Por Daniel Rocha

Antes da inauguração do Jacarandá Country Club na década de setenta (1975) e da realização de memoráveis bailes de carnaval na agremiação formada por membros da classe média local, Teixeira de Freitas já teve um carnaval de rua proibido para algumas moças e rapazes.  

Conforme um morador antigo que pediu para não ter o nome revelado por vergonha de narrar um fato que vamos trazer mais a frente, na década de 1960 o carnaval se caracterizava pela realização de bailes em espaços populares como cinema, pensões e a realização de uma festa de rua com a presença de moradores fantasiados. 

lembrou o antigo morador de 70 anos que o finado Militão Guerra, proprietário do Cine Elisabeth, era um dos que organizava a festa, contudo não soube responder quem era os outros. Algo que tem certeza é que a festa era realizada na Avenida Marechal Castelo Branco, centro, próximo onde hoje fica o supermercado Faé. 

Ainda de acordo com o morador anônimo, nos dias de carnaval muita gente se fantasiava e brincava nas ruas lotadas não só por foliões, mas também curiosos que nem sempre tinham dinheiro para se fantasiar. Outro fato que destacou foi de que na época Teixeira ainda era um povoado muito conservador. 

Segundo relatou, algumas moças eram proibidas de ir para rua durante o carnaval. Na época mulheres tinham hora para voltar para casa e não era bem vistas andando sozinhas sem companhia de um irmão ou parente, tampouco participando de festa carnavalesca sem a presença da família. Tanto que em um carnaval realizado na segunda metade da década de 1960 “faltou mulher na rua e alguns rapazes tiveram que ir buscar no Brega, zona de meretrício.” Como bem disse o antigo morador: 

“Só tinha homens… As mulheres estavam todas dentro de casa proibidas pelos pais de comparecer ao local. A solução foi trazer todas as mulheres da “rua do Brega” para animar o carnaval que estava sem graça. Com a chegada das meninas a festa seguiu até amanhecer”. 

O memorialista Domingos Cajueiro diz que não se lembra de ter ouvido relatos sobre o fato relacionado às mulheres da rua do Brega, mas recorda que na década de 1960 eram realizadas festas de carnaval no centro e que não só as meninas, mas também alguns rapazes eram proibidos pelos pais de comparecer ao carnaval na avenida. Inclusive ele e os irmãos, na época adolescentes, não contavam com o consentimento dos pais, católicos, para sair de casa para festa. 
 
Em uma reportagem sobre a inauguração do Clube Jacarandá, contido na revista sobre os 40 anos de fundação do espaço, lançada em 2015, um dos fundadores, DR. Jacob M. Medeiros, destacou que antes do clube não havia espaço adequado para encontros e festas familiares, mas que, depois da construção e inauguração do Jacarandá em 1975 a cidade finalmente passou a contar com um local adequado: 


“Tempo em que nos divertimos com as festas de carnaval e os blocos organizados formados por D. Marlene, esposa de Te Brito, Dulcineia, Tutinha, D. Célia de Rubens Dantas e outras voluntárias que ficavam incumbidas da arrumação dos blocos onde a folia durava maravilhosos 3 dias encerrando sempre com os raios de sol das 07hs da manhã.” 


 Carnaval de rua em Teixeira de Freitas. Anos 70. Foto: Deus Moreira

Ainda de acordo com o morador anônimo, até a primeira metade da década de 1970 o carnaval de rua de Teixeira de Freitas foi realizado com poucas restrições sexistas e mais participação popular, contudo, a abertura de estradas ligando o povoado as cidades do litoral como Caravelas e Alcobaça e o deslocamento da festa para espaços privados e elitizados pode ter levado a extinção da festa popular que marcou a lembrança de quem viveu os anos de 1960 e 1970 em Teixeira de Freitas.

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduado em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

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