Por Daniel Rocha

Pouca gente imagina que o feriado mais alegre do calendário pode guardar histórias assustadoras. Mas foi exatamente isso que aconteceu no Carnaval de 2001, em Nova Viçosa, no extremo sul da Bahia.

Em meio ao clima de descanso e diversão de uma das praias mais movimentadas da cidade turística, um episódio raro e chocante interrompeu a tranquilidade do mar: um ataque de tubarão deixou gravemente ferido um adolescente mineiro de apenas 12 anos.

Segundo o relato do pai, aos jornais, os três estavam separados por poucos metros quando, de repente, o menino sentiu uma forte mordida. Ao ver o sangue se espalhar na água, a vítima chegou a dizer que havia sido atacado por um cachorro. Só ao tentar erguer a perna percebeu a gravidade do ferimento: parte do membro havia sido arrancada.

O ataque mutilou a perna esquerda do adolescente, morador de Governador Valadares (MG), que passava o feriado de Carnaval com a família no litoral baiano.

O socorro foi imediato. Ele foi levado às pressas para o Hospital Roberto Arnizaut Silvares, em São Mateus, no norte do Espírito Santo, onde passou por uma cirurgia delicada para regularização do coto, cerca de seis centímetros abaixo do joelho.

Em seguida, foi transferido para o Hospital São Vicente, em sua cidade natal, onde permaneceu em observação médica.

Na época, o caso ganhou grande repercussão na imprensa. Especialistas ouvidos por jornais e telejornais apontaram possíveis fatores ambientais que poderiam ter contribuído para o episódio, considerado raro na região.

A circulação intensa de embarcações e o descarte de restos de pescado no mar naquele período teriam atraído o tubarão para áreas mais próximas da costa — um comportamento natural, mas incomum para aquela praia.

O caso teve ampla repercussão, foi destaque em jornais da Bahia e de outros estados e ganhou espaço em uma reportagem do Jornal Hoje, da Rede Globo, provocando grande comoção e inúmeros comentários em todo o país.

Em Nova Viçosa, o episódio entrou para a memória coletiva como um acontecimento triste, raro e assustador — lembrado até hoje como o ataque de tubarão ocorrido em pleno Carnaval, o dia em que o mar surpreendeu e chocou a cidade.

Daniel Rocha da Silva
Historiador graduado e pós-graduado em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.
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