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Nova Viçosa 1884: A fuga dos escravos e a morte do fazendeiro

Por Daniel Rocha

A abolição da escravatura no Brasil não foi fruto apenas da assinatura da Lei Áurea em 1888, mas também da luta e resistência dos negros escravizados em todo país. Revoltas, atos violentos, rebeliões, fugas e insurgência foram formas mais recorrentes de resistência da população negra.

Elemento dessa forma de resistência podem ser conhecidos através dos registros policiais da época, como por exemplo, do assassinato de José Antônio Venerote “o fazendeiro mais próspero e poderoso da Colônia Leopoldina” ,Helvécia, em uma roça na Fazenda Mutum, interior de Nova Viçosa/Caravelas, ocorrido às margens de uma estrada da propriedade.

De acordo com o trabalho de Tadeu Caires, tudo começa no dia 13 de abril de 1884, antes do início da colheita do café, principal produto de exportação da fazenda Mutum, quando 15 escravos fugiram da propriedade e dias depois, 25 de abril, uma emboscada levou a morte Antônio Venerote.

As suspeitas recaíram sobre os escravos fugitivos e ficaram ainda mais fortes depois do depoimento de seis mulheres escravas que havia fugido com o restante do grupo retornaram a fazenda dois dias depois do crime dizendo que havia separada do conjunto que tomou destino ignorado.

Ouvidas pelo investigador, delegado Euzébio da Mota Veiga, além dos detalhes da fuga disseram que fugiram para não servir mais ao seu senhor, “pois não passariam bem na fazenda” e que o ato de rebeldia tinha como finalidade forçar sua venda para outra fazenda.

A mesma alegação foi usada pelos os escravos fugitivos Anselmo, Leonardo, José, Rodolfo, Cristiano, Valério e Semião,solteiros com idade entre 25 e 46 anos,  que quando capturados, quarenta dias após o crime, negaram qualquer participação no ocorrido reforçando o argumento que fugiam dos maus tratos do senhor.

Diante disso, algumas suspeitas passaram a ser lançadas em relação aos fazendeiros vizinhos desafetos de Venorote. Um depoente ,por exemplo, destacou que durante o enterro do fazendeiro disse ter reparado e ouvido no cemitério uma escrava de nome Thereza falar em voz alta falar as seguintes palavras: “de todos os brancos que aqui estão, a maior parte está gostando da morte do meu senhor”.


Casa de Câmara e Cadeia de Nova Viçosa

Contudo, semanas depois de serem levados para a Casa de Câmara e Cadeia de Nova Viçosa, os escravos confessaram o crime apontando o jovem fazendeiro Francisco Ferreira da Câmara como o Mandante. O fazendeiro rival convenceu o grupo que encontrou em sua propriedade os negros fugindo dos “maus tratos” e tramou o crime para vingar o pai falecido e a irmã insultada por Venerote.

O caso finalmente veio a júri nos dias 10 e 11 de abril de 1886. Assim que foi pronunciado e notificado como réu, Francisco Ferreira da Câmara fugiu. Os escravos acusados foram a júri popular na data marcada. 

Na falta de um advogado os negros tiveram o padre Geraldo Xavier de Sant’Anna como defensor, um abolicionista de grande destaque na região. Julgado seis anos depois do ocorrido Francisco Ferreira da Câmara foi inocentado sob protesto da viúva da vítima. Dessa forma, somente os sete escravos condenados pagaram pelo crime que supostamente cometeram.

Apesar do fim trágico para ambos, escravos e o fazendeiro, é interessante observar que a fuga no momento de maior necessidade, colheita, mostra a percepção dos escravizados sobre a importância de sua força de trabalho para economia e produção. A fuga tornava o uso da força escrava um negócio pouco lucrativo.

Fontes:

SILVA. Tadeu Caires. A rebeldia escrava e a derrocada da escravidão na Colônia Leopoldina (1880-1888).

ALANE. Fraga do Carmo. Colonização e escravidão na Bahia:

A Colônia Leopoldina (1850-1888).

MIKI.Yuko. Frontiers of Citizenship: A Black and Indigenous History of Postcolonial Brazil. 

Em 1967 “baile em prol da igreja” terminou com briga e feridos

Por Daniel Rocha*

Na década de 1960, o então povoado denominado oficialmente em 1957 de Teixeira de Freitas (BA) ainda recebia apelidos curiosos como “Arripiado,” assim chamado por haver muita discussão e bate boca no pequeno comércio. “, alcunha segundo alguns moradores relacionado às agressões existente no lugar causado sobretudo por  questões banais.

