Por Daniel Rocha
Indicado ao Oscar de Melhor Filme, Anora (2024) é daqueles filmes que te pegam de jeito e não soltam mais. Ele mistura risada, drama e uma crítica pesada sobre como as relações humanas são afetadas pelas diferenças sociais.
É daqueles que você sai da sala de cinema (ou do sofá) meio tonto, pensando: “Caramba, o que foi que eu acabei de ver?” E, ainda assim, com vontade de assistir de novo pra entender melhor as duras verdades que ele joga na nossa cara.
A história começa com Anora, uma stripper do Brooklyn, que vira uma espécie de Cinderela moderna ao conhecer o filho de um oligarca russo. Apaixonada e cheia de esperança, ela se casa com ele sem pensar duas vezes, achando que finalmente encontrou seu príncipe encantado.

Mas, claro, a vida não é um conto de fadas. Quando a notícia do casamento chega à Rússia, os pais do rapaz caem de paraquedas em Nova York com uma missão: acabar com esse “erro” a qualquer custo. E é aí que o filme começa a mostrar como o amor e o afeto podem ser distorcidos pelas diferenças de classe.
Anora, interpretada pela incrível Mikey Madison (que está concorrendo ao Oscar, e com razão!), é uma personagem que vive na corda bamba. No começo, ela tá cheia de esperança, acreditando que o amor pode mudar sua vida. Mas essa ilusão dura pouco.
A burguesia, representada pelos pais do noivo, não só ri dela, como faz questão de mostrar que gente como Anora nunca vai ser aceita no mundo deles. É um riso cruel, que deixa claro: para eles, os pobres são só entretenimento.
O filme ainda joga uma luz bem dura sobre como o afeto vira mercadoria. As relações sexuais, por exemplo, são mostradas como algo mecânico, sem nenhum romantismo. O corpo vira ferramenta de trabalho, e o amor, moeda de troca. É um retrato realista e triste de como as estruturas sociais esvaziam as relações humanas, transformando tudo em transação. E essa, meus amigos, é a dura verdade que o filme nos soca na cara.
E não dá pra falar de Anora sem mencionar a atuação da Mikey Madison. Ela manda bem demais, mostrando toda a vulnerabilidade e força da personagem. Você sente na pele a luta dela para manter a dignidade num mundo que só quer esmagá-la. É uma performance que mistura energia bruta e emoção pura, e é impossível não se identificar com ela.
No fim das contas, Anora é um filme que mistura comédia e tragédia para falar sobre desigualdade social de um jeito que cutuca. A cena final é daquelas que te deixa pensando por dias, sem respostas fáceis. Mas uma coisa é certa: o filme mostra que, mesmo num mundo tão dividido, o amor verdadeiro acaba existindo para além dos padrões e das ilusões que acabam imperando. E é essa mensagem, dura e necessária, que faz de Anora uma obra que fica na cabeça — e no coração.

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