma ordem discursiva oficial. O mesmo faz o programa da TV ao negar o nome dos envolvidos, mulheres, que lutaram até o fim pelo direito de um sepultamento digno para o seu indigente conhecido.

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

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Foto : Vídeo da reportagem

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Relações fronteiriças no Extremo Sul da Bahia – Parte 01

Por Daniel Rocha

O extremo sul da Bahia é um território de fronteiras aberto às interações com a realidade política, agrícola, econômica e social dos estados vizinhos, Espírito Santo e Minas Gerais, território amplo e perigoso, por exemplo, para os trabalhadores itinerantes do café.

Tanto que em 22 de junho 1999, uma operação conjunta do extinto Ministério do Trabalho, Ministério Público, Procuradoria da República e polícias Civil e Federal, no Espírito Santo, identificou 38 pessoas em situação análoga à escravidão em uma fazenda na cidade de Santa Teresa (339 km de Teixeira), entre os quais trabalhadores teixeirenses.

Segundo o jornal Folha de São Paulo, de 24 junho de 1999, os trabalhadores rurais foram “aliciados para fazer colheita de café” e estavam no local havia dois meses, sem registro em carteira de trabalho, sem salários e sem poder sair da fazenda devido à falta de dinheiro e de veículos.

Conforme denúncia , os trabalhadores que foram aliciados nas regiões de Teixeira de Freitas (BA) e Teófilo Otoni (MG) com a proposta de ganhar R$ 4 por cada saca de café, em uma lavoura onde se colhia muito pouco, eram mantidos em alojamentos precários com alimentação ruim e sem pagamento. Por essa razão o patrão, o fazendeiro Schmidt, foi preso em flagrante por trabalho análogo à escravidão. Os trabalhadores foram levados a suas respectivas cidades.

Recentemente, em maio de 2019, o site capixaba tconline.com, informou que um homem acionou a Polícia para relatar que ele e outros seis trabalhadores contratados por um aliciador para a colheita de café em Jaguaré ,ES, estavam sendo impedidos pelo contratante de retornar para Teixeira de Freitas, cidade de residência.

Ainda de acordo com o site todos estavam sendo mantidos e sobrevivendo em condições sub-humanas e foram aliciados na cidade natal com promessas de bons ganhos. Encontrados passavam por necessidades no lugar de repouso. O acusado pela situação não foi preso.

Os acontecimentos citados evidenciam o fato de que, nas relações estabelecidas, a proteção jurídica é muito importante para o trabalhador fronteiriço, cuja área de atuação é bem mais ampla, perigosa e complexa do que se pode imaginar dentro das delimitações oficiais da região.

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Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

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Foto : imagem meramente ilustrativa

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Flamengo: uma paixão teixeirense

Por Daniel Rocha

Teixeira de Freitas é uma cidade apaixonada pelo Flamengo desde a sua formação há mais de 40 anos. Embora não exista uma estatística oficial sobre o assunto, informações sobre a relação do time no passado e o hábito dos torcedores de sair às ruas e ocupar bares com suas camisas vermelhas não deixa dúvida que , mais do que uma atividade de distração, torcer pelo o time é uma obrigação amorosa.

Tanto que a cidade tem um Consulado e uma Embaixada oficial, o “Fla Texas”, criadas por grupos de amigos para organizar atividades sociais, viagens ao Maracanã e reunir fãs durante as transmissões dos jogos em locais específicos como ,por exemplo, a Caldaria e Cia, localizada na Avenida São Paulo, onde acompanhei a vitória do Flamengo sobre o Grêmio pela semifinal da Taça Libertadores da América 2019, no dia 23 de outubro.

Caldaria sempre lotada

No local, além de saborosos lanches, petiscos e bebidas, encontrei orgulhosos rubro-negros, jovens e adultos, trabalhadores de todas as classes, prestigiando o jogo televisionado com a mesma vibração da torcida que em 2009 ocupou todo o centro da cidade para comemorar a conquista do Hexacampeonato nacional.

Reação esperada diante de uma equipe formada com alguns dos melhores jogadores da temporada que ao conquistar vitórias, como a de 5×0 sobre o Grêmio,  colabora para o avanço da paixão local pelo time, sentimento que na verdade é bem mais antiga do que se pensa.

Torcedores de todos os times

Segundo o historiador William Moacir Dethling, na década de 1960 o time amador “Cruzeiro”, uma das primeiras equipes do então povoado de Teixeira de Freitas, também era conhecido como “Flamenguinho” porque jogava vestidos com a camisa do Flamengo, sendo muito popular. O time costumava jogar com outros da região e tinha como lugar de treinamento a antiga praça da TeleBahia. 