Segundo noticiou um jornal da época, Folha Nanuque,  no dia 03 fevereiro de 1967, por exemplo, dois soldados do destacamento policial de Caravelas a serviço em Teixeira de Freitas foram esfaqueados por um desconhecido à porta de uma pensão onde se realizava uma festa beneficente em prol da construção da igreja “São Pedro”, então uma simples capela necessitando de reformas urgentes.

O fato foi relatado por uma das vítimas no Hospital Santa Cruz em Nanuque  onde os dois  foram levados depois de feridos já que não existia na época hospital na cidade. Segundo a versão contada por Arlindo dos Santos Souza, tudo começou quando ele e o amigo  foram escolhidos para “implantar a ordem durante uma festa organizada numa pensão”, quando chegou um rapaz que queria entrar sem ingresso e sem licença do organizador.

Advertido por ele de que não podia entrar sem pagar, pois a festa era em benefício da Igreja Católica de Teixeira de Freitas, o rapaz disse que não ia dançar e sim olhar o movimento entrando contra a vontade do dono e prometendo que não ia participar do baile.

Entretanto quando um conjunto de Medeiros Neto começou a tocar o cara foi logo chamando uma dama para dançar. O dono da festa não gostou e pediu para  que  o policial chamasse a atenção do moço que parou a dança e disse que já estava indo embora.

O dono da festa “azouou” e queria dar no sujeito que continuava dançando sem pagar um centavo. Diante da situação Arlindo achou por bem emprestar ao elemento um dinheiro  para que ele pagasse o ingresso. “Achei por bem emprestar o dinheiro do ingresso ao elemento que aceitou e voltou de novo a dançar. Às 02 horas da manhã o cara saía para ir embora e dirigiu certos gracejos ao dono da festa que ficou dançando e lhe deu um empurrão,” narrou Arlindo.

Ainda de acordo com o soldado Arlindo, ele e seu colega José que chegara há pouco para ajudar a policiar a festa intervieram para proteger o rapaz da fúria do dono da pensão. Mas o rapaz terminou foi derrubando o seu colega, furando-o com uma faca que arranjaram e durante a sua tentativa de segurar também foi golpeado e ferido. “Depois de feridos tanto eu como José Geroastro atiramos no desconhecido, mas achamos que não o atingimos e ele conseguiu fugir”. 

Mas qual era o motivo da violência? Quem era o agitador? Qual o contexto?Em que ponto a agressividade do passado se compara à violência do presente? Dirigimos essas perguntas para um antigo morador que estava na festa e testemunhou o ocorrido. Ele revela o nome do “desconhecido” e detalhes que ajudam entender as razões e o contexto da violência na história da cidade de Teixeira de Freitas. (Continua na próxima postagem)

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X. Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

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Foto: Capela da praça dos Leões 1968.

“Dio, come ti amo!” Por que esse filme fez grande sucesso na cidade?

Por Daniel Rocha*

A década de 1960 ficou marcada dentre outras coisas como a década em que se instalou no então povoado de Teixeira de Freitas a primeira sala de cinema, o Cine Elisabete. Inaugurado em 1964 à sala teve como primeiro fenômeno de público o filme hispano – italiano Dio, come ti amo! (1966) que falou à geração da época.

Segundo o proprietário do Cine Elisabete, o senhor José Militão Guerra (em memoriam), em entrevista cedida em 2009 ao trabalho monográfico: O cinema e o imaginário popular na cidade de Teixeira de Freitas na década de 1960 a 1980, o filme italiano foi o primeiro fenômeno de público da sala que funcionou de 1966 a 1970, ao lado de onde hoje fica a loja de calçados Boroto.

Ainda de acordo com o senhor Militão, naquele tempo que não existia no então povoado energia elétrica, televisão ou emissora de rádio, o cinema foi uma grande novidade que empolgou os moradores da zona rural próxima e a juventude do então povoado, principalmente algumas meninas, que viviam da escola para casa ou de casa para igreja.

Por isso para elas ir o cinema era uma ocasião especial, momento de sair de casa junto aos irmãos mais velhos ou com os rapazes de confiança da família, relatou uma antiga moradora, Marli Gomes, em 2009, queixando se do excesso de vigilância em uma época que aumentava o trânsito na região com início da circulação de ônibus intermunicipais ligando Teixeira a outras cidades próximas e abertura das primeiras escolas.

