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Na década de 1980 a juventude de Itamaraju reivindicou espaços

Por Daniel Rocha

Na década de 1980 tudo era diferente, havia outros modos de viver, vestir, dançar e especialmente pensar! Ser jovem era antes de tudo ter que vivenciar e enfrentar as dificuldades sociais de uma época em que não havia políticas públicas destinadas à juventude.  

Com o fim da Ditadura Militar e com a redemocratização em 1985, a sociedade civil ganhou mais liberdade e passou a organizar ações, de todo tipo, para reivindicar um conjunto de sucessivas iniciativas visando a solução de problemas ligados a falta de leis voltadas para os mais excluídos da sociedade.

No extremo sul da Bahia, por exemplo, mostra notícias publicadas no jornal A Tarde, que a juventude da cidade de Itamaraju, então carente de espaços de lazer, esportivos e culturais, se organizaram para reivindicar a construção de um ginásio de esportes e um centro de cultura.

“A verdade é que os jovens fazem um apelo ao governo do estado e a todas as autoridades, que estão voltadas para o papel do jovem dentro da sociedade, para que sejam atendidos por um local, onde possam desenvolver os seus esportes com segurança e tranquilidade. (…) Os que existem na cidade são privilégios para poucos, pois pertence a clubes fechados, quando tem acesso, é coisa rara”, observou o jornal A Tarde de setembro de 1985.

Em outra edição do jornal de 29 de novembro de 1986, que não cita o contexto nacional, ficou registrado que as autoridades não haviam respondido o clamor da juventude que já tomava para si o espaço da Praça Castelo Branco, cidade alta, para a prática de todo tipo de esportes, futebol, vôlei e ciclismo. Provocando dessa forma a comunidade, também, a solicitar soluções.

“Os jovens se queixam que procuram aquele lugar, pela falta de uma quadra para a prática das diversas modalidades esportivas e, por ser ali um local onde todos se encontram aos domingos (…). Comunidade pede providências às autoridades para uma solução dos problemas que estão sendo causados por ali”.  

Antes, em abril de 1986, outra iniciativa da juventude já tinha sido noticiada com destaque, a criação da “Associação Cultural da Juventude de Itamaraju” que dentre outras coisas tinha por finalidade organizar o museu de arte da cidade, promover palestras e seminários, concurso e banda de fanfarras.  

Diante dos fatos apresentados é possível considerar que os jovens itamarajuenses conseguiram chamar a atenção dos governantes e da sociedade, como todo, para o problema da falta de espaços de cultura e lazer na cidade e a necessidade da construção de políticas públicas e leis direcionados aos adolescentes das classes menos favorecidas.

Jovens que só tornaram possuidores de direitos específicos com a promulgação do ECA – Estatuto da criança e do adolescente no início da década de 1990 e o estatuto da juventude em 2013, quando outros modos de viver e pensar começaram ser proporcionados por ações públicas.  

Fontes:

O jovem sob três perspectivas: acadêmica, política e cultural. Silvia Helena Simões Borelli, Rita de Cássia Alves Oliveira, Ana Carolina Viestel, Laguna, Ariane Aboboreira e Maria Carolina Silva Fernandes dos Santos. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP. 2008

Jovens querem áreas de lazer. Evandro Lima. A Tarde, 18/09/1985. Acervo do site tirabanha.

Jovens criam museu de Itamaraju. Evandro Lima. A Tarde, 18/04/1986. Acervo do site tirabanha.

Associação de Jovens de itamaraju. Evandro Lima. Jornal A Tarde, 29/02/1986. Acervo do site tirabanha.

Foto: Praça de Itamaraju. Ano e autor desconhecido. Fonte: Site IBGE.

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X. Latees.

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

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Veja também: ANOS 1990 EM TEIXEIRA DE FREITAS: A GAROTA MAIS BONITA DA CIDADE

Teixeira de Freitas: Greve Geral 2019

Por Daniel Rocha

Contra a reforma da previdência e os cortes na educação foi realizada na sexta-feira 14 de junho, uma greve geral que parou as principais cidades do país.

Em Teixeira de Freitas, BA, houve manifestações na BR-101 e centro da cidade, organizada pelas centrais sindicais, movimento estudantil e sociais, que fizeram lembrar a causa da greve geral por meio da mobilização das ruas. Professores da Uneb também protestaram contra medidas do governo Rui Costa (PT).

As mobilizações foram mais expressivas na parte da tarde e início da noite em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador, entre outras . A repercussão maior na impressa foi o impacto da greve no setor de transportes.

Dessa forma, estima-se que as manifestações e a greve desempenharam um papel importante e deve influenciar os rumos e fortalecer a oposição a proposta  de austeridade do governo Bolsonaro (PSL).

A crônica de Drummond de Andrade em defesa do povo Pataxó

Por Daniel Rocha

Na década de 1980 a violenta expulsão do povo Pataxó hã- hã -hãe da reserva nativa Caramuru-Paraguaçu, localizada no município de Itaju do Colônia, Camacan e Pau Brasil, chamou a atenção do escritor Carlos Drummond de Andrade que escreveu uma crônica pedindo paz para os  nativos ameaçados e escorraçados da reserva localizada no sul da Bahia.

