No dia 17 de maio de 1968, Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo, foi palco de um episódio de grande agitação social. Centenas de trabalhadores da Fábrica de Cimento Barbará, que havia sido recentemente encampada pela prefeitura, saíram às ruas em uma manifestação que abalou a rotina da cidade e forçou o fechamento do comércio local.
De acordo com informações divulgadas na época, o prefeito Raimundo Andrade teria incentivado os trabalhadores a promoverem o ato como forma de pressionar a Câmara Municipal. O objetivo seria garantir a aprovação de uma mensagem enviada pelo Executivo, cujo teor não foi detalhado. A mobilização, entretanto, tomou proporções inesperadas, com registros de violência e a necessidade de intervenção policial para dispersar os manifestantes.

O clima de tensão levou lojistas a fechar suas portas, temendo pela segurança de seus estabelecimentos. Enquanto isso, a polícia atuava para conter os ânimos do grupo e restabelecer a ordem. A manifestação destacou o delicado equilíbrio entre as demandas trabalhistas e as disputas políticas locais, especialmente em um contexto nacional marcado pela repressão e pelo autoritarismo do regime militar.
Este episódio reflete as complexas relações entre poder público e força de trabalho, bem como o impacto das decisões políticas na vida cotidiana de cidades do interior. A encampação, retomada coercitiva do serviço pelo poder concedente, da fábrica pela prefeitura e o uso estratégico da mobilização popular pelo prefeito Raimundo Andrade revelam as tensões e os desafios enfrentados por lideranças locais em um período de grande instabilidade social no Brasil , então sob um violenta dituadura militar.
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