Março de 1966: anúncio de novas linhas de ônibus .

Contudo, apesar do conservadorismo local vigente, típico do interior, eram os anos de 1960, década que a música italiana e Rita Pavone experimentava grande popularidade e o movimento feminista reivindicava, nos grandes centros, direitos iguais e uma vivência humana por meio do empoderamento feminino e da libertação de padrões patriarcais, baseados em normas de gênero através do debate público.

É nesse contexto que o filme “Deus como eu te amo!”, que traz uma mulher como protagonista, atraiu grande público para a primeira sala de cinema da cidade transformando-se no filme mais assistido daquela época e de todo o período que o Cine Elisabete esteve em atividade, sempre com relativo sucesso.

No filme, Gigliola Cinquetti é uma jovem e humilde nadadora napolitana que vai concorrer em uma competição na Espanha e acaba se apaixonando pelo noivo de sua melhor amiga. Mas quando eles vêm visitá-la na Itália, ela finge ser rica, com a cumplicidade dos pais para viver o amor impossível e um beijo proibido.

No livro “A história do amor no Brasil”, a historiadora Mary Del Priore observa que nesse período o cinema passou a apresentar cada vez mais personagens livres e desapegados a regras e tradições.  Comportamento que foi sendo aos poucos comunicado pelo cinema incentivando as pessoas a se relacionarem sem sentimento de culpa ou reprovação.

Cena clássica: Beijo proibido

De acordo com o relato de moradores da época a fita atraiu  um público formado, em sua maioria, por adolescentes  que  no final da sessão saíam cantarolando a música tema do filme e provavelmente sonhando com a liberdade  dos personagens e o mesmo protagonismo da mocinha romântica…. Apesar da simplicidade e alguns clichê do enredo.

Fonte:

ROCHA.Daniel; OLIVEIRA.Danilo. Cinema – Contribuição no processo de Formação da Sociedade de Teixeira de Freitas nos anos de 1960, 1970 e 1980.

DEL PRIORE, Mary. História do amor no Brasil. 2ª ed – São Paulo: Contexto, 2006.

Foto: Avenida Marechal Castelo Branco, Centro, Teixeira de Freitas – BA. Ano desconhecido. Ponto de embarque de ônibus próximo o antigo Cinema.

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X. Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

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Nos tempos da escravidão I: Um quilombo em Caravelas

Por Daniel Rocha

Todo mundo que tenha passado pela escola ou assistido qualquer produção televisiva de época já ouviu falar da escravidão no país e sua influência e impacto na formação da sociedade brasileira e cultura nacional, contudo são poucos que já ouviram falar da presença dos negros escravizados no extremo sul da Bahia e da luta e resistência do “Quilombo Império” ocorrido no século XIX nos arredores de Caravelas.

A narrativa sobre esse acontecimento foi pesquisada no livro “Frontiers of Citizenship: A Black and Indigenous History of Postcolonial Brazil, da pesquisadora/ historiadora Yuko Miki. Segundo a narrativa do livro, depois da proclamada a independência do Brasil os negros escravizados desta parte do litoral organizou quilombos e levantes em resistência ao regime escravista, principalmente em Caravelas (BA).

Nos cinco anos seguintes à revolta, quilombos e agitações de escravos continuaram a proliferar em Caravelas ( BA) e São Mateus (ES) alimentando os temores de uma guerra racial semelhante ao Haiti, primeira nação independente do Caribe, república negra do mundo a abolir a escravidão. A independência do Haiti foi proclamada em 1.º de janeiro de 1804.

Em 1828 o “Quilombo Império,” fixados na mata próxima a cidade, que reuniu grande quantidade de negros fugitivos lutou fazendo uso de armas de fogo, arcos e flechas, armadilhas e armas ocultas quando uma expedição anti-quilombo invadiu o lugar.

A expedição anti-quilombo matou três quilombolas e capturou homens e mulheres, mas permitiu que o líder ferido escapasse. No entanto, mesmo com a destruição deste quilombo em particular diversos quilombolas, mais da metade, permaneceram circulando pelas matas em torno de Caravelas.

Tal fato levou o capitão solitário do lugar, encarregado das principais expedições, declarar sua desistência a justiça de paz de Caravelas: “Sempre haverá escravos fugitivos nessas florestas, porque estão todos dispersos, há muitos campos e numerosos escravos, com mais de cinquenta, oitenta ou cem cativos, com apenas um capitão de mato neste distrito.”