Segundo o jornal o Estado de São Paulo ,de junho de 1982, representantes da FUNAI e da Associação Nacional de apoio ao índio- ANAI – seguiram na data para o sul da Bahia depois de serem notificados que fazendeiros tentavam tomar a força de parte do que restou das terras da reserva Caramuru-Paraguaçu, há pouco tempo demarcadas pelo governo Federal.

As notícias também davam conta que na ocasião a Polícia Federal havia abandonado a aldeia dos índios Pataxó, onde faziam a segurança da tribo, descumprindo com termos do Estatuto do índio, em vigor na época, que obrigava o Estado realizar a segurança dos nativos em casos de ameaça deste tipo.

Conforme denúncia da Associação Nacional de Apoio ao índio da Bahia, ANAI-BA, publicada no jornal paulista, os nativos que há 52 anos possuíam 50 mil hectares de terras na região naquele momento ocupavam apenas 12 mil hectares e a diminuição estava relacionada à distribuição ilegal de títulos de propriedade aos fazendeiros pelo governo do estado na década de 1970.

Nativos expulsos da reserva em 1982. Jornal Estado de Minas

Ainda de acordo com a nota divulgada à imprensa pela associação o Estado, através de políticos ligados ao governador Antônio Carlos Magalhães, agia em comum acordo e além de pressionar em favor dos fazendeiros e “grileiros” também tentavam caracterizar o povo Pataxó como invasores e não proprietários das terras da reserva.

Diante das notícias sobre as tensões entre os nativos e os grileiros no sul da Bahia, o poeta Carlos Drummond de Andrade escreveu na “Coluna Itinerante” no Jornal do Brasil, uma crônica intitulada “Pataxós” onde critica ,a partir de uma visão social comum, a expulsão dos nativos da reserva e a reação dos mesmos. Um retrato comentado do tempo e da época captado por ele. Assim escreveu o poeta:

Por favor, deixem os pataxós em paz, no chão que é deles, e que estão querendo tomar. Dizem que em benefício de um partido político interessado em agradar fazendeiros. Não faz sentido mudar quem mora no que é seu e está garantido legalmente pelo estatuto do Índio.

Os pataxós que resistem à remoção absurda não são agitadores políticos. Fazem apenas aquilo que todo sujeito morador na sua casa deve fazer se um intruso tenta invadir – lhe o domicílio. A propriedade existe também para os índios – ou há quem ainda não sabe disto?

Abandonados pelo IBAMA e a FUNAI o povo Pataxó resistiu até o ano seguinte, 1983, quando a questão foi parar na justiça. As tensões entre os fazendeiros ,grileiros, e os nativos persistiram durante toda a década de 1980, 1990 e 2000.

Nesse período inúmeros confrontos foram registrados enquanto a questão sobre a posse ficou por anos aguardando a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STF) que, somente em 2012, decidiu pela manutenção dos nativos pataxós nas terras das fazendas localizadas dentro da reserva natural.

Veja também: A atuação do grileiros no extremo sul da Bahia durante a ditadura.

FONTES:

Pataxó vão às Justiça. O estado de São Paulo, 25 de novembro de 1982.

Pataxó. ANDRADE. Carlos Drummond. Jornal do Brasil, caderno B, edição de 09 de outubro de 1982. página 08. Acervo site tirabanha. com.br

Comissão vai à BA para recuperar terra indígena. O estado de S. Paulo. Pg de 06 junho de 1982.

Índios denuncia violação do estatuto pelo DPF. Jornal de Brasília 10 junho de  1982

A remoção forçada do povo Pataxó Hã-Hã-Hãe. Disponivel em: https://terrasindigenas.org.br/pt-br/noticia/179974

Terra indígena Caramuru-Paraguaçu. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Terra_ind%C3%ADgena_Caramuru-Paragua%C3%A7u

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

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Ofícios dos trabalhadores e trabalhadoras na história de Teixeira de Freitas II

Continuação do texto anterior….

06 – MODISTA: Modista era o nome que se dava aos alfaiates que trabalhava com  a encomenda de roupas, calça, ternos, vestidos e roupas para festas. Geralmente trabalhavam em casa e com máquinas movida por força humana. Atendia todos os tipos de classe. Também atendia encomendas de roupas fúnebres, mortalhas, e religiosas, casamentos e batizados. Em Teixeira de Freitas vários exerceram e exercem esse ofício, aqui vamos lembrar  do Cabo Marques e Dona Guiomar que atuaram nas décadas de 1950 e 1960 no centro do povoado de Teixeira de Freitas em uma época que havia pouca ou quase nenhuma loja de roupa. O tecido para confecção eram adquiridos nos armazéns nas cidades de Alcobaça, Caravelas, Nanuque, Medeiros Neto e Teófilo Otoni ou nas miscelâneas da fazenda Nova América e Cascata.

