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Anos 80 em Teixeira de Freitas e o reisado de Dona Boló

Por (Daniel Rocha)

O Reisado ou Folia dos Reis é uma tradição católica que consiste em um grupo de cantores e instrumentistas fantasiados que prestam homenagem aos três Reis Magos e ao menino Jesus. No Brasil apresenta-se sob diversos aspectos.

Em Teixeira de Freitas a tradição e anterior a formação do povoado  na década de 1950. No presente a não realização está associada às mudanças de comportamento  ocorridas nas últimas décadas na cidade e no país.

No bairro Bela Vista, ao que tudo indica, a tradição foi mantida por algum tempo,1978-1983, pela moradora Maria da Ressurreição Manuel natural da comunidade rural  Serrinha onde nasceu no ano de 1940.

A serrinha é uma comunidade rural formada inicialmente por famílias negras localizada às margens da BA-290, próxima à entrada do aeroporto 9 maio. Até a década de 1980 a comunidade pertencia ao município de Alcobaça, no presente faz parte do município de Teixeira de Freitas.

Filha de Maria José da Conceição e “pai aventureiro” Maria da Conceição,(foto 02) que é mais conhecida pelos moradores do bairro Bela Vista como Dona Boló  narrou , durante uma conversa informal no ano de 2014, o seu envolvimento no reisado.

Conta que se interessou pela tradição porque cresceu encantada pelas apresentações de reisados realizados naquela comunidade por uma mulher conhecida como Tia Joana.

Quando já estava “crescida” passou a fazer parte da turma e assumiu o cargo de pastora. Tempos depois assumiu o cargo de mestre cujo a função era organizar e puxar o grupo entoando cânticos.

Após alguns anos sem participar, período de casamentos e filhos, mudou-se para o povoado de Teixeira de Freitas no ano de 1978, onde enfim, com a ajuda dos amigos das antigas Turbidez (foto 03) , Caboclo e Bituca, formou um grupo de reisado aos moldes da Serrinha.

O grupo era formado por doze pessoas, homens e mulheres, divididas em dois cordões, filas, com três pastoras e dois marujos cuidadosamente fantasiados além de um guia.

Segundo Isidro Nascimento que recebeu o grupo em sua casa em algumas ocasiões,  no grupo também havia o Boi iaiá (foto 01) que também acompanhava o grupo . “Tinha como função assustar  crianças desobedientes.”

O Reis começava em 06 de janeiro e terminava em três de fevereiro sempre animados com instrumentos como o pandeiro. O grupo saía por volta das 19h cantando pelas ruas do bairro em duas filas separadas, seis marujos de cada lado e cinco pastoras guiados pelo capitão responsável pelo estandarte.

No início a atuação do grupo ficou restrita ao bairro Bela Vista mas diante de diversos pedidos o grupo passou a visitar outros moradores de bairros próximos.

“A gente ia onde era convidado, por isso fizemos várias ruas do bairro, chegamos ir ao Jerusalém e Recanto do Lago na casa de Isidro, a gente passava nas casas brincando até meia-noite… Tinha xote, manjuba, apito e a coreografia dos marujos.”

Sobre a origem do costume na Serrinha Boló recorda que a tradição chegou trazida pelos negros Dona Júlia e Turbides da fazenda Jerusalém, hoje onde o bairro de mesmo nome.

“Foi trazida pelos antigos… naquela época faziam por promessa mas eu sempre fiz por divertimento”.

Apesar da alegria ao recordar o passado uma frustração machuca o coração de Dona Boló, com a saída de Turbidez por problemas de saúde ela não conseguiu terminar o que havia começado.

Isso porque a tradição pede que quem começar um reisado o realize por seis vezes para então passar a outro grupo.

“Faltou apenas uma…Tenho vontade de juntar um grupo para terminar o Reisado que comecei, mas tenho medo da criminalidade e dos malandros. A violência de hoje me assusta, não dar para fazer em lugar fechado tem que ser na rua e elas estão bem movimentadas”.