Uma prova que o sentimento pelo time vem de longe e contribuiu para formação cultural da cidade que cresce apaixonada pelo clube carioca que ainda hoje incentiva novas formas de interação social, coletiva e de consumo dos torcedores locais. A empolgação dos torcedores permite considerar isso.

Fonte: 

DETHLING, William Moacir. Teixeira de Freitas entra em campo: A história do futebol da cidade de Teixeira de Freitas entre os anos de 1970 e 2000. UNEB – X. 2011.

COMUNICAÇÃO É TUDO

Com as novas possibilidades oferecidas pelo advento da internet, temos a sensação de que o aprimoramento da comunicação humana tenha chegado ao limiar da perfeição, mas não é o que ocorre, levando-se em consideração os diversos contextos sociais, sendo a família o principal deles.

Não é raro constatarmos as dificuldades da comunicação moderna, mesmo dispondo de todos os recursos que temos hoje. Isto porque, no fundo, comunicar exige ouvir o próximo, conviver, fazer concessões, interagir com interesse naquilo que o outro se dispõe a dizer, e é aí que as dificuldades começam e se desenvolvem.

Na verdade, comunicação envolve convivência e paciência, que por sua vez, exige desenvolver aspectos ligados à psiquê humana, ética, gratidão e tolerância, em uma palavra, aspectos espirituais, entendendo-os aqui, como não diretamente ligados às questões de cunho religioso. Estes temas são hoje, amplamente desenvolvidos pela psicanálise, psicologia e psiquiatria, ciências mais próximas a este objeto de estudo, mas que vem interessando a um número cada vez maior de pessoas.

Por isso, não é raro, mesmo estando próximas, as pessoas se comunicarem por mensagens do celular, o que em tese seria absolutamente desnecessário, isto porque, é bem mais cômodo e fácil, porque evita o contato, o olho a olho, e nos poupa de aparar as nossas arestas, que são muitas. Nas empresas, os desencontros e falhas de comunicação são constantes, pois se comunicar verdadeiramente vai além do simples fato de receber ou enviar mensagens por meios digitais, exige atenção, senso de comunicação em grupo e solidariedade ao o que o outro deseja dizer.

Portanto, como vemos, a comunicação exige um certo progresso de convivência em grupo ou mesmo nas relações interpessoais, fato que as novas tecnologias nos iludem e nos fazem esquecer, gerando uma ilusão falsa de interação útil e verdadeira.

Afinal, é no contato com o próximo que aprendemos a conviver, e a sermos levados a corrigir nosssas possíveis falhas, num sinal de humildade e responsabilidade social, muitas vezes substituídos pelo modo mais cômodo e superficial, a comunicação via redes sociais ou qualquer outro meio digital.

A comunicação na era da internet atingiu níveis tècnicos surpreendentes, falta agora investirmos no nosso crescimento como seres humanos, vivendo em sociedade, e não somente no mundo virtual, o que exige fazer concessões, desenvolver o espírito conciliador, além de nos colocar em contato com as muitas pluralidades sociais e culturais do mundo globalizado – e isto não é pouca coisa, exige muito esforço, um esforço que muitos querem evitar, usando o meio digital ou simplesmente evitando uma real comunicação com o próximo.

ERIVAN SANTANA

Crônica originalmente publicada no jornal A Tarde, Salvador, 10/10/19

A TV Manchete na história de Teixeira de Freitas Parte – 01

Por Daniel Rocha*

Dizer que algo marcou época na história da cidade parece lugar-comum. Mas a frase tem tudo a ver com a transmissão da TV Manchete em Teixeira de Freitas nas décadas de 1980 e 1990, com o início das transmissões televisivas no município e a cultura dos migrantes -japoneses.

As primeiras transmissões televisivas no município ocorreram na década de 1970 depois da iniciativa de um grupo de moradores tendo à frente o senhor José Fernandes e Sebastião Santiago que através do Clube da TV, criado por eles, financiou a instalação de uma antena de transmissão da TV Tupi. Anos depois, 1985, Teixeira de Freitas já sintonizava quatro sinais de TV, na época um número expressivo para um povoado do interior.

Definitivamente a Tupi foi forçada a finalizar suas atividades em 1981 dando origem a duas outras emissoras, SBT e Manchete, que em 1983 entrou no ar para todo Brasil e em Teixeira de Freitas chamando a atenção com variados programas jornalísticos, de auditório, infantis e novelas.