Na luta pela independência do Brasil que culminou com a expulsão dos portugueses do país, especialmente na Bahia, onde os lusitanos tentaram resistir, os negros participaram do enfrentamento ao lado das autoridades baianas.

Em tese, após esse evento os  afro-descendentes não aceitaram mais os moldes de opressão do antigo sistema colonial que esperavam ver modificados antes e depois da luta pela independência. Criando seu lugar de história e resistência, como o “Quilombo Império”.

Fonte: 

MIKI.Yuko. Frontiers of Citizenship: A Black and Indigenous History of Postcolonial Brazil. 2018. Pg. 66,67,68.

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X. Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

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CONSEQUÊNCIAS DO COVID-19

Por Erivan Santana*

Com a pandemia do covid-19, muitas situações vieram à tona, entre elas, a assustadora realidade revelada, quando do anúncio do auxílio emergencial, ao ser constatado que ¼ da população brasileira, pouco mais de cinquenta milhões de brasileiros vivem abaixo da linha da pobreza. Os dados são preocupantes, principalmente, quando se sabe que o atual governo federal pretende instaurar no país um projeto de estado mínimo.

No mundo desenvolvido, a exemplo dos países europeus, ainda que alinhados ao capitalismo liberal, existe uma ampla rede de proteção social instalada, principalmente em áreas vitais, como saúde e educação. No Brasil, mesmo com as deficiências causadas pela falta de investimento e estrutura, o SUS está sendo a salvação de muitos brasileiros e de muitas famílias, levando-nos a uma conclusão clara, a de que é preciso cuidar e valorizar o SUS cada vez mais.

Na área da educação, outras realidades vão sendo mostradas diariamente, a toda a população, qual seja, a falta da inclusão digital em nosso país, num momento em que se necessita do apoio pedagógico aos alunos através da internet. Embora todos saibam que a aula presencial, mediada pelo professor, seja imprescindível, até mesmo atendendo a um princípio elementar em educação delimitada por Vygotsky, qual seja – “o educando aprende e desenvolve suas habilidades e competências no convívio social”, o apoio ao aluno via digital neste momento seria bem vindo. Entretanto, a questão da desigualdade social pesou mais uma vez; são poucos no país os que tem acesso à internet de qualidade, além de possuir bons equipamentos, condições necessárias para que aulas on line possam ser desenvolvidas com sucesso, ainda que de forma assistencial e complementar, como já mencionado.

Em meio a tudo isso, uma outra questão se coloca, qual seja a realização do ENEM. Afinal, seria justo a sua realização neste momento, uma vez que os alunos das classses populares, que têm sua base de apoio na escola pública, estarem neste momento sem acesso a ela? Além disso, é bom lembrar, exsite também o risco da aglomeração de pessoas, que um evento dessa natureza proporciona, neste momento perigoso e delicado da pandemia do covid-19, o que tudo somado nos leva à conclusão de que o mais prudente seria adiar o ENEM, o que felizmente, foi feito, diante das reivindicações da sociedade organizada.

Enquanto tudo isso aocntece, vamos vivendo um dia de cada vez, onde sentimentos de medo, saudade, fé, dúvidas, alegria e tristeza, se misturam, com um horizonte totalmente incerto à nossa frente, onde a única certeza que temos é que o mundo pós covid-19 nunca mais será o mesmo.

ERIVAN SANTANA

Artigo originalmente pulbicado no blog “Um café para Sócrates”

Histórias ocultas nas fotos antigas de Teixeira de Freitas – Parte 01

Por Daniel Rocha

Para além do foco, algumas fotografias antigas da cidade guarda surpresas ocultas que trazem informações do tempo registrado que às vezes passam despercebidos por quem olha como o conjunto de escolhas, o lócus social definidos e a visão política e do tempo histórico de quem registrou.

Dessa forma, para o início dessa série que se propõe a analisar algumas fotografias, selecionamos um registro de uma parte do centro da cidade que tem como tempo natural o dia e como  tempo cronológico o mês de outubro de 1982 do século XX.

O autor foi identificado por fontes como sendo “Dr. Fortunato”, um fotógrafo amador, sem vínculo com instituição ou imprensa que prestou grande serviço a história ao fotografar o cotidiano e algumas paisagens da cidade.

Foto sem filtros

Nos termos técnicos a fotografia traz um grande plano geral preenchido em sua maior parte pelo ambiente e paisagem urbana de uma parte do ainda povoado de Teixeira de Freitas. Na parte inferior registra a entrada da rua Prudente de Morais, parte do entroncamento com a  rua Pedro Álvares Cabral.

