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Teixeira de Freitas 31 anos: Fatos e datas

Por Daniel Rocha e Domingos Cajueiro Correia

Há 31 anos o povoado de Teixeira de Freitas se emancipava do município de Alcobaça e Caravelas depois de mobilizações e conquistas. Veja aqui algumas datas que mostram como se deu o ordenamento político e social da cidade ao longo de seus 61 anos de história e 31 de emancipação.

01 – Em 1950: a  empresa Eliozzipio Cunha parte do município de Nova Viçosa para abrindo as primeiras estradas de acesso ao interior  de Alcobaça e Caravelas , nas margens da estrada aberta surge as primeiras  aglomerações  logo chamada de Comércios dos Pretos e,mais tarde, São José do Rio Itanhém e Tira- Banha.

 

02   – Em 14 de fevereiro de 1957, o povoado de São José do Rio Itanhém foi batizado com o nome de Teixeira de Freitas em homenagem ao ilustre baiano pai da estatística Brasileira.

 

03 –  Em 1962, José Militão Guerra foi eleito o primeiro representante do povoado de Teixeira de Freitas com 50 votos. Tal fato elevou a câmara municipal de Alcobaça à voz e os anseios populares do então povoado sob a administração de Bráulio Nascimento.

 

04 –  Em 1964 foi inaugurada a primeira sala de cinema do povoado, pertencente a José Militão Guerra. O espaço era usado para exibição de filmes, encontros, shows e festas organizadas pela comunidade.

 

05 –  Em 20.10.1964, o DERBA (departamento das Estradas da Bahia) instala na região uma residência com mais de 170 funcionários vindos de diversas partes da Bahia. Primeiro órgão público da futura cidade de Teixeira de Freitas contribuiu para abertura de novas estradas de rodagem que facilitaram o acesso da população a áreas isoladas e à pavimentação das já existentes.

 

06 –  Em 17 de outubro de 1967 nasce a primeira Igreja Batista de Teixeira de Freitas, uma referência para os evangélicos ,batistas, ou, não, que chegavam a ao povoado.

 

07 –  O Jacarandá Country Club foi construído e idealizado por um grupo de amigos em 1974 e inaugurou uma nova era de divertimento e lazer no povoado.

 

08 – Em 1976 formou a primeira turma do  Colégio Estadual Professor Rômulo Galvão (CEPROG) Tanto a escola, erguida pela comunidade, quanto à primeira turma, representou um marco na educação local. Dona Cecília Caires foi a primeira diretora.

 

09 – Baneb– Banco do Estado da Bahia. Primeira agência bancaria do povoado foi inaugurado na década de 1970 e funcionou onde hoje fica o banco Bradesco. Teve como primeiro gerente o senhor Deventil. Contribuiu para o desenvolvimento econômico da cidade ao permitir transações e acesso mais rápido a informações.

 

10-  No dia 23 de abril de 1973 é inaugurada o trecho baiano da BR – 101 que liga Vitória ,no Espirito Santo, a Salvador, na Bahia. A abertura da via federal impulsiona o comércio no povoado e a produção agrícola.

 

11 – A avenida Getúlio Vargas foi pavimentada em 1973, do trevo da cidade até a antiga Casa Barbosa, tendo como engenheiro responsável dr. Otoni do DNER. A pavimentação contribuiu para a melhor mobilidade na cidade.

 

12  –  Em 1974 o então povoado de Teixeira de Freitas passou a contar com os serviços de água encanada ofertado pela EMBASA. A instalação do serviço possibilitou melhoras na questão do saneamento e facilitou a vida de donas de casas que precisavam recorrer a rios, lagos, minadouros para realizar os afazeres domésticos.

 

13 –  Em 1974 é realizada a primeira exposição agropecuária de Teixeira de Freitas. Um grande evento montado para mostrar o potencial da futura cidade. Foi importante por colocar Teixeira na rota dos investimentos da regionais.

 

14 –  Em 1972 é construída e inaugurada a estação rodoviária, hoje, rodoviária velha. Planejada pelo engenheiro Douglas Brito. A estação representou um importante avanço na organização espacial da cidade .

 

15 –  CSU –  Centro Social Urbano, foi Inaugurado em 1979, no governo de Roberto Santos,  tendo como primeira gerente a senhora Marilú. Cursos profissionalizantes , ressocialização , capoeira, dança, musica futebol estão entre as  principais atividades ofertadas.

 

16 – No ano de 1977 a 5º  Diretoria Regional de Saúde DIRES , hoje 9º DIRES , foi transferida da cidade de Caravelas para o povoado de Teixeira de Freitas, tendo como diretora  Maria do Carmo Tambone . A instalação da diretoria contribuiu para o combate a tuberculose , hanseníase e  potencializou o avanço da saúde pública no povoado.