08 – FABRICANTE DE REDES E TARRAFAS: As redes e tarrafas geralmente era feito por trabalhadores ligados ao ramo da pesca que além da venda de peixes dedicavam à fabricação dos instrumentos necessários. No povoado de Teixeira de Freitas nas décadas de 1950 e 1960, Antônio de Roxa e João Serafim são os mais lembrados pelos moradores que viveram essa época como Ivo Nascimento Correia, anda hoje residente da histórica fazenda Nova  America.

09 –  PADEIRO –   Um dos padeiros mais lembrados da cidade é o João Palmeira Guerra ao qual é atribuído o título de pioneiro do ramo, tendo instalado sua padaria nas mediações da Praça dos Leões onde atuou aproximadamente até a década de 1970. Além dos tradicionais pães de sal e doce, também comercializa biscoitos de goma e chimango.

10 – FAZEDOR DE CAIXÕES FUNERÁRIOS: Nas décadas de 1950 até as décadas de 1960,1970 não havia casas que comercializavam caixões funerários por perto. Diante dessa realidade entrava em cena os fazedores de caixões, pessoas da comunidade que dominavam a arte da carpintaria, talhar madeira e construção do utensílio mortuário. Na construção era considerado alguns aspectos como distância a ser percorrida até o cemitério, geralmente era levado apenas por homens, e a madeira adequado, leve e resistente. Nesse parte da antiga delimitação dos municípios de Alcobaça e Caravelas de onde se originou o povoado e mais tarde cidade de Teixeira de Freitas, o sanfoneiro Pedro Lopes, o especialista em cortes “Baduca” e embaixador da festa de São Sebastião “Chicão” eram os mais requisitados da região.

10 – CURTIDOR – e o profissional perito na arte de curtir, converter peles de animais em couros. Na década de 1960 a atividade foi praticada de forma intensa na Fazenda Nova América, onde hoje é possível ver  ruínas do antigo curtume de Clodoaldo Freitas Correia. A pele curtida era adquirida dos caçadores locais depois couro de gado do matadouro da Fazenda Cascata. Os trabalhadores eram em sua maioria homens que aproveitavam as correntes do Rio Itanhém para limpar e curtir o produto que era exportado  pelo Isael de Freitas Correia para Caravelas, ou vendido para os artesãos de Juerana “Cajá” especialista em calçados e bolsas femininas e o artesão “Cadete” especialista em arreios para animais.

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X. Latees.

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Foto: Praça da Prefeitura inicio da década de 1970. Dias produções.

Teixeira de Freitas 34 anos: frases sobre a cidade I

Em comemoração aos trinta 34 anos de emancipação de Teixeira de Freitas o site tirabanha preparou uma seleção especial com  algumas frases ditas por pessoas, conhecidas ou não, que revelam o cotidiano, as transformações e a admiração de moradores, autoridades e artistas pela cidade. Você confere aqui em primeira mão.

“O humilde povoado formado inicialmente por famílias negras, conhecido às vezes pelo nome de Mandiocal ou Comércio dos Pretos, não apresentava perspectiva de crescer.”


Jeová Franklin de Queiroz, justificando a ausência do povoado de Teixeira de Freitas na lista elaborada pela enciclopédia dos municípios de 1958 editada pelo IBGE, 1985.

“Hoje estou feliz, encontrando uma população de 30.000 habitantes…Aqui, prometo, colocarei a luz de Paulo Afonso!” 


Governador Antônio Carlos Magalhães na segunda visita ao povoado de Teixeira de Freitas. Ano de 1974.

“Vou logo perguntar a quem me contratou quando ele vai me trazer de volta, porque não dá pra ficar muito tempo sem ver vocês.”


 Ivete Sangalo durante show realizado  no parque de exposição de Teixeira de Freitas em 2012.

“Estou visitando aqui, pela primeira vez, e achei a cidade linda. Estamos em reunião de patriotas e falaremos de costumes, desenvolvimento, cultura, esporte. Estamos unidos, não só de sangue, como culturalmente. Nosso intercâmbio é de coração, de amor e fraternidade.”


Toshio Watanabe, Cônsul Geral do Japão, em visita especial à colônia japonesa da cidade no ano de 2009.


“Esse é um projeto inovador que vai beneficiar todo o extremo sul. É um templo de cidadania e dignidade para nossa juventude.”

Governador Jaques Wagner (PT) após assinar o termo de cooperação técnica que possibilitou a implantação na cidade da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB)


“Hoje eu tenho um filho de leite que é rico e não vem mais me visitar, dei leite para ele porque a mãe estava com o peito seco e mandou me buscar. Eu não cobrava porque leite de peito não pode vender, tem que dar, dei durante uma semana, a mãe foi botando no peito até poder dar.”

Vitória lemos, 80 anos, foi ama de leite durante a década de 1970 em Teixeira de Freitas falando sobre o ofício.

“Quero agradecer ao prefeito deste município pela estrutura do hospital, pelos recursos, que apesar de ser uma cidade pequena, dispõe de uma aparelhagem excelente, e há equipe médica que atenderam as vítimas e deram o melhor de si por eles.”

