Por Daniel Rocha
Em algum lugar do universo, dois cometas com trajetórias contrárias se encontram e a luz produzida, por esse momento, viaja pelo espaço até ser visualizado por um observador qualquer, anos depois do fenomenal encontro.
Essa foi a sensação que eu tive depois de ler o A menina do céu cor-de-rosa (De Athylla Borborema; PERSE ;144 PÁGS) que traz na íntegra uma série de entrevistas realizada pelo jornalista com a menor MSC no início da década de 1990.
O livro que mistura acontecimentos reais com fatos fictícios, narra a história de uma menor que fugindo da violência domestica praticada pelo pai no Espírito Santos, acaba na rota de prostituição do Extremo Sul da Bahia.
O primeiro encontro entre os dois ocorre na Rua Mauá, zona de baixo meretrício de Teixeira de Freitas, onde a personagem MSC se torna uma mulher prostituta com sonhos e lembranças.
Interessante é que os encontros entre o entrevistador e a adolescente não ocorrem apenas uma vez e nem no mesmo lugar. A cada nova entrevista, um detalhe, um fato novo traz à tona revelações e narrativas que provocam o juízo de valor do leitor.
Apesar de não ser o foco do livro, falta à obra um pouco mais sobre o momento vivido pela região do extremo sul da Bahia, local onde a menor recorrem à ao vasto mundo da prostituição para sobreviver.
Por exemplo, o “booom” das cidades litorâneas na década de 1990 que atraía turistas de todas as partes do Brasil e do mundo em busca de prazer e sexualidade, principalmente em Porto Seguro e suas praias.
Um bom negócio para os cafetões do ramo que aproveitavam da fragilidade dos menores e do recém criado Estatuto da criança e adolescente para lucrar com a venda de sexo aos turistas.
Mas nada ofusca as luzes do grande encontro, um estudante de jornalismo do Extremo Sul da Bahia e uma menina prostituída que sobrevive marcada pelas lembranças do passado.
Duas almas em rotas opostas separadas pelas expectativas de dias melhores que, diante da cruel realidade testemunhada e vivida, se desmancha entre um encontro e outro.
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