Por Daniel Rocha

Ao ser instada a projetar os futuros possíveis de Teixeira de Freitas, no extremo sul da Bahia, uma inteligência artificial delineou dois cenários contrastantes: de um lado, a hipótese do abandono e do colapso ambiental; de outro, a possibilidade da reinvenção urbana sob bases sustentáveis.

Na tradição dos estudos urbanos, o abandono de cidades encontra explicação em múltiplas causas, entre as quais a perda das atividades econômicas que asseguravam sua vitalidade, os desastres naturais recorrentes, como enchentes e secas, e as pressões ambientais oriundas da poluição.

A esses fatores somam-se variáveis sociais e políticas: a violência, a má gestão governamental, a ausência de controle sobre a ilegalidade e, sobretudo, o deslocamento populacional em direção a territórios que oferecem melhores condições de trabalho e vida.

Avenidas Marechal Castelo Branco

No primeiro conjunto de imagens, a cidade aparece abandonada. Avenidas Marechal Castelo Branco cobertas por vegetação, carros enferrujados esquecidos nas margens e ruas desertas sugerem o retorno da Mata Atlântica ao espaço urbano depois de abandonada.

Rotatória da Melancia

Essa visão distópica aponta para as possíveis consequências de desastres naturais, como enchentes e secas, aliados ao desgaste econômico, à poluição, à violência, à má gestão governamental e ao êxodo da população em busca de melhores oportunidades, como bem expressa a imagem dá a Rotatória da Melancia, um símbolo conhecido da cidade e um ponto de referência no bairro São José, localizado na Praça Joana Angélica.

ShopingTeixeira Mall

Um retrato simbólico gerado pela AI, a partir de uma imagem fornecida  é o do Shoping Teixeira Mall, aparecendo alagado como se a antiga lagoa que existia no lugar, soterrada durante sua construção, tivesse renascido. A cena projeta os impactos da elevação do nível do mar ou, também,  do colapso da rede de drenagem urbana, obrigando o abandono do lugar, dentro do contexto das mudanças climáticas.

AV. Princesa Isabel

Nessa versão do futuro, a referência regional de desenvolvimento, o centro de Teixeira de Freitas, trevo da Avenida Marechal Castelo branco com a Princesa Isabel,  é mostrada esvaziada, devolvida à natureza pelo crescimento urbano desordenado e pelo uso predatório dos recursos naturais.

Prefeitura Municipal

Tal como na imagem da prefeitura municipal, que mostra Carros abandonados, enferrujados e cobertos por vegetação. Macacos explorando o ambiente, em cima dos veículos e nas janelas. Prédios tomados por plantas, com raízes rompendo o asfalto e árvores crescendo no telhado.Um clima de abandono, mas também de resiliência da natureza.
A IA também explorou a possibilidade de desertificação urbana, imaginando locais populares pela intensa circulação de pessoas em cenários áridos e abandonados. Um exemplo é a Escola Militar Anísio Teixeira, situada na Avenida das Nações, retratada como uma estrutura esquecida, cercada por um ambiente seco e hostil.

Em outra imagem, o antigo terminal urbano — a rodoviária velha — também aparece em estado de abandono, imersa em um cenário desértico, reforçando a ideia de uma cidade que perdeu sua vitalidade social e funcional.
Esse tipo de cenário pode ser provocado por fatores como o desmatamento excessivo, o avanço desordenado da urbanização, a escassez hídrica e o agravamento das mudanças climáticas, que juntos comprometem a sustentabilidade ambiental e a permanência humana.

Rodoviária Velha


A IA também arriscou um futuro em estética cyberpunk. A partir de imagens aéreas da cidade, a paisagem urbana foi redesenhada em um cenário distópico: alta tecnologia convivendo com baixa qualidade de vida, ruas sombrias dominadas por megacorporações e uma sociedade marcada pela desigualdade social e pela decadência estrutural.

imaginário Cyberpunk

Mas há também a visão otimista. no horizonte mais promissor, desponta a possibilidade de uma Teixeira de Freitas reinventada sob os princípios das cidades sustentáveis e inteligentes. As projeções apontam para um espaço urbano redesenhado, com arquitetura moderna, moradias dignas e sistemas de mobilidade integrados que priorizam o transporte coletivo de qualidade e ciclovias seguras, reduzindo a dependência de veículos individuais e ampliando a qualidade de vida.

Trevo da Antiga Casa Barbosa

Avenidas como a Marechal Castelo Branco surgem transformadas em áreas de convivência planejadas para o equilíbrio: pedestres, ciclistas e motoristas compartilham o mesmo espaço de forma harmônica, em um desenho urbano que coloca as pessoas no centro, e não apenas os automóveis.

A mensagem dessa projeção ficticia é direta: o futuro da cidade não será obra do acaso, mas das escolhas feitas agora por sua população e seus gestores. Se o modelo de desenvolvimento continuar ignorando a necessidade de reinvenção urbana, o destino poderá ser a desertificação social e o esvaziamento da vida comunitária.

Rotatória da Pão Gostoso 

Por outro lado, se houver investimentos consistentes na recuperação das matas, na preservação dos mananciais e em um planejamento urbano inteligente, Teixeira de Freitas poderá se consolidar como referência em sustentabilidade, garantindo desenvolvimento, resiliência e qualidade de vida para as próximas gerações.

Daniel Rocha – Historiador graduado e pós-graduado em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

Contato:

WhatsApp: (73) 99811-8769

E-mail: samuithi@hotmail.com


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