Coronel do Exercito Brasileiro, Heitor Leite, na solenidade de agradecimento ao prefeito municipal Padre Aparecido Rodrigues, em virtude do atendimento aos alunos da Escola de Formação Complementar do Exército Brasileiro (EsFCEx), após o acidente com o ônibus que transportava os alunos da escola, na BR-101 em 2011.

“Quem iria imaginar que Teixeira de Freitas crescesse tanto? Quando chequei aqui era tudo mata em roda. As onças faziam tocaia. Chegamos a matar surucucu no meio da rua, aqui na praça, onde está o jardim.” 

Pedro Guerra, em entrevista a publicação do Banco do Nordeste, 1985.

Veio Manoel de Telvina e botou um boteco entre onde hoje é a padaria Shirley e a Casa Moberck e ficou ali vendendo sua cachacinha. O povo foi fazendo casinha dum lado e de outro”.

Sr. Servídio do Nascimento Correia em entrevista a revista Regional Sul em 1992.

Daniel Rocha da Silva*

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Ofícios dos trabalhadores e trabalhadoras na história de Teixeira de Freitas I

Por Daniel Rocha e Domingos Cajueiro Correia

Ao longo destes trinta e quatro anos de emancipação, em paralelo aos “fatos históricos” e “tradicionais narrativas” de “fundação e de grandes feitos”, os trabalhadores exercerão suas funções e mantiveram o funcionamento mecânico da sociedade teixeirense, por hora de forma discreta, por hora com grande destaque, fortalecendo a dinâmica e o comércio local que é a base da nossa economia. Hoje, apresentamos alguns desses para vocês.

01 – FAZEDOR DE CORDAS.  Quando Teixeira de Freitas ainda fazia parte do interior dos municípios de Caravelas e Alcobaça, antes do surgimento do primeiro núcleo que deu origem ao povoado, alguns moradores das comunidades rurais próximas trabalhavam como “cordeiros”.

O trabalho do “cordeiro” consistia em retirar e cortar a Guaxima, planta nativa da região, colocar em um cocho de água até pubar para retirar as amarras que eram reunidas em fardos para serem vendidas e exportados para cidades como Salvador e Recife , pela empresa Baiana de Navegação, e para a cidade Mineira de Teófilo Otoni ,pela estrada de ferro Bahia e Minas. Dentre os diversos prestadores deste serviço destacamos o trabalho do Sr. Servídio Nascimento Correia, extrativista, e do comprador e exportador Pedro Muniz.

02 – EXPORTADOR DE COURO. Tal como o “cordeiro” o exportador de couro ,que também era conhecido como exportador de peles, 1940 e 1960, exportava sua produção para os grandes centros comerciais da época através da Estrada de Ferro Bahia e Minas (EFBM). Dentre os que exerciam essa função destacamos o nome de Alírio, cujo sobrenome não foi identificado, que comprava em nossa região, entre 1950 e 1960, couro tratado de Gato-do-mato (Jaguatirica), Onça, Lontra e Veado. Os maiores compradores ficavam na cidade de Nanuque (MG) e Teófilo Otoni (MG) e na baiana Caravelas.

03 – ARMEIRO. Profissional que reparava, modificava, projetava e fabricava armas artesanais. Nas décadas de 1950 e 1960, no povoado de Teixeira de Freitas, o negro Duca Ferreira exercia o ofício. Por isso era muito procurado nas redondezas do povoado de Teixeira de Freitas para reparos em espingardas, faca, ferro de gado. Outro que também era conhecido pelos serviços era o ferreiro senhor Vespasiano do qual não obtivemos maiores informações.

04 – CARPINTEIRO.  Nas décadas de 1930,1940 e 1950 um dos carpinteiros mais solicitado da região pelas fazendas próximas, como Cascata e Nova América, se chamava Manoel de Adelaide da fazenda “Bomtequando.”  O carpinteiro além de atender chamados e encomendas também formava meninos entregues a seu cuidado para trabalhar e aprender o ofício. Seus discípulos, Baduca, Pedro Ratinho, Pedro Lopes, José Thomaz, também são lembrados pelos bons serviços prestados e destaque na profissão. O carpinteiro Manuel de Adelaide era considerado o “Aleijadinho” da região, algumas de suas obras podem ser vistas no sítio histórico da fazenda Cascata.

05 – PARTEIRAS. Antes da atuação dos primeiros médicos e a abertura dos primeiros hospitais em Teixeira de Freitas na década de 1970, havia outras formas de parir e nascer, nessa realidade as mulheres gestantes recorriam às parteiras existentes em toda parte da cidade e do município, das quais registramos o fazer de Dona Benedita e Dona Francisca que atuou nas comunidades rurais da década de 1940, Dona Antônia Carlota e Dona Adalgisa na década de 1950. Maria de Lourdes cajueiro e Ana de Torquato nas décadas de 1960 e 1970, dentre outras tantas que exerciam o ofício sem cobrar um centavo.

Continua nas próximas postagens.

Daniel Rocha da Silva*

Daniel Rocha da Silva* Historiador graduado e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

Domingos Cajueiro Correira é memorialista e colaborador do site.