Na foto é possível perceber uma parte do fundo da lateral do prédio do antigo Sindicato patronal dos produtores Rurais de Teixeira de Freitas, antigo hospital Santa Lucia onde atualmente funciona o Ambulatório Central.

Pichação no muro

Na parede do prédio do sindicato patronal uma pichação com os dizeres “P/ Prefeito Wilson Brito” se destaca. Em tese a pichação faz parte da prática política da época. A fotografia foi registrada um mês antes da realização do pleito de 1982 que teve como eleito o residente Wilson Brito. Período que segundo relatos e pesquisas este tipo de ação era comum.

A escolha da paisagem pelo fotógrafo não foi qualquer, a fotografia traz uma paisagem modificada pela ação contínua do movimento das classes trabalhadoras e dominantes sobre o meio natural, já não existente no então povoado de Teixeira de Freitas, dividido entre os municípios de Alcobaça e Caravelas. 

Casa e cor da década de 1980

Na paisagem ainda é possível observar uma maior ocupação de espaços por casas, havendo poucos terrenos baldios, o que indica que do ponto de vista imobiliário aquela região já era mais valorizada, logo habitada por pessoas de melhor condições financeiras, fato evidente na arquitetura e formato das casas.

O lado fotografado pertencia ao município de Alcobaça que dispensava uma atenção maior ao povoado, ou seja, o registro traz uma visão da parte onde se localizava as melhores habitações e às desmazelas urbanas não eram tão gritantes, haja visto que o povoado ainda não havia recebido investimentos suficientes em obras de infraestrutura básica, apesar  fluxo de carros e pessoas vistos nas ruas.

O horizonte como destino

No enquadramento geral, se vê, através dos exemplos, um olhar influenciado pela visão desenvolvimentista que norteava a política nacional e local da época, expressa no espaçoso horizonte a ser alcançado pelo “próspero povoado” captado como a imagem e realidade a ser lembrada no futuro… Uma informação explícita e ao mesmo tempo oculta na foto vista por muitos como “um registro de como era Teixeira  de Freitas no passado”.

Fonte:

MAUAD. Ana Maria. Através da imagem: Fotografia e história interfaces. Tempo, Rio de Janeiro, vol.01,.02. p 73 – 98.

 GUERRA, Jailson C. Pereira; SILVA. Leonardo Santos. O processo de emancipação política de Teixeira de Freitas (1972-1985). UNEB 2010.

Daniel Rocha da Silva*

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Quantos anos têm Teixeira de Freitas? Não 35? Não 72? Será 70?

Por Daniel Rocha

Quando foi elevada à categoria de município em 09 de maio de 1985, o povoado de Teixeira de Freitas (BA) já acumulava algumas décadas de uma história que começou a se desenrolar quando o comerciante negro Manoel de Etelvina, o Tira-Banha, abriu um boteco às margens da estrada aberta pela empresa madeireira  Elecunha S/A (Eliozípio Cunha e Cia) em 1950.

Contudo, outras versões sugerem que o surgimento do embrião que deu origem ao povoado e a cidade aconteceu em outra época, diante disso fica a pergunta: quantos anos de história têm a cidade?

De acordo com Benedito Ralille a primeira aglomeração surgiu em 1948 no Bairro Vila Vargas antes da abertura da estrada da firma “Eleuzíbio Cunha” quando alguns trabalhadores da madeira, lenhadores, construíram um acampamento coberto de palhas, dando início a extração da madeira no local.


Comercio a beira da estrada, local onde hoje fica a rotatória da “Pão Gostoso”. Década de 1960.

Nessa época o lugar tinha como moradores, dentre outros, os srs, Hermenegildo Félix de Almeida e Júlio José de Oliveira e .tempos depois, os srs Joel Antunes, Manoel de Etelvina, Amélio José de Oliveira, Duca Ferreira e a família dos Guerra, que construíram casas distantes entre si onde hoje é o centro urbano da cidade.

Versão que harmoniza com uma a apresentada por Frei Elias (2012) que diz que povoado surgiu em 1948 quando Manuel Ferreira de Duque de Caxias (“Arriba-Saia”) construiu duas casas no lugar ocupado depois pelo Sr. “Osvaldo”, no meio da mata virgem seguido posteriormente por Joel Antunes, que fez seis casas “no lugar de João de Coco”. Considerando essas versões, Teixeira já contaria hoje com 72 anos de história.