As recordações da senhora Boló revelam em pequena escala que a população rural ao migrar para zona urbana do povoado ,ainda  que por um tempo, manteve como referências as tradições coletivas da vida no campo. Referências que aos poucos foi sendo reprimida sobre a pressão do espaço delimitado das cidades  e um estilo de vida pautada no individualismo.

Fontes:

Conversa informal com Maria da Ressurreição Manuel 2014.

conversa informal com Isidro Nascimento 2014.

Colaborou com a pesquisa: Domingos Cajueiro Correia

 

Veja também:

Relatos Sobre Os Anos 90 Em Teixeira De Freitas: Parte 02

Praça da prefeitura

O causo do Tatu papa -defunto.

Mulheres parteiras em Teixeira de Freitas parte 01

Os nomes que Teixeira de Freitas já teve

O cine Horizonte

O comércio de Teixeira de Freitas

História da Expo Agropecuária de Teixeira de Freitas

O causo do Boitatá

História do Cine Brasil

O causo do nó da mortalha

Emancipação: História e memória

Em 1973 um caravelense agitou “a capital do extremo sul da Bahia”

Por Daniel Rocha

Com uma aposta de 8,00 cruzeiros, o que na moeda atual equivale aproximadamente 10 reais, o tabelião caravelense Odorico Lopes, na época com 67 anos, dono de um cartório na cidade de Caravelas, e de uma fazenda em Nanuque, MG, acertou sozinho na antiga “Loteria Esportiva” um prêmio de 13 milhões, apontado , até então, como o maior já pago no mundo.

O cartão do vencedor foi perfurado na cidade vizinha de Nanuque, cidade mineira próxima à fronteira entre os dois estados, onde o tabelião tinha uma fazenda de criação de gado, por essa razão as primeiras notícias sugeriram que o ganhador poderia ser  um  nanuquense.

Agitação que chegou a provocar um desmaio e muito movimento na porta da Prefeitura, que precisou de proteção especial para conter a multidão que horas mais tarde acalmou o movimento quando foi divulgado que o ganhador era na verdade  um caravelense.

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O apostador Odorico Lopes

O episódio  faz lembrar algo que é bem conhecido entre os estudiosos da história da região, até a década de 1970 essa parte do extremo sul da Bahia tinha como “capital” a cidade mineira de Nanuque, que era assim chamada  por ser o centro de referência de compras para o vale do Mucuri e as cidades do Extremo Sul da Bahia e norte do Espírito Santo.

Influência construída pelo trânsito constante de mineiros e baianos nos dois lados da fronteira, movimento que por muitos anos foi favorecido pela estrada de ferro Bahia -Minas  (EFBM) linha ferroviária implantada em 1882 que ligava o nordeste de Minas Gerais ao sul da Bahia, desativada em 1966 em detrimento da abertura de novas estradas como a BR-101, que subordinou a região a influências dos estados do sudeste do país e da capital Salvador.

Por fim a Bahia e Minas foi mais do que um canal de trocas comerciais, foi também um lugar de intercâmbio cultural e de costumes, tal como expressa o caso do apostador caravelense e outros relatos de acontecências que ligam os dois povos  que ainda hoje, independente das delimitações oficiais das fronteiras entre os dois estados,  possuem culturas autonômicas.

Fontes:

ELEUTÉRIO,  Arysbure Batista. Estrada de Ferro Bahia e Minas “A Ferrovia do Adeus”.

NETO, Sebastião Pinheiro Gonçalves de Cerqueira. Contribuição ao estudo Geográfico do município de Nanuque. 2001.

Jornal O Globo, março de 1973

Correio Manhã Abril de 1974

Foto principal: Cidade de Nanuque

Veja também:

Em 1981 crítica à ditadura animou o Carnaval em Caravelas

O comércio em Teixeira de Freitas

O cineclubismo em Teixeira de Freitas


Por Daniel Rocha

Os cineclubes além de oportunizar a exibição de filmes que geralmente não chegam ao circuito comercial também busca desenvolver a sensibilidade e a consciência crítica do público através de conversas e debates, em Teixeira de Freitas dois vem se destacando ao realizar esse trabalho, o Conversê Cineclube e o Cineclube Sal na Pipoca.