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Crédito das Fotos: Foto Fazenda Cascata 1996. Acervo Pessoal.

O extremo sul da Bahia e o Dia internacional dos Trabalhadores de 1988

Por Daniel Rocha

No Brasil, o 1º de maio é o “Dia internacional dos Trabalhadores e trabalhadoras”. Dia de celebrar vitórias e conquistas favoráveis aos trabalhadores do campo e da cidade. Em 1988 trabalhadores do extremo – sul da Bahia, por exemplo, aproveitou a data para manifestar e exigir uma sociedade mais justa, igualitária e cidadã.

No dia 1º de maio de 1988, nos municípios de Teixeira de Freitas, Itanhém, Itamaraju  , Eunápolis e Guaratinga manifestações populares tomaram as ruas e praças dessas cidades dando voz aos trabalhadores indignados e oprimidos pela miséria, remuneração ruim e política econômica desfavorável a geração de empregos, seguridade social e aos mais pobres.

As manifestações, nos diversos municípios, concretizaram-se de várias formas, ora através de passeatas, atos públicos, encenações teatrais, música, palavras de ordem e discursos proferidos por lideranças de várias entidades sindicais presentes nos atos.

Durante as manifestações os trabalhadores lançaram mão de toda a sua criatividade e organização para mostrar o repúdio dos trabalhadores a incompetência do então presidente José Sarney (PSDB) com os trabalhadores e trabalhadoras da região e do país.

“Nas ruas e praças públicas, todo o seu repúdio à incompetência e desinteresse do governo da ” Nova República” para com a classe trabalhadora. Mostraram, também, todo o anseio desta mesma classe em poder governar melhor este país e tirá-lo da miséria em que ele se encontra”, destacou o Jornal do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.

As manifestações reuniu no mesmo lugar trabalhadores do movimento Sem Terra, Bancários, professores, estudantes, comerciários, eletricitários, Movimento de Mulheres, representantes do centro de Defesa dos Direitos Humanos, Comissão de Justiça e Paz, Central Única dos trabalhadores ,CUT, e  partidos de esquerda, PT e PSB, pessoas do campo e a cidade.

Com reivindicações diversas o trabalhador ao sair às ruas não estava apenas manifestando contra a política do governo, mas também se organizando para lutar por uma constituição de fato cidadã, que estava sendo elaborada pela Assembleia Nacional Constituinte de 1987-1988, instalada no Congresso Nacional, em Brasília, com a finalidade de elaborar uma Constituição democrática para o Brasil.

Tal qual que os temas relacionados aos direitos, melhoria dos salários das trabalhadoras, aposentadoria e saúde, moradia e o protagonismo das mulheres nos sindicatos, dentre outros, foram debatidos no 1º encontro de Trabalhadores Rurais do município de Teixeira de Freitas, realizado 14 dias depois das manifestações, 15 de maio, com a presença de 53 mulheres de todas as delegacias sindicais rurais do município.

A nova constituição da República Federativa do Brasil, foi aprovada pela Assembleia Nacional Constituinte em 22 de setembro de 1988 e promulgada em 5 de outubro de 1988 e ficou conhecida como “Constituição Cidadã” e não apenas restaurou a democracia interrompida pelo golpe Militar de 1964, como também garantiu que alguns direitos sociais relegados a poucos fossem socializados.

Com a nova Constituição segmentos da sociedade historicamente ignorados como; os negros, indígenas, pessoas com deficiências, idosos, mulheres, adolescentes, crianças e trabalhadores comuns, passaram a ser alcançados por programas sociais e leis específicas de proteção, alguns já perdidos com a “reforma” trabalhista de 2017, outros seguem ameaçados pela proposta de reforma da previdência de 2019.

Fontes:

Baianos vão às ruas. Jornal dos Sem Terra, nº 73. Maio de 1988.

Organizar para luta. Jornal dos Sem Terra, nº 73. Maio de 1988.

. 12 Pontos em que o trabalhador foi prejudicado pela reforma trabalhista.Jefferson Ricardo de Brito. – Veja mais em: https://direito24hs.jusbrasil.com.br/artigos/490163939/12-pontos-em-que-o-trabalhador-foi-prejudicado-pela-reforma-trabalhista

Nova Previdência dificulta acesso e pode aumentar pobreza, diz economista… – Veja mais em https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2019/02/21/especialistas-avaliam-reforma-previdencia.htm?cmpid=copiaecola

Reforma da Previdência de Bolsonaro prejudica mais as mulheres, diz Dieese… – Veja mais em https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2019/03/08/dieese-reforma-da-previdencia-mulheres.htm?cmpid=copiaecola

BATISTUTE, Jossan. Direito e Legislação Social. PARANÁ. Londrina: editora Unopar, 2009.

Foto. Manifestação de lavradores em Itamaraju.  Abril de 1988. Jornal dos Sem Terra, nº 83. Maio de 1989.

