Por Daniel Rocha
Antes da construção e inauguração do Jacarandá Country Club em 1974/75, Teixeira de Freitas já possuía uma rica tradição carnavalesca, embora marcada por restrições sociais e costumes conservadores. Na década de 1960, o carnaval era celebrado com bailes em espaços populares, como cinemas e pensões, além de uma animada festa de rua na Avenida Marechal Castelo Branco, no centro da cidade, próximo ao local onde hoje se encontra o supermercado Faé.
De acordo com relatos de um morador antigo, que preferiu permanecer anônimo, o carnaval da época era caracterizado pela participação de moradores fantasiados e pela presença de curiosos que acompanhavam a folia.
No entanto, a sociedade teixeirense era “profundamente conservadora”, e muitos jovens eram proibidos pelos pais de participar das festas. As mulheres, em particular, tinham horários rígidos para retornar às suas casas e não eram bem-vistas em espaços públicos sem a companhia de familiares.

Um episódio curioso, narrado pelo mesmo morador, ocorreu na segunda metade da década de 1960, quando a falta de mulheres nas ruas durante o carnaval levou alguns rapazes a buscar participantes na “rua do Brega”, área conhecida pela presença de profissionais do sexo. “Só havia homens… As mulheres estavam todas em casa, proibidas pelos pais de comparecer ao local. A solução foi trazer as mulheres da ‘rua do Brega’ para animar o carnaval, que estava sem graça. Com a chegada delas, a festa seguiu até o amanhecer”, relatou o morador.
O memorialista Domingos Cajueiro, embora não tenha conhecimento específico sobre o episódio mencionado, confirmou que, na década de 1960, o carnaval era realizado no centro da cidade e que tanto moças quanto rapazes enfrentavam restrições impostas por famílias conservadoras. Ele próprio, assim como seus irmãos, não tinha permissão para participar das festas devido às convicções religiosas de seus pais.
Com a inauguração do Jacarandá Country Club, a cidade ganhou um espaço adequado para eventos sociais e festas familiares. Dr. Jacob M. Medeiros, um dos fundadores do clube, destacou em uma reportagem comemorativa dos 40 anos da instituição, publicada em 2015, que o Jacarandá trouxe uma nova dinâmica para o carnaval local, com blocos organizados por voluntárias como D. Marlene, Dulcineia, Tutinha e D. Célia de Rubens Dantas.

A folia durava três dias e se estendia até o amanhecer, marcando uma nova era para as celebrações carnavalescas na cidade. No entanto, o carnaval de rua, que havia sido uma tradição popular e menos restritiva até a primeira metade da década de 1970, começou a perder espaço com a abertura de estradas que conectavam Teixeira de Freitas a cidades litorâneas como Caravelas e Alcobaça, que se tornaram referência para os moradores.
A migração das festas para espaços privados e elitizados e a consolidação da festa da cidade como uma espécie de carnaval fora de época, contribuíram para o declínio da celebração popular que havia marcado as décadas de 1960 e 1970.
Época em que o carnaval de rua era realizado nas principais avenidas e praças da cidade, como a Praça dos Leões e da prefeitura, animado por figuras emblemáticas como o farmacêutico Urias, Tião Santiago e Alceu Gonçalves Lopes. Assim, de uma festa popular e comunitária, marcada por restrições e e costumes conservadores, até a consolidação de espaços privados como o Jacarandá Country Club, a história do carnaval teixeirense é um testemunho das mudanças que moldaram a identidade da cidade.
Daniel Rocha da Silva*
Historiador graduado e Pós-graduado em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.
Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com
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