Arquivo da categoria: Causos

MAIO DE 68

Na Champs-Élysées, uma multidão

Empunha a liberdade guiando o povo,

Ao som de canções a iluminar a noite.

O delírio é palpável,

Como a utopia tomando o poder.

Um século de história

Revividos na intensidade

Daquele instante: éramos Maio de 68.

Onde está tudo isso agora?

Erivan Santana

 

Veja também: 

Revolução dos cravos

A estrela d’alva e o sol

Juízo final

A carta

Fim de tarde

O ensaio de Maitê

Nomes que a cidade de Teixeira de Freitas já teve

Por Daniel Rocha*

No romance Tieta do Agreste (1977), de Jorge Amado, o narrador faz muitas observações acerca da cultura popular, como:  “os nomes dados por autoridades , escritos em placas de metal confeccionadas em oficinas especializadas na cidade, não resistem às placas de madeira confeccionadas por mãos artesanais e anônimas. Mão do povo”.

Ao que parece o mesmo ocorreu  em Teixeira de Freitas, BA, onde as denominações oficiais historicamente foram substituídas por nomes populares dado pelo próprio povo.  De acordo o IBGE, em 14 de fevereiro de 1957, o povoado de São José do Rio Itanhém foi batizado com o nome de Teixeira de Freitas em homenagem ao ilustre baiano pai da estatística Brasileira, através do Ofício de nº 91, de 14 de fevereiro de 1957.

O documento oficial e o único até então conhecido que prova que existiu outra denominação antes do oficial no povoado que mais tarde, ao emancipar, manteve a homenagem ao ilustre baiano Teixeira de Freitas. Destacou José Esteves Ribeiro Neto:

“Em 1957, o então chefe da agência de estatística de Alcobaça, oficialmente solicitou a prefeitura e a câmara daquele município uma homenagem póstuma ao imortal baiano Teixeira de Freitas, dando-lhe o seu nome ao povoado de São José de Itanhém, o que foi bem aceito pelo, então, prefeito municipal”.

O batismo oficial não impediu que a cidade recebesse  alcunhas e apelidos dados pelos populares, falo isso com base nas falas de antigos moradores descritas em documentos e publicações  que serão citados a seguir.

Miguel Geraldo Farias Pires  em um compilação  histórica feita  por ele no ano  1986,  publicada na edição especial do jornal Alerta  de  maio de 2013 diz que:

“Devido a bifurcação das estradas de rodagem de Alcobaça e Água Fria, atualmente Medeiros Neto, e do povoado de São José de Itanhém até o porto de Santa Luzia, no município de Nova Viçosa – sendo esta última de propriedade da firma de madeira “Eleozibio Cunha” , o povoado de São José do Itanhém era conhecido como Perna Aberta”.

Em entrevista a revista  Origens, Teixeira de Freitas, em 1985, o senhor Servídio do Nascimento ( em  memória) recordou que além de tantos outros o município também foi  por muito tempo chamado  de   “Arripiado” ,  assim chamado por haver muita discussão e bate boca no pequeno comércio.

Recorda também o senhor Nascimento que  o primeiro comerciante do povoado, Chico D´água, ao construir  no lugar uma barraca para vender aos motoristas que passavam pela estrada da “Eliosippio Cunha”, plantou uma grande roça de  mandioca onde hoje está o centro da cidade, por isso o lugar foi apelidado  pelos madeireiros e passantes de Mandiocal.

No trabalho monográfico, A vida privada dos Negros pioneiros no povoamento de Teixeira de Freitas, na década de 1960,  Susana Ferreira evidencia que o povoado foi por um período conhecido como o Comércio dos Pretos:

“Tão logo foi aberto o caminho de terra pela empresa mineira “Elecunha”, de “Eleosippo Cunha”, mudaram se para o lugar, chamado na época de Mandiocal, os negros Francisco Silva e Manoel de Etelvina – este abriria um boteco, tornando o comerciante pioneiro. Assim iniciava o “comércio” mais tarde denominado de “Comércio dos Pretos”.

Recordou Isael de Freitas Correa (em memória) em entrevista no ano de 2009, que  “o povoado mudou de “Ripiado”, Arrepiado, para Tira-Banha, porque deram uma facada em Manoel de Etelvina, comerciante pioneiro, gordo e barrigudo”. Reza a lenda que a facada tirou a banha do pioneiro.