Criado pela motivação de pessoas que apreciam exibir filmes para debate, de forma gratuita e popular, os cineclubes  tem dentre outras coisas chamado à atenção de quem comparece as sessões para os detalhes que são evidenciados ou silenciados na construção  narrativa das produções.

 

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Cartaz de divulgação da sessão de maio do Conversê

 

Um bom exemplo dessa motivação e trabalho e o Conversê Cineclub, o primeiro da cidade, fundado em setembro de 2007, resultado de um projeto de extensão do curso de história da UNEB-X,  coordenado pela professora Liliane Fernandes em parceria com acadêmicos da primeira turma do curso de história.

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Josias Pires na exibição realizada no espaço Cultural da Paz. Foto: Jasmim Lima

Além de exibições especiais de filmes e a realização de debates, no formato roda de conversa, o cineclube, que no mês de maio deste ano de 2018 exibiu com destaque, em parceria com o Espaço Cultural da Paz, o documentário baiano “Quilombo dos Macacos” com a presença do diretor Josias Pires, busca através de exibições no espaço acadêmico ou comunitário interagir com a comunidade e discutir as conexões entre a arte e a realidade.

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Exibição do Sal na Pipoca no CSU

Outro bom exemplo é o do Cineclube Sal na Pipoca que na última semana ( 17/07) realizou no CSU (Centro Social Urbano) a exibição do filme “Nise – O coração da loucura” , a mediação ficou por conta do radialista Ramiro Guedes e outros convidados. O cineclube que faz parte do Coletivo das Artes Mutirô também tem como proposta exibir filmes fora do circuito comercial e promover com ajuda de convidados conversas e debates sobre os aspectos dos filmes exibidos.

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Ramiro Guedes mediação e exposição

Conversas e debates que são bem – vindos em uma cidade que conta com seis salas comerciais, duas no Cine Teixeira, Shopping Teixeira Mall e quatro no Cine Cinesercla, Shopping Pátio Mix. Empreendimentos que anseia pela manutenção da cinefilia da massa que para os cineclubistas podem e devem ter um olhar mais conscientes e atento ao que é exibido na tela.

Quer participar? Fique atento nos principais sites de notícias da cidade onde a programação é sempre divulgada, ou aqui no site tirabanha.com.

O causo da Marrom Glacê e a copa de 1986

Por (Daniel Rocha)

Teixeira de Freitas 1985, faltando menos de um ano para a Copa do Mundo do México a expectativa dos brasileiros era grande. No bairro Recanto do Lago funcionava o badalado Bar Boate e Boliche Marrom Glacê. Como era de costume todas as noites diversas pessoas procuravam o local para se divertir e paquerar ao som das músicas do momento, recorda um ex-funcionário e antigos frequentadores.

Em meados da década de 1980 estudar durante  a noite estava em alta e diferente de hoje, a faixa etária que cursava o segundo grau era na maioria formada por pessoas com idade acima de 20 anos, homens e mulheres, trabalhadores, que só tinham tempo para estudar durante a noite e a gíria da moda era dizer “qual é a transa” e com ela se conseguia “muitas”, diga-se de passagem.

Por essas e outras razões no período noturno, ao final da aula, rapazes com os carros estacionados na Avenida Getúlio Vargas, aguardavam próximos a escola Rômulo Galvão, as estudantes afins de convidá-las” para um trago” em uma boate/bar ou danceteria mais próxima, segundo contou Maria Mariana (em memória) em uma conversa informal.

Ainda de acordo com a versão dela, alunas “desavisadas” acabavam conhecendo alguém por acaso. Acontecia de confundir o carro do namorado com o de qualquer outro parado em frente à escola e esticar a confusão até um bar próximo. Nesta condição, como aluna e trabalhadora do comércio, revelou, também frequentou o bar boate Marrom Glacê.

Endereço da moda entre estudantes a boate usava a estratégia da boa música e do som alto para atrair a clientela. As longas filas na entrada e o auto volume do som fazia parte da rotina do espaço, acontece que o movimento e barulho incomodavam os vizinhos.