 

17 – O hospital municipal de Teixeira de Freitas foi fundado em 1980, tendo como diretor Paulo Sérgio Alves Barcelos. Primeiro grande hospital estadual da região  ofertando o atendimento clínico básico.

 

18 – A Escola Média de Agropecuária da Região Cacaueira ( EMARC ) , foi inaugurada em 8 de maio de 1980, tendo como diretor Aílton Roque Cardoso Pereira. A escola agriculta funcionou até a década de 2000, onde hoje é o IF Baiano. Auxiliou na formação de profissionais e técnicos agrícolas que contribuíram para a profissionalização da agropecuária e agricultura local.

 

19-  Em 18 de abril de 1983 o Papa João Paulo II muda a sede da Diocese de Caravelas para Teixeira de Freitas, mas essa presença na região tem data na década de 1930, quando padres franciscanos realizavam missas trimestrais na capela da Fazenda Nova América  e da fazenda Cascata.

20 – Em 15 de novembro de 1984 e realizado o plebiscito onde os moradores do povoado de Teixeira de Freitas, dividido pela Avenida Castelo Branco entre Caravelas e Alcobaça escolheram não depender mais das cidades- sede. Importante passo para independência política.

 

21 – A Lei 4.452 foi sancionada no dia 09 de maio de 1985 pelo excelentíssimo governador do estado da Bahia João Durval Carneiro, que reconhece e legítima a criação e emancipação de Teixeira de Freitas BA.

 

22 –  Em 1985, foi realizada a eleição para a escolha do primeiro prefeito,Timóteo Brito, 1985, que assumiria o cargo em 1986. A movimentada eleição deixou eufórica o grande povoado de mais de 50 mil habitantes.

 

23 – No ano de 1990 e inaugurado pelo prefeito Francistônio Alves de Pinto  o Aeroporto 9 de Maio. Quatros anos depois ,1994,o terminal é reconstruído. A construção do aeroporto contribuiu para o desenvolvimento da cidade  e para a oferta de voos regulares e comerciais a partir de 10/09/15, na administração do prefeito João Bosco.

24 –  Em 11 de Novembro de 1991 foi inaugurado o Espaço cultural da Paz, uma entidade sem fins lucrativos que tem com a proposta de ser o lugar aberto à discussão, reflexão, formação vivência, intercâmbio e incentivo a arte e a cultura popular da região.

 

25 – Em 1992  é inaugurada a agência do INSS, que antes ficava na cidade de Caravelas. A  transferência fortaleceu o papel central da cidade-polo . A primeira diretora do setor na cidade foi a senhora Sônia Maria Ribeiro.

 

26 –  No dia 11 de fevereiro de 1992 foi instalada em Teixeira de Freitas  a 183º Zona Eleitoral. Com a instalação, a  Teixeira se  tornou  autônoma também para assuntos eleitorais.

 

27 – Inaugurado em 12 de dezembro de 1996 durante o governo do prefeito Timóteo Brito,  o Shopping Teixeira Mall Center  colocou Teixeira de Freitas definitivamente entre  um dos comércios mais pujantes da região do extremo sul da Bahia, além de apresentar aos Teixeirenses um novo estilo de diversão e entretenimento.

 

28 – Em 1996 a TV Sul Bahia inaugura uma nova era em Teixeira de Freitas. No início, como afiliada da TV Manchete e depois como a primeira do interior da Bahia afiliada ao SBT, levando a televisão a cultura e realidade da cidade e do extremo sul da Bahia.

 

29 –  O legislativo teixeirense ganhou casa própria no dia 28 de julho do ano 2000, durante o governo do prefeito Wagner Mendonça. A câmara municipal instalada na rua Masanory Nagão ,no centro, o futuro e o presente da cidade são decididos.

 

30-  Em 22/10/07 O hospital municipal de Teixeira de Freitas ganhou a primeira unidade de terapia intensiva do baixo extremo sul da Bahia (UTI) no governo de Jaques Wagner.  A unidade possibilitou que cirurgias mais complexas fossem realizadas e diminuiu de forma expressiva o deslocamento de pacientes para outros lugares.

 

31 –  No ano de 2014 foi inaugurada em Teixeira de Freitas a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) no último ano do primeiro governo da presidenta Dilma que trouxe para região o tão sonhado curso de medicina.

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Os Causos da Rua do Brega: Parte 01

Por (Daniel Rocha)

A partir do surgimento do povoado de Teixeira de Freitas, em meados da década de 1950, as margens das estradas abertas pela empresa madeireira de Eleozipio Cunha  e  a abertura da  rodovia federal BR – 101,  dá-se início o processo   de urbanização desta parte do extremo sul da Bahia.