Daniel Rocha da Silva*

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Teixeira de Freitas 34 anos: fatos incomuns

Por Daniel Rocha

Já pensou: em um hospital funcionando em um mercado municipal? Aulas ministradas em um cinema? Pegar o CEP do povoado vizinho emprestado? Essas foram uma das soluções encontrada pelos teixeirenses da década de 1970 para superar algumas dificuldades estruturais de um passado nada comum.

Por exemplo, no  início da década de 1970 quando a prefeitura de Alcobaça transferiu os feirantes e a feira que era realizada aos domingos na Praça dos Leões para um pequeno Mercado Municipal construído na Praça da Bíblia pela administração alcobacense.

No lugar os feirantes incomodados com a localização e as taxas  cobradas optaram por ocupar a área onde hoje fica o Mercado municipal, mais conhecido como “Mercadão” e no mercado abandonado na praça da Bíblia ,de forma atípica, foi improvisado um hospital que atendeu durante sete meses até que as obras do SOBRASA, não público, fossem concluídas.

Outro fato excepcional foi o início das atividades de uma das primeiras escolas da cidade, o CEPROG. Fundada pela sociedade teixeirense e pelo Bispo D. Filipe “a Escola Cruzeiro do Sul,” batizada politicamente de Escola Estadual Professor Rômulo Galvão, foi inaugurada oficialmente em 01/03/1973.

Ocorre que enquanto a escola era erguida as primeiras aulas do ano letivo foram realizadas no “Cine Elizabeth” de Militão Guerra. O local que serviu de escola por um período  além de exibição de filmes era também o salão de festas do então povoado, na época dividido entre dois municípios, Caravelas e Alcobaça.

Essa divisão oficial trazia alguns desafios e transtornos  para os moradores, como o fato de haver coleta de lixo em um lado e no outro não é a existência de apenas um código postal para ambos.

Contudo essa divisão oficial não funcionava na prática, informação do Guia postal brasileiro de CEP de 1979, dos Correios, permite deduzir que o povoado de Teixeira de Freitas embora dividido compartilhava o mesmo CEP (45990) que era também o da cidade de Alcobaça, ou seja, em Teixeira no território caravelenses usavam o do vizinho. Isso mostra que os habitantes interagiam como um só povo.

Os fatos incomuns apresentados revelam algumas ausências e ações do estado na década de 1970 e o modo como a sociedade e as instituições se organizou para atender suas necessidades e burlar  a falta do poder público local. Convém dizer que essas “ausências” e “providências” também fizeram emergir “lideranças políticas” que extraíram das situações, possibilidades, posições políticas e poder… Fato nada incomum nos dias atuais.

Fontes:

GUERRA, Jaison C. Pereira; SILVA. Leonardo Santos. O processo de emancipação política de Teixeira de Freitas (1972-1985). UNEB 2010.

HOOIJ, Frei EliasOs desbravadores do Extremo sul da Bahia. História da presença franciscana nessa região – raízes e frutos

Guia postal brasileiro de CEP de 1979, Correios Brasileiro.

Foto: Praça dos Leões década 1980. Whatzaap

Daniel Rocha da Silva*

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O Bispo líder contra a Ditadura Militar em Teixeira de Freitas

Por Daniel Rocha*

Obviamente destacar apenas acertos de uma pessoa nos aproxima do idealismo, mas quando esses acertos estão relacionados com um combate social falamos não apenas de um homem, mas também da luta de uma classe.

Dom Filipe Tiago Broers, Bispo de Caravelas, entre os anos de 1962 a 1983, e sua militância em favor dos mais fracos é um exemplo disso que estamos falando. Sua atitude e postura diante dos confrontos e disputas de terra no Extremo Sul da Bahia entre as décadas de 1970 e 1980 é uma mostra de um justo posicionamento.

No período final da Ditadura Militar no Brasil, 1979 – 1985, que em sua totalidade abarcou os anos de 1964 – 1985, a Igreja Católica no Extremo Sul da Bahia se posicionou em favor dos pequenos proprietários de terras e posseiros ante a truculência dos grileiros e agentes do Estado denunciando aos jornais e através do Informativo/Boletim diocesano a repressão ocorrida em Teixeira de Freitas e região.

Como a denúncia da prisão de 37 lavradores na cadeia do povoado de Itabatã em decorrência da disputa pela terra no Córrego das Ostras em Mucuri e a invasão da residência dos padres em Teixeira de Freitas em 1980.

Os fatos relacionados acima foram pesquisados pelos historiadores, Liliane Maria Fernandes Cordeiro Gomes, Leonardo do Amaral Alves e Leonardo Dantas D’icarahy e mostram que o posicionamento da igreja e do bispo está relacionado às intenções do governo militar e baiano em promover a expansão agrícola da região de forma predatória e violenta.

Na dissertação Experiências forjadas a ferro e fogo: religiosidade, organicidade e luta pela terra no Extremo Sul da Bahia no contexto da Ditadura Civil-Militar (1978-1985),o historiador Leonardo Amaral observa que essa expansão buscava atender a ampliação das fronteiras agrícolas, viabilizar os empreendimentos agroindustriais e empresas que combinavam capital público e privado através da prática da grilagem, de uso excessivo da força contra os posseiros e pequenos proprietários.