Como Teixeira cresceu na divisa dos municípios de Alcobaça e Caravelas, não se pode deixar de falar da parte Caravelense do povoado  a Vila Vargas, que surge com a exploração da madeira ao sul das primeiras estradas de rodagem, hoje conhecida como AV. Marachal Castelo Branco.

Benedito Ralile revela que  “a formação do povoado se deu na era Vargas, (ditadura por isso esta homenagem em detrimento ao presidente Getúlio Vargas, década de 1950)”.

E importante ressaltar que os nomes oficiais não são escolhidos pelos moradores, a denominação popular sim, tem um sentido, informa e caracteriza o lugar de acordo a sua identidade e cultura,

a  oficial não tem outra função a não ser homenagear uma figura importante da história do país e do estado.

Ao batizar o povoado com o nome de Teixeira de Freitas, as autoridades tiraram da cidade um nome coerente com sua história e cultura, como expressava o significado  dos apelidos , Comércio dos Pretos, Mandiocal, São José do Rio Itanhém.

Ainda hoje se escuta por aí alguns toponímicos como Teixeira das Tretas, Texas City,  Praças dos Leões, que oficialmente e a Castro Alves, o Bairro Wilson Brito, popularmente Buraquinho. Nomes ditos e escritos pela mão do povo.

Referencias.

RALILLE, Benedito Pereira; SOUZA, Carlos Benedito de.; SOUZA, Scheila Franca de.

Relatos históricos de Caravelas: (desde o século XVI). Caravelas, BA: Fundação Professor  Benedito Ralille, 2006.

JORNAL ALERTA. Teixeira de Freitas: (Gráfica Jornal Alerta, Ano XII N° 779ª,

maio, 2007). Edição especial de aniversário de 22 anos de Teixeira de Freitas.

BANCO DO NORDESTE, As origens. Teixeira de Freitas, Fortaleza – Ceará. P.05-07, Janeiro 1986.

FERREIRA, Susana. A vida privada de negros pioneiros no povoamento de Teixeira de Freitas na década de 1960. Uneb campus- x. Teixeira de Freitas BA, 2010.

http://www.ibge.gov.br/cidadesat/historicos_cidades/historico_conteudo.php?codmun=293135 > Acesso em: 05 de agosto 2013.

Foto: Lateral da prefeitura municipal 1985.Jornal Alerta 2013.

Daniel Rocha*

Historiador, Bacharel em Serviço Social, Pós-Graduado em Educação à Distância (EAD), Cinéfilo e blogueiro criador do blog Tirabanha em 2010.

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Emancipação: História e memória

Suburbanos – Volume II

Por Daniel Rocha

O que acontece com os heróis do nosso dia-a-dia em um país como o Brasil que oferece um desafio a cada esquina? E o que dizer dos guerreiros cariocas em uma  das mais populosas metrópoles do mundo? Essa parece ser a proposta de Suburbanos – Volume II (44 páginas, HQ em preto e branco) que será lançada em maio pela Companhia de Quadrinhos Independentes.

Com roteiros e desenhos de Paulo Chacon, Suburbanos – Volume II promete uma edição totalmente dedicada aos maiores heróis do subúrbio carioca: Melecman, Broto Maravilha, Capitão Bangu, Camelô Prodígio, Pingaman e Garota do Flamengo. A HQ é uma continuação de Suburbanos -Volume I (publicação indicada em três categorias no troféu HQMIX de 2015).

“As pessoas que acompanham o trabalho da CQI sempre me perguntavam sobre isso. “Quando vai sair o segundo volume de Suburbanos?” E eu, todo enrolando com outras HQs e meu trabalho, dizia: “tá no forno, lançaremos em breve,” mas do jeito que as coisas estavam parecia mais que estava era na geladeira. Jorge Ventura, meu amigo e editor da CQI, também cobrava: “você precisa fazer um segundo volume, tem muita gente que se amarra nessas tiras”. Porém, em 2016, aconteceu a indicação da Companhia de Quadrinhos Independentes ao troféu HQMIX(Suburbanos foi indicado em três categorias e O reverso do Morcego, de autoria do Jorge Ventura, foi indicado em quatro categorias). No fim não levamos o troféu, mas isso me motivou a escrever o segundo volume. E aperfeiçoar o que fosse necessário. A arte, o roteiro, o acabamento, enfim, eu acredito que sempre podemos melhorar nossos trabalhos. O leitor merece isso”. Revelou Paulo Cheacom.