Narram alguns moradores do bairro Recanto do Lago que em um dia de um mês desconhecido do ano de 1985 a reação de um morador migrante capixaba pôs fim às atividades da próspera boate.

Segundo o garçom e gerente de confiança do estabelecimento, Francisco Ferreira, uma família de capixabas, moradores das proximidades da boate, reclamavam constantemente do alto som durante a noite.

Narra que de tanto reclamar o vizinho perdeu a paciência, pegou a arma que tinha disponível em casa, e disparou diversos tiros no Toca Discos. “Quando o dono chegou falei que os caras apareceram dizendo que iriam baixar o som… Desceram a bala eu que não podia fazer nada, fiquei quieto!”

Segundo o narrador do causo o fato foi registrado na polícia, porém não foi necessário ir além do Boletim de Ocorrência (BO) porque no outro dia eles pagaram o prejuízo esclarecendo ao proprietário e os desavisados a razão da atitude tomada.

A família tinha um filho doente que não dormia com o som naquele volume, incentivado pela situação e os vizinhos o pai da criança depois de pedir por diversas vezes para diminuírem o som tomou, dominado pelo desespero, aquela atitude drástica.

Ainda de acordo com o antigo funcionário ouvido depois do incidente o bar não demorou baixar para sempre as portas. “Porque sem o som o público jovem perdeu o interesse. A moçada gostava era de música alta sem ela o bar ficou sem o atrativo”.

Sobre o fim da Marrom Glacê lamenta Francisco. “Estávamos esperando com ansiedade a copa do mundo de 1986 começar para fazer uma grande festa, pena que não alcançou.”

 

Daniel Rocha

Historiador, Cinéfilo e blogueiro criador do blog Tirabanha em 2010.

Fontes Orais:

Francisco Ferreira

Edivaldo “sombra”

Maria Mariana Esteves.

 

A lenda “Caboco da água”

Por Daniel Rocha

“Existe mais coisas entre o céu e a terra do que possa imaginar a nossa vã filosofia, como também muitos entre as florestas e os rios do extremo sul da Bahia. Conta seu Natalino A. Santos que gosta de lembrar que no prelúdio da década de 1960, quando morava na Vila Marinha, hoje povoado do município de Teixeira de Freitas, ele e o irmão vinham diariamente ao povoado teixeirense, através do rio Itanhém, para vender na feira do próspero povoado produtos agrícolas produzidos na roça do pai, como farinha e mandioca.

Para chegar até o povoado tinha que navegar por horas em canoas guiadas por canoeiros até onde hoje se localiza a ponte sobre o rio na BR-101, a viagem por dentro da mata fechada oferecia perigos comuns na época como o risco de ataque de animais selvagens e aparições de seres sobrenaturais.

Para piorar a situação “os espíritos da selva” atacavam os mais desinformados, por isso desde criança se aprendia com os adultos que ao vê um homem no meio das águas, sentado ou a chamar para o centro do rio, todos deveriam fugir imediatamente do local pois se tratava do temido Caboclo-d’Água . Sobre essa lenda destaca o senhor Natalino:

“Caboco d’Água é igual o Caboco da mata, acontecia do inocente entrar na água ,no raso, e do nada aparecia um homem em pé no meio do rio, ele achava que o desconhecido estava no raso então ia atraído, chegando lá morria afogado ou sugado pelas correntezas do escaldante Itanhém.”

Ainda de acordo com o narrador deste causo o elevado índice de afogamento que vem sendo registrados na cidade nos últimos anos,2012 e 2013, sobretudo de crianças, está relacionado à falta de malícia e conhecimento da lenda por parte dos pais e das crianças, destacando.

“Quando eu era criança na Vila Marinha, meu pai já contava pra gente tomar cuidado, não ficar muito no rio devido estas aparições. Ele também contava que ao navegar pelo Itanhém durante a noite se deparava com vozes e batuques de origem desconhecida dentre as matas.”

Ainda de acordo com o contador de causos, outro morador da cidade que tem o apelido de ”Cheirinho”, costuma contar que certa vez, enquanto pescava no rio Itanhém em Teixeira de Freitas, viu o lendário sentado sobre as águas deslizando sobre as correntes do rio “como se fosse uma folha… Só de calça de tecido comum, sem camisa e com um chapéu de palha”.