Seriados exibidos

Programação que se tornou ainda mais popular como a estreia em 1988 dos seriados japonês Jaspion e Changeman ,dentre  outros, e tal como ocorreu em todo país, os seriados contribuíram para divulgação da cultura pop oriental mudando, de alguma forma, a perspectiva sobre os migrantes  residentes na cidade. 

Naquele tempo Teixeira de Freitas era o lugar de umas das maiores colônias japonesas da região com nisseis e sanseis por todos os espaços de vivência da cidade. Nesse sentido os seriados foram importantes para divulgação da cultura do outro, associados apenas à agricultura e outros estereótipos.

A exibição de outros tantos seriados entre as décadas de 1980 e 1990, como Jiraiya, Jiban, Winspector, Kamen Rider e animes como Sailor Moon, Yu Yu Hakusho e Samurai Warriors e Cavaleiros do Zodíaco elevaram , por exemplo, o interesse de alguns jovens pela língua Japonesa, pelos mangás,  quadrinhos japoneses, e esportes orientais como Taekwondo, Karatê e Judô.


Vinheta de abertura da TV Sul Bahia 1996

Na década de 1990, a TV manchete ganhou ainda mais relevância com a inauguração da retransmissora local TV Sul Bahia, “A nova imagem de Teixeira e toda região” no dia 3 de novembro de 1996. Com a inauguração do canal o cotidiano teixeirense local passou a ser noticiado diariamente por um jornal e programas culturais. A TV pertencia um grupo político que naturalmente fez uso de sua audiência para divulgação do discurso mais adequado aos seus interesses… Assunto do próximo texto.

Fontes e Referências

Livro: Japoneses na conquista do Nordeste. 40 anos da colonização Japonesa no sul da Bahia. Teixeira de Freitas 1997.

Revista Veja: Reino do Sol Nascente. Os japoneses da Cooperativa de Cotia mudam o panorama do campo e o perfil das cidades do interior. 1988

Revista : Jacarandá Country Club. 40 anos 1975 -2015. 

Rede Manchete: um estudo de caso. Renan Milanez Vieira. Universidade Estadual Paulista – Unesp

TV Sul Bahia – Wikipédia. 

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X. 

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Veja também:

Exploração da madeira – Parte 02

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Professores e alunos protestam em Teixeira de Freitas

Por Daniel Rocha

Milhares de  estudantes, professores e profissionais da Educação  e manifestantes marcharam em todo o país na ultima quinta-feira (30/05), contra os cortes na educação. Em Teixeira de Freitas, diversas pessoas ocuparam por cerca de três horas a praça da prefeitura e uma das principais avenidas da cidade, Avenida Marechal Castelo Branco, de onde partiram em caminhada pacífica até à Praça da Bíblia. O ato foi encerrado por volta das 19h.

Formado principalmente por professores e alunos das universidades públicas, do município e do estado, a grande massa com cartazes, palavras de ordem e discursos inflamados, expressou na praça preocupação “com os rumos tomados pelo atual presidente Jair Bolsonaro” que através da sua política de cortes vem causando preocupação a professores e estudantes.

“Estamos na rua para mostrar o descontentamento da juventude com as declarações recentes do governo, não vamos aceitar retrocesso, a educação deve continuar para todos”, declarou a universitária Adriana.

Não é a primeira vez que os estudantes se posicionam contra medidas de corte de um governo, em outubro de 2016, por exemplo, alunos da UFSB ocuparam a universidade contra a PEC 241, também chamada de “lei do teto”, “PEC da morte”, entre outras nomeações, apresentada pela equipe econômica do então governo Michel Temer.

A PEC ,que foi aprovada no mesmo ano, limitou despesas com saúde, educação e assistência social e previdência pelos próximos 20 anos. Alunos da UNEB-X, e do instituto federal também realizaram ocupação de seus respectivos endereços.

Para além da pauta nacional, também expressaram os manifestantes descontentamento com a postura do governador Rui Costa e o prefeito da cidade Timóteo Brito que ainda devem ser lembrados nos próximos atos.

Alunos e professores de todo Brasil e de Teixeira de Freitas, prometem retornar às ruas no dia 16 de junho próximo, dessa vez para participar da “Greve Geral contra reforma da previdência” que deve unir diversas categorias contra a proposta apresentada.

