A história do cinema nacional é marcada pela irreverência e recheada de curiosidades. Um exemplo emblemático ocorreu em fevereiro de 1971, quando o juiz da 12ª Vara Cível, Narciso Arlindo Pinto, ordenou a apreensão do filme Memórias de Um Gigolô (Brasil, 1970) em todo o país. A medida foi solicitada pela Paramount Films of Brazil Inc. e pela Companhia Cinematográfica Franco-Brasileira.**

De acordo com o Jornal do Brasil de 9 de fevereiro de 1971, as empresas justificaram a retirada do filme alegando que a Ipanema Filmes S.A., responsável por sua distribuição no Brasil, havia se recusado a dividir os lucros das bilheterias, contrariando os termos contratuais previamente ajustados.

Ainda segundo o periódico, o ator Jece Valadão, que desempenhava um papel de destaque no longa, era também um dos produtores e acionista da Ipanema Filmes, o que intensificava o conflito.

Dirigido por Alberto Pieralisi e produzido pela Magnus, o filme tem roteiro inspirado na obra de Marcos Rey e conta com um elenco renomado, incluindo Cláudio Cavalcanti, Mariana Ghessa, Fábio Sabag e Afonso Stuart. Memórias de Um Gigolô foi um grande sucesso de público, ocupando a quarta posição entre os filmes mais assistidos no Brasil em 1970, com uma audiência estimada em 1.277.932 espectadores. Essa inusitada combinação de sucesso e bastidores tumultuados só reforça o quanto o cinema brasileiro sabe surpreender!

Fonte:

Jornal do Brasil, 09/02/1971. 1º caderno. Nacional. Pagina 15. Acervo do site.

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