 

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A HQ Suburbanos – Volume  II tem data de lançamento confirmada para maio e  poderá ser adquirida   diretamente com o autor via Facebook ou pelo endereço de correio eletrônico chacon92@bol.com.br 

Leia e descubra porque os heróis do cotidiano são os verdadeiros embaixadores da cultura popular brasileira. Os únicos capazes de sobressair e derrotar os vilões da rotina, a cada esquina.

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Batmania – O retorno

 

 

 

Teixeira de Freitas Secreta : A igreja subterrânea

Por Daniel Rocha

Quem poderia adivinhar que no centro de Teixeira de Freitas, próximo à Avenida Presidente Getúlio Vargas, uma das mais movimentadas do extremo sul baiano, existe uma antiga igreja subterrânea que por muitos anos teve por perto a primeira cruz erguida oficialmente pela igreja católica na cidade?  

Construída no ano de 1973, a igreja subterrânea, popularmente conhecida entre católicos por “Igrejinha subterrânea”, fica localizada na Rua do Rotary Club ao lado do antigo fórum, de frente da unidade municipal Materno Infantil (HUMI) e da residência paroquial da São Francisco. 

Presente em uma das áreas de maior movimento a igrejinha, que raramente é percebida por quem passa, tem uma estrutura simples acessada via porta frontal e uma escadaria de 17 degraus que leva a um pequeno salão abaixo de aproximadamente 225 metros quadrados e um antigo altar construído no estilo anos 1970, hoje sem adornos religiosos.  

Não há no lugar nenhum luxo arquitetônico, somente um vitral muito pequeno e circular no teto faz lembrar que o visitante está a alguns metros abaixo do nível do solo e  que revela sutilmente uma certa influência europeia na arquitetura.  

Uma pequenina placa de mármore na entrada de uma das salas que compõem o espaço indica que foi ali que nasceu o movimento carismático, fé conservadora, na cidade. Já o piso, a julgar pelo desgaste que apresenta, leva a concluir que nunca foi trocado desde a construção.  

De acordo com  holandês Frei Elias (em memória) em um vídeo publicado no site da diocese, aquela seria a fundação do projeto original de uma igreja franciscana não concluída completamente em 1973. Do meu ponto de vista o alto crescimento populacional obrigou a igreja planejar algo maior para um povoado que crescia com status de cidade, embora com graves problemas sociais. 

Nos anos de 1970, devido a alta exclusão social verificada nos dois últimos presidentes militares, os franciscanos e a igreja atuava fortemente para dar assistências aos pobres, fé social, tanto que a maioria das igrejas católicas aberta na cidade eram também escolas e centro comunitário, exigindo espaços maiores. 

 

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Na época o que restou do antigo projeto da Igreja foi transformado na Igreja Subterrânea de São Francisco que tinha próxima a sua área uma cruz de Jacarandá, a mesma colocada na primeira capela construída no centro da cidade, Praça dos Leões, dedicada a Santo Antônio. 

A cruz que ficava na esquina do terreno, voltada para a avenida Getúlio Vargas tinha registrado no muro de sustentação o seguinte texto: “Sob este signo vencerás”. Esse cruzeiro marca a história de Teixeira de Freitas ela foi colocada em frente à capelinha antiga em 1954 e na igreja São Pedro em 1979 e fixada em 1984 neste templo cristão”.   

De 1981 à 1983 a “Igrejinha subterrânea” foi local de missas e o ponto de encontro da primeira formação do movimento da renovação Carismática Católica ( RCC) do extremo sul da Bahia.  

O grupo de RCC denominado Emanuel cresceu rapidamente e ganhou força exigindo mais espaço e ,por essa razão, os organizadores percebendo a necessidade transferiu os encontros para a Igreja São Pedro, como já dito, em 1984.   

 

 

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Estima – se que, a “Igrejinha Subterrânea” ficou em atividade até os anos de 1988 e 1989, funcionando ocasionalmente até meados dos anos de 1990. Nos anos 2000 ficou praticamente abandonada e em alguns momentos restrita até o ano de 2011, quando foi restaurada e aberta em 2014 para receber a visita da imagem pelegrina de Nossa Senhora Aparecida. 