Teixeira de Freitas 34 anos: O Policial Rodoviário da cidade

Por Daniel Rocha

A BR -101 rodovias federal que corta a cidade, inaugurada em 1973, permitiu uma série de mudanças na estrutura econômica da região do extremo sul da Bahia e na cidade de Teixeira de Freitas. Com ela saímos de uma economia exclusivamente agrária e extrativista para um comércio ligado à dinâmica dos negócios do sudeste do país.

Alguns moradores pertencentes a famílias nativas e tradicionalmente ligadas à agricultura e ao comércio local, caminho natural para os descendentes, mudaram o rumo de suas histórias permitindo aos filhos galgar por caminhos nunca antes percorridos por um membro da família.

Isael de Freitas Correia e Maria de Lourdes Cajueiro

Nosso colaborador, memorialista Domingos Cajueiro Correia, por exemplo, que é filho de pais pioneiros, Isael de Freitas Correia e Maria de Lurdes Cajueiro Correia, parteira de muitos afilhados por toda Teixeira de Freitas, ilustra bem o que estamos falando.

Embora nascido e criado no universo rural  do então povoado Domingos Cajueiro Correia, Cajueiro como é mais conhecido, foi o primeiro teixeirense aprovado em concurso público para policial rodoviário realizado depois da abertura da BR-101 para a cidade em 1977.

Um grande feito de quem começou a estudar aos 08 anos de idade em uma escolinha do povoado  e que por volta dos seus 11 anos trabalhava transportando do trevo da BR 101 (próximo ao Batalhão da Polícia Militar de Teixeira de Freitas) até o centro da cidade o leite que era vendido no centro do povoado.

Domingos Cajueiro Correia

Após concluir o primário no então povoado de Teixeira de Freitas Cajueiro foi obrigado a migrar para a cidade de Caravelas em 1969, para cursar o ginásio, que corresponde hoje ao ensino fundamental, no Ginásio Santo Antônio,  uma tradicional instituição de Ensino, que contava com a contribuição de famílias de alunos que podiam pagar e o incentivo do poder municipal para quem não podia, poucos tinham acesso.

Após concluir o ginásio, Domingos Cajueiro retornou a cidade apenas em 1971 quando o lugar já disponha de escola de segundo grau fundada por membros da Igreja Católica e moradores locais, dentre eles o seu pai Israel de Freitas Correia.

Em 1976, Domingos Cajueiro concluiu o curso de contabilidade no Centro Educacional Professor Rômulo Galvão (CEPROG), como aluno da primeira turma de formandos de Teixeira de Freitas. Um ano depois, 1977, fez a inscrição e foi aprovado para a Polícia Rodoviária Federal (PRF), e foi admitido em 01 de outubro de 1979, tornando-se o primeiro policial rodoviário federal nativo de Teixeira de Freitas, profissão que continua e exercendo até os dias atuais.

Domingos Cajueiro, centro, e amigos

Durante os 40 anos na corporação federal, Domingos acompanhou a circulação de mercadorias e pessoas vindas de várias partes que se instalaram como moradores e comerciantes e as tragédias e alegrias do infinito vai e vem de carros. Elemento que ainda hoje desenha a relação econômica da região e as trocas comerciais do município que no presente, comparando com o passado, é um oásis de oportunidades para todos.

“Sinto que Teixeira uma grande referência para as outras cidades circunvizinhas…. Houve uma enorme evolução na saúde, educação na segurança pública, comércio, moradia e infraestrutura. Bem diferente da Teixeira que conheci no passado. Expressou Cajueiro em um bate-papo informal.

Homenageado pela câmara Municipal de Teixeira de Freitas no último dia 24 Abril com a “Moção de Profissional de Segurança Pública Destaque”, Domingos Cajueiro aproveitou a oportunidade para agradecer e lembrar seus companheiros de trabalhos e familiares, que em torno dele fez lembrar a importância e doação para história e construção da cidade.

Família Cajueiro Correia

“Este é um momento único para todos que compõe esta gloriosa instituição PRF… Quis o destino que eu fosse o escolhido pelos meus pares, a minha gratidão a Chefe da Delegacia Inspetora Neila Cardoso … Quero agradecer em primeiro lugar a Deus, minha família (esposa, filhos, irmãos), compartilhar essa homenagem a minha falecida mãe Maria de Lourdes e ao meu falecido pai Isael de Freitas Correia que fora pessoas de maior valor na história de Teixeira… Meu pai um dos fundadores e quem melhor descreveram a cultura negra quando a cidade ainda era povoado”.