Mas essa possibilidade não é a única, em 1994, após solicitação de Ralille que objetivava esclarecer a origem do nome da cidade, a Câmara Municipal de Alcobaça declarou em ofício que após detalhada busca nos arquivos da casa não foi encontrado nenhum documento oficial criando, nos idos de 1950, o povoado de “São José de Itanhém” ou “Tira-Banha” e nem quando o dito povoado passou a se denominar Teixeira de Freitas.

Venda na faz. Nova América. Década de 1960. Foto: Osair Nascimento

Porém, um documento do IBGE datado em 14 de fevereiro de 1957  informa que o insurgente povoado de “São José do Rio Itanhém” foi batizado com o nome de Teixeira de Freitas em homenagem ao ilustre baiano pai da estatística Brasileira, através do Ofício de nº 91, de 14 de fevereiro de 1957, que daria hoje a cidade 63 anos de história.

Entretanto Susana Ferreira no trabalho monográfico – A vida privada de negros pioneiros no povoamento de Teixeira de Freitas na década de 1960 afirma que de fato o povoado que deu origem a cidade surgiu no ano de 1950 com o movimento gerado pela abertura da estrada de rodagem e a fixação no lugar do comerciante negro Manoel de Etelvina e outros moradores de comunidade rurais próximas, como a Nova América e Volta Miúda, dando origem ao chamado “Comercinho dos Pretos”, dentre outros nomes populares.

Desta forma,respondendo à questão: quantos anos de história têm Teixeira de Freitas? É possível afirmar que para além dos 35 anos de emancipação contamos com 70 anos de história.

Fontes:

HOOIJ, Frei Elias. Os desbravadores do Extremo sul da Bahia, Belo Horizonte, 2011.

FERREIRA,Susana. A vida privada de negros pioneiros no povoamento de Teixeira de Freitas na década de 1960. Uneb campus-x. Teixeira de Freitas BA, 2010.

RALILLE, Benedito Pereira; SOUZA, Carlos Benedito de.; SOUZA, Sheila Franca de. Relatos históricos de Caravelas: (desde o século XVI). Caravelas, BA: Fundação Professor  Benedito Ralille, 2006.

http://www.ibge.gov.br/cidadesat/historicos_cidades/historico_conteudo.php?codmun=293135 > Acesso em: 05 de agosto 2013.

Daniel Rocha da Silva* 

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Teixeira de Freitas 1985: política, confrontos e agressões

Por Daniel Rocha

Confrontos e agressões violentas marcaram a eleição para escolha do primeiro prefeito da cidade de Teixeira de Freitas em 1985. Durante o processo, movidos por sentimentos de ódio e amor partidários e amantes políticos agrediram eleitores e a juíza eleitoral da época, Neuza Oliveira, na Praça da Independência, hoje conhecida como Praça da Bíblia.

Segundo informou o Jornal do Brasil de 15 de novembro de 1985 , nas primeiras horas da manhã daquele dia um grupo de adeptos da coligação PTB-PDS-PDT chegaram  nas primeiras horas da manhã à estação rodoviária  da cidade, hoje conhecida como Rodoviária Velha, ocupando o lugar de desembarque dos ônibus de passageiros  para interrogar os eleitores  que chegavam ao local qual era o candidato que votaria no dia da eleição.

Nesse ambiente de pressão os passageiros que se declaravam eleitores do candidato Timóteo Brito, então do PTB,  eram recebidos com ovação e palmas, já os que se mostravam intencionados em votar no candidato do PMDB, Francistônio Pinto, eram levados e  agredidos na dita praça. De acordo com o jornal, a polícia “assistia tudo sem fazer nada”.


Notícias de uma “guerra particular

Mais tarde, os elementos da mesma coligação, movido pelo seu partidarismo, amor e ódio, liderados pelo PTB, na época alinhados a figura de Antônio Carlos Magalhães, o ACM, passaram a derrubar outdoors do candidato do PMDB- PFL, que diante da situação procurou a juíza eleitoral, Neuza Oliveira, para solicitar ajuda e providências.

Ciente da situação a juíza foi até o terminal rodoviário para tomar providências e acabou sendo “agredida a pontapés e empurrões” pelos furiosos partidários das duas coligações que já se encontravam em um caloroso confronto, comuns em períodos eleitorais na cidade que na eleição de 1982 já havia registrado algo da mesma natureza no mesmo lugar e espaço.