A grande área verde ocupada pela mata atlântica preservada começa a  ser   intensamente desmatada  para  dividir  espaço com a agricultura e  casas de comércios que  dinamizam a economia como um todo. A devastação  favorece a expansão urbana do povoado fundado por  famílias  negras.

Em menos de trinta anos o centro do pequeno povoado, subordinado sucessivamente a Alcobaça e Caravelas, expande atraindo  trabalhadores  de variadas categorias,  oriundos de  diversas parte da região  e dos estados  vizinhos de Minas Gerais e Espírito Santo.

A chegada  do primeiro órgão público estadual do povoado o DERBA – Departamento de Infraestrutura de Transportes da Bahia, em  1964,  aumenta  ainda mais o movimento dos bares e  pensões ali existentes,  muito frequentado por   madeireiros e agricultores locais.

Neste contexto é que surgem as mulheres prostitutas que vendiam os serviços desejados pelos seus clientes nos bares, boates e casas de diversões  na rua Mauá, hoje mais conhecida como a rua do “Brega” ou “Zona do Baixo Meretrício”, no extremo norte do povoado de Teixeira de Freitas e que atendia toda  adjacências.

À rua que  no presente fica no centro da cidade  ofertava e ainda oferta os serviços próprios do ofício ao público masculino interessado, homens trabalhadores solteiros ou casados, cumpridores de suas obrigações.

Por isso para tentar conhecer um pouco mais da rotina do lugar  recorri aos relatos e causos contados pelos  antigos frequentadores que pediram para não ser identificados porque, como se pode imaginar, não gostam de tornar pública as visitas realizadas no lugar. Por essa razão  os nomes que serão citados são fictícios.

Todos os causos narrados pelos ex-frequentadores procurados são carregados de silêncios,nostalgias e anedotas que favorecem ainda mais as especulações sobre o funcionamento do lugar, por isso destaco que os textos  estão  de acordo com as perspectivas e as definições das fontes e pessoas consultadas, assim as versões postas não sendo mentira, são verdades até que se prove o contrário.

Como a versão e lembranças  do senhor “João de Luiz ” que diz que tudo começou com um pequeno bar improvisado  na descida da rua Mauá  “ em um Boqueirão”  em um lugar que além de  uma casa era também uma bar  que era conhecido pela alcunha Café das Flores. O recinto ofertava bebidas e  ás dependências para o usufruto dos clientes.

Através dos  causos contado por este morador é possível conhecer um pouco mais das  tipicidades dos sujeitos do povoado que buscavam  o pioneiro estabelecimento que dizem “abriu precedentes para outros comerciantes do ramo”.

O Causo do Café das Flores

Tudo começou na década de 1950 com a inauguração do Café das Flores, um bar improvisado em uma casa simples no valão depois de onde foi o cemitério antigo próximo a atual rua Afonso Pena.

O povoado de Teixeira de Freitas, que provavelmente nesta época era conhecido por outros nomes, se entendia do trevo da Casa Alves até a praça dos leões, ou seja o Café das Flores ficava em um lugar desabitado do povoado.

Nessa casa bar uma mulher conhecida por Teresa e outras duas mulheres atendiam seus clientes em pequenos quartos anexados. Segundo contam eram poucas mulheres para muitos homens que vinham de diferentes partes do povoado para vender suas produções na feirinha do comercinho.

No Café das Flores “às mulheres eram como mato carrapicho , cortava mas não matava”, por isso eram as preferidas de todos os homens da zona urbana e da zona agrária, clientes que este que usavam cavalos e carroças como transporte para chegar até o recinto.

Se hoje é comum ver diversos carros estacionados em frente as casas de massagens, naquela época eram os animais que se destacavam parados nas proximidades do lugar. O sucesso da casa foi meteórico e por isso não apenas no dia de feira livre, mas também em outros da semana a casa passou a ser procuradas por homens que sempre que chegavam no povoado para vender ou dar alguma coisa para a dona Tereza do comércio.

Segundo a narrativa do causo, por essa razão, não demorou as mulheres, donas de casa e mãe de muitos filhos, perceberem que os maridos tinham outros interesses além de vender produtos na feira.

Tanto que uma delas “mulher de pavio curto” tomada pela fúria da desconfiança, e lembrada por ter perguntado ao marido onde estava indo em um horário estranho. Ele sem titubear contou que estava indo levar uma banana da terra para uma cliente que tinha um ponto perto da feira, ela então com todas as forças, partiu para cima dele o acusando de está ofertando outro tipo de banana no brega.

Atualizado em 08/12/17

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