Atualmente no endereço funciona o grupo “23 de maio” dos Alcoólicos Anônimos (AA) cujas reuniões às quartas-feiras e aos sábados das 19 às 21 horas, são abertas ao público. O lugar está sob responsabilidade do grupo que a mais de 20 anos vem resgatando do vício milhares de pessoas da cidade.  

A igrejinha é um lugar de memória, pois nela está registrada a marca da presença franciscana na região. Sobretudo das freiras e  padres holandeses que dedicaram suas vidas a evangelização e a educação da sociedade.  

Importa ainda dizer que em uma cidade como Teixeira de Freitas onde construções do passado são modificadas e destruídas com regularidade é interessante recordar a igreja, conhecer e preservar o lugar que não conta, mas permite estabelecer conexões com a história e a memória religiosa local.  

Para que no futuro não ocorra o mesmo que aconteceu com a pioneira Cruz de Jacarandá que terminou esquecida e deteriorada pelo tempo, em uma das avenidas mais movimentadas do extremo sul baiano. 

 

Fontes Referências 

HOOIJ, Frei Elias. Os desbravadores do Extremo sul da Bahia. História da presença franciscana nesta região – Raízes e frutos, Belo Horizonte, 2011. 

Entrevista com os Frei Elias Hooij, Marcos Monteiro e Lourenço  Tollenaar. Revista dos Franciscanos. Província Santa Cruz, Edição – nº 02 de Abril/junho de 2011. 

Shcerer, Karine Pagliosa. A renovação Carismática Católica na condição Pós-Moderna e na Hipermodernidade. As características do seus sujeitos ante as novas tendências dos tempos atuais. Consultado em 02/02/18. Disponível em: https://sapientia.pucsp.br/bitstream/handle/1912/1/Karine%20Pagliosa%20Scherer.pdf  

Igreja subterrânea recebe a imagem peregrina de nossa senhora aparecida. Consultado em 12/12/15. http://saofranciscotx.com/home/igreja-subterranea-recebe-a-imagem-peregrina-de-nossa-senhora-aparecida 
Segundo dia  do tríduo de 24 anos da paróquia São Francisco. Consultado em 2016  

http://saofranciscotx.com/home/segundo-dia-do-triduo-de-24-anos-da-paroquia/ 
RCC História. Consultado em 03/ 08 /17/ 2017. Dísponivel em:  http://rccteixeira.com.br/historia/ 

Entrevista Frei Elias Hooij: Entrevista concedida a Câmara Municipal de Teixeira de Freitas-BA – 26 de Janeiro de 2016. Acessado em 2017. Dísponivel em: https://www.youtube.com/watch?v=gPChWhyu8Fo&t=76s 

Colaboraram: 

Roselane Neves, relatos orais. 

Marielson Ribas, transporte e cálculos. 

Julian Rigo ( coordenadora da Pastoral da Comunicação Diocesana) via email. 

Imagens: 

Foto da igreja:  

Google 

Foto da Cruz de Jacarandá: 

Extraída da Revista .As origens. Teixeira de Freitas, Fortaleza – Ceará. P.05-07, Janeiro 1986. 

 Grupo de RCC década de 1980

Extraida do site rccteixeira.com.br
 

Se você chegou até aqui parabéns! Tens o hábito da leitura.

 

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Mulher a frente da luta

Por Daniel Rocha

Não apenas por fazer parte da comissão de coordenação da CUT do Extremo Sul baiano e ocupar o cargo de primeira secretária do Sindicato intermunicipal dos Agentes Comunitários de Saúde e Endemias do Extremo Sul da Bahia(SINDACESB), mas por ser uma mulher cheias de  vivências que entrevistamos Cris Oliveira.

 

01 – Como mãe, chefe de família agente comunitária de saúde como  pensa que está se saindo como Sindicalista?

Como sindicalista tem crescido muito, ainda estou em fase de aprendizagem, mas com muita vontade de aprender mais e mais, cada luta além de ser uma vitória é também um aprendizado. Fazer sindicalismo não é uma tarefa fácil, mas é prazeroso!

 

02 – A SINDACESB tem um expressiva participação feminina em seu quadro, você pensa que esse fato possibilita a outras mulheres se conscientizarem sobre a importância de se fazer presente nas instâncias decisórias das entidades sindicais?