Diante da aparição do Caboclo-D’água, um de seus amigos de pescaria, encantado pelo lendário aquático, quase foi levado para o fundo do rio, pois mesmo alertado para não seguir o chamado, ficou hipnotizado e sem ação diante da epifania.

Livre do encantamento “Cheirinho” conseguiu acordar o amigo a tempo. “Se ele tivesse sido encantado também o caboclo levaria mais um. É assim único jeito da pessoa se salvar, os medrosos acordando os corajosos.”

Exposição “Mandela” em Salvador: preparativos

Inédita no Brasil, mostra “Mandela: de Prisioneiro a Presidente” marca as comemorações pelo centenário do líder sul-africano

Por SecultBA

A cidade de Salvador está entre os destinos confirmados da exposição Mandela: de Prisioneiro a Presidente, trazida ao Brasil através do Instituto Brasil África (IBRAF), e que na Bahia conta com a parceria da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA). A mostra vai ter uma temporada de cinco meses no país e marca as comemorações do centenário do líder sul-africano.

O diretor do Museu do Apartheid, Christopher Till, visita Salvador na próxima terça-feira, dia 17 de abril, para vistoriar e eleger o equipamento que sediará a exposição na capital baiana.

A visita começa às 9h30, no Palacete das Artes, e segue para o Museu de Arte da Bahia, espaços administrados pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), autarquia vinculada à SecultBA. O Presidente do Instituto Brasil África, João Bosco Monte, também participa da visita.

O percurso nacional tem início na capital cearense em junho. A mostra chega a Salvador em outubro e fica até novembro, enriquecendo a programação das celebrações pelo Dia da Consciência Negra na capital baiana.

A exposição traça o percurso da vida de Mandela desde o início do ativismo contra o regime racista do governo sul-africano, passando pelos 28 anos de prisão, pela vitória no Prêmio Nobel da Paz, até a eleição como primeiro presidente negro da África do Sul. Entre as peças estão fotos e vídeos produzidos por diversos artistas. Vai ser montada também uma réplica da cela da Ilha de Robben, onde o líder sul-africano ficou 18 anos preso.

A mostra tem curadoria do Museu do Apartheid, em Joanesburgo, na África do Sul, e foi idealizada em 2008. Já passou por França, Suécia, Estados Unidos, Equador, Argentina, Peru e Luxemburgo e foi vista por mais de um milhão de pessoas.

Serviço

Visita Christopher Till e Presidente do IBRAF

17 de abril, 9:30 – Palacete das Artes e Museu de Arte da Bahia

Exposição Mandela: de Prisioneiro a Presidente em Salvador

8 de outubro a 30 de novembro

Lula – Documentários no Youtube

Por Daniel Rocha

 

Circula em alguns grupos de WhatsApp uma seleção de vídeos disponíveis no YouTube que mostram momentos marcantes da militância do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atualmente encarcerado em Curitiba. Em tempos de radicalismo e perigosas convicções achamos justo compartilhar aqui ,no tirabanha, esses preciosos registros que também são importantes documentos imagéticos da história do movimento sindical e dos trabalhadores do sudeste do país . Confira!

CINCO FILMES COM LULA

Que ninguém, nunca mais, ouse duvidar da capacidade de luta dos trabalhadores (Renato Tapajós, 1979):

O documentário aborda a primeira fase da greve dos metalúrgicos do ABCD, em 1979. Foi realizado para ser exibido aos operários durante a trégua entre as duas fases da greve, com o objetivo de mobilizá-los para a segunda fase. O filme mostra as grandes assembleias, com mais de 100 mil metalúrgicos, no campo de Vila Euclides, em São Bernardo do Campo; a mobilização em vigília no Sindicato; os conflitos de rua decorrentes e a volta triunfal da diretoria, encabeçada por Lula, na grande assembleia em que a trégua é proposta. Equipe de realização: Renato Tapajós, Olga Futemma, Zetas Malzoni, Maria Inês Villares, Francisco Cocca, Alípio Viana Freire, Claudio Kahns Duração: 35 minutos O filme é também conhecido como “Greve de Março” e “Um dia nublado”.