Como já dito, pelos motivos citados o bispo, através da Diocese de Caravelas, fez uso de sua posição institucional para denunciar através de cartas enviadas a alguns dos principais jornais da Bahia e do Brasil como o Jornal do Brasil, Jornal da Bahia, A tarde e do Informativo / Boletim Diocesano o que vinha ocorrendo na região.

Segundo Leonardo Dantas, na dissertação O Sonho da Terra: Trabalhadores Rurais e o Surgimento do MST na Bahia (1975-1989) o Boletim Diocesano era distribuído de porta em porta no então povoado de Teixeira de Freitas. Provavelmente por pessoas da comunidade. O fato incomodou um dos grileiros, um mineiro recém-chegado à cidade e que reivindicava a posse da terra do Córrego das Ostras e tentava retirar os posseiros de muitos anos estabelecidos no lugar alegando ser o dono.

Como já dito, outro meio escrito de denúncia utilizado pelo Bispo eram as cartas enviadas a diferentes autoridades dentro e fora do país, além de jornais. Em uma carta publicada no Jornal do Brasil de 27/10/1980, por exemplo, ele destacou a violência da polícia e dos grileiros contra 37 trabalhadores, gente humilde, cujas terras se encontravam em litígio, através de “Prisões ilegais e maus tratos” e uma funesta caçada humana.

“Nessas condições desumanas ao extremo, alguns dos lavradores adoeceram e foram retirados da cela e jogados no corredor. Um deles estava com muitas queimaduras, pois a polícia, oficial de justiça e os grileiros o cercaram de fogo para prendê-lo, dizendo que assim caçavam o coelho. Assim queimando e com muita febre, ficou preso sem nenhuma assistência das autoridades e dos policiais (…). Que tomem medidas para a solução desses graves problemas. Que a situação dessas terras seja definida e ,sendo devolutas, se destinem aos posseiros e as famílias mais necessitadas. Que toda pessoa receba um tratamento justo mesmo na cadeia.”

Como traz  a historiadora Liliane Maria Fernandes Cordeiro Gomes no artigo, Diferentes Frentes de atuação no campo social da diocese Teixeira de Freitas/Caravelas no Extremo Sul da Bahia  – 1952/1985 ,ao citar e analisar a carta, o Bispo  não repudiou apenas o modo que os detidos eram tratados,  mas também a invasão da residência dos padres em Teixeira de Freitas ocorrida no dia 07 de outubro de 1980.

Segundo cita Gomes, a invasão da residência, que fica ao lado da “Igrejinha Subterrânea,”  foi feita por grileiros e policiais “armados com ostentação” que entraram sem pedir licença e sem nenhuma consideração e respeito pelos moradores e donos da casa, obrigando um animador da comunidade e da igreja assinar declarações e acusações numa folha em branco. “Um  acontecimento que vinham ocorrendo de forma corriqueira em toda região do Extremo Sul da Bahia, segundo Dom Felipe”.

A atuação do bispo incomodou não apenas os poderosos da cidade e da região, mas também os militares que ocupavam o poder. Segundo Leonardo Amaral a partir da análise dos documentos da espionagem do Serviço Nacional de Informações (SNI) o bispo foi acompanhado e monitorado por agentes do regime atentos ao trabalho desenvolvido na diocese junto aos movimentos sociais e trabalhadores.

“D. FELIPE é radicalmente contra o governo brasileiro, aproveitando os sermões para fazer críticas contundentes, inclusive incitando a população a subverter a ordem […] O Sindicato dos Trabalhadores Rurais, cuja criação será oficializada em 19 Abr 79, praticamente já tem seu primeiro presidente indicado por D. FELIPE. Haverá tão somente uma eleição para homologação do candidato único […]”. Diz parte do documento confidencial de 1979 citado por Leonardo  do Amaral.

Convém lembrar que como um defensor da democracia, igualitário, o Bispo Filipe Broers era contra a  Ditadura Militar e não contra o país e que diante da situação imposta: defender os direitos humanos, o Bispo, se portou como um bem-aventurado que não se intimidou ,mesmo sob ameaça de homens armados, para defender aqueles que só tinham como fonte de renda seus pequenos cultivos.

Fontes e créditos

ALVES. Leonardo Amaral.  Experiências forjadas a ferro e fogo: religiosidade, organicidade e luta pela terra no Extremo Sul da Bahia no contexto da Ditadura Civil-Militar (1978-1985). Dissertação ( Mestrado em História) –  Universidade Estadual de Feira de Santana. Feira de Santana. Bahia. 2017.

D’ICARAHY. Leonardo Dantas.  O Sonho da Terra: Trabalhadores Rurais e o Surgimento do MST na Bahia (1975-1989). Dissertação ( Mestrado em História) – Universidade Federal da Bahia.  Salvador. Bahia. 2018.