Com certeza sim, o fato de termos mulheres participando do SINDACESB  influencia e muito as outras mulheres a estarem a frente na luta. Fato esse que, a cada dia mais mulheres têm aderido aos movimentos sociais. Tem procurado o seu lugar frente às entidades sindicais.

 

03 – Na sua opinião os sindicatos regionais têm valorizado o protagonismo feminino e tem buscado evidenciar e compreender que são as mulheres portadoras de rotinas específicas que moldam seu engajamento?

Ainda temos muito a melhorar em relação à valorização das mulheres nas entidades sindicais. Mas, comparando a décadas anteriores avançamos bastante. As mulheres têm o seu potencial, são guerreiras, inteligentes e fortes. Por mais que sejamos portadoras de rotinas diferenciadas somos capazes de exercer sempre algo a mais.Discutem muito a questão da Paridade mas, na prática não ocorre. É lamentável, mas, é fato! De uma coisa tenho  certeza às mulheres têm potencial para liderar, pra dirigir, pra se pronunciar, enfim, está à frente caso seja necessário. É preciso apenas que nos permitam!

 

04 – Grande parte do mercado empregador , regional, ainda considera a mulher como uma simples prestadora de serviço e não como uma trabalhadora com variações sociais, culturais e familiares, na sua opinião qual caminho para mudar essa realidade?

A mulher já demonstrou que é capaz. Acredito que para mudar essa realidade é preciso que o machismo seja exterminado. Vivemos em uma sociedade extremamente machista. Infelizmente, o que impede a mulher de avançar, ou melhor, o que faz com que sejamos comparadas de tal forma é essa cultura machista que vem predominando de geração em geração. NÃO AO MACHISMO!

 

05 – O movimento sindical tem contribuído para ampliar ainda mais a visão sobre a importância da solidariedade entre os trabalhadores especialmente em relação às mulheres, nos últimos tempos temos tidos avanços ou retrocessos?

O movimento sindical tem avançado nos últimos tempos em relação ao empenho para ampliar essa visão sobre a importância da mulher. E é um papel nosso como sindicalista dar continuidade incentivando a solidariedade entre os trabalhadores e as trabalhadoras.

 

06- Do seu ponto de vista sobre a mídia, por  qual razão a TV brasileira não destaca em seus jornais e novelas mulheres sindicalistas?

A mídia é gerenciada por homens poderosos, brancos, e de grande poder aquisitivo.  Onde o machismo predomina e isso faz com que a discriminação da mulher aconteça de um modo geral. Se for negra, pobre e sindicalista ainda mais. Não é interessante para a mídia divulgar o potencial das mulheres sindicalistas que lutam pelos seus direitos e pelos direitos de um povo que necessitam ser respeitados.

 

07 – Que recado você gostaria de deixar para as mulheres  trabalhadoras do Extremo Sul da Bahia neste dia internacional da Mulher?

Que lute pelos seus direitos e ideais. Que não aceite ser inferiorizada. Que Valorize os seus potenciais, pois, toda mulher independente de cor ou raça ou crença merece ser respeitada e valorizada! Ocupe o seu espaço, conquiste seus sonhos e avance sempre!

 

 

 

A verdadeira face do carnaval

Por Erivan Santana

O desfile da escola de samba Paraíso do Tuiuti na Marquês de Sapucaí no Rio de Janeiro, no domingo (11/2), está sendo considerado um dos mais politizados dos últimos anos, revelando o que é o verdadeiro carnaval: contestação e subversão.

A escola simplesmente retratou o atual contexto social e político do país, conquistando o povo pela sua coragem e originalidade. Com o enredo “Meu Deus, Meu Deus, Está Extinta a Escravidão?”, foram percorridos séculos de nossa história, mostrando que a escravidão somente mudou a forma, mas continua sendo exercida através de reformas trabalhistas enganosas e golpes modernos, apoiados por muitos setores da mídia hegemônica e outros tantos setores do Judiciário.

O afrodescendente continua sendo explorado, os mais pobres continuam sendo massacrados em guetos e favelas, enquanto uma elite encastelada no Executivo, Legislativo e Judiciário se locupletam de vantagens e benesses que envergonham o mais humilde trabalhador brasileiro.

Por isso, a Tuiuti nos revela que o carnaval pertence ao povo, manifestando suas alegrias, dores e tristezas. Mas foi constrangedor perceber a parcialidade da principal emissora de tv do país, com os seus apresentadores e jornalistas limitando ao máximo seus comentários acerca do que viam.