https://www.youtube.com/watch?v=W60Sk9MhTxQ

 

Greve (João Batista de Andrade, 1979):

O documentário segue os eventos principais da greve realizada pelos trabalhadores metalúrgicos do ABC (cidades suburbanas industriais de São Paulo), liderados por Lula, em março, 1979, com testemunhais de trabalhadores que participaram, revelando as razões objetivas que os levaram a um sólido e transformador movimento. Gênero: Documentário Diretor: João Batista de Andrade Duração: 36 minutos Ano de Lançamento: 1979

https://www.youtube.com/watch?v=8p8Bwdnsooc

 

Trabalhadores: presente! (João Batista de Andrade, 1979):

“(…) comemorações do 1º de Maio, em São Paulo, quando se verificaram duas festas: uma, oficial,no estádio de futebol completamente vazio; e outra, organizada pelos trabalhadores, também num estádio de futebol na região do ABC, com mais de 150 mil participantes. Foi a primeira festa independente do trabalhador brasileiro desde 1964.” (Forumdoc/2003)

Gênero: Documentário Diretor:   João Batista de Andrade : 36 minutos Ano de Lançamento: 1979

https://www.youtube.com/watch?v=v3E3tl16hu4

 

ABC da greve (Leon Hirszman, 1979-90):

Documentário de longa metragem sobre a primeira greve brasileira fora da fábrica.Cobrindo os acontecimentos na região do grande ABC paulista,em 1979, o filme acompanha a trajetória do movimento de 150 mil metalúrgicos em luta por melhores salários e condições de vida.Sem obter suas reivindicações, decidem-se pela greve, afrontando o governo militar.Este responde com uma intervenção no sindicato da categoria.Mobilizando numeroso contingente policial o governo inicia uma grande operação de repressão.Sem opção para realizar suas assembléias, os trabalhadores são acolhidos pela Igreja.Passados 45 dias, patrões e empregados chegam a um acordo.

https://www.youtube.com/watch?v=2hhFk0cml6Y

 

LINHAMONTAGEM-696x392:

Documentário histórico sobre a gênese do movimento sindical de São Bernardo do Campo entre os anos de 1978 e 1981, quando se produziram as maiores greves de metalúrgicos na região, desafiando a repressão do final da ditadura militar. Radiografa-se a cidade no calor da grande efervescência das assembléias no estádio da Vila Euclides, onde os operários decidiam os novos rumos do movimento. As greves de 1979 e 1980 levaram à intervenção federal no Sindicato dos Metalúrgicos, à prisão de líderes, como Luís Inácio da Silva, processados com base na Lei de Segurança Nacional.

https://www.youtube.com/watch?v=svh-lGcSDmU

 

 

 

 

Cotidiano: o desejo social pela paz

 

Por Daniel Rocha

No dia 25/03/18 diversas pessoas tomaram a principal avenida da cidade em uma marcha pela paz.  A manifestação foi convocada pela Diocese de Teixeira de Freitas/Caravelas. Evangélicos e entidades da sociedade civil organizada como, associações, ONGs, sindicatos e cidadãos comuns também participaram do evento que  evidenciou, dentre outras coisas, a aspiração dos moradores de viver juntos e em paz.

Os participantes também aproveitaram para reivindicar outras necessidades e urgências como mais atenção a saúde pública. Diante desses fatos convém lembrar que não foi a primeira vez que os teixeirenses se organizaram em movimentos reivindicatórios. No passado a união dos moradores e instituição permitiu a realização de manifestações por causas diversas.

 

Em 1999, por exemplo, diversos setores da sociedade  civil organizada, associações de moradores, movimentos estudantis, CDL, OAB, maçonaria, sindicato dos bancários e comerciários, C.D.D.H, UNEB – Universidade do Estado da Bahia, pastoral da juventude, pastoral da família juntarão forças para  protestar contra a implantação do presídio de segurança máxima na cidade.