GOMES, Liliane Maria Fernandes Cordeiro Gomes.Diferentes Frentes de Atuação no Campo Social da Diocese de Teixeira de Freitas/ Caravelas no Extremo Sul da Bahia – 1962 – 1985. In : AÇÃO COLETIVA E TERRITORIALIDADE: dinâmicas, práticas, significados e abordagens. Agripino Souza Coêlho Neto: Celia Basconzuelo e María Virginia Quironga ( Org). – Salvador: EDUBEB, 2016.

Bispo de Caravelas faz denúncia de violência contra posseiros baianos. Jornal do Brasil. 27/10/1980. Salvador

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X. Latees.

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

 

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O “Elefante Branco” de Teixeira de Freitas

Por Daniel Rocha*

Você sempre perguntou, mas nunca obteve uma resposta: o que é mesmo aquele enorme galpão localizado em frente ao cemitério Jardim da saudade em Teixeira de Freitas? Quando foi construído? Para qual finalidade?  

Obviamente que estamos falando do Armazém da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) estatal criada em 1991 a partir da fusão das extintas Companhia Brasileira de Alimentos (COBAL) e Companhia ‘Brasileira de Armazenamento (CIBRAZEM) erguido entre 1986 e 1987 com a finalidade de armazenar os grãos oriundos da agricultura local .

Construído durante o governo de José Sarney (PMDB) o armazém que fica localizado na Avenida Euclides da Cunha nº 270 – no bairro Nova Teixeira é chamado popularmente por alguns de “Elefante Branco” (obra públicas sem utilidade).

Segundo noticiou o jornal o Estado de São Paulo de outubro de 1987, pairam suspeitas sobre o processo de licitação e construção do galpão, em um só dia a empresa recebeu a oferta, analisou, aprovou comprou e pagou dois armazéns no valor de 100 Milhões de cruzeiros para os municípios baianos de Teixeira de Freitas e Ribeira do Pombal. Destacou:

“Preocupada com a aproximação da safra, a empresa dispensou a concorrência pública, conforme lhe faculta a lei quando se trata de uma aquisição de urgência. (…) As duas unidade  com área suficiente para armazenar 2 mil toneladas de grãos. Especialistas em construção civil sustentam que os dois armazéns poderiam ter ficado pela metade do preço se fossem construídas em alvenaria”.  Sublinhou o jornal

No título da notícia, CIBRAZEM: elogio à “eficiência”, é plausível a ironia do periódico que por alguma razão não cita os nomes dos políticos ou ruralistas envolvidos no processo de reivindicação ou liberação. Carregado de silêncios o assunto é tratado apenas como um acontecimento relevante para o conhecimento do público.

O galpão foi construído no mesmo período em que a “Máfia dos Grãos” formada por ruralistas e políticos foi formada “através da liberação de subsídios dados a correligionários políticos de ministros e do presidente da república para a construção dos Armazéns” sob o argumento que era preciso diante das expectativas das super safras agrícolas de 1986 a 1988 ”. Denunciou reportagem do Diário do Congresso Nacional de 18 de junho de 1994.  

Na época em Teixeira de Freitas à política e o agronegócio “andavam juntos”, contudo foi encontrado documentos que associa a construção do armazém em Teixeira de Freitas às denúncias do CTU sobre a chamada Máfia dos Grãos, nesse sentido qualquer aproximação deve ser compreendida como mera suposição.  

O que é factível e que em 1987 a região enfrentou uma estiagem sem precedentes e que no período de 1986 a 1990 a expansão agrícola diminuiu sob o avanço do negócio do Eucalipto na região, ou seja, um cenário não favorável as grandes safras agrícolas e consequentemente um retorno possível do investimento feito na construção do Armazém, considerado “antigo” por um político local, cinco anos depois da construção.  

Em 1992 foi cogitado converter o lugar em um ginásio de esportes ,reivindicação dos jovens da cidade, e também transformar o lugar em um centro de distribuição da estatal estadual Cesta do Povo, nenhuma das alternativas foram concretizadas.  

No presente, abandonada em plena área urbana, o armazém que pertence ao governo federal não serve nem para ponto de referência ,já que o cemitério cumpre bem essa função, foi transformado em um lugar público sem utilidade, ou seja, em um grande “Elefante Branco”.  

Fontes :

Informações sobre o processo de licitação

Cibrazem: elogio à “eficiência” O estado de São Paulo. 15 de outubro de 1987. Agência estado. DF

Informações sobre a Máfia dos grãos

COSTA. Raimundo. Alimentos desviados do governo seriam suficientes para alimentar 40 milhões de pessoas por um ano. Diário do Congresso Nacional. Seção I, Ano XLII,  18 DE JUNHO DE 1994. DF.

Informação sobre a queda da expansão agrícola 1985-1990.

KOOPMANS. Padre José. Além do Eucalipto: O papel do Extremo Sul. 2005.

Informação sobre a consideração de fazer uso do espaço como depósito da Cesta do Povo e ginásio de esportes.

Revista Regional Sul. Teixeira de Freitas – Bahia. Março de 1992.

Estiagem que prejudicou a safra agrícola.

LIMA, Evandro. Estiagem preocupa agricultores. Jornal A tarde. 28/10/1987.

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X. Latees.

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