Esta parcialidade percebida em muitos setores da imprensa brasileira, também conhecida como quinto poder, é visível, assim como este fenômeno é percebido em outros poderes, como o Judiciário, que deveria se pautar pela absoluta imparcialidade.

Ademais, o carnaval apresentado por esta escola de samba recupera a crença nos valores da espontaneidade, criatividade e criticidade tão presentes no nosso povo, sendo que o samba e as marchinhas de carnaval são veículos perfeitos para esta representação.

Estas reflexões se tornam extremamente relevantes, num momento em que se discute o verdadeiro papel e função da arte. Obrigado, Paraíso do Tuiuiti por nos representar. Viva o Brasil! Viva o povo brasileiro!

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Em 1981 crítica à ditadura animou o Carnaval em Caravelas

Por Daniel Rocha

No início de 1980 o regime militar cambaleava, os partidos e a sociedade civil organizada alinhavam-se nas capitais e no interior para exigir a volta da democracia e o fim da supressão dos direitos constitucionais.  

Em 1982 novos desdobramentos dos protestos de rua contra a ditadura ganhavam força às vésperas da realização das eleições diretas para governador, a primeira depois do golpe de 1964.  

Uma informação publicada em um jornal da época, chama a atenção e sugere que os foliões da cidade de Caravelas usaram a liberdade proporcionada pelo carnaval para ocupar as ruas e endossar as críticas ao general João Figueiredo, então presidente do país.  

Segundo o jornal uma marchinha de carnaval composta pelo morador  Clodomir Siquara,  no ano anterior , 1981, fez sucesso entre os citadinos e turistas de várias partes que participaram da festa carnavalesca da cidade, “a mais popular e tradicional da região”.  

Entoada em protesto contra o ditador João Figueiredo, a marchinha em questão, que conquistou o gosto dos foliões, denunciava, dentre outras coisas, a situação do precário abastecimento nacional e a escassez de Petróleo causada pela inoperância do governo e por uma crise internacional. Confira os versos.

“Ai seu João, Deixa eu Brincar. Com meu carro de mão. Meu carro não tem farol, não tem Buzina. Não gasta Gasolina. Ai seu João. Ele gasta só um pouquinho de feijão. O meu carro é de brinquedo, seu Figueiredo.”  

Considerando a “popularidade” da música carnavalesca suponho que os foliões já demonstravam disposição para os protestos, tal como os brasileiros moradores das principais capitais, que timidamente tomaram as ruas em 1982 e, definitivamente, em 1983 e 1984 pelas “Diretas Já”. Movimento que veio a culminar com a eleição indireta de Tancredo Neves à presidência em 1985. 

No presente com o atual presidente, Michel Temer, ostentando o posto de líder mais impopular da história do país, não se assuste se novas músicas e marchinhas de protestos invadir o carnaval da região e do país.

 

Anos 1990 em Teixeira de Freitas: A garota mais bonita da cidade

Por Daniel Rocha
Durante os anos de 1980 e início dos anos de 1990 ser agraciada com um título de beleza, como o de Miss, supostamente, aumentava a esperança de qualquer garota conseguir destaque em capas de revista e jornais que reforçavam o discurso que a beleza era um passaporte para o sucesso e uma boa posição social. 
Nessa época, no extremo sul da Bahia, concursos de beleza eram realizados em todos os lugares e cidades da região. Havia concursos para  a escolha da Miss escola, Miss da cidade, da Rainha do Milho, do Carnaval, da Gincana e da Garota Carinho, dentro outros.  
Em janeiro de 1986, por exemplo, destacou o Jornal A tarde, que a cidade de Itamaraju organizou e elegeu sua “Garota Carinho”  Veruscka Carneiro como a mais bela entre as concorrentes. Além da faixa de primeiro lugar a vencedora também conquistou o direito de participar de uma etapa regional na cidade de Itabuna. 
 Embora sem muitas fontes escritas sobre, estima-se que em Teixeira de Freitas os concursos de beleza também foram constantes nas referidas décadas. De maneira que em 1991 uma de suas cidadãs, Isolda Vasconcelos , conquistou o título de Miss estadual. 
Nascida na cidade a modelo  Isolda Vasconcelos alcançou o posto de figura mais popular  de Teixeira  depois de ter conquistado, com apenas 12 anos, o concurso de Miss Estudantil em 1985 e o título de Miss Bahia em 1991.
De família de classe média a modelo representava os ideais e o tipo de mulher que toda garota deveria ser. A prova da sua popularidade é que ao publicar uma entrevista com a modelo em  Março de 1992, por exemplo, a revista local Regional Sul destacou: “atendendo às inúmeras solicitações de nossos leitores. Fizemos uma entrevista com a Bela Isolda”.  
Ocorre que ao analisar a entrevista publicada na revista fica evidente, a meu ver, que a modelo não reforçou os conceitos vigentes sobre estética, sucesso e fama que levava milhares de meninas aos concursos de beleza e sonhar com uma “liberdade” subsidiada pela fama.  