Para os organizadores do movimento o presídio, recusado por outras cidades da região, iria contribuir para o aumento da criminalidade, uma vez que infratores de todo extremo sul seriam aqui encarcerados e que, consequentemente, ficariam para morar durante e depois da condicional.

O movimento atraiu um número elevado de pessoas dos quais muitos estudantes. Embora não tenha conseguido atingir o seu objetivo inicial, que era o de impedir a construção do presídio, à passeata chamou a atenção de todos para o tema.

Em 22/04/1991, estima-se, que mais de dez mil pessoas participou de um culto ecumênico proferido por padres católicos e pastores evangélicos realizado na Praça Caravelas em razão do desaparecimento do Jornalista Ivan Rocha que denunciava em seu programa os problemas da política local, foi sequestrado e supostamente assassinado.

O evento evidenciou a insatisfação da população com a violência e e o desejo de todos de viver juntos e em paz com justiça . A notícia da realização dessas manifestações também sugere que as diferenças e crenças não impedem a expressão do sonho coletivo de uma maior fraternidade, tal como foi possível perceber na caminhada realizada no dia 24 de março na principal avenida da cidade.

 

 

Imagem: PASCOM/ Diocese

SecultBA abre inscrições do Programa Fazcultura

As inscrições de projetos culturais no programa de incentivo podem ser feitas até 01 de dezembro de 2018

 

Por  SecultBA*

Estão abertas a partir de sexta-feira, 02 de março de 2018, as inscrições para propostas culturais a serem apoiadas pelo Fazcultura – Programa Estadual de Incentivo ao Patrocínio Cultural. As inscrições podem ser feitas até 01 de dezembro deste ano, pelo Sistema de Informações e Indicadores em Cultura (SIIC), disponível no endereço http://siic.cultura.ba.gov.br. Com base no Orçamento Estadual, o Governador da Bahia, Rui Costa, assegurou para o Fazcultura, em 2018, R$ 15 milhões. A legislação do Fazcultura autoriza propostas de qualquer segmento cultural, podendo se inscrever pessoas físicas ou jurídicas, sediadas no estado da Bahia.

O Fazcultura tem efetivamente contribuído para a dinamização cultural na Bahia apoiando projetos em vários segmentos e práticas culturais. Sua principal finalidade é patrocinar, via isenção fiscal, projetos e atividades culturais que se enquadrem na Política Cultural do Estado, a partir da Lei Orgânica de Cultura da Bahia (Lei 12.365/2011), ao tempo que possibilita empresas patrocinadoras apostarem na cena cultural do estado, valorizando a marca e a responsabilidade social da empresa.

Inscrições – Para se cadastrar, deve ser feito o login no SIIC, em Inscrições Abertas – Linha de Apoio “Fazcultura”- em seguida “Inscrever-se”. O Sistema é simples e auto-explicativo. Após a inscrição o proponente receberá um e-mail automático, certificando a inscrição.

O Fazcultura, através de incentivo fiscal concedido pela Lei n° 7.015, de 09/12/1996, tem por objetivo promover as atividades culturais mediante parceria entre o poder público estadual – que disponibiliza até 80% dos recursos advindos da renúncia fiscal do ICMS (Imposto de Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) – e a iniciativa privada – empresas que investem recursos próprios a partir de 20% do custo total do projeto. A gestão do Programa é compartilhada entre a Secretaria de Cultura (SecultBA) e a Secretaria da Fazenda (SEFAZ) do Estado.

No site da SecultBA (http://www.cultura.ba.gov.br) estão disponíveis ainda a legislação, o Guia de Orientação ao Proponente e ao Patrocinador, o Passo a Passo de tramitação e a lista de projetos patrocinados. Para obter mais informações sobre o patrocínio via Fazcultura, propostas inscritas e aprovadas, o contato pode ser feito por telefone (71) 3103 3494 ou e-mail: patrocinio@cultura.ba.gov.br.