Vingadores: Ultimato tem público online

Por Daniel Rocha

Finalmente a saga está finalizada, Vingadores: Ultimato (Avengers: Endgame, 2019) em cartaz nos principais cinemas do país e da cidade, é uma excelente conclusão dos 11 anos e 24 filmes do Universo Cinematográfico da Marvel Estúdios/Disney.

Como um bom filme pipoca, popular e de grande apelo comercial, o longa alterna entre humor, frases de efeito e momentos de grande emoção para segurar a atenção do público adolescente sempre atentos aos smartfone onde trocam mensagens e fazem selfies.

Parte da experiência atual, o aparelho é um companheiro inseparável do público jovem, maioria nesse tipo de filme, que participam antes e depois do espetáculo de forma online enviando imagens e pequenos vídeos da tela para os amigos  e consumindo horas a finco de conteúdos relacionado pela plataforma YouTuber.

A fixação do público atual com o aparelho é tanta que, para se ter uma ideia, desde 2016 a maior rede americana de cinemas AMC Entertainment decidiu criar sessões para quem não consegue deixar de usar o seu smartphone durante o filme. Segundo o presidente da rede Adam Aron, a proibição não era possível porque “não é assim que os jovens vivem”.

Até no filme o tratamento e os diálogos de alguns personagens conhecidos ,como o Hulk e o Thor, parecem até que foram feitos para ser compartilhados em formas de memes pelo público com esse perfil.

Por fim, uma coisa é certa: Vingadores: Ultimato é um sucesso comercial que entrega a maior batalha da história de uma saga cinematográfica mundial. Uma narrativa que se conecta, antes e depois, com as emoções e hábitos transcendentes do público da nova era do cinema.




Vingadores: Ultimato gera expectativas na cidade

Por Daniel Rocha

A poucos dias da estreia mundial, 25/04, o filme mais aguardado do ano, Vingadores: Ultimato (2019), conclusão culminante da saga dos heróis Marvel, fãs da cidade de Teixeira de Freitas, Bahia, vem movimentando as redes sociais, e dessa forma, aumentando ainda mais as expectativas dos praticantes de uma das atividades culturais mais frequentes na história da cidade: ir ao cinema.

Em tempos de revelações antecipadas, spoilers, assistir na estreia é a melhor pedida para quem quer aproveitar ao máximo o espetáculo americano que em números, cerca de 900 sessões esgotadas em todo país,  melhor abertura de pré-venda da história, já é o maior dessa década confirmando a expectativa de lucro dos estúdios Marvel/Disney.

Se para os estúdios a expectativa de lucro é grande para os cinemas da cidade ,Cinesercla e Cine Teixeira, que já esgotaram  os ingressos para primeira sessão, não deve ser diferente. Isso porque filmes com super-heróis costumam atrair público recorde na cidade.

Só para constar em 2004 o filme “Homem-Aranha 02 (2004)” superou o fenômeno “A Paixão de Cristo (2004)” que mobilizou o público religioso da cidade. Lançado em Janeiro deste ano o pop mitológico Aquaman (2019) Alcançou a marca de 5.000 ingressos vendidos.

Mas porque o público gosta tanto das produções do MCU, Universo compartilhado Marvel?  “É a narrativa bem amarrada e a possibilidade de ver diversos heróis em ação no mesmo filme”. Revela o estudante Maurílio o Mello, 15 anos, que participa com os amigos de um grupo de Whatsapp sobre o filme e que já garantiu o ingresso da estreia no pré – venda para poder mergulhar  fundo na produção norte americana.

Obviamente que se tratando de cinema americano há sempre um viés ideológico e discurso nas entrelinhas das “narrativas bem amarradas” que vão muito além da exposição de sua bandeira em cenas de maior impacto.

Ao longo dos 21 filmes da primeira, segunda e terceira fase do Universo Marvel, discursos, mitos e crenças antigas foram reformulados e recontados sob um viés ideológico de que os Estados Unidos é o topo do mundo, enquanto outras nações e culturas são periféricas e protegidas por eles.

Um ponto de vista maniqueísta onde a política americana assume o papel de quem define qual é “do mal” ou “do bem”. Algo conveniente aos seus interesses comerciais

Seja como for… O filme “Vingadores : Ultimato”  já é um fenômeno e deve atrair um grande número de teixeirenses para a prática de uma das atividades culturais mais frequentes na história da cidade: ir ao cinema.

Daniel Rocha da Silva*

Daniel Rocha da Silva* Historiador graduado e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

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