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                         Isolda em um Show de calouros

Por exemplo, ao ser interrogada sobre o que pensava em relação à carreira de modelo no Brasil a Miss que já havia passado a faixa em fevereiro daquele ano respondeu:
 “Infelizmente no nosso país a profissão não está sendo considerada, digo isso pelo alto índice de prostituição que existe no meio, hoje em dia para se ter um bom desempenho é preciso que se submeta às certas coisas, isso me deixa um pouco decepcionada”. 
 Ao ser indagada sobre o futuro e ambições profissionais afirmou, brevemente, expressando  liberdade : “pretendo estudar muito fazer faculdade de economia.”  
Reforçando suas perspectivas, quando quis saber a revista qual conselho teria para dar as garotas que sonhavam em ser uma modelo conhecida, frisou.
“Que estudem muito e se preparem não para viverem num mundo de sonhos, mas sim, para serem, fortes e dignas dentro da profissão.” 
 De acordo com as minhas interpretações para os fatos e a contextualização dos mesmos a postura da Miss, durante a entrevista, de não glamorizar os discursos existentes sobre a profissão de modelo, foi de contra os estereótipos de mulher  sempre bela e perfeita que não existia e não existe na vida cotidiana. 
 
Postura bem-vinda em uma sociedade onde as mulheres, filhas de trabalhadores e trabalhadoras, privadas pela oferta insuficiente de vagas nas unidades de ensino técnico e superior, começavam a ter como maior preocupação a inserção no mercado de trabalho pela competência e estudo e não pela beleza.  
—————————————————————————————–
Fontes  e Referências bibliográficas:
Del Priore, Mary. Histórias íntimas: sexualidade e erotismo na história do Brasil. São Paulo; Planeta. 2011.
Revista Regional Sul. Teixeira de Freitas – Bahia. Março de 1992.Lima. Evandro. 
Festa Elegeu  Garota Carinho.  Os melhores momentos de um repórter. Salvador; Jotanesi. 1990 Isolda participa de programa de rádio. 
Foto publicada por Cley Brito no Museu Virtual de Teixeira de Freitas.
Foto : Isolda Carla. Foto revista

Documentário “Eu não sou Negro” disponível no Youtube

Por Daniel Rocha

O documentário americano Eu não sou Negro ( “I’m Not Your Negro”)  baseado no livro inacabado de James Baldwin (romancista, ensaísta, dramaturgo, poeta e crítico social estadunidense) ,falecido em 1987, sobre o racismo nos EUA faz uma excelente introdução a história do negro americano e as questões raciais contemporâneas.

 

Com relatos sobre as vidas e assassinatos dos líderes ativistas Medgar Evers, Malcolm X e Martin Luther King Jr o longa é um  registro  único sobre política racial daquele país.

 

Feito de forma concisa e emocionante o documentário  que foi indicado ao Oscar 2017 não é um filme divertido mas é  intimista e evidencia o quanto a história do negro americano carece de abordagens mais verdadeira nas telas. A direção é do diretor haitiano Raoul Peck a narração é do ator Samuel L. Jackson. Disponível no Youtube. 

 

Só mais um esforço

Brasileiros, mais um esforço

Se quiserdes ser republicanos.

A educação será tema popular,

  A saúde não será vendida,

E a constiuição será preservada!

Só mais um esforço

Leiam Drummond, abram a janela

E vejam na minha camisa:

I love you, Brasil!

Erivan Santana

 

 

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A estrela d’alva e o sol

Juízo final

A carta

Fim de tarde

O ensaio de Maitê

Revolução dos cravos