 *Assessoria de Comunicação – Secretaria de Cultura do Estado da Bahia 

Fórum Social Mundial 2018 reunirá cerca de 60 mil pessoas em Salvador

Por Ana Paula de la Orde

A 13ª edição do Fórum Social Mundial (FSM 2018) será realizada entre os dias 13 e 17 de março, em Salvador, na Bahia. Com a maior parte das atividades concentradas no Campus de Ondina da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o evento conta ainda com atividades em territórios temáticos como o Parque do Abaeté, em Itapuã, e o Parque São Bartolomeu, no Subúrbio Ferroviário da cidade.

O FSM 2018 será o espaço de diálogo e convergência de cerca de 60 mil pessoas, de 120 países, que estarão na cidade com o objetivo de debater e definir novas alternativas e estratégias de enfrentamento ao neoliberalismo, aos golpes antidemocráticos e genocidas que diversos países estão enfrentando nos últimos anos.  Com o lema “Resistir é criar. Resistir é transformar!”, o Fórum visa promover a transformação do ser humano em busca de “Um outro mundo possível”.

Representantes de entidades de países como Canadá, Marrocos, Finlândia, França, Alemanha, Tunísia, Guiné, Senegal, além de países Panamazônicos e representações nacionais já confirmaram presença no evento, entre eles, o ex-presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva; a presidente da Fundação Franz Fanon, Mireille Fanon Mendes France; o filósofo do Congo, Godefroid Ka Mana Kangudie; Francine Mestrum, da Justiça Global Social, entre outros.

Inscrições

As inscrições individuais e de organizações podem ser feitas até o dia 10 de março, através do site www.fsm2018.org ou presencialmente, durante a realização do evento. Já as inscrições para as atividades e para a Feira da Economia Solidária, foram prorrogadas e podem ser feitas até o dia 25 de fevereiro. Apenas organizações, coletivos, redes, ONGs e/ou associações podem inscrever as atividades que farão parte da Programação do Fórum.

Com o lema “Resistir é criar. Resistir é transformar!”, as atividades do Fórum devem convergir para os seguintes eixos temáticos: Ancestralidade, Terra e Territorialidade; Comunicação, Tecnologias e Mídias livres; Culturas de Resistências; Democracias; Democratização da Economia; Desenvolvimento, Justiça Social e Ambiental; Direito à Cidade; Direitos Humanos; Educação e Ciência, para Emancipação e Soberania dos Povos; Feminismos e Luta das Mulheres; Futuro do FSM; LGBTQI+ e Diversidade de Gênero; Lutas Anticoloniais; Migrações; Mundo do Trabalho; Um Mundo sem Racismo, Intolerância e Xenofobia; Paz e Solidariedade; Povos Indígenas e Vidas Negras Importam.

Todas as atividades inscritas no FSM 2018 são autogestionadas, ou seja, cada organização se responsabiliza por toda gestão do evento (formato, palestrantes, passagens, translado, hospedagem, etc.). Já a Organização do Fórum, garante a infraestrutura para a realização das atividades propostas e a divulgação na Programação do site do Fórum.

Sobre o Fórum Social Mundial

O Fórum Social Mundial é uma iniciativa da sociedade civil organizada, nascida em Porto Alegre, em 2001, que promove o encontro democrático, plural e de resistência com o objetivo de incentivar debates, aprofundamento da reflexão coletiva, troca de experiências e a constituição de coalizões e de redes entre os movimentos da sociedade civil organizada e organizações comunitárias que se opõem ao neoliberalismo e ao domínio do mundo pelo capital.

O evento é realizado a cada dois anos, sendo que nos anos de intervalo, fóruns temáticos descentralizados e autônomos são realizados para dar seguimento às articulações e reflexões críticas nos diferentes países e regiões. O último foi realizado no Canadá, em 2016.

Para a edição do FSM 2018, a novidade é unir aos eixos, lemas e bandeiras com o intuito de contribuir ao processo de mobilização e articulação das resistências entre si, que são abertos e podem ser propostos por redes, plataformas, organizações e movimentos sociais. Alguns lemas já sugeridos em consultas feitas no  site do FSM são: “A vida não é mercadoria”, “Nada sobre nós, sem nós”, “Cidadania sem Fronteiras”, “Vidas Negras Importam”, entre outros.