De acordo com os historiadores Jailson Guerra e Leonardo Santos Silva em um trabalho monográfico em 2011, os confrontos e demonstrações de apoio exacerbados dos partidários durante o processo eleitoral de 1982 e 1985 podem ser associados ao contexto político da época, Ditadura Militar,  e ao jogo de interesses que permeiam o meio e a fascinação exercida por certos candidatos.


Timóteo Brito e
Francistônio Pinto

Visto que, enquanto as reações dos partidários, correligionários, apoiadores e financiadores liga-se à distribuição de cargos públicos, parcerias, fiscais e licitações as reações do “amante” foge à essa regra. “É uma coisa pessoal, é um sentimento de paixão. O amante sempre enxerga no candidato as suas qualidades e no adversário os seus próprios defeitos. Um sorriso, um abraço, um aperto de mão é o suficiente para deixá-lo feliz”.

No presente é possível perceber esse mesmo sentimento nas redes sociais onde  alguns  teixeirenses opinam a partir das suas próprias convicções sobre a política nacional, sem  se atentar que ao tomar partido deixam de observar e dar atenção a aspectos importantes como a garantia dos direitos conquistados e a manutenção da liberdade democrática.

  Daniel Rocha da Silva*

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Fontes:

GUERRA, Jaison C. Pereira; SILVA. Leonardo Santos. O processo de emancipação política de Teixeira de Freitas (1972-1985). UNEB 2010.

Juíza leva pontapés e empurrões. Jornal do Brasil. 15/11/1985. Acervo site tirabanha.

Foto: Praça da Bíblia. Ano desconhecido. Fonte: Memorial da Câmara.

Por que os índios visitam a Praça da Bíblia?

Em 2014 uma notícia relacionada a presença dos nativos Maxakali no centro da cidade de Teixeira de Freitas, BA, ganhou destaque em alguns sites nacionais como o G1. Na época o fato trouxe à tona uma pergunta a muito feita: por que esse povo nativo visita a Praça da Bíblia?

Os repórteres locais acionaram a polícia e as autoridades competentes para socorrer um garoto Maxakali encontrado “amarrado pelo pé em uma barraca na praça” que fica no centro da cidade. Ainda segundo a reportagem, os pais do garoto fazia parte de um grupo de cerca de 50 indígenas pertencentes à localidade de Machacalis, próximo à divisa com Minas Gerais, que vagavam pela região pedindo esmolas.

Foto: photojornalismo

Procurada pelo G1, a Fundação Nacional do Índio (Funai) informou que os indígenas da região têm o costume de fazer esse tipo de percurso. “Antigamente as famílias faziam para colher frutos e sementes no caminho e que, com o crescimento da cidade, passaram a mendigar”. Sobre a criança, a Funai informou que eles têm o entendimento de que, amarrando, ela não ia se perder.

Contudo, para melhor entender a ligação dos nativos com esse percurso é preciso lembrar o passado pouco divulgado do território teixeirense que até 1985 pertencia ao município de Alcobaça. Antes da invasão portuguesa a partir de 1500, o povo Maxakali, que eram habilidosos coletores e incipientes agricultores, tinham como território a região entre o Rio Prado , Extremo Sul Baiano, e o Rio Doce, Minas Gerais e parte do Espírito Santos.

Os nativos Maxakali, que ocupavam a região com um conjunto de vários grupos, habitavam uma aldeia que ficava na embocadura da margem esquerda do Rio Itanhém que deu origem ao Arraial do Itanhém que por sua vez originou a Vila de Alcobaça, criada em 1772 pelo ouvidor José Xavier de Machado sob o argumento de defesa da costa e a necessidade de intimidar os “índios bravios” do sertão.

Nesse período a coroa portuguesa, diante da crise desencadeada na segunda metade do século 18, pelo declínio do ouro nas minas gerais, adotou medidas para potencializar a exploração econômica da região através da ocupação de novos espaços e perante isso, o governo da província da Bahia autorizou a invasão de terras indígenas para fins de ocupação e enfrentamento.

Tal fato, dentre outros, empurrou os Maxakali para outras partes do território onde se encontrava outros da tribo, evidentemente para se proteger do assédio e ataques da política de aldeamento promovido pelo império.

Diante disso, é possível então supor que os descendentes destes nativos, que  no presente ocupam terras reduzidas e com recursos naturais escassos, visitam a praça movido pela memória ancestral e sentimento de pertencimentos que aflora em alguns dos antigos habitantes dessas terras, apesar do assédio dos olhares locais herdados dos colonizadores que só enxergam na visita desajustes sociais.


Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

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Fontes:

J. C. R. Milliet de Saint-Adolphe. Diccionario geographico, historico e descriptivo do imperio do Brasil.  Volume 1. 1845. Página 27. 

Criança indígena é encontrada amarrada em praça na Bahia: http://g1.globo.com/bahia/noticia/2014/06/crianca-indigena-e-encontrada-amarrada-em-praca-na-bahia.html

Índios do Nordeste: Resistência, memória, etnografia. Org. LUIZ SAVIO DE ALMEIDA, AMARO HÉLIO LEITE DA SILVA, CHRISTIANO BARROS MARINHO DA SILVA, JORGE LUIZ GONZAGA VIEIRA, MARIA ESTER FERREIRA DA SILVA . Páginas 60 – 68.
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Como era a “Malhação de Judas” em Teixeira de Freitas?

Por Daniel Rocha

O sábado entre a semana santa e o domingo de páscoa é chamado de Sábado de Aleluia. Dia de lembrar a ressurreição de Jesus e a traição cometida pelo seu discípulo Judas Iscariotes. Dia também, segundo a tradição católica, de queimar o boneco do Judas traidor. Em Teixeira de Freitas das décadas de 1960,1970 e 1980 a brincadeira tradicional foi realizada em diversos bairros da cidade.

Em 2015 durante uma conversa informal, Maria de Fátima Leite, natural de Águas Formosas, MG, que mudou para Teixeira no ano de 1969, relatou que um antigo morador conhecido como “Paulo” realizava a queima do Judas na madrugada do sábado de aleluia no bairro Wilson Brito.

A “malhação do boneco,” feito com palha e madeira, começava às três horas da manhã aos gritos e vaias de uma multidão formada por inúmeras crianças e adultos que, antes da queima, apedrejava o boneco “sem dó e nem piedade” na escuridão de um povoado sem acesso a iluminação elétrica.


Imagem Meramente Ilustrativa

Já no bairro Teixeirinha, década de 1960, os moradores participavam através de cânticos e palavras de ordem relacionada ao feito, lembra a moradora Ricardina Maria sobre a queima no bairro. Antes de ser queimado o boneco era arrastado pelas ruas puxado por um Jegue e deixado na porta de um morador ao som de rimas e cantigas que faziam referência ao dono da casa. “Esse judas não come farinha. Vai pra casa de seu Farias!”

Já o capixaba Elcilande Ferreira, natural da cidade de Pinheiros (ES) lembrou que a queima também era realizada no Vila Vargas, bairro onde passou toda infância e adolescência. Naqueles tempos, década de 1980, a queima era realizada na Rua Aurelino J. de Oliveira e o ritual começava dois dias antes com a busca entre os vizinhos de doações de roupas velhas para confeccionar o boneco.

No dia de malhar o judas, o boneco, preenchido com roupas e jornais, era colocado em uma carroça, puxado e lixado pelas ruas do bairro enquanto a sentença era anunciada como o um último grande ato da semana santa.

Foto: Suposto Bairro Teixeirinha. Ano desconhecido.

No bairro São Lourenço da década de 1980 a tradição também era encenada, Flaviana Melquiades recordou que antes de ser queimado no sábado pela manhã um boneco era confeccionado pelos residentes com roupa e sapatos “de gente” doados por moradores da referida rua. O boneco era colocado em um poste de madeira no meio da rua da feirinha de domingo, para ser zombado pelos passantes que buscavam saber o horário do castigo.

No dia seguinte pela manhã, o ritual começava com o apedrejamento e agressões. Homens e meninos cutucavam e espancava o boneco do Judas antes da condenação final. A encenação era muito violenta e segundo Flaviana; “aterrorizava muito as crianças menores porque o boneco tinha uma fisionomia muito próxima da humana.”

Diante dos relatos é possível perceber que a manifestação cumpria bem seu objetivo de recordar a ressurreição de Jesus e a traição cometida pelo seu discípulo Judas, mensagem facilmente assimilada pela comunidade que não encontrava dificuldade em modificar o rito de acordo as necessidades práticas e  próximas.

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

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Fontes Orais

Conversa informal com

Flaviana Santos               Dezembro de 2015

Elcilandi Ferreira .          Dezembro de 2015

Maria de Fátima Leite   Maio de 2016

Ricardina Maria.